Para Você - Interativa
3 #03 Um novo amanhã - Parte II
Notas iniciais
— Nada em si é bom ou mau; Tudo depende daquilo que pensamos... — Indagou um jovem de olhos azuis como a água. Em sua mão, um livro que é conhecido pela humanidade por ser um dos mais poéticos e talvez, mais bem desenvolvidos...
Seu rosto estava calmo, e sua testa estava levemente franzida que completava aquele rosto sério que parecia não ligar mais para nada. Estava sentado em uma cadeira, em uma sala de jantar que estaria apenas ele e a sua frente um prato de comida que mais parecia uma obra de arte.
— O Senhor não irá servir-se? — Perguntou uma mulher que estaria com um lenço simples em sua mão. Suas roupas demonstravam seu cargo naquela casa; Empregada.
— Hã? Não, obrigado. Estou sem fome hoje. — Indagou enquanto apenas posicionaria um pequeno marca letras em seu livro, por fim levantando-se da mesa de jantar e indo em direção a seu quarto. Parecia estar novamente pensativo, e não era para menos, a alguns dias seu pai deu-lhe um xeque durante uma conversa e falou para o mesmo que "ferramentas" quebradas são inúteis... Ele iria para um colégio interno, na verdade, ele mesmo não sabia se realmente aquilo deveria ser ruim.
Em passos lentos, o garoto que vestia roupas de grife simplesmente fora sem demoras para seu quarto, porém quando finalmente pisaria no primeiro degrau, um tremor seguido de um barulho ensurdecedor o derrubou no chão, e este, em um movimento defensivo, abraçou-se a seu livro e com os ante-braços pressionou seu próprio ouvido para que ao menos parte daquele barulho fosse diminuído.
Por fim, tudo teria um simples fim... O garoto pouco a pouco começaria a se levantar, e por fim, quando já estaria já ajoelhado, sentiu uma mão em suas costas e em seguida, uma voz já familiar para ele.
— Senhor Crimson, está bem? — A empregada apesar de estar nas mesmas situações de seu "patrão" ainda sim teve tempo de importar-se com o mesmo por simples razões; Todos naquela casa já sabiam o quão frágil era o corpo do jovem desde seu nascimento. Apesar de tudo, uma das coisas que Allen mais odiava era deixar-se abater e até mesmo demonstrar tal fragilidade física.
— Estou! — Respondeu, enquanto se levantava bruscamente deixando seu livro no chão.
Subindo repentinamente rápido as escadas de sua grande casa, simplesmente fora até seu quarto que era talvez o menor, porém mais arrumado além de possuir uma das melhores vistas para toda a cidade, oque já era bem chamativo para um quarto. Estava obviamente curioso. Oque tinha acabado de acontecer? Algum tipo de explosão nuclear? Uma Guerra? Ou simplesmente algum tipo de terremoto? Não sabia, e na verdade aquele dia teria sido o primeiro que o mesmo acabou não lendo jornais, logo não tinha como saber se realmente tinha sido algo problemático.
Felizmente o jovem era esperto e calmo o suficiente para raciocinar, e nisto, simplesmente abriu a janela de seu quarto. A cena vista por ele não só foi fantástica como também o lembrava de inúmeras obras que o mesmo teria lido durante sua vida.
— Extraordinário! — Indagou abrindo pela primeira vez naquele dia um real sorriso.
Mas oque ele enxergou? Simples! Toda a aparência de sua cidade natal agora tinha sido drasticamente mudada. Postes de luz caídos sobre carros, inúmeros vidros destruídos e na verdade, oque realmente lhe chamava atenção era um pequeno rastro de fogo que levava para alguma coisa um pouco mais afrente de sua casa.
Ao virar-se, percebeu a destruição proveniente da caótica anormalidade sísmica, e na verdade, diferente do que realmente era esperado, Allen estava calmo e até mesmo demonstrava uma certa felicidade interna de finalmente poder presenciar algo que talvez o chamasse atenção após anos.
Seu objetivo era óbvio junto ao sentimento atual; Curiosidade. Estava totalmente disposto a ir até onde aquele rastro de chamas estaria, e pela primeira vez, acabou sendo guiado por sentimentos.
Em passos cada vez mais lentos, Allen continuava seu caminho dentre os escombros de algumas casas e carros que teriam sido derrubados durante todo o pandemônio que teria inicio possivelmente após tudo aquilo. Apesar de tudo era estranho ver que Allen tinha dificuldade para andar, oque tinha acontecido com ele? Simples; durante toda a destruição, seu pé sofreu uma pequena torção que nos primeiros minutos fora relativamente esquecidas devido a aceleração do sangue e a adrenalina que corria no corpo do garoto... Infelizmente, tal coisa não durou para sempre e a dor agora começaria a dificultar até mesmo pequenos movimentos com o pé do garoto.
— O que é isto?! — Indagou, demonstrando um tom de voz mais surpreso.
E não era por nada! A frente do garoto estaria finalmente o "culpado" por toda a destruição. Uma grande e enorme pedra negra que mais parecia algum tipo de rocha de basalto. Era estranho, mas ainda sim não era muito grande, possuindo apenas 7 metros de comprimento e 6 metros de altura, porém era óbvio que tal era muito maior, vendo que durante sua trajetória, o calor acabou transformando parte do mesmo em cinzas...
— Tsc... Realmente perdi meu tempo para simplesmente isto? — Queixou-se, ainda com dores.
Apesar de tudo, o garoto mantinha uma certa distância... Uma ação que o salvou por pouco da sua própria morte. Era óbvio que tal coisa chamaria uma quantidade um tanto quanto alta de pessoas ao redor daquela "simples pedra", e como já era de se esperar, todas aquelas pessoas que já julgavam ser sobreviventes, fizeram uma pequena "roda" afrente do meteorito, que logo demonstrou que talvez o pior inimigo não fosse toda a destruição causada até agora...
O Meteorito que até então mantinha-se intacto simplesmente rachou-se diagonalmente. Todos por um momento apenas olharam para abertura que teria sido aberta, e enquanto a maioria se mantinha em silêncio, uma estranha fumaça agora começaria a ser expelida pela abertura. Era uma fumaça vermelha que mais lembrava algum tipo de bomba usada para conter multidões, porém diferente de tais bombas, ainda sim era possível ver oque estava sendo levemente cobrido...
Mas oque poderia ser de tão ruim? Algum tipo de sais? Talvez, mas junto a tal coisa, uma toxina até então não conhecida pela humanidade começaria a tomar conta rapidamente de uma área consideravelmente grande.
Um a um, aquelas pessoas que estavam perto caiam e enquanto observava tal coisa, Allen percebeu que talvez fugir seria uma boa opção.
Na fumaça, era possível ver que as pessoas ainda tinham vida, mas de alguma maneira, seus corpos não mais respondiam, e em meio a gritos de desespero, podia se ver pessoas basicamente terem seus corpos transformados... Tanto a pele quanto os olhos daqueles civis ficavam totalmente negros, e antes que eles pudessem ter a morte, era possível ver oque parecia raízes saírem de seus corpos, oque aumentava gradativamente a fumaça...
Allen corria o máximo que podia para frente, porém seu pé já não mais tinha força o suficiente para fazê-lo correr significativamente e a fumaça aproximava-se cada vez mais do jovem que parecia agora demonstrar um desespero em ter uma morte tão horrível...
Quando tudo parecia finalmente se estabilizar, e Allen começaria a ganhar um pouco de velocidade, acabou tropeçando em pedras que o derrubaram e por fim, deixaram o jovem a mercê da fumaça que não regredia nem um pouco com a forte tempestade que se aproximava.
Ele manteve-se o máximo possível focado em não desistir, e se arrastando enquanto ainda continuava na tentativa de se levantar, acabou sendo coberto pela fumaça que logo começou a criar os mesmos efeitos no pobre garoto que já não pode mais tentar fugir daquela fumaça. Pouco a pouco seus movimentos corporais pareciam serem cortados, e a falta de oxigênio pouco a pouco levava Allen ao esforço máximo em tentar-se manter vivo, porém... Logo acabou cedendo para tudo aquilo, e sem mais escolhas, parecia não mais lutar contra a morte eminente... Seria seu fim?
[...]
Durante o tempo em que nós tentamos nos acalmar após ver um de nossos amigos ter uma morte trágica, percebemos uma estranha cortina de fumaça tomar cada vez mais parte da cidade vizinha da nossa... Aquele local nos dava uma visão quase que privilegiada, e isto fora oque realmente criou mais perguntas que nenhum de nós parecia ter a mínima ideia de como responder.
— Precisamos sair daqui... Não sabemos se aquele tremor será o único. — Disse Leona, que diferente das outras pessoas parecia ter se mantido até muito calma... Talvez o fato de não ser muito amiga de Rob fora oque causou esta falta de empatia, mas ainda sim era melhor seguirmos para longe da ponte se realmente não quiséssemos acabar como Rob.
Ainda desolados, seguimos por fim para a rua mais próxima onde finalmente pudermos sentar um pouco para ao menos pensar sobre a morte trágica de um de nós... Estava obviamente abatido, e na verdade, um pouco confuso. Oque realmente havia acontecido? Não tinha certeza, mas por enquanto, ficar simplesmente quieto seria o melhor a se fazer....
Tudo se mantinha quieto pelos próximos vinte e cinco minutos. Nós preferimos ir andando até a minha casa, que por sinal era a mais perto daquele local, mas durante a pequena caminhada acabamos esbarrando com alguns policiais que vestiam uma roupa estranha e em meio aquilo, os mesmos pareciam não ter muito tempo.
— Vão para o Hospital, crianças. Lá estará um grupo de bombeiros para auxilia-los e responder algumas perguntas. — Alertou o ultimo dos policiais que diferente dos outros, não decidiu seguir sem nem ao menos falar conosco.
Não sabíamos se realmente ir para o hospital seria uma boa. Todos ali sabiam que a mãe de Rob trabalhava meio período como uma enfermeira naquele tal hospital, e dar uma noticia tão ruim para uma senhora de idade não seria realmente bom naquela hora, porém todos pareciam demonstrar uma certa preocupação em ter respostas sobre tudo oque tinha acontecido, e por escolha de praticamente todos, acabamos seguindo realmente para o hospital.
Fale com o autor