Para Todo O Sempre
15 Capítulo 15
Notas iniciais
O avião decolou a as últimas coisas que vi foi as nuvens. Acordei com o brutamontes me cutucando.
- Que é? – falei toda sonolenta
- Vamos andando, chegamos ao Brasil – falou ele todo sério
- Só um pergunta – falei me espreguiçando – qual o seu nome?
- Marco...
Sorri. Descemos do avião e eu fiquei esperando ele fazer aquelas coisas todas. Sentei-me numa cadeira ali perto, algumas garotas me olhavam e cochichavam, será que elas sabem quem eu sou?
O bruta... Marco já estava vindo, então me levantei e o segui. Entramos num carro todo preto, e lá dentro estava meu pai.
- Oi minha filha! – ele abriu os braços, olhei diretamente pros seus olhos e sentei-me – Não vai me responder?
- Oi – falei friamente.
Meu pai fez um sinal para o motorista e fomos para nossa casa. Desci do carro e caiu uma lágrima, meu mundo estava desmoronando. Eu não tinha ninguém com quem contar. Minhas amigas estavam num intercâmbio para os Estados Unidos e eu estava presa com o meu pai.
Entrei. Nada havia mudado, tudo estava do mesmo jeito. Subi as escadas e tranquei-me no meu quarto. Joguei-me na cama e comecei a chorar. Isso não poderia estar acontecendo comigo.
A única coisa que tinha sobrado desse tempo, eram as lembranças. Lembranças que jamais esquecerei. Eu vou voltar pra Londres, e nada vai me impedir.
Passei a tarde assim, me lamentando. Até que recebi uma mensagem, era da Dani, minha amiga desde sempre.
- “Meu Deus eu soube da notícia, você tá bem?”
Ah Dani... Pensei que ela me queria morta por não tê-la levado comigo e nem ter mandado cartas e sms pra ela. Eu me esqueci completamente... Como?
- “Ai Dani... Sinceramente? Meu mundo se foi”
- “Vou indo pra ai agora está bem? Beijos”
Eu sou a pior amiga que existe. Mais isso na minha lista de “piores coisas que se pode acontecer”. A campainha tocou e eu fui atender, era Dani. Abracei-a tão forte, que amiga. Fomos até meu quarto.
- Dani, me desculpe por não ter ligado, mandado carta, mensagem, me desculpe! – coloquei as mãos em meu rosto e comecei a chorar.
- Ei – ela tirou minhas mãos do rosto – não precisa chorar. Eu entendo o quão boa era sua situação e eu vou estar aqui, sempre.
Nos abraçamos novamente.
- Agora me conte tudo.
- Você não sabe?
- Não...
- Você não acredita... – sentei-me ao seu lado e contei tudo, ficamos um bom tempo conversando.
- Bom... – ela estava em lágrimas – eu sinto muito, vou fazer tudo pra ajudar – ela me abraçou.
Ligamos a TV e assistimos alguma coisa, não estava prestando a atenção, minha cabeça só tinha um rumo, e era essa rumo que eu ia seguir.
Dani dormiu aqui essa noite. Colocamos as fofocas em dia, e eu até acabei amenizando a situação, como é bom ter uma amiga. Na manhã seguinte acordei com o sol batendo em minha cara. Olhei para o chão e Dani não estava lá, havia um bilhete.
“Querida, tive que ir. Vamos para o lago a 1h, se quiser ir, me ligue. Beijos xx”
Será? Deixei pra pensar nisso mais tarde, eram 9h e eu estava faminta. Desci até a cozinha e meu pai estava lendo jornal. Peguei um sanduíche e um suco de laranja e fui para o meu quarto. Não aguentava aquele homem, muito menos agora.
Estava pensando em ir para o lago com a Dani, iria ser uma ótima ideia, longe de tudo e de todos. Peguei meu celular e fui mandar uma mensagem pra ela, quando meu pai entrou no quarto.
- Vamos, se arrume
- Por quê? Eu nem se quer vou sair hoje – falei olhando pro celular
- Você vai – ele me pegou pelo braço e me levantou a força, tirei sua mão nojenta com tapas
- E por acaso aonde o senhor vai me levar?
- Pro colégio
- Não, eu não quero ir pra escola está bem? – falei sentando na cama
- Interno
Era o fim da picada, fiquei com a minha boca aberta e eu não conseguia pensar em nada. “Interno” ecoava dentro da minha cabeça, parecia que não ia ter fim.
- Vamos, faça sua mala. Você vai hoje mesmo pra lá
- NÃO! – gritei e sai correndo pela porta do meu quarto
John veio atrás de mim. Estava descendo as escadas o mais rápido que pude, mas fui pega pelo Marco. Ele me pegou pela cintura e levou-me até o meu quarto, trancando-me lá. Eu e meu pai.
- Eu não quero ir – falei chorando – eu tenho vida sabia?
- Eu controlo a sua vida, enquanto você estiver aqui
- Então eu vou pra Londres, vou voltar pro meu lugar! – gritei
- Seu lugar – ele fez a volta me mim – é aqui – e me deu um tapa no rosto me fazendo cair na cama – e você não vai pensar em fugir.
- Sai DAQUI! – joguei meu travesseiro nele que apenas o segurou.
- 2 minutos – ele jogo o travesseiro no chão e saiu do quarto.
Eu não me levantei, muito menos arrumei minhas malas. Peguei meu celular e mandei uma mensagem pra Dani.
- “Meu pai enlouqueceu, irei para um colégio interno daqui a meia hora...”
Meu pai adentrou o quarto novamente.
- SAIA DAQUI! – gritei
- Não é você que me manda
Ele pegou minha mala, jogou algumas roupas dentro, pegou-me pelo braço e me levou até o carro. Jogou-me no branco de trás e me levou até o colégio.
Era uma coisa velha e feia, não se passava de um colégio pra adestrar meninas. Quando ele falou em colégio interno pensei que seria igual ao filme Garota Mimada, mas é pior.
É um bando de patricinhas que aprendem “boas maneiras”. O uniforme é rosinha e todas tem pais ricos e passam a imagem de poder, idiotice. Tentei entrar novamente no carro mas Marco não me deixou, olhei para ele e ele me olhou de volta, com um olhar de vai dar tudo certo, eu prometo.
Peguei minhas malas e a diretora (uma loira oxigenada cheia de plástica) me conduziu até o quarto. Felizmente não havia ninguém lá, coloquei minha mala em cima da cama e comecei a chorar, até que recebi uma mensagem da Dani.
- “O quê? Isso não pode acontecer, se eu pudesse fazer alguma coisa...”
- “Não amiga, fique bem, curta sua vida. Tudo vai melhorar” – respondi, chorando.
- “Que Deus te ouça” – ela respondeu logo em seguida.
Abri minha mala e tinha dois guarda-roupas, certamente um era pra colega de quarto. Estava guardando minhas roupas quando entrou uma menina, que (finalmente) não era loura.
Tinha os cabelos cor de mel e os olhos verdes. Sinceramente ela era bem bonita, e parecia ser bem tímida. Colocou sua mala em cima da cama e deitou-se com as mãos no rosto.
- Oi... – falei com vergonha
- Oi – ela falou, abafado
- Você está bem? – falei sentando-me na ponta da cama
- Eu estou aqui, nessa... Bosta! – ela olhou para todas as paredes do quarto – Eu não estou bem!
- Somos duas – falei, levantando-me e colocando uma roupa no cabide.
Ela se levantou, sutilmente.
- Me desculpe, fui grossa com você
- Que nada, eu te entendo. Também estou aqui contra a minha vontade – revirei os olhos e segurei uma lágrima
- É? Por quê? – sentamos na cama e eu contei toda a história pra ela, que ficou comovida.
Aquele colégio era totalmente estranho. Cheio de patricinhas fúteis, isso mesmo, não é um colégio interno onde os bons valores são aplicados, longe disso. É praticamente “a casa das patricinhas”.
Fomos até o pátio para uma cerimônia, não demorou muito para voltarmos para os nossos quartos. Espero que isso tudo passe voando. Sentei-me na cama e re-li o recado de Zayn.
- Espero que Agosto, me traga você – falei baixinho, apenas para mim ouvir.
“Querido diário
Tudo o que eu queria era estar em Londres, mesmo sem fazer nada, mesmo dormindo na rua. Estando lá já seria muito gratificante, mas o mundo da voltas e a vida resolve passar a perna na gente.
Entrei nesse “colégio de patricinhas” e não consigo parar de pensar no Zayn, não vejo mais graça no sol brilhando lá fora e não me preocupo em ficar cada vez mais branca. Não me importo com a minha aparência e nem mesmo se minhas unhas estão boas.
Não quero viver nesse inferno com pessoas que olham só para a ponta do seu nariz. Sorrir? Só quando alguma coisa é muito engraçada.
Enfim, deixo aqui minhas palavras de tristeza, tristeza a qual não desejo para ninguém.”
Passou-se alguns meses, não lembro ao certo quanto. Já havia me acostumado com aquelas patricinhas, e fiz uma grande amizade. Saímos juntas daquele colégio, e sempre nos falávamos. Durante esse tempo, não me esqueci de Zayn, e nem pude, a cada hora, minuto, lia e relia o seu poema.
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