Notas iniciais
Boa noite a todas, sextou em um universo que foi predominado por segundas, mas chegamos com o epílogo em uma data mais do que especial. Hoje faz três anos que postei Para Te Encontrar e apesar de não ser minha ideia inicial comemorar aniversário nessa fanfic, estou feliz por estar encerrando-a em meio ao festejo. Quero agradecer imensamente o apoio durante esses três anos. Nos 39 capítulos postados, com as quase 250 mil palavras. Todas as reviews e recomendações. A todos que acompanharam e marcaram nos favoritos. Inclusive, dedico o capítulo a Gleice Kelly, que nos brindou com uma nova recomendação, muitíssimo obrigada. E claro, dedico também a todas que participaram de algum modo dessa jornada. Aqui o ciclo de PTE será encerrado, mas espero que para sempre essa estória tenha um lugar em seus corações, assim como terá no meu. Foi uma honra escrever essa narrativa passada na Inglaterra, com Beward tão interligados a música e plots diferenciados. E por uma última vez. Apreciem Sem Moderação... Capítulo Postado Em: 02/09/22 – Aniversário de três anos de Para Te Encontrar...

Cinco anos depois...

Nem acredito que esse dia finalmente chegou...

Após cinco anos de muito esforço, estudo, noites insones, exaustão não só física, como também mental, enfim Edward e eu vamos nos formar.

Como fizemos dois cursos intercalados, nosso período de estudos poderia ter se estendido até a seis anos, mas conseguimos unificar as graduações ao longo desse tempo para concluir após cinco anos de formação.

De fato já encerramos o ciclo, já que hoje será a cerimônia de formatura e a partir dela deixaremos de ser apenas estudantes, passando oficialmente a profissionais da música.

Com nossa graduação conjunta em composição e arranjo, Edward e eu estamos aptos a trabalhar com a criação de partituras para instrumentistas e cantores solos, como também organizar tal trabalho para elaboração de trilhas sonoras completas destinadas a produtos de arte e áudio visual, como filmes, peças teatrais, etc.

E é com o que de fato estamos trabalhando no momento, já que a cerca de um ano fomos convidados a integrar um time de criadores para um grande grupo de teatro da cidade e desde então estamos envolvidos nos projetos do mesmo e já foram exibidas três peças contando com nossa colaboração.

Uma das grandes novidades a partir de agora é que Edward passará a integrar também a equipe de apresentações, executando a sonoridade no piano. Pois com sua graduação conjunta em instrumento, aperfeiçoou todo o talento nato que possuía desde a infância e agora com a aprovação técnica foi convidado a começar a se apresentar também no palco.

Enquanto eu, em paralelo ao projeto teatral, desde o último semestre fui indicada por um de meus professores para começar a trabalhar em uma gravadora, auxiliando na preparação vocal dos artistas, feito proveniente da minha especialização paralela em canto.

Apesar de convites e incentivos distintos, Edward e eu mantivemos a ideia firme de não procurar uma carreira musical efetiva, com o intuito de nos tornar cantores profissionais e famosos.

Continuamos amando cantar, nos apresentar, compor canções inspiradas em nossas vidas, mas nunca visamos mais do que tínhamos antigamente ou do que possuímos hoje.

Essa vida, essa jornada, a carreira que estamos estabelecendo é o que realmente almejamos ao nosso caminho. E quem sabe o que o futuro ainda reserva?

Não tenho dúvida de que haverão entrelaces criativos que nos farão projetar nossa arte performática em conjunto, mas conforme acontecer apreciaremos de modo tranquilo e sem deixar de sermos nós mesmos.

Até aqui as coisas correram conforme esperado, por isso não tenho pelo que temer ao que está prestes a vir...

Logo após meu aniversário de 20 anos e o tempo turvo que o antecedeu, uma calmaria bem-vinda nos assolou. E a primeira decisão que tomei foi a de continuar morando com os meus pais.

Quando escolhi deixar a pousada por conta das situações adversas que passei, não calculei por quanto tempo ficaria distante, mas após experimentar a dinâmica familiar nunca antes vivida e com a resolução benéfica dos meus pais, ainda mais em meio à expectativa do bebê, percebi verdadeiramente que precisava daquilo, viver aquela experiência completa, antes de prosseguir para novos rumos.

É claro que após passar um semestre em convivência direta com Edward, não foi de todo fácil nos adaptar a nova rotina, mas sendo o homem imensamente compreensivo e perfeito que sempre foi, entendeu meu ponto e apoiou a decisão.

A partir daquele momento passamos a ter uma convivência mais comum aos casais sem nosso histórico. De vez em quando voltava à pousada para lhe fazer companhia e dormir em seu quarto, como ele também começou a frequentar mais minha casa e compartilhar noites especiais comigo em minha nova habitação.

Uma boa surpresa ainda naquele ano foi o cumprimento da promessa entre minha mãe e eu de retornar aos Estados Unidos para encerrar de modo definitivo aquele capítulo das nossas vidas, mas a melhor parte foi que não o fizemos sozinhas, já que papai e Edward viajaram conosco.

Papai organizou tudo para ocasionar com o recesso de fim de ano, seria o primeiro que passaríamos com a família completa, mas além de precisarmos da folga estipulada por nossas rotinas, com mamãe aos cinco meses de gestação, aquele era o melhor momento para fazermos a viagem sem mais preocupações.

Contando com a compreensão de todos e a certeza de que teríamos muitas outras comemorações para passar juntos e celebrar, nós quatro embarcamos para o outro lado do oceano.

Papai já tinha ido aos Estados Unidos umas duas vezes, mas em viagens curtas e voltadas totalmente a compromissos profissionais, enquanto Edward nunca havia deixado sequer o país, com isso a viagem foi ainda mais especial para todos nós.

Como o intuito maior era esvaziar o apartamento e deixá-lo pronto para venda, acabamos ficando em um hotel próximo, mas não deixamos de frequentar o imóvel durante um dia sequer.

Porém tão pouco focamos apenas em questões burocráticas, pois mamãe e eu aproveitamos o ensejo para mostrar ao papai e Edward tudo que era importante para nós naquele lugar e suas imediações.

Os levamos a pontos turísticos, locais que costumávamos frequentar, o antigo restaurante que mamãe trabalhava, onde ela oficialmente informou a dispensa e se despediu.

Mostrei os lugares onde estudei e especialmente o ponto onde tomei a decisão de ir à busca do meu pai, a pequena praça que ficava quase em frente ao nosso condomínio. Tanto papai, quanto Edward mostraram sorrisos especiais deixando claro como aprovaram minha súbita decisão.

A única vez em que decidi colocar minhas vontades em primeiro lugar e que bom que o fiz, do contrário não teria efetivamente encontrado meu lugar no mundo...

Trouxemos conosco o que foi possível. O que não, papai providenciou o envio, como ficou encarregado de gerenciar a venda do apartamento que acabou ocorrendo mais cedo do que esperávamos.

Com isso logo no início de 2015 não possuíamos mais qualquer vínculo com nosso antigo passado.

O começo do novo ano também marcou a ruptura definitiva com os Denali. Pois desde que a verdade veio à tona, atrelada ao processo instaurado por Edward contra Irina, os trâmites foram correndo contra a família que um dia quis tanto nos prejudicar.

Uma agradável surpresa foi o posicionamento de Carmen, assim que soube do que estava acontecendo, retornou a cidade e procurou meu pai para conversar e compreender melhor a verdade por trás de tudo.

De pronto ela afirmou não ter qualquer conhecimento ou participação nos atos do pai e da filha e nós acreditamos, pois desde o início era nítido como ela não parecia com ambos, além dos próprios sempre terem deixado claro que ela não era como eles.

A única coisa que ela fez foi apoiar a filha a certo modo, se responsabilizando pelos honorários do advogado para manter a defensoria da mesma, porém quanto ao pai, não hesitou em virar as costas ao mesmo assim que as primeiras acusações começaram a vir à tona junto a verdade sobre o até então renomado Eleazar Denali.

Conforme dito pelo doutor Pace, o senhor Denali realmente tinha questões a prestar contas. Apesar de ter ingressado na política de modo legal, muito por conta da influência e apoio dos Cullen, não demorou a percorrer caminhos distintos dentro da mesma.

Com isso após o início das investigações, ele prontamente foi afastado do cargo e quando tudo foi esclarecido, suas ações políticas foram cassadas e além de perder princípios que tanto presava, como o prestígio que o nome conquistou e o cargo que exibia com tanto orgulho, também teve boa parte da sua fortuna congelada e pelo que ficamos sabendo só ficou livre por meras questões burocráticas, mas diante de tudo que foi relevado ele não pôde ou aguentou continuar no país, deixando-o sem perspectiva de retornar.

Quanto a Irina, suas questões foram tratadas de modo mais prático. Ela foi culpabilizada pelos atos, não só os que cometeu diretamente contra Edward, mas também contra o estado e a sociedade.

No entanto, por intermédio do advogado, alegando questões psicológicas e também primariedade no delito, conseguiu não ser presa. Mas teve que pagar uma alta indenização a Edward, como também procurar tratamento psicológico que seria supervisionado pelo estado e pagar a pena através de trabalhos comunitários.

Carmen conseguiu também que a sentença não fosse executada aqui em Londres, de tal modo ambas mudaram para outra cidade e desde então não ouvimos mais falar sobre elas.

O doutor Pace mantém-se informado das questões e apenas nos informa esporadicamente que Irina continua executando os trabalhos que lhe foram impostos e deve continuar assim até o encerramento da pena.

Quanto ao dinheiro recebido com o processo, Edward não hesitou em doá-lo todo a instituições que apoiam e incentivam arte àqueles que não podem prover a mesma por si.

Desse modo o capítulo da família Denali em nossas vidas foi completamente encerrado.

O que ocorreu da maneira e no momento certo, pois a partir dali pudemos focar somente nas coisas boas, como a chegada do meu irmão. Soubemos o sexo do bebê logo que voltamos de viagem e mamãe fez à nova ultrassom.

E não sei se meus pais começaram a cogitar seu nome desde aquele momento ou o fizeram somente em seu nascimento, mas de todo modo foi uma surpresa e um gesto muito significativo quando revelaram a ideia.

Meu irmão nasceu no fim de abril e apesar da idade, mamãe conseguiu trazê-lo ao mundo de parto normal, então nossa família se reuniu para conhecer o bebê e sinceramente foi amor à primeira vista quando segurei o pequeno entre meus braços pela primeira vez.

Porém as reais lágrimas vieram quando em meio à visita da vovó Elizabeth, Edward e Alice, meus pais revelaram a ideia de batizar o bebê em homenagem ao filho e pai de ambos, respectivamente.

Mamãe questionou se não havia problema batizar meu irmão como Anthony, pois talvez Edward ou Alice quisessem fazê-lo com seus próprios filhos no futuro, porém ambos deixaram claro que não havia problema algum e que seria uma linda homenagem pela parte dos meus pais.

Assim o pequeno Anthony Cullen passou a figurar nossas vidas as enchendo ainda mais de amor...

E tão logo meu irmão chegou, foi à vez de Rose e Emm trazerem seu primeiro filho ao mundo. Minha amiga não teve a mesma sorte que minha mãe, por isso precisou passar por uma cesárea, mas o importante é que ela e a bebê ficaram bem e no segundo dia de maio a pequena Alisa chegou para imensa alegria dos pais.

E apesar de ser uma inglesa de olhos claros como a mãe, Emm teve sua representação na escolha do nome de origem escocesa, além do primoroso significado, um verdadeiro presente aos pais babões.

Sabendo que Rose tiraria seu tempo de licença e que a qualquer momento também poderia acabar tendo que me ausentar do Antiquário, os últimos meses antes de seu afastamento foram focados em procurar mais pessoas para trabalhar conosco, sem contar a necessidade vigente diante do crescimento do lugar.

Por sorte conseguimos encontrar duas pessoas incríveis para trabalhar conosco, sendo ambos estudantes também, mas com especializações mais voltadas a arte proposta no Antiquário, assim Heidi e Demetri foram ótimas aquisições a equipe.

E mantendo a promessa, tanto Edward quanto eu continuamos em nossos antigos empregos pelo tempo que conseguimos e não deixamos os mesmos até ser estritamente necessário.

Mas acabei tendo que abrir mão do Antiquário primeiro, porém o fiz somente após dois anos de graduação, quando iniciei um estágio junto a um dos professores da época. E quando Heidi e Demetri já estavam mais do que habituados ao Antiquário e prontos para me substituir integralmente junto a Rose.

Edward deixou o escritório pouco depois também, quando foi convidado a ingressar em outra instituição de ensino voltada a música.

Porém nossa situação no Pub foi levada de modo distinto, a princípio por conta da nova rotina incluindo os estudos, só conseguimos nos apresentar aos sábados, com isso Emm e Rose também nos dispensaram das outras funções, assim nossa presença no estabelecimento ficou a cargo apenas das apresentações musicais.

No entanto, de pronto demos a ideia ao Emm de procurar outros artistas para se apresentar e não deixar as sextas-feiras desfalcadas. Então por um bom tempo o dia ficou estabelecido como uma espécie de microfone aberto, onde novos e interessados cantores subiam para dar uma palinha mostrando o talento.

Porém com o passar do tempo foi ficando difícil manter também o compromisso semanal de nos apresentar ao menos aos sábados. Dessa forma, dentre os novos artistas que surgiram nas palinhas, Emm e Rose convidaram dois amigos, Riley e Caius, para assumir as apresentações fixas dos sábados, mantendo a rotina rotativa as sextas.

Mas é claro que Edward e eu não deixamos nosso lugar no Pub de modo definitivo, não poderíamos e nem gostaríamos de fazê-lo. Com isso ocasionalmente, às vezes a cada dois meses, variando o tempo de acordo com nossa disponibilidade, nos apresentamos novamente. Não só cantando os covers que nos fizeram conhecidos, mas especialmente quando possuímos um bom repertório de canções novas para compartilhar com o público cativo.

Esse é outro ponto do nosso lado artístico, pois toda música que criamos registramos em domínio e várias delas já foram adquiridas por outros artistas para composição de álbuns e trilhas sonoras, mas é comum que em primeiro lugar as apresentemos primeiramente aos clientes do Pub, que a certo modo acabam sendo os avaliadores gerais na nova criação.

Uma ocasião marcante e mais do que especial onde apresentamos uma canção original além do Pub, foi no casamento dos meus pais...

Quando poderia sonhar que esse dia chegaria? Acredito que até eles demoraram a ter essa ideia rondando suas cabeças de fato.

Porém quando meu irmão fez pouco mais de um ano papai enfim pediu a mão da mamãe, que foi prontamente concedida, não só por ela, mas por meus avós também, que ficaram em júbilo pela notícia.

É claro que eles estavam felizes pela felicidade da mamãe, por sua vida com a família, mas saber que poderiam de fato presenciar o casamento da única filha foi um ponto marcante para eles, mas não só para os dois como para todos nós.

Então em outubro de 2016 meus pais se casaram e minha mãe passou a ser oficialmente uma Cullen também. E após muita insistência, eles aceitaram viajar alguns dias para aproveitar a lua de mel, enquanto fiquei responsável por tomar conta do meu irmão.

Várias pessoas se ofereceram não só para me auxiliar, como para assumir a função integralmente, mas como a irmã mais velha que estava com ele desde o nascimento, não abri mão dos cuidados, apenas deixei que Edward passasse os dias comigo em casa.

Passamos pela leve experiência de lidar com um bebê sozinhos, mas não no propósito de experimentação para nós mesmos, pois apesar de sonhar com nossos próprios filhos, sabemos que ainda temos muito que viver antes de tê-los e como jovens, temos ciência que eles virão no momento correto, mas de todo modo foram ótimos dias.

E a volta da viagem mamãe finalmente pôde realizar seu sonho profissional por completo, já que durante a gravidez e com a adequação a nova vida acabou dedicando-se apenas a tal. E depois quando meu irmão nasceu, ela e meu pai dedicaram-se a experiência que não viveram comigo de integração e atenção total ao bebê, mas assim que ele começou a crescer ela colocou em prática a ideia de abrir o próprio restaurante aqui em Londres.

Em algum lugar no meio do caminho acredito que ela entendeu que dentro da parceria do relacionamento com meu pai, vinham os louros da sua fortuna e que não só poderia, mas deveria aceitá-la, assim papai investiu como sócio financeiro no negócio para que ela pudesse realizar o sonho e ela aceitou o apoio colocando todo o plano em prática.

E no início de 2017 o Cookery Swan foi inaugurado...

Mamãe optou por utilizar o sobrenome dos meus avós para homenageá-los e para marcar o símbolo do seu sonho que vem desde que era uma menina.

Também pelo fato de após o casamento ter assumido o sobrenome do meu pai e como meu irmão, diferentemente de mim, foi registrado desde o nascimento pelo papai, acabou ganhando apenas o sobrenome Cullen, como é comum no país.

De tal modo hoje sou a única a ostentar o sobrenome materno, mas que deixarei de usar também quando for minha vez de casar. Então a ideia da mamãe de manter nosso elo Swan vivo, foi uma excelente pedida.

E naquele ano em meio a tanta prosperidade em campos de trabalho, Rose e Emm, que eram desde o início os mais estabelecidos de nós nessa área, optaram pelo aumento em prosperidade no âmbito familiar. Trazendo sua segunda filha ao mundo, a encantadora Davina, que veio mais parecida fisicamente com o pai, mas mantendo a proveniência do nome como a irmã, sendo também de origem escocesa.

A prosperidade de Jasper foi registrada quando ele comprou seu primeiro imóvel em meio aos anos de graduação. Sendo que pouco depois de Edward deixar o escritório, ele ter sido promovido, mostrando o acerto na carreira e profissão escolhida. E quando atingiu tal feito, ele e Alice passaram a cogitar a ideia de morar juntos.

Minha cunhada no momento estava entrando no estágio final da faculdade, já que diferente de nós, seu curso era de quatro anos e apesar de nova em idade, Alice mantinha a maturidade necessária para tais funções, tanto o prosseguimento na especialização escolhida em meio aos passos da mãe, quanto à pretensão de morar com o namorado.

Sinceramente acreditei e imagino que não só eu, que Edward e vovó mostrariam contrariedade à escolha, mas ambos a apoiaram se hesitar, o que foi um alívio e alegria para todos.

Edward há muito deixou de ser o irmão superprotetor, enxergando na irmã a mulher espetacular que tem se tornado todos os dias. E vovó, visando sempre à felicidade dos netos, os apoiou com um sorriso e a certeza de que estar juntos era a melhor escolha.

Sem contar que o apartamento adquirido por Jasper não fica próximo somente ao seu trabalho, mas também ao hospital que Alice começou a trabalhar. Desse modo a mudança foi compensatória não só para os dois como casal, mas também para suas rotinas atribuladas em meio ao fim dos estudos.

Desde que Alice e Jasper começaram a falar sobre morar juntos, creio que a ideia passou a rondar a cabeça de Edward, como a minha. Com os anos de relacionamento, nossa maturidade individual e conjunta, e a vontade clara de passar a compartilhar o novo elo, não demoramos a expressar as ideias verbalmente.

Porém diferente do outro casal, não o fizemos tão de pronto, pois Edward não queria deixar a vovó sozinha na pousada. Apesar de por muitos anos aquele ter sido seu lar, o lar de todos nós. E que também desde que Edward e Alice ingressaram na faculdade, vovó ter contratado outras pessoas para ajudá-la não só nos afazeres, como na administração prática da pousada, por conta dos netos não poderem mais auxiliá-la tão efetivamente, ainda sim a saída definitiva não poderia ocorrer do mesmo modo.

Por isso antes de projetarmos nossa mudança, levamos um bom tempo até fazê-la compreender que estava na hora de deixar a pousada como moradia e passar a tratá-la apenas como local de trabalho.

Era uma mudança enorme e todos sabíamos disso, por isso o apoio conjunto e mútuo foi fundamental. E após alguns meses de organizações e conversas, vovó foi morar em uma casa no bairro em que meus avós moram.

Assim os três estabeleceram a rotina de ir à pousada todas as manhãs e retornarem ao fim do dia. Com isso meus avós maternos também adquiriram uma nova ocupação e não passam mais os dias apenas com os afazeres da casa.

Em contraponto a pousada não está ficando descuidada nos períodos em que a vovó não está lá, já que têm novos responsáveis pela administração nesse período.

Tia e Amun são um casal que migraram do Egito a Inglaterra há alguns anos e conheceram meus avós maternos em algumas das saídas dos mesmos, foi assim que a conexão foi feita e agora eles fazem parte do nosso círculo social completo com o apoio que têm dado na pousada.

E com tais mudanças estabelecidas Edward e eu finalmente colocamos em prática a ideia de morar juntos.

Apesar de ter amado completamente os anos que passei morando com meus pais e de início ter sentido uma falta tremenda não só de suas companhias, mas especialmente do meu irmão, que é a total luz dos meus olhos, sabia que o passo seguinte era necessário, fundamental e que também me traria felicidade extrema.

O aniversário de Edward do ano passado foi o último que passamos morando em endereços distintos, já o meu foi comemorado em nosso novo lar.

O apartamento que escolhemos não figura o clássico de casal solteiro, já que projetamos a ideia em longo prazo, por isso o mesmo conta com três quartos, além de um cômodo que fizemos questão de transformar em nossa sala de música, onde o piano do avô do Edward foi instalado.

No entanto, como dois estudantes universitários, em início de projeção de carreira, não seriamos capazes de arcar sozinhos com os custos de um imóvel desse porte agora.

Por isso aceitamos o auxílio do papai, porém apenas como nosso fiador, apesar da insistência em presentear-nos de modo integral, fomos irredutíveis em aceitar o agrado, apenas contando com o apoio financeiro nesse momento, mas que todos os meses está sendo revertido de volta.

E como esperado nossa convivência conjunta, mas particular, está sendo simplesmente incrível. E não é como nada que passamos antes, como nossos dias morando juntos na pousada, tão pouco como os últimos anos em que compartilhamos o tempo entre as moradias e esporadicamente em viagens.

Agora somos por nós cem por cento do tempo, com os deveres, questões práticas de moradia, os afazeres diários, nossos trabalhos, estudos, etc.

Mas no fim tudo compensa a cada noite que adormeço nos braços de Edward e acordo sendo brindada, às vezes por suas orbes verdes já a me observar e em outros dias com sua presença tranquila ainda ressonando em meu sono.

E tão pouco tenho dúvida que nosso futuro só tende a prosseguir de modo ainda melhor a cada novo dia, ainda mais agora com a carga estudantil deixando nossas costas...

A solenidade da cerimônia está quase no fim, o reitor da universidade está finalizando o discurso, então começaremos a ser chamados para receber os certificados.

Minha mente esteve envolta as lembranças durante boa parte da noite, ainda mais por Edward e eu estarmos sentados distantes, por conta da disposição dos lugares em ordem dos sobrenomes, mas agora falta pouco para nos reunirmos, não só entre nós, mas com a nossa família, que pelo que vejo de onde estou sentada, estão tão animados quanto sempre nesse tipo de ocasião.

— E agora iremos finalmente receber e saudar nossos graduandos. Uma salva de palmas a todos os formandos dos cursos dessa noite...

Aplaudimos conforme a indicação do reitor e os nomes começaram a ser chamados.

Como Edward e eu fizemos duas graduações em conjunto, não estamos nos formando exatamente com nossa turma, mas ainda sim têm alguns rostos conhecidos entre nós.

— Srta. Isabella Cullen. Composição e Arranjo unificado a Canto...

Caminhei pelo palco em direção a Aro Volturi, que como diretor do conservatório, está sendo o responsável por entregar os diplomas aos alunos de música.

Ouvi muitas palmas e gracejos e consegui trocar um breve olhar com Edward antes de parar em frente ao diretor.

— Parabéns senhorita Cullen. Não tenho dúvida que a partir de agora terá um futuro ainda mais espetacular.

— Obrigada diretor. Não teria conseguido sem seu apoio inicial.

Comentei em referência a nossa aprovação de bolsa.

— Vocês trilharam seu próprio caminho até aqui senhorita Cullen, apenas sou um felizardo em fazer parte dele.

— Obrigada.

Sorrindo deixei a posição voltando ao meu lugar e aguardando o momento de aplaudir meu amor em seu momento...

— Sr. Edward Masen. Composição e Arranjo unificado a Instrumento...

Edward é uma visão espetacular em vários momentos, mas nesse instante, enquanto sorri ao caminhar pelo palco, transparece a satisfação sem igual da conquista, que ele merece mais do que tudo no mundo.

Aplaudi animada sua entrada e saída, aguardando ainda mais ansiosa por nosso efetivo reencontro.

Os alunos terminaram de ser chamados, então a parte cerimonial foi encerrada, desse modo fomos encaminhados para fora do palco, para que o mesmo seja reorganizado.

Em meio a centenas de alunos, corri para tirar a beca e me preparar para o momento final.

Conforme ensaiado há dias a fio, fui guiada para o ponto de retorno e só atrás das cortinas encontrei Edward.

— Parabéns Baby.

— Parabéns a você.

— A nós.

Trocamos um selinho e entrelaçamos as mãos.

— Pronta para nossa última apresentação em nome da RAM?

— Estou sempre pronta para subir a um palco com você.

Edward me puxou em um leve abraço enquanto ouvimos nossa deixa.

— E agora, para encerrar essa noite sublime de modo encantador. Recebam nossos formandos dos cursos de música para uma última apresentação. Senhor Masen e senhorita Cullen, o palco é de vocês...

As cortinas foram abertas e retornamos ao palco sob uma nova e entusiasmada chuva de aplausos.

Edward caminhou até o piano, me posicionei em frente ao pedestal e quando as luzes baixaram a sonoridade das teclas preencheu o ambiente iniciando a canção...

Vivo Por Ella

Não poderia haver escolha melhor de música para encerrar essa jornada magnífica que trilhamos...

Vivo por ela sem saber.

Se eu a encontrei ou fui encontrado.

Já não lembro como foi.

Mas, no fim das contas, ela me conquistou.

Vivo por ela que me dá.

Toda minha força de verdade.

Vivo por ela e não me arrependo.

Completamente inebriada por Edward, comecei minha parte.

Vivo por ela, eu também.

Não fique com inveja.

Ela entre todas é a mais.

Doce e quente como um beijo.

Ela que está sempre ao meu lado.

Para apagar a minha solidão.

Mais que por mim.

Por ela, eu vivo também.

É a musa que te convida.

A tocá-la delicadamente.

Em meu piano às vezes triste.

A morte não existe.

Se ela está aqui...

Não há significado mais forte do que esse, ainda mais diante de tudo que passamos.

Vivo por ela que me dá.

Todo o afeto que tem.

Às vezes bate de verdade.

Mas é um punho que não fere.

Vivo por ela que me dá.

Força, valor e realidade.

Para me sentir um pouco vivo.

Como dói quando falta (vivo por ela em um hotel).

Como brilha forte e alta (vivo por ela na própria pele).

Se ela canta na minha garganta.

Minhas mágoas, mais negras, se espantam.

Coloquei o pedestal diante do piano e continuamos a professar a canção de modo intenso e verossímil.

Vivo por ela e ninguém mais.

Pode viver dentro de mim.

Ela me dá a vida e eu a vivo!

Se está junto a mim!

Se está junto a mim...

Desde um palco ou contra um muro (vivo por ela no limite).

No momento mais obscuro (vivo por ela íntegra).

Cada dia uma conquista.

A protagonista é ela também...

E como em nossa apresentação que nos rendeu a bolsa, me aproximei do piano até sentar ao lado de Edward e dividirmos o microfone.

Vivo por ela porque vai.

Me dando sempre uma saída.

Porque a música é assim.

Fiel e sincera a vida toda.

Vivo por ela que me dá.

Noites de amor e liberdade.

Se houvesse outra vida.

Viveria por ela também...

Ela se chama música...

Eu vivo também.

Vivo por ela, acredite em mim.

Por ela também...

Eu vivo por ela...

Eu vivo...

Por ela...

Com certeza não estava programado, mas não conseguimos nos conter, por isso ao soar da última nota encerramos a apresentação com um singelo beijo...

Levantamos juntos do piano, ainda sorrindo, reverenciamos a plateia e deixamos o palco de mãos dadas.

De volta aos bastidores, agora sem tantas pessoas, seguimos para encontrar nossa família, mas antes de fazê-los conseguimos vislumbrar Renata, ainda que de longe e com um aceno e uma piscadela, compreendemos que está tudo bem.

Nossa família queria elaborar algo grande, mas optamos apenas por fazer um jantar simples e a casa dos meus avós foi o local escolhido.

Ano passado fizemos uma grande comemoração na formatura de Alice e há apenas duas semanas prestigiamos a conquista de Jasper, portanto, esse tempo mais calmo e completamente familiar é tudo que queremos para encerrar a noite.

— Ah, meus lindos. Estou tão orgulhosa de vocês.

— Obrigado vovó.

Agradecemos em conjunto à vovó Elizabeth.

— Você tava muito linda Bells.

— Estava meu amor? – Peguei meu irmão no colo. – Você que está um verdadeiro príncipe todo arrumado assim. – Beijei seu rosto e ele riu.

— E eu campeão? Não estava bem também?

— Não. Você beijo a Bells. Ela é minha Bells.

Apertou os bracinhos ao redor do meu pescoço e todos riram.

— Não Thony, você sabe que sou namorada do Edward. Assim como sou filha do papai, neta do vovô e sua irmã. Tem Bella para todos, não precisa ter ciúmes.

— E que pena que não somos mais amigos Anthony, porque nesse fim de semana ia te levar para andar de bicicleta...

— Cleta. Eu quero.

— O Edward só o levará para passear se você pedir desculpas a ele. – Indiquei.

— Diculpa Ed. Você podi fica com a Bells.

— Prometo sempre dividi-la com você campeão. – Piscou. – Amigos?

— Amigos. Mas vamo anda de cleta, né?

— Anthony, não seja interesseiro filho. – Mamãe o repreendeu.

— O que é seiro mamãe?

— São pessoas que só fazem algo a espera de receber retorno. – Papai explicou. – Não devemos ser assim filho, devemos gostar e agradar as pessoas por elas.

— Tá bom papai. Mas eu gosto do Ed.

— Gosta é? Então me dá um abraço que até agora você não deu.

Com o pedido de Edward, meu irmão passou para seus braços e a paz foi selada novamente.

Na verdade Anthony é doido por Edward, mas está chegando à fase de não querer dividir muito os parentes, às vezes tem desses casos de ciúmes até entre nossos pais e eu, mas logo passa e ele volta a ser o menino doce que amamos.

Sinceramente não vejo minha vida de outro modo, não só sem a presença dos meus pais, mas também do meu irmão. Ele é o elo maravilhoso e surpreendente que veio para completar efetivamente nossa família.

Tão logo desceu do colo de Edward, Anthony começou a se entreter com Alisa, que por conta da idade próxima, convivem desde que nasceram e sempre se deram bem, ainda mais agora que estão frequentando a mesma escolinha, assim vivem contando histórias sobre seus dias animados e cheios de aprendizados.

Enquanto isso Davina está quase cochilando nos braços do pai, prestes há completar dois anos, a caçula dos McCarty é o verdadeiro xodó de Emm.

Ambas são muito amadas pelos dois, mas Alisa é mais próxima à mãe e ainda mais ao crescer, tem preferido mais independência e não muito os colos dos familiares, enquanto Davina ainda ama o aconchego e conforto que os mesmos proporcionam, mas a sua maneira, ambas são o completo orgulho do casal.

— Estão prontos para deixar as preocupações com provas, trabalhos, prazos e aulas incessantes de lado?

— Com toda certeza Jasper, disso não sentirei falta alguma. – Edward respondeu.

— Apesar de nunca deixar de me atentar a questões de aprendizado, não sei se aguentaria cinco anos como vocês se tivesse escolhido outra graduação.

— Ah, Alice. Os nerds deveriam até ter feito seis anos, mas como são exímios demais ainda conseguiram se formar com um ano menos. – Emm provou.

— O que nos custou muito mais noites insones e preocupações para dar conta de tudo entre os cursos. – Pontuei.

— Vocês são realmente guerreiros, mas todo sacrifício está sendo recompensado agora, disso não há dúvida.

— Com certeza Rose.

— E quando mesmo veremos o Edward estrear efetivamente nos palcos?

— Falando assim Rose, até parece que serei eu a me apresentar na peça, é capaz de nem aparecer em frente ao público.

— Ele fala isso porque é modesto, mas será impressionante junto à ópera apresentada. – Pontuei. – Mas o prazo de início é para outubro.

— Então vocês terão algum tempo para descansar.

— Não necessariamente Alice, porque continuamos trabalhando na parte criativa. – Expliquei. – E eu também já volto a trabalhar na gravadora no próximo mês. Mas a partir de agora tudo terá certa calmaria, de fato.

— Queridos, o jantar está servido.

Vovó Renée anunciou e seguimos para a sala de jantar a fim de apreciar a refeição preparada por ela em conjunto com a vovó Elizabeth.

Apesar dos costumes ingleses, de apreciação da refeição em silêncio, há muito tempo nossos entrelaces familiares deixaram de focar nesse ponto, ainda mais depois da chegada das crianças, por isso o momento foi recheado de conversas, risos e o sentimento alegre de satisfação.

De volta à sala vovô não deixou de pedir para tocarmos algo em seu piano, que ao longo dos anos voltou a ser tocado também por ele e ocasionalmente pela minha mãe.

E não tenho dúvida que o talento será passado ao Anthony, no que depender de seu entusiasmo sempre que vê Edward praticando, o pequeno também logo desencadeará o dom da música.

— Obrigado meus jovens, por brindar-nos mais uma vez com seu exímio talento. – Vovô agradeceu quando encerramos a música. – Seu destino esteve traçado e sendo percorrido desde que desenvolveram seus talentos e os unificaram ao se conhecer. A partir de agora apenas continuarão trilhando a jornada esplendida que merecem. E para nossa sorte sempre seremos brindados por esse excessivo talento.

— Obrigada vovô. – Toquei sem ombro. – Obrigada a todos, aliás.

Olhei os presentes na sala.

— Pelo apoio incondicional em todos esses anos. – Afirmei. – A minha mãe, por ainda que sem ter muita certeza se algum dia deixaria a timidez de lado, não hesitou em apoiar minhas aulas de canto. Ao avô de Edward que o ensinou a tocar piano. E aos seus pais por serem os melhores pais que puderam, pelo tempo que lhes foi permitido.

Edward beijou minha testa e continuei.

— A vovó Elizabeth, por ser um incentivo sem igual não só na vida de Edward, mas na minha também. Aos meus avós por terem tanto passado o talento a mamãe, que chegou a mim, como também por após me conhecerem, apoiarem esse sonho que em algum momento pareceu até impossível, mas de fato não era.

Vi vovó sorrir emocionada, sendo apoiada pelo vovô.

— Ao meu pai, por desde o primeiro momento que nos conheceu, ter feito de tudo para apoiar-nos, incondicionalmente.

Ele balançou a cabeça de um jeito despojado, indicando que não fez nada demais, porém ele fez sim e a seu apoio serei grata eternamente.

— E aos melhores amigos que jovens como nós poderiam ter. – Sorri aos quatro. – A Alice, pelos dias que ficou conosco ensaiando, pelos toques de moda que deu antes de cada apresentação no Pub. Ao Jasper, por todas as caronas em inúmeros dias para que estivéssemos sem falta aptos a nos apresentar. E ao Emm e a Rose, sou imensamente grata pela oportunidade que deram ainda lá atrás, somente ao Edward, pois foi por isso que o vi cantar e tocar pela primeira vez e pude me apaixonar ali. E depois pelo incentivo, para não dizer chantagem... — Todos riram. – Que fizeram comigo, mas que foi o verdadeiro pontapé que precisava para correr atrás de algo que tanto desejava. Por fim, pelo apoio e confiança em cada apresentação, mesmo quando não pudemos dar nosso melhor, as portas do seu Pub continuaram abertas a nós.

— E sempre continuarão, pois ainda que só possam se apresentar uma vez por ano, sei que esse dia será o mais animado que o Pub terá. – Emm comentou. – E com duas filhas para criar, todos os louros arrecadados são sempre bem-vindos. Então se puderem se apresentar mais do que uma vez por ano, agradecemos.

Não contivemos o riso, mas em meio ao mesmo virei para a razão principal de tudo.

— E o que dizer ou como agradecer a você? – Mirei meu olhar com o de Edward. – Você é a razão principal de tudo. Eu já gostava de música antes, mas quando o conheci o sentimento se transformou em amor, graças ao meu por você. A partir de então cada canção que escrevi, cada nota que ajudei a criar, tudo é por sua causa. Porque me incentivou, não me deixou desistir, me encheu de inspiração, preencheu meu coração e minha vida com cada ponto do seu ser e sei que assim será para sempre. Um sonho, ou melhor, um aspecto do nosso sonho está tendo fim, mas já ligado a um novo início. E tudo é graças a você Edward. Obrigada por existir, por preencher minha vida, por me amar e me deixar amá-lo na mesma medida. Pois nada teria sentido, se não tivesse te conhecido...

Ainda que fosse continuar me declarando, Edward não deixou ao me puxar para um beijo especial, sem se importar com a presença dos nossos familiares e eu tão pouco me importei, apenas me entreguei ao momento.

— Você nunca deixa de me surpreender, não é?

Murmurou praticamente entre meus lábios.

— Eu faço isso?

— Faz. Desde o primeiro momento que te vi, cheia de malas ao redor, parada em frente ao balcão da pousada.

Recordou tão bem minha chegada que só consegui sorrir em meio à lembrança.

— Eu pensei muito em como faria isso. – Comentou afastando-se um pouco. – Na verdade tinha um plano traçado justamente para hoje, mas não seria aqui, não seria assim. – Pontuou. – Porém você enche meu coração a cada segundo de cada dia e agora apenas reafirmou um pouco mais a posição nele, com isso não conseguirei mais me conter.

O olhei intrigada e por um segundo desviei o olhar reparando que nossos familiares também parecem confusos, mas quando o mirei novamente compreendi o que está prestes a acontecer.

E imediatamente o ar faltou aos meus pulmões quando o vi se ajoelhar a minha frente, bem ao lado do piano de onde acabamos de levantar.

Bella, eu te amo, provavelmente desde quando a vi parada ao lado do balcão da pousada. Eu poderia não saber ainda na época, mas ali foi consagrado o meu amor, o nosso amor. Lembra-se como teve a percepção completamente errada sobre nós e como deveríamos agir quando descobriu sobre a ligação dos nossos pais?

Apesar de ser uma pergunta retórica, balancei a cabeça em concordância.

— Desde o início eu soube que estávamos destinados a ficar juntos, porém não só como amigos. Eu amo tê-la como amiga, aliás, você sabe que é a minha melhor. – Piscou. – Porém éramos mais, nós somos mais e continuaremos sendo para sempre. Eu te amo e amei cada pequeno instante que passamos juntos até aqui. E sei que amarei os momentos que ainda viveremos, desse momento em diante. Mas para tal não quero tê-la em minha vida apenas como melhor amiga, companheira, parceira, namorada. Quero saber que nosso elo será maior, que a terei como minha esposa e há seu tempo, também como mãe dos meus filhos.

Comecei a assentir de modo desenfreado em total concordância com esses planos.

— Você é a dotada de palavras entre nós, por isso de algum modo espero estar fazendo jus a todas as vezes que se declarou a mim através das mesmas, pois a meu modo, em cada canção que cantamos, me declarei a você também.

— Eu sei... – Acabei interrompendo-o, mas não me contive. – Todas as canções que cantamos a seu modo são sempre para nós, pelo nosso amor.

— E será assim para sempre.

— Para sempre.

— Pois muito bem. Isabella Marie Swan Cullen. Você me daria à extraordinária honra de torna-se minha esposa? A minha senhora Masen? E para todo o sempre permanecer ao meu lado? Compartilhando nosso amor?

— Sim...

Ele sorriu e abriu a caixinha revelando o anel.

— Bella, você aceita se casar comigo?

— Sim. Sim. Mil vezes sim. Eu te amo Edward. Com todo o meu coração.

Não sei se ele chegou a levantar de fato ou eu que simplesmente me joguei em seus braços. Mas de algum modo nos reencontramos e selamos a promessa em meio ao carinho supremo de um beijo.

Ouvimos aplausos e coros de comemoração e talvez isso tenha sido o ponto catalizador que nos fez separar, além do fato de Edward precisar deslizar o anel de noivado em meu dedo.

— Quando a presentei com o anel de compromisso, falei que não poderia pedi-la em casamento com o anel que pertenceu a minha mãe, pois ele continua pertencendo a ela.

— Sim, eu me lembro.

— Porém é com extrema honra que selo nosso novo compromisso com um anel que está na família Masen há um pouco mais de tempo.

Ele deslizou a peça no meu anelar direito e enquanto contemplo sua beleza, sussurrei.

— Ele é...?

— Da vovó? Sim.

Imediatamente virei para ela encontrando-a sorrindo e chorando ao mesmo tempo emocionada, com isso não me contive em abraçá-la.

— Obrigada vovó Elizabeth. Muito obrigada.

— Não há de que querida. Vocês serão muito felizes. E agora em definitivo, até perante as leis, você passará a ser minha neta.

— Será uma honra integrar finalmente a família Masen.

Ela me deu um beijo no rosto e soltamos do abraço.

Logo fui agraciada com tantas outras felicitações e gestos de carinho.

Vovó Renée e mamãe me abraçaram entre choros emocionadas, papai comentou que Edward já havia conversado com ele, mas não tinha ideia de quando seria o pedido.

E nossos amigos nos arremataram em um abraço conjunto muito felizes por mais esse passo em nossa história, tendo certeza de que só poderíamos seguir por esse caminho.

Então vovô propôs um brinde e após executá-lo continuamos a apreciar a noite, que inesperadamente acabou tornando-se ainda mais especial e ficará marcada também para todo sempre com o dia do nosso noivado...

— Você disse que planejava fazer isso, mas não aqui. – Comentei com Edward assim que ficamos um instante sozinhos e afastados dos demais. – Porém como já tinha o anel?

— Porque eu pretendia fazer o pedido quando chegássemos ao apartamento. Está tudo pronto lá para marcar o momento.

— Ah... – Ponderei. – Mas você pode pedir de novo quando chegarmos, pois eu direi sim quantas vezes propor.

— É mesmo?

Com todo o amor que há no meu coração. — Alisei seu cabelo e posicionei o braço ao redor da sua nuca. – Mas também poderemos apenas passar a parte da comemoração.

— Essa é uma excelente ideia.

Envolveu minha cintura com um dos braços e com os livres tocamos no coração do outro.

Ele é seu. — Professou.

— Como o meu. — Afirmei. – Pertence inteiramente e eternamente a você.

— Eu te amo Bella. Como jamais imaginei amar alguém e não vejo a hora de saber que para sempre será a minha esposa.

— Eu amo você. E mal vejo a hora de tê-lo para sempre como o meu marido. De ser a sua senhora Masen. E saber que todas as letras de amor que escreverei continuarão sendo inspiradas únicas e exclusivamente em você. Eu te amo Edward, para sempre.

— Eu te amo Bella, para sempre.

Sentindo nossos batimentos cardíacos conectados como um, quebramos a distância final selando as declarações com um beijo.

Tudo que passamos até aqui foi simplesmente mágico, um romance brindado de sonhos, mas com a sorte de ser real.

Porém mal vejo a hora de vivenciar sem medidas tudo que ainda está por vir, pois sei que encontrei ao lado de Edward o meu verdadeiro lugar...

Notas finais
Música do Capítulo: Vivo Por Ella (Andrea Bocelli ft. Marta Sanchez) N/A: Então meninas, é isso. Assim chega ao fim o conto de amor de Beward em PTE. Espero que tenham gostado, não só do capítulo, mas da jornada que percorremos até aqui. E nesse final vimos como tudo deu certo a todos, como deveria ser. Os pequenos nasceram e Carlesme não pôde deixar de homenagear os amigos. Rosemm tiveram duas meninas, sou tão apaixonada por essa família. A vovó também teve uma mudança em sua vida. E Alisper estão caminhando para seu futuro feliz. Mas não há nada melhor do que ver Beward conquistando tudo que sonharam. Agora eles são oficialmente músicos, em suas respectivas áreas e terão muito sucesso, podem apostar. Porém continuam sendo também os lindos, fofos, românticos, que conhecemos lá atrás. Quanto ao pedido, queria dizer que como o Edward, eu mesma havia planejado fazer tudo apenas entre os dois, sozinhos no apartamento, mas o maravilhoso da escrita é que os personagens decidem o que querem viver. Por isso a Bella abriu o coração com os agradecimento, impulsionando o Edward a fazer o pedido ali, sem conseguir conter-se, vocês gostaram? Porque eu fiquei só amor e nada mais... Acho também que não poderia ter marcado o epílogo com música melhor, do que uma que brinda justamente a si. E eu amo a versão com a Sandy, mas a letra dessa combinava mais com a jornada de Beward, por isso a escolhi. E agora eles viverão o para sempre como se deve, todos sendo felizes e vivendo a vida que merecem. Assim me despeço de PTE, mas espero não fazê-lo de vocês, pois além de daqui a pouco voltar com as outras longs em andamento, também pretendo trazer novas fanfics em breve, para brindarmos sempre mais com amores Beward. Porém me despeço imensamente feliz com o encerramento que Para Te Encontrar teve e espero que o sentimento seja mútuo. Por isso não deixem de comentar, algumas pela última vez, outras talvez pela primeira e a quem chegar aqui vindo do futuro, espero que queira expressar o que sentiu com a leitura também. Sigam-me no twitter: @KNRobsten, para ficar sempre por dentro das novidades. E até logo em outro universo... ~Kiss K Nanda.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!