Para Te Encontrar
29 Capítulo 28 - Enchanting Songs
Notas iniciais
– Ainda vão demorar muito? – Perguntei a Alice que está maquiando minha mãe.
Estamos no meu quarto terminando de nos arrumar para ir ao Pub.
— Calminha senhorita apressada. Estou quase terminando. – Alice respondeu.
— Qualquer coisa pode deixar para lá Alice. Não precisa se desgastar tanto comigo... – Mamãe começou a dizer, mas Alice logo a interrompeu.
— Não de atenção a ela tia Esme. Bella simplesmente gosta de interromper quando estou trabalhando, mas fique tranquila que já estou terminando.
— Tudo bem querida, só não quero atrasá-las.
— Não se preocupe mamãe, temos tempo ainda. Apenas queria saber como estão às coisas. – Ambas assentiram, enquanto Alice realmente termina de maquiar mamãe.
Por conta do tempo que ambas estão passando sozinhas na pousada, com o jeito espontâneo de Alice e o bônus de mamãe ter sido amiga dos pais dela e de Edward, a aproximação das duas aconteceu gradualmente.
Quando cheguei do Antiquário no primeiro dia de ambas sozinhas, já encontrei Alice chamando mamãe de tia. E deixando claro aos quatro ventos que o privilégio é apenas seu, que Edward terá que tratá-la pelo nome ou sogra, mas a tia Esme é exclusiva dela. Sorri ao ouvi-la falar assim e fiquei contente por vê-las mostrando essa conexão.
E agora poderei apresentar mais um aspecto dessa nova vida a minha mãe. Levá-la ao Pub é praticamente a realização de um sonho, pois como ela mesma já comentou que sempre acompanhou tudo apenas através dos meus e-mails e agora finalmente verá Edward e eu tocando.
Assim como me surpreendi ao saber de sua conexão com a música e toda a história com o vovô e apesar de sermos próximas, minhas composições sempre foram segredo. Uma válvula de escape das situações rotineiras e apenas depois de chegar aqui e conhecer Edward foi que me abri para mostrar minhas músicas e descobri também à aptidão para o canto.
E agora finalmente minha mãe poderá ver esse outro lado meu.
— E estamos prontas. – Alice falou.
— Muito obrigada por tudo querida. Já podemos descer Bella.
— Que ótimo mamãe e a senhora está linda. – Comentei.
— Assim como vocês duas. Mas vamos que até eu já estou ansiosa para chegar ao Pub, conhecer o restante dos seus amigos e o lugar como um tudo.
— Pois vamos. – Saímos do meu quarto em direção à sala.
Ao chegar, como já é quase rotineiro, encontramos Edward e Jasper a nossa espera.
— Tia Esme, quero apresentá-la ao meu namorado Jasper Hale. Sei que a senhora tende a achar que o Edward é o melhor namorado do mundo, mas engana-se, porque o melhor é o meu Jas. E Jas, essa é minha querida tia Esme Swan, que por acaso também é a mãe da Bella.
— Muito prazer Sra. Swan. – Jas disse lhe estendendo a mão.
— Ah não querido, pode me tratar apenas por Esme, retire o senhora. – Mamãe respondeu enquanto retribuiu o cumprimento.
— Além do que, ela ainda é a Srta. Swan, já que o sobrenome vem dos pais e não de um ex-marido. Tia Esme ainda é novíssima e totalmente disponível a conhecer alguém.
— Alice! – Protestei.
— O que foi? Não disse nenhuma mentira, sua mãe é uma mulher linda que se quiser pode muito bem arrumar alguém. – Antes que pudesse refutá-la, mamãe falou.
— Meninas vamos deixar esse assunto de lado que hoje meu único objetivo é ir assistir minha filha e meu genro cantarem. Sendo assim podemos ir?
— É claro Esme. Vamos, pois ao chegar encontraremos Rose e Emm já ansiosos para nos colocar em ação. – Edward falou e saímos da pousada.
Entramos no carro do Jas, Edward na frente, enquanto nós três fomos atrás.
Durante o trajeto mamãe ficou conversando com Jasper e Alice querendo saber mais sobre a sua vida e a relação dos dois, assim nosso tempo foi preenchido até chegar ao Pub.
Ao entrar fomos diretamente até o balcão, onde Emm e Rose estão.
Aos nos ver sorriram e cumprimentaram efusivamente, aproveitei para apresentar mamãe.
— Rose e Emm, essa é minha mãe Esme. E mamãe esses são meus amigos, Rose e Emm.
— É um prazer conhecê-los. Bella falou muito bem de vocês.
— Hum. Ela disse que sou o melhor chefe que já teve na vida? – Emm provocou.
— Hey. Eu sou a melhor chefe que a Bella já teve. Sou chefe em turno duplo. – Rose replicou.
— Vocês dois estão indo muito bem em deixar claro a mãe da Bella como exploram sua única filha que veio dos Estados Unidos para cá. – Jas comentou e rimos.
— Ok, não é essa impressão que queremos passar. É um prazer conhecê-la... – Rose começou.
— Esme, podem me tratar pelo primeiro nome. – Mamãe respondeu.
— Ótimo Esme. Estamos felizes pela sua vinda, espero que aproveite tanto sua estada em nosso amado país, quanto o tempo que passar aqui no Pub.
— Obrigada querida, mas lembre-se que também nasci aqui e não sei se a Inglaterra ainda é um lugar que me atrai os olhos. Porém quanto ao Pub de vocês, a esse sim estou entusiasmada para aproveitar.
— Ora, ora o que temos aqui. Que eu saiba os únicos estrangeiros do grupo somos Bella e eu. E nós somos bons amantes da terra da rainha. Não é Bella? – Emm perguntou e assenti. – E você que nasceu aqui está desdenhando dessa forma desse belíssimo lugar? Não consigo acreditar.
— Ah meu querido. Passei exatamente metade da minha vida fora daqui e posso dizer que fui muito feliz nesses anos vivendo na terra do tio Sam. É fato que tive bons momentos aqui também, mas por enquanto a balança está pendendo um pouco mais para o lado de lá.
— Pois é nossa missão apresentá-la as melhores coisas daqui para que volte a admirar esse lugar como um verdadeiro lar. Jasper e Alice levem Esme até a mesa. Edward, Bella e Rose, mãos a obra. Vamos trabalhar mais do que bem essa noite para proporcionar o melhor serviço de toda Londres e deixar nossa convidada impressionada. Agora vamos, vamos. – Como soldados em serviço seguimos as ordens do Emm em prontidão, mas ao mesmo tempo rindo de tudo que nosso amigo falou.
— Mamãe estarei aqui atrás do balcão, mas qualquer coisa que precisar é só chamar.
— Relaxa Bella cuidaremos bem da sua mãe e você ficará de olho nela por todo o tempo. – Jas falou já indicando nossa mesa oficial no Pub para que mamãe o seguisse, mas antes que Alice fizesse o mesmo a puxei para falar.
— Nada de ficar colocando ideias bobas na cabeça da minha mãe.
— Você diz isso referente ao assunto do namorado?
— Sim.
— Não acredito que estou ouvindo isso de você Bella.
— Alice entenda. Não estou bancando a filha ciumenta, minha mãe já teve alguns namoros durante a vida e realente não me importei, pois quero vê-la feliz. Mas nesse momento acredito que não é o que ela procura. Mamãe já tem muitas questões na cabeça para ainda lidar com um possível romance. Além do mais, não sabemos ao certo quanto tempo ela ficará de fato e nem todos lidam bem com um amor de verão, sendo assim só não insista nesse tipo de assunto, pode ser? Ao menos não por enquanto.
— Tudo bem Bella. Só fiz uma brincadeira não darei uma de casamenteira com a sua mãe, pode ficar tranquila. – Ela falou e saiu.
Exasperei cansada vendo que talvez tenha exagerado, só espero que ela me desculpe depois.
Enquanto isso passei para trás do balcão, peguei meu avental começando meus afazeres.
— O que houve entre você e Alice? – Rose questionou quando parou do meu lado.
— Ela fez uma brincadeira envolvendo minha mãe conhecer alguns homens e agora quando fui pedir para que não repita isso, posso ter sido um pouco grossa.
— Se percebeu sozinha que talvez tenha passado do ponto já é alguma coisa. Depois é só se desculpar e as coisas ficarão bem.
— É o que espero.
— Acredite em mim, vai sim. Mas primeiramente, porque se chateou com isso?
— Não sei bem, foi meio instintivo. Você sabe que nunca engoli a forma que a história dos meus pais terminou. E agora Edward e eu estamos empenhados em descobrir o que houve. Então ainda que saiba que é totalmente sem sentido pensar nisso, meu pai também já voltou com a Carmen, só não quis pensar na minha mãe também seguindo em frente com outra pessoa. Você não viu Rose, mas Edward e eu sim, e ainda tem uma faísca entre eles, uma grande faísca.
— Olha Bella, você sabe que conta com meu apoio em praticamente tudo que faz. E que se existe algo a ser descoberto na história deles, pois então faça o que seu coração pede. Porém tenha ciência que as coisas podem terminar de maneiras diferentes do que espera, então é melhor ter isso em mente desde agora para não se magoar mais para frente.
— Você está certa. Acho que isso foi um episódio isolado, pedirei desculpas a Alice depois e seguirei em frente. O foco é descobrir a verdade, o que acontecer depois disso dependerá apenas dos dois. – Ela assentiu e continuamos a cuidar dos afazeres.
Servindo drinques, entregando pedidos e bebidas, interagindo com Emm e Edward quando se aproximavam do balcão, enfim questões rotineiras.
Tudo ia bem até que vi Rose cerrar os dentes olhando na direção da entrada, sem entender o que está acontecendo olhei também e compreendi o motivo, já que imediatamente assumi a mesma posição.
— O que ela está fazendo aqui? – Murmurei.
— Infelizmente o Pub ainda é público e não colocamos uma placa lá fora dizendo que é proibida a entrada de vadias. Mas é algo que estou pensando em fazer. – Rose retrucou.
Observamos Irina e mais algumas moças, que suspeitei serem suas amigas, indo em direção a uma mesa, elas sentaram e logo um dos garçons apareceu para lhes servir.
Percebi que ela notou Edward circulando pelo espaço e que ele assim como nós tomou um susto quando também a viu, mas contrariando o que esperava, não fez menção alguma de ao menos falar com ele, apenas virou para as amigas continuando a interação.
Melhor assim...
— Pode ficar tranquila Bella, ficarei de olho. Um passo em falso e a coloco para fora sem pensar duas vezes.
— Tudo bem Rose. Papai falou que Carmen conversou com ela e a informação passada é que não tentará mais nada conosco, vamos esperar que seja verdade. Além do que, não é a primeira vez que ela vem ao Pub, sendo assim podemos acreditar que ela voltou pelo lugar e não apenas para nos importunar.
— Veremos. – Ela deu de ombros.
Quando virei para entregar um pedido Edward apareceu no meu campo de visão, me chamou com o dedo e me estiquei para lhe dar um selinho.
— Você já viu quem está aqui, não é?
— Sim.
— Acha que ela será um problema?
— De coração espero que não. Hoje é a primeira vez que minha mãe vem aqui, tudo está tão legal, preparamos canções tão incríveis. Só quero que a noite termine como começou. Mas só saberemos disso com certeza, quando chegar ao fim.
— Que filosófica é minha namorada. Mas também espero que nossa noite continue boa. Agora vou voltar ao trabalho antes que Emm apareça com suas ordens de general. – Sorrimos e ele saiu indo até a próxima mesa, enquanto passei a servir o próximo cliente.
O restante da noite passou conforme desejamos.
Percebi que mamãe está se divertindo ao lado de Alice e Jasper, em contra partida Irina também parece estar entretida com suas amigas sem ao menos ligar para nós.
Com isso no momento de subir ao palco minha energia estava mais do que elevada.
Edward e eu já estamos sentados, então falei com o público pela primeira vez na noite.
— Boa noite a todos. Obrigada por terem escolhido o Pub para se divertir, espero que estejam gostando de tudo e gostem ainda mais do nosso show. – Ouvi gritos animados. – Entre tantas noites especiais que passamos aqui, essa ficará marcada, pois é a primeira vez que minha mãe me verá cantar, não só em frente a outras pessoas, mas cantar no sentido geral da palavra. Totalmente sem pressão. – Comentei e todos riram.
— Se a Bella está nervosa em cantar pela primeira vez na frente da mãe. Como vocês acham que estou em cantar em frente à sogra? – Nesse momento até eu ri em ouvi-lo.
Ele mexeu uma última vez no teclado, ajeitei o microfone e com uma troca de olhares, finalizou.
— Aproveitem sem moderação, começaremos hoje com...
Há tempos
Eu juro, eu sei que você está aqui
Eu esqueço os meus medos
Sentindo você meu querido.
Vendo você perto de mim
Eu vejo minhas esperanças
E o que o futuro trará
Quando você enrolar-me em suas asas.
E me levar para onde você está
Onde você e eu estaremos juntos
Mais uma vez, dançaremos a luz do luar
Como costumávamos fazer
E você estará sorrindo para mim
Só então eu serei livre
Quando eu posso ser, onde você está.
Eu posso ver seu rosto
Seus beijos ainda consigo sentir
Não se apagaram da minha memória
Oh, como eu vejo sua estrela
Brilhando para mim
Eu faria qualquer coisa
Se eu pudesse... Estar certa de onde você está.
Onde você e eu respiraremos juntos
Mais uma vez, dançaremos a luz do luar
Como costumávamos fazer
E você estará sorrindo para mim (E você estará sorrindo para mim).
Só então eu serei livre
Então eu serei livre, então me leve onde você está.
Agora baby, há momentos que de forma egoísta
Eu achava que você estava aqui comigo
Então posso enxugar as lágrimas dos seus olhos e te fazer ver.
Que todas as noites quando você está sonhando
Eu estou aqui te protegendo de longe
E todas as vezes que me sinto sozinho
Fecho os olhos e sonho onde você está...
Eu particularmente não conhecia a música antes, Edward que me apresentou a ela, mas hoje sinto uma conexão tão grande com a mesma, que não via a hora de podermos cantá-la juntos e estou adorando o resultado...
Onde você e eu respiraremos juntos
Mais uma vez dançaremos a luz do luar
E você estará sorrindo para mim
Só então eu serei livre
Então eu serei livre.
Querido, eu ainda acredito
Oh, eu tenho que acreditar
Que tocarei você naquele doce dia.
Que você me pegará lá.
Oh eu ainda acredito
Oh, eu tenho que acreditar
Que tocarei você naquele doce dia.
Que você me pegará lá.
Onde você está, oh onde você está!
Eu ainda acredito...
Ao encerrarmos a canção ouvimos aplausos e percebi como todos também parecem envolvidos na energia que a música emana.
Geralmente gostamos de começar com algo mais animado, mas hoje não resisti em pedir a Edward para entrarmos com uma balada e parece que a mesma conquistou a todos.
Contente com essa perspectiva vi Edward dar a introdução da próxima música, então me concentrei para continuar o show...
Quando terminamos, bem animados com tudo, agradecemos a todos e descemos indo até nossa mesa. Assim que chegamos mamãe que já nos aguardava de pé e puxou nós dois para um abraço.
— Meu Deus vocês são simplesmente incríveis. Nunca vi nada tão lindo, amei todas as músicas escolhidas, mas também adorei a parte que atendem aos pedidos. Não sei como conseguem estar preparados para situações assim e ainda executam tudo com perfeição. Já quero ouvi-los sempre de forma repetida.
— Obrigada mamãe. Fico muito feliz que tenha gostado.
— Como não gostar? Vocês, ai já estou sem palavras, amei os dois de igual maneira. Vocês se completam tão bem, até quando um não está cantando simplesmente planam ao redor do outro irradiando tudo que a música quer dizer, é perfeito.
— Acho que agora vocês tem oficialmente uma nova fã. – Rose brincou.
— E você disse que quer ouvi-los sempre Esme, pois é só vir ao Pub todos os dias de apresentações. Que até virarem estrelas conceituadas pelo RAM, a presença deles continua garantida. – Emm falou e rimos.
Após o momento de euforia da mamãe, sentamos um pouco continuando a conversar.
— Agora estou arrependida de não ter pedido uma música, mas quem sabe na próxima.
— Não se preocupe Esme. Os acompanhamos há meses e até hoje nunca tivemos coragem de pedir uma musiquinha sequer. – Jas respondeu a lamúria da mamãe.
— Isso é verdade. Mas já recebemos músicas dedicadas a nós, o que achei mais emocionante ainda do que pedir. – Alice comentou e mamãe quis saber quando o ocorrido aconteceu.
Eles contaram sobre o dia que começaram a namorar e que lhes dedicamos uma canção.
— Engraçado. Para Jasper e Alice vocês dedicam música e para nós não. Qual é? Isso está errado. – Emm reclamou.
— Dessa vez tenho que concordar com Emm. Vocês também já tocaram uma música especial para o Carlisle e para nós ainda nada. – Rose completou.
— No caso do meu pai ele meio que escolheu a música. Se pedirem algo, com certeza cantaremos. – Falei.
— Porém para que não haja mais choros. Prometemos pensar em alguma música bem especial e um dia dedicá-la a vocês. Pode ser? – Edward soltou a ideia e nosso casal de amigos pareceu ficar satisfeito.
Enquanto prosseguimos com a conversa, observei o instante em que Irina e suas amigas levantaram para ir embora. Nesse instante trocamos olhares, mas ela não fez gesto algum de cumprimento, apenas prosseguiu seguindo seu caminho, melhor assim.
— Agora já podemos concluir que tivemos uma ótima noite? – Edward murmurou para que só eu ouvisse.
— Sim, já podemos comemorar a excelência da noite. – Lhe dei um selinho e em seguida voltei a prestar atenção em nossos amigos, contente com o rumo das coisas...
***
— Está ansiosa mamãe?
— Sim, porém nesse momento sinto que estou mais nervosa do que ansiosa de fato.
— Mas não fique. Vovó e vovô ficarão felicíssimos em vê-la, confie em mim.
— Queria ter sua confiança querida, mas infelizmente nesse caso as probabilidades estão contra mim. – Entrelacei nossas mãos em sinal de conforto, enquanto o táxi segue até a casa dos meus avós.
Acabamos optando por não contar-lhes de prévia que minha mãe está aqui.
Ontem liguei para vovó e perguntei se poderia almoçar com eles hoje, ela de pronto disse aceitou, agora estou indo com a mamãe e realmente espero que as coisas fiquem bem.
Por conta da ansiedade mamãe não voltou ao Pub ontem, apesar de ter adorado a experiência na sexta-feira, ela preferiu deixar para aproveitar novamente na semana que vem.
Ontem também foi o dia que Edward e eu ficamos sabendo que dia a prova da Universidade de Londres acontecerá. A mesma será no primeiro domingo de Agosto, nos dando um mês para estudar de forma intensiva.
Com isso em mente programamos um esquema de estudos, dividindo horários entre a semana ao chegarmos do trabalho, o que diminuirá nosso tempo para o ensaio focado nas apresentações do Pub, mas por conta de tudo que já fizemos, acreditamos que conseguiremos dar conta do recado com apenas um dia reservado para o mesmo.
E os fins de semana estarão reservados em suma para a maratona de estudos. Conversamos com Alice e Jasper e já que os dois também estão passando por suas próprias provas universitárias, concluímos que seria uma boa estudarmos juntos nesse período.
Ambos toparam de imediato e acertamos para começar no fim de semana que vem, já que ontem já perdemos boa parte do dia e também tinha esse almoço marcado, mamãe até quis cancelar para já começarmos tudo agora. Porém fui enfática em colocar essa situação como prioridade.
Quando conversei com Alice sobre os estudos aproveitei para me desculpar pela forma com que lidei com o que ela falou e expliquei-lhe meus pontos. Ela reiterou que o comentário não passou de uma brincadeira, mas que está na torcida para que descubra uma verdade que ocasione no perdão entre meus pais e quem sabe uma possível volta, pois segundo ela, os dois formam mesmo um bonito casal.
Grata por tudo ter ficado esclarecido pude focar meus pensamentos apenas na questão que enfrentarei de pronto com o reencontro entre a mamãe e meus avós.
O táxi parou, pagamos a corrida e descemos.
Percebi os olhos da mamãe marejando ao reconhecer a casa que morou durante metade da vida, como comentou no Pub.
Ela realmente tem um divisão clara de vida. Metade da mesma foi à menina sonhadora, boa filha, futuro prodígio dos Swans. E a outra metade tem sido Esme mãe, trabalhadora, determinada e única detentora do seu destino.
Imagino como esse momento deve ser conflitante para ela. Voltar aqui tendo a possibilidade de religar esses dois lados de sua vida. Espero só que tudo caminhe bem.
— Podemos entrar? – Perguntei e ela pareceu sair do transe e assentiu.
Passamos pelo portão da frente atravessando o jardim até parar em frente à porta principal, apertei a campainha e esperamos para ser recepcionadas.
Geralmente quando chego vovó é quem atende a porta, mas hoje vovô foi o primeiro rosto que vimos aparecer.
— Não pode ser.— Foram suas primeiras palavras ao enxergar minha mãe.
— Olá papai.— Ela respondeu, mas nenhum dos dois parece capaz de expressar outra reação, portanto resolvi intervir.
— Oi vovô. Podemos entrar?
— Hum, sim claro, entrem. – Ele abriu mais a porta para passarmos.
— Onde está a vovó?
— Lá em cima, ela já irá descer.
— E como os senhores estão? Passaram bem? – Ele apenas assentiu.
Vi que não será fácil fazê-lo interagir mais do que isso, então decidi esperar pela chegada da vovó para ver o que mais pode acontecer.
A mesma não demorou a aparecer em nosso campo de visão descendo as escadas, vovó estacou quando viu minha mãe, mas diferente do vovô não permaneceu em transe por tanto tempo e pegando a todos de surpresa disparou até ter mamãe em seus braços.
— Ah minha filha que saudades de você. Meu Deus, obrigada por essa graça, ter minha filha novamente em meus braços. Esse com certeza já é o melhor ano da minha vida. Primeiro conhecemos Bella e agora tenho minha filha de volta, já não preciso pedir mais nada. – O monólogo da vovó foi feito entre choro, porém mesmo assim consegui entender e me emocionar.
Quando se afastaram um pouco, mamãe respondeu.
— Também estou feliz em revê-la mãe. A senhora está muito bem.
— Ah minha filha quem está bem é você. Olhe só, tão bonita. A última vez que a vi era apenas uma menina tal qual nossa Bella e agora veja a mulher maravilhosa que se tornou. Tenho tanto orgulho de você Esme, você não tem nem ideia.
— Obrigada mamãe. – Vovó parece hipnotizada e entendo bem seu sentimento diante de tudo. Ela soltou minha mãe por um instante para me cumprimentar.
— Minha linda, tenho tanto a lhe agradecer também. – Falou durante o abraço.
— Mas porque vovó?
— Por ter decido vir até a Inglaterra, por nos procurar e proporcionar a Charlie e eu a alegria de ser avós. E agora trazer de volta nossa filha. Tudo isso só está acontecendo porque você tomou uma decisão que mudou o curso de tudo minha querida e por conta disso sempre seremos gratos a você.
— Vovó não tem o que agradecer. Diante de tudo quem ganhou mais fui eu, pode ter certeza. – Ela sorriu fazendo um carinho em meu rosto.
— Mas sentem. O que estamos esperando? – Vovó disse e o fizemos.
Vovô ainda em silêncio sentou em sua costumeira poltrona, enquanto nos acomodamos em um dos sofás.
— Agora nos conte querida, quando chegou e porque não avisaram que estava vindo? Poderia ter caprichado mais no almoço.
— Não precisa se preocupar mamãe, tenho certeza que o que fez estará delicioso e tenho que confessar que senti falta da sua comida.
— Ah querida não seja modesta. Bella nos contou que você virou uma chef, não tenho dúvidas que hoje em dia deve cozinhar muito melhor do que eu. – Vovó comentou.
— Posso cozinhar para vocês um dia para saber se aprovam minha culinária. Mas tenho que dizer que não há nada no mundo como comida de mãe.
— Concordo totalmente. – Falei.
— Mas mamãe, minha vinda foi uma surpresa não só para os senhores, como para todos. Nem Bella estava sabendo. Porém cheguei quarta de manhã e desde então tenho ficado na pousada com Bella. E quando decidimos vir vê-los também quis que fosse uma surpresa, só espero que tenha sido boa.
— A melhor possível querida, não tenha dúvidas. E você veio passar apenas para visitar ou seria uma vinda definitiva...
— Não mamãe, ainda não tenho data para voltar, porém não vim em definitivo. Estava com saudades da minha filha e também quis aproveitar para vê-los e restaurar algumas partes do meu passado, mas tenho uma vida nos EUA e não penso em me desfazer dela. – Vi os ombros de vovó caírem e posso ter ouvido um bufo do vovô que até o momento continuava silencioso demais.
Também não me agrada ouvir isso, mas assim como mãe entendeu que nesse momento minha jornada está estabelecida aqui na Inglaterra, também tenho que compreender que ela conquistou coisas demais nos EUA para simplesmente abrir mão assim.
— Eu entendo querida, mas o importante é que está aqui e pelo tempo que ficar espero que possamos nos ver com uma frequência satisfatória.
— É o que espero também mamãe. Mas me conte mais sobre como estão às coisas aqui, quero saber de tudo. – Assim as duas entraram em uma conversa descontraída, fazia pequenos comentários quando necessário, mas estou mais interessada em vê-las interagindo vendo a felicidade nos olhos da vovó, assim como o conforto nos da minha mãe.
Apenas vovô permaneceu o mesmo e tenho medo de pensar que talvez ele não esteja tão disposto a aceitar a volta da mamãe e o que isso pode acarretar para a convivência de todos.
Próximo à hora do almoço vovó indicou que irá cuidar das coisas na cozinha e mamãe a acompanhou, disse que as seguirei em breve, mas fiquei para conversar com vovô.
— Vovô.
— Sim Bella?
— O senhor ficará durante toda nossa visita sem falar nada? – Soltei logo de uma vez.
Ele ofegou e arregalou os olhos, aproveitei que consegui tirar uma reação sua para falar tudo que penso de uma vez.
— Vovô escute. Sei que é estranho mamãe estar aqui e ela e a vovó já estarem agindo como se mamãe tivesse passado 20h fora de casa e não 20 anos. Acredite eu sei. Também não sei se foi a melhor ideia não termos avisado antes de vir, mas como o senhor bem ouviu a surpresa foi até para mim, então estamos todos no mesmo barco. Sei que pode haver mágoas entre vocês e é claro que alguns assuntos devem ser discutidos, mas tenha em mente que assim como a mamãe errou em sumir e nunca mais dar notícias, os senhores também o fizeram quando não a apoiaram o que ocasionou a saída dela. – Ele fez menção de me interromper, mas o parei. – Por favor, só continue me ouvindo. Isso é algo que uma hora ou outra terá que ser conversado e espero de coração que após essa conversa as coisas se resolvam em definitivo. Porque a mamãe está aqui agora, mas não sabemos por quanto tempo ficará e se algum dia voltará a pisar os pés novamente na Inglaterra. Então ao invés de agir como se ela não estivesse aqui, quando ela está, que tal tentar deixar o passado para trás e simplesmente seguir adiante com o presente feliz em que estamos? Isso é algo que aprendi por experiência própria.
— A que se refere?
— Ao meu próprio pai. Sei que o passado deles é conturbado, houveram erros da parte de todos, sem exceção. Mas já imaginava algo assim antes mesmo de decidir cruzar o oceano a sua procura e quando o encontrei escolhi viver o presente e aceitá-lo em minha vida com seus defeitos e qualidades, pois queria ter um pai e certo ou errado Carlisle é esse pai. E hoje que estamos juntos só posso ficar contente, tanto pela decisão de ter vindo procurá-lo, quanto de aceitá-lo em minha vida apesar de tudo. Então pense bem vovô, será que uma possível mágoa pode ser maior do que todo amor e saudades da sua filha? – Terminei de falar e ele abaixou a cabeça.
Sei que deve ser duro ouvir tudo isso, mas precisava dizer o que pensava.
Levantei para sair da sala, mas antes ele me chamou.
— Bella?
— Sim?
— Edward não quis vir com vocês hoje? – Sorri diante do seu questionamento.
— Não vovô, ele achou que hoje era uma ocasião só para a família.
— Certo.
— Mas mandou lembranças ao senhor e a vovó, prometo que em uma próxima ele virá, sim? – Vovô assentiu. – Então quem sabe poderemos sair para andar de bicicleta, nós quatro, o que acha?
— Acho ótimo querida. – Sorri.
Conforme conversamos naquele dia, meu avô comprou uma bicicleta para andar com a avó. Durante nossas ligações ela costuma comentar como adora sair de tarde para passear com o vovô, ou como ele também gosta de dar umas voltas sozinho pela manhã.
Sempre que a ouço falar sobre esses momentos meu coração se enche de alegria por saber que participo ainda que em uma mínima parte dessas conquistas.
Aproveitando que estou em frente ao vovô abaixei para lhe dar um beijo no rosto.
— Amo o senhor vovô.
— Também amo você querida. Obrigado por tudo.
— Não tem o que agradecer, vou até a cozinha ver como as coisas estão. O senhor ficará ai?
— Sim, daqui a pouco irei. – Assenti.
O deixei sozinho com seus próprios pensamentos, torcendo para que os mesmos produzam boas reflexões...
Ao entrar na cozinha vi que vovó estava terminando o almoço com a ajuda da mamãe e adorei observá-las interagindo dessa forma. Não tentei nem ao menos oferecer ajuda, pois sabia que ambas recusariam, então me prontifiquei apenas a arrumar a mesa.
Quando tudo estava pronto, parecendo ter um reloginho interno vovô juntou-se a nós. A refeição estava maravilhosa e após elogiar a mesma entramos no silêncio costumeiro, então ainda não tenho ideia de como vovô agirá a partir de agora.
Após terminarmos a refeição e deixar a cozinha arrumada voltamos à sala e a tarde se seguiu.
Vovô não permaneceu em silêncio como durante a manhã, mas também não estava tão falante como nas outras vezes em que o vi, mas pelo menos senti que está se esforçando.
Ele comenta mais quando vovó e eu interagimos na conversa, mas quando mamãe guia a mesma ele se abstém de maiores comentários. No contexto geral o dia terminou com saldo positivo. E como sei que mamãe está disposta a manter a proximidade com os dois, acredito que com o tempo eles podem sanar as mágoas e estabelecer novamente uma boa relação.
Ao nos despedir vovó me abraçou de modo forte e querido, fazendo depois o mesmo com a mamãe.
Vovô a sua maneira também demonstrou seu carinho durante nosso abraço e quando chegou à hora de se despedir da mamãe, nada falou, mas a abraçou também e finalizou a despedida com um beijo em sua testa.
Percebi o quanto o gesto significou para ela, ao sairmos da casa e entrar no táxi a vi tentando reprimir algumas lágrimas.
— A senhora conhece o vovô melhor do que eu mãe, então sabe que essa pose de durão é mais fachada do que qualquer outra coisa. De tempo ao tempo, que as coisas na hora certa acontecerão. – Comentei.
— Às vezes ainda não consigo acreditar que tenho mesmo uma filha como você, é sorte demais para uma mãe.
— Porque diz isso?
— Porque você é especial. Realmente a luz da minha vida e é em momentos assim que comprovo que fiz as escolhas certas por você. Que mesmo em meio a tudo sempre foi meu melhor presente. Obrigada por tudo filha, contar com seu apoio nesse momento é o que preciso para seguir em frente.
— A senhora sabe que pode contar comigo sempre mãe, assim como sempre pude contar com a senhora. Somos um time. Hoje não estamos mais sozinhas, porém sempre seremos as Garotas Swans contra o mundo. – Mamãe riu ao me ouvir citar o nome que inventamos quando era criança e literalmente só podíamos contar uma com a outra. – Eu te amo mãe e tudo dará certo, a senhora verá.
— Eu também te amo Bella, muito. E vamos torcer para que tudo dê certo mesmo. – Assenti e me recostei em seu ombro enquanto seguimos viagem torcendo realmente para que tanto sua vida quanto a minha sigam para o caminho certo...
***
Eu amo minha mãe, muito. Sério mesmo, de todo o coração. Mas nessa última semana ela estava para nos enlouquecer...
A semana foi corrida, por conta do início da nossa maratona de estudos, o tempo em casa está sendo quase que totalmente usado em função dos mesmos e quando não estamos estudando questões acadêmicas, praticamos também a parte musical para não deixar nada perder o foco, ou seja, ter tempo para Edward e eu usufruirmos como casal já era praticamente impossível em meio a essa correria toda, mas sempre podíamos dar um jeito, roubar um beijo entre um ensaio ou outro, tentar algo a mais durante a hora de estudos no quarto, tudo isso poderia dar certo, se não fosse um fator importante, a presença constante da minha mãe!
O único momento em que não está conosco é quando saímos para trabalhar, porque do instante que entramos na pousada, até sair na manhã seguinte, mamãe age tal qual nossa sombra.
Sei que sua intenção não era ruim, ela realmente fica fascinada de nos ver ensaiar e por ter conhecimento musical também, apesar de tentar veemente negá-lo, às vezes da boas dicas nas execuções que fazemos.
Também quando está conosco durante os estudos nos ajuda no que pode. E durante boa parte do tempo não nos incomodamos, de verdade. Edward mesmo deixa isso claro, não só para ela, mas também quando estamos a sós, quero dizer durante o percurso até o trabalho e na volta do mesmo, pois na pousada isso é impossível.
Porém tê-la nos ajudando ou apenas observando na maioria do tempo não é de todo mal, porque realmente estamos focados seriamente na questão da universidade. Mas não foi nem uma vez ou duas que começamos uma sessão de beijos e ela aparece interrompendo-nos, questionando se queremos ajuda com alguma coisa, algo para comer, ou apenas perguntando se pode ficar conosco. Diante disso o clima vai embora e cordialmente aceitamos sua presença e auxílio.
Sei também que não está sendo fácil para ela ficar ali o dia todo sem fazer praticamente nada. Quando pode Alice passa tempo com ela e vovó também é uma ótima anfitriã, porém ambas ainda tem suas vidas para tocar e não podem entreter mamãe por todo o tempo.
Pensando nisso entendo que ela encontra não só uma oportunidade de ser útil, como também um meio de ficarmos juntas, levando em conta que nunca tínhamos nos separado e o tempo que passamos longe desde que viajei, é de entender o porquê de tudo.
Ontem ela declinou do convite de vir ao Pub, prometendo comparecer hoje e assim o fez. Nesse momento está na mesa com Jas e Alice, enquanto faço meu trabalho no bar.
Apesar da saudade imensa de ficar a sós com Edward e de saber que em algum momento terei que conversar com ela sobre a situação que estamos vivendo, agora não posso deixar de sorrir ao vê-la participando da minha vida.
Fui à dispensa buscar mais copos ao voltar tomei um susto ao ver papai em frente ao balcão.
— Pai.
— Oi querida como está?
— Bem e o senhor? – Inclinei para lhe dei um beijo no rosto.
— Bem também.
— Tenho que dizer. Estou feliz em vê-lo, mas também surpresa. Faz tempo que o senhor não vem ao Pub.
— Pois é. Por isso resolvi aproveitar o sábado de folga e curtir a noite em um lugar legal, além do bônus que é ver minha filha e meu genro tocarem. – Sorri.
— Entendo, pois fez muito bem. Espero que a noite seja realmente proveitosa. – Respondi.
Nesse momento Rose que também tinha saído para ir a cozinha apareceu.
— Carlisle, que bom vê-lo aqui.
— Olá Rosalie, como vai?
— Bem e você?
— Bem também obrigado. Estava comentando com Bella que vim curtir a noite. Será que fiz bem?
— Mais do que bem, sabe que é sempre bem vindo.
— Obrigado. Saiba que é por conta do serviço excelente que gosto de voltar. – Sorrimos.
— Que ótimo, pois nosso lema é servir bem, para servir sempre. – Rose brincou.
Nesse instante Alice também apareceu no balcão.
— Oi Carlisle, que bom vê-lo.
— Olá Alice, igualmente. Estou com sorte hoje sendo agraciado pela companhia das jovens mais bonitas do local.
— Ah Carlisle não seja tão charmoso assim. Somos comprometidas e Bella nos mataria se nos apaixonássemos por você. – Rose falou e rimos.
— Não disse mais do que a verdade. Agora vou pegar uma mesa e deixá-las conversar.
— Tudo bem papai, pode ir que daqui a pouco alguém passará para atendê-lo.
— Carlisle porque vai procurar uma mesa? Venha sentar conosco. – Alice ofereceu e a olhei consternada.
— Se não for um incomodo para você e Jasper, aceito a oferta com prazer. – Papai respondeu entusiasmado.
— Então papai, é que Jas e Alice não estão sozinhos. A mamãe está aqui também e está sentada com eles. – Falei.
— Ah entendo...
— Mas não vejo problema algum nisso. Porque sentar separados quando podemos criar um grande e carismático grupo? – Papai tentou negar, mas Alice prontamente o interrompeu. – Não, você já aceitou e não deixarei que recuse agora. Venha, vamos falar com Jas e a tia Esme.
— Tia Esme? – Inquiriu.
— Sim. Acho que deveria passar a chamá-lo de tio também, já que assim como ela, você também era amigo dos meus pais. Pensarei nisso, mas vamos. – Alice saiu arrastando papai consigo e só pude torcer para que isso não acabe mal.
— Alice consegue ser uma força da natureza quando quer. Mas acho que a ideia foi boa. Seus pais não serão hostis na frente dela e Jasper, sendo assim terão que se tratar de forma civilizada, o que pode ocasionar em algo bom para ambos. – Rose falou quando ficamos sozinhas.
— É pode ser, vou torcer por isso. – Respondi enquanto os observei chegar à mesa.
Jas levantou para cumprimentar meu pai e mamãe pareceu surpresa por vê-lo, mas logo se recompôs e fez um gesto que interpretei como que ele podia sentar. Assim ela ficou em uma ponta, com Jas e Alice lado a lado no meio e meu pai na outra extremidade.
Agora seja o que Deus quiser...
Tentei permanecer de olho na mesa o máximo possível, o que não é muito fácil já que o movimento está grande então não tive quase nenhum tempo livre, porém observando de longe e tentando captar os sinais, as coisas parecem ir bem.
As horas passaram até que chegou o momento de Edward e eu nos apresentarmos, quando ele passou por mim depois de ter tirado o avental e trocado a camiseta para podermos subir, comentou.
— Você tem que ficar tranquila e focar aqui. Seus pais estão bem. Confesso que até eu fiquei preocupado quando os vi juntos na mesa, mas passei lá em um momento para servi-los e o clima estava bom. Alice estava falando sobre o colégio e eles estavam interagindo e comentando sobre o tempo que estudaram lá.
— Você jura? – Fiquei surpresa ao ouvir o que contou.
— Sim Baby. Então tente relaxar essa linda mente e vamos entretê-los com nossas maravilhosas vozes. – Sorri e ele me deu um selinho.
Enquanto começamos a nos preparar e Emm faz a costumeira introdução, uma ideia surgiu em minha mente, puxei Edward e lhe expliquei o que desejo fazer.
— Você tem certeza?
— Absoluta. Topa me ajudar nisso? – Devolvi.
— É claro que sim amor. Confio em você e acredito que sua ideia pode funcionar de algum modo.
— Ela vai. – Sorrindo nos posicionamos e iniciamos a apresentação...
Tudo está correndo como o esperado, nossa primeira seleção de músicas agradou a todos e os pedidos da noite estão bem diversificados e animando geral.
Já anunciamos que a canção que estamos cantando será a última dos pedidos, assim quando a encerramos todos começaram a aplaudir com entusiasmo. Vi que meus pais são algumas dessas pessoas que acreditam que já encerraremos.
Não sei se por Emm e Rose terem se juntado a mesa, se foi de propósito ou apenas acaso, mas agora meus pais estão sentados um ao lado do outro na ponta esquerda da mesa, com Jas e Alice ainda no meio e Rose e Emmett na outra ponta.
Não sei o que é ou não uma ação do destino, só o que sei é que estou disposta a fazer minha parte para ajudar em determinada questão. Edward e eu nos olhamos, assenti indicando que ele pode falar, então quando o barulho baixou ele iniciou a conversa.
— Obrigado. Muito obrigado a todos que nos acompanharam até aqui. Dissemos que essa era a última música dos pedidos, porém não será a última música que cantaremos hoje. – O pessoal fez sons de comemoração. – Bom, fico feliz em ver que ainda querem mais uma. Pois bem, Bella e eu escolhemos encerrar a noite com essa canção porque acreditamos na mensagem que ela trás e acreditamos que às vezes precisamos apenas prestar atenção aos sinais do destino. Esperamos que ela toque vocês assim como fez conosco. – Edward finalizou seu monologo e as pessoas no Pub aplaudiram.
Ele iniciou os primeiros acordes.
— Esperamos que gostem... – Conclui.
Eu estava tão errado quanto podia estar
Em deixar você ir para longe de mim
Eu me arrependerei desse lance
Enquanto eu viver
Mas agora que passei a ver mais claramente
Tudo que eu quero é fazer as coisas direito
Então basta dizer a palavra
E me diga que estou perdoado
Você e eu
Seremos melhores do que fomos antes
Eu te amava, mas agora eu pretendo
Me abrir e amá-la ainda mais
Desta vez você pode ter certeza.
Eu nunca vou deixar você ir
Vou te segurar em meus braços para sempre
Vou tentar compensá-la por todas às vezes
Que eu te magoei, então...
Vou abraçar o seu corpo junto ao meu
A partir deste dia, nós estaremos juntos
Oh! Eu juro que desta vez
Eu nunca vou deixar você ir...
Olhando para trás agora
Parece tão claro
Eu tinha tudo quando você estava aqui
Oh! Você deu tudo
E eu não dei valor
Mas se ainda existir algum sentimento em você
Alguma centelha de amor que ainda brilha
Vamos conversar
Vamos conversar sobre segundas chances
Espere e veja
Vai ser mais doce do que foi antes
Eu me entreguei um pouco naquela época, mas agora pretendo
Dedicar-me a dar muito mais
Desta vez você pode ter certeza.
Eu nunca vou deixar você ir
Vou te segurar em meus braços para sempre
Vou tentar compensá-lo por todas às vezes
Que eu te magoei, então...
Vou abraçar o seu corpo junto ao meu
A partir deste dia, nós estaremos juntos
Oh! Eu juro que desta vez
Eu nunca vou deixar você ir...
Durante toda a canção Edward e eu não tiramos o olhar do outro, não só porque a letra exigi esse tipo de entrega, mas porque simplesmente estamos imersos a ela também.
Mas nesse ínfimo instante que paramos de cantar, olhei para a mesa dos nossos amigos e o que vi muito me agradou...
Oh! Se você apenas disser
Que me quer também...
Eu nunca vou deixar você ir
Vou te segurar em meus braços para sempre
Vou tentar compensá-la por todas às vezes
Que eu te magoei, então...
Vou abraçar o seu corpo junto ao meu
A partir deste dia, nós estaremos juntos
Oh! Eu juro que desta vez
Eu nunca vou deixar você ir...
Quando terminamos de cantar ouvimos os aplausos e sorrimos em agradecimento. Edward pegou minha mão e beijou, não contive um sorriso.
Eu realmente amo esse homem e sou uma mulher felizarda por saber que ele me ama da mesma forma.
Com um último olhar para nossa mesa, agradecemos ao público e saímos do palco ficando finalmente fora da vista de todos.
— Acha que pode ter dado certo? – Perguntei quando ficamos a sós.
— Bella só não funcionará caso eles realmente não sintam mais nada um pelo outro, porque do contrário a música falou literalmente tudo que eles precisavam ouvir. – Respondeu.
— Você tem razão. Agora só nos resta esperar. – Ele assentiu.
De mãos dadas fomos até a mesa para ouvir os comentários dos nossos amigos.
Posso dizer que essa foi a primeira e última cartada para tentar reaproxima-los, desde que descobri a fundo o poder que a música tem, procuro me expressar em muitas situações através da mesma. E quando me lembrei dessa canção e percebi que não haveria momento mais propício para passar uma mensagem aos meus pais do que esse, decidi tentar a sorte e com a ajuda de Edward executamos uma apresentação perfeita.
E afinal é como Edward disse...
Só é possível que eles não se sintam impactados caso não tenham mais o mínimo interesse um no outro, porque do contrário nesse momento suas cabeças devem estar cheias de pensamentos incompreensíveis e os corações cheios de sentimentos querendo fluir.
Resta-me agora apenas esperar e torcer para que seja a segunda opção...
CONTINUA.
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