Para Uma Garota Morta
1 Um poema de uma garota viva para uma garota morta
Notas iniciais
Há uma garota
Que olha para a janela
E se lembra que sempre quis voar
Mas ela sabe que se pular,
Não irá ao paraíso
Ele não existe
Só acredita no inferno em que está
Escuta os sussurros, se mantendo muda
Os gritos do mundo são muitos altos
E quando ela pede por socorro
Sua voz é baixa e lenta
Ninguém a pode escutar
Escrevo palavras de esperança
Percebo que sou mais uma tola
Quando suas lágrimas caem no papel
E borram as minhas frases complicadas
Todos me diziam
Não perca essa garota
Eu não podia perdê-la
Encontrá-la de volta
Conhecê-la por inteiro
E muito menos tê-la
Uma mudança repentina
Um olá sem emoção
Essa camada protetora
Não me impediu de saber
Eu via como seus olhos brilhavam
E seu coração batia rápido
Sempre quando a envolvia em um abraço
Seus olhos atualmente estão fechados
E seu coração, frio e sem vida
A única maneira de que
Seu desespero e a culpa
Não borbulhassem no fundo
E as frases de raiva parassem
Era atirando em sua própria cabeça
Sua mente já estava perdida
E sua essência é guardada
Em um lugar abaixo da terra
O seu brilho se apaga
Seu amor está fossilizado
O ódio vai secando
Até que em seu interior
Não sobre nada
No funeral há muito barulho
Para uma pessoa feita de silêncio
Todos choram pela notícia
Eu dou um sorriso sincero
Sabia que apenas morte
Era o que a faria feliz
Seu fim
Era um começo
Seu suicídio
Uma escolha
E sua morte
Uma nova vida
Eu amava uma morta por dentro
Sua vida era desconhecida
Agora a vejo morta por fora
Sua morte é incompreensível
Ela assombra as minhas noites
Sei que não estou sozinha
Ela invade meus sonhos
As perguntas permanecem em mim
E eu acordo sem saber os seus porquês
Uma certa noite
Em pesadelos a vi
Olhando em meus olhos
Tocando meu rosto
Dizia que não tinha tempo
Logo haveria de partir
Eu perguntei
Qual a razão de dar um fim
Em algo tão valioso como sua vida?
E ela me respondeu
A vida começa simples
Se tornando complexa
E as coisas que consideremos valiosas
São apenas mais futilidades
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