Para Te Encontrar
13 Capítulo 12 - Com Você
Notas iniciais
— Obrigada. – Falei e Edward fez uma expressão confusa. – Obrigada por me fazer acreditar e viver algo que nunca imaginei ser possível. Não fugirei mais, não lutarei contra o que sinto. A partir de agora só quero viver mais disso, com você. – Ele não respondeu apenas me beijou outra vez. Selando assim o nosso começo...
Perdemo-nos no momento e na intensidade do beijo, nunca experimentei nada parecido com o toque dos lábios de Edward nos meus. Ele é delicado e gentil, mas ao mesmo tempo também muito intenso e voraz. Isso deixa meus sentimentos em conflito, um conflito que ainda não sei como lidar no momento.
Acabei nos separando quando me localizei no mundo e na vida, especialmente no andar da hora.
— O que foi? – Perguntou.
— Acho que está tarde... Quer dizer está tarde, acredito que é melhor irmos dormir, você não concorda?
— Mal nos acertamos e você já está me expulsando?
— Não, não estou te expulsando...
— Hey Bella estou brincando. Você tem razão, devemos mesmo ir dormir. Além do que não podemos arriscar ser pegos nessa situação, comigo no seu quarto.
— Pois então você deve ir.
— Tudo bem, mas não antes de ganhar mais um beijo. Passei tempo demais esperando por eles e agora não abrirei mão de tê-los sempre que possível.
— Acho que vou gostar dessa ideia. – Sorri meio corando e Edward reaproximou nossos corpos selando nossos lábios mais uma vez. O beijo durou menos do que realmente queria, mas é o certo nos afastar, ao menos por hora.
— Depois dessa ótima despedida já posso ir. – Comentou ao nos separarmos.
— Boa noite, durma bem.
— Você também e sonhe comigo, pois sonharei com você.
— Não precisa nem pedir.
— Ah falando em pedido, descanse bastante, pois amanhã te levarei a um passeio.
— E aonde será?
— Surpresa, só revelarei nosso destino amanhã, agora durma.
— Mas Edward morrendo de curiosidade desse jeito não conseguirei dormir.
— Pense que quanto antes cair no sono, mais rápido o amanhã chegará. – Bufei com sua explicação e ele riu da minha cara emburrada, mas por fim respondi.
— Tudo bem se não tem jeito, até amanhã.
— Até. – Ele abriu a porta e saiu, porém antes de deixá-lo seguir me aproximei e roubei um selinho, ele sorriu e acenou enquanto voltei para o quarto. Encostei-me à parede suspirando como uma menina apaixonada.
— Meu Deus mal da para acreditar... — Ainda sorrindo ajeitei minhas coisas me troquei e deitei para dormir.
Como dito a Edward o sono não veio rápido, milhares de pensamentos assolaram minha mente por um bom tempo ainda, porém ao focar na perspectiva de passar um belo dia ao lado de Edward consegui por fim adormecer...
— Hora de acordar...
— Huuum não. Quero dormir mais um pouco.
— Você fica ainda mais linda manhosa assim. Mas tem que levantar ou não aproveitaremos o dia que planejei.
— Não, deixa para lá... Eu quero dormir.
— Bella, Bella o que farei com você?— As repostas são fruto do meu inconsciente, porque ainda me encontro em um sono bom e tranquilo.
Porém comecei a despertar ao sentir leves toques em minha pele, abri os olhos querendo entender o que é e me espantei ao enxergar Edward com o rosto a centímetros do meu.
— Edward, por Deus. Mas... Como entrou aqui, aliás, o que faz aqui?
— Hey calma, fala baixo ou vai acordar a pousada inteira. E vim te acordar para sairmos como falei ontem à noite.
— Mas você não devia estar aqui, devo estar horrível, o rosto amassado, marcas de sono e estou rezando internamente para estar com um hálito ao menos suportável.
— Pode parar de bobeira, você está linda como sempre, um pouco mais fofa admito. E não vejo, aliás, não sinto mau hálito algum, sou capaz de lhe dar um beijo agora mesmo.
— NÃO! Não se atreva, por favor.
— Tudo bem respeitarei seu espaço. Sairei do quarto para que se troque, mas a esperarei no corredor, portanto não pense em fugir.
— Obrigada, me arrumarei em um minuto, mas preciso saber aonde vamos para poder escolher a roupa.
— Boa tentativa, mas não caio nessa, pode escolher qualquer coisa que ficará linda.
— Edward não é por isso, preciso saber se tenho que levar uma blusa, se vamos caminhar, essas coisas.
— Certo, veja como estou, algo leve e despojado pode ser uma boa pedida. – O observei por um instante, ele está realmente simples de calça e camiseta, então optarei por algo fácil também.
— Pois bem senhor lorde inglês, se me der licença...
— Tem toda minha dama, lhe aguardo ansioso. – Ele levantou da cama e saiu do quarto me deixando sozinha.
Já que não posso enrolar tratei de levantar e ir ao banheiro fazer minha higiene matinal, após devidamente decente voltei ao quarto e escolhi a roupa, nada muito elaborado, optei pelo conforto e praticidade. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto, peguei uma bolsa guardando objetos pessoais e outras coisas que achei necessárias, então abri a porta encontrando Edward encostado ao batente como prometido.
— Estou pronta.
— Pronta linda e cheirosa. – A última parte sussurrou em meu ouvido após aspirar o perfume em meu pescoço, estremeci.
— Po... Podemos ir?
— É claro. – Entrelaçamos as mãos e descemos as escadas em direção à saída.
— Não avisaremos ninguém? Vovó e Alice ficarão preocupadas ao notar nosso sumiço.
— Eu deixei um bilhete no quarto da vovó, elas ficarão bem. Agora bela dama sua carruagem lhe espera. – Ele falou apontando para a bicicleta.
— Muito obrigada, nobre cavalheiro. – Ele montou primeiro e o fiz em seguida, assim ele começou a pedalar. Ajeitei-me contra seu peito e aproveitei a sensação de estarmos juntos. – Senti falta disso. – Falei e sei que ele entende ao que me refiro.
— Eu também. Mas não posso deixar de dizer que nosso afastamento nesses dias foi por escolha sua.
— Eu sei, mas não pude evitar. Meus sentimentos por você estavam fortes demais e tive medo de não conseguir controlá-los, então achei melhor mantermos um pouco de distância.
— O que no final não adiantou de nada, porque agora estamos juntos outra vez.
— É, mas agora sei o que quero e posso desfrutar de tudo como se deve.
— Aprecio muito sua nova opinião.
— Já que falei algo que você gostou de ouvir, poderia, por favor, contar aonde vamos?
— Meu Deus, que menina mais curiosa fui arrumar hein?
— Pode ir se acostumando. Mas não me enrole, diga o que faremos.
— Já estava planejando isso há algum tempo, pensei que o faríamos em grupo, mas agora será ainda melhor só conosco. Te levarei a um passeio turístico, vi como gostou de conhecer Blackpool aquele dia, mas hoje te mostrarei a queridinha Londres.
— Edward. Não posso acreditar! Isso será incrível.
— Você ainda não viu nada, espere até que nosso passeio comece oficialmente, ai sim terá o que admirar. – Assenti e ficamos um tempo em silêncio. Ele pedalando e eu apreciando todas as sensações, a vista, o caminho, Edward, tudo realmente perfeito...
Ao passarmos pelo centro Edward sugeriu fazer uma pausa para tomar café, pois somente alimentados, teremos energia para curtir o dia todo. Ele escolheu uma cafeteria charmosa e aconchegante, sentamos em uma mesa perto das janelas, assim conseguimos ver toda a paisagem exterior, um rapaz anotou nossos pedidos e após sair voltamos a conversar.
— Você tem um roteiro planejado ou seremos guiados apenas pelo caminho que a bicicleta decidir traçar? – Perguntei.
— Londres é cheia de belos lugares, basta você ter em mente o que quer ver e ela com certeza lhe mostrará.
— E o que você gosta de ver por aqui?
— Eu?
— Sim quero aprender a enxergar Londres pelos seus olhos...
— Bom, não tenho tanto conhecimento, nem sou um bom crítico, na verdade sou bem clichê. Meu monumento preferido é a London Eye, gosto do Big Ben, dos lagos e paisagens ao ar livre que a cidade possui. Mas como disse tem de tudo para todos os gostos, como a Tower Bridge, o Museu Britânico e o Museu de Cera Madame Tussauds, o lendário Palácio de Buckingham, o Palácio de Kensington e o Royal Albert Hall. Além é claro do arsenal de algumas das melhores e mais famosas lojas do mundo, como a Oxford Street, as lojas em Knightsbrigde e Bond Street, a Piccadilly Circus e Leicester Square. E essa é Londres, perfeita para todos... – Ele concluiu, nossos pedidos chegaram e começamos a comer, mas permanecemos conversando, então respondi.
— A parte das lojas não é o que me cativa mais, já ouvi sobre as mesmas e devem ser incríveis, mas não é meu primeiro nicho de atração.
— Você é realmente especial. Não que critique quem gosta. Alice, por exemplo, sonha em poder comprar nelas algum dia, mas você...
— Alice tem o direito de sonhar com isso, esse é o tipo de objetivo que faz com que corramos atrás dos nossos sonhos, então ela sabe que tem que se esforçar muito para conseguir conquistar o que deseja. Também espero ter um futuro diferente, talvez com condições melhores do que tenho hoje, mas sinceramente nunca fui dada a deslumbres e luxos, minha vida sempre foi confortável, segura, mas nunca com exageros.
— Sei bem como é, mas se quiser não precisa mais passar por qualquer privação, pelo que vimos seu pai parece ser bem posicionado na vida.
— Não sei dizer, não conversamos sobre isso, aliás, não é o tipo de assunto que tenho interesse em tratar. Não vim atrás dele em busca de conforto e dinheiro, vim procurando um pai, alguém que sempre me fez falta, se ele puder ser apenas esse homem, já está de bom tamanho.
— Hey, não estou julgando seu caráter ou intenções, jamais faria isso. Apenas comentei que se fosse outra poderia quem sabe pedir algum auxílio, não extorqui-lo, apenas pedir ajuda com os estudos, por exemplo, que é algo que sonha. Nós sabemos que os mesmos não são fáceis de alcançar. Mas você não é essa pessoa, eu sei disso. – Ele entrelaçou sua mão na minha e fez um suave carinho.
— Não sou mesmo. E quanto ao meu sonho, quero conquistá-lo por mim, com meus méritos e esforços, caso contrário não valerá a pena.
— Eu entendo. Mas agora me diga, dos lugares que falei, já que as lojas não te entusiasmam, o que deseja conhecer?
— Não se pode deixar de ser clichê em Londres, então estou realmente ansiosa para conhecer a London Eye, o Big Ben, mas me entusiasmo muito com a ideia de conhecer os museus e a parte histórica de Londres, são aspectos que realmente me fascinam.
— Você me surpreende mais a cada instante.
— Por quê?
— Não sei como explicar, estou apenas surpreso por seu interesse estar justamente nessa parte.
— Ah eu gosto de história, gosto de arte, de coisas antigas. Não esqueça que trabalho no Antiquário, não foi apenas pela ótima oportunidade que aceitei o emprego, mas também por poder trabalhar com algo que me fascina. Acho que se não fosse apaixonada pela música, com certeza procuraria estudar história. Talvez ainda acabe estudando um dia, tudo dependerá do destino, se o sonho com a música não der certo...
— Hey, não diga isso. Você pode gostar e apreciar história, tudo bem. Mas jamais pense em desistir da música, ela é o seu sonho.
— Não desistirei, fiz uma promessa a alguém e pretendo cumpri-la, se ele fizer o mesmo junto comigo. – Pisquei e ele sorriu.
— Assim que se fala, por mais difícil que pareça agora, um dia ainda alcançaremos o que almejamos. – Assenti e aproveitei para perguntar.
— Mas se você não é tão chegado a museus, onde estava pensando em me levar?
— Depois de ouvir o que disse, creio que um passeio pelos palácios é uma boa. Tem muita história envolvida, mas são lugares um pouco mais divertidos que museus.
— Edward Anthony, você está me saindo um rapaz muito menos formal do que imaginei.
— Isabella Marie, ainda tenho muitas coisas a mostrar que vão surpreendê-la.
— Mal posso esperar para conhecer tudo sobre você... – Ele sorriu novamente, porém de um jeito diferente, um pouco mais atrevido, sexy, um belo sorriso torto...
Decidimos dar uma pausa na conversa e apreciar o café da manhã, que está delicioso, que vovó não me ouça elogiando outra comida, a dela é realmente ótima, mas também é bom apreciar outras culinárias de vez em quando.
No fim houve um pequeno impasse para resolver o pagamento da conta, mas acabei deixando por conta de Edward mesmo, pois preferi não brigar e estragar nosso dia, ao solucionarmos a questão montamos na bicicleta e ele voltou a pedalar.
Mesmo após nossa conversa, foi inevitável não me admirar ao passar pelas ruas cheias de lojas chiques e enfeitadas, vi um grande movimento, mesmo ainda sendo cedo, porém não fiz questão de parar ainda que só para dar uma olhada mais de perto, meus interesses realmente são outros.
Entrando em consenso decidimos visitar o Palácio de Buckingham e o de Kensington, assim como passar pela Tower Bridge e ao fim da tarde encerrar o dia no Big Ben.
— Eu sinto muito não podermos andar na London Eye hoje, precisa agendar o passeio e não me lembrei de fazer isso antes de dormir.
— Não tem problema Edward, nosso itinerário já está mais do que incrível, podemos ir outro dia, agora que decidi ficar, teremos muito tempo.
— Ouvir isso me alegra muito. Saber que ficará e ainda fazendo planos futuros comigo.
— Como já pontuamos, perdi muito tempo sendo boba e cega, mas a partir de agora quero aproveitar tudo que essa terra tem a me oferecer, especialmente você.
— Estou ao seu dispor. – Ele falou aproveitando para beijar meu pescoço, imediatamente arrepiei.
— Ainda bem que é você quem guia, pois se fosse eu, teríamos caído agora!
— Huuum... Quer dizer que te afeto ao fazer isso? – Ele novamente acariciou o local.
— Edward, por favor...
— Se quiser pode testar a teoria, não me importo em ser tocado por você enquanto pedalo. – O olhei desafiadoramente, mas no fim não tive coragem.
— Prefiro continuar inteira e aproveitar o passeio, seria muito chato voltar para casa com algum membro ferido, portanto enquanto estiver pedalando, se comporte.
— Certo senhorita, prometo me controlar. – Agradeci e lamentei ao mesmo tempo, mas é o melhor para o momento. Edward realmente não faz ideia do poder que tem sobre mim, um simples toque e todo meu corpo perde o rumo...
Depois de o leve dispersar prosseguimos com o passeio. Para chegar à localização dos palácios nos afastamos um pouco do centro de Londres, ao me aproximar da primeira parada fiquei estática com a beleza do local. É claro que vi fotos, vídeos e eventos sobre, mas ao vivo a sensação é completamente diferente.
O Palácio de Buckingham é simplesmente fascinante, com uma estrutura enorme, cheio de beleza e história incrustada em suas paredes. Enxerguei os guardas reais em sua pose clássica fazendo a vigilância, observei a quantidade de janelas e Edward fez o favor de percorrer todo o perímetro do terreno proporcionando uma vista ainda mais deslumbrante dos jardins, que parece realmente ter saído de um conto de fadas.
— É muito bonito, mas não me imagino morando em um lugar desses. – Edward comentou.
— Porque diz isso?
— Veja só esse lugar, é maior do que algumas vilas de Londres creio que da até para se perder lá dentro. Não me imagino morando em uma casa muito grande, quando me casar um dia, espero ter uma casa simples, aconchegante, confortável, mas, sobretudo que inspire a aura familiar. Quero que meus filhos tenham espaço para brincar, mas que ainda possa sentir suas presenças, não gostaria de ver cada qual isolado em um cômodo sem o menor contato.
— Você tem razão. Sempre morei em apartamento, então estou acostumada a lugares menores, mas se um dia tiver uma casa quero que tenha dois andares, nada ostensivo, apenas para apreciar a rua da minha janela, a noite poder sentir a lua mais próxima. Gosto do meu quarto na pousada por conta disso, quando me debruço na janela sinto que posso alcançar as estrelas.
— Gostaria de isso um dia. – Ele sussurrou.
— O que?
— Essa visão, você debruçada sobre a janela, com a luz do luar iluminando seu rosto, deve ser uma visão e tanto.
— Edward, para.
— Não, você é linda e merece ouvir isso, portanto não cansarei de dizer. – Por estarmos parados fora da bicicleta, ele aproveitou para aproximar seu rosto do meu então nos beijamos.
Nesse instante me senti realmente como em um conto de fadas, a paisagem monumental atrás de nós, a brisa suave do fim da manhã nos abraçando, enquanto os lábios sedosos e quentes de Edward cobrem os meus.
Antes de conhecê-lo não lembrava que beijar era tão bom, mas agora a cada mínimo toque só consigo apreciar mais nosso contato.
Ele finalizou o beijo com um selinho e me deu a mão convidando a subir na bicicleta, assim deixamos nossa primeira parada, seguindo para o próximo destino, o Palácio de Kensington.
O trajeto até o mesmo foi tranquilo, as árvores nos guiaram e tirando a parte ostensiva que Edward comentou, é um local realmente bonito para morar, a natureza da um toque todo especial a vista.
— Será que veremos a Kate e o William? Ou o pequeno George? Eu amo aquele bebê. Desde que nasceu que acompanho seus passos. – Expressei meus pensamentos animada.
— Nossa estou vendo que você faz parte do fã clube real.
— Não sou tiete, apenas me encantei com o bebê e acho o William e a Kate fascinantes, acredito que eles verdadeiramente se completam. Ela é linda e ele o príncipe mais do que sortudo, porém juntos se conectam de tal forma que não é possível imaginar um sem o outro novamente. Não sou fã do casal e do que fazem, mas sim do que inspiram juntos.
— Isso é muito bonito. E você espera ter algo assim um dia?
— É só o que espero. Caso contrário não há motivos para estar com alguém, se não o amar, não sentir que será para sempre. Pode ser que não de certo de maneira definitiva, como foi no caso dos meus pais e apesar de saber pouco ainda, sinto que eles realmente se amaram. Se amaram tanto que até me tiveram, mas por algum acaso do destino tiveram que se separar. Então desejo estar com alguém que me preencha por inteiro, que nosso amor seja tão verdadeiro e forte que chegue a transparecer as outras pessoas, que ao olhar, sintam vontade de amar também. – Terminei de falar e olhei para Edward, que retribuiu o olhar de um jeito estranho, fez como se fosse falar algo, mas se calou. – Edward aconteceu algo?
— Não, não é nada, apenas pensei um pouco comigo mesmo. Mas vamos chegar mais perto, quem sabe você não tem sorte e vê alguém? – De mãos dadas nos aproximamos, mas acabei dispersa tentando entender o que houve. Será que ele se incomodou com o que falei?
Não disse nada para intimá-lo, foi mais um sentimento espontâneo, não tive como refrear, quando vi despejei todo o papo de amor eterno para cima dele. Sei que ainda estamos bem no começo do nosso... Não tenho um rótulo para definir o que temos, só sei que é algo muito especial.
Durante o tempo que me mantive distante pude conhecê-lo mais e melhor, enxergar tudo de bonito que Edward tem a oferecer. E agora só comprovo e descubro mais coisas a gostar.
Não sei se já o amo, é realmente cedo para saber. Mas o que disse foi realmente de coração, nada forçado ou premeditado, espero só que isso não estrague nosso passeio.
No fim das contas não vi ninguém famoso, mas o passeio por si só valeu a pena, Edward rapidamente voltou ao normal e conseguimos manter a conversa e o tom descontraído de mais cedo sem problemas.
Assim como o palácio anterior tudo é admirável, a residência um pouco, ou melhor, muito menor do que a outra, mas possui também o charme da arte vitoriana que a deixa tão especial quanto.
Observamos tudo que foi possível e ao sair me senti um pouco mais conectada a Londres e suas nuances, não mais como uma estrangeira, já que visitei dois pontos bem importantes do lugar em que estou morando, sendo assim estou me considerando um pouco mais londrina também...
À volta a cidade foi um pouco mais longa e cansativa, Edward deve ter pernas realmente fortes para aguentar pedalar por tanto tempo. Gostaria de ter revezado com ele, mas nunca poderia carregar nós dois. Então tentei ser o menos incomoda possível, para assim ajudá-lo.
De volta ao centro decidimos almoçar, por conta de todo o passeio o cansaço e a fome já se fazem presentes. Enxerguei uma rua movimentada cheia de barraquinhas com pequenos quitutes, sugeri deixar a bicicleta parada em algum lugar para andarmos um pouco pelo espaço e ali mesmo comermos, imediatamente Edward aceitou prendendo a bicicleta em um local apropriado então seguimos.
A rua é preenchida por uma espécie de feirinha, andamos de mãos dadas vendo a variedade de coisas oferecidas. Depois de circular por um tempo optamos por comer lanches naturais com sucos bem geladinhos, os sanduíches são feitos com iguarias do lugar e adorei experimentar todas as delícias proporcionadas.
Após comer, Edward sugeriu continuarmos andando pelos arredores a pé mesmo, não sei qual o destino, mas o deixei guiar sem perguntar nada. Nossas mãos permaneceram unidas por todo o caminho, só comecei a reconhecer o local escolhido ao enxergar o monumento bem a minha frente.
— Essa é a Tower Bridge?
— Com certeza, primeira e única.
— É linda... Muito mais bonita do que imaginei, enorme, ostensiva, mal posso acreditar que estou realmente aqui.
— Que bom que gostou. Sabia que você não tinha ideia do local, durante todo o dia circulando próximos a ela, mas acredito que esse é o momento mais propício para visitação, podemos nos aproximar um pouco mais se quiser.
— Ela não levantará por agora?
— Não tenho ideia de que horas ergue, mas não ficaremos na plataforma e sim ali em cima, na parte superior – Olhei o local referido e assenti.
— Então eu quero me aproximar mais. – Caminhamos até à ponte, ao entrar nas torres subimos as escadas até sair na parte superior da mesma para admirar a paisagem. – Meu Deus essa vista é linda, da para ver praticamente toda a cidade daqui.
— Realmente, olhe naquela direção, quero ver reconhece um determinado local. – Edward instruiu e guiou meus olhos para localizar o ponto citado, tentei focar para procurar o mesmo e me espantei quando notei uma construção conhecida.
— Não. Aquela é mesmo a pousada?
— Sim, quando vinha sozinho ficava olhando admirado, uma vez já até consegui ver Alice na porta.
— Não acredito nisso.
— É sério eu juro. – Ele sorriu e o acompanhei. – Mas vamos lá, tente encontrar mais lugares. – Com isso observamos mais pouco, ele foi mostrou alguns pontos de referências até que me localizei encontrando o prédio do Antiquário e também do Pub. – E se focalizar direito enxergará a colina que fomos naquele dia.
— Edward, já que comentou sobre aquele lugar, tenho que confessar algo. – Interrompi sua explicação.
— O que foi?
— É que já fui lá sem você. Em um dia que estava muito confusa, em meio à relação ruim com Carlisle, mal com você também, só queria me distrair um pouco e sem pensar muito fui parar lá. Espero que não se importe ou pense que usurpei seu espaço.
— Bella, por favor, não diga besteira. No dia que decidi levá-la foi porque escolhi dividir aquele espaço com você. Além do mais, não sou o dono das terras para proibir algo, até fico feliz que tenha ido lá para pensar em mim. – Ele sorriu e o acompanhei.
— Realmente foi muito bom, me concentrei no que precisava, mas não deixei de pensar em você um instante sequer. No fim das contas o tempo passado ali só serviu para me fazer te querer mais e mais. – Ele não respondeu nada, apenas me beijou e aproveitei o carinho.
— Tenho algo a falar também.
— Diga.
— Não sei direito o que há entre nós, o que realmente sinto, mas ao mesmo tempo é algo tão real, forte, poderoso... Então mais cedo quando falou sobre seus sentimentos, em especial o amor, só pensei que gostaria de viver algo assim também, quem sabe contigo.
— Edward...
— Pode ficar calma. Não rotularei as coisas ou as apressarei dizendo um eu te amo agora. Não é o mesmo que sinto pela vovó ou por Alice, que são as pessoas que mais amo no mundo. É diferente, algo que até hoje só senti com e por você, creio que se prosseguirmos, no momento certo reconheceremos o que é. Mas por enquanto só quero deixar claro minha vontade de seguir em frente e deixar o tempo e os sentimentos falarem por si só.
— Fiquei com medo de tê-lo assustado com tudo que disse, não foi planejado, apenas falei. Mas em meu íntimo também espero poder sentir tudo isso contigo. Você é realmente muito especial Edward, tem mudado minha vida de tal forma que nunca mais voltarei a ser a mesma, e estou adorando essas novidades. Obrigada pelo dia incrível, pelos outros maravilhosos que já tivemos e os que ainda virão. Adoro você.
— Adoro você também, muito. – Nos beijamos e fechamos o momento com chave de ouro.
Edward me apertou em seus braços como se não quisesse mais me soltar. Cedi ao seu toque deixando-o entender que sinto exatamente o mesmo. Nosso encaixe quente e sensual me inebriou de tal forma que pouco me importei com o fato de estarmos à vista de várias pessoas, pois nada realmente conta, a não ser a sensação de pertencimento...
Infelizmente tudo o que é bom dura pouco, então ao nos separarmos tivemos que descer, ainda apreciei o momento que a ponte elevou e depois voltou à posição normal.
Caminhamos tranquilamente de volta a bicicleta e ao encontrá-la partimos para casa, pois a tarde já está de partida e ainda hoje temos compromisso em mais uma noite de apresentações no Pub, à sorte é que ensaiamos bem durante toda a semana, com isso não precisamos nos preocupar com o andamento do show de mais tarde.
Enquanto Edward guiava pelas ruas de Londres, passamos em frente ao Big Ben e pude apreciar a grande estrutura dando suas badaladas mostrando o horário das 18h. Depois disso não demoramos muito a chegar à pousada, Edward parou e desceu me levando consigo.
— Gostou realmente do passeio?
— Sim, adorei. Obrigada.
— Não tem de que. Saiba que esse foi só o primeiro de muitos que pretendo fazer com você.
— Mal posso esperar. – Ainda de mãos dadas entramos na pousada e logo na entrada encontramos vovó e Alice vendo alguns papéis atrás do balcão. Ao ouvirem movimentação na porta ambas levantaram o rosto e nos viram.
— Olha só quem chegou... Os pombinhos fugitivos da madrugada. Que horas vocês saíram hein? Porque acordei cedo e mesmo assim vocês já tinham sumido.
— Mary Alice não seja curiosa, eles saíram para aproveitar o dia, e se quiserem, eles mesmos contarão o que houve.
— Obrigado vovó. – Edward agradeceu.
— Mas diga Isabella Marie, Edward Anthony cuidou bem de você? Vocês comeram? Tiveram um bom dia?
— Olha só. Eu não posso perguntar nada, mas a senhora pode. – Alice protestou.
— Não se preocupe vovó, tivemos um ótimo dia. Tudo correu bem, melhor do que imaginei. Edward me levou para conhecer Londres, passeamos por vários pontos turísticos, eu amei.
— Fico feliz com isso, agora subam e tomem banho para jantar.
— Não se preocupe vovó faremos tudo isso porque daqui a pouco sairemos para o Pub.
— Sei disso, mas não sairão sem jantar, depois que tiverem alimentados com uma refeição saudável poderão ir, pois tenho certeza que ainda não comeram nada do tipo, portanto não enrolem mais, andem logo. E a Isabella Marie querida, aquele senhor, Carlisle, ligou procurando você.
— Obrigada vovó, retornarei para ele.
— Sendo assim vou subir e tomar meu banho, até mais senhoritas. – Edward falou e saiu de vista, não sem antes dar uma piscadinha em minha direção.
— E eu vou para a cozinha, se precisarem é só chamar. E se for acompanhá-los hoje também Mary Alice é melhor se aprontar logo, pois você sabe como é.
— Sim vovó já subirei também. – Alice respondeu e vovó se retirou. Assim que ficamos a sós ela disse. – Então, saberei o que houve ontem depois que Edward subiu correndo atrás de você? E o que significa vocês chegando de mãos dadas após passarem um dia todo juntos? Ou terei que continuar apenas supondo?
— É claro que vou te contar o que houve. Deixe-me só ligar para o Carlisle, depois conversamos, pode ser?
— Tudo bem, estarei no meu quarto passa lá depois. – Assenti e ela saiu também, peguei o telefone no recado da vovó e disquei após o terceiro toque Carlisle atendeu.
— Alô.
— Carlisle sou eu, Bella.
— Oi Bella que bom que ligou. Te deram meu recado?
— Sim por isso estou ligando.
— Certo muito bem. Avisaram que você estava fora, foi passear?
— É sai um pouco, dei uma andada por Londres. – Comentei, mas não falei que foi em companhia do Edward. Não sei se já somos íntimos o suficiente para que ele saiba da minha vida amorosa.
— Que ótimo, então liguei para reforçar o convite para o almoço de amanhã, está lembrada?
— Ah é mesmo... – Acredito que minha entonação de voz deixou clara minha posição.
— Bella, por favor, quero muito que você venha. Quero te mostrar minha casa e lhe apresentar umas pessoas especiais.
— Pessoas? Não será nada com muita gente, não é?
— Oh não, é um almoço pequeno, apenas dois convidados, mas gostaria muito que venha. Se quiser pode trazer alguém, talvez sua amiga, filha do Anthony e da Mary.
— Alice.
— Sim essa mesma, ou pode ser outra pessoa, quem você desejar, mas só diga que vem.— Analisei os fatos e pensando bem devo mesmo ir a esse almoço, então respondi.
— Tudo bem, aceito o convite.
— Que ótimo, amanhã ligo para informar à hora que vou buscá-la.
— Não precisa. Só passa seu endereço que pego um táxi.
— Você tem certeza?
— Sim, eu prefiro assim.
— Tudo bem, você pode anotar agora?
— Só um instante. – Peguei papel e caneta no balcão e anotei tudo o que ele falou. – Prontinho, então o senhor já pode dizer que horas devo chegar.
— Por volta de umas onze horas está ótimo.
— Tudo bem, nos vemos amanhã então.
— Ótimo e você vai ao Pub hoje de novo?
— Sim, assim que desligar já vou me arrumar.
— Pois bem, não tomarei mais o seu tempo, tenha uma boa noite e até amanhã.
— Obrigada, até. – Desliguei e guardei o endereço suspirando.
Quis tanto encontrar meu pai, agora começarei a desfrutar de sua companhia. Só o que me preocupa é o fato de saber que outras pessoas também estarão lá. Será algum parente? Talvez um irmão ou primo do Carlisle. Pensando melhor, acredito que esse almoço será uma boa, mal posso esperar para ir ao mesmo...
CONTINUA.
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