Para Te Encontrar
24 Capítulo 23 - Venha Comigo
Notas iniciais
Os dias seguiram de forma linear, cada qual com sua particularidade introspectiva, mas no geral sendo todos sempre muito bons.
Depois do jantar com meu pai, é engraçado ainda perceber como quando o chamo de pai, um sorriso brinda meu rosto e o dele, caso o faça em sua presença, acho que essa sensação ainda nos acompanhará por um bom tempo.
Mas no todo o importante é como nos conectamos desde então, se antes já estávamos criando o hábito de nos falar diariamente, agora sempre que possível marcamos de nos ver. No fim de semana passado novamente ele foi à pousada e foi nítida a mudança ao nosso redor, só posso esperar que as coisas se mantenham nessa constante.
No dia seguinte ao jantar, Edward teve sua consulta, a qual o acompanhei, apesar de ter ficado na sala de espera, para lhe dar privacidade durante a mesma, não pude deixar de compartilhar desse momento com ele.
Ao sair com o pedido do exame, tratamos de marcar os mesmos no laboratório, onde fizemos na sexta-feira seguinte pela manhã e como previmos conseguimos pegar os resultados no mesmo dia, mas os retornos com nossos médicos acabaram ficando apenas para o início dessa semana.
Eu passei na médica na segunda-feira de manhã antes de ir para o Antiquário, ela confirmou que está tudo bem, perguntou se tive algum sintoma controverso ao remédio, ao ouvir minha negativa constatou que tudo corre dentro dos conformes e deixou meu retorno marcado para depois que iniciar minha vida sexual, onde terei que fazer novos exames, após a mudança corporal.
A consulta de Edward, no entanto, foi feita novamente na quarta. Dessa vez não pude acompanhá-lo, pois foi no horário do seu almoço e no fim das contas ainda tive que esperar até a noite para saber como foi tudo, porém valeu muito a pena quando ouvi suas palavras...
— Minha saúde está perfeita Bella. O exame não apresentou nada, em âmbitos gerais, mas, sobretudo, em algo que poderia nos preocupar.
— Jura? – Ele assentiu. – Que bom meu amor, estou muito feliz por estar tudo bem com você e mais ainda por saber que poderemos ficar juntos sem qualquer empecilho ou preocupação.
— Você não imagina como estou feliz. Na verdade tenho que lhe agradecer por ter sugerido isso, como disse, já devia tê-lo feito antes, porém ao menos agora sei que tudo está certo e mal vejo a hora de nos tornarmos um só. – Me puxou para seus braços.
— Eu também... – Nos beijamos e curtirmos muito aquela noite.
Estávamos sem tempo para aproveitar como gostamos, por motivos de impedimento mensal e situações corridas, mas naquele dia tivemos razões mais do que concretas para celebrar...
Ainda não conversamos sobre uma data em definitivo, mas tem um acontecimento especial prestes a chegar que gostaria muito de poder comemorar de um jeitinho mais íntimo.
Comentei com Rose sobre nossa confirmação e ela ficou felicíssima por nós, dizendo que podemos continuar contando com ela para o que precisarmos.
Realmente somos cercados de pessoas incríveis, não tenho do que reclamar...
Mas nem só de amores e prazeres passamos esses dias, quer dizer esse assunto também envolve pitadas de amor e prazer, mas Edward e eu nos empenhamos muito em nossas canções.
Quando decidimos a data de estreia da primeira canção no Pub, nos prontificamos a ensaiar muito em cima dela.
Porque uma coisa é agradar as pessoas com músicas conhecidas, mesmo durante nossa playlist, porém apresentar uma canção nova é um grande desafio e não queremos fazer por menos.
No fim não sabemos se agradará, mas ao menos teremos a ciência de estar dando nosso melhor...
— Duas garrafas de tequila, com oito copos, por favor. – Edward apareceu em frente ao balcão fazendo o pedido. Assenti e providenciei as bebidas e os copos posicionando-os em sua bandeja. – E um beijo para o garçom poder continuar trabalhando pelo restante da noite agitada.
— Pobre desse garçom, deixe-me ajudá-lo a continuar essa jornada de trabalho tão difícil. – Inclinei o corpo sobre o balcão lhe dando apenas um selinho, mas no meio do nosso momento fomos pegos por Emm.
— Hey vocês dois, isso aqui é um estabelecimento de família, não aprovamos esse tipo de atitude aqui, não é mesmo ursinha? – Ele falou com Rose ao mesmo tempo em que deu uma palmada na bunda dela.
— Emmett! – Exclamou.
— Ah, nosso singelo beijo não pode, mas isso ai é permitido? – Questionei.
— Privilégios de ser o chefe. – Emm respondeu sorrindo.
— Não se preocupe Bella, durante nossa apresentação daremos o maior beijão de cinema, aí quero ver o que ele fará. – Edward retrucou.
— Depende da reação do público. Se gostarem por mim tudo bem, mas cuidado, porque o pessoal pode ter uma vibe voyeurística, se animar de mais e querer ir atrás de vocês depois. Quanto a isso não me responsabilizo.
— Emm! Você está impossível hoje, chega. Vá ajudar o Edward com as mesas. – Rose o expulsou, aproveitei para roubar mais um selinho do meu namorado que saiu sorrindo com o pedido, então continuei com meus afazeres. – Às vezes não sei o que faço com Emm. – Rose comentou.
— Nada. Ele é especial dessa forma, por conta do seu jeito e no fundo sei que você gosta.
— É verdade, essa alegria contagiante foi uma das coisas pelas quais me apaixonei em primeiro lugar.
— Viu só. Além do que, Edward e eu estamos acostumados às provocações dele, estranho é o dia que ele não fala nada. E olha só. – Disse mostrando-lhe a mesa onde Alice e Jasper estão. – Aposto que agora mesmo ele está lá animando os dois também. – Ela deu de ombros e sorrimos.
— Mas e ai? Nervosa para a grande estreia?
— Sim e não. Já passei por tantas coisas nesse palco que não sei mais como medir meus sentimentos direito. Lembro-me do frio na barriga que senti a primeira vez que subi para cantar com Edward, mas no fim deu tudo tão certo que tento me apegar a isso. Além do que, caso as pessoas não gostem da canção a única coisa que podermos fazer é não cantá-la mais e dar por encerrada essa história de compor.
— Esse medo você já pode tirar da mente, pois tenho certeza que a música será incrível. Nada que venha de vocês dois pode dar errado, é por isso que torço tanto por essa relação e apoio embarcarem nos prazeres sexuais, porque acredito que até nisso se darão super bem.
— Rose! Depois você fala do Emm, mas no fundo são iguaizinhos. – Exclamei.
— Ah Bella, sabemos que um casal tem química quando até as pessoas de fora torcem pela vida sexual deles, então tome isso como um elogio. E é bom vocês compensarem minhas expectativas, pois ficarei decepcionadíssima se não forem espetaculares juntos como imagino.
— Você é absurda. – Comentei sorrindo. – Quer dizer que se disser que acho que Emm e você tem uma ótima vida sexual, tomará como elogio?
— Obviamente. – Deu de ombros.
— Do questão conversando? – Alice questionou ao aparecer em frente ao balcão.
— Pronto. Alice será o voto de minerva. – Rose pontuou. – Nos diga sua impressão sobre o seguinte assunto.
— Podem falar, já estou curiosa para saber do que se trata.
— Alice. Rose estava falando que temos que tomar por elogio quando alguém diz que acha que algum casal tem uma boa vida sexual. – Comecei.
— Não só a parte sexual propriamente dita, mas qualquer contexto romântico. Você não se agradaria caso dissesse que acho que você e meu irmão tem química? Que aposto que quando estão sozinhos as coisas são super quentes? – Ela completou.
— Mas é claro que concordo com a... Rose.
— Viu só. – Respondeu presunçosa.
— Vocês não batem bem. – Conclui.
— Mas é claro Bella. Não é que comentaremos com todos, mas é normal observar se um casal tem química ou não e depois imaginar como eles são quando estão juntos em situações mais íntimas.
— E também torcer para que tenham momentos quentes? – Questionei.
— Sim. Canso de falar para você e Edward aproveitarem sempre que possível e em qualquer oportunidade, porque sinto que vocês tem uma coisa, sabe? Assim como acho que Emm e Rose devem ter noites incríveis juntos.
— Obrigada cunhada. Também acho que você e meu irmão combinam muito. Já vou deixar claro que tenho uma torcida grande por essa relação e tenho certeza que quando as coisas atingirem o próximo nível, vocês serão ainda mais sensacionais.
— Obrigada. – Alice e Rose continuaram sua troca de elogios, enquanto permaneci apenas impactada com tudo que estou ouvindo.
— Se alguém ainda me disser que mulheres britânicas são a excelência da castidade e virtude, direi para esse alguém vir conhecê-las, assim esse estereótipo cairá por terra rapidinho. – Falei entre risos.
— É bom mesmo que caia. Essa é uma das coisas a qual não quero estar ligada nem por um instante.
— Isso mesmo Rose. E nós também achávamos que as americanas eram as mulheres evoluídas e libertas, mas a Bella não deve ser um bom exemplo disso. – Alice completou.
— Hey! Eu sou muito evoluída e liberta sim. Apenas nunca tinha parado para pensar nesse tipo de coisa. Mas já que esse parece ser o comum por aqui, não quero ficar por fora. Muito obrigada as duas, por toda a torcida, saibam que Edward e eu somos muito bons juntos sim e as expectativas de vocês não serão frustradas. E deixo declarada aqui oficialmente minha torcida e opinião que vocês também fazem parte de casais que acredito serem bem bons no que fazem nos momentos a dois. Satisfeitas agora?
— Imensamente, muito obrigada, pode confiar que somos bons mesmo. – Alice foi a primeira a dizer.
— Muito bem, agora você entendeu o espírito da coisa. E pode deixar que Emm e eu continuaremos a fazer tudo muito bem para alegria da sua torcida. – Rose pontuou e não conseguimos deixar de rir desse momento absurdo que acabamos de protagonizar.
— Do que tanto riem? – Emm voltou ao balcão perguntando.
— Nada.
— Nada.
— Nada.— Falamos em sequência e caímos no riso mais uma vez.
— Huuum, muito suspeito tudo isso. Vocês três aqui só com esses risos, estou de olho, hein?
— Não se preocupe amor, realmente não era nada demais, apenas estávamos introduzindo a Bella mais um costume inglês. Mas e o pedido cadê? – Ainda meio desconfiado, ele passou o papel a ela e os dois foram tratar do assunto.
Enquanto isso Alice indicou uma ida ao banheiro e voltei a trabalhar...
O restante da noite, até nossa hora de subir ao palco, passou tranquila, sem mais qualquer momento fora do comum.
No momento da apresentação, Edward e eu nos aprontamos e durante os instantes em que Emm falou com o pessoal anunciando nossa entrada, trocamos algumas palavras.
— Está tudo bem? – Ele perguntou.
— Com você sempre está. – Sorrimos. – Ansioso?
— Um pouco, mas agora é nosso momento de arriscar e ver o que acontece. Porém confio na nossa música.
— Eu também, mesmo que não agrade a todos, agradou a nós, então já está valendo.
— Sim. – Trocamos um singelo beijo antes de subir.
Quando Emm deu nossa deixa entramos e iniciamos a apresentação como em qualquer outra noite, cantando primeiro as músicas que escolhemos, interagindo com a plateia e depois abrindo para que eles façam seus pedidos...
Terminamos a música que cantamos agradecendo a todos, então comentamos que haverá uma surpresa diferente para encerrar a noite.
— Gostaríamos de agradecer mais uma vez a presença de vocês, para prestigiar não só o Pub como um todo, mas também a nós. – Edward começou.
— Realmente não teríamos essa oportunidade de fazer algo que gostamos se não fosse o apoio de todos vocês. Mas não podemos deixar de agradecer também ao Emm e a Rose, por cederem esse espaço em primeira mão e confiar em nós e nas nossas loucuras. E aos nossos amigos também pelo apoio e confiança. – Emendei.
— Sim, vocês começaram se arriscando comigo e acho que deu certo. Depois confiaram em mim quando quis mostrar o talento da Bella e agora mais uma vez estão nos dando uma nova oportunidade de crescer e mostrar uma nova faceta.
— Então sem mais delongas, gostaríamos de encerrar hoje cantando a vocês uma nova música. Mas não é qualquer música, ela tem um significado mais do que especial para Edward e eu, pois é nossa primeira composição, não só juntos, mas da vida. – Ouvimos assovios, aplausos, alguns sons de exclamação e surpresa. Quando a energia baixou um pouco continuei. – Esperamos que gostem. Ao vivo ela primeira vez...
Venha Comigo
Edward iniciou os primeiros acordes da canção, trocamos um olhar esperançoso, então comecei a cantar...
Você para mim é quase como um sonho.
Perco a razão, me basta ver o seu olhar.
Te tenho em mim, por mais que eu não queira.
Aqui você está, e já não da para disfarçar.
Não vou me importar, com o que dizem ou que vão pensar.
Só vou deixar o meu coração me guiar...
Te quero, te espero, venha comigo baby!
Não demore, não enrole, porque preciso de você aqui.
Te quero, te espero, venha comigo baby!
Me ame e me adore porque eu posso te fazer muito feliz!
Terminamos o primeiro refrão e enfim pude voltar a respirar, o sorriso já dominando nossos rostos.
Observei Edward continuar a tocar conduzindo a segunda parte.
Fico pensando, nesse sentimento.
Que me faz bem, às vezes me faz até flutuar.
Jamais pensei em ficar tão encantado.
Você me faz perder, a razão e o juízo ao te ver.
Não vou me importar, com o que dizem ou que vão pensar.
Só vou deixar o meu coração me guiar...
Te quero, te espero, venha comigo baby!
Não demore, não enrole, porque preciso de você aqui.
Te quero, te espero, venha comigo baby!
Me ame e me adore porque eu posso te fazer muito feliz!
Você sempre está, perto de mim.
Em cada lugar, sinto você aqui.
Quero poder, ver esse amor fluir.
Ter você para sempre, junto a mim...
Nessa hora a plateia em peso nos acompanha com palmas, alguns apenas balançam as mãos no alto, nossos amigos aproveitam cada instante de pausa na letra para gritar e incentivar.
E com essa energia tão incrível que estamos recebendo, prosseguimos encerrando a canção.
Ter você para sempre...
Para Sempre...
Para sempre junto a mim...
Te quero, te espero, venha comigo baby!
Não demore, não enrole, porque preciso de você aqui.
Te quero, te espero, venha comigo baby!
Me ame e me adore porque eu posso te fazer muito feliz! (Repete)
Edward foi tocando os últimos acordes e quando a plateia viu que finalizamos, levantaram e começaram a nos aplaudir de pé.
Não posso acreditar no que estou vendo.
Todos parecem tão animados e contentes com a apresentação que fizemos.
E eu? Não sei nem o que sentir, o misto de sentimentos é tão grande que se me pedissem para descrever, não conseguiria.
Edward conseguindo ter mais ação do que eu, me puxou para um abraço e sussurrou no meu ouvido.
— Conseguimos. Está ouvindo isso Bella? Eles gostaram.
— Acho que gostaram é pouco. Obrigada. Eu te amo, jamais estaria vivendo isso sem você.
— E eu sem você. Essa é uma conquista nossa e esse dia ficará marcado para sempre em nossas vidas, te amo. – Nos desencostamos um pouco e acabamos não resistindo, trocamos um beijo singelo, porém muito apaixonado, não foi mais do que um selinho, mas para o momento foi perfeito.
Depois de nos soltarmos, encerramos a apresentação com agradecimentos e descemos do palco.
Ao fazê-lo as pessoas foram nos parando para dizer o quanto gostaram da canção, que fomos ótimos, que mal viam a hora de ouvir mais composições nossas, foram tantos elogios que ficamos sem saber o que falar, além do singelo, obrigado.
Quando chegamos a nossa mesa tive uma grata surpresa.
— Papai, o senhor está aqui. – O abracei.
— Não poderia perder a primeira apresentação ao vivo da música que minha filha e o namorado compuseram. – Falou durante o abraço, mas assim que nos soltamos continuou. – Não consegui chegar antes de subirem ao palco, mas ao menos assisti boa parte da apresentação e o mais importante que era a música. Parabéns ao dois, está incrível.
— Obrigado, Carlisle. – Edward agradeceu.
— Obrigada pai, é muito importante ter o senhor aqui nesse momento.
— Uma pena a vovó não ter visto também o show que vocês deram. – Alice comentou.
— Sim. Mas tocaremos para ela depois em casa. – Edward respondeu.
— Com toda certeza, vocês tem que cantar essa música todos os dias e em todos os lugares. Ela é muito legal. – Emm falou.
— Posso falar a verdade? – Rose perguntou e assentimos. – Eu achava que a primeira música de vocês seria tipo uma balada, mas essa música é tão para cima, tão viva e ao mesmo tempo a letra é tão romântica. Eu amei.
— Obrigada Rose, mas você tem razão, nossa outra música é uma balada. Mas essa foi realmente a primeira que terminamos, então quisemos estrear com ela. – Respondi.
— E fizeram uma excelente escolha, já estou ansioso para ouvir a próxima, mas assim como Emm, animado para ouvir e reouvir essa até cansar.
— Não vamos cansar Jas, essa é a questão. – Alice completou e sorrimos.
— Mas nos contem como foi à criação de tudo, letra, arranjo, estou curioso para saber mais. – Meu pai falou.
Nos acomodamos envolta da mesa e começamos a relatar a eles.
Como comecei a escrever a letra depois que conheci Edward e que depois a terminamos juntos, como ele pensou na melodia e fomos encaixando ao que achamos que combinava, por fim concluindo o processo até decidir o nome e afins.
— Vocês realmente tem muito talento, porque tenho certeza absoluta que nunca conseguiria escrever algo assim, é preciso muita inspiração mesmo. – Rose falou.
— Qual é ursinha? Você não me ama o suficiente para escrever algumas letras de amor para mim? – Emm perguntou.
— Me desculpe, meu bem. Mas essa vou ficar devendo, além do que, você também não teria capacidade de compor uma música inspirado em mim.
— Como não? Posso fazer uma aqui e agora, vejamos... Minha ursinha, tão lindinha, que roubou meu coração. Eu estou apaixonado, pelo seu grande...
— Emmett! – Ela o censurou e ficamos na expectativa de como terminará.
— Coração. Você não me deixou terminar. Mas viu só, acabei de compor uma música.
— Ah sim claro, vamos aplaudir o Emmett, porque ele realmente conseguiu. – Alice brincou, mas realmente o aplaudimos.
— Com certeza, rimar coração com coração, excelente. – Jas zombou.
— Rose pediu uma música, eu fiz. Nunca disse que seria a melhor música do mundo. – Concluiu.
— Para um improviso, você realmente foi muito bem, creio que se precisarem de ajuda, já podem chamá-lo. – Papai brincou.
— Obrigado Carlisle, você entendeu o espírito da coisa.
— Deixe-me agradecer também, foi uma ótima música de amor, adorei. Mas continuo dizendo que eu não conseguiria.
— Não tem problema Rose, você já compensa de outras formas. – Ele falou piscando, todos entendemos a que ele se referiu, mas ninguém quis contestar.
Antes de prosseguir no assunto, uma moça se aproximou da mesa, chamando nossa atenção.
— Boa noite. Com licença, perdão por interromper.
— Não tem problema, gostaria de alguma coisa? – Rose perguntou.
— Sim, de conversar com eles. – Falou indicando Edward e eu. – Vocês são Edward e Bella, não é mesmo?
— Sim. Em que podemos ajudá-la? – Perguntei.
— Gostaria de conversar um pouco com vocês, se possível.
— Por favor, sente-se. – Edward indicou e nos acomodamos melhor para que a moça sente-se conosco.
— Primeiramente meu nome é Renata, eu trabalho na Universidade de Londres, mais especificamente na Royal Academy of Music, já ouviram falar? – Balancei a cabeça negando, mas vi que Edward concordou. – Pois bem a Royal Academy é um conservatório de música, integrado a Universidade de Londres desde 1999. Nós trabalhamos com a parte artística da Universidade, temos vários cursos voltados à mesma, incluindo especificações em canto, arranjo, composição, instrumentos, etc.
— Já ouvi falar dela, é uma das melhores universidades de música do mundo. É a melhor da Inglaterra e de todo o Reino Unido, pelo que soube. – Edward comentou.
— Sim, temos muita satisfação em carregar esse título e procuramos sempre manter e também aperfeiçoar nosso portfólio. Buscando no futuro nos tornamos a número um do mundo. – Ela sorriu, prosseguindo depois. – Mas vocês devem estar se perguntando o porquê de ter vindo conversar? – Assentimos. – Então, tenho que confessar que quando vim ao Pub hoje, não esperava ter que pensar em coisas de trabalho, já não costumo sair e no dia que o faço ainda acabo me deparando com situações que me obrigam a pensar no mesmo.
— Desculpe, mas não estou entendendo aonde quer chegar. – Falei.
— Perdão, estou protelando. Enquanto vocês se apresentavam perguntei se isso é um costume do local, receber jovens cantores.
— Na verdade não. Temos um contrato fixo com Edward e Bella, só eles se apresentam aqui aos finais de semana. – Emm interviu.
— Sim, acabei perguntando sobre e as pessoas informaram o esquema. Mas como disse, não costumo sair, então faz tempo desde a última vez que vim aqui, sendo assim não sabia como as coisas funcionavam. Então durante toda a apresentação fiquei apreciando o show como um todo, gostando realmente do que vi e ouvi, já pensava em procurar conversar com vocês ao fim da apresentação, mas qual não foi minha surpresa ao saber que estreariam uma música nova justamente hoje? Talvez seja meu dia de sorte e pode ser o de vocês também.
— O que quer dizer? – Edward perguntou.
— O que a música significa para vocês? – Devolveu sem realmente responder a pergunta. No entanto, prosseguiu. – É apenas um hobbie? Uma forma de ganhar a vida? Um sonho? Uma diversão? Como lidam com ela? Qual a pretensão de vocês através da mesma? – Edward e eu nos olhamos, confusos com as perguntas. – Sei que devem estar pensando, quem é essa mulher louca que não para de falar e não diz nada com nada? Mas é que ouvindo-os, senti que podem ter uma grande oportunidade e que talvez possa ajudá-los a buscar mais, caso seja o que queiram. O que vocês fazem da vida hoje? Percebi que antes de subirem ao palco também estavam exercendo outras funções no Pub, é com isso que trabalham?
— Mais ou menos. Nós dois temos trabalhos fora daqui durante a semana, o trabalho no Pub é uma forma de ajudar nossos amigos e também ter uma renda extra. – Edward respondeu.
— Entendo e esses outros empregos tratam do que? Tem a ver com música? Vocês já cursaram alguma faculdade voltada à mesma?
— Não, nossos empregos não tem nada a ver com a música. E tão pouco cursamos alguma faculdade, justamente por não termos a certeza ainda do que fazer. E eu também acabei de me formar no ensino médio, após o término do mesmo decidi vir aqui para a Inglaterra. – Falei.
— Você não é nativa? – Questionou.
— Não, americana. – Respondi.
— Mas com pai e mãe britânicos. – Papai esclareceu.
— Entendo. O senhor é?
— Carlisle Cullen, o pai da Bella. – Eles se cumprimentaram.
— Prazer. Você realmente não parece estrangeira, mas se tem descendentes aqui está ai o motivo. Imagino que já possua a cidadania britânica? – Assenti. – Ótimo. Então acho que talvez vocês venham a se interessar na ideia que quero propor.
— Que seria? – Papai perguntou.
— Como falei nossa Universidade possui excelência em seu nome, corpos discentes e docentes e gostamos de mantê-la assim investindo sempre no melhor. Observando o que assisti hoje, penso que vocês podem ter o perfil de alunos que buscamos para o Conservatório, por isso questionei a ligação de vocês com a música. Caso tenham interesse em investir na mesma de forma institucional e profissional, poderemos conversar sobre a possibilidade de esse caminho ser trilhado conosco.
— Você está falando na possibilidade de estudarmos na sua Universidade? Na Royal Academy of Music?!— Edward meio que perguntou, meio que exclamou.
— Infelizmente a Universidade não é minha. – Comentou e sorrimos. – Mas acredito sim que vocês tem o perfil de alunos que prezamos. Vocês cantam muito bem, você toca com excelência e imagino que teclado não seja seu único instrumento de domínio? – Questionou ao Edward que assentiu. – Então, e hoje ainda descobrimos que vocês compõe. Como é o divisão de composição?
— Bella é a letrista, eu só fiz o arranjo. – Edward disse.
— Mas você também me ajudou a finalizar a letra. Além do que, nossa outra música escrevemos juntos. – Intervi.
— Porém você também me auxilia durante o processo de harmonização. – Pontuou.
— Muito bem, já entendemos que vocês se ajudam mutuamente e os dois conseguem desempenhar bem seus talentos e é exatamente nisso que estou apostando.
— Mas qual é realmente sua ideia ou proposta? – Papai inquiriu.
— Como disse, acho que vocês tem um bom futuro na música e se quiserem estudar conosco seria uma grande oportunidade para ambos, mas infelizmente sou uma pessoa só. Portanto o que pretendo fazer hoje é deixar meu cartão, vocês então pensam, refletem sobre o que conversamos aqui e dependendo do que decidirem podemos marcar uma reunião mais séria, para avaliar as possibilidades de ingresso. O que acham? – Edward e eu nos olhamos sem ter muita certeza de nada.
Mas de qualquer forma, depois de tudo que ouvimos, não custa ao menos pegar o cartão e pensar depois no que fazer.
— Vamos pensar sim em tudo que falou, mas desde já agradecemos pelo interesse em falar conosco e mostrar essa possibilidade. – Falei.
— Ótimo, aqui está o cartão, perdão por interromper o momento de confraternização, mas é que realmente não pude deixar essa oportunidade passar, espero vê-los em breve, mas de qualquer forma foi um prazer. – Ela estendeu o cartão, o peguei.
Sorrindo ela se despediu de todos e saiu.
— Caramba. Quando pensamos que a noite não podia melhorar, vem essa mulher e abre novos horizontes. – Jas foi o primeiro a falar depois que ficamos sozinhos.
— Vocês tem que agarrar essa oportunidade. Não podem deixar passar. No outro dia vocês disseram que não queriam ser cantores famosos, até ai tudo bem, mas vocês amam trabalhar com música, já pensou poder estudar e se formar nisso? Tenho certeza que vocês encontrarão áreas que lhes agradem.
— Alice, nós sabemos de tudo isso. Mas iremos pensar e refletir, para depois tomar uma decisão com calma, sem afobamento.
— Mas Edward, é a oportunidade de estudar na melhor Universidade de música do país!
— Sim, a melhor e provavelmente a mais cara. Ou você acha que isso não influência também? – Edward retrucou e Alice se calou.
Vi que meu pai ficou nos olhando, porém não disse nada.
Depois desse momento decidimos que já é hora de ir embora, meu pai se ofereceu para nos trazer, então Jasper pôde ir embora direto e Alice veio conosco.
Nos despedimos de Emm e Rose, com ambos nos desejando boa sorte e dizendo que estão muito orgulhosos de nós, após os cumprimentos seguimos até a pousada.
Durante o trajeto não conversamos muito mais, Alice e Edward parecem meio estremecidos e papai e eu preferimos nos abster de mais comentários.
Ao chegar, ambos saíram se despedindo e agradecendo pela carona, Edward e eu já demos boa noite aqui mesmo, ele disse que seguirá direto para o quarto e assim nos despedimos.
Eu, no entanto, fiquei um pouco mais para falar com meu pai.
— O que o senhor achou da proposta da moça?
— Temos que ver se tudo é verdade mesmo, mas caso for, é uma grande oportunidade. Ela está certa, não que já não saibamos o quanto vocês são talentosos, mas se querem realmente investir seriamente na música, fazer uma faculdade voltada à mesma é essencial.
— Eu sei. – Suspirei.
— Você não gostaria? Ou Edward?
— Não sei, eu particularmente nunca pensei muito nisso. O senhor sabe qual sempre foi meu objetivo maior, então faculdade sempre esteve em segundo plano nos meus pensamentos.
— Sim, mas agora já nos encontramos, você comentou que gosta de morar aqui, pode começar a pensar em caminhos novos para o seu futuro.
— Realmente, mas apesar de amar tudo que tenho aqui, ainda tenho um grande motivo para não me firmar 100%.
— Sua mãe.— Falou sem rodeios e assenti. – Entendo, é algo válido, mas creio que se vocês conversarem ela não irá se opor a uma oportunidade como essa, mesmo que seja aqui.
— Vou pensar nisso, além do que, Edward tem razão. Talvez toda e qualquer especulação seja infundada se no fim não poderemos arcar com os custos da faculdade. – Dei de ombros.
— Quanto a isso você pode contar com meu total apoio. – Tentei interrompê-lo, mas ele me impediu. – Não só você, mas Edward também. Se vocês quiserem, se for o que esperam e a melhor escolha, não se privem por questões pequenas como dinheiro.
— Desde quando dinheiro é uma questão pequena papai? Olha agradeço a gentileza, mas vamos nos informar primeiro, tomar nossas decisões e depois ver o que acontece. Obrigada pela carona, adorei que o senhor tenha estado ao meu lado nesse momento, nunca vou esquecer. Mas agora já vou indo, está tarde e amanhã ainda vou almoçar nos meus avós.
— Tudo bem, não quero discutir com você, mas já deixei meu ponto claro. Boa noite, conversamos depois. Bom almoço amanhã e se cuida.
— O senhor também, boa noite. – Trocamos um abraço, em seguida entrei na pousada enquanto ele foi embora.
Subi indo direto para o meu quarto, antes de entrar cheguei a pensar em ir ao quarto de Edward, mas imagino que se ele ainda quisesse conversar teria comentado algo, sendo assim entrei e segui com meus afazeres.
Enquanto arrumo minhas coisas antes de deitar os pensamentos não deixam minha mente, apesar de tantas notícias boas, momentos incríveis, a noite infelizmente não terminou da forma que queríamos.
A felicidade pelo sucesso da nossa música foi colocada de lado pelas responsabilidades da vida adulta.
Porque mesmo que temos que fazer escolhas tão difíceis a todo instante?
Cansada física e mentalmente, por sorte não demorei a pegar no sono, o que me possibilitou desligar de tudo por ao menos algumas horas, para voltar a pensar em todas as questões que precisam de resolução, apenas no dia seguinte...
— Você tem certeza que quer ir almoçar nos meus avós? – Questionei a Edward.
— É claro Bella. Nós combinamos, não temos porque cancelar. Ou você não está querendo ir?
— Eu quero. É só que você não parece muito bem e não quero te obrigar a fazer algo que não queira.
— Estou bem sim, inclusive por mim já podemos ir, para não chegarmos atrasados. – Assenti e saímos deixando vovó e Alice, que reclinaram do convite de ir ao almoço, fazendo com que apenas Edward e eu sigamos até o mesmo.
Não conversamos muito durante o percurso, como meus avós não moram tão perto de nós, Edward terá que pedalar por um trajeto mais longo do que está acostumado, então não quis ficar puxando assunto e desgastá-lo ou distrai-lo do caminho.
A manhã passou de forma até que tranquila, contamos a vovó como foi à apresentação e aproveitamos uns instantes livres para tocar a música a ela.
Vovó nos elogiou e disse que gostou bastante também, nos deixando mais animados. Falamos também só por cima sobre a moça que nos abordou comentando sobre a faculdade, mas não entramos realmente nos por menores do assunto.
Alice, no entanto, se manteve afastada, passando o tempo no quarto, quando fui lhe dar tchau, perguntei se tinha algo errado, mas a mesma também afirmou que não, que apenas estava envolvida em coisas da escola, por conta do projeto que terão que produzir, tanto por isso ela disse que não iria ao almoço.
Também perguntei ao Edward se eles conversaram mais alguma coisa depois de ontem, mas ele negou o que me deixou um pouco inquieta sobre a situação dos mesmos, mas deixarei para tentar conversar de forma mais aprofundada quando voltarmos à pousada.
Quando chegamos à casa dos meus avós, Edward parou a bicicleta, desci e fui tocar a campainha, enquanto ele espera.
Vovó foi quem apareceu primeiro.
— Minha querida, que bom que veio, seu avô e eu já estávamos morrendo de saudades. – Ela me abraçou e retribui.
— Eu também vovó. Perdão pela demora, mas nossos dias tem sido bem atribulados.
— Entendo, mas o bom é que conseguiram vir. Edward é muito bom vê-lo também.
— Obrigado Sra. Swan, fico feliz pelo convite.
— Já disse que pode me chamar de Renée. E sua irmã e avó fugiram do convite mais uma vez?
— Elas pediram desculpas. Alice está envolvida em umas questões da escola e minha avó não pôde deixar a pousada sozinha.
— Entendo, o colégio que sua irmã estuda é realmente puxado, lembro-me de quando minha Esme estudava lá. – Ela comentou com um suspiro resignado. – Mas entrem, você pode colocar a bicicleta aqui no jardim Edward e me acompanhem que Charlie está lá dentro. – Seguimos as indicações de vovó passando para dentro da propriedade, só depois entrando na casa.
Ao chegarmos à sala, vovô vinha do sentido da cozinha.
— Olá. Perdão por não tê-los recebido logo na entrada recebi uma ligação inesperada e quis finalizar primeiro antes de vê-los.
— Não tem problema Sr. Swan, como o senhor está? – Edward o cumprimentou.
— Bem meu jovem e você?
— Bem também obrigado.
— E você minha neta? Não vai dar um abraço no seu avô? – Mal terminou de falar e encurtei nossa distância o abraçando.
— Estava com saudades vovô. O senhor está bem mesmo?
— Sim, graças a Deus tudo tem corrido conforme o esperado. Mas vieram só vocês dois? – Edward explicou a mesma coisa que falou a vovó, então vovô assentiu. – Pois bem, então seremos apenas nós, mas tenho certeza que será um bom dia mesmo assim. – Concordamos com um sorriso.
— Sentem-se, fiquem a vontade, gostariam de beber ou comer alguma coisa? – Vovó sugeriu.
— Não Sra... Renée. Estou bem obrigado. – Edward agradeceu.
— Eu também vovó, o que gostaria de fazer era lhes entregar a peça que compraram na noite da exposição, fiz questão de trazer pessoalmente. – Falei pegando a mesma que trouxe na bolsa, retirando com todo cuidando entreguei a minha avó.
Enquanto ela abre a embalagem continuei falando.
— Como contei a senhora, consegui arrematar apenas uma, pois a exposição de Benjamin teve um sucesso imenso e como empreendimento comercial tivemos que priorizar outros estabelecimentos do ramo e pessoas influentes no mundo da arte, mas por sorte conseguimos uma para os senhores, meu pai e vovó Elizabeth.
— Muito obrigada querida, pelo esforço e atenção. Olhe Charlie essa é justamente a que você mais tinha gostado.
— Sim Renée. E obrigado querida, vamos apenas pensar em que lugar colocá-la para deixar exposta, mas estamos muito felizes com a adesão e já ansiosos pelo próximo evento.
— De nada. Nós é que agradecemos pelo incentivo e não tenham dúvidas que sempre que tiver algo no Antiquário, com certeza os chamarei. – Sorri.
Continuamos conversando por mais algum tempo sobre assuntos ligados a arte, até que vovô sugeriu mostrar a casa a Edward, o mesmo aceitou de bom grado e no fim vovó e eu também os acompanhamos.
Gostei de ver como Edward interage bem com meu avô, enquanto andamos vovô comenta sobre questões arquitetônicas, as quais Edward é familiarizado por conta do trabalho, como também de assuntos da história britânica, que eu como estrangeira realmente não tenho muito conhecimento, mas gosto de ouvir os dois conversarem.
Próximo à hora do almoço, os homens voltaram para sala, enquanto me ofereci para ajudar vovó nos últimos preparativos da refeição, realmente não tive muito que fazer, pois ela deixou quase tudo pronto antes de chegarmos, mas mesmo assim foi bom passar um tempo a sós com ela também.
Ao terminar de organizar tudo na sala de jantar nos reunimos e iniciamos o almoço.
E se tem um lugar que frequento que segue a risca as regras de boa conduta a mesa, esse é a casa dos meus avós, portanto, o diálogo entre as refeições é algo devidamente banido.
O que não deixa o clima necessariamente ruim, apenas temos maior possibilidade de concentração na refeição em si, do que em coisas dispersas.
E devo confessar que vale a pena, pois vovó Renée cozinha muitíssimo bem, definitivamente não seria capaz de escolher entre a comida dela e de vovó Elizabeth...
Quando terminamos seguimos para a sala de descanso que é onde fica o piano, percebi que vovô sentou na poltrona mais distante possível do mesmo e isso me deu um pouco de dor no coração.
Ao imaginar que ele vê o piano todos os dias e não tem mais carinho pelo mesmo, ao contrário, é provável que sinta o sentimento de aversão ao lembrar tudo que teve e perdeu.
Dispersei desses assuntos tristes ao ouvir vovô falando com Edward.
— Vi que vieram de bicicleta ela é sua?
— Sim Sr. Swan. É o meu meio de transporte oficial, uso para ir ao trabalho, passear, até onde consigo chegar com ela, vou sem problema algum.
— Já disse que pode me chamar de Charlie, rapaz. – Edward assentiu. – E que bom, eu tive uma também quando era jovem.
— Sim, quando namorávamos, quer dizer na nossa época não havia namoro, e sim cortejo. – Vovó completou e rimos. – Enfim, na época que Charlie ia até minha casa me visitar ele também ia de bicicleta e depois quando casamos ainda pude andar algumas vezes com ele. Eu adorava.
— Eu também adoro. É até estranho quando saímos com nossos amigos e vamos de carro, pois andar com Edward na bicicleta é tão mais legal. Poder observar a cidade, as pessoas, respirar o ar. – Comentei.
— Você tem razão Bella, é realmente muito bom. Eu fui um bobo em vender a minha, deslumbrado pela ideia do primeiro carro acabei abrindo mão, não que ter um carro seja de todo ruim, ainda mais na minha idade é algo essencial, mas não deveria ter me desfeito da minha.
— O senhor ainda pode comprar uma hoje e voltar a andar. – Edward sugeriu.
— Ah rapaz, hoje já não tenho mais idade para isso. Já pensou se caio de uma bicicleta a essa altura? Ou pior derrubo Renée? Não poderia.
— Por favor, vovô. O senhor e a vovó são super novos, podem muito bem pedalar de bicicleta por ai o quanto quiserem. Vocês podem até comprar duas, assim não só podem sair juntos na mesma, como também cada qual aproveitar a sua.
— Ah querida, eu não sei andar de bicicleta. Não fui ensinada quando menina e depois de adulta acabei perdendo a chance. – Vovó falou.
Troquei um olhar significativo com Edward antes de falar.
— Sinto muito vovó. Mas então fiquem só com a opção de andarem juntos, acredito que vocês conseguem.
— Se quiserem podem andar na minha, ao menos para testar. Se não gostarem da experiência não tocaremos mais no assunto, mas caso o contrário terão em mente essa nova possibilidade. – Agora foi à vez do vovô e vovó trocarem olhares.
— Você gostaria de tentar Renée?
— Por mim tentamos, mas você que irá pedalar então a decisão final é sua. – Aguardamos a resposta do vovô.
— Muito bem, vamos tentar. – Levantei contente e animada.
Vovô falou que iria trocar de calça, então saímos para esperá-lo lá fora.
Edward levou a bicicleta até a rua e fiquei dando dicas para vovó de como posicionar o corpo, para não atrapalhar os movimentos dos braços e também a visão do vovô quando ele estiver pedalando.
Quando ele saiu, vestindo uma calça mais leve e esportiva, Edward também lhe passou umas instruções, antes de entregar a bicicleta.
Decidimos que ele deve tentar andar sozinho primeiro e depois que pegar firmeza levará vovó por uma volta no quarteirão.
Ele sozinho conseguiu ir bem, pedalou por alguns metros em frente à rua mesmo, mas logo parou novamente para pegar a vovó.
A ajudei a subir e depois fiquei olhando em expectativa por ver os dois saindo juntos, novamente ele deu algumas voltas só aqui em frente, antes de pegar confiança de pedalar mais espaços para contornar a rua.
Nesses instantes vi o quanto parecem contentes, vovó sorri sem parar e vovô parece ter uma aura diferente também no ar.
Parecia que eles voltaram a ser crianças, ou o jovem casal de outrora quando se conheceram.
Quando sumiram de nossas vistas virei para Edward, agradecendo-o.
— Obrigada.
— Pelo que?
— Por proporcionar esse momento aos meus avós. Tenho certeza que mesmo que não comprem uma bicicleta, não esqueceram esse dia por nada e nem eu.
— Não tem o que agradecer, também estou feliz por vê-los interagindo dessa forma. Seus avós parecem se gostar muito, só não sei se tem aproveitado certas alegrias da vida como se deve.
— Eu sei. Desde que os conheci tenho a sensação que não vivem completamente felizes. Deve ter muito a ver com a partida da minha mãe. Não imagino como é viver separado da filha, sem ter notícias dela por tantos anos.
— Ao menos agora eles tem você. Não é propriamente a sua mãe, mas tem grande parte dela e é impossível não ser feliz tendo você por perto, eu te amo.
— Te amo. E você também é grande parte da felicidade que tenho na vida. Espero que um dia possamos chegar à idade dos meus avós ainda juntos e felizes compartilhando o melhor que a vida terá a nos oferecer.
— Assim será. – Ergui meus braços entrelaçando seu pescoço, enquanto ele me puxou pela cintura e nos beijamos.
Transmitindo com esse carinho todo sentimento que nutrimos hoje e que esperamos que continue pelos anos que se sigam à frente...
CONTINUA.
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