Para Te Encontrar

28 Capítulo 27 - A Volta


Notas iniciais
Boa Noite Meninas. Tiveram uma boa segunda? Espero que sim. Prontas para saber o que acontecerá agora que Esme Swan está de volta a solo inglês? Aviso que muitas emoções estão no caminho desses personagens, vamos acompanhar... Apreciem Sem Moderação. Capítulo Postado Em: 23/03/20

— Quem é? – Questionei enquanto abri um pouco a porta.

— Bella...

— Mamãe?

— Oi querida.

— Mas... Mãe? Como? O que? – Será que ainda estou dormindo e tudo não passa de um sonho?

Fui tirada dos meus delírios quando mamãe me puxou para seus braços confortando-me em um abraço.

Nesse instante entendi que não estou dormindo e que por algum motivo minha mãe está mesmo aqui, na Inglaterra, na pousada, em frente ao meu quarto, me abraçando.

Sei que é real, pois nem nos meus melhores sonhos nosso contato foi tão profundo, seu cheiro, o calor dos seus braços, o conforto no meu coração, finalmente depois de tanto tempo estou novamente com a minha mãe.

— Ah Bella senti tanto sua falta.

— Eu também mamãe, muita. Não consigo acreditar que a senhora está mesmo aqui.

— Eu estou querida e lhe explicarei tudo. – Soltamos do abraço e ela segurou meu rosto enquanto continuou a falar. – Podemos entrar no seu quarto para conversar? – Já ia responder com uma afirmativa quando me toquei que Edward está aqui dentro.

Instantaneamente me posicionei melhor em frente à porta para evitar que ela veja qualquer coisa.

— Então mãe, a senhora não prefere me esperar lá embaixo? Aliás, como a senhora conseguiu entrar?

— Dona Elizabeth me atendeu quando cheguei e após nos conhecermos explicou onde era seu quarto e que podia subir para vê-la.

— Entendi. Mas então ontem deixei meu quarto em um estado tão caótico mamãe, que a senhora nem imagina e como não quero que sua primeira impressão seja de que ao me mudar para virei uma bagunceira, que tal esperar lá embaixo enquanto me troco e dou uma organizada em tudo? Prometo que serei rápida, pois não tenho certeza se conseguirei ficar longe da senhora por qualquer tempo mais. – Falei tentando soar convincente e aproveitei para envolvê-la em mais um abraço.

— Tudo bem querida, sei que minha presença é um choque e que com certeza não estava me esperando. Pode se trocar e organizar suas coisas tranquilamente, te esperarei lá embaixo, enquanto isso ficarei conversando com dona Elizabeth.

— Obrigada mamãe, juro que só preciso de cinco minutos. Ainda nem consigo acreditar que a senhora está mesmo aqui.

— Pode acreditar querida. – Nos separamos e ela começou a caminhar em direção as escadas, acenei, mas quando a perdi de vista entrei de volta no quarto correndo até minha cama para falar com Edward.

— Edward, amor você precisa acordar. – Falei próximo ao seu ouvido.

— Oi?

— Você não vai acreditar em quem está aqui.

— Hum? Aliás, quem era na porta?

Minha mãe.

— O que? – Abriu os olhos.

— Minha mãe Edward, era ela na porta. Ela está aqui.

— Como? Mas por quê? Espera sua mãe não estava nos EUA?

— Sim, mas aparentemente não está mais, porque ela está aqui. Ainda não sei como ou porque, só sei que ela está nesse momento lá embaixo conversando com a vovó. Mas escute, consegui evitar que ela entrasse aqui e te encontrasse lindamente nu na minha cama, mas agora você precisa voltar para o seu quarto, enquanto me arrumo para também.

— Meu Deus, já pensou se ela tivesse me encontrado assim? Que bela primeira impressão seria hein?

— Não tenho dúvidas que você a deixaria impactada. – Sorrimos. – Mas é sério, você precisa levantar e voltar sutilmente para o seu quarto, depois se arrume e desça que de forma decente e apresentável quero que se conheçam.

— Ok meu amor, já estou indo. – Levantou e começou a recolher suas roupas que ficaram espalhadas ontem, vestindo-as.

Enquanto isso realmente fui dando uma organizada no quarto e também procurando algo para vestir.

Por ter tomado banho tarde optei por não fazê-lo de novo por agora, com essa surpresa toda estou sem saber direito como ficará meu dia e dependendo de como as coisas correrem tomo banho antes de sair para trabalhar.

— Pronto Edward, vou descer e te espero lá, sim?

— Pode deixar. – Trocamos um selinho. – E Bella, não sei ainda qual o motivo da sua mãe estar aqui, mas saiba que estou muito feliz por vocês, sei o quanto estavam com saudades uma da outra.

— Obrigada meu amor. Eu te amo.

— Te amo. Agora vá ver sua mãe. – O sorriso não deixou meu rosto, pois ainda parece surreal pensar que minha mãe está aqui, que ao descer as escadas e já irei vê-la.

Edward saiu primeiro seguindo para seu quarto, enquanto isso desci até a recepção e sala a procura da minha mãe.

Aproveitei o percurso para enviar uma mensagem a Alice contando sobre a chegada da mamãe, para que quando a mesma acorde já esteja ciente da novidade do dia.

Quando entrei na sala vi mamãe e vovó conversando, sentadas nas poltronas próximas a janela. Não detive o impulso de caminhar rápido, envolvendo mais uma vez mamãe em um abraço.

— Querida já conseguiu organizar tudo no seu quarto?

— Sim mamãe. – A soltei, abraçando vovó também. – Bom dia vovó.

— Bom dia Isabella Marie. E que dia, não é mesmo?

— Sim. A senhora sabia que minha mãe estava vindo?

— Oh não querida, fui pega tão de surpresa quanto você. – Sorriu.

— Peço perdão se causei algum inconveniente... – Mamãe começou a se explicar, mas vovó logo a interrompeu.

— Imagina Esme, sua chegada é uma alegria para todos, especialmente para nossa Isabella Marie aqui, que estava morrendo de saudades da mãe, não é mesmo querida?

— Sim vovó, muita. – Sentei ao seu lado e ficamos com as mãos entrelaçadas compartilhando sorrisos, mas querendo logo começar a entender as coisas, perguntei.

— Mas como a senhora chegou até aqui mamãe?

— Depois que sai do aeroporto pedi um táxi e vim para cá, por sorte tinha um hóspede saindo quando cheguei e assim logo encontrei com Elizabeth no balcão.

— Confesso que fiquei tão surpresa quanto você Isabella Marie quando ela disse que era sua mãe. Você não tinha comentado nada sobre isso, ontem mesmo estava tentando falar com ela por telefone, então foi um grande choque vê-la aqui.

— Sim é verdade vovó. Por isso tentei tanto falar com a senhora e nada, aposto que enquanto ligava a senhora já estava no avião.

— Provavelmente.

— Eu fiquei preocupada, a senhora não respondeu o e-mail que mandei no sábado e ontem quando tentei a ligação também não tive notícias.

— Sinto muito querida, não queria deixá-la preocupada. Prometo que lhe explicarei tudo. – Assenti sabendo que realmente temos muito que conversar, mas antes de nos aprofundar nos assuntos mais sérios, vimos Edward e Alice entrarem na sala.

— Bom dia. – Disseram juntos.

Levantei caminhando até eles.

— Deixe-me fazer as apresentações formalmente. Edward e Alice, essa é minha mãe, Esme. E mamãe, estes são Edward e Alice.

— É um prazer finalmente vê-los pessoalmente. – Mamãe comentou levantando e caminhando até nós também. – Já os tinha visto por fotos, mas agora olhando pessoalmente consigo notar ainda mais semelhanças com seus pais, especialmente você Alice.

— Obrigada, é sempre bom ouvir que tenho semelhanças com a mamãe. E também é um prazer conhecê-la...

— Pode me tratar apenas por Esme, os dois podem. – Ela e Alice trocaram um abraço.

— E você é ainda mais bonito pessoalmente Edward, Bella está realmente muito bem acompanhada.

— Obrigado, a senhora também é muito bonita.

— Galante como Anthony, não? – Mamãe comentou com a vovó.

— Sim, Edward Anthony tem muito do meu filho, como você disse ambos têm. – Mamãe assentiu.

— Posso te dar um abraço também? – Questionou a Edward.

— É claro. – Eles se abraçaram e quando ela o soltou, disse.

— Não quero parecer uma espécie de velha chata, mas ainda é difícil acreditar que um dia o peguei no colo, você era um bebê muito fofo, tão quietinho. Quando seus pais saiam e o levavam junto não nos preocupávamos com nada, pois você permanecia o tempo todo calmo, especialmente quando ouvia música.

— Até hoje ele se acalma com música. – Alice comentou e sorrimos.

— Sim. Depois quando descobri que estava grávida imaginava você e meu bebê crescendo juntos e sendo amigos, infelizmente isso não aconteceu na época. Seus pais nunca conheceram Bella, mas graças ao destino vocês puderam se encontrar e sou muito feliz em saber que estão juntos. Não poderia querer ninguém melhor para minha filha do que você Edward. – Fiquei emocionada com as palavras da mamãe e percebi que as pessoas ao redor também.

— Obrigado Esme, é realmente gratificante ouvir isso de você. Não só por ser mãe da Bella, mas por ter sido amiga dos meus pais também. Quando ouvimos algo de pessoas que os conheceram, aumenta o sentimento de que estamos vivendo de forma que os deixaria orgulhos. – Edward respondeu.

— Podem confiar que estão. – Ela fez um carinho no rosto de Edward que sorriu.

— Vamos tomar café, tenho certeza que chegou cansada e com fome Esme, vamos comer e depois você poderá subir e descansar um pouco. E vocês – Vovó falou indicando Edward e eu. – Precisam comer para ir trabalhar. E Edward Anthony não tivemos tempo de subir as malas de Esme ainda, você pode fazer isso, por favor? Podemos deixá-las no quarto de Isabella Marie, sim? – Assenti. – Depois siga diretamente até a cozinha.

— Sim senhora vovó.

— Pode deixar que o ajudo. – Alice se prontificou e os dois saíram de vista.

Enquanto isso vovó pediu licença seguindo para a cozinha, mamãe e eu a seguimos, porém mais afastadas.

— Me acomodarei em seu quarto apenas por enquanto querida, depois conversarei com Elizabeth sobre onde ficar. – Mamãe comentou.

— Não tem problema mamãe, é como a vovó disse, descanse, tome um banho e durma, quando chegar do Antiquário resolveremos tudo. Se não soubesse que a senhora realmente precisa desse tempo para se recompor, arriscaria pedir uma folga a Rose.

— Não querida, não faça isso. Você tem seu trabalho, sua vida e rotina e a mesma não deve ser afetada por mim. Como disse conversaremos mais tarde, porém pode seguir com seu dia tranquilamente. Realmente descansarei após sua saída e a noite quando chegar acertamos as coisas.

— Está bem. E mãe independentemente de qualquer coisa. Estou muito feliz por a senhora estar aqui. – A abracei.

— Eu também Bella. Eu também. – Soltamos do abraço entrando na cozinha.

Vovó a instruiu sobre se servir e depois sentamos a nossa mesa de sempre, logo Edward e Alice sentando-se conosco e assim tomamos nosso café.

Procurei terminar rápido, pois ainda tenho que me arrumar para ir trabalhar. Quando estava quase terminando mamãe apareceu e lhe expliquei onde estão às coisas básicas e que a qualquer momento ela podia me ligar.

Com beijos e abraços nos despedimos, desci encontrando Edward a minha espera, subimos na bicicleta e assim deixei a pousada, minha mãe e todas nossas questões para trás, ao menos por enquanto.

— Como você está? – Edward perguntou assim que nos distanciamos um pouco.

— Não sei bem. Feliz obviamente. Mas também um pouco surpresa e em choque. Preocupada. Apreensiva. São sentimentos demais.

— Imagino que sim, mas tente não pensar muito nisso, ao menos por hora. Passe o dia como sempre e quando voltarmos vocês conversam e se acertam.

— Sim, sei que é o que tenho que fazer, mas por enquanto ainda estou com a mente muito nublada. O que a vinda dela quer dizer? Ela veio apenas me ver? Ou quem sabe para ficar? Se for a primeira opção, por quanto tempo ficará? Uma semana? Um mês? Mas e se for à segunda? Como nossas vidas ficarão? Continuaremos morando na pousada? Ou ela vai querer alugar uma casa? E sendo assim terei que ir morar com ela? Mas eu quero isso?

— Bella. Bella. Respira. Meu amor fica calma desse jeito você irá explodir.

— Mas eu estou para explodir! Edward a vinda dela muda tudo e não só comigo. Devo falar aos meus avós que ela chegou? Ela irá procurá-los? E se não, conseguirei conviver com isso? E o meu pai? Dele ela não conseguirá se esconder. Por mais que sonhasse com o reencontro dos dois, agora que as coisas são reais tenho medo do que esse confronto pode causar.

— Bella independentemente do que acontecer essas são questões que eles terão que lidar. É muito provável que sua mãe entre em contato com seus avós, mas caso não queira é um direito dela e a você caberá apenas respeitar a decisão. Porém isso não quer dizer que terá que se afastar dos seus avós. A relação que vocês construíram vai muito além da sua mãe.

— Você tem razão. É só que esses pensamentos vieram como enxurrada na minha mente e não consigo controlá-los. – Ficamos quietos mais um tempo até que questionei. – E sobre o meu pai, o que você acha que pode acontecer? – Ele deu um suspiro antes de responder.

— A situação deles é bem mais complicada, porque querendo ou não sua mãe te escondeu por todos esse anos. Além do que, pelo que sabemos, eles também tem uma história inacabada, então as coisas podem ser mais difíceis. – Assenti em concordância e voltamos a ficar em silêncio pelo restante do caminho.

Quando chegamos ao Antiquário, Edward parou a bicicleta para que eu descesse, mas antes de nos despedirmos, falou.

— Bella, não sabemos o que acontecerá agora, o que a vinda da sua mãe significa para todos, mas independente de qualquer coisa saiba que pode contar comigo para tudo. Somos mais do que namorados. Sou seu amigo e parceiro, estamos juntos para o que der e vier. – Fiz um carinho em seu rosto.

— Às vezes acho que só trago problemas a sua vida e que você faz coisas de mais por mim.

— Shii. Não diga besteiras, você não me trás problema algum. A questão é que seus assuntos também sãos meus, assim como qualquer coisa que aconteça comigo também acabará te afetando. Mas não há mal algum nisso, somos um casal para as coisas boas e ruins.

— Você é incrível demais. Eu te amo.

— Assim como eu amo você.— Nos beijamos e não me importei de estar em local público, tratei de colocar todos meus sentimentos no beijo, pois Edward merece toda e qualquer demonstração de amor e farei até o impossível para que ele seja feliz, assim como ele me faz.

— Tenha um bom dia, qualquer coisa me manda mensagem ou liga. Fica bem e nos vemos mais tarde.

— Você também tenha um ótimo dia e mais uma vez obrigada por tudo, até mais. – Me distanciei, mas fiquei vendo-o sair com a bicicleta até perdê-lo de vista só entrei no Antiquário.

— Olha só o que os bons ventos trazem. Alguém deve ter tido uma noite incrível pela intensidade da despedida, hum? – Rose falou assim que me viu, mas meu rosto deve ter demonstrado que sua ideia está errada, pois logo ela mudou a abordagem. – Bella, o que houve?

— Você não vai acreditar em quem chegou à pousada hoje. – Soltei.

— Quem?

Minha mãe.

— O que? Mas espera. O que? Como assim?

— É isso mesmo, minha mãe está aqui, mas não, ainda não sei de nada, não tivemos tempo de conversar muito, pois ela apareceu no meu quarto logo cedo e desde então estou tentando absorver a ideia de que ela está realmente aqui.

— Caramba Bella, isso é realmente surpreendente. Achei que hoje o dia seria só de comemoração por conta da ida de vocês a universidade e agora você chega com essa bomba. Porém me conte mais, quero os detalhes de tudo, mesmo que você ainda não saiba muita coisa. – Assim comecei a detalhar como as coisas aconteceram.

Acabamos rindo quando comentei que mamãe quase pegou Edward na minha cama pela manhã, mas logo voltamos a ficar sérias enquanto joguei sobre ela os acontecimentos do dia e todas minhas angústias.

Que por mais que saiba que talvez esteja fazendo tempestade em copo d’água e que provavelmente quando conversarmos tudo se resolva ainda sim nesse momento não consigo me controlar.

— Bella concordo com Edward. Você não pode tomar para si a responsabilidade de tudo, sua mãe é adulta e sabe o que faz da vida. Então independente do que a trouxe até aqui e quais sejam seus planos, você não deve se preocupar tanto, pelo menos não ainda, espere até que conversem e ai tome novas conclusões.

— Eu sei, obrigada. Você e Edward me ajudaram muito. Vou tentar desconectar minha mente disso e prosseguir com o dia da forma mais normal possível.

— Isso ai. E para te ajudar a guiar seus pensamentos para outro assunto, deixe-me lembrá-la das novas peças que chegaram ontem e precisam ser catalogadas. – Sorri amarelo, porém feliz ao mesmo tempo, pois sei que isso realmente me tirará dos meus problemas e é só do que preciso no momento.

Como esperado depois da indicação de Rose meu dia foi tão cheio de afazeres que realmente não tive tempo de ficar pensando na mamãe e todas as questões que sua vinda acarreta...

No fim do dia quando Edward passou para me pegar, perguntou como foram às coisas e lhe contei que graças a Rose fiquei tão ocupada que não consegui me distrair com mais nada.

Ele ficou contente por mim e assim fomos até a pousada conversando sobre outros assuntos, pois sabemos que logo a hora de ficar a par de tudo se aproxima.

Quando chegamos á pousada não vimos ninguém à vista, então subimos para nossos quartos na intenção de arrumar-nos antes de descer para jantar, porém ao entrar no meu vi mamãe circulando pelo mesmo.

— Oi querida.

— Oi mamãe. – A cumprimentei com um beijo no rosto.

— Foi tudo bem hoje?

— Sim, tive muito trabalho no Antiquário, mas foi bom. E a senhora como passou o dia?

— Confesso que dormi na maior parte dele, estava realmente cansada. Quando acordei já tinha perdido até a hora do almoço, mas Elizabeth ainda foi muito gentil e providenciou para que comesse aqui no quarto e no restante do tempo procurei tomar banho e ajeitar algumas coisas.

— Que bom mamãe. E falando em tomar banho vou tomar um agora para descermos e jantar. A senhora acha que já tem apetite para a refeição?

— Sabendo o quão boa é a comida de Elizabeth? Não tenha dúvida querida – Sorrimos.

— É verdade, vovó Elizabeth cozinha muito bem mesmo. Porém não se faça de modesta dona Esme, a senhora trabalha em um restaurante, se tem algo que faz bem é cozinhar e confesso que estou com saudades da sua comida também.

— Podemos tentar acesso a alguma cozinha por aqui, caso consigamos a primeira coisa que farei será seu prato favorito.

— Sua lasanha? – Assentiu. – Mamãe só de pensar nisso já fico com água na boca.

— Prometo tentar querida, mas agora vá tomar seu banho, não podemos nos atrasar. Posso ter deixado à Inglaterra há muito tempo, porém não me esqueci da pontualidade britânica. – Concordei com ela e pegando as coisas que precisarei caminhei até o banheiro para tomar meu banho.

Quando sai do banheiro já pronta para descer, encontrei Alice no quarto também conversando com mamãe, então descemos até a cozinha.

Encontramos vovó na mesma que nos saudou quando entramos. Mamãe chegou a oferecer a ajuda, mas já sabendo qual seria a resposta, só dei risada quando vi vovó negar e dizer que mamãe pode esperar a mesa como todos que logo o jantar será servido. Não demorou muito e Edward também apareceu então vovó liberou para nos servirmos.

Assim como de costume a refeição foi muito boa, não só por conta da comida maravilhosa, mas também pelo clima ameno que nos rondou.

Quando terminamos fomos até a sala e Edward decidiu sentar ao piano e tocar, como forma de praticar, mas também de entreter a todos, os hóspedes adoram quando ele da esse tipo de palinha. Às vezes me junto a ele e cantamos um pouco, mas hoje decidi deixá-lo exibir seu talento sozinho.

— Ele toca realmente muito bem. – Mamãe comentou enquanto ele troca de uma passagem à outra.

— Sim, mas você tem que vê-lo quando está com a Bella. Hoje em dia já acho até estranho ver meu irmão tocando sozinho, para mim só existe o combo deles dois. – Alice comentou e sorrimos. – Mas você poderá vê-los se apresentar no Pub e entenderá o que digo.

— Mal vejo a hora de vê-los tocar ao vivo. Durante todo esse tempo apenas lia sobre as apresentações que não sei o que sentirei ao poder finalmente presenciar tudo.

— Pois não seja por isso mamãe. Na sexta mesmo a senhora pode ir conosco ao Pub.

— Obrigada querida, mal vejo a hora. – Sorrimos e voltamos a nos concentrar apenas nas notas que Edward dedilha ao piano, transformando tudo em uma bela sinfonia.

— Esme, aproveitando que Isabella Marie está aqui também, gostaria de lhes falar que infelizmente a pousada está realmente cheia e como sua vinda foi uma surpresa não tive como arquitetar a questão dos quartos previamente. Tem um hóspede que irá embora ao meio da semana que vem, então poderemos lhe oferecer um quarto privativo, porém por enquanto vocês terão que dividir o mesmo, será um grande problema? – Vovó perguntou.

— Não vovó de modo algum. Mamãe pode ficar no quarto comigo pelo tempo que precisar. – Respondi.

— Mas e quanto a sua privacidade querida? Não gostaria de privá-la de nada. Entendo que seria por pouco tempo, mas mesmo assim.

— Não se preocupe mamãe, nos daremos bem como colegas de quarto, nos fará lembrar alguns momentos da minha infância.

— E também Bella pode ficar comigo alguns dias se precisar. Entendo que vocês sejam bem próximas e contando com a saudade será até bom passar esse tempo juntas. Mas, por exemplo, no dia que chegamos do Pub, a senhora pode ficar no quarto sozinha e quando chegarmos Bella fica no meu sem problema algum. – Alice falou dando mais uma solução a tudo.

— Sim, para tudo tem um jeito. Pode ficar despreocupada vovó que está tudo bem.

— Que ótimo que todas concordaram, fico mais tranquila assim. – Assentimos e vovó puxou outro assunto com minha mãe, então Alice aproveitou a deixa para sussurrar em meu ouvido.

É claro que a oferta de dormir comigo é realmente genuína e está de pé caso queira. Mas também não me incomodo de servir apenas de álibi para suas escapadas ao quarto do meu irmão, pois tenho certeza que você dormirá muito melhor dividindo a cama com ele, do que comigo ou sua mãe. – Não contive o riso ao ouvir suas palavras.

— Você é impossível Alice.

— Na verdade sou a melhor amiga e cunhada que você poderia ter, pode admitir. – A puxei para perto lhe dando um beijo no rosto.

— Sem sombra de dúvidas, não poderia ter pedido por alguém melhor. Obrigada.

— Não tem de que. – Continuamos por mais um tempo conversando, porém sabendo que mamãe e eu temos muito que falar também, porém sozinhas, comentei se ela não quer subir para ajeitarmos as coisas no quarto e ela logo concordou.

Despedimo-nos de todos, Alice me desejou boa sorte e Edward sussurrou que posso contar com ele, lhe dei um selinho então segui com mamãe até meu quarto.

Ao entrar não nos fizemos de rogadas, mamãe pegou em minha mão nos conduzindo até a cama para sentarmos.

— Chegou a hora de conversarmos sobre tudo, certo? – Questionou.

— Sim, por favor. Apesar de amar estar com a senhora aqui, preciso saber o que a levou a tomar essa decisão e tudo que vem com ela.

— Pois bem, lhe contarei tudo. Você sabe que nunca passamos mais que dois dias separadas e que jamais esperamos passar por uma experiência assim. No início achei que daríamos conta desse tempo, mas aos poucos a saudade foi ficando cada vez mais forte e vi que não conseguiria me controlar por muito mais tempo querida.

— Entendo como se sente mamãe, pois passei exatamente pelo mesmo.

— Então e depois da nossa última conversa por telefone, quando percebi que você realmente encontrou seu lugar aqui, vi que a oportunidade de nos vermos em breve tornou-se muito distante se fosse contar apenas com o seu regresso. Assim decidi que o melhor a fazer era vir vê-la e aqui estou.

— Mas e sua vida nos EUA mamãe? Seu trabalho? Como a senhora fez? – Questionei realmente preocupada.

— Você sabe que todos no restaurante sempre foram muito compreensíveis, então conversei com eles sobre a possibilidade de pegar férias por agora e também uma espécie de licença. Se dentro de um mês não voltar, eles já estão avisados de que é porque ainda não matei todas as saudades da minha filhinha. – Sorri. – E ai do momento que tomei a decisão até de fato vir foi pouco tempo, não quis alertá-la sobre nada antes de ter certeza absoluta. E quando enviou o e-mail no sábado foi quando consegui fechar a passagem para ontem, então decidi fazer uma surpresa. Só não imaginei que fosse ficar preocupada achando que talvez algo de mal tivesse acontecido, perdão por isso filha.

— Tudo bem mamãe, já passou o importante é que a senhora está aqui e pelo visto poderemos aproveitar muitos momentos juntas. Vamos passear por toda Londres, lhe mostrarei os lugares que já conheci e os que mais gostei e a senhora poderá também me levar aos que mais gostava de quando morava aqui.

— É claro querida, faremos isso e o que mais quiser. Desde que não atrapalhe sua vida e a rotina que já estabeleceu durante o tempo que passou sozinha.

— Não se preocupe com isso, tenho certeza que conseguiremos dosar bem todas as coisas. – Ela assentiu sorrindo e mesmo não querendo quebrar o clima descontraído que estamos, tenho que perguntar. – Mas e sobre os outros assuntos mamãe? O que a senhora tem em mente?

— Sobre o que está se referindo?

— Sobre meus avós e o meu pai. Quais são os seus planos quanto a eles? – Ela respirou fundo se ajeitando melhor na cama antes de responder.

— Quando decidi voltar à Inglaterra também foi pensando em reencontrar seus avós, você sabe que voltei a ter contato com eles, graças a você claramente. E acho que está mais do que na hora de enfrentá-los frente a frente. A partir desse encontro veremos o que se sucederá, mas espero que assim como está à convivência de vocês, que possamos restaurar os laços também, pode ser um processo árduo, mas estou disposta a tentar.

— Que bom ouvir isso mamãe, tenho certeza que eles ficaram muito felizes em saber que a senhora está aqui. Acha que devemos avisá-los previamente ou quem sabe fazer uma visita surpresa?

— Sinceramente não sei, mas podemos pensar sobre, creio que temos um tempo.

— Certo. E quanto ao meu pai?

— Creio que será inevitável revê-lo, mas espero que possamos ter uma boa conivência também, por você. Pois você é o único assunto que nos liga e não quero que depois de tudo pelo que passou, ainda tenha que enfrentar situações ruins por nossa causa.

— E é só isso? Vocês agirão apenas como meus pais?

— Exatamente, pois é o que somos. Pais de uma menina maravilhosa, sem qualquer outra questão em comum.

— Mamãe...

— Bella, por favor. Esse assunto já está encerrado. – Bufei entendendo que ao menos por enquanto tenho que deixar as coisas assim. – Agora que já esclareci minhas questões, conte sobre você. Se não me engano ontem era sua reunião com a universidade, como foi?

— Ah sim, por isso fiquei atrás da senhora ontem, queria contar o mais rápido possível sobre o que aconteceu e o que Edward e eu decidimos.

— Pois fale, estou ansiosa para ouvir. – Lhe contei como foi à reunião, tudo que descobrirmos e também o que teremos que fazer a partir de agora para concorrer à bolsa e depois a admissão na RAM. – Mas que incrível filha, tenho certeza que você e Edward se sairão muito bem, tanto na prova, quanto na apresentação. Espero só ainda estar aqui para presenciar tudo.

— Ainda não sabemos quando ambos acontecerão especialmente à apresentação final, mas também espero que a senhora esteja aqui.

— Sim. E agora você e o Edward terão que se empenhar muito também, estudando não só música, mas as questões universitárias. Porém acredito no potencial dos dois, mesmo tendo os observando por pouco tempo realmente é nítida a conexão de vocês. Você tinha razão quando dizia sem medo que o ama e que ele lhe faz muito bem.

— Mais do que bem mamãe. Edward me completa e entende como ninguém e quando estamos juntos ele me faz sentir coisas que jamais imaginei, eu realmente o amo.

— Fico muito feliz por vocês filha. E é perceptível o quão completos vocês são, de forma que muitos casais por ai não sonham nem em chegar perto... – Percebi que mamãe está tentando entrar em um determinado assunto.

Durante nossas conversas seja por e-mail ou ligação, nunca disse com todas as letras que pretendia perder a virgindade com Edward, mas sempre tentei deixá-la a par de tudo o máximo possível.

— Então mamãe...

— Não precisa dizer com todas as palavras, mas acredito que você e Edward já deram o passo seguinte. – Assenti. – E que talvez esse fato tenha acontecido durante a viagem de aniversário dele. – Concordei novamente. – Está tudo bem querida, vocês são adultos, se amam e esse passo é algo natural dentro de qualquer relação, imagino que estão se prevenindo como se deve também... – Entendi bem que sua pergunta não é como outra qualquer, já que ela mesma engravidou do namorado na adolescência.

— Pode ficar tranquila mamãe. Edward e eu confiamos um no outro, mas também tomamos todas as medidas necessárias.

— Ótimo. E o mais importante, foi como você esperava?

Foi mais. Sei que sou nova e que também nos conhecemos há pouco tempo, mas não me vejo compartilhando coisas assim com mais ninguém. Edward é o homem da minha vida e me faz sentir a mulher mais amada do mundo.

— Que tudo continue assim pelo tempo que a relação de vocês durar e que se realmente ele for o escolhido, só desejo o melhor aos dois, pois ambos mais do que merecem ser completamente felizes. – A abracei.

— Obrigada mamãe. Por tudo. – Ao nos soltarmos decidimos realmente colocar em ação a ideia de organizar suas coisas no meu quarto e enquanto isso continuamos conversando sobre assuntos diversos. Ela contando como estão as coisas nos EUA, enquanto a atualizo sobre minhas questões.

E uma coisa que percebi é que não consigo mais pensar nos EUA como meu lar, minha casa. A todo o momento que ela fala a palavra casa, sinto um estranhamento e em contrapartida só me refiro de forma impessoal, sem qualquer apego ao lugar que nasci e vivi por quase toda minha vida.

Pergunto-me internamente o que isso quer dizer, mesmo tendo grande ideia do significado, preferi não me atentar a esse ponto, pelo menos não por enquanto...

O fim da noite com mamãe correu de forma tranquila, ocasionando em uma ótima noite de sono e um amanhecer bem menos carregado do que o anterior.

Pela manhã atualizei Edward e Rose sobre nossa conversa, ambos me deram uma leve bronca por conta de todo meu nervosismo anterior, mas depois demonstraram sua alegria diante das notícias.

O clima leve esteve comigo durante todo o dia, mesmo tendo realmente muito trabalho no Antiquário, consegui dar conta de tudo com um sorriso no rosto e quando Edward passou para me pegar continuei bem amigável, coisa que muito agradou meu namorado.

Durante nosso trajeto até a pousada, enquanto passamos pelas ruas londrinas aproveitando a vista e o bom tempo do verão, recebi uma mensagem do papai dizendo que tem algo para conversar comigo e que a conversa tem que ser feita pessoalmente.

Imediatamente travei pensando que ainda não lhe contei da chegada da mamãe e sem ter ideia de como fazê-lo.

Percebendo que mudei de feição Edward perguntou.

— O que houve Bella?

— Meu pai me mandou uma mensagem dizendo que tem algo para falar comigo.

— Entendo e você ainda não contou que sua mãe chegou.

— Não, mas acho que esse pode ser um bom momento, não de contá-lo por mensagem, mas quando nos vermos.

— Ele está querendo marcar de te ver?

— Sim. Vou respondê-lo e marcar. – Assim o fiz dizendo que podemos nos ver e que também tenho algo a lhe contar.

Guardei o celular por alguns segundos, porém rapidamente o mesmo apitou informando que papai já respondeu.

Ao abrir o aparelho imediatamente estaquei.

— Ah não. – Exclamei.

— O que foi?

— Edward acelera o máximo que conseguir. Pois meu pai acabou de dizer que já está em frente à pousada me esperando. Meu pai e minha mãe irão se reencontrar.

— Ai caramba, nem eu quero perder isso. – Por sorte já estávamos perto e Edward acelerou realmente para não demoramos a chegar.

Pobre do meu namorado tendo que fazer até esse tipo de sacrifício.

Ao apontarmos na rua da pousada pude ver o carro do papai já estacionado, mas deu para perceber que ele não está mais dentro do mesmo, o que só quer dizer que ele já entrou na pousada e quem sabe nesse momento já esteja cara a cara com a minha mãe.

Edward parou a bicicleta na calçada e imediatamente desci correndo pelos degraus até alcançar a porta, nem percebi que Edward estava no meu enlaço até entrarmos na sala e sentir sua respiração quase ofegante atrás de mim.

Mas meus sentidos ligaram-se a outra coisa assim que observei papai, que está parado de pé na sala, notando a presença da minha mãe que vem do corredor.

Es... Esme é você?

— Olá Carlisle. – Após essa troca concisa de palavras, ambos ficaram em silêncio apenas olhando de um para o outro.

Mamãe começou a estalar os dedos, em um sinal claro de nervosismo, enquanto papai não para de piscar, está me dando até agonia de vê-lo desse jeito.

Tentando ajudar de alguma forma resolvi me pronunciar.

— Papai, mamãe. – Entrei na sala e atraindo a atenção.

— Oi filha, já chegou.

— Sim mamãe, entramos agora. – Caminhei até perto do meu pai pegando em sua mão, só então ele pareceu sair do seu transe. – Oi pai.

— Oi Bella.

— Vejo que não precisarei mais conversar com o senhor sobre aquele assunto. – Tentei falar de forma descontraída.

— Então é isso que você tinha a me dizer.

— Pois é, ia contar que a mamãe está aqui na Inglaterra. Mas agora o senhor já pôde ver com seus próprios olhos.

— Sim, vejo, mas ainda acho um pouco difícil de acreditar. – Nesse instante ele enrijeceu a postura voltando o olhar para mamãe. – Que bons ventos a trazem de volta a Inglaterra Esme?

— Isabella. Minha filha é o único motivo que me faria voltar aqui.

— Percebo. Já que se não fosse por ela e sua determinação creio que nem eu a teria comigo agora.

— Papai... – Tentei intervir.

— Não Bella, deixe que Carlisle fale. E você tem razão, Bella queria lhe conhecer e tinha esse direito, fez por onde e agora estão juntos. É o que importa não?

Quase vinte anos depois...— Falou causando um silêncio pesado na sala. – Mas sim Bella é tudo que importa. Por isso quero logo perguntar. Você veio com alguma intenção de tentar levá-la de volta aos EUA? Porque fique sabendo que ela tem estruturado bem sua vida aqui, estando prestes a ingressar na faculdade, entre todas as coisas que conquistou desde que chegou e não há ninguém aqui que quer vê-la partir.

— Pode guardar seus argumentos Carlisle, pois não vim tentar mudar nada na vida da minha filha.

Nossa. Bella é nossa filha.

— Que seja. Bella já é adulta. Se não a impedi de vir até aqui na primeira vez, não é agora que tentarei mudar suas escolhas.

— Pai pode ficar tranquilo, mamãe veio apenas me visitar. – Comentei.

— Bom. Isso quer dizer que tem data para voltar? – Perguntou a ela.

— Posso ter. Mas o que faço ou não da minha vida não diz respeito a você.

— Obviamente que não. Foi uma pergunta sem interesse. De qualquer forma espero que tenha uma boa estada e que não precise ir embora fugida como da última vez. – Ofeguei e percebi que mamãe arregalou os olhos fechando as mãos completamente furiosa com o que ouviu.

— Pode deixar Carlisle Cullen. Não sou mais a menina que você conheceu. E jamais me deixarei afugentar por qualquer tipo de crápula como da primeira vez.

— O que você quer dizer... – Papai tentou questioná-la.

E eu também estou interessada em saber o que ela quis dizer com isso, mas ficamos sem resposta, pois ela logo o cortou.

— Se me der licença tenho assuntos a resolver. Tenha uma boa noite. – Mamãe saiu da sala passando por Edward que permaneceu na entrada da mesma apenas observando tudo calado, somente nesse momento se pronunciando.

— Carlisle fique a vontade, também me retirarei. Caso queira ficar para jantar, será muito bem vindo.

— Obrigado Edward, mas recusarei o convite, passei apenas para falar com Bella, só não imaginava ter essa surpresa. De qualquer forma perdão por qualquer inconveniente.

— Imagina, não houve nada. Bella estou subindo, depois conversamos.

— Claro. – Assim que ele saiu papai deu alguns passos pela sala até voltar a falar.

— Quando ela chegou?

— Ontem pela manhã.

— E porque você não me avisou?

— Porque nem eu sabia. Mamãe veio de surpresa, ela simplesmente chegou um pouco antes do meu horário de sair para trabalhar e só conseguimos conversar ontem à noite. Ainda é tudo novo para mim também papai. Mas como disse por mensagem, pretendia contar ao senhor, só achei que esse era o tipo de assunto a ser tratado pessoalmente.

— Tudo bem, você está certa. A culpa é dela por não ter preparado ninguém para sua vinda.

— Mamãe quis me fazer uma surpresa papai, por isso não avisou. – Tratei logo de deixar claro.

Apesar de amá-los igualmente não o deixarei difamá-la na minha frente.

— Certo. E ela realmente veio apenas te ver?

— Pelo que disse sim. Ela está meio que de férias ou licença, algo assim. Enfim, o que importa é que está aqui e não tem data certa para voltar e eu estou muito feliz por isso. – Deixei claro.

— É claro que sim querida e você está certa. Ela é sua mãe acima de tudo e sei como você sentia falta dela, fico feliz por você, por vocês. Peço desculpas a você também se em algum momento disse ou fiz algo que possa ter lhe magoado, é só que realmente não esperava por isso.

— Eu entendo papai, está tudo bem. Espero só que possam ter uma convivência ao menos pacifica durante o tempo que ela permanecer aqui, pois não gostaria de vê-los se enfrentando a todo instante que estiverem no mesmo ambiente. – Ele assentiu deixando os ombros caírem.

— Pode deixar Bella. Não somos jovenzinhos que não sabem se portar e você tão pouco passará pelo martírio de um enfrentamento de pais separados. Além do que, nunca fomos casados, para hoje em dia agirmos como um casal rompido. Somos seus pais e lidaremos com isso como tal. – Apesar de não concordar muito com suas palavras, respondi.

— Obrigada. Não quero que seja algo ruim para nenhum dos dois, mas acredito que com o tempo nos acostumaremos todos com essa nova rotina. – Ele assentiu. – E o que o senhor tinha para me falar?

— Ah, agora diante de tudo não é nada demais, deixemos para próxima. – Tentei especular sobre o que era, mas ele realmente deu a questão por encerrada. – Agora já vou, tenho algumas coisas a fazer ainda e você também tem que descansar. Conversamos depois, sim?

— É claro papai. – Ele me deu um beijo na testa.

O acompanhei até saída e quando ele entrou no carro e saiu, foi que segui para o andar de cima, mas antes de entrar no meu quarto decidi tentar a sorte e conversar com Edward.

Ao parar em frente a sua porta, bati e ouvi um entre.

— Oi.

— Oi Baby. – Passei fechando a porta. Edward me deu um beijo puxando-me para seus braços. – Seu pai já foi?

— Sim.

— E como você está?

— Confusa. Não imaginei que o reencontro deles seria assim. Mas sinceramente não sei bem o que imaginava.

— Eu acho que foi melhor do que o esperado. – Ergui o rosto para olhá-lo. – Eu acho, porque pensa só. Seus pais tem um grande passado mal resolvido entre si, no entanto, focaram a atenção mais em você do que no resto. Apesar de algumas farpas trocadas e frases subentendidas, no fim todos saíram vivos e sem ferimentos. – Sorri.

— Bobo.

— Ao menos arranquei um sorriso seu. – Ele acariciou minha bochecha.

— Isso você sempre consegue. Mas acho que concordo com seu ponto. Mamãe foi misteriosa como sempre e meu pai pareceu bem magoado, em alguns pontos com razão. E pode parecer até delírio meu, mas só eu percebi certo clima no ar?

— Ah não, isso eu também percebi. O que só me deixou mais encabulado ainda por ter presenciado tudo. Se já não bastasse estar no meio de um confronto indireto entre seus pais, ainda notar como ambos pareciam tensos perto um do outro. E não a tensão só do reencontro com hostilidade, mas o tipo de tensão derivado de sentimentos mais profundos.

— Pois é. Viu como tenho razão em não desistir de tentar saber o que houve no passado dos dois? Não só por isso fazer parte da minha história, mas também porque talvez haja algo mais entre os dois ainda e se puder ajudar a restaurar isso, porque não tentar? – Edward ficou em silêncio por um tempo.

Pensei até em mudar de assunto e não comentar mais com ele sobre isso, quando o mesmo falou.

— Acho que você pode ter razão. Não estou dizendo que vamos descobrir um grande segredo e isso explicará toda história dos seus pais, sua essência e ainda fará com que os dois se acertem. Mas mal também não faz, não é?

— É sério? Você vai me ajudar a descobrir o que houve?

— Vou tentar. Mas sim pode contar comigo.

— Ah meu Deus, Edward! Eu te amo, muito, mesmo, você não tem ideia.

— Posso ter um pouco. E porque também te amo, irei ajudá-la. – O puxei para um beijo entusiasmado e ao nos soltarmos pude sentir que o sorriso não está apenas em meus lábios, mas alcança também meus olhos.

Sei que tudo isso pode ser em vão e que talvez nunca descubra nada ou que mesmo ao saber a verdade papai e mamãe nunca mais se acertem. Mas ao menos saberei que fiz tudo que estava ao meu alcance para solucionar essa questão.

E agora contando com o apoio de Edward não posso deixar de me encher de esperanças.

Que venha a investigação...

CONTINUA.

Notas finais
N/A: E ai meninas? Tivemos muitas emoções nesse capítulo. A Esme está mesmo aqui, não era delírio da Bella. Nossa menina ficou meio sem rumo com a chegada da mãe, mas sempre conta com o apoio de pessoas muito especiais. Elas conversaram nossa mamãe não tem data de volta, isso é algo bom? O encontro com os avós ainda virá, mas com o Carlisle já chegou. O que acharam? Sentiram como Beward que ambos parecem ter tensões a mais entre si? Ou tem outras coisas a refletir? E nosso casal também está empenhado a descobrir o que houve no passado dos dois, vocês acham que eles conseguirão? Quero saber tudo, não deixem de expressar suas opiniões. Comentem, recomendem, me deixem saber o que estão achando e o que esperam acompanhar daqui para frente. Meninas a história já está entrando na reta final, a partir de agora vamos acompanhar os desenvolveres finais de todos e suas resoluções, portanto se até hoje não comentaram, ainda está em tempo. Não deixem de me seguir no twitter: @KaahNannda. Espero encontrar todas nos comentários e até segunda que vem com mais um capítulo. ~Kiss K Nanda.