Notas iniciais
Eu sei que sou trouxa e postei o capítulo antes da data prevista de atualização, mas como estou em época de férias, vamos lá.

— Yura... – sussurrou Otabek quando entrou o quarto do hospital.

Yuri ainda dormia, ligado aos aparelhos dispostos ao lado de sua cama. Respirava por meio deles. O rosto estava machucado, as mãos estavam, todo seu delicado corpo estava ferido e tremia por um possível pesadelo do qual os remédios não o permitiam acordar.

Ao lado do loiro, na cama, estava Yuuri, segurando em sua mãozinha. Bem, não era tão mais pequena, já que Yura havia crescido bastante, mas... Yuuri ainda o via como uma criança que precisava de proteção.

— O que houve com ele? O QUE HOUVE COM ELE?? – a voz de Otabek ressoou pelo hospital. Viktor teve de segurá-lo para que não avançasse sobre um inimigo invisível.

— Está tudo bem! – disse o russo. – O médico já disse que ele vai ficar bem. Mas você precisa se acalmar. Yurio não ia querer que você ficasse assim.

— Como...? Ele estava bem. Ele disse que estava ansioso.

— Foi pouco depois do seu vôo sair. – respondeu Yuuri. – Ele disse que passaria correndo em uma loja para pegar algo. E então nos ligaram falando que ele estava no hospital.

— Parece que foi briga de rua. Testemunhas disseram que viram alguns rapazes encurralarem Yurio. – Viktor explicou olhando para o “filho”. Ele mesmo ainda não acreditava que aquilo estava acontecendo. – Primeiro socos e chutes e.... – o russo engoliu as próprias palavras, mas mesmo assim continuou. – Depois um deles sacou uma arma e atirou.

Otabek se aproximou da cama, tentando processar as informações. Com mãos hesitantes e relutante em se aproximar, colocou as suas sobre as de Yura. Ele estava um pouco gelado.

Yuuri se levantou, em uma forma de respeito, e se retirou do quarto com Viktor. Os dois jovens precisavam de um momento a sós.

— Yura... – sussurrou o cazaque, agora segurando a mão do namorado com mais força e se debruçando sobre ele. Seus lábios roçavam na testa do loiro. – Eu estou aqui agora! Vou ficar até que melhore. – ele passou acariciou os fios dourados, que a fada russa havia deixado crescer. Ele dizia que queria cortar como o de Beka. “Primeiro peça permissão ao seu avô” era sempre a resposta que ele recebia. – Quem fez isso com você, meu amor?

Os olhos de Otabek correram pelas feridas de Yuri, por seu delicado rosto, até o criado mudo ao lado da cama onde estavam os pertences do russo. Ali se encontravam sua carteira, os cordões, brincos e anéis que usavam e tinha um... pedaço de pano rasgado. Beka pegou aquele retalho e o abriu com cuidado, olhando para a estampa costurada nele. O desenho era uma borboleta negra.

— Você tirou isso deles, não foi? – ele perguntou, guardando o pano em seu bolso e pegando na mão de Yura novamente. – Você é mesmo forte, meu amado soldado. Eu vou descobrir quem fez isso, Yura. Eu vou fazer eles pagarem.

A mão de Yuri fechou um pouco contra a do namorado. Era como se quisesse lhe dizer algo. “Não vá”, “É perigoso”, “Deixei isso para a polícia”, mas Otabek, pela primeira vez, não realizaria um desejo dele. Estava cego por um desejo de vingança que surgira assim que vira Yurio naquela cama, indefeso, machucado e dependente. Aquela imagem não era a imagem que conhecia dele. Não era a imagem que o próprio Yuri queria para si. E Otabek estava disposto a se condenar pelo orgulho de Yura.

Estava disposto a reviver algo de seu passado que não queria reviver. Algo doloroso, mas que usaria contra quem ousou tocar em sua amada fada.

Notas finais
O Yura não está morto gente, relaxem os corações! Mas ainda tem bastante história pela frente, então de aviso fica: preparem os corações!