Para Te Encontrar
7 Capítulo 6 - Pensamentos e Decisões
Notas iniciais
O restante da semana foi preenchido com uma busca implacável, minha e de Alice, por informações dos rapazes na internet. Jogávamos os nomes na rede e buscávamos o máximo de informações possíveis. Com essa pesquisa conseguimos eliminar seis nomes de possíveis namorados da mamãe e consequentemente prováveis papais, demos sorte por encontrar pelo menos uma imagem atual de todos eles, santa tecnologia.
Entre redes sociais, postagens de trabalho ou apenas algum feito importante, conseguimos ver todos os homens. Como um dos critérios de eliminação usamos características físicas que não condizem com a minha e dentre as buscas descobrimos que um dos rapazes é até gay.
Não que isso seja um impedimento direto para o mesmo não ser meu pai, muitos homens tem relacionamentos heterossexuais antes de se descobrirem, ou assumirem como homossexual. Mas descobrimos que esse homem em questão, hoje em dia é casado, está em processo de adoção de uma criança e em suas redes não cansa de enfatizar como ama o marido e sabe que seu destino sempre foi encontrar o mesmo, não tendo nunca titubeado com outros envolvimentos, quiçá então os femininos...
Porém de toda forma foi uma tarde engraçada, a que passamos acompanhando sua história. Foi um momento de descontração e alegria, em meio ao turbilhão de dúvidas e apreensão que tenho passado desde que comecei a investigação.
Dos sete homens que sobraram nos deparamos com todo tipo de personalidade. Entre eles há um professor, advogado, escritor, padeiro, vendedor de móveis, médico e até um tratador de cavalos. Não sei qual deles é meu verdadeiro pai, mas quando o encontrar me vejo facilmente me adaptando a qualquer que seja seu estilo de vida...
Mas ao atingir mais esse passo, estagnamos novamente. Estou sem saber como prosseguir nas investigações. Será que já seria o momento de sair batendo de casa em casa procurando pelo meu pai?
Durante esses dias mandei outro e-mail à mamãe falando sobre as descobertas e dando noticias sobre seus ex-colegas de escola, na esperança de que em sua resposta ela desse alguma pista, falasse algo que ajudasse, a saber, quem é meu pai.
Ás vezes sua passividade me irrita! Será que ela não vê o quanto seria mais fácil se simplesmente dissesse o nome do meu pai? Eu já fiz a maior parte do trabalho duro, só preciso de uma pequena dica e tudo poderia solucionar-se. Entretanto as coisas não são tão fáceis assim e terei que continuar com isso sem a ajuda dela mesmo...
Enquanto analisava os progressos e falhas da semana, estava no quarto terminando de me arrumar, pois hoje acompanharemos Edward ao Pub novamente.
Jasper veio aqui na pousada mais cedo para convidar Alice e eu. Ele disse que Rose e Emmett fazem questão da nossa presença e que nem adianta Edward dizer que não, pois Jasper será o encarregado de vir nos buscar.
Contrariando o que todos pensavam, Edward aceitou muito bem a ideia e disse que será legal irmos também. Com essa bela surpresa estou ansiosa pelo o que a noite reserva. Ao sair do quarto encontrei Alice saindo do seu também.
— Oi Bella, nossa você está linda.
— Oi Alice, você também está ótima, algum motivo especial para esse look de hoje?
— Você sabe o porquê. Mesmo que o recado tenha sido que Rose e Emm querem nossa presença, meu coração quer acreditar que Jasper também está satisfeito com a minha ida, quer dizer nossa, nem que seja só um pouquinho.
— Alice relaxa, tenho certeza que Jasper está feliz porque vai passar a noite na sua companhia. Agora vamos quanto mais cedo descermos, mais tempo você terá ao lado do seu amado. – Ela assentiu e descemos de braços dados, ao chegar à sala encontramos Jasper e Edward encostados no balcão conversando com a vovó.
— Ai estão elas. – Vovó falou ao nos ver e os rapazes viraram para nos olhar.
Por um momento me senti como naqueles filmes que eles passam a cena em câmera lenta, nada mais ao redor importava apenas o olhar de Edward sobre mim. Percebi por puro reflexo que Jasper e Alice pareciam compartilhar da mesma bolha.
— Agora que as meninas chegaram vocês já podem ir. Não esqueça que você tem um horário a cumprir Edward Anthony. – Vovó voltou a falar nos tirando do transe.
— Er, sim vovó, é claro, já iremos.
— Muito bem, divirtam-se e juízo todos. – Nos despedimos e saímos da pousada entrando no carro de Jasper e pegando o caminho do Pub.
Dessa vez como não precisei de apresentações. Ao chegar lá Emmett cumprimentou a todos igualmente com seu costumeiro entusiasmo.
— Pequena Alice e Bellinha que bom que vieram.
— Obrigada por nos convidar Emm. – Alice agradeceu.
— Que é isso. Vocês podem vir quando quiserem. Rose e eu apenas reforçamos o convite para o caso do general aqui querer deixá-las trancada na torre.
— Ah vá se ferrar Emmett. – Edward falou e nós rimos.
— Olha só que insolência, não se esqueça de que sou seu patrão. – Emmett respondeu, mas notava-se de longe que ele estava apenas brincando. – Mas e ai Bellinha me atualize. Como foi sua primeira semana em nosso ilustre lar? Já encontrou seu príncipe inglês? – Engasguei e comecei a tossir, senti batidas nas minhas costas e logo me entregaram um copo de água, bebi tudo em um gole e consegui voltar a respirar normalmente. – Hum isso te entregou Bellinha, você já tem alguém em vista...
— Não é claro que não. Eu só engasguei. Isso não tem nada demais e não tenho ninguém em vista, eu juro...
— Pode acreditar nela Emm. Bella não sai da pousada, ainda não conhece nada na cidade alem do meu colégio e o Pub, com certeza não teve tempo de encontrar ninguém. – Talvez esse alguém esteja dentro da pousada mesmo, pensei depois de ouvir o que Alice falou, porém obviamente guardei o pensamento.
— E Rose? Onde está? – Perguntei querendo encerrar aquele assunto.
— Ela teve que sair para resolver uns assuntos, logo estará de volta, mas vocês podem ficar a vontade para curtir, menos você é claro Edward.
— Como se não soubesse, não é Emmett? Sou como um escravo, jamais terei direito a alforria.
— É isso ai, bora trabalhar então. – Deixamos os dois sozinhos com suas provocações e brincadeiras e fomos procurar um lugar para sentar, acabamos ficando na mesma mesa da semana passada.
Edward passou para anotar nossos pedidos, logo depois Jasper, Alice e eu iniciamos uma conversa, um papo legal e descontraído sobre vários assuntos. Quando Rose chegou veio nos cumprimentar e ficou um tempo conosco na mesa, porém logo teve que sair para ajudar nas coisas do Pub.
A noite corria bem e eu estava desfrutando muito. Em dado momento fui ao banheiro, entretanto na volta não quis ir à mesa, decidi ficar sentada no balcão.
— Veio pedir alguma coisa? – Rose perguntou enquanto surgia em meu campo de visão.
— Ah não, apenas quis ficar um pouco aqui.
— Está aplicando o velho truque de arrumar um pretexto para deixar os dois a sós? – A olhei de modo interrogativo.
— Você sabe que...
— Alice gosta do Jasper? E provavelmente meu irmão também gosta dela, mas é muito cego para notar? Sim com certeza eu sei.
— Espero que agora que estão tendo esse contato, possam assumir o que sentem e ficar juntos. – Falei.
— Eu também, mas vamos torcer para que Alice seja forte e tome a iniciativa. Porque se depender do meu irmão acho que as coisas vão permanecer como estão, ele não é muito do tipo que toma a iniciativa.
— Vamos torcer por isso então. – Comentei.
— Mas me conte, está gostando de morar aqui? – Ela perguntou mudando de assunto.
— Sim é realmente ótimo. Mas infelizmente ainda não pude conhecer muito da cidade, na maior parte do tempo fico na pousada, quando Alice chega da escola as coisas melhoram, ela consegue me distrair bem. Só que mesmo assim não gosto de ficar parada, me sinto mal em não ter nada útil para fazer, entende?
— Sei bem como é isso, você estaria interessada em arrumar um emprego?
— Emprego? É claro, aceito trabalhar em qualquer coisa. – Respondi animada.
— Pois acho que tenho a solução perfeita para nós duas.
— Como?
— Acho que você ainda não sabe. Mas eu possuo um Antiquário, é uma herança de família. Na faculdade cursei história, com ênfase em história da arte, para pode dar uma nova cara ao antiquário, hoje tenho vínculo com museus e expositores, às vezes fazemos eventos, tanto de exposição lá no prédio, como também levamos as peças para expor em outros lugares.
— Nossa Rose, mas isso é incrível. É um projeto maravilhoso.
— Sim realmente. Mas o que quero saber é se você aceitaria trabalhar comigo? Eu tenho ajuda de vez em quando, especialmente quando tem os eventos, mas estou à procura de alguém para ser fixa ao meu lado. E você me parece ser esperta, esforçada, inteligente, uma boa companhia e quem sabe não possa ser também uma boa funcionária. – Estaquei por um momento, pois não sabia o que dizer. Estava animadíssima com a proposta, era muito mais do que poderia esperar. Mas com isso terei que ser sincera com Rose e falar da minha real situação no país, que não sei quanto tempo ficarei e nem sei se algo mudará depois que encontrar meu pai.
— Rose estou lisonjeada com o convite e quero muito poder aceitar, mas antes tenho que te contar uma coisas.
— Pode falar, contanto que você não diga que é uma assassina profissional e que está aqui no país fugindo da polícia americana, o resto creio que poderemos resolver. – Ri da brincadeira, porém logo comecei a falar.
Contei em resumo sobre minha história e o motivo de estar na Inglaterra, deixando claro que não sei quanto tempo ficarei e que isso pode atrapalhar na minha contratação, em meio ao diálogo acabei inteirando-a também de como andam as coisas na investigação a procura do meu pai.
— Uau quanta loucura. – Exclamou quando terminei.
— Totalmente. – Concordei.
— Quanto aos seus pais receio não poder ajudar muito. Já sobre o emprego não vejo mal nenhum em você aceitá-lo. Fique comigo o tempo que puder, enquanto isso posso ir procurando outras pessoas para trabalhar também, assim caso você se ausente, já teremos mais reforços para compensar. Mas e ai você aceita trabalhar comigo?
— Sendo assim claro que aceito Rose. Muito obrigada, você não sabe o quanto isso é importante para mim.
— Não tem de que Bella, só esteja segunda-feira ás nove lá no Antiquário e será minha mais nova funcionária. – Rose anotou o endereço do Antiquário em um papel e me deu. – De qualquer forma desde hoje estamos acertadas.
— Com certeza pode contar comigo. Sou sua mais nova e feliz funcionária. – Falei contente.
— Opa. Eu ouvi a palavra funcionária dirigida a Bellinha? – Emmett falou chegando ao nosso lado, o olhei e vi que Edward o acompanhava também.
— Sim Emm. Bella e eu acabamos de acertar e ela irá trabalhar comigo no Antiquário.
— Pois seja bem vinda ao nosso time de funcionários Bellinha. Porque você sabe né, o que é da Rose é meu, e o que é meu é nosso. E estou feliz em saber que você vai trabalhar com ela.
— Obrigada Emmett agradeço de verdade a oportunidade e confiança de vocês. – Eles assentiram sorrindo.
— Parabéns Bella. Você disse que queria tanto fazer algo para não ficar ociosa e agora conseguiu logo um emprego. Isso é algo que se deve comemorar. – Edward falou.
— Obrigada Edward, mas não teria conseguido nada disso sem o auxilio da Rose que está me dando essa oportunidade.
— Não tem de que Bella, estamos nos ajudando mutuamente. E saiba que no que mais precisar, pode contar comigo.
— Vou ficar parecendo repetitiva agradecendo a todos a cada momento. Porém só posso agradecer de coração por tudo que vocês tem feito por mim desde que cheguei. E saiba Rose que vou fazer meu máximo para retribuir essa confiança e no que você precisar também, em qualquer dia pode contar comigo. – Ela assentiu. Então meus novos patrões ficaram conversando por um tempo e Edward veio falar comigo.
— Alice já sabe que você vai trabalhar com a Rose?
— Não, ainda não. Estava aqui no balcão conversando e assim decidimos tudo. Alice e Jasper estão na mesa.
— Sozinhos? – Inquiriu.
— Sim, eles estão conversando como qualquer outro grupo de pessoas, algum mal nisso? – Devolvi.
— Não nenhum. Está tudo bem, se eles têm sobre o que conversar não há problema nenhum em ficarem sozinhos, não é?
— De maneira alguma. Creio que eles tem muitas coisas em comum para conversar. – Nesse momento viramos os rostos e vimos que o casal da mesa não parava de rir, aparentemente por conta de algo que Alice falou. Vi o olhar de Edward vacilar, então segurei sua mão, então seus olhos automaticamente focaram em mim. – Eles estão bem e isso é algo natural. Não fique pensando besteiras e nem se preocupando atoa. Ela está feliz, você não viu?
— Sim. – Suspirou.
— Então deixe as coisas seguirem seu percurso. Se quiser pode conversar com ela depois, você ainda pode ser o irmão protetor. Mas deixe que as decisões da sua vida, a própria Alice tome conta.
— Acho que agora é a minha vez de dizer obrigado.
— De nada. – Respondi sorrindo.
— Edward sinto interromper seu papo com a Bellinha, mas está na hora do show meu rapaz. – Emmett falou se fazendo presente entre nós.
— Eu tenho que ir, mais tarde continuamos a conversar. – Falou dando um aperto na minha mão antes de soltá-la.
— Por mim tudo bem. Estão roubando sua presença, mas em compensação serei brindada com a sua voz, então acho que ainda saio ganhando.
— Você ouviu a moça cantor. Vamos utilizar essa voz de lorde inglês para algo útil. – Emmett falou e saiu rebocando Edward em direção ao palco.
Quando o primeiro subiu fez o anúncio da mesma forma que foi na semana passada, e em pouco tempo vi Edward tomar seu lugar no banquinho com o violão. Percebi que Alice olhava em minha direção e falei sem usar som esperando que ela conseguisse entender ler as palavras em meus lábios.
— Tudo bem ai?
— Sim, obrigada.
— De nada, aproveite a companhia.
— E você aproveite o show.— Assenti e a partir dai não desviei minha atenção para mais nada que não fosse Edward.
Ele iniciou com uma música agitada e atual animando assim a galera do Pub. Com essa abertura foi desenvolvendo um repertório bem dinâmico, porém com músicas mais atuais, desempenho que não foi feito na semana passada. Depois abriu o espaço para pedidos e novamente não consegui me mover ou pensar em algo especial para pedir, apenas observei e desfrutei entusiasmada a cada novo som que ele produzia. Edward realmente nasceu para a música, ele tem que correr atrás e realizar seu sonho, será um grande desperdício se não o fizer...
Creio que o show dure em média de cinquenta minutos à uma hora e quinze, por ai. Não que conte o tempo exato da apresentação de Edward. Porém ao entender que o show se aproximava do final, o vi agradecer a todos pelos pedidos e a presença. E dizer que encerrará a noite com uma música especial de sua escolha.
Ouvi os primeiro acordes e não pude acreditar que ele tocaria aquela canção...
Talvez seja intuição
Mas algumas coisas você apenas não questiona
Como em seus olhos
Eu vejo meu futuro em um instante
E lá se vai
Eu penso que encontrei minha melhor amiga
Eu sei que pode soar um pouco louco
Mas eu acredito...
Eu sabia que te amava antes de te conhecer
Eu acho que meu sonho trouxe você para a vida
Eu sabia que te amava antes de te conhecer
E eu tenho esperado toda minha vida
Não há nenhuma rima ou razão
Apenas este sentimento de conclusão
E em seus olhos
Eu vejo as peças perdidas
Que eu estive procurando
Eu acho que encontrei meu caminho para casa
Eu sei que pode soar um pouco louco
Mas eu acredito...
Eu sabia que te amava antes de te conhecer
Eu acho que meu sonho trouxe você para a vida
Eu sabia que te amava antes de te conhecer
E eu tenho esperado toda minha vida.
Coração bobo, por favor, controle-se, é só uma música. Não tem como no mundo ele ter escolhido essa canção de propósito para você!
Mil anjos dançam em torno de você
Porém estava um pouco difícil não me iludir e pensar que talvez, só talvez aquela música tenha um significado especial para nós dois...
Eu estou completo agora que eu te encontrei
Eu sabia que te amava antes de te conhecer
Eu acho que meu sonho trouxe você para a vida
Eu sabia que te amava antes de te conhecer
E eu tenho esperado toda minha vida...
Quando ele terminou a apresentação todos aplaudiram e ele agradeceu saindo do palco.
— Edward canta muito bem, não é mesmo? – Rose falou comigo assim que tirei meus olhos do palco.
— Sim ele é ótimo. Edward coloca tanto sentimento nas músicas que parece, ás vezes, que ele está vivendo o que canta. Como se fosse com ele, sabe?
— Talvez seja. Não dizem por ai que a música é a porta da alma? Quem sabe ele não esteja usando isso para falar algo, a alguém...
— Pode ser. Porém o que sei com toda certeza é que ele canta muito bem. – Conclui.
— Concordo. Mas mudando de assunto. Bella fiquei pensando aqui, você veio à procura do seu pai e ficou na pousada da avó do Edward e da Alice, mas você não tem outros parentes aqui na Inglaterra?
— Bom na verdade tem os pais da minha mãe. Como te falei, ela nasceu aqui e pelo o que sei, eles ainda estão vivos e podem ainda morar aqui. Mas não os procurei desde que cheguei, na verdade não sei se poderia fazê-lo. Mas porque da pergunta?
— É que talvez eles sejam uma boa chave para encontrar seu pai. Se você tivesse como entrar em contato, possivelmente eles poderiam lhe dar algum nome, ou pista, mais concreta sobre quem realmente é esse homem.
— Eu não tinha pensando nisso, mas você tem razão. Provavelmente eles conhecem o meu pai, sabem quem ele é, porque ele foi o namorado da mamãe. Só que não me sinto muito segura em ir procurá-los, não sei como reagiriam ao me conhecer.
— Você tem que correr certos riscos se quiser alcançar o que procura. Em tudo na vida há riscos e incertezas, no trabalho, na vida pessoal, no amor... Se você apenas se isolar e continuar temerosa, perderá a oportunidade de descobrir coisas maravilhosas. E depois, se infelizmente der errado, você pelo menos saberá que tentou.
— Você tem razão Rose. Vou pensar nesse assunto e ver o que consigo fazer. Obrigada.
— De nada, me mantenha informada sobre tudo e segunda-feira estaremos juntas, certo?
— Pode apostar. – Apesar do conflito interno do meu coração, a noite foi bem produtiva. Consegui um emprego e mais confiança sobre pistas de como encontrar meu pai. Acho que por esse caminho estou cada vez mais perto de descobrir toda a verdade.
Com nossa hora de ir embora chegando, nos despedimos de Emmett e Rose. Jasper mais uma vez veio nos trazer em casa e dessa vez, mesmo no carro e na presença de Edward e eu, Alice e ele não pararam de conversar.
Quando nos deixou na pousada me despedi rapidamente e vi que Edward também deu um breve tchau entrando e deixando os dois a sós para terem sua despedida particular.
Segui até meu quarto, tomei banho, me troquei e caminhei até a cama, mas uma batida na porta me impediu de pensar em dormir. Ao abrir, um mini furacão chamado Alice passou por mim jogando-se na cama.
— Eu estou amando! Estou apaixonada! Estou feliz! – Ela falou em júbilo.
— Alice fala mais baixo. Quer que todos ouçam? – Alertei-a.
— Sinceramente a resposta é sim! Mas acho que por enquanto não devo anunciar a todos.
— Com certeza não. Agora em forma mais contida, por favor, conte tudo. Porque dessa felicidade inesperada?
— Somente comecei a ter esperanças Bella. Antes tudo não passava de um sonho, algo que apenas eu criava, entende? E agora está começando a se tornar real.
— Posso entender como é isso. E houve um algo a mais entre vocês? Tipo um beijo?
— Não, claro que não. Você acha que se Jasper tivesse me beijado, ainda estaria aqui para contar história? Eu já teria ido para o céu faz tempo. – Ri da resposta e de todo o entusiasmo. – Foi como falei, agora sinto que pode rolar. Não precisa ser amanhã, ou semana que vem. Quem sabe daqui a um mês ou no fim do ano, mas de qualquer forma sinto que agora existe um nós, que ele me enxerga como mulher, não apenas como a irmãzinha do Edward.
— Ai que ótimo Alice fico muito feliz em ouvir isso. E acho que você ficará ainda mais contente quando te falar algo que observei hoje.
— O que foi?
— Quando vocês estavam lá na mesa conversando. Edward veio falar comigo e acho que ele sentiu que havia algo entre vocês, mas para sua alegria e com um empurrãozinho meu. Ele pareceu entender que você é uma adulta, que tem desejos e vontades. E também no fim das contas ele conhece o amigo que tem, portanto não há com o que se preocupar em vocês dois estarem juntos.
— Bella acho que hoje é o dia mais feliz da minha vida. Preciso anotar esse dia na minha agenda para nunca mais esquecer! Só pode ser um sonho, meu irmão aceitando que eu estou crescida e que posso vir a ter algo com o melhor amigo dele? Ai Bella só posso te agradecer. Porque tenho certeza que não foi só hoje e tão pouco apenas um empurrãozinho que você deu para fazer com que meu irmão entenda as coisas.
— Não tem porque agradecer. Você tem me ajudado tanto desde que cheguei, apenas faço o mesmo por você quando posso, é assim que acontece nas amizades, uma sempre ao lado da outra.
— Sim. E pode continuar contando comigo para tudo nas investigações do seu pai.
— Quanto a isso tenho uma coisa para te contar. – Falei.
— O que foi? Você descobriu algo novo?
— Ainda não, mas acho que encontrei uma forma de descobrir de uma vez por todas algo concreto sobre ele.
— Então me conta. O que está esperando mulher? Quer me matar de curiosidade?
— Você entrou aqui animadíssima com seu assunto, estava apenas esperando o momento certo para falar. Mas deixa-me começar, tenho duas notícias, primeiro de tudo arrumei um emprego.
— Jura? Mas como? Com quem?
— Com a Rose. Ela me chamou para ajudá-la no Antiquário e aceitei Começo segunda-feira.
— Que legal Bella. Agora você não ficará mais ociosa como vinha comentando. Ai estou feliz por você, Rose é muito legal, tenho certeza que vocês se darão muito bem juntas.
— Também acho. E a segunda noticia é que vou procurar meus avós maternos e ver se encontro pistas do meu pai com eles. No início relutei um pouco em procurá-los por conta de tudo o que houve com a mamãe. Mas vovó Elizabeth já tinha me dito para fazê-lo, no intuito de conhecê-los sabe? Afinal de contas eles são meus parentes e hoje a Rose abriu meus olhos para o fato de que eles podem me ajudar de alguma maneira, então vou visitá-los. – Terminei de falar.
— Realmente pensando por esse lado eles podem sim ter as repostas que você procura, mas como fará para encontrá-los?
— Eu tenho o endereço onde a mamãe morava, da casa deles. Vou chutar que ainda morem lá e caso não, irei procurar por eles de alguma outra forma. Mas estou decidida, amanhã mesmo irei até essa casa e falarei com os meus avós.
— Espero que de tudo certo Bella. Porque não é querendo te desanimar nem nada, mas caso você não consiga nada com eles, receio que será muito mais difícil encontrar o seu pai.
— Eu sei Alice e estou contanto muito que descubra algo por lá, mas também quero ver como eles reagem ao me conhecer. O bebê que foi o causador de toda a discórdia familiar. – Alice pareceu querer falar algo sobre, porém mudou de ideia.
— Vou te deixar dormir e ir para o meu quarto também, pois já é tarde e ainda vou tomar um banho antes de dormir. Se vovó ao menos desconfiar que estou até essa hora aqui, vou levar a maior bronca.
— Tudo bem, boa noite, durma com Deus e sonhe com o seu amado.
— Obrigada, com certeza vou sonhar, boa noite. – Nos despedimos com um beijo no rosto e Alice saiu do quarto fechando a porta.
Como já estava pronta para dormir, apenas apaguei as luzes e me aconcheguei nos lençóis. Porém de repente me veio à lembrança do momento em que Edward cantou aquela música...
Todas sempre são lindas e me tocam profundamente, porém a do Savage Garden teve um significado mais que especial. Só posso afirmar o que senti, mas será que tem a mínima chance de Edward tê-la escolhido de propósito para alguém? Será que ele também está apaixonado? E pegando um pouquinho da esperança e otimismo de Alice. Posso achar que essa sincronia de sentimentos é para comigo? Como de costume adormeci sem nenhuma resposta concreta...
Acordei e ao observar a janela vi que ainda era cedo, pois o sol nem apontava no horizonte, tentei voltar a dormir, mas foi em vão, sem sono e sabendo que provavelmente todos ainda dormiam, decidi descer e usar o computador para enviar um e-mail à mamãe lhe contando sobre as novidades e a decisão de ir conhecer meus avós.
Cheguei à sala e como previsto não tinha ninguém ou sinal de pessoa acordada, sentei no banco e liguei o computador, logo entrei no meu e-mail e comecei a digitar...
De: Bella Swan (Bella.Swan_94@gmail.com)
Para: Esme Swan (Esme.S@gmail.com)
Calendário: 23 de Fevereiro de 2014 06h48min
Assunto: Novidades e Decisões
Oi mãe, como à senhora está? Espero que bem.
Mãe tenho ótimas noticias para dar. Eu consegui um emprego! Isso mesmo que a senhora leu. Agora sua filhinha está empregada em outro país. Vou te atualizar sobre a história.
Lembra-se que falei sobre uma moça, Rosalie, esposa do Emmett, dono do Pub onde o Edward trabalha e que frequentamos? Pois é, ontem fomos lá novamente e ela me contou que possui um Antiquário, entre conversas e esclarecimentos ela me convidou para trabalhar lá, não é o máximo? Como à senhora sabe, sempre amei história e agora vou poder me inteirar sobre um assunto que realmente gosto. Amanhã, segunda-feira, irei até o Antiquário e iremos acertar todos os detalhes técnicos, mas me parece ser uma ótima ideia. Rose contou que eles fazem exposições, eventos de arte, entre outros, se houver algum enquanto estiver aqui, prometo te mandar fotos.
Mas de verdade mãe, estou muito feliz com essa notícia, espero que a senhora fique também. Não sei quanto tempo meu dinheiro durará e tão pouco queria ter que pedir ajuda à senhora, sendo que essa ideia toda é apenas minha. Mas agora me sinto realizada em poder conquistar a independência por meus próprios meios. Acho que será uma boa experiência, apesar de gostar de estudar música e ter decidido finalmente que é isso o que realmente quero fazer, quando tiver oportunidade é claro, acho que esse trabalho me fará muito bem.
Agora sobre o papai, às vezes não sei se a senhora gosta que te conte como vão as coisas, mas enquanto não ouvir uma reprimenda continuarei falando. Há alguns dias a vovó conversou comigo perguntando se não tinha vontade de conhecer meus avós, sim os seus pais. De primeira não soube o que responder, por conta de como as coisas terminaram entre vocês, não achava que eles me receberiam bem sendo que fui o bebê indesejado da família, porém fiquei com essa ideia martelando na cabeça e agora tomei uma decisão, vou procurá-los mãe.
Eu trouxe comigo o endereço de onde a senhora morou, espero que eles continuem morando por lá, caso não, irei encontrar outra forma de achá-los e ir até eles. Acho que no fundo essa era uma das minhas missões também, encontrá-los e entender um pouco mais do seu passado.
Porém confesso que meu intuito não é apenas visitá-los, mas também ver se consigo alguma informação concreta que me leve ao papai, entendo e respeito seus motivos de não me falar abertamente quem é ele, porém tenho que tentar encontrá-lo de todas as maneiras e se essa é uma chance, irei arriscar.
Espero que a senhora entenda meus motivos e que fique feliz por mim, prometo voltar a escrever depois que encontrá-lo. E me conte como estão às coisas por ai, sinto saudade de tudo, de casa, do pessoal do restaurante e principalmente da senhora. Te amo muito mãe nunca duvide disso, Beijos.
Bella Swan.
Ao terminar de digitar reli tudo e enviei. Sei que nesse momento lá ainda é o início da madrugada e mamãe provavelmente está dormindo, mas espero que assim que acorde já veja meu e-mail. Encerrei o que tinha para fazer e desliguei o computador voltando para o quarto e me arrumando para descer novamente, dessa vez para tomar café.
Já de banho tomado e com uma roupa de sair, fui até a cozinha encontrando algumas pessoas na mesma. Escolhi o que comer e sentei, informarei à decisão que, mas pretendo esperar até terminar de tomarmos café, porém antes disso, vovó resolveu adiantar antes o assunto.
— Isabella Marie você está muito bonita essa manhã, pretende sair para algum lugar? – Ela perguntou e vi que Edward levantou o olhar para observar minha resposta.
— Na verdade sim vovó, tenho um compromisso agora pela manhã.
— E poderíamos saber do que se trata? – Continuou.
— Sim, decidi procurar os meus avós.
— Que boa notícia querida. Eu sabia que tomaria a decisão certa. Mas você já sabe como encontrá-los?
— Eu tenho o endereço da casa onde minha mãe morou e estou contando que os mesmos ainda residam lá.
— Com certeza devem morar querida. Nós britânicos não temos o hábito de nos mudar muito. Além do que, se eles moravam lá enquanto sua mãe já era jovem, é provável que não tenham se mudado mais, pois aquela sempre será a casa da família, onde eles criaram os filhos. – Ouvi concordando e esperando que esteja certa.
— E você vai sozinha mesmo Bella? Não quer que eu alguém a acompanhe? – Alice sugeriu.
— Sim querida, Mary Alice poderia acompanhá-la, ou talvez até Edward Anthony possa levá-la. Você não se incomoda, não é mesmo querido?
— Não vovó, se você quiser Bella posso levá-la. – Edward respondeu.
— Agradeço a atenção, mas acho que isso é algo que tenho que fazer sozinha. Vou chamar um táxi para me levar até o endereço.
— Pois muito bem. Desejo boa sorte e que você consiga encontrar tudo o que procura.
— Obrigada vovó agradeço muito pelo conselho e os votos de boa sorte. – Ali encerramos o assunto e voltamos a tomar nosso café, assim que terminei fui à sala com Alice e ela pediu um táxi para mim, ficamos em frente à pousada esperando o mesmo chegar, quando o carro estacionou ela me abraçou forte.
— Vai dar tudo certo, tenho certeza que eles vão adorar conhecê-la e você ainda voltará com alguma boa noticia em relação ao seu pai.
— Obrigada Alice, torça por isso.
— Eu irei. – Nos soltamos e entrei no carro, ainda vi antes do carro partir, a figura de Edward me observando pela janela de dentro da pousada, mas o perdi quando começamos a andar.
Dei o endereço de destino e fiquei observando a cidade, apesar de só ter andado duas vezes, ainda por cima à noite no carro de Jasper, notei que esse era um caminho contrário do que fazemos para ir ao Pub. É como se atravessasse toda a agitação de Londres para ir até outro bairro residencial.
Ao parar notei a casa refinada e bem conservada, de fachada azul e com uma cerca branca em volta, como em um conto de fadas. Paguei ao motorista e desci do carro.
Fiquei parada por um instante sem saber se atravessava o pequeno caminho até a porta ou já chamava da calçada mesmo. Resolvi escolher a primeira opção, entrei pelo portão e atravessei o caminho em meio a um bonito jardim, parando em frente à porta. Mesmo com a mão tremula bati, ouvi passos de dentro da casa e logo a mesma foi aberta por uma senhora, como não sei dizer se ela é de fato minha avó, resolvi tirar a dúvida.
— A senhora é Renée Swan?
— Sim querida. E você quem é?
— Eu me chamo Isabella Swan...
— Desculpe como disse? Seu sobrenome é Swan?
— Sim senhora. Possuo esse sobrenome porque minha mãe se chama Esme Swan, e acredito que a mesma seja sua filha.
— Meu Deus! – Vi sua fisionomia mudar. Ela empalideceu e pensei que fosse desmaiar ali mesmo.
— Senhora, por favor, respire. – Falei tentando encontrar uma forma de acalmá-la.
— Charlie venha aqui rápido. – Ela tomou um fôlego profundo para poder gritar.
— O que houve mulher? O que é de tão urgente que precisa gritar? – Um senhor apareceu e quando a viu naquele estado correu rápido a seu socorro e a acolheu em seus braços. – Renée minha querida o que houve? Você está pálida. – Ele pareceu então notar minha presença e falou. – E você quem é? O que fez para deixar minha mulher assim?
— Me desculpe eu não queria, não fiz... – Tentei justificar, porém a senhora me interrompeu.
— Charlie é ela. O bebê da Esme. Nossa neta. – Os dois trocaram um olhar significativo e depois olharam em minha direção.
Fiquei sem saber o que pensar, mas só espero que essa reação seja indício de algo bom.
CONTINUA...
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