Para Te Encontrar
16 Capítulo 15 - Acertando os Pontos
Notas iniciais
Ainda trôpega caminhei até a cama desabando na mesma. Recapitulei os últimos momentos e estremeci com as lembranças, ao mesmo tempo em que o medo do desconhecido me assola.
Passei a mão na testa sentindo o suor frio acumulado, respirei mais uma vez e sussurrei.
— Meu Deus! O que esse garoto está fazendo comigo?
Mal consegui dormir após o fatídico episódio. Rolei na cama por horas e horas antes de pegar no sono e quando o fiz foi só para ser assombrada por sonhos tensos.
Acordei antes de o despertador tocar angustiada com tudo e como a boa covarde que ainda sou, resolvi sair mais cedo para não ter que encarar Edward.
No fundo sei que estou fazendo o certo, pois não sei o que dizer e é melhor acertar meus pensamentos antes de vê-lo de novo.
Com a ideia construída levantei e me arrumei rapidamente, quando pronta desci praticamente correndo. Achei que sairia sem ver ninguém, mas como a sorte não está tão assim do meu lado, ainda encontrei vovó.
— Isabella Marie, acordada tão cedo. O que houve?
— Bom dia vovó, é que recebi uma mensagem da Rose pedindo para ir mais cedo.
— E vai sair sem tomar café?
— Infelizmente não posso esperar, tenho que ir logo. Mas não se preocupe, comprarei alguma coisa para comer quando chegar ao Antiquário.
— Tudo bem. Então vá com Deus e até mais tarde.
— Obrigada vovó, tchau. – Já prestes a sair pensei em uma coisa – Vovó é provável que Edward me procure, mas não deu para avisá-lo da mudança de planos. A senhora poderia avisar que fui mais cedo, por favor. E que falo com ele mais tarde?
— É claro que sim meu bem, pode deixar que informarei a Edward Anthony sobre seu imprevisto.
— Mais uma vez obrigada. Agora sim tchau. – Lhe dei um beijo e sai, na rua procurei um táxi, ao avistar dei sinal e entrei no mesmo dando o endereço do Antiquário.
Durante o trajeto mandei mensagem a Rose avisando que já estou a caminho, ela respondeu que já está indo também, com isso pude enfim respirar um pouco e começar a pensar no que me aflige e como resolver a situação...
Infelizmente não consegui chegar a uma conclusão lógica antes de parar no Antiquário, ao fazê-lo paguei a corrida e desci, quando entrei já avistei Rosalie.
— Bom dia Bella, caiu da cama?
— Posso dizer que nem dormi.
— O que houve? Algo que possa ajudar?
— Não, tudo bem, são só preocupações tolas, nada demais.
— Certo, mas sabe que estou aqui para o que precisar.
— Eu sei, obrigada. Mas já que estou aqui me deixe focar no trabalho, tenho certeza que trabalhando ocuparei melhor a mente e quem sabe até solucione minhas dúvidas.
— Ou talvez apenas se distraia e fuja dos problemas...
— Pode ser. Mas de toda forma o importante é trabalhar.
— Sendo assim vamos usar esse empenho todo de forma produtiva. – Sorri em agradecimento e realmente foquei no trabalho.
Rose me encarregou de organizar as novas peças que serão expostas no Antiquário nessa semana, enquanto ela ficou na frente cuidando do movimento.
Passei boa parte da manhã entretida nesses afazeres, quando terminei Rose me deu outra função que me prendeu até a hora do almoço. Ela sugeriu que almoce primeiro já que cheguei cedo e diferente do que prometi a vovó não tomei café.
Porém durante a pausa os acontecimentos da noite passada voltaram a assolar minha mente com força total, lembranças dos momentos passados com Edward, imagens que me deixam ao mesmo tempo feliz e angustiada, o medo do que sinto e do que não sei, estão sendo mais forte do que meu raciocínio lógico.
Terminei de comer e voltei ao Antiquário para liberar Rose, mas ao invés de sair como de costume, resolveu permanecer comigo.
— Bella como não tem ninguém e nessa hora o movimento é menor podemos conversar.
— Claro, há algo que queira me dizer?
— Na verdade gostaria que conversasse comigo. Não queria me intrometer, mas sendo franca sei que você não está bem. Já te conheço o suficiente para diferenciar as coisas e me considero uma amiga, por isso me acho no direito de tentar ajudar, mas para fazê-lo preciso que diga o que te aflige. – De primeira fiquei encabulada com sua sugestão, mas logo pensei melhor e vi que preciso falar com alguém, porque sozinha não estou encontrando uma solução.
Rose é minha amiga, além dela só tenho Alice, com quem não falarei sobre essas coisas sendo que a mesma é irmã do relacionado. E Rose é mais velha, casada, tem muita experiência e provavelmente pode me ajudar.
— Certo falarei o que houve.
— Ótimo, pode me contar qualquer coisa. É algo com sua mãe? Seu pai? Edward?— Assenti. – Oh... Edward era minha maior aposta desde o início, já que além de vir mais cedo, ainda o fez sem ele. O que lembra a época que fugia dele por não ter coragem de confessar seus sentimentos. Então o que me deixa em dúvida é o motivo para tal ação novamente.
— Você realmente já me conhece Rose. Mas sim, sai meio que fugida, porque não tive alternativa, simplesmente não consigo encará-lo depois de ontem...
— Bella não me assuste. O que aconteceu?
— Não sei nem como falar, eu tenho vergonha...
— Vocês fizeram o que estou pensando?
— Não, quer dizer, não sei o que está pensando.
— Vocês fizeram... – Ela fez um gesto com as mãos me fazendo entender seu ponto, então a cortei antes de concluir.
— Oh não. Não. Mas o assunto envolve esse tipo de coisa.
— Certo, então pode falar comigo. Somos amigas e mulheres, não tem porque ter vergonha de conversar.
— Tudo bem. Vai parecer que sou uma menina boba, que não devia agir assim porque já tenho 19 anos. Mas é tudo novo, as coisas que sinto quando estou com Edward, ele me tira do rumo e não sei o que esperar. Ontem estávamos conectados de uma forma tão intensa, nunca senti nada assim por ninguém e...
— Se assustou com o que houve?
— Sim. Não que Edward tenha feito algo que não gostei ou me forçado, foi mútuo e realmente estava curtindo. Mas de repente senti coisas demais e não sabia até onde ele queria ir, então simplesmente levantei e sai correndo de volta ao meu quarto. Hoje fugi de novo e ainda não sei como encará-lo.
— Entendo, mas isso é normal, vocês estão começando algo novo e muito bonito. Os sentimentos estão uma loucura, só que o mais importante é conversar com ele.
— Mas como falarei disso com ele? Edward provavelmente já teve várias experiências e procura alguém para corresponder às suas expectativas, mas não sei se já estou pronta para tudo...
— Por isso que tem que falar com ele Bella. É provável que ele seja mais experiente do que você? Sim. Mas vocês são um casal agora e precisam decidir juntos como se sentem e até onde querem ir. Não interessa o que você ou ele já viveram, o que importa é como levarão essa relação. Ouça, quando conheci o Emm já não era mais virgem, mas isso não queria dizer que daríamos esse passo já no 1° dia. Leva-se tempo para conquistar a confiança e cumplicidade necessárias para que algo assim aconteça.
— Eu sei. Mas o que sinto é tão novo e forte, não consigo nem descrever a forma que fico quando estou com Edward. Sem contar as outras sensações que me assolam também.
— Entendo bem. Mais do que medo do que ele possa tentar, você teme a si mesma, que não consiga se controlar. Sei bem como é, falei que não dormi com Emm no 1° dia, não que foi fácil resistir a tudo aquilo... – Ela sorriu e acabei retribuindo.
— Exato. Como posso me tornar uma pessoa totalmente diferente em um momento? É assustador.
— Não se preocupe Bella, assim como conseguiu parar ontem, vai conseguir das próximas vezes até estar completamente pronta. O corpo dará os sinais e sua mente conseguirá guiá-los na hora certa. Mas volto a pontuar, você tem que falar tudo isso ao Edward. Conversem, ele precisa saber como se sente e você precisa entender o que ele quer, assim encontrarão um ponto comum para seguir até o momento certo chegar.
— Você tem razão Rose. Essa conversa já foi ótima, me ajudou muito, mas ainda preciso falar com Edward.
— Muito bem é assim que se diz.
— Vou mandar uma mensagem perguntando se ele virá me buscar e assim proponho a conversa.
— Ótima ideia. E enquanto conversa com seu boy, terminarei de comer.
— Obrigada Rose de verdade. – A Abracei.
— Não tem o que agradecer, amigas são para isso e estarei aqui sempre que precisar. – Assenti e a deixei saborear seu lanche enquanto envio uma mensagem a Edward.
De: Bella
Para: Edward
Oi, tudo bem? Desculpe por não espera-lo hoje de manhã, precisei resolver umas coisas. Mas quero saber, pode vir me buscar na saída?
Enviei a mensagem, mas antes de deixar o celular de lado, o mesmo apitou indicando que Edward já respondeu.
De: Edward
Para: Bella
Oi, tudo sim e com você? Vovó avisou que teve que ir mais cedo para resolver algumas coisas no Antiquário, ficou tudo bem? E sim, se você quiser posso buscá-la.
Terminei de ler a mensagem com um peso na consciência por ter mentido, mas resolverei tudo mais tarde, com isso respondi.
De: Bella
Para: Edward
Sim, tive umas questões a resolver, mas agora tudo já está esclarecido. Te esperarei na saída, até mais tarde, Beijos. Adoro Você ;).
Ok, mandar carinha talvez tenha sido um pouco demais, porém preciso que ele saiba que não estou chateada e que anseio em vê-lo logo. O celular apitou de novo e sorri.
De: Edward
Para: Bella
Estarei aí. Muitos beijos. Adoro Você ;);).
— Pelo sorriso creio que já falou com ele. – Rose comentou tirando-me da dispersão.
— Sim, ele vem me buscar e conversaremos.
— Ótimo. Agora a hora do descanso acabou, já pode voltar ao trabalho.
— Sim senhora chefe. – Bati continência e rindo voltamos a trabalhar.
Com a mente mais leve o resto da tarde de trabalho foi moleza. Apesar de saber que ainda terei que falar com Edward sobre tudo, estou realmente mais leve e ciente do que devo fazer.
Então quando o horário de sair chegou e vi Edward a minha espera em frente ao Antiquário só pude sorrir.
— Vai lá garota, conversa com seu homem e arrasa.
— Pode deixar Rose, obrigada e até amanhã. – Nos despedimos e sai. Parando em frente a Edward que ainda está em cima da bicicleta.
— Vou descer para dar oi a Ro... – O interrompi jogando meus braços em seu pescoço e o recepcionando com um beijo. Ele se equilibrou bem na bicicleta e passou seus braços ao redor da minha cintura, pudemos desfrutar bem do cumprimento. Ao terminar o beijo notei sua expressão surpresa, ainda em choque completou. – Ia cumprimentar a Rose?...
— Não precisa, ela sabe que temos que ir.
— Certo, pode subir.
— Espera. Será que podemos ir a algum lugar para conversar?
— Claro, podemos ir ao nosso lugar, ainda é cedo, voltamos ao anoitecer.
— Lá é perfeito. Avisarei Alice que nos atrasaremos, assim ela e vovó não precisam se preocupar.
— Ótimo, agora pode subir. – Me ajeitei na bicicleta e Edward saiu pedalando.
Mandei a mensagem a Alice que respondeu de imediato. Assim apreciando o passeio me recostei no corpo de Edward e o deixei nos guiar até o nosso lugar.
Quando chegamos à parte de seguir a pé, descemos da bicicleta e fizemos o trajeto de mãos dadas, mesmo sem falar nada consigo sentir um pouco de apreensão, mas, sobretudo, cumplicidade.
Quando chegamos ao topo da montanha Edward sentou e indicou o espaço ao seu lado para fazer o mesmo, mas pegando-o de surpresa indiquei para afastar as pernas e sentei no meio das mesmas, de modo a nos olhar enquanto conversamos. Mas antes de iniciar o assunto, Edward comentou.
— Me desculpe. Sei que não agi de forma correta ontem, sinto muito se passei dos limites.
— Não, não diga isso. Você não fez nada de errado e nem tem que pedir desculpas, eu que tenho que fazê-lo por ter fugido ontem e hoje. Mas sinto que precisava desse afastamento, não por algo que tenha feito de errado, mas por mim.
— Como? Não entendo.
— Confesso que fiquei assustada com as coisas que aconteceram...
— Viu? Eu agi errado e sinto muito.
— Não Edward, me deixa explicar. Entenda, você não fez nada de errado, tudo aconteceu de forma natural, não fui forçada a nada, nós dois estávamos aproveitando e foi isso que me assustou. Comecei a sentir coisas e não soube como lidar, por isso fugi, pois tive medo de ser guiada por aquelas sensações que ainda não sei se estou pronta para viver.
— Ah Bella, fiquei tão preocupado, com medo de ter feito algo que te chateou. Mas estou feliz que esteja contando isso, assim saberei me controlar melhor de uma próxima vez.
— Sim é sobre isso que quero conversar também. Você provavelmente tem muito mais experiência do que eu e não quero de desapontá-lo de alguma forma.
— Bella nem pense nisso, você jamais irá me desapontar. E não importa o que vivi antes, posso afirmar que nunca senti nada igual ao que sinto quando estou com você.
— É assim que me sinto também. Não tenho muito em que me basear, pois nunca estive com alguém assim, nunca passei de beijos com alguns garotos. Mas quando estamos juntos sinto coisas que não sei explicar...
— Bella serei sincero. Já tive relações, mas nem por isso que me considero um perito no assunto e também nunca tive nada sério antes, então isso é meio que novo para mim também. Por essa razão não precisa se preocupar, estamos juntos nessa e por mais que também sinta coisas que às vezes não sou capaz de controlar quando estou contigo, esperarei o tempo que for necessário. Além do mais, estamos começando nosso relacionamento, muitas coisa ainda acontecerão.
— Concordo, vamos deixar as coisas fluírem normalmente. Mas isso não nos impede de aproveitar igual ontem, não é? – Perguntei confiante, mesmo sentindo meu rosto queimar ao mesmo tempo.
— Huuum, provavelmente não. Isso quer dizer que gostou de como as coisas aconteceram? – Perguntou de modo sugestivo.
— Sim, muito, por isso fugi. Por não saber onde aquilo nos levaria, mas agora que já esclarecemos tudo, creio que podemos aproveitar um pouco mais, não concorda?
— Com toda certeza. – Fechei os olhos e senti os lábios de Edward nos meus.
O beijo começou calmo, terno, mostrando que nos gostamos, respeitamos e estamos bem. E com essa constatação feita partimos para a parte boa, dos toques, carícias mais ousadas e a demonstração da nossa conexão recém-adquirida. Nossas bocas se tornaram famintas uma pela outra, os beijos a cada instante ficando mais quentes, saborosos.
Impulsionada pelo momento, mas agindo de acordo com o que sinto, me ajeitei no colo de Edward passando as pernas pelo seu quadril, nessa hora ele abriu os olhos e o acompanhei, não falamos nada, apenas mostrei com o olhar que está tudo bem e que continuaremos aproveitando dessa forma. Ele pareceu compreender, pois sorriu de forma diferente antes de voltar a colar nossas bocas.
Com esse impulso suas mãos um pouco mais ousadas repousaram entre minhas cochas e o bumbum, nada muito explícito, porém delicioso. E como forma de mostrar que não perderei minha oportunidade também intercalei toques em suas costas por fora e dentro da camisa.
Sua boca largou a minha para traçar trilhas de beijos carinhosos e provocativos em meu pescoço e orelha, onde para acabar com tudo também deu leves assopros...
Sentindo-me tremula e quente, mas muito feliz e empolgada com tudo, creio que não calculei bem minha força quando impulsionei meu corpo para mais perto de Edward, com isso nos derrubando de costas na grama, sorrimos entre o beijo achando graça da situação, mas o clima leve logo se dissipou ao sentirmos a intensidade do contato.
Novamente trocando olhares e demostrando o que sentimos, prosseguimos com um novo beijo, um capaz de incendiar todo nosso redor...
Quando enfim percebemos que a noite já se faz presente e que diante de tudo o melhor é parar, o fato ocorreu de forma natural. Nos separamos, mas ainda permaneci deitada sobre o peito de Edward, ambos recuperando o fôlego.
— Acho que temos que ir. – Fui a primeira a falar.
— Sim, mas precisamos voltar aqui mais vezes.
— Com certeza voltaremos. – Lhe dei um selinho. – Mas vamos se não chegaremos muito tarde.
— Tudo bem. – Nos erguemos e começamos a caminhar abraçados até encontrar a bicicleta. Depois de prontos, Edward seguiu pelas ruas noturnas de Londres até chegar à pousada. Ao entrar já demos de cara com vovó e Alice atrás do balcão.
— Até que enfim chegaram, mesmo tendo avisado já estava começando a me preocupar.
— Perdão vovó, saímos para conversar e acho que perdemos um pouco a noção do tempo. – Edward sorriu travesso.
— Nem imagino o motivo. – Alice falou baixo, mas ainda fomos capazes de ouvir.
— Alice! – Exclamei a olhando de forma repreensiva, mas corei ao mesmo tempo pela sua insinuação na frente da vovó.
— Meus queridos, mesmo que não tenham falado nada comigo, não sou boba nem cega, por isso não tentem fingir o que se nota a distância. Faz muito tempo que percebo os olhares, os sorrisos, os rostos corados na presença um do outro...
— Vovó perdão por não falarmos nada antes, mas apesar de dizer que já notava essas coisas há tempos, só nos acertamos esse fim de semana o que torna tudo muito recente, mas iriamos te contar. – Edward falou.
— Eu sei querido e não estou chateada, vi como o fim de semana de vocês foi atribulado, mas isso não diminui minha felicidade. Quero um abraço dos dois para comemorar a notícia maravilhosa que é Edward Anthony e Isabella Marie juntos. – Fomos envolvidos por um abraço caloroso e beijos da vovó. – Imagino o que seus pais achariam disso, ver que os filhos mais do que amigos se tornaram um casal.
— Pelo meu lado posso dizer que Carlisle ficou muito feliz, mas ainda tenho que contar a mamãe sobre a novidade. – Comentei.
— Tenho certeza que nossos pais também adorariam, assim como vovó e eu. Ai Bella agora além de amigas, irmãs da mesma avó, ainda somos cunhadas, estou tão animada. – Alice demonstrou sua empolgação batendo palminhas.
— Pois bem, todos estão felizes, mas podem subir cada um para o seu quarto e ir tomar banho, porque não atrasarei o horário da pousada só por conta dos pombinhos e já servirei o jantar.
— Já vamos vovó não precisa mandar duas vezes. – Edward respondeu e ainda de mãos dadas subimos em direção aos nossos quartos, parando só em frente ao meu. – Economizaríamos muito mais se tomássemos banho juntos.
— Edward! Você está louco? – O olhei realmente assustada.
— Estou brincando, só queria ver sua reação.
— Seu bobo, vai logo para o seu quarto vai.
— Pode deixar. – Ele me roubou um beijo e foi até o mesmo, enquanto entrei no meu balançando a cabeça e rindo da situação. Que diferença da forma que sai de manhã e como estou agora.
É realmente maravilhoso gostar de alguém e estar bem com a pessoa, sem segredos, medos e inseguranças, apenas a perspectiva de passar ainda mais momentos maravilhosos juntos...
***
Depois de todo o alvoroço de segunda-feira, terça passou sem mais preocupações, o que pode se diferir do dia de hoje, já que mais tarde será feito o exame de paternidade entre Carlisle e eu.
Não estou nervosa, pois confio na minha mãe e na história dos dois, que como resultado trouxe minha existência a esse mundo. Mas não posso negar que estou ansiosa para que isso passe logo, mesmo sabendo que o resultado só sairá em alguns dias, à ansiedade já toma conta.
Por isso minha atenção no trabalho esteve redobrada, já que minha mente não conseguiu focar apenas em uma coisa. Tentei prestar o máximo de atenção em tudo para não errar com nada ou ninguém, porque apesar da fama de educados, cultos e calmos, ingleses furiosos também podem ser muito amedrontadores.
Então quando Edward entrou no Antiquário indicando que é hora de ir, respirei um pouco mais aliviada por ver que consegui me controlar, porém um pouco mais apreensiva também por saber que não há mais volta.
— Oi. Já está pronta? – Ele me cumprimentou com um beijo.
— Sim. Só vou pegar minha bolsa e podemos ir. – Caminhei para pegar a mesma e quando voltei vi Edward e Rose conversando.
— Boa sorte Bella, relaxa e me conta depois como foi.
— Obrigada Rose, até amanhã.
— Tchau Rose, até mais. – Edward também se despediu.
— Tchau meninos, até. – Saímos de mãos dadas e fomos tomar um táxi.
Edward optou por utilizar o veículo já que o hospital fica do outro lado da cidade, então andaríamos muito se fosse de bicicleta. Dentro do mesmo permanecemos de mãos dadas por todo o trajeto.
— Sei que no primeiro momento falei que não precisava de companhia, porém tenho que agradecer por estar comigo, não sei se conseguiria me controlar sozinha.
— Não precisa agradecer, jamais te deixaria sozinha em uma situação dessas, mas fico feliz que aprecie minha companhia mesmo assim.
— Sempre apreciarei estar contigo, em todos os momentos, mas obrigada de novo.
— Pode continuar me agradecendo mais tarde, com muitos beijos. – Ele sussurrou em meu ouvido.
— Vou pensar no seu caso. – Devolvi a provocação e ficamos brincando até chegar ao hospital.
Quando entramos fui até o balcão me identificar e dizer que estou à procura do Dr. Cullen. A recepcionista disse que ele já vem então sentamos a espera de Carlisle. Não demorou muito e o vimos cruzar o corredor.
— Meninos é um prazer revê-los.
— Carlisle, igualmente. – Edward e ele trocaram um aperto de mãos.
— Oi Carlisle. – Respondi também.
— Vocês chegaram na hora certa, podemos ir. Á sala de coleta já está pronta e tem uma equipe esperando por nós, venham comigo. – O seguimos por uma série de corredores até chegar a uma sala com duas cadeiras próprias para coleta de sangue, duas enfermeiras e outro médico se encontram na mesma a nossa espera.
— Carlisle e Isabella, podem sentar-se, as enfermeiras coletarão o sangue e farão algumas perguntas coisa de praxe, depois o material será levado ao laboratório e o resultado sai entre quinze e vinte dias. Como ambos são maiores e não necessitam de autorização de terceiros, terão apenas que assinar os papéis para confirmar o procedimento ao final de tudo. Alguma dúvida? – Balancei a cabeça negando.
— Não doutor Shelton, obrigado. – Carlisle agradeceu, em seguida indicou a cadeira para que me sente enquanto fez o mesmo na do lado.
— Vamos ver se é corajosa ou tem medo de agulhas Bella. – Edward me provocou.
— Sou corajosa sim, tenho descendência médica, tenho que representar.
— Ah, mas saiba que médicos são péssimos pacientes, eles gostam de cuidar das pessoas, mas quando é o contrário, as coisas não são tão fáceis. Veremos se o Dr. Cullen sabe ser um paciente bom. – Uma das enfermeiras falou.
— Seja você boazinha enfermeira Gwen, não me faça passar vergonha na frente da minha filha e seu namorado. – Rimos, então a outra enfermeira se aproximou de mim.
— Confirmarei seus dados, farei umas perguntas e tirarei seu sangue sim? – Assenti e ela começou.
Confirmou meu nome e idade, tipo sanguíneo, peso, altura, depois perguntou se possuo alguma doença crônica, se tomo remédios controlados, etc.
— É gestante?
— Não. – Respondi de prontidão.
— Teve relações sexuais nos últimos dias? – Gente que tipo de perguntas são essas?
— Não. – Não tive coragem de olhar para Edward, mas tenho certeza que ouviu a pergunta e viu meu rosto corar com a mesma. Só espero que Carlisle não esteja ouvindo também, mas se não estou ouvindo as dele, posso acreditar que me safei.
— Certo, agora se prepare lá vai à picadinha. – Fiz uma leve careta quando a agulha entrou, mas depois relaxei, a coleta necessária foi feita, ao fim ganhei um curativo e a recomendação de comer em seguida para não sentir fraqueza.
— Muito bem, ambos se comportaram direitinho e como o Dr. Shelton explicou o resultado sai de quinze a vinte dias, não que precisemos dizer isso ao senhor Dr. Cullen, mas quando o resultado ficar pronto, informaremos.
— Obrigada enfermeira Gwen. Edward, Bella, podemos ir. – Saímos e no corredor mesmo Carlisle falou. – Você realmente foi uma ótima paciente Bella, mas como não nos deram ao menos um pirulito pelo nosso bom comportamento, apenas uma recomendação para comer, que tal virem jantar comigo? – Edward e eu trocamos olhares, assentindo, respondi.
— Nós aceitamos, obrigada.
— Ótimo, podem voltar à recepção, só passarei na minha sala para pegar minhas coisas e já vamos. – Concordamos e voltamos à recepção.
Não demorou muito até Carlisle voltar, com isso seguimos até seu carro, ele e Edward foram à frente e eu atrás. O caminho até o restaurante escolhido não foi longo, então rapidamente chegamos sendo guiados a uma mesa e recepcionados com o cardápio. Ainda bem que tanto Edward quanto eu nos vestimos bem para trabalhar, caso contrário talvez não estivéssemos à altura do local.
O jantar transcorreu de forma simples e agradável. Durante todo o tempo Carlisle se mostrou gentil, muito atencioso e interessado em saber mais sobre Edward, a vida com a vovó e também comentando coisas interessantes sobre o tempo em que foi próximo aos pais do mesmo.
Também perguntou da minha vida, querendo saber fatos do meu crescimento, desde coisas aleatórias da infância, até partes mais recentes da adolescência e como era minha vida nos Estados Unidos.
Pode ser impressão minha, mas ao entrar em assuntos que querendo ou não envolvem o nome da minha mãe, como a amizade deles com os pais de Edward, ou nossa vida no geral. Ele parece mostrar certa faísca de interesse a mais, mesmo ficando com a suspeita, ao menos por hora, decidi guardar tudo apenas para mim.
Com o fim do jantar ele nos deixou em casa, o convidei para entrar, mas Carlisle cordialmente recusou dizendo aceitar em uma próxima. Concordei, mas falei que devemos marcar algo para reunir a todos, acatando a sugestão que Alice deu em sua casa, de vir saborear a comida da vovó.
Deixando a ideia no ar, nos despedimos. Ele seguiu seu caminho, enquanto Edward e eu entramos, subindo diretamente para os quartos na intenção de tomar banho.
Edward disse que ainda voltará para me dar boa noite, por isso após sair do chuveiro coloquei uma roupa apresentável e fiquei esperando enrolada nos lençóis, quando ouvi uma batida na porta apenas respondi para entrar e ele o fez trazendo toda sua glória.
Vestido com uma calça de moletom preta e regata branca, que poxa vida fazem meus instintos aflorarem. Sem contar seu cheiro pós-banho, uma mistura do suave perfume, com sabonete e a própria essência de Edward, que imediatamente dominou meu quarto e meus sentidos.
— Posso te acompanhar um pouquinho? – Perguntou indicando a cama, após entrar e fechar a porta.
— Claro, tem espaço para mais um. – Levantei o lençol, quando o fez imediatamente me trouxe para deitar em seu peito. – Seu cheiro é tão bom. – Não me contive em dizer. O sentir sorrir e mergulhar o rosto no meu pescoço aspirando meu perfume.
— Posso dizer o mesmo de você. Com certeza poderia passar a noite inteira aqui te abraçando, sentindo o calor o do seu corpo contra o meu, o seu cheiro...
— Posso me acostumar com isso. – Falei me enroscando mais a ele.
Então levantei o rosto para nossas bocas se encontrarem e nossas línguas já famintas uma da outra possam apreciar o êxtase sublime do beijo. Com carinhos ternos e quentes ao mesmo tempo, nada exagerado, mas tão pouco simples.
Ficamos namorando e nos curtindo parando apenas quando o ar realmente se fez necessário, encerrando as carícias com leves selinhos.
— O que você achou do jantar com Carlisle? – Questionei.
— Foi legal. Ele é sempre muito atencioso com você e comigo, gosto disso nele, além do mais, parece interessado em realmente saber sobre sua vida, procurando ser participativo nas coisas do passado e do presente.
— Sinto isso também. – Olhei para seu rosto e o vi sorrir. – O que foi? Do que está rindo?
— Da sua carinha quando a enfermeira perguntou sobre sua vida sexual...
— Oh Edward não. Já quis morrer naquela hora e você ainda trás esse assunto a tona.
— Só lembrei e pensei se fizeram essa pergunta ao seu pai também, o que deve ter ocasionado em uma resposta igual a sua, ou não. Será que daria algo diferente no sangue, se tivesse tido relações recentemente?
— Não sei, torço muito para que não tenha ouvido a pergunta e tão pouco quero imaginar se ele respondeu sim ou não. Não quero ter que pensar nele fazendo esse tipo de coisa, ainda mais com a Carmen, não.
— Está com ciúmes do seu pai com outra mulher? Ou é apenas ciúmes de filha mesmo? Se fosse com a sua mãe você ainda se importaria em saber? – Ao ouvir a citação de uma remota ideia dos meus pais juntos, meus pensamentos de mais cedo voltaram à tona. – Bella o que houve? Se chateou com a pergunta? Estava só brincando e...
— Não, está tudo bem. É que você comentou sobre a possibilidade dos meus pais juntos e lembrei-me de algo que observei durante o jantar.
— E o que é? – Sai de cima do seu corpo e sentei na cama.
— Pode ser coisa da minha cabeça, mas você não percebeu talvez um pouco de interesse a mais do Carlisle em falar e saber coisas que tem haver com a minha mãe? Como ficar recordando situações em que ambos estavam envolvidos? Ou muito interessado em saber como era minha vida em casa, a rotina e tudo mais com a minha mãe?
— Não sei. Isso pode ter fundamento, mas ao mesmo tempo pode ser só coincidência. O assunto dos nossos pais, acredito que fale por minha causa e o resto é sua vida, ele pode estar apenas interessado em saber.
— É você tem razão, é só que sei lá. A história deles é tão mal explicada, até hoje não faço ideia do porque se separaram e mesmo agora que estamos nos aproximando, nem ele ou minha mãe falam nada. Será que pensam em continuar sem contato algum pelo resto da vida? Ou vão apenas fingir que o passado nunca existiu? Sei lá isso me deixa confusa.
— Talvez possa tentar sondá-los sobre isso, perguntar sutilmente a sua mãe o que realmente aconteceu, ou com seu pai também quando pegarem mais intimidade. A final, você é a principal envolvida em tudo, acho que tem o direito de saber.
— Você tem razão, talvez faça isso mesmo, só preciso descobrir a melhor forma de abordar o assunto com os dois.
— Certo senhorita Sherlock Holmes, você pode continuar com suas investigações depois. Agora é hora de dormir e mesmo contra minha vontade voltarei para o meu quarto. Boa noite, até amanhã. – Ele levantou e me deu um beijo de despedida, caminhando até a porta.
— Boa noite, até. – Sorrindo o vi sair e deitei na cama me arrumando para dormir.
Pensando que realmente terei coisas a descobrir sobre essa situação dos meus pais e não descansarei até encontrar respostas concretas sobre tudo!
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