Para Te Encontrar
35 Capítulo 34 - Seguindo em Frente
Notas iniciais
— Muito obrigada papai. – Agradeci realmente aliviada. – Era o que eu precisava ouvir. Pois decidi que quero vir morar com o senhor...
Tendo sido pego totalmente de surpresa, meu pai levou alguns segundos para responder.
— Mas é claro filha. Como você quiser. Mas porque dessa escolha?
— Eu vim para a Inglaterra atrás do senhor, para conhecê-lo, para ter um pai. E apesar de tudo que já passamos, da boa convivência que criamos. Acho que está na hora efetivamente cumprir meu objetivo, que é ficar com o meu pai.
— Bella, fico muito feliz em saber disso. – Alisou meu ombro. – Desde que nos conhecemos pensei nessa ideia, mas você sempre pareceu tão feliz em morar na pousada, que achei que não deveria propor isso. Não queria pressioná-la a fazer algo que não quisesse.
— Está tudo bem papai. Os meses que passei na pousada foram ótimos. Sempre serei grata a todo o apoio e cuidado que recebi da vovó Elizabeth, assim como de Alice e Edward. – Um gosto amargo penetrou minha boca quando pronunciei seu nome, mas não me deixei abater. – Porém sinto que chegou o momento de compartilharmos essa experiência. Desde que o senhor esteja de acordo.
— Por mim está mais do que combinado. Talvez nem consigamos morar juntos por muito tempo, pois em breve você deve iniciar a faculdade e talvez queira morar sozinha em um apartamento ou no próprio campus, mas pelo tempo que nos for permitido, adorarei morar com você.
— Obrigada papai. De verdade.
Abraçamo-nos e respirei aliviada por contar não só com seu apoio, mas também com um refúgio.
— Bella?
Virei o rosto encontrando minha mãe ao pé da escada.
— Mamãe. O que a senhora está fazendo aqui?
— Eu que pergunto. O que está fazendo aqui e há essa hora?
— Eu acabei de chegar. – Observei seu jeito e a roupa diferente da que estava usando ontem à noite. – A senhora dormiu aqui?
— Sim. Eu...
— Depois que deixamos seus avós em casa sua mãe relatou estar com um pouco de enjoo e tontura, por isso achei melhor trazê-la para cá, para que pudesse examiná-la e monitorá-la. – Papai informou.
— Mas a senhora está bem? – Caminhei até ela. – E o meu irmão?
— Estamos bem querida, não se preocupe.
— Papai?
— Eles estão bem Bella, medi a pressão da sua mãe assim que chegamos e estava normal. O que ela teve provavelmente foi apenas um mal estar natural de início da gestação.
Assenti um pouco mais tranquila.
— Eu mandei mensagem para você filha, avisando que dormiria aqui.
— Eu não vi mamãe, desculpe. Praticamente nem peguei meu celular desde ontem à noite, na verdade só o utilizei hoje de manhã quando chamei o táxi. A senhora sabe que não sou muito ligada ao aparelho.
— Sei sim. Você é uma das poucas jovens de hoje em dia que não é fascinada pelo mesmo. – Sorrimos.
— Pelo horário imagino que ainda não tenha tomado café da manhã, estou certo Bella?
— Sim papai, ainda não comi.
— Pois bem, prepararei algo para nós três. Você também tem que se alimentar Esme, a partir de agora deve fazer refeições constantes, reguladas e saudáveis.
— Tudo bem Carlisle, como queira.
— Ótimo, estarei na cozinha, caso precisem de mim. Com licença.
Assentimos diante da sua saída e mamãe pegou minha mão guiando-nos ao sofá.
— Bella, agora me conte direitinho o que está fazendo aqui, ainda mais tão cedo.
— Eu decidi que quero morar com o papai.
— O que? Mas, por quê?
— Porque acho que é o certo. Eu vim para cá em busca dele. Encontrei várias outras pessoas que não esperava? Sim. Mas conhecer meu pai, conviver com ele, era meu objetivo número um e acredito que está na hora de colocá-lo em prática.
— Analisando por esse lado você tem razão.
— Eu tenho. Preciso dar certos rumos na minha vida e a escolha de vir morar aqui é apenas a primeira delas.
— Tudo bem querida. Apoio sua decisão e acho que será bom para vocês dois conviverem desse modo.
— Obrigada.
— Mas porque teve que vir tão cedo? E porque sozinha? Porque não pediu para Edward lhe acompanhar? Aliás, você trouxe suas malas?
Aproveitando o gancho da enxurrada de perguntas, decidi responder apenas à última.
— Não trouxe minhas malas, mas já deixei tudo arrumado lá na pousada. Daqui a pouco pedirei ao papai para ir comigo buscar. Também ainda não comuniquei a decisão a ninguém, mas informarei a vovó Elizabeth sobre a mudança.
— Certo, mas querida, diga-me uma coisa. Você não notou minha ausência no quarto? Ao menos quando acordou? Pois apesar de não ter visto a mensagem, deve ter reparado que não dormi lá. A não ser que você não tenha passado a noite no quarto...
Baixei a cabeça um pouco constrangida, mas mesmo assim respondi.
— Eu realmente não dormi no meu quarto mamãe. – A olhei. – Porém passei lá de manhã para arrumar as malas e obviamente não a vi, mas pensei que apenas tivesse levantado cedo também, que poderia estar na cozinha, preparando algo para comer. Ou até que tivesse dormido na casa dos meus avós. – Comentei. – Por isso não fiquei preocupada, como levantei com o objetivo de vir falar com o papai, não me atentei direito a sua ausência, mas jamais poderia imaginar que teria dormido aqui. – Ela balançou a cabeça. – Aliás, onde a senhora dormiu? Não me diga que foi com o...
— Bella! Mas é claro que não. – Agora foi sua vez de baixar o rosto constrangida. – Eu dormi em um dos quartos de hóspedes.
— Certo. E a senhora está bem mesmo? Não sentiu mais nada?
— Não. Como seu pai disse, assim que chegamos ele mediu minha pressão e viu que estava normal e eu também já não sentia mais os desconfortos, mas achei melhor permanecer aqui por via das dúvidas. Porém tive uma ótima noite de sono e agora estou bem.
— Dormir sem alguém lhe chutando é outra vida, não é mesmo? – Brinquei.
— Mas agora com a sua saída da pousada terei a cama só para mim.
— É verdade...
— Bella, Esme. – Papai surgiu na sala novamente. – Venham, o café da manhã está pronto.
Levantamos e o seguimos até a cozinha.
Para um homem de tantas posses, que teve empregados durante toda a vida, papai até que é bem dotado em questões culinárias.
Sentamo-nos à mesa que tem na cozinha mesmo e começamos a comer.
Então reparei que essa é a primeira vez que fazemos algo do tipo, apenas nós três, quer dizer, nós quatro, não posso esquecer a existência do meu futuro irmão ou irmã.
Mas o ponto é desde que mamãe chegou nunca compartilhamos um momento assim, entre os encontros na pousada e outros lugares, sempre foram reunidos com outras pessoas, mas essa é a primeira vez que estamos apenas nós, minha família.
A família que fui impossibilitada de ter, mas que agora, se tudo der certo, possa começar a desfrutar...
— Pai, expliquei a pouco a mamãe, vim conversar com o senhor primeiro, por isso ainda não trouxe minhas malas.
— Tudo bem, podemos ir buscá-las a hora que quiser.
— Vamos daqui a pouco. – Mamãe propôs. – Vocês me deixam na pousada e trazem as coisas da Bella. – Assentimos. – Apesar de apoiar a decisão, será estranho ficar na pousada sem você querida.
— Eu sei mamãe, agora que nos reunimos de novo, também sentirei falta da sua companhia constante, mas continuaremos nos vendo.
— É claro meu bem. Mas logo serei eu a deixar a pousada.
O que?
— Mas porque vai deixá-la? – Papai expressou a dúvida. – Você não está planejando voltar aos Estados Unidos, está?
— Não Carlisle, como já falei a você. – Enfatizou. – Acredito que até antes da surpresa do bebê, minha ideia de volta estava em suspenso e agora ainda mais.
— Então porque deixará a pousada mamãe?
— Porque não posso ficar lá para sempre filha. Não a espera do bebê e ainda mais agora com a sua saída. Em breve terei que procurar um lugar para mim, para me ajustar.
— Ah sim, entendo. Nesse sentido a senhora tem razão. – Ponderei. – Não acho que a vovó seja contra hospedar pessoas com filhos pequenos, mas será melhor que fique em um lugar mais privado e confortável.
— Exatamente. Não sei até quando permanecerei lá, tudo dependerá de como minha procura por um imóvel proceder.
— Você poderia ficar aqui também.
Papai soltou de repente pegando a nós duas de surpresa.
— Imagino que será mais confortável ficar aqui do que na pousada, você terá privacidade e também poderá continuar perto da Bella. Ao menos até encontrar um lugar para si.
— Carlisle, não acho que essa seja uma boa ideia...
— E porque não? Eu acho plausível e muito lógico. Primeiramente que já providenciarei um quarto para o bebê, mas como nos primeiros anos ele não poderá ficar comigo sozinho, não vejo mal em você já se estabelecer aqui por um tempo, assim sempre terá a liberdade de ir e vir.
— Pensando por esse lado o papai realmente tem razão. – Mamãe passou o olhar consternado a mim. – Se seu motivo para ficar na pousada era eu, com a minha saída não tem mais porque permanecer. E também se está pensando em procurar um lugar para a senhora, poder fazê-lo sem pressa, sabendo que tem um lugar mais cômodo e privado. Essa é a melhor opção. E ainda poderemos continuar próximas. Não só nós, mas o papai e o bebê também. Se ele ajudou com seu mal estar de ontem, estará disponível para auxiliar, se necessário for, em outras ocasiões novamente.
— Eu não sei...
— Mãe, é um ajuste provisório. – Afirmei. – Quando a senhora encontrar um lugar fixo, mudará e pronto. Talvez até passe a ficar entre as duas casas, mas, por enquanto, acho que essa é a melhor opção.
Ela ficou alguns minutos em silêncio, provavelmente ponderando sobre tudo, enquanto isso, papai e eu trocamos olhares, mas não falamos nada, ao aguardo da sua decisão.
— Está bem. – Confirmou por fim. – Eu aceito vir morar aqui, temporariamente, enquanto começo a procurar um lugar fixo para mim.
— Perfeito Esme. – Papai exclamou com um sorriso. – Hoje você continua no quarto que ficou ontem e escolheremos o da Bella. Mas a partir de amanhã procederemos com as mudanças necessárias para que vocês duas fiquem a vontade tendo tudo o que necessitam.
— Comigo não precisa se preocupar, minha permanência será curta. Mas não me oponho em ajudar na decoração do quarto da Bella e que deixe um reservado ao bebê. – Ele fez menção de refutar, mas ela não permitiu. – Mas com essa decisão tomada o que farei amanhã é entrar em contato com meus chefes e informar sobre o desligamento do trabalho. E também começarei a procurar algo por aqui.
— Quanto a isso não se preocupe. Darei todo o suporte que necessitar.
— Carlisle, nossas questões se interligam por conta dos nossos filhos. No entanto, sobre a minha vida cuido eu. Desse modo não preciso da sua opinião ou suporte para saber que continuarei trabalhando e cuidando da minha vida normalmente. Estamos entendidos?
— É claro Esme, perdão pelo comentário infortúnio.
— É bom que certas questões fiquem claras desde o início. Mas como já estabelecemos isso, por mim podemos ir a pousada buscar nossas coisas e informar a Elizabeth sobre a nossa decisão.
— É claro mamãe, vamos.
Como já terminamos de tomar café, papai falou para deixarmos as coisas como estão e irmos.
Mamãe pediu licença para ir se trocar. A esperamos na sala e em pouco tempo saímos em direção à pousada.
O percurso foi feito em silêncio e nem pude tentar desanuviar o clima, pois fiquei perdida em meus próprios pensamentos e em como encararei Edward para falar sobre a mudança.
Ao entrar na pousada de cara encontramos a vovó e Alice atrás do balcão.
— Oh, que surpresa. Bom dia a todos.
— Bom dia dona Elizabeth.
— Bom dia Elizabeth.
— Bom dia vovó.
Respondemos em sequência.
— Por onde você passou Bella?
— Como assim Alice?
— Não a vi passando para ir recepcionar seus pais.
— Ah, eu vim com eles. Fui à casa do meu pai bem cedo e retornamos agora. – Expliquei.
— Ah, sim. Pensei que estivesse ficando louca por não ter te visto. – Sorrimos.
— E você foi com Isabella Marie a casa do pai? – Vovó questionou a mamãe.
— Na verdade eu dormi na casa do Carlisle ontem. – Mamãe respondeu.
Alice e vovó trocaram um olhar enigmático, mas não falaram nada.
— Por falar em ficar na casa do meu pai, temos algo a contar. – Puxei o assunto.
— Exatamente. Primeiramente quero agradecer imensamente por tudo que fizeram por nós. Especialmente pela forma que receberam a Bella e a trataram como da família.
— Mas Isabella Marie é da família.
— Obrigada vovó. Foi assim que sempre me senti desde que cheguei. Porém todos sabem que vim à Inglaterra encontrar o meu pai. Felizmente ganhei muitas outras pessoas nesse percurso, porém acredito que chegou o momento de efetivamente passar um tempo com ele. Por isso decidi deixar à pousada para ir morar com o meu pai.
— Você vai se mudar?
Ofeguei virando e encontrando Edward atrás de nós, vindo da sala do piano.
— Eu vou. — Murmurei a um fio de voz.
— E não só a Bella, mas eu também terei que deixá-las. – Mamãe informou.
— Mas porque querida? Não está pensando em ir embora do país ou sim?
— Não dona Elizabeth. Esme e Bella passarão a morar comigo.
Papai informou pegando a todos novamente de surpresa.
— Isso é, temporariamente. — Mamãe tratou de explicar. – Bella morará com o pai pelo tempo que desejar. Eu, no entanto, apenas passarei um tempo com eles até me estabelecer em definitivo na cidade e encontrar um lugar para meu bebê e eu morarmos.
— Compreendo. Parece razoável que a família se reúna.
Não tenho dúvida que mamãe e papai quiseram contestar a afirmação, ela ainda mais, porém justamente por ter sido a vovó a falar, deixaram quieto.
— Mas isso não nos impedirá de sentir saudades.
— Exatamente. – Alice saiu de trás do balcão vindo para nossa frente. – Não acredito que não morará mais aqui Bella. E a senhora também tia Esme, logo quando estava empolgada por ajudar com as coisas do bebê.
— Alice, esse não é um adeus definitivo. – Mamãe pontuou. – Agora vocês apenas terão que nos visitar na casa do Carlisle, enquanto permanecer por lá e depois frequentar minha própria casa.
— E todos podem ir quando desejarem. E se quiserem dormir também, estejam à vontade. – Papai ofereceu.
— E nós também estaremos sempre aqui. Como se pudesse abrir mão da comida maravilhosa da Elizabeth.
— Muito bem Esme, assim fico mais contente.
Apesar de estar ouvindo a conversa, não posso dizer que estou realmente focada, pois minha atenção está fixada em Edward, que continua impassível diante da notícia.
De repente o celular do papai tocou e ele pediu licença para atender, ao mesmo tempo em que um hóspede veio falar com a vovó.
Assim mamãe pediu a Alice para subir com ela e ajudar a arrumar suas coisas, desse modo as duas também deixaram nossas vistas.
Edward fez menção de se retirar também, porém me pus a sua frente.
— Será que podemos conversar?
— Está bem, vamos ao meu quarto.
— Não. — Enfatizei. – Acho melhor conversarmos na sala do piano, por favor.
— Como queira.
Tive que recusar a sugestão, pois não posso voltar àquele quarto repleto de lembranças...
Caminhamos até a sala, ele me deixou entrar primeiro e passou fechando a porta.
— Eu...
Tentei encontrar as palavras, porém ele prontamente cortou.
— Quando você tomou essa decisão?
Procurando ser o mais sincera possível, ao menos por onde conseguirei, respondi.
— Tenho pensado nisso há alguns dias.
— E porque não falou nada comigo?
— Porque você estava cheio de coisas na cabeça e não queria tocar no assunto antes de tudo solucionar-se.
— Então você sabia que seria inocentado?
— Você sempre foi inocente. Porque não acreditaria que a verdade viria à tona? – Rebati. – É claro que não sabia como, mas tinha certeza que de um jeito ou de outro as coisas seriam esclarecidas.
— Isso quer dizer que não se mudaria, se as coisas não tivessem se ajeitado?
— Não sei o quanto ouviu do que disse a Alice e a vovó, mas todos sabem que vim para cá em busca do meu pai. E quero passar mais tempo com ele, agora que ele terminou com a Carmen, acho que será bom para nós dois compartilharmos desse contato mais próximo.
— Eu entendo e apoio sua decisão vendo por esse ângulo, mas o que quero saber realmente é se esse é o único motivo por trás da escolha de mudar agora.
— Como assim?
— Nossa conversa não atrapalhará seu tempo de arrumar as malas?
Questionou quebrando a linha de raciocínio.
— Minhas coisas já estão arrumada. – Informei. – Se minha mãe não tivesse decido ir também, somente teríamos vindo buscá-las.
— E quando você arrumou tudo?
Então compreendi aonde ele quer chegar.
— Hoje mais cedo. – Declarei. – Depois de arrumar tudo fui conversar com o meu pai e perguntar se poderia ficar com ele. Como aceitou, voltamos para que possa definitivamente deixar a pousada.
— Então, após fazermos amor, sua primeira atitude ao acordar foi colocar em prática a decisão de deixar a pousada.
— Edward...
— Bella, quero que seja clara comigo. Você quer terminar nosso namoro?
Uma lágrima solitária e pesada escorreu pelo meu olho esquerdo.
— Eu acho que nós precisamos de um tempo.
Apesar de ter perguntado, deu para ver nitidamente que ele não esperava por essa resposta.
— O que houve? Porque acha isso?
— Porque é o que estou sentindo agora. Eu sinto muito Edward, mas nunca planejei me apaixonar, não planejei viver um amor, mas fui arrebatada a ele. Porém agora preciso reavaliar alguns aspectos da minha vida e acredito que você também precise. – Pontuei. – Temos a possibilidade de concorrer à bolsa. O que se conseguirmos determinará nosso futuro profissional. E quero focar um pouco na minha família também, conviver com o meu pai, apoiar minha mãe durante a gravidez. Desse modo acho que a melhor escolha é tomarmos um tempo de nós.
Mais lágrimas começaram a se juntar a primeira, porém não pensei em contê-las.
— Eu estou sobrecarregando você? Meus problemas têm sobrecarregado você?
— Não Edward, não é isso. Como um casal, é claro que as questões de um acabam tornando-se do outro também, isso é normal. Eu mesma sei que o arrastei para vários problemas que não eram da sua conta, como as questões da minha família. Sem contar a presença de Irina. Você jamais teria tido qualquer contato com ela se não fosse por minha causa.
— Os erros dela não são sua culpa. Quando entenderá isso?
— Você tem a sua percepção e eu tenho a minha. – Afirmei. – Mas é sobre isso. Nós já passamos por tantas coisas em tão pouco tempo, que acredito que essa distância nos fará bem.
— Se essa é a sua escolha, respeitarei. Mas quero deixar claro que não concordo. Não acredito que nos separar seja a melhor opção.
— Edward, estávamos praticamente vivendo uma vida de casados. Morando no mesmo lugar, compartilhando o trabalho, os estudos. Realmente não sente que poderíamos nos desgastar? E assim acabar, ainda que totalmente sem querer, magoando um ao outro? Acredite, minha mudança e nosso afastamento nos farão bem.
— Eu lhe fiz alguma coisa? – Fiz menção de responder, porém ele completou. – Algo que tenha lhe desagradado diretamente? Eu a machuquei ou desrespeitei em algum momento?
— Não, é claro que não.
Respondi espantada por sua linha de pensamento.
— Ontem talvez, pela forma que nos entregamos. Bella. Se fiz algo...
— Shhh. – Encostei a mão em seus lábios. – Edward, não! Nunca! Você sempre foi mais do que perfeito comigo. Em todos os sentidos. – Enfatizei. – E ontem foi... Não tenho palavras para descrever, talvez tenha sido até a despedida perfeita, mas tudo aconteceu de acordo com nossas vontades e sentimentos. Nunca pense o contrário. Minha decisão não tem nada a ver com esse aspecto da nossa relação.
— Você jura?
— Por tudo que é mais sagrado. – Acariciei seu rosto. – Não volte a pensar em algo do tipo nunca mais, por favor.
Pegando-me totalmente de surpresa, me beijou e me entreguei, pois realmente não sei se esse não será nosso último beijo...
Ele apertou fortemente minha cintura, enquanto agarrei seu cabelo, sem vontade alguma de soltar.
E em meio ao toque lembrei-me do nosso primeiro beijo, tão doce, confuso, mas já cheio de sentimentos, como me senti acolhida entre seus lábios, mas perdida por não saber o que ele realmente pretendia com aquilo.
E então o beijo que demos após nos declararmos, como me entreguei sem medidas, sentindo que tinha acabado de encontrar meu lugar.
E Edward realmente sempre será o único, meu verdadeiro amor...
Não tenho ideia de como terminaríamos aquilo se dependesse apenas de nós, porém batidas na porta nos despertaram.
— Quem é?
Edward pronunciou, mas sem fazer menção de abrir.
— Edward? Bella está com você?
— Oi Alice. – Respondi, mas também sem me mexer.
— Desculpe incomodá-los, mas é que seus pais já estão prontos para ir. – Informou.
— Já sairemos Alice, só um minuto.
— Está bem.
Ouvimos os passos se distanciando da porta, então voltamos a nos olhar.
— Isso não é um adeus. – Prometi. – Ainda temos nosso compromisso no Pub e como meus pais disseram, estaremos sempre por aqui e vocês também podem ir nos visitar...
— Apenas não seremos mais namorados. — Completou.
Pude notar lágrimas nublando suas orbes verdes e foi como se meu coração estivesse sendo arrancado do peito.
— Não. — Me afastei deixando seus braços. – Isso será o melhor para nós, você verá.
Ele nada disse, apenas caminhou para perto do piano.
— Agora eu tenho que ir...
Tomei seu silêncio como o encerramento do nosso assunto e deixei a sala.
De volta à recepção encontrei meus pais, assim como vovó e Alice.
É óbvio que eles notaram o rastro de lágrimas, mas acredito que todos pensaram que apenas estou expressando os sentimentos da mudança.
Não sei quando contaremos sobre o término, mas por hora os deixei continuar com os pensamentos errôneos.
Despedi-me de Alice e vovó com fortes abraços e muita gratidão, apesar das promessas de continuarmos mantendo contato, minha saída marca o fim de uma era, muito maior do que qualquer um pode imaginar.
Como pai já colocou as malas no carro, tivemos apenas que entrar no veículo e partir.
Antes de virar a esquina e trocar de quarteirão, olhei uma última vez para a construção que durante meses foi mais do que meu lar, mas também meu refúgio e abrigo.
Mas que agora guardará para sempre também, meu coração. Já que o deixei para trás no instante em que abdiquei de Edward...
Ao chegar novamente na casa do meu pai, ele nos ajudou a levar as malas para os quartos e indicou para ficar com a outra suíte. Como pretendo ficar mais tempo do que minha mãe, achou melhor me dar o máximo de privacidade e conforto possível, o que agradeci bastante.
E apesar de prestar ajuda com o que precisarmos, também nos deixou a sós enquanto organizamos as coisas.
Em meio à arrumação, acabei aproveitando para conversar um pouco mais com a mamãe sobre suas decisões.
— Mãe.
— Sim?
— A senhora realmente já decidiu sobre ficar aqui em definitivo? Sem qualquer chance de volta?
— É estranho ter essa certeza tão clara, mas sim. — Sorriu. – Aqui sempre foi meu lar. Nunca pensei em deixá-lo e ao fazê-lo tão pouco pensei que voltaria, mas agora que estou novamente aqui, próxima aos seus avós, ainda mais com você ao meu lado, não me vejo deixando esse lugar novamente.
— Sem contar a questão do bebê.
— Pois é. Apesar de todos os pesares, Carlisle tem se mostrado um excelente pai. E sei o quanto lhe fez falta tê-lo consigo, por isso espero que esse bebê tenha a oportunidade de conviver com ele desde o princípio.
— Fico feliz em ouvir isso mamãe. E é o que espero também.
— Mas e quanto a você? Acredita que aqui possa ser seu novo lar?
— É como à senhora disse, toda nossa família está aqui, nossos amigos. Antes da sua chegada, tinha uma ligação muito forte com a América, por sua causa. Mas agora que também está aqui, não me vejo partindo.
— Que bom querida. Acredito que a partir de agora seremos muito felizes, mais do que fomos durante esses anos. – Concordei.
Porém refleti por um momento sobre a única razão que me faria partir, deixando não só minha família, mas também todos os meus sonhos para trás...
— E quanto ao nosso apartamento? – Retomei o ponto. – Sobre seu emprego a senhora já falou que informará a mudança. Mas e nossas coisas que estão lá? Simplesmente deixaremos para trás?
— Não, de modo algum. Amanhã mesmo começarei a procurar algum lugar para mim e assim que encontrar e me estabelecer, talvez até já com algum emprego a vista, marcarei uma viagem para providenciar a venda do imóvel e também o transporte das nossas coisas pessoais. É óbvio que não trarei tudo, só o que for realmente importante.
— De fato.
— Você gostaria de voltar comigo?
Fui pega de surpresa pela pergunta, mas não titubeei em responder.
— Sim. Acho que seria legal nos despedirmos de tudo e juntas encerrar esse capítulo das nossas vidas.
— Então está combinado.
***
Eu sabia que a partir do momento que as pessoas tomassem ciência da minha decisão, nada seria fácil, mas também não imaginei que seria tão ruim...
Sábado à noite fui para o Pub cumprir com as minhas obrigações, porém assim que cheguei fui abordada por Alice que informou saber sobre o que ocorreu entre Edward e eu.
É claro que ela não apenas me questionou, como também fez um escarcéu em cima da notícia. Obviamente Rose ouviu tudo e assim passei a noite aguentando perguntas e sermões das duas, mas me limitei a apenas falar que precisava do tempo que pedi.
Diferentemente delas, Edward não me pressionou ou agiu de modo estranho, quer dizer, não trocamos os carinhos costumeiros ou troca de olhares, mas ele tão pouco foi hostil ou indiferente comigo.
E como poderia ser de outra maneira? Se ele é simplesmente o homem mais maravilhoso que já conheci?
Durante a apresentação, tentei o máximo possível dar o meu melhor para não demonstrar nossa situação pessoal diante do público e acredito que ele tenha feito o mesmo, pois apesar dos pesares, conseguimos fazer um bom show.
Ao fim da noite, Jasper ofereceu me deixar na casa do meu pai, já que fui de táxi, porém surpreendendo a todos e a mim inclusive, papai foi me buscar.
Assim não precisei declinar da carona e pude me despedir de todos ainda no Pub, mas tendo a ciência que muitos comentários seriam trocados após a minha saída.
Ontem passei o dia em casa com os meus pais, foi um pouco estranho no começo, participar de uma rotina com os dois, mas ao fim do dia acho que conseguimos estabelecer uma boa primeira convivência.
Aproveitei a ocasião para informá-los sobre o término, percebi que ambos ficaram surpresos, mas demonstraram apoio e compreensão. E mesmo que tivessem perguntas e ressalvas, se abstiveram de expor qualquer uma, ao menos naquele momento.
Pela manhã, por conta do seu horário, papai sai bastante cedo, porém com a nova exposição marcada para o próximo sábado, resolvi continuar entrando antes do meu horário padrão, para terminar de organizar tudo, assim aceitei a carona e saímos juntos.
Apesar de ter bastante trabalho e quase não ter tempo de parar nem para almoçar, tais circunstâncias não foram empecilhos para Rosalie deixar de perturbar-me constantemente a procura de entender o que está acontecendo.
Ela só parou quando dei um basta sério, pedindo para deixar o assunto de lado, informando que a decisão está tomada e ninguém tem nada a ver com nossa vida ou relacionamento.
Que se optei por me afastar de Edward, a questão só diz respeito a nós. E se ele compreendeu meus motivos, não tenho porque ficar me justificando a outras pessoas.
O restante do dia foi focado em troca de conversas voltadas apenas ao trabalho, talvez amanhã peça desculpas pelo modo que falei, mas para manter a sanidade e não correr o risco de desabar em sua frente, a atitude foi necessária.
Quando deixei o Antiquário, tomei um táxi até a casa do papai, em algum momento terei que parar de me referir ao local como apenas dele, já que a partir de agora é minha casa também.
Ao chegar me surpreendi em ver que mamãe providenciou o jantar, apesar de contar com empregados, ela informou que pelo tempo que ficar, fará questão de cuidar de certos assuntos.
Não só por gratidão a disponibilidade do papai, mas também para reestabelecer um pouco da rotina que tínhamos quando morávamos sozinhas.
Papai também se espantou quando soube da sua decisão, mas pareceu animado pela nova perspectiva, então nos reunimos para desfrutar da refeição.
Terminamos a pouco de comer e seguimos para a sala, quando a campainha tocou.
— Está esperando alguém? – Mamãe perguntou.
— Eu não. E vocês? – Negamos também. – Deixe-me ver quem é então.
Ele levantou indo conferir as imagens do portão no painel de segurança e prontamente o abriu deixando o visitante entrar, como também o aguardou na porta.
E ofeguei quando vi Edward parado na soleira cumprimentando meu pai.
— Perdão pela hora e por vir sem avisar.
— Não tem problema Edward. Está tudo bem?
— Está sim Carlisle, não se preocupe.
— Mas vamos, entre. Nós acabamos de jantar, mas se quiser...
— Não, eu também já jantei. Obrigado. – Informou e papai assentiu. – Boa noite Esme.
— Olá Edward, como vai?
— Muito bem e você? O bebê?
— Estamos bem, obrigada.
Então finalmente seu olhar se dirigiu a mim.
— Oi Bella.
— Oi.
— Vamos deixá-los conversarem a sós.
Mamãe fez menção de levantar do sofá, porém Edward a impediu.
— Não precisam se retirar, vim falar com a Bella, mas nossa conversa será rápida.
— O que houve?
— Isso chegou para você. – Estendeu um envelope. – Como o endereço de cadastro era o da pousada, recebemos em seu nome.
Levantei para pegar o envelope e assim que olhei o selo, me espantei.
— O que isso quer dizer?
— Você terá que abrir para descobrir.
— Você também recebeu um? – Ele assentiu.
— O que houve filha?
— É uma carta da Universidade de Londres, mais especificamente da RAM.
Respondi ao papai.
— Abra meu bem.
Acatando a indicação da mamãe, abri o envelope, logo retirando a carta e lendo o conteúdo com afinco.
— Então?
— É um informativo mãe. Fala que passei nas provas teóricas e informa os dados e data do teste prático. Se passar, ganharei a bolsa.
— Meus parabéns Bella, sabia que conseguiria.
— Obrigada papai.
Imediatamente me voltei a Edward.
— O que dizia na sua carta?
— A mesma coisa.
— Querido, meus parabéns. Vocês com certeza passarão no teste prático e poderão realizar o sonho de estudar música.
— Obrigado Esme.
— Eles falaram algo mais?
Não precisando explicar a que me refiro, Edward informou.
— Além da carta padrão, recebi uma nota pessoal, pedindo desculpas pelo pré-julgamento e informando que terão imenso prazer em me receber na Universidade, caso passe no teste final.
— Era o mínimo que podiam fazer depois da forma que o trataram.
— Está tudo bem Bella, deixa para lá. O importante é que agora tudo está esclarecido.
— Exatamente. – Papai concordou. – Mas quando será teste?
— Dia seis de setembro. – Edward e eu respondemos juntos.
— Não falta muito tempo então.
— Mas eles conseguirão se preparar até lá. – Mamãe contestou animada. – Nunca vi pessoas mais talentosas do que vocês.
— Obrigada mamãe. Mas de todo modo teremos que ensaiar bastante.
— Então, por isso quis vir logo e falar com você pessoalmente. – Edward ponderou. – Quando nos inscrevemos, informamos que faríamos o teste juntos, mas agora...
— Ainda faremos o teste juntos. – Afirmei. – A não ser que você não queira...
— Não. Quer dizer, por mim podemos manter as coisas como planejamos.
— Então está certo. Nos apresentaremos juntos.
— Está bem. Agora já vou embora.
— Tem certeza Edward?
— Sim Esme, realmente só vim para entregar a carta a Bella. Mas tenho que ir.
— Eu o levo em casa Edward.
— Não precisa Carlisle, obrigado. Eu vim de bicicleta.
— Mas não é perigoso andar sozinho e a noite? A pousada não fica tão perto.
— Não se preocupe Esme. Sei me cuidar.
— Nesse caso avise quando chegar, por favor. Não deixe uma mulher grávida preocupada.
— Está bem, pode deixar. Boa noite.
— Eu o levo até o portão. – Ofereci.
Meus pais retribuíram a despedida e deixamos a sala.
Caminhamos em silêncio até chegarmos à calçada, porém antes de deixá-lo montar na bicicleta e partir, falei.
— Obrigada por ter vindo me avisar.
— Não tem problema. Pensei em deixar o envelope amanhã no Antiquário, mas depois conclui que por conta do pouco tempo que teremos para nos preparar, avisá-la essa noite já faria alguma diferença.
— Sim. E falando nisso, teremos que apresentar algo novo, que demonstre nossas aptidões.
— Eu sei. Teremos que escolher alguma das canções que já fizemos.
— É. Também teremos que marcar os ensaios. E talvez pedir uma folga do Pub, ao menos nesse fim de semana. Já que terá a exposição no Antiquário e com os preparativos para o teste, seria bom usarmos todo o tempo disponível para nos preparar.
— Você tem razão. Podemos falar com a Rose e o Emm amanhã, o que acha?
— Combinado.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, sem saber como nos despedir ou talvez sem querer...
Por fim Edward tomou a decisão por nós.
— Boa noite Bella.
— Boa noite Edward.
Ele colocou a bicicleta na rua e saiu pedalando, só entrei quando o perdi totalmente de vista...
***
Rose e Emm prontamente aceitaram nos dispensar das apresentações do Pub dessa semana, como também nos deram folga como funcionários, tanto para usarmos o tempo para nos preparar para o teste da RAM, quanto também pelo meu envolvimento na nova exposição.
Assim terça-feira à noite, retornei a pousada para começar a ensaiar com Edward, porém infelizmente não tivemos muita produtividade, pois passamos a noite tentando escolher a canção a ser apresentada, porém nada pareceu nos agradar.
Hoje também não fomos muito adiante, chegamos a escolher a música, mas sinceramente, não estou realmente contente e confiante que seja a melhor escolha e sei que Edward também não.
Precisamos de algo que mostre todas nossas nuances e surpreenda a banca avaliadora, para garantir que ganhemos as bolsas, pois Deus nos livre lutar tanto e perder justamente agora.
Frustrada e sem conseguir dormir, decidi deixar o quarto e ir a cozinha pegar um copo de água ou talvez esquentar um pouco de leite, para ver se ajuda com o sono, mas me surpreendi ao encontrar meu pai também de pé.
— Papai?
— Oi Bella. O que faz acordada há essa hora?
— Perdi o sono. E o senhor?
— Tenho o hábito de levantar a noite. Reflexos dos anos em que trabalhei nessa jornada.
— Entendo.
— Mas e você? Porque perdeu o sono?
— Estou frustrada e preocupada.
— Com o que?
— Com o teste da RAM.
— O que está acontecendo? Se abra comigo.
— É que teremos que apresentar uma canção original, que demonstre nossas melhores aptidões. A minha como letrista e a do Edward como compositor. Até chegamos a escolher a canção, mas não sei, sinto que ainda não é a certa. Pois essa é nossa grande chance, temos que entregar o melhor de nós.
— Entendo. – Ele rodou pela cozinha e apenas fiquei observando-o. – Farei um chá para mim, você gostaria de um pouco?
— Sim, papai. Obrigada.
Ele começou a mexer nos utensílios.
— Porque acha que a música que escolheram não é boa o suficiente para a apresentação?
— Esse é o problema. Não sei explicar. Nós já escrevemos algumas canções juntos e sempre gostamos de tudo que produzimos.
— Sim, vocês são ótimos. Aquela que vi tocarem no Pub é muito boa.
— Obrigada. É só que agora, as que temos não parecem suficientes, não para a ocasião.
— E porque não tentam compor algo novo?
— Não acredito que tenhamos tempo. O melhor é continuar trabalhando com algo que já está pronto.
Ele finalizou o chá e serviu duas xícaras, entregando-me uma e ficando com a outra.
— Ouça filha, eu não entendo nada desse mundo, essa aptidão você com certeza herdou da sua mãe e do seu avô. – Sorri. – Mas porque não arriscar? Essa é realmente uma grande oportunidade. Vocês se preparam bastante para chegar até aqui. Então porque não fazer tudo que estiver ao alcance?
— Como assim?
— Você mesma disse que está se sentido frustrada, coloque isso para fora. Ainda que não consiga escrever, ainda que não use o que criar para a apresentação, deixe seus sentimentos fluírem, acredito que isso a ajudará a clarear a mente e se entender melhor.
— Obrigada papai. Esse é um ótimo conselho.
— Não há de que.
Ficamos em silêncio um tempo bebendo o chá.
— O senhor é o segundo homem que faz chá inglês para mim.
Acabei revelando.
— O primeiro foi o Edward? – Assenti. – E qual chá é melhor? O meu ou o dele?
— Eu seria muito ingrata em não dizer que o seu...
— Ok, já entendi. Sou o segundo melhor. – Sorriu.
— Digamos que os dois estão empatados. – Brinquei. – Mas é o seu chá que continuarei tomando, então...
Terminamos nossas bebidas e decidimos voltar aos quartos, porém antes de entrar no meu, papai tocou meu ombro e virei para olhá-lo.
— Bella.
— Sim?
— Você está bem?
— Como assim?
— Com a decisão que tomou. De se afastar do Edward?
— Eu fiz o que foi preciso papai. – Informei categoricamente.
— Ouça, imagino que tenha suas próprias razões e a respeito. Mas quero que saiba que não é porque sua mãe e eu não demos certo, que todas as relações acabam seguindo o mesmo caminho.
— Porque está dizendo isso?
— Porque é a verdade. Ninguém tem que ter medo de viver o amor. Eu vivi, por um período e foi... – Ele se retesou e não tive coragem de insistir. – Mas o importante é viver. E eu ainda ganhei você. – Acariciou meu rosto. – E por algum acaso do destino, também ganharei outro filho. – Riu. – Mesmo que minha história com sua mãe tenha de fato chegado ao fim. Por isso digo, se sente de verdade que sua relação com Edward chegou onde devia tudo bem. Mas se por algum motivo sente que ainda há o que viver, não perca a chance. A vida é curta demais...
Não sei se conseguiria responder alguma coisa, mas ele também não me deu a oportunidade, apenas beijou minha testa e desejou boa noite seguindo para o seu quarto.
Cheia de pensamentos e sentimentos conflitantes entrei no meu quarto indo atrás das minhas anotações e composições.
Li tudo que já escrevi, letras que criei antes de conhecer Edward e depois, as canções que fiz quando me apaixonei e as que vieram quando senti a retribuição do amor, até as últimas que fizemos em conjunto.
Todas são especiais a sua maneira e contam um pouco da minha história, da nossa história, mas para o que estamos prestes a viver precisamos de algo mais, uma música que seja a contemplação de nós dois...
Como um pintor que descarrega todas suas emoções na tela, comecei a rasurar várias folhas tentando expressar meus sentimentos, vontades, frustrações, medos, inseguranças, alegrias e amor...
Não sei quantas horas passei escrevendo, mas a noite deu lugar à madrugada e quando olhei o relógio me surpreendi ao ver que já passa das três da manhã.
Incapaz de me conter enviei uma mensagem a Edward, mesmo sabendo que ele não verá e tão pouco responderá agora, porém ainda sim contei sobre a conversa com meu pai e o conselho de compor algo novo.
Junto à explicação mandei também a letra, fotografando as folhas onde a escrevi e passando a ele.
Fui ao banheiro para me preparar para tentar dormir, porém me surpreendi ao voltar e encontrar o celular piscando em cima da cama.
Fiquei ainda mais espantada por ver que Edward está não só acordado, mas me ligando.
— Edward?
— Oi Bella. Te acordei?
— Não. Mas eu que pergunto. O que faz acordado há essa hora? Eu te acordei?
— Um pouco, mas não tem problema.
— Edward...
— Bella, escuta. Li sua mensagem e também a letra. Você a escreveu agora?
— Sim. Não consegui dormir e após conversar com meu pai acabei arriscando e saiu isso. O que achou?
— Que é incrível.
— Sério?
Não contive um sorriso.
— É claro. Ela é... O que diz... É isso o que você sente?
Não posso fraquejar.
Já abri meu coração na letra, mas não posso abrir diretamente para ele.
— Eu apenas procurei escrever algo que achei ser especial o suficiente para nos dar a oportunidade de ganhar a bolsa. Eu quero muito isso Edward. Quero para mim e quero para você.
— Eu entendo. Muito bem, tentarei compor o arranjo e quando estiver pronto testamos para ver se ficará bom.
— Está bem. – A linha ficou muda por um tempo. – Desculpe ter te acordado.
— Não tem problema. Boa noite Bella.
— Boa noite Edward.
Não esperava adormecer chorando, mas foi o que aconteceu...
Assim que acordei, peguei o celular para desligar o despertador, porém vi o sinal de uma mensagem de Edward, falando para entrar em contato com ele assim que acordasse.
O fiz rapidamente e apenas alguns segundos após respondê-lo, ele retornou questionando se consigo passar na pousada antes de ir para o Antiquário, afirmei que sim e que em alguns minutos estarei lá.
Com isso levantei rapidamente, tomei um rápido banho, avisei a Rose que talvez me atrase e sai do quarto, porém ainda no corredor encontrei o papai.
— Bom dia Bella.
— Bom dia pai. Desculpe, mas não poderei esperá-lo hoje.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa no Antiquário para ter que ir mais cedo?
— Não estou indo direto ao Antiquário, antes passarei na pousada.
— Na pousada? Por quê?
— Eu segui seu conselho e escrevi uma letra essa madrugada.
— Filha, que bom. E está indo mostrá-la ao Edward?
— Na verdade assim que terminei acabei lhe enviando. E agora ele pediu para passar lá, então acredito que tenha algo para me mostrar.
— Entendi, mas vamos, eu te levo e de lá vou para o hospital.
— Não quero incomodar.
— Não será incomodo. – Me abraçou de lado.
Sem poder recusar, aceitei a carona.
Apesar da sua exímia curiosidade, preferi manter os detalhes da letra em segredo, afinal de contas, não sei nem se a usaremos de fato, antes preciso tratar do assunto com Edward.
Quando o carro parou em frente à pousada, o vi a minha espera na porta.
Ele acenou ao papai que retribuiu o cumprimento.
Despedi-me agradecendo a carona e fui ao encontro de Edward.
— Bom dia. – Saudei.
— Bom dia. Vamos entrar.
Assim que fechou a porta começou a caminhar e simplesmente o segui.
Somente falou novamente quando entramos na sala do piano.
— Passei o restante da madrugada compondo o arranjo e quando terminei fiquei ansioso para lhe mostrar.
— Não acredito que você já finalizou a música.
— Você escreveu a letra no início da madruga. Eu fiz o arranjo no fim dela.
Sorriu e foi impossível não acompanhá-lo.
— Senta aqui.
Indicou o banco e mesmo um pouco receosa por conta de nossa proximidade, acatei o pedido.
Assim alguns segundos depois Edward começou a tocar a melodia e foi impossível conter as lágrimas ao escutar a sinfonia maravilhosa que ele criou em cima das minhas palavras.
— Edward, ficou perfeita.
Declarei totalmente encantada.
— Você achou?
— Mas é claro.
— Não acha que a segunda ponte poderia ser um pouco mais curta?
— Não, de maneira alguma. É isso, você deu vida à canção.
— Nós dois demos. – Enfatizou olhando profundamente nos meus olhos. – Quer experimentar cantar para ver como fica?
Sem capacidade de falar, apenas assenti.
Desse modo ele voltou a tocar e no instante indicado comecei a cantar, com seu acompanhamento vindo em seguida.
Assim moldamos a canção transformando-a em nossa.
— Acredito que essa é a música que apresentaremos no teste.
Comentou quando terminamos de cantar.
O olhei profundamente e prometi.
— Sim. E será com ela que ganharemos a bolsa...
CONTINUA.
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