Para Te Encontrar

5 Capítulo 4 - Entre Nós Dois


Notas iniciais
Boa noite. Estão ansiosas para continuar acompanhando e descobrindo mais sobre Beward e também finalmente saber sobre certo e-mail? Espero que sim, mas antes de entregá-las isso e mais, aqui vão alguns recadinhos. Gostaria de agradecer a todas que tem acompanhado PTE comigo. As que marcaram aos favoritos, acompanhamentos e também a quem comenta. Muito obrigada, aqui fechamos o primeiro mês da Fanfic e estou muito feliz com a recepção. Espero que continuemos crescendo mais e mais. Também temos música nesse capítulo, mas dessa vez a mesma acompanhará apenas um trecho da letra, vocês podem ouvir a canção de fundo, ou só ler no contexto, fica a escolha. Conversamos um pouco mais lá embaixo... Apreciem Sem Moderação. Capítulo Postado Em: 30/09/19

...ali eu vi que estava muito, mas muito propensa a me apaixonar e não faço a mínima ideia do que pode acontecer se esse fato se concretizar...

Desviei meus olhos rapidamente dos seus e tentei focar em outra coisa, pensar em algo que me dispersasse daquelas ideias infundadas em relação a Edward e eu.

— Você canta muito bem. – Falei iniciando um assunto.

— Obrigado, realmente gostou do que ouviu hoje?

— Com certeza. Você estava incrível, cantou todas às músicas perfeitamente, sua interação com o violão é fantástica e agora ainda descubro que além de tudo também toca piano. Você é realmente um homem de muitas faces Edward.

— Desse jeito vai me deixar sem graça Bella. Eu gosto de tocar desde criança, como falei, meu avô me ensinou a tocar piano, esse mesmo era dele. Então já na adolescência acabei me aperfeiçoando também no violão, agora a história de cantar realmente foi uma coisa mais de improviso. – Esclareceu.

— Me conta como aconteceu.

— Quando se lida com piano você pode tocar as pessoas apenas com o som da musica, mas já com o violão é mais difícil entusiasmar alguém sem colocar a voz. Ai em rodas de amigos o pessoal ia pedindo para tocar e cantar algumas músicas e assim às coisas fluíram. As pessoas diziam que eu cantava bem, mas nunca levei realmente a sério. Então depois de um tempo trabalhando no Pub, Emm propôs que subisse ao palco e cantasse algumas canções só para distrair o pessoal, ele já tinha me ouvido tocando informalmente é claro. Relutei um pouquinho em aceitar, mas ele falou que não seria apenas um favor, que receberia um extra pelo trabalho, acabei concordando e subi para tocar, a galera pareceu ter se agradado, assim Emmett e eu fechamos o acordo para que tocasse no Pub como uma atração fixa e assim tem sido. O dinheiro ajuda muito é claro, mas confesso que depois de um tempo me acostumei a tocar as pessoas dessa forma.

— Pode ter certeza que seu propósito está tendo êxito, porque me senti verdadeiramente tocada, na verdade encantada com você essa noite. – Falei e mais uma vez nossos olhares se prenderam. – Você estava tocando algo quando cheguei?

— Ia começar uma canção, posso tocar agora se quiser ouvir.

— Gostaria muito de te ouvir mais uma vez. – Ele virou o corpo de frente para o piano e seus dedos deslizaram com suavidade pelas teclas, iniciando assim um som e em seguida sua voz entrou acompanhando...

Você não sabe quem sou eu
Não sei quem é você
Na realidade, quem sabe quem somos nós dois?

Fechei meus olhos e continuei apreciando o timbre suave da sua voz.

E eu, como um sequestrador te persigo por amor
E ainda que você não saiba minha direção, meu sobrenome e minha voz e a chave do meu coração...

Sem perceber, talvez por conhecer a música também, comecei a cantar junto com ele.

Alguém te quer. Alguém te espera. Alguém sonha com você e você não sabe que sou eu.
Alguém pensa em você constantemente. Alguém te busca e por fim te encontrou.
Alguém te amou. E alguém sou eu...

Abri meus olhos quando percebi que ele havia parado de tocar.

— Algum problema? – Perguntei.

— Você começou a cantar comigo e me perdi...

— Me desculpe Edward, não quis te atrapalhar. É só que também conheço a música e estava de olhos fechados te ouvindo, acho que comecei a cantar sem perceber, me perdoe. – Falei rapidamente e fiz menção de me levantar, mas ele segurou minhas mãos com uma das suas e a outra repousou sobre meus lábios indicando que deveria me calar.

— Calma Bella, está tudo bem. Não falei isso em forma de reprimenda, só constatei o fato de que ao ouvir sua voz não consegui prestar atenção em mais nada, você não me disse que cantava e que o fazia tão bem. – Ele retirou a mão dos meus lábios, então respondi.

— Para Edward, você que canta divinamente, eu apenas me arrisco.

— Não seja modesta, por favor. Seu timbre cantando é lindo, você consegue transmitir as emoções através da sua voz. Agora é sua vez, me conte de onde vem esse talento?

— Eu fazia aulas de canto quando mais nova, minha mãe tentou de tudo comigo, começamos com dança, tentei algum esporte, mas não sou muito dada a coisas que precisem de extrema coordenação motora. Sendo assim o último requisito foram às aulas de canto, acho que finalmente encontrei algo em que poderia não ser tão ruim.

— Não fale assim, você tem talento, fiquei realmente fascinado ao te ouvir cantar. – Graças a Deus não estava tão claro para que ele enxergasse meu rosto ficando corado nesse momento.

— Obrigada. – Bocejei de repente trazendo riso aos lábios de Edward. – Ai meu Deus me desculpe.

— Fico feliz em saber que conversar comigo lhe trás sono.

— Edward, eu não...

— Calma Bella, estou brincando. Também já estou cansado e afinal de contas já é tarde devemos mesmo ir dormir. Vamos, te acompanho até o quarto. – Levantamos e fizemos o caminho até o andar superior em silêncio, paramos já em frente a minha porta. – Está entregue.

— Obrigada por ter me feito companhia enquanto não conseguia dormir. – Agradeci.

— Não tem de que, foi muito mais agradável ficar com você do que sozinho.

— Também foi muito bom ficar contigo e ouvi-lo cantar mais uma vez.

— Pois é, fizemos até um dueto. – Sorrimos. – Gostei muito de cantar com e para você. Podemos fazer isso mais vezes, o que acha? – Sugeriu.

— Seria ótimo, vou entrar agora, boa noite Edward. – Inclinei meu corpo e apoiei minha mão em seu ombro para ter equilíbrio, ele segurou minha cintura e então lhe dei um beijo no rosto. Distanciamos-nos e ele respondeu.

— Boa noite Bella, tenha bons sonhos. – Sem dizer mais nada entrei no quarto e me joguei direto na cama, aconcheguei de volta ao edredom e como se houvesse um pozinho mágico o sono me levou rapidamente...

Acordei de manhã me sentindo totalmente disposta, fiquei pensando por alguns minutos em tudo que me aconteceu em apenas um dia...

Minha amizade com Alice se fortalecendo em um nível impressionante, ela falou que não tem muitas amigas, mas eu também não sou possuidora de muitas delas. A minha maior e melhor amiga foi sempre minha mãe. Pensei no e-mail que mandei e em como estou ansiosa para ver se ela já respondeu e o que achou de tudo que escrevi.

Pensei nas pessoas novas que conheci. Jasper, Rose e Emmett, todos foram muito atenciosos e simpáticos comigo ontem. Nos momentos que passei no Pub, ter visto Edward cantar. E quem poderia imaginar, até tive o privilégio de vê-lo tocando piano só para mim e por alguns instantes preciosos compartilhamos o canto juntos. A forma como ele me trata, sua atenção, carinho...

Lembrei enfim de como nos despedimos, o beijo no rosto que lhe dei. Será que ele achou essa atitude um pouco ousada? Até o momento nunca tínhamos trocado mais do que um aperto de mão e de repente em um ato espontâneo e não tão pensado, acabei me deixando levar e passando para esse carinho a mais, espero sinceramente que ele não tenha ficado chateado com isso.

Após essas primeiras reflexões resolvi levantar e me preparar para descer e tomar café, fui ao banheiro e após o banho sai pronta. Vesti uma roupa confortável e desci, ao chegar à cozinha encontrei apenas a vovó.

— Bom dia vovó. – A cumprimentei com um abraço que ela retribuiu e me dando um beijo na testa.

— Bom dia querida, dormiu bem?

— Sim muito bem, e a senhora?

— Bem, sempre durmo bem. E você conseguiu descansar? Não vi a hora que vocês chegaram, mas tenho certeza que já era tarde, Edward Anthony nunca chega cedo daquele Pub.

— Descansei sim vovó e não chegamos muito tarde era um pouco mais de meia noite. E Jasper veio nos trazer, então viemos cedo.

— Ah sim o Jasper, ele é um bom menino. E você gostou do lugar e das pessoas?

— Sim todos são muito simpáticos. Os patrões do Edward, Rose e Emmett são muito gentis e divertidos, adorei conhecê-los. E poder ver Edward tocando também foi algo que gostei muito. – Respondi.

— Sim ele tem talento para música. Começou na infância quando seus pais e meu marido ainda eram vivos, ele passava horas ao lado do avô o ouvindo tocar e depois aos poucos aprendendo a fazê-lo também. Quando meu filho e nora faleceram, e Edward Anthony e Mary Alice vieram morar conosco, ele se dedicou ainda mais a tocar, parecia ser algum tipo de refúgio para não pensar tanto na morte dos pais. Porém quando meu marido veio a falecer também tive medo de nunca mais vê-lo ao piano, eram muitas lembranças e momentos guardados dos dois, mas ele me surpreendeu quando no mesmo dia do enterro passou a tarde toda a tocar. Perguntei se ele ainda se sentia bem em fazer aquilo, e ele respondeu com convicção que não deixaria a paixão pela música que ele e o avô tinham morrer, que levaria todos os ensinamentos sempre consigo para que algum dia passe aos seus filhos e netos, assim como o avô fez com ele.

— Deve ter sido difícil para todos vocês perderem as pessoas que amavam.

— Foi sim minha querida. Perder um filho é uma dor sem tamanho, mas pude passar todo meu amor aos meus netos queridos. Porém quando perdi o amor da minha vida, meu parceiro de uma jornada, foi como se algo tivesse se rompido dentro de mim, algo que sei que nunca mais vai ser preenchido. Afinal nada pode substituir o verdadeiro amor. – Ficamos um tempo em silêncio, porém ela logo voltou a falar. – Mas vamos deixar essas coisas de lado, não devemos ter pensamentos tristes logo pela manhã. E cadê esses meninos que não chegam para o café. – Como se soubessem que avó já os procurava Edward e Alice entraram na cozinha, após nos cumprimentarem, sentamos e desfrutamos do café da manhã.

Ao terminar Alice e eu ajudamos vovó novamente a ajeitar as coisas na cozinha e depois permaneci por toda manhã junto a elas, conversando, auxiliando nos assuntos designados na pousada, mesmo com os protestos da vovó dizendo que não precisava fazer aquilo, que não estou aqui para trabalhar.

Mas de coração não me incomodo, eles me aceitaram em sua família tão rapidamente e não custa nada ajudar no que puder, além do que é muito mais divertido ficar ao lado delas fazendo as coisas do que enfornada no meu quarto sozinha sem nada para fazer. E como não conheço a cidade ainda, não posso nem sair para dar uma volta, sendo assim passar a manhã envolta aos afazeres da pousada foi uma proposta muito aceitável.

Quando terminamos de ajeitar tudo faltava pouco para o horário do almoço, as pessoas que estavam na pousada se reuniram conosco para desfrutar da refeição e após a mesma vovó nos dispensou dizendo que deveríamos entreter nossa tarde com outras coisas e que não precisava mais de ajuda. Na volta para sala quando passamos pelo balcão me atentei de verificar se já chegou alguma resposta da minha mãe.

— Alice posso usar o computador para ver se minha mãe respondeu meu e-mail?

— Claro que sim Bella, não precisa nem ficar pedindo, já falei para vovó que você está se comunicando com sua mãe por e-mail e vai ficar usando o computador e ela disse a mesma coisa, que não precisa nem perguntar mais.

— Obrigada de verdade.

— Certo, vou subir para o meu quarto que tenho algumas coisas da escola para estudar, qualquer coisa pode me chamar lá depois. – Assenti e entrei atrás do balcão ligando o computador e logo me conectando ao meu e-mail.

Estava numa expectativa enorme para ver, não sei o que está me angustiando mais a possibilidade de não ter nada, ou o fato de ter e saber o que ela me respondeu. Quando abri minha caixa de entrada vi que possuo algumas novas mensagens, mas corri logo os olhos para a mais importante, a da minha mãe.

De: Esme Swan (Esme.S@gmail.com)

Para: Bella Swan (Bella.Swan_94@gmail.com)

Calendário: 15 de Fevereiro de 2014 21h29min

Assunto: Minha Princesinha

Não sei nem como começar a falar com você por aqui querida. Primeiro de tudo, é claro que você ainda pode me chamar de querida mamãe. Minha razão de viver deixaria de existir no momento em que você não fosse mais o meu bebê, minha princesinha, o meu bem mais precioso.

Não se preocupe meu amor, não me senti traída, nem magoada com sua decisão de ir atrás do seu pai. Eu sempre soube que era seu sonho afinal, esperava sim que você tivesse me dito antes que pensava em viajar. Talvez, quem sabe, eu pudesse realmente ter tentando fazê-la mudar de ideia, mas no fundo sei que não tenho esse direito, você é maior de idade e sei como te criei, sei que não está fazendo nada de errado, apenas seguindo seu coração. Queria que tivesse me falado apenas para poder lhe dar um abraço de despedida, tê-la orientado sobre algumas coisas, mas agora isso já foi não é?

Confesso que me desesperei um pouco quando no decorrer do dia não te encontrei e só depois achei sua carta. Chorei ao ler suas palavras dizendo que estava indo não só por você, mas por mim também, peço uma coisa querida, esqueça esse assunto, procure seu pai por você, para que vocês dois possam construir algo juntos, mas não se preocupe comigo ou com a relação que um dia tivemos, sempre serei grata a ele por ter me dado você, porém o nosso tempo já passou.

Meu coração de mãe esta preocupado é obvio, mas sinto de alguma forma que você realmente está segura pelo o que contou dessas pessoas que estão ao seu redor. Queria poder algum dia agradecer a eles por cuidar tão bem da minha bonequinha, quem sabe um dia possa ir até ai também conhecê-los e dizer obrigada pessoalmente, mas por enquanto, por favor, transmita meus agradecimentos por tudo.

Espero realmente que você encontre seu pai, não tenho nada para falar sobre ele, nada que você já não saiba. O que você conquistar ai será um indicativo. Mostrará se tudo o que fez foi à escolha certa ou não.

Eu te amo minha filha, mais do que tudo no mundo nunca duvide disso. E não há nada que possa ser capaz de fazer esse sentimento mudar, espero realmente que possamos manter contato aqui por e-mail o máximo de vezes possível. Já sinto sua falta querida, mas não se preocupe, estou bem aqui e tranquila que você está onde seu coração desejava se encontrar. Um beijo enorme.

Mamãe.

Terminei de ler e minha visão estava embaçada pelas lágrimas que cobriam meus olhos, não tive forças nem para responder ao e-mail, por hora fiquei apenas relendo as doces palavras da minha mãe. A mulher mais forte, guerreira e merecedora de felicidade que conheço, fechei as coisas e sai do computador, não tinha psicológico ou palavras para responder agora então decidi esperar e quem sabe mais tarde conseguirei fazê-lo.

Caminhei até entrar na sala, alguns hóspedes estavam por ali assistindo televisão ou apenas conversando, encostei perto da janela e fiquei olhando a rua, as pessoas e os carros passarem, sem realmente me apegar a algo.

A saudade de casa foi batendo, saudade do conforto e da segurança que só os braços da minha mãe eram capazes de me proporcionar. Não estou arrependida da minha decisão e sei que mamãe tão pouco quis me fazer desistir ou mudar de ideia, mas arrisquei coisas demais fazendo essa viagem e ainda não sei se tudo realmente valerá a pena...

— Bella. – Ouvi a voz de Edward me chamar e rapidamente tentei secar minhas lágrimas antes de virar.

— Oi. – Tentei sorrir, mas pelo meu estado deve ter saído mais como uma careta.

— Aconteceu algo? – Perguntou.

— Não, está tudo bem.

— Posso ver que não está bem Bella. – Ele se aproximou e passou o polegar captando uma lágrima que tinha acabado de escorrer do meu olho. – O que aconteceu?

— Eu. – Pisquei os olhos tentando encontrar o que dizer. Mas antes que pudesse raciocinar direito ele voltou a falar.

— Espera um pouco aqui que volto já. – Assenti e virei novamente para janela, não muito tempo depois Edward estava de volta ao meu lado. – Vem comigo, quero te mostrar um lugar. – Ele estendeu sua mão a qual peguei sem hesitar e saímos da sala em direção ao lado de fora da casa, quando fechamos a porta vi que havia uma bicicleta parada ali. – Espero que não se importe, mas esse é o único meio de transporte que tenho e o lugar que quero te levar fica um pouco longe então será mais fácil irmos de bicicleta, você se importa?

— Não, claro que não. – Respondi dessa vez sorrindo verdadeiramente.

— Certo vem, vamos subir. – Ele montou na bicicleta e indicou que eu deveria fazer o mesmo, sentando na parte de ferro com meu corpo virado de lado. – Pronta? – Ele perguntou e assenti, ele começou a pedalar e assim que nos ajeitamos vi o quanto aquela posição era comprometedora para nós dois, meu corpo ficava totalmente encostado no seu e quanto mais ele pedalava mais coisas iam acontecendo, sentia sua respiração acelerando diante dos movimentos, ela passava por mim como um vento soprando meu pescoço e suas pernas com o exercício acabavam roçando no meu quadril que estava posicionado em cima da bicicleta.

Pensei que já havia experimentado testes de resistência ao lado de Edward, mas nada nem de longe se compara a isso, tentava controlar minha própria respiração a cada vez que Edward respirava ou inspirava mais forte e o arrepio que ele causava no meu pescoço acabava passando para todo meu corpo.

Durante o caminho não falamos muito, ele apenas perguntava se estava tudo bem e depois de lhe responder, voltávamos ao silêncio. Deve ter passado por volta de 30min quando chegamos a um local ao qual ele disse para descermos.

Saltamos da bicicleta e começamos a andar por um caminho de gramado até pararmos num lugar, ele deixou a bicicleta encostada e segurou minha mão indicando para nos aproximarmos e quando o fiz dei um suspiro alto.

Estava diante da vista mais linda que já vi, percebi que dava para ver a praticamente a cidade toda daqui, tantos tons, prédios, monumentos, flores, árvores, paisagens diferentes mesclando-se em harmoniosa entre si.

— É lindo. – Disse depois de um tempo estagnada demais com tudo para conseguir falar.

— Eu sei. É o meu lugar preferido na cidade, venho aqui sempre que quero pensar.

— E porque me trouxe? – Não pude deixar de perguntar, se era um lugar dele qual a razão para me trazer também?

— Eu te vi ali em frente à janela tão triste, parecendo perdida dentro de si mesma e achei que seria bom para você vir aqui também. Que talvez assim como esse lugar ajuda a me reencontrar quando estou perdido, você pudesse se entender consigo mesma também. – Ele falou dando de ombros.

— Não sei nem o que dizer só obrigada por isso, por estar sendo tão gentil comigo, acho que precisava mesmo ver algo assim para me reafirmar.

— Fico feliz em ter ajudado, mas se ainda quiser conversar sobre o que a fez chorar, sou todo ouvidos.

— Não quero abusar da sua gentileza e nem te encher com os meus problemas. – Comentei.

— Sou seu amigo Bella, pelo menos já me considero assim e se você está precisando de ajuda, de algum modo, mesmo que seja apenas para te ouvir estou disposto a ser esse amparo, é só você pedir. – Diante de suas palavras bonitas, decidi me abrir.

— Acho melhor sentarmos então, pode ser uma longa conversa... – Sugeri.

— Temos todo o tempo do mundo. – Ele sentou na grama e o acompanhei ficando ao seu lado e olhando a vista daquele lugar incrível. Com isso comecei a contar minha história e os motivos que me trouxeram até aqui.

Falei sobre tudo, minha vida inteira praticamente, desde o fato da gravidez precoce da minha mãe e o que a fez ir embora, como foi nossa vida, da vontade que sempre tive de encontrar meu pai, revelando nesse momento o motivo que me trouxe até aqui, disse realmente os fatos mais importantes, sobre as decisões da minha vida e agora como estou depois de ter lido o e-mail da mamãe, com saudades, confusa, com medo...

— Nossa Bella realmente é muita coisa para aguentar.

— Estou me sentindo confusa, não arrependida, porque conhecer meu pai é realmente o sonho da minha vida, e tem sido meu objetivo fazer essa viagem desde muito tempo. Mas agora me senti perdida, as palavras da minha mãe não foram represálias, nem coisas para me deixar mal, ela me entende, apoia até, só que continuo pensando se tudo o que fiz é o certo. Deixar meu país e embarcar nessa loucura para procurar um homem que nem sabe que eu existo. Estou arriscando coisas demais, subindo muito alto e se no final cair, a queda será muito feia. – Conclui tristonha.

— Hey não pensa assim. – Ele falou pegando minhas mãos entre as suas e fazendo carinho, olhei por um instante nossas mãos entrelaçadas e depois focalizei meu olhar em seu rosto. – Esse é o seu sonho e você tem lutado tanto por ele, não tenha medo de arriscar Bella. Se encontrar seu pai é a sua maior vontade corra atrás e faça valer a pena, tenho certeza que esse homem vai ficar mais do que feliz em descobrir que tem uma filha como você. Ele pode não saber que durante todo esse tempo tinha uma filha, mas no momento em que vocês se conhecerem tenho certeza que o sentimento vai falar mais alto e poderão se encontrar como pai e filha. Não existe amor maior do que dos pais para com seus filhos. – Ao terminar de dizer isso senti um tremor em minhas mãos que vieram do corpo de Edward. Imediatamente trocando de posição assumi o carinho de conforto para com ele.

— Você ainda sente muita falta deles? – Perguntei, ele mirou seu olhar no meu e prossegui. – Alice me contou sobre o que houve com eles e o motivo de vocês terem vindo morar com a vovó. – Ele suspirou então respondeu.

— Nós éramos tão felizes Bella, a típica família feliz, poderíamos representar aqueles comerciais de margarina sem problema nenhum. – Ele sorriu e o acompanhei. – Meus pais nos amavam muito e entre si como casal, nunca os vi discutindo, sei que não éramos realmente a família perfeita e eles poderiam ter seus desentendimentos de vez em quando, porém jamais deixaram que nenhum problema transparecesse para Alice e eu, eles prezavam a família acima de tudo. Naquela época tudo era fácil como respirar, eu tinha apenas que me preocupar com os estudos, ser um bom filho, tocar piano com o vovô, implicar de vez em quando com Alice, então um dia tudo mudou. Por culpa de um infeliz alcoolizado perdi as pessoas mais importantes da minha vida, meus avós perderam seu filho e nora tão queridos, Alice perdeu os pais sem ao menos entender porque e eu perdi tudo, tudo o que mais amava. – Ele ponderou por um momento então resolvi falar.

— Eu sinto tanto Edward, não consigo pensar como seria existir num lugar onde minha mãe não estivesse mais. Sempre fomos apenas nós duas e ela é o que tenho de mais importante no mundo. O pior não é aceitar que eles não estão mais com você, mas sim o fato que isso foi causado por alguém, algo que com certeza poderia ser evitado.

— Sim, o infeliz que causou o acidente foi preso e julgado, não lembro quanto tempo pegou, na época ainda era criança e não me importei muito com esse fato. Mas independentemente de quanto tempo ele passe na cadeia, 20, 30 anos isso não trará meus pais de volta...

— Não é uma questão de conforto, somente de justiça, com esse homem preso é menos uma pessoa propensa a fazer algo para ferir outras pessoas assim como aconteceu com os seus pais. – Ele balançou a cabeça concordando. – E como você lidou com tudo? – Perguntei.

— Você sabe que fui o último a ver minha mãe viva? – Assenti. – Então quando soubemos do acidente meu avô e eu corremos para o hospital, vovó e Alice ficaram na pousada. Naquela noite meus pais haviam saído para jantar e nós havíamos ficado em casa com meus avós, meu avô não queria que eu fosse até o hospital também, mas chorei, insisti muito e por fim ele me levou. Ao chegar lá já soubemos logo da notícia que meu pai não havia resistido e que minha mãe estava com poucas chances de se salvar também. Ficamos na sala de espera aguardando alguma noticia até que o médico veio dizendo que ela queria me ver, meu avô novamente tentou impedir, porque afinal de contas que bem me faria vê-la já a beira da morte? Porém o médico disse que esse era o último pedido dela e eles estavam abrindo uma exceção deixando uma criança entrar no leito, o fizeram, pois minha mãe trabalhava no hospital como enfermeira. Então eu fui, queria poder ver minha mãe nem que fosse por um instante apenas, ouvir sua voz, olhar seus olhos tão verdes quanto os meus, sentir o calor da sua pele e o seu cheiro, mesmo que uma última vez. Quando entrei naquela sala e a vi deitada quase irreconhecível, com marcas e escoriações por todo o corpo tive vontade de dar meia volta e sair dali, mas ela me chamou com sua voz fraca e eu fui. Aproximei-me da cama e ela falou comigo, suas últimas palavras... Ela disse que me amava muito assim como a Alice, pediu para que cuidasse da minha irmã, que fossemos o porto seguro um do outro. E que realizássemos nossos sonhos, que fossemos felizes, me prometeu que ela e o papai estariam olhando por nós, sempre. Assim ela se foi, os médicos entraram na sala tentaram fazer algo para reanima-la, mas eu soube que aquele era o fim. – Edward não chorava, pude perceber que era um grande esforço para ele não fazê-lo. Eu, porém, não consegui conter minhas lágrimas diante desse relato tão sofrido, de alguém que era apenas uma criança quando tudo aconteceu.

— Você tem cumprindo com tudo o que ela lhe pediu... – Falei em tom de confirmação.

— Eu tenho tentando. Desde que viemos morar com nossos avós me tornei muito protetor com Alice, estive ao seu lado sempre que ela precisou, já basta à perda dos nossos pais, prometi a mim mesmo que não deixaria com que nada mais faltasse a ela. Nossos avós foram de grande importância também é claro, não sei o que teria sido de nós sem eles. Mas tenho feito tudo o que posso para que minha irmãzinha tão pequena e frágil tenha sua felicidade, que realize seus sonhos, estude numa boa escola, tenha a mesma profissão que nossa mãe.

Encontre um amor...— Sussurrei.

— Como disse? – Ele perguntou parecendo confuso.

— Que é ótimo que ela estude em um bom colégio, que consiga se realizar profissionalmente, porém você deve estar ciente de que ninguém é feliz sem encontrar um amor. Você mesmo falou como seus pais eram felizes juntos, como casal. Não acha que você e sua irmã merecem encontrar o mesmo?

— O que? Não, quer dizer não sei, Alice é muito nova para pensar nessas coisas, não tem cabimento tratar desse assunto em relação a ela ainda. – Tive que sorrir diante dessas palavras de Edward. – Porque está rindo?

— Do seu jeito super protetor, isso está te deixando cego. Ouça, não estou criticando a forma como você cuida da Alice, já falei a ela e digo agora a você. Isso é lindo, realmente é bom sabermos que podemos contar com alguém dessa maneira como é com você dois, porém ela não é mais uma criança Edward. Alice cresceu, logo vai ingressar na faculdade, vai se tornar uma mulher forte e independente e você não vai poder parar ou evitar isso. Então se desde agora enxergar esse fato será mais fácil para os dois lidarem com tudo.

— Porque está me dizendo isso? Alice está apaixonada por alguém?

— Não sei, talvez, isso você terá que perguntar a ela. Mas seria algo natural ela gostar de um homem e esse homem vir a retribuir os sentimentos dela. Alice é jovem, bonita, inteligente, esforçada, tem todos os atrativos necessários para impressionar alguém e mais do que tudo, tem o direito de encontrar e viver um amor. E seria muito bom se ela pudesse contar com o seu apoio, como vem tendo em todos os outros âmbitos da vida. – Conclui.

— Eu sei que ela não é mais uma criança, só que é difícil imaginar que minha irmãzinha já esteja na idade de se apaixonar. Lembro de que até pouco tempo atrás ela corria para o meu quarto e se enfiava debaixo das cobertas comigo por medo dos trovões à noite. Além do mais ela nunca comentou nada comigo, então não pensava sobre isso em relação a ela, ao menos ainda não. – Explicou.

— Talvez ela ainda não tenha conversado sobre, por medo da sua reação. Agora se você se mostrar mais aberto a aceitar os fatos, possivelmente ela se abra a esse assunto, pense nisso. – Terminei de falar e dei uma piscadinha a ele.

— Obrigado Bella, vou pensar sobre o assunto sim, pode deixar. Agora me pergunto como alguém tão jovem como você pode saber tanto sobre a vida.

— Não sei sobre a vida Edward, estou longe disso. Sou cheia de medos, inseguranças, mas me apeguei realmente a todos vocês e conversando com Alice percebi algumas coisas e quis de ajudar de alguma forma, retribuir mesmo que seja em mínima parte tudo o que vocês tem feito por mim.

— Não tem porque agradecer e sei que faz isso não só por gratidão, mas porque é uma pessoa boa e gosta de ver a felicidade nas outras. – Corei com seu elogio e resolvi mudar o foco do assunto.

— Mas e você Edward? O que está fazendo por si mesmo? Falamos muito do que Alice quer, precisa e vai ter, mas e você? Qual o seu sonho? Lembre-se que sua mãe pediu para que os dois fossem felizes e realizassem seus sonhos.

— Meu sonho... – Ele suspirou e passou seu olhar pela paisagem observando os arredores da cidade. – Meu sonho está muito distante de ser realizado agora.

— Não diga isso, nossos sonhos são o que nos movem. Veja meu caso, por exemplo. Eu sonho em conhecer meu pai e por mais que esteja meio insegura agora, corri atrás de alguma forma em realizá-lo, você não pode desistir. Conte o que mais deseja?

— Desejo estudar música. Há alguns anos que ela deixou de ser apenas um hobby, é algo que nasceu da interação entre meu avô e eu, e com o passar dos anos foi ganhando um lugar significativo na minha vida. Mas para estudar música teria que ter melhores condições ou pelo menos bastante tempo para estudar e me dedicar a entrar em uma universidade com bolsa, mas acabei abrindo mão disso para trabalhar e cuidar para que pelo menos Alice siga a carreira sonhada por ela.

— Não Edward, não pense assim, não desista. Agora pode parecer complicado e é nobre sua atitude em dar espaço para Alice iniciar seus sonhos desde agora, mas não desista dos seus, por favor... – Pensei e decidi falar. – Acho que tenho mais uma confissão a fazer.

— O que é? Pode me falar qualquer coisa.

— Encontrar meu pai sempre foi o meu maior objetivo, o sonho que quis por toda a vida, mas isso é algo pessoal tem haver com vários fatores diferentes e acho que estou perto de realizar isso, não é? – Foi meio que uma pergunta retórica, mas Edward concordou comigo e indicou para que prosseguisse. – Então, seguindo a parte real da vida, ou pensando na minha carreira, acho que nós dois temos o mesmo objetivo. Te contei que fiz aulas de canto e sinceramente sou apaixonada por isso, pela música e eu também componho.— Sussurrei a última parte.

— O que você falou?

— Que eu componho, escrevo letras de música. E sonhando alto talvez, gostaria de estudar e trabalhar com isso no futuro e assim como você não tenho essa possibilidade agora, porque investi meu tempo e fundos da faculdade para vir até aqui, só que não pretendo desistir disso, pode não ser hoje, amanhã ou ano que vem, mas quero fazê-lo e não vou me dar por vencida tão facilmente, você vai?

— Estou surpreso por termos o mesmo objetivo e maravilhado com sua confissão, compor é realmente algo lindo Bella, meus parabéns de verdade. – Sorri em agradecimento e ele prosseguiu. – Mas realizar esses desejos não é fácil... – Ele continuava tentando argumentar motivos para desistir, mas logo o cortei.

— Não Edward, é claro que não é fácil, só que o mais importante é não desistir, não se dar por vencido, vamos fazer uma coisa, aqui, agora. – Falei determinada.

— O que?

— Vamos prometer, diante desse lugar incrível, do seu lugar preferido, com a cidade toda aos nossos pés. Prometeremos a nós. Não importa o tempo que demore, vamos realizar nossos sonhos e mesmo que nos distanciemos que eu volte para os Estados Unidos, que você siga outra vida, mas um dia voltaremos aqui e estaremos formados exercendo nossas paixões em relação à música, você promete? – Estendi minha mão direita a ele.

— Eu prometo que não vou desistir dos meus sonhos e objetivos de estudar música, se você não desistir do seu sonho de encontrar seu pai e de estudar música também, um dia voltaremos aqui felizes e realizados com nossas conquistas. – Ele envolveu sua mão a minha e selamos aquele acordo, sorri feliz e sem medir os atos o puxei para um abraço.

— Obrigada por me ouvir, por ter-me trago até esse lugar e por tudo o que tivemos aqui. – Falei durante o abraço.

— Obrigado você por também me escutar, pelos conselhos e por reacender a chama de esperança dentro do meu coração, você é alguém muito especial Bella. – Ele falou ao pé do meu ouvido e encontrando forças não sei onde, respondi.

— Você também Edward é alguém muito especial.

Alguém mais do que especial na minha vida e no meu coração, pensei, mas isso guardei apenas comigo, um segredo somente do meu coração...

CONTINUA.

Notas finais
Música do Capítulo: Alguien Soy Yo (Enrique Iglesias) N/A: Quem está ainda mais apaixonadinha por Beward? õ/. Espero que vocês também estejam, porque eu sou fascinada por esse dois. Assim como a Bella vem estabelecendo bem a amizade com a Alice, aqui foi à vez do nosso menino. E eu amo como eles são fofos e parecem se completar, nas ideias, gestos e agora também com a música. O que acharam da Bella também estar envolvida com a mesma? O que esperam ver pela frente em relação a esses dois? Quero muito saber o que estão achando de tudo. Agora sobre o e-mail da Esme, sei que algumas meninas (que comentaram, por isso tenho essa base de ideias, por isso comentem haha), esperavam que a Esme já fosse relevar mais questões sobre o pai da Bella. Mas a ideia é sobre a jornada da Bella. Como dito, a Esme entende e apoia, mas se durante todos esses anos não quis compartilhar mais informações sobre seu passado, agora ela prefere se manter assim, para que qualquer relação que a Bella venha a construir com o pai seja algo entre eles, sem interferência do passado. Espero que vocês compreendam e continue nessa jornada comigo, pois prometo que tenho planos incríveis para o desenvolver de tudo ;). Último recadinho, o Nyah está passando por transformações e por conta disso algumas funções como os e-mails avisando sobre atualizações de capítulos, não tem sido enviados a todas as pessoas que marcam como acompanhamento. Sendo assim queria só falar que mesmo que vocês não recebam o e-mail, podem vir confiante que toda segunda-feira à noite encontrarão um capítulo novo de PTE. É isso, por favor, não deixem de comentar, vocês não tem ideia do quão importante é receber esse feedback, vamos continuar essa aventura juntas. Qualquer coisa estou sempre disponível no twitter também: @KaahNannda. Até o próximo. ~Kiss K Nanda.