Para Te Encontrar

6 Capítulo 5 - Busca Conflitante


Notas iniciais
Olá meninas, como passaram a semana? Espero que bem. Chegou a hora de mais um capítulo de PTE e o mesmo está recheado de coisas que vocês vem esperando há muito tempo. Conversamos um pouco mais nas notas finais lá embaixo. Apreciem Sem Moderação... Capítulo Postado Em: 07/10/19

Quando Edward e eu voltamos à pousada já estava anoitecendo. Assim como na ida, não falamos muito no percurso de volta a mesma. Concentrei-me apenas em sentir a respiração e o corpo de Edward junto ao meu.

Ao chegar a frente ao casarão, nos despedimos também sem muitas palavras. O agradeci mais uma vez pelo passeio e suas palavras de apoio, ele retribuiu com agradecimentos também.

Apesar de tudo o que conversamos e revelamos, parece que deixar aquele lugar e voltar ao mundo real, trouxe de volta a primeira essência da nossa relação, tímida e sem muitas palavras. Continuamos educados e gentis um com o outro, mas somente isso. Toda a cumplicidade de antes parece ter sido deixada lá, junto com nossas promessas e segredos...

Depois de me despedir subi para o quarto e continuei refletindo sobre tudo. Fui sincera ao falar sobre o sonho com a música. É claro que o foco principal da minha vida sempre foi procurar meu pai. Porém ao pensar no meu futuro profissional realmente me imagino trabalhando com música, algo tão lindo e que aprendi a gostar.

Após encontrar o que procuro e voltar para casa, talvez tente investir nesse outro sonho. Mas, por enquanto, meu objetivo maior permanece em encontrar meu pai...

Entre as reflexões tomei banho e ao término do mesmo resolvi descer, aproveitando que o balcão estava vazio decidi responder o e-mail da minha mãe.

Contei-lhe sobre tudo, como me senti ao ler seu e-mail, que chorei por vários motivos, mas que ela não precisa se preocupar, pois estou bem. Falei mais uma vez sobre a amizade de todos e até das nossas pessoas que conheci, finalizei dizendo que estou com saudades, mas a mesma será minha força, a vontade de voltar para casa e vê-la de novo me impulsionará a encontrar meu pai mais rápido. Despedi-me prometendo escrever sempre que possível e enviei.

Quando terminei Alice veio me chamar para jantar. Enquanto jantávamos ela perguntou onde Edward e eu fomos, ele respondeu de modo evasivo, que apenas tinha saído para dar uma volta comigo, ali entendi que ele não queria que ninguém soubesse onde realmente fomos, já que aquele era seu lugar especial e secreto, então me mantive calada e apenas confirmei sua fala.

No fim do jantar Alice perguntou se gostaria de ficar com ela na sala assistindo TV, aceitei o convite. Ficamos conversando, ela contando como são as coisas em sua escola, enquanto falava também alguns pontos da época em que estudava. Com isso as horas passaram e já bem tarde fomos nos deitar, mesmo com Alice acordando cedo pela manhã.

Acabei não vendo mais Edward para lhe dar pelo menos boa noite, então ao entrar no meu quarto apenas cuidei das minhas coisas e deitei para dormir...

Quando acordei enxerguei o brilho do sol entrando timidamente pela minha janela, isso já me deu animo para levantar e seguir com o dia.

Fiz tudo o que precisava fazer no quarto e desci para tomar café. Pela primeira vez fiz a refeição apenas com a vovó, já que Edward e Alice já tinham saído para seus afazeres do dia.

Ao terminarmos o café permaneci pela cozinha conversando e auxiliando vovó nos afazeres, mesmo com todas suas reclamações dizendo que eu não precisava fazer aquilo, mas nesse assunto apenas a ignorava completamente e continuava a ajudar.

Dado algumas horas mais tarde ela finalmente conseguiu me expulsar, então segui para a sala tentando me entreter com algo. Liguei a televisão, mas meus pensamentos logo começaram a viajar para outros pontos. A pousada estava completamente vazia, afinal todos tinham suas obrigações com trabalho e estudos, eu não aguentaria ficar muito tempo sem ter um afazer concreto, ainda mais por sempre ter sido hiperativa e nunca ter ficado sem fazer nada da vida.

Tentando sair do modo ocioso, procurei por caneta e papel e sentei perto da janela olhando a rua. E movida pelos meus pensamentos dos últimos acontecimentos comecei a riscar algumas palavras na folha de papel, eram apenas letras soltas, mas sabia que se me concentrasse aquilo poderia virar uma letra nova de música.

Empolgada com minha inspiração nem vi o tempo passar, só notei o tardar da hora quando Alice anunciou sua presença em minha frente.

— Oi Bella, o que está fazendo ai sozinha?

— Oi Alice, nem vi que já tinha chegado.

— Entrei ainda a pouco e te vi ai concentrada. O que está escrevendo? Uma carta de amor?

— Não Alice, de jeito nenhum. São só besteiras nada demais. Mas e você me conta como foi na escola? – Desviei o assunto. Ela então começou a falar empolgada sobre como foi seu dia, ouvi tudo atentamente.

— Ah Bella, quase ia esquecendo. Tenho uma coisa para te falar. – Ela falou de repente.

— O que foi?

— Acho que sei por onde podemos começar a procurar pelo seu pai.

— O que? Verdade? Ah meu Deus Alice me conta logo, o que você descobriu? – Falei toda cheia de ansiedade e expectativa.

— Calma mocinha. Eu mesma ainda não descobri nada, mas sei ao menos por onde começar. Hoje na aula de história o professor pediu para fazermos uma pesquisa e disse logo que não ia querer qualquer coisa retirada da internet, que tinha que ser uma pesquisa bem feita e bla bla bla...

— Alice, eu realmente gosto de história e posso até te ajudar no trabalho, mas não desvia do foco. O que isso tem a ver com meu pai?

— Sim, certo, seu pai. Quando o professor falou isso vi que teria que ir à biblioteca para pesquisar. Então na hora lembrei que a biblioteca da escola tem um acervo com coisas dos ex-alunos. Acredito que possamos procurar alguma coisa que nos ajude a achar o seu pai. Afinal ele e sua mãe estudaram lá, portanto tem que ter algum arquivo dos dois, poderemos encontrar alguma pista do paradeiro dele, sei lá.

— Alice você é um gênio. – Me joguei sobre ela a abraçando apertado. – Essa é uma ótima ideia, brilhante.

— Obrigada, obrigada sei que sou demais. – Ela falou se abanado e fazendo pose de superior, em seguida caímos no riso pelo seu jeito.

— Mas já podemos ir lá? – Perguntei eufórica.

— Então o acesso à biblioteca é controlado, tem que marcar hora para utilizar, mas graças a Deus consegui uma vaga para hoje, mas é apenas ás 16h. – Falou.

— Está ótimo, vou morrer de ansiedade até lá, mas tudo bem o importante é que conseguiremos ir. – Alice assentiu.

Estava em êxtase. Desde que cheguei estive tão longe de encontrar meu pai que pensei estar fazendo uma grande burrada. Mas agora que já arrumei um meio de começar a procurá-lo, é só o início, algo pequeno, não tenho certeza se realmente vamos encontrar alguma coisa, mas a ansiedade e o entusiasmo me dominam, sinto que vai dar certo.

Fomos almoçar e Alice contou à vovó que iremos sair mais tarde para ir à biblioteca, dissemos tudo o que vamos fazer, não temos porque esconder o real motivo da nossa visita. E eu nem mesmo poderia já que devo estar com um sorriso bobo e a felicidade estampada no meu semblante, seria muito difícil tentar esconder isso de alguém.

Depois de nos retirarmos da mesa fomos até o quarto de Alice e ficamos por lá, a ajudei em suas lições de casa, era o mínimo que podia fazer em volta do tanto que ela está me ajudando.

Mesmo achando que a hora nunca chegaria finalmente por volta das 15h30min Alice falou que podíamos ir. Vovó nos desejou boa sorte e eu mais do que agradeci desejando tê-la mesmo ao nosso lado hoje.

Conversamos por todo o caminho, poderia achar que Alice estava apenas tentando me distrair, mas notei pouco tempo depois que a conversa e todo papo eram coisas dela mesmo, sorri.

Ela avisou quando chegamos, então olhei a fachada do colégio. Era um prédio imponente com tijolos escuros e estrutura sólida, meus olhos quiseram marejar-se de repente, mas acho que era normal, pois foi aqui que meus pais se conheceram, se apaixonaram e graças ao seu primeiro contato dentro dessas paredes, eu nasci.

Alice indicou que podíamos entrar e a acompanhei de perto, mas sempre olhando tudo ao redor, chegamos à biblioteca e uma senhora anotou nossos nomes e me deu um crachá de acompanhante permitindo nossa entrada.

— Hoje vamos procurar as coisas sobre os seus pais Bella, depois venho outro dia para os lances do trabalho.

— Alice não precisa, posso me virar sozinha e não quero que você se atrase. – Falei tentando fazê-la mudar de ideia.

— Sem discussão a ideia toda foi sobre esse assunto, além do que duas cabeças pensam melhor do que uma, hoje vou te ajudar e outro dia você pode vir comigo de novo se quiser participar do trabalho. – Ela falou e vi que seria irredutível discutir isso.

— Certo Alice faremos como quer, mas voltarei para te ajudar depois também. – Pontuei.

— Por mim não tem problema, agora vamos colocar nosso modo espiã em ação. – Sorri e fomos até a sessão que ela indicava. Ficamos apenas observando por um tempo, para podermos analisar devidamente o que pegar e iniciar uma pesquisa detalhada. – Bella olha isso aqui. – Alice me chamou mostrando um livro grande que estava em sua mão. – Esse é o anuário do último ano dos seus pais aqui no colégio, podemos começar por ele.

— Ótima ideia Alice. Vamos ver se tem coisas em comum entre algum dos alunos e a minha mãe, pode ser uma pista, pois acredito que os dois tenham feito algo juntos enquanto estudavam aqui.

— Isso Bella, vamos anotar o que sua mãe fez e tudo o que participou, assim associaremos esses dados aos seus colegas de classe.

— Perfeito, me deixa encontrar o nome da minha mãe aqui. – Passei os olhos até chegar à letra dela e rapidamente encontrei sua foto, com seu nome e afazeres do colégio embaixo. – Aqui Alice, anota ai. – Falei e ela pegou papel e caneta para anotar. – Mamãe foi da equipe de estudos de química, participava do jornal da escola, ajudava também a fazer o anuário do ano e olha só, minha mãe foi uma líder de torcida. – Falei com surpresa.

— Uau sua mãe era uma garota bem diversificada hein e também popular. Sua família deveria ser rica e ela bem aceita no colégio, por isso essas várias funções. Aqui eles acumulam os que podem com muitas tarefas e pessoas bolsistas, como eu, apenas existem, transitam, nós não vivemos nesse lugar. – Alice falou.

— Amiga não fala assim. Não sei por que mamãe participava de tantas coisas, não costumávamos conversar muito sobre seu passado, porque no fim das contas sempre acabava voltando ao assunto do papai e ela não gosta muito de falar dele. Porém se esse colégio é assim, você que não deve querer fazer parte de um mundo desses. Você é melhor do que tudo isso e vai ter uma carreira incrível, ser alguém importante e essas pessoas daqui não servirão de nada no seu futuro.

— Obrigada Bella, é bom ouvir isso de alguém de fora, porque ninguém aqui pensa dessa forma.

— Eu já disse, não ligue para eles, agora vamos voltar ao foco?

— Sim claro, já anotei tudo o que sua mãe fez. Agora vamos observar a foto que você tem, com cada rapaz aqui no anuário e ver quem tem coisas em comum com ela.

— Perfeito. – Peguei minha foto dentro da bolsa e fomos listando os rapazes que apareciam na mesma, enquanto os encontrávamos nas páginas do anuário anotávamos quem participou das mesmas atividades que minha mãe.

Demoramos um pouco para achar todos, mas ao fim chegamos ao número redondo de 13 possíveis rapazes a namorados da mamãe e meu pai. Ri com esse pensamento estranho.

— O que foi Bella? – Alice perguntou quando viu meu riso.

— É que fiquei pensando. Acabamos de achar 13 pessoas, homens, que podem a vir ser o meu pai. E me pareceu estranho estar descobrindo sobre ele nas páginas de um livro, como se estivesse com um catálogo na mão e fosse escolher o homem ideal para ser meu pai.

— Não pensa assim. Esse é o passado dos seus pais, a sua história, não é como se você tivesse que escolhê-lo agora, apenas está descobrindo fatos sobre o mesmo enquanto vocês não se veem pessoalmente.

— Obrigada Alice, isso acalmou um pouco minha cabeça. É só que tudo parece uma loucura.

— Talvez seja mesmo uma loucura, mas que mal há nisso? – Ela falou sorrindo e concordei com seu ponto. – Mas agora iniciamos o segundo passo, vamos delegar uma ordem a eles. Pode parecer meio sem noção o que pensei, mas creio que os que tiverem mais coisas em comum com sua mãe tem maior probabilidade de ser o seu pai. Porque se eles namoraram, talvez seja por conta do tempo que passaram juntos se conhecendo antes de se relacionar, você não acha?

— Estamos andando as cegas Alice, então qualquer coisa que puder ajudar será um bom jeito de arrumarmos o emaranhado que é isso aqui. Vamos listá-los em uma ordem crescente. – Ela assentiu e em outra folha fizemos uma tabela pontuando em frente aos nomes dos rapazes quais tarefas eles tinham em comum com a minha mãe e montando a ordem em seguida.

Dos 13, conseguimos associar que dois rapazes faziam todas as atividades com a mamãe. Cinco fizeram apenas três, das quatro atividades registradas no anuário. Quatro deles participavam apenas de duas coisas juntos a ela. E por fim outros dois garotos fizeram apenas uma atividade.

— E acho que hoje acabamos por aqui Bella, temos todos os nomes, registros e a conectividade deles com a sua mãe. O que faremos a seguir já pode ser feito longe do colégio. – Alice disse quando terminamos de organizar tudo.

— Concordo com você Alice, o difícil é sabermos qual será o próximo passo, temos todos esses nomes, mas o que eles me revelam sobre meu pai?

— Você tem certeza que sua mãe não poderia te dizer? Isso aliviaria bastante o nosso trabalho. – Ela perguntou e suspirei.

— Infelizmente não. Isso é algo que ela nunca quis me contar, ainda mais agora depois de falar que devo seguir nessa investigação sozinha, duvido que vá facilitar me falando o nome dele. Não a julgo, acho que ela não quer sentir que empurrou a filha para encontrar o homem que me rejeitou antes mesmo de saber sobre mim. Então é algo meu como filha, tentar encontrá-lo.

— Ok será do jeito difícil então. Mas hoje já alcançamos grandes coisas, não é mesmo? – Assenti entusiasmada com nossa tarde de pesquisa. – Agora já podemos ir para casa, reservei nosso tempo por apenas duas horas e já está acabando. – Concordei e juntando nossas anotações saímos da mesa e fomos até a estante devolver o livro. Passamos pela senhora da recepção, devolvemos os crachás saindo do colégio e caminhando de volta para a pousada.

Alice foi dando sua opinião sobre o que lia dos rapazes nas nossas anotações, falando sobre seus nomes, o que fizeram no colégio e quais possíveis motivos cada um teria para ser considerado meu pai.

Eu apenas ouvia tudo o que ela falava, mas não mostrava maior opinião, infelizmente não me veio aquele sentimento e conexão direta quando li o nome ou vi a foto de um desses garotos que hoje é o meu pai.

Quando chegamos, Alice foi procurar a vovó e eu subi para o meu quarto na intenção de tomar banho, mas quando entrei um cansaço súbito me abateu, não era algo físico, era ainda pior, o cansaço mental.

Parei por um minuto para pensar no que fiz hoje e notei como essa ideia de procurar meu pai, um homem que nem sabe que existo é algo incerto.

O esperei pela vida inteira, mas e ele? Como estará hoje em dia? Casado? Com outros filhos? Vivendo uma vida plena e feliz sem ao menos lembrar de que um dia teve um relacionamento com uma jovem chamada Esme e que disso nasceu um fruto, que sou eu?

E se ele não quiser me conhecer? Não quiser ter contato comigo? Ele tem esse direito, não posso pensar que ele vai me receber de braços abertos agradecendo aos céus por ter uma filha quase adulta batendo a sua porta.

Claro que ainda tem a possibilidade de simplesmente não encontrá-lo. O que faremos agora? Procurar nomes, talvez quem sabe encontrar endereços... Então sairei batendo de porta em porta perguntando. “Oi gostaria de saber se há 19 anos você namorou uma menina chamada Esme? Se sim, olá sou Isabella sua filha”. Com certeza essa não é uma boa ideia.

Porque mamãe me deixou fazer essa loucura? Porque não me impediu quando soube onde estou e o que pretendo? Porque não me deu uma bronca e me intimou a voltar para casa? Será que ela também não vê a insanidade que é tudo isso? Ou talvez ela esteja querendo me punir pela ideia idiota que tive de fugir de casa sem avisá-la e agora que me toquei do assunto ela dirá que já sabia e me mandará voltar.

Estou confusa e começando a pensar besteiras demais. Mamãe não é vingativa, ela não usaria do meu sacrifício para me dar uma lição, além do mais ela sempre fez tudo para me proteger e manter segura, não seria agora que mudaria isso.

Então talvez, só talvez ela saiba que o que estou fazendo é um pouco certo, que tenho chances de encontrar meu pai e quem sabe estabelecer uma relação com o mesmo, tenho que acreditar nisso ou toda minha segurança e firmeza vão pelo espaço...

Perdida nos pensamentos não percebi quanto tempo passou até ouvir batidas na porta. Levantei da cama e fui em direção à mesma abrindo-a e vendo Alice a minha frente.

— Bella vim lhe chamar para jantar.

— Ai Alice acho que não quero descer, peça desculpas a vovó por mim.

— Quer que eu venha ficar com você? Podemos comer no quarto.

— Não precisa se incomodar com isso, estou sem fome e receio não ser a melhor companhia no momento.

— Tudo bem, eu entendo. Mas você está bem?

— Sim só não estou com fome mesmo e ainda nem tomei banho, vou ficar quietinha aqui no quarto e acho que logo já vou dormir.

— Tudo bem avisarei a vovó e boa noite então.

— Boa noite Alice e obrigada. – Ela saiu seguindo pelo corredor em direção as escadas e fechei a porta voltando para o interior do quarto, resolvi tomar meu banho e pude relaxar um pouco embaixo da água quente.

Depois que terminei voltei ao quarto, vesti meu pijama e subi na cama me aconchegando nos edredons, mexendo meus papéis encontrei a letra que iniciei mais cedo, decidi me concentrar nela e tentar prosseguir com seu raciocínio até um desfecho aceitável...

As palavras e as emoções se contrastavam fluindo do meu peito e transcrevendo-se entre minhas mãos que pousavam na caneta dando vida a minha escrita na folha. O processo de compor é algo subjetivo, ao mesmo tempo em que escrevo uma coisa que faça sentindo, no instante seguinte na visão geral as palavras já não se entrosam mais, é um trabalho árduo, precisa-se de concentração e dedicação para interpretar e reverter o assunto ou tema a qual a letra se dedica.

Enquanto estava concentrada no meu papel, ouvi batidas na porta e respondi crendo saber de quem se tratava.

— Pode entrar Alice, a porta está aberta.

— Não é Mary Alice, sou eu. – Vovó posicionou seu rosto na porta.

— Oi vovó, pode entrar. – Ela o fez e vi que consigo carregava uma bandeja.

— Mary Alice falou que você não quis descer para jantar porque não estava com fome, mas não acredito quando uma criança diz que não está com fome, quase sempre a recusa é por algum outro motivo. Sabendo disso resolvi trazer seu jantar, aceito que não queria companhia, mas que fique sem comer, jamais.

— Vovó não precisava se incomodar, não quero dar trabalho.

— Não é trabalho algum faço por você a mesma coisa que faria por qualquer um dos meus netos. Conhecemo-nos a pouco querida Isabella Marie, mas já sinto um grande sentimento de carinho e proteção por você.

— Obrigada vovó é muito importante ouvir isso da senhora. Não conheço meus avós, nunca tive contato ao menos com os pais da minha mãe, então é muito gratificante receber esse tipo de carinho vindo de alguém como à senhora. É incrível a forma como nos apegamos fácil, todos vocês são muito especiais de verdade.

— Eu sei querida, você é uma boa menina, nos cativa com seu jeito e inspira bons sentimentos nas pessoas ao seu redor. – Sorri diante de suas palavras – Não querendo me intrometer na sua vida meu bem, mas você disse que sua mãe já morou aqui na Inglaterra e agora veio em busca do seu pai, mas você não pensa em procurar também os pais da sua mãe? Seus avós?

— Sinceramente não tinha pensando nisso ainda vovó. Já estou com dúvidas demais em conhecer apenas meu pai, não sei se meus avós maternos vão querer me conhecer, já que mandaram minha mãe embora de casa assim que souberam que ela estava grávida. Não creio que hoje eles queiram ver o fruto de toda aquela tragédia, porque sei que eles devem pensar que fui o maior erro da vida da mamãe, ela tinha um futuro brilhante aqui e teve que mudar tudo por minha causa.

— Isabella Marie não diga uma besteira dessas, tenho certeza que eles não acham que você foi um erro, talvez tenham ficado um pouco chocados ao saberem que sua mãe engravidou ainda nova, porém você não tem culpa nenhuma sobre esse assunto. Eu apenas quis saber o que você pensava disso, possivelmente eles ainda morem por aqui e talvez você queira conhecê-los, mas se essa também não for a sua vontade você tem todo o direito de escolher, de qualquer forma sempre poderá contar com essa avó postiça aqui.

— A senhora não é minha avó postiça, é a única avó que conheço e amo, obrigada.

— Por nada meu bem, agora coma seu jantar antes que esfrie. E se eu sonhar que não comeu iremos ter outra conversinha, mas dessa vez nem um pouco amigável.

— Tudo bem vovó irei jantar sim, me bateu até uma fominha ao ver esse prato delicioso.

— Acredito que essa fome bateu só agora. Mas tudo bem tenha uma boa refeição e boa noite, durma com Deus.

— A senhora também. – Ela deu um beijo na minha testa e depois saiu do quarto me deixando sozinha.

Deliciei-me realmente do prato e percebi, após comer, o quanto estava faminta, avós e mães são realmente seres impagáveis elas sempre sabem de tudo.

Pensando no que conversei com vovó ainda a pouco, entrou em debate na minha mente também o fato de procurar meus avós maternos, será que essa seria uma boa ideia? Eles nunca fizeram questão de procurar a mamãe, mesmo depois de todos esses anos, será que o fato dela ter engravidado jovem foi tão grave assim que os fez simplesmente esquecer que tinham uma filha?

E também tem o fato de não saber como minha mãe se sentirá diante dessa nova ideia, procurar pelos seus pais que não fizeram nada contra mim, diretamente, mas também não aceitaram minha existência com entusiasmo e louvor.

Minha cabeça vai explodir com tantas coisas conflitando dentro dela. Porém foi isso que vim procurar na Inglaterra, não foi? Descobrir sobre meu passado, mudar meu presente e dar outro rumo ao meu futuro...

Por mais que não tenha saído de casa determinada a encontrar meus avós, como é no caso do meu pai, sei que lá no fundo realmente gostaria de conhecê-los, entender o que houve e quem sabe também causar um reencontro familiar entre eles e a mamãe...

Deixei a bandeja com o prato em cima do criado mudo e fui até o banheiro escovar os dentes, para depois voltar à cama pronta para dormir. Mas como esperado o sono não veio. Incrível como quando mais precisamos descansar e dormir o bendito do sono não vem!

Rolei pela cama não sei por quanto tempo até decidir sair do quarto e ir até a cozinha, fui com o intuito de levar o prato e lavá-lo, mas também de procurar algo, alguma forma de me distrair.

Não acendi nenhuma luz pelo caminho e tão pouco na cozinha, desde criança tenho o hábito de andar a noite pela casa no escuro, mamãe sempre reclamou comigo por isso, mas mesmo assim nunca consegui mudar.

Estava encostada na pia de costas para a entrada da cozinha, por isso e pela pessoa que entrou ser silenciosa, não percebi outro movimento no cômodo até alguém tocar meu ombro me assustando.

— Ai meu Deus.

— Bella calma, sou eu.

Edward não faça isso outra vez! Você quase me matou do coração. – Disse ao virar para olhá-lo, coloquei a mão em cima do coração onde pude sentir o mesmo batendo acelerado.

— Perdão, juro que não quis assustá-la. Mas também o que você faz aqui sozinha e no escuro?

— Eu vim lavar o prato e tomar alguma coisa. Tenho a mania de andar no escuro para não alertar as pessoas que estou acordada, por isso não acendi a luz. E você? Porque não fez mais barulho ao se aproximar? Você viu que eu estava aqui.

— Me desculpe, quando entrei não a reconheci de imediato, quando percebi já estava em cima e apenas te toquei. – Ele falou se justificando.

— Tudo bem agora já passou. – Ficamos em silêncio por alguns segundos até que voltei a falar. – Sem sono novamente?

— É mais ou menos, é que às vezes gosto de levantar a noite e ficar um pouco em frente à lareira apenas pensando.

— Parece um bom passamento. – Comentei.

— E é me ajuda a relaxar. A propósito, vim aqui na cozinha preparar um chá, você aceita um também?

— Um chá inglês, feito por um legitimo britânico? Como recusar algo assim? Com certeza aceitarei.

— Não sei se sou o melhor representante nesse quesito, mas faço o que posso. – Ele falou sorrindo e o acompanhei no gesto.

Com isso ele começou a se mover pela cozinha pegando as coisas para fazer o chá. Perguntei se não queria que acendesse a luz, já que não estava mais sozinha não me incomodava que houvesse claridade, mas ele falou que não precisava, podíamos nos virar bem com a iluminação que entrava pelas janelas e assim permanecemos na penumbra...

Assim como tudo que faz, Edward preparou o chá com muita habilidade e destreza, não me importei em puxar assunto nesse momento, queria apenas apreciar a bela visão que é ele locomovendo-se pela cozinha, mexendo nos utensílios, aspirando ao aroma do chá e preparando as duas xícaras depois que o mesmo já estava pronto.

— Espero que goste. – Ele disse ao entregar uma das xícaras na minha mão.

Assoprei levemente e quando a fumaça levantou pude sentir o delicioso cheiro que acompanhava, tomei um gole e acho que fiz um gracejo, quase como um gemido de satisfação ao provar.

O chá dos ingleses conhecido mundialmente por sua fórmula um pouco excêntrica é uma delícia. Edward adicionou primeiro leite nas xícaras, depois colocou o chá por cima, para que o leite quebrasse um pouco da temperatura elevada do mesmo, o vi espremer algumas gostas de limão e por fim adoçá-lo, até nisso ele acertou, pois o doce estava no ponto.

— Está delicioso, não sei se já bebi algo tão bom assim. – Respondi.

— Ufa, estava com medo de traumatizá-la a ponto de nunca mais querer beber chá algum da Inglaterra.

— Bobo, sabe que tudo que faz é com perfeição e com o chá não poderia de ser diferente. – Falei e vi uma mudança em seu olhar ao ouvir minhas palavras, mas logo ele voltou a sua expressão normal e respondeu.

— Que bom então, agora vamos até a sala, o pacote só fica completo se saborearmos o liquido em frente à lareira. – Seguimos até a sala e vi que lareira estava ligada deixando o ambiente bem quentinho, nos sentamos nas poltronas em frente à mesma e Edward observando a curiosidade em meu rosto disse. – Vovó a deixa ligada para que a pousada fique aquecida durante a noite. E ela sabe que alguns hóspedes, ou até mesmo eu, costumam vir aqui por essas horas então é sempre bom encontrar o ambiente assim.

— Concordo totalmente com essa ideia. – Tomei mais um gole do chá e sendo totalmente folgada, mas querendo me sentir em extremo conforto, tirei meus chinelos e puxei minhas pernas para cima do estofado macio.

— Você está parecendo uma gatinha ronronando e aconchegando-se em um rolo de lã. É uma cena adorável. – Edward falou e corei imediatamente, pode ter sido um comentário fofo e simples, mas vindo dele tudo tem o poder de me desconcertar. – Você não desceu para jantar hoje, Alice falou que você queria ficar sozinha. Eu... Fiquei preocupado...

— Não se preocupe, estou bem.

— Mas aconteceu alguma coisa? Não que tenha obrigação de passar todos os momentos conosco, entretanto me parece que você se sente bem em fazer as refeições ao nosso lado e hoje não veio...

— Edward. – Chamei sua atenção, pois vi que ele já estava para se enrolar nas palavras.

— Desculpe, acho que agora provei que sou mesmo irmão da Alice.

— Talvez. – Sorri concordando. – Mas você tem razão, adoro passar esses momentos com vocês e foi por isso que hoje preferi ficar só, pois não seria uma boa companhia a mesa. Tive sorte em receber a gentileza da vovó que levou meu jantar no quarto.

— Entendo e agora você já está apita a ter companhia?

— Sim, acho que sim. Fiquei pensando em muitas coisas, assuntos, não cheguei à conclusão nenhuma, então resolvi tentar não me preocupar tanto, pelo menos por enquanto. – Falei.

— Ouvi um comentário ou outro da vovó e Alice, sobre o que fizeram hoje, por acaso suas dúvidas tem a ver com isso?

— Com toda certeza. Hoje Alice e eu fomos até o colégio dela coletar informações sobre o passado da minha mãe e o possível paradeiro do meu pai. Conseguimos algumas coisas, bem relevantes até, porém no momento estamos estagnadas sem saber como prosseguir.

— Conte-me o que acharam posso tentar ajudar também, você sabe que pode contar comigo não é Bella? Em relação a esse assunto ou qualquer outro.

— Obrigada Edward, vocês tem sido incríveis comigo.

— Não tem de que. Agora fale. – Contei a ele como foi tudo, as pistas que tenho e o desenvolver da ideia de que tivemos. Falei sobre os possíveis candidatos a meu pai e que agora temos uma pequena ficha de cada um, porém agora não tenho ideia do que fazer com as informações que conseguimos. – Bella veja bem, vocês tem dados do passado deles, muitas coisas podem ter mudado nesses quase 20 anos.

— Eu sei. – Suspirei.

— Mas, para tudo há uma saída. Vocês têm os nomes desses homens, estamos na era digital, procure sobre eles na internet, pode não ser muito fácil encontrar pistas, ou até os mesmos por lá, mas no momento é a opção mais fácil que você tem.

— Você tem razão Edward. Olhando na internet posso encontrar imagens atuais deles e talvez isso me ajude a identificar alguma semelhança entre algum deles e eu. Você me deu a luz que precisava, obrigada.

— De nada, estou à disposição. Se precisar de qualquer ajuda não hesite em me procurar, além do mais quero me manter informado também sobre como andam as coisas. – Assenti feliz com essa nova ideia, amanhã mesmo irei começar a investigar todos os nomes da lista, algum deles tem que ser meu pai. No meio do entusiasmo abateu-se novamente a insegurança em razão da vida atual do mesmo, percebendo minha mudança Edward questionou. – Bella o que houve?

— Estou com medo. – Falei de supetão.

— Medo? Mas de que?

— Edward, estou procurando um homem que não sabe que existo. Que faz mais de 19 anos que não tem notícias da minha mãe. Sabe quantas coisas podem ter acontecido na vida dele nesse tempo? Ele pode estar casado, com outros filhos vivendo uma vida feliz e não querer a intromissão de uma bastarda na sua vida perfeita. Pode simplesmente me odiar ao saber de quem sou filha, ou tentar fazer algo contra a minha mãe, por ela ter escondido esse fato dele. Tem tantas coisas que eu não sei, ou quem sabe pior... Ele pode já nem existir mais. Já pensou se fiz tudo isso para chegar aqui e saber que meu pai está... – Parei, pois não tive coragem de terminar a frase, mas o raciocínio estava todo feito em minha cabeça.

— Bella por Deus não pense nisso. Olha, até entendo seus pontos. Pode ser, na pior das hipóteses, que ele tenha sim outra família e filhos. Que tenha algum ressentimento da sua mãe, mas você não deve ficar com isso martelando sua cabeça. Tudo será diferente, tenho certeza que ele ficará mais do que feliz ao saber que tem uma filha como você. Qualquer pessoa que te conhece tem sorte por tê-la em sua vida, ele notará isso logo de cara, pode apostar.

— Agradeço as palavras, mas não posso dizer que estou cem por cento confiante. Vou tentar manter meu foco em encontrá-lo, depois que o fizer veremos como as coisas ficam.

— Tudo bem, por hora deixaremos assim. Mas não quero vê-la triste, esse é seu sonho e você tem que estar feliz em poder realizá-lo. Lembre-se da nossa promessa.

— Vou me lembrar. E contando com o apoio de todos vocês não terei porque me entristecer, não sei o que seria de mim se não os tivesse conhecido. – Comentei e ficamos um instante em silêncio, porém voltei a falar. – Mais uma vez te aluguei para as minhas lamurias, você já deve estar se cansando disso.

— Nunca me canso de escutá-la, tudo que vem de você me interessa. – Ele respondeu e novamente ficamos presos no olhar do outro. – É... Infelizmente acordo cedo amanhã então seria bom ir dormir agora.

— Sim claro, podemos ir. – Sugeri voltar à cozinha para lavar as coisas que sujamos e ele fez questão de me acompanhar.

Depois de tudo arrumado subimos juntos e ele como sempre parou em frente ao meu quarto para nos despedirmos.

— Boa noite Edward.

— Boa noite Bella. – Dessa vez ele tomou a iniciativa e abaixou-se para depositar um beijo no meu rosto, senti o local ficar quente. – Tenha bons sonhos.

— Obrigada, igualmente. – Entrei e o vi desaparecer pouco a pouco enquanto fui fechando a porta.

Meu Deus não deixe com que eu sofra ainda mais. Te peço que me guie sobre o assunto do meu pai e que não faça meu coração se apaixonar para ser quebrado depois...

Fiz desse pensamento um mantra enquanto me arrumava para deitar. Percebi com isso que Edward é o sonho que nunca planejei ter, ele apenas se plantou em mim, não me dando chances de escapar...

Notas finais
N/A: Então, finalmente a segunda-feira na narrativa também chegou e com ela novas revelações... Palpites sobre como o pai da Bella está hoje em dia? Será que ele é um dos rapazes que ela e a Alice acharam no anuário da escola? Hoje tivemos algumas respostas e novas perguntas haha. Também tivemos mais interações com os moradores da pousada que mais amamos (eu os amo muito, vocês também?). Não consigo decidir qual interação gosto mais, portanto deixo a vocês a missão de falar do que estão gostando na Fanfic ;). Quero agradecer a todas que comentaram durante a semana, saudar novamente as leitoras novas e pedir mais uma vez que não deixem de fazê-lo. Adoro ler tudo que vocês escrevem, seja uma simples, porém poderosa palavra, ou os textos mais elaborados. Me sigam no twitter: @KaahNannda. Até segunda que vem com mais um capítulo, porém antes quero vê-las nos comentários ;). ~Kiss K Nanda.