Para Te Encontrar
23 Capítulo 22 - Connections
Notas iniciais
Comecei a sentir o sono ir embora, ao mesmo tempo em que percebi estar envolvida por braços fortes e uma respiração constante arrepiando meu pescoço, imediatamente sorri.
Nada do que desejamos realmente acontece da forma que esperamos, em alguns casos vem à decepção, em outros um prazer sublime e essa é uma das situações.
Ao perceber que estou na cama com Edward, consigo sentir que meu dia será bom. Bom só não, mas sim maravilhoso. Não tem como no mundo ter qualquer sentimento ruim depois de amanhecer dessa forma.
Quando finalmente abri os olhos vi que faltam alguns minutos ainda para o despertador tocar, ou seja, além de tudo ainda poderei curtir uns instantes a mais ao lado do meu namorado.
Mas antes de acordá-lo, reparei um tempo nas coisas do quarto, em especial meus olhos se firmaram em uma foto nossa que foi tirada no dia que saímos para passear sozinhos pela primeira vez como um casal.
Lembrar aquele dia só fez minha satisfação aumentar e diante da recordação refleti também sobre como as coisas já mudaram e evoluíram desde então.
Como nos conhecemos, pegamos afinidade e construímos uma amizade sincera, a primeira vez que cantamos. O medo que senti quando me percebi apaixonada, a alegria que senti a cada instante que Edward me apoiou em relação à história do meu pai.
Nosso primeiro beijo, as apresentações no Pub, à noite que nos declaramos como meu coração vibrou ao saber que não estava sozinha nessa empreitada e a partir dai tudo só melhorou.
Nosso relacionamento, sentimentos e nossa intimidade como casal.
Antes de Edward minha vida baseava-se em pouca coisa, mas hoje ao notar o tanto que cresci e conquistei, o quanto amadureci e ao mesmo tempo me libertei, quando poderia imaginar que a Bella de poucos meses atrás estaria aqui hoje, nessa jornada completamente inesperada, mas surpreendentemente feliz.
E devo tudo isso ao amor...
Que começou com minha mãe que entendeu minha escolha. Passando aos amigos que conheci e ao pai que encontrei. Também aos avós que conquistei e por fim o homem por quem me apaixonei.
A ele que entreguei meu coração sem ao menos perceber, mas que sinto todos os dias que foi a melhor decisão da minha vida. Com ele não sinto medo de amar sem medidas, de viver intensamente, de simplesmente sentir...
Sentir e viver...
É para que estou pronta a compartilhar com Edward nesse momento.
— Ainda estou sonhando ou isso é mesmo real? – Fui trazida de volta a realidade pela voz de Edward.
— Se for um sonho, estamos compartilhando o mesmo. – Respondi.
— Até poderia ser, mas acredito que não, pois em nenhum dos meus sonhos foi tão bom assim, a sensação de acordar com você nos meus braços. – Ele disse e beijou meu pescoço, arrepiei completamente.
Em seguida virei o corpo para que possamos nos ver.
— Você tem razão, isso aqui é melhor do que qualquer sonho, porque é real. – Fiz um carinho em seu rosto enquanto tento enxergar seus sentimentos através de seus olhos.
— Você é tão linda ao acordar. – Falou.
— Sei, acredito...
— É sério. – Fez um movimento como se fosse me beijar e recuei. – O que foi?
— É de manhã, não tive tempo de... – Não consegui concluir meu raciocino, pois Edward me interrompeu.
— Não. Não abro mão de beijar minha garota ao acordar. – Sorri ao ouvi-lo me chamar de sua garota. – Se não, como será nosso futuro?
— Nosso futuro?
— Sim, essa é apenas a primeira manhã de todas as outras que ainda vamos acordar juntos e não pretendo abrir mão de te beijar em nenhuma delas. – Ao ouvir suas palavras não resisti.
Eu mesma tive que beijá-lo e o beijo foi muito melhor do que poderia imaginar, mas porque ainda duvidei que até o beijo matinal de Edward seria perfeito?
Nota mental, nunca mais duvidar de nada que venha dele...
Ao nos afastar sussurrei em seus lábios.
— Eu quero dormir com você.
— Eu também adoraria continuar aqui na cama com você pelo resto do dia, mas temos que levantar...
— Não. – O interrompi. – Você não entendeu a que me referi. – Ele me olhou de forma questionadora, prossegui. – Eu quero fazer amor, contigo...
Ele ficou me olhando por uns segundos sem dizer nada, ou expressar qualquer reação, nem piscou durante esses instantes, o que começou a me assustar.
— Edward?
— Devo estar mesmo sonhando...
— Não meu amor. Eu falei de verdade. Eu te amo. Você é o homem da minha vida e quero que a minha primeira vez e todas as que vierem depois, sejam contigo. Você quer fazer amor comigo?— Ao menos agora ele expressou uma reação. Que foi nos virar na cama, ficando por cima e me beijando.
Entreguei-me ao beijo procurando demonstrar com o mesmo tudo que falei e sinto, para que ele realmente entenda o que quis dizer.
— Você tem certeza Bella? Continuarei te esperando o tempo que for, sejam dias, meses ou até anos.
— Não temos porque esperar, eu sei, eu sinto.
— Eu te amo e vou tentar ao máximo ser merecedor de você.
— Você já é. Você é o único homem que quero na vida Edward. Você foi o primeiro que tocou meu coração, meu corpo e agora minha alma e só espero que o futuro me reserve à honra de contar com você como meu companheiro e o pai dos meus filhos. Mas hoje você já é o meu amor e quero viver isso contigo, eu te amo.
— Eu te amo demais. Você também é a primeira que tocou meu coração e minha alma, e é a única que quero para o resto da vida ao meu lado em todos os sentidos. Como minha amiga, companheira, mãe dos meus filhos, amada e amante... Só existe você Bella, hoje e sempre.
— Só você, hoje e sempre. – Nos beijamos mais uma vez, selando a confirmação, mas antes que nos aprofundássemos um pouco mais, meu despertador tocou.
— Ainda está de pé aquela ideia de ficarmos na cama o dia inteiro? – Questionou.
— Seria o paraíso na terra, mas infelizmente tenho que levantar e ir para o meu quarto me arrumar.
— O que? Achei que já ganharia meu prêmio agora. – Edward falou em tom de brincadeira.
— Pobrezinho do meu namorado, achando que as coisas seriam fáceis assim. Quem sabe numa próxima, talvez se chegar e te ver de novo enrolado naquela toalha branca as coisas não ocorram da forma que espera. – Pisquei.
— Um dia você ainda acaba comigo...
— Espero que não. Pois como me divertirei depois?
— Então quer dizer que sou só diversão? Que todas as declarações não valem de nada?
— Exatamente, só me declaro a você, digo que te amo e escrevo canções inspiradas na sua pessoa para poder me aproveitar desse corpinho. Não posso perder a oportunidade de apreciar um bom espécime de inglês, não é? – Provoquei, mas ele não deixou barato me atacando numa sessão de cosquinhas. – Não, cosquinha não, isso é golpe baixo.
— É o que a senhorita merece por ser tão provocadora. Você pode até achar que conhece os ingleses, mas está enganada, não costumamos deixar as coisas baratas.
— Ok, sinto muito, mas, por favor, pare. – Falei entre risos.
— Só se ganhar um beijo de recompensa antes de deixá-la sair. – Não precisei ouvir seu pedido duas vezes, inclinei e suguei seu lábio inferior entre os meus, antes de procurar sua língua com a minha para apreciarmos o beijo como se deve. Quando nos separamos, concluiu. – Tudo bem, agora pode ir.
— Nos vemos daqui a pouco, te amo.
— Eu também.— Sorrindo peguei minhas coisas, vesti o casaco e sai.
Já no corredor caminhei apressadamente até a porta do meu quarto, destranquei rapidamente e entrei.
Ao me sentir segura e sem ser pega, sorri como uma criança sapeca, indo imediatamente tomar banho e me arrumar para viver mais desse dia espetacular, que como previ assim que abri os olhos, só tende a ser incrível...
O sorriso não sai do meu rosto nem por um instante, até alguns clientes já repararam em como pareço mais feliz e sorridente hoje.
Usei como desculpa o fato de ser sexta-feira, já que todos sempre ficam mais animados com a chegada do fim de semana e a oportunidade de descansar, mas no meu íntimo sei qual a verdadeira razão para esse estado de alegria ao qual me encontro.
Quando desci para o café da manhã vovó e Alice foram as primeiras a notar essa aura que envolve não só a mim, mas Edward também. Conseguimos escapar das duas sem muitas explicações e durante o trajeto da pousada até o Antiquário mantivemos nossa conversa voltada mais para nossas músicas e a possibilidade de contar sobre elas aos nossos amigos e quem sabe vir até a tocar no Pub em algum momento.
Depois durante a manhã fiquei envolvida em vários afazeres o que não deu tempo de conversar com Rose, no meu horário de almoço aproveitei para ler o último e-mail que mamãe me mandou e lhe respondi contando como as coisas estão aqui.
Falei das músicas que Edward e eu fizemos e como gostaria que um dia ela pudesse nos ouvir também. Assim dividida entre fechar notas, atender clientes e os pensamentos que rondam minha mente a tarde está se encerrando.
— Muito obrigada por vir, esperamos vê-lo em breve. – Terminei de me despedir de um cliente e segui até o balcão onde Rose trabalha em frente ao computador.
— Finalmente essa semana está acabando, apesar de saber que ainda temos a jornada no Pub, é bom descansar um pouco a mente desses números e dados históricos.
— Sim, apesar de que não sei bem se quero que essa semana acabe, aconteceram coisas tão boas que não estou tão ansiosa assim pelo seu fim. – Comentei.
— Algo que possa me contar?
— Tem uma coisa que Edward e eu estamos planejando conversar com vocês, mas será só à noite, junto com todos.
— Se é apenas uma coisa, significa que tem mais segredos a ser revelados, então perguntarei de novo. Tem algo que posso saber agora?
— Talvez...
— Como assim talvez? Não faça tanto suspense, não pense que não notei como esteve o dia todo, mas aguardei pacientemente que viesse me contar com todos os detalhes o que foi que te deixou assim.
— Ok, é que Edward e eu dormimos juntos na noite passada. – Falei praticamente sussurrando.
— O que?! Vocês transaram?! – Enquanto minha belíssima amiga devolveu gritando.
— Shiii. Quer que a rua toda nos ouça?
— A culpa é sua por soltar uma informação dessas sem me preparar antes, mas vamos, conta tudo.
— Fica calma, que primeiro você entendeu errado.
— Como assim?
— Quando disse que dormimos juntos, é no sentido literal da palavra, ou seja, deitamos e adormecemos na mesma cama.
— Ah isso, mas a culpa é sua. Por mais que tenha falado literalmente, esse não é o sentido que mais costumamos dar ao ouvir que um casal dormiu junto.
— Pois é, tenho aprendido isso.
— Mas mesmo assim, me diga como foi? Vocês tem evoluído bastante na relação e imagino que dormir juntos foi um grande passo.
— Sim, foi incrível, todas as noites que nos despedíamos tendo que sair da cama um do outro depois de compartilhar uma conexão tão mágica partia nossos corações, mas ontem simplesmente pareceu certo. Não sei se vamos fazer disso um hábito, mas que foi maravilhoso foi.
— Tenho certeza que sim, as pessoas não pensam muito desse jeito, mas realmente adormecer juntos, como fizeram, é algo muito íntimo e demonstra uma conexão bem forte. Agora posso compreender o porquê da sua animação. – Sorrimos.
— É isso por si só já seria um motivo mais do que forte para me deixar alegre, só que tem algo mais...
— O que?
— Vê se não grita dessa vez, por favor. – Rose assentiu. – É que finalmente me sinto pronta para avançar de verdade na nossa relação, em ter minha primeira vez com Edward.
— Ah Bella, que legal. Fico muito feliz por vocês, será uma das coisas mais especiais da sua vida, ainda mais por ser com o homem que ama.
— Pois é. Desde que começamos a namorar e as coisas foram caminhando para esse lado sabia que daria esse passo com Edward. Só ainda precisava viver um pouco mais, mas agora não sinto mais que temos o que esperar, esse será apenas mais um passo na nossa história e posso dizer que estou ansiosa para vivê-lo.
— Estou realmente feliz por vocês de verdade. Tenho certeza que Edward saberá como levar as coisas para que seja inesquecível a vocês dois. E no mais o melhor conselho que posso dar é que se entreguem. De corpo, alma e coração. Seguindo isso as coisas ocorrerão perfeitamente. – Sorri em concordância. – Agora estou ansiosa para ouvir quando vier contando como foi tudo, perdão, mas já estou animada a esse nível. Você já tem ideia de quando pode acontecer?
— Ainda não, ao mesmo tempo em que gostaria que acontecesse de forma espontânea, também gostaria de me preparar um pouco com algumas coisas, além do que, Edward disse que tem alguns planos em mente também, então não sei ao certo.
— Entendi, acho que uma questão importante que deve ser pensada previamente é sobre proteção, você ainda não toma nenhum tipo de anticoncepcional, não é? – Balancei a cabeça negando. – Pois seria uma boa se começasse, mesmo usando preservativo, o remédio é uma segurança a mais.
— Sim você tem razão, mas para isso teria que procurar um médico e confesso, desde que cheguei não me preocupei muito com isso, a única vez que fui a um hospital, foi quando estava procurando meu pai. – Confessei.
— Quanto a isso não se preocupe, posso te indicar minha ginecologista, ela é um máximo.
— Jura?
— Claro e olha só, como você possui o convênio por trabalhar aqui, ainda vai conseguir ser inclusa no plano.
— Eu poderia querer uma amiga e chefe melhor?
— Não. Agora vamos ligar e ver para quando ela tem um horário. – Animada, acompanhei Rose ligando no consultório e conversando sobre datas e agendamentos.
Por uma sorte imensa a doutora atende de sábado pela manhã e tem um horário disponível para amanhã, marcamos o mesmo, assim Rose encerrou a ligação.
— Prontinho aqui estão os dados da consulta, o nome da médica, horário, local, etc.
— Obrigada Rose, realmente não sei o que faria sem você.
— De nada, se não quiser ir sozinha, posso acompanhá-la. A não ser que prefira a companhia do Edward ou de outra pessoa.
— Vou conversar com ele sobre essa decisão, mas se não for te incomodar ainda mais, gostaria sim da sua companhia.
— Ótimo, então estamos combinadas, passo amanhã na pousada para te buscar e vamos juntas, será bom também que aproveitarei para perguntar sobre algumas questões, vou ver se posso apenas parar meu remédio na hora que quiser e se já estarei apta a engravidar.
— Imagino que sim. Você e o Emm só se previnem com remédio, não é?
— Sim, no início usávamos camisinha sempre, sem falta. Depois que ficamos firmes comecei a tomar o remédio, mas só paramos com o preservativo depois do casamento e posso dizer foi um dos melhores momentos da nossa vida a dois.
— Por quê? – Perguntei realmente interessada.
— Ah é diferente sabe? – Balancei a cabeça negando e rimos. – Ok, foi uma pergunta boba. Algumas pessoas dizem que perde a sensibilidade e a sensação é diferente, não sei se chega a tanto, mas o que realmente muda é a conexão real que se firma depois. Quando você sente o parceiro por inteiro, pele com pele. Sexo é calor, suor, fluídos e sem o preservativo tudo isso se torna 100% natural. Além do que, não tem aquela quebra de clima básico de quando se está no meio da coisa, pronto para atacar, literalmente, e tem que parar para colocar a camisinha. Posso dizer com segurança que não sinto falta desses dias.
— Entendo, ao menos acho que entendi, mas por enquanto não poderei sentir essas sensações que descreveu porque não poderemos abrir mão do preservativo, o remédio só me assegurará com mais afinco em questão de uma possível gravidez, mas como Edward já teve outras experiências, o jeito é usarmos camisinha também.
— Sim essa vida de adulto não é fácil. Às vezes não da para fazer uma relação baseada apenas na palavra, por mais que digam que nunca fizeram nada de errado, não podemos confiar 100%.
— É. – Suspirei, mas continuei pensando nas coisas que Rose disse, por conta disso perguntei. – Mas Rose, como decidiu ou confiou o suficiente no Emm para deixar de usar camisinha com ele? Você disse que foi quando se casaram, foi só nesse instante que confiou plenamente?
— Não, para falar a verdade no nosso caso não foi nem pela questão da confiança, mas nas vésperas do nosso casamento Emm teve que fazer uns exames de rotina e entre um deles, não lembro qual agora, atestou que estava tudo bem com sua saúde, incluindo a questão sexual, depois disso tivemos uma conversa sobre parar de usar camisinha e assim foi. Eu acabei fazendo alguns exames depois também e com os dois seguros quanto a essas questões, veio a nossa Lua de Mel onde já pudemos curtir ao máximo sem qualquer privação.
— Que legal que estava tudo bem no fim das contas.
— Sim e isso é algo que não tem porque temer conversar. Acho até que poderíamos ter feito isso antes, como falei, por mais que no íntimo saibamos o que fizemos, às vezes, algumas coisas surgem sem que tenhamos total conhecimento e quando confirmamos que tudo estava bem conseguimos curtir nossa relação sem limites.
— Você acha que deveria conversar sobre isso com Edward?
— Você gostaria de tentar?
— Não sei, até hoje sempre pensei que as relações sexuais deveriam vir acompanhadas do preservativo. É como disse, tem tantas pessoas por ai com problemas que às vezes nem sabem. Mas eu amo o Edward e gostaria tanto que nossa relação fosse o mais especial possível, só por tudo que já vivemos juntos consigo imaginar como é estar com ele dessa forma sem nada mais entre nós, pele com pele...
— É não tem nada como essa sensação. Eu acho que você não perde nada Bella, converse com ele, veja se ele topa fazer uns exames antes, além do que, só trará benefícios confirmar que está tudo bem e ai se decidirem se prevenir só com o remédio então se joguem e sejam felizes.
— Você tem razão Rose, vou conversar com ele e ver no que dá. Mas muito obrigada por tudo, não sei o que faria sem sua ajuda.
— Não tem o que agradecer, amigas são para isso mesmo.
— Eu nunca tive muitas amigas em casa, a vida toda fomos apenas mamãe e eu, e apesar de termos uma boa relação não sei se conseguiria conversar com ela sobre esse tipo de coisa, ao menos não assim tão abertamente. Mas depois que vim para cá e conheci você e Alice, sinto que finalmente pude desabrochar também no âmbito da amizade feminina.
— Acho que nenhuma de nós tinha alguém tão próxima, Alice tem as questões da escola, eu vivia dividida entre o Antiquário e o Pub, mas sempre cercada de homens e mesmo Alice e eu já nos conhecendo, só viemos a ter mais contato depois que você chegou, então nós também temos que te agradecer por ter vindo para nos unir dessa maneira.
— Que bom que vim então.
— Que bom que você veio. – Respondeu e nos abraçamos contentes por essa união. – Começamos a conversa com um assunto tão animado e encerramos agora quase aos prantos, se isso não é uma prova de amizade feminina não sei mais o que é.
— Realmente, agora acho que já podemos voltar ao trabalho. – Rose assentiu e assim fizemos.
O restante do expediente passou sem maiores emoções, mas quando Edward me buscou e perguntou como foi meu dia comentei sobre as coisas normais, mas ainda lhe disse sobre o momento especial que Rose e eu partilhamos, porém sem entrar em muitos detalhes sobre o teor do assunto, deixando para falar mais tarde com calma e tempo.
Ao chegar à pousada seguimos com os preparativos para sair novamente, nos arrumar, jantar e aguardar a chegada de Jasper para nos buscar, durante o trajeto viemos conversando sobre amenidades, já ao entrar no Pub, nos separamos do casal que seguiu para a mesa, enquanto fomos para o balcão iniciar a jornada.
Como uma típica sexta-feira o Pub está cheio, todos procurando descontrair da semana exaustiva, como comentei com Rose, a minha foi tão perfeita que não me vejo ansiosa pelo seu término.
Mas para muitos esse é o ápice de tudo e gosto de saber que de alguma forma ajudamos essas pessoas a se divertir e espairecer depois de tudo.
Noite adentro as coisas foram se desenrolando até chegar o momento de Edward e eu subirmos ao palco, nossa playlist parece combinar conosco, com muitas canções românticas e baladas, mas depois o pessoal mudou um pouco as coisas pedindo músicas mais contemporâneas e dançantes.
Encerramos a noite esperando ter deixado todos contentes e satisfeitos, mas procurando aproveitar também um pouco ao lado dos nossos amigos.
Sentados à mesa conversando, enquanto os últimos clientes vão embora prestes a partir também, mas antes Edward fez sinal pedindo para falar e assenti.
— Pessoal, temos uma coisa para falar com vocês. – Começou.
— O que foi? – Emm questionou.
— Tem a ver com as nossas apresentações aqui no Pub. – Falei.
— Você não estão pensando em parar, não é mesmo? – Alice perguntou.
— Ou pior, se separar. Nem vem, vocês assinaram um contrato, só aceito os dois e tenho dito. – Emm emendou.
— Desde quando assinamos um contrato com você que não estou sabendo? – Edward devolveu.
— Desde que começaram a cantar juntos e fazer sucesso. Não precisamos de um papel para selar isso, vocês são uma dupla e ponto final.
— Calma, não vamos nos separar e tão pouco parar de cantar. O assunto que temos a comentar é completamente outro. – Expliquei.
— E o que é? Estão nos deixando curiosos. – Jasper disse.
— Então, como estava dizendo antes de toda essa loucura, é que como sabem, além de cantar e tocar, Bella e eu também estávamos tentando escrever algumas músicas.
— Isso, antes só me arriscava com algumas letras, nada muito concreto, mas depois que conheci Edward e embarcarmos nessa jornada fomos tornando as coisas mais reais. – Completei.
— E essa semana conseguimos finalizar nossas primeiras músicas, não é nada que se diga, nossa que coisa de outro mundo, mas realmente gostamos do resultado final. – Pontou.
— E gostaríamos de saber, especialmente de vocês, Rose e Emm, se concordam em tocarmos alguma delas um dia aqui no Pub. Só para ver como o pessoal reage se podemos investir nessa história ou deixar de lado.
— É claro que sim Bella, Edward, sem sombra de dúvidas. Já estou ansiosíssima para ouvir uma composição original de vocês. – Rose falou.
— Caramba vocês são bons mesmo hein? Além de cantar, tocar, ainda compõe. Nem ouvi ainda, mas já tenho certeza que será ótimo. Por mim está mais do que bem. – Emm expressou seu entusiasmo nos deixando animados também.
— Sabia que todas aquelas noites que passaram ao piano não poderia ser em vão. Já pensou se escrevem músicas e chegam a gravar um disco?
— Menos Alice, não temos pretensão alguma de lançar discos.
— Porque Edward? Vocês são tão talentosos, tem mais talento que muitos cantores por aí.
— Alice tem razão, o sucesso que fazem aqui no Pub não é atoa e escrever músicas é algo sério, poderiam pensar nessa carreira. – Jas completou.
— Obrigada aos dois pelos elogios, mas realmente não é algo que vemos para o nosso futuro, trabalhar com música de alguma forma sim, mas procurar fama e essas coisas não. – Falei e eles deram de ombros.
Depois disso continuamos conversando, comentando um pouco sobre como fazemos com as canções e afins.
Na hora de ir embora, nos despedimos de Rose e Emm, e voltamos à pousada mantendo a conversa com Alice e Jasper, ao chegar deixamos os dois se despedirem e subimos direto ao meu quarto.
— Será que hoje terei o prazer de ser convidado a dormir na sua cama? – Edward perguntou depois de entrarmos, enquanto comecei a me preparar para dormir.
— Seu convite a ela é vitalício. – Falei lhe dando um selinho.
— Oba, agradeço a preferência. – Ele sentou na cama, me observando movimentar pelo quarto.
— Bobo. Só não sei se vai querer dormir essa noite.
— Por quê? Amanhã é sábado não temos que acordar cedo...
— Ai é que está. Amanhã terei que acordar cedo, pois vou ao médico com a Rose.
— Médico? O que houve? Você está com algum problema? Ela está com problemas?
— Não, fica tranquilo. Eu vou passar no médico, mas será em uma consulta.
— Entendo e você não quer que te acompanhe?
— Não precisa Rose já se ofereceu e como é a médica dela aceitei a companhia.
— Tudo bem. E em que especialização irá se consultar? – Resolvi sentar ao seu lado para podermos conversar concentrados.
— Você sabe que não sei muitas coisas sobre as relações e Rose é minha amiga, mais velha, casada, então, às vezes acabo comentando algumas coisas com ela, espero que não se importe.
— Imagina Bella, não tem problema algum, é até bom que tenha com quem falar sobre suas coisas. Mas prossiga.
— Então, comentei com ela que estou pronta para darmos o próximo passo e Rose sugeriu que fosse a uma ginecologista, para me consultar, ver se está tudo bem e quem sabe começar a tomar anticoncepcional. O que você acha?
— Não tinha parado para pensar nisso, mas é realmente uma boa ideia, uma forma a mais de estarmos seguros. Se você quer, tem meu total apoio.
— Obrigada. Amanhã vou à consulta e quando voltar conto como foi tudo e o que decidi.
— Tudo bem. – Ficamos em silêncio por um instante, mas Edward deve ter percebido algo de diferente, pois falou. – Tem algo a mais que você quer conversar? Não sou tão mais experiente nesse tipo de assunto, mas se tiver algo mais a falar, podemos conversar.
— Na verdade tem sim.
— Sou todo ouvidos.
— Nas suas outras relações você sempre usou camisinha, não é?
— Sim Bella, nunca fiz nada sem preservativo, pode confiar em mim. Mesmo que opte pelo remédio e agora estejamos juntos e não tenha pretensão de estar com ninguém mais, não deixarei de me cuidar.
— Eu confio em você, mas é que estive pensando. E se eu tomar o anticoncepcional, nos prevenindo de uma possível gravidez e não precisarmos usar a camisinha também, você gostaria? – Ele fez um carinho em meu rosto antes de responder.
— É claro que sim Bella. Como poderia não querer estar com a mulher que amo, vivendo algo que verdadeiramente nunca vivi e podendo ainda senti-la ao máximo? Seria um sonho.
— Eu te amo e confio em você, se fosse preciso faria tudo contigo hoje sem pensar duas vezes, mas sei de uma forma de podermos realizar isso sem nos preocupar mais. – Ele ficou confuso, então prossegui. – Conversando com a Rose ela comentou que você pode fazer exames para comprovar que está tudo bem. É provável que eu faça alguns a pedido da médica, mas você também poderia fazê-los e quando comprovarmos que estamos os dois seguros, poderemos nos entregar realmente, sem qualquer receio.
— Essa é uma ótima ideia. Eu mesmo já deveria ter pensado nisso há mais tempo, porém infelizmente faço parte das estatísticas dos homens que não frequentam muito ao médico. – Sorrimos. – Mas farei com certeza, nada me deixaria mais contente do que saber que sou merecedor de estar contigo por completo, sem receio algum. – Feliz com sua resposta continuei.
— Então, ainda não sei exatamente quais exames precisamos fazer, mas amanhã me informarei de tudo direitinho com a médica e conforme for tomaremos as próximas providências. E depois que tudo estiver encaminhado, que começar a tomar o remédio poderemos nos entregar realmente sem qualquer barreira.
— Envoltos apenas pelo nosso amor. – Nos beijamos apreciando o momento e ao nos separar, pedi.
— Dorme aqui? Falei que talvez não fosse querer, mas quando levantar você vai para o seu quarto e volta a dormir. Mas agora, fica comigo?
— Como se fosse dizer não. Ainda que fossem apenas poucos minutos, qualquer tempo passado ao seu lado é um tempo que passo feliz.
Nos arrumamos para dormir, no meu banheiro tem uma escova extra, que Edward disse que pertencerá a ele a partir de agora.
Quando fomos deitar, ele tirou a roupa ficando apenas com a cueca e deitei usando só uma camisola e calcinha, por escolha de Edward, que disse ainda ter sido muito bonzinho em me deixar dormir com duas peças, que por ele seria bem menos ou nada.
Não aguentando aquilo, sorri, mas logo me aconcheguei em seus braços mais do que satisfeita.
— Mal vejo a hora de nos unirmos verdadeiramente como um só. – Edward sussurrou pouco antes de pegarmos no sono.
— Eu também. Não sei como, quando ou onde, mas só o que posso garantir é que minha primeira vez será a mais perfeita do mundo, por ser com você.
— Nossa primeira vez será inesquecível e a primeira de infinitas...
— Infinitas? – Questionei.
— Sim, não quero ter apenas muitos ou milhares, mas um infinito de momentos contigo. Eu te amo.
— Eu te amo. Boa noite.
— Boa noite. – Trocamos um último beijo e depois deixamos com que o mundo dos sonhos nos envolva encerrando o que como previ, foi um maravilhoso dia...
***
No dia seguinte minha consulta com a médica ocorreu de forma tranquila e satisfatória, conversamos sobre todas as dúvidas que tinha, esclarecendo pontos chaves e confirmando outras situações.
Ela esclareceu que o exame de sangue, o mais completo conhecido como hemograma, já é capaz de determinar a presença ou ausência de várias doenças, incluindo as venéreas.
Mesmo ainda sendo virgem, ela expeliu o pedido para que fizesse um, assim como solicitou também uma ultrassonografia, para avaliar melhor como meus órgãos estão e assim poder receitar o remédio mais indicado.
O ultrassom conseguimos fazer no dia mesmo, depois de avaliar que tudo estava bem, ela receitou o remédio dizendo que deveria iniciar a primeira cartela junto com minha próxima menstruação e depois seguir iniciando uma nova ao término de cada ciclo.
Ela também informou que se Edward e eu optarmos por nos prevenir apenas com o anticoncepcional, que deveremos esperar ao menos um mês para o mesmo fazer efeito no meu organismo, para ai sim iniciar nossa vida sexual de forma completamente segura.
Depois de ouvir isso comecei a pensar em ideias e possíveis datas que encaixarão bem no esquema final das coisas.
Por fim a doutora nos indicou um amigo urologista, para que Edward possa passar e fazer a solicitação de seu exame. Como não consegui fazer o meu no dia, optei por esperar por Edward e marcamos juntos no mesmo laboratório. Rose também tirou suas dúvidas e quando saímos foi com ambas contentes por nossas resoluções.
Ao sairmos já passei em uma farmácia e comprei o remédio, pois sabia que minha menstruação estava para vir e qual não foi minha sorte ao recebê-la no dia seguinte, assim já pude iniciar a primeira cartela.
Quando cheguei contei ao Edward como foi tudo e procuramos marcar sua consulta o mais rápido possível, assim logo na segunda ligamos e marcamos a mesma para a quarta-feira, conhecida também como o dia de amanhã.
A partir de agora estamos tranquilos quanto ao tempo, pois descobrimos que os laboratórios costumam entregar o resultado do exame no mesmo dia, desde que façamos o mesmo pela manhã, no fim da tarde já teremos o mesmo, então depois é só marcar o retorno com nossos médicos, confirmar que tudo está bem e esperar o mês de reforço do remédio para prosseguir com os planos...
Enquanto termino de anotar o código de uma nova peça que foi entregue hoje no Antiquário, meu celular tocou, peguei o mesmo para atender e vi que é Carlisle.
— Oi Carlisle.
— Oi Bella, tudo bem?
— Tudo sim e com você?
— Bem também. Ouça cheguei à cidade hoje e gostaria de saber se estará livre mais tarde? Pensei em jantarmos juntos, faz tempo que não nos vemos e creio que essa é uma boa oportunidade.
— Claro. Por mim tudo bem.
— Ótimo. Que horas você sai?
— Às 18h já estou livre.
— Então estamos combinados. Passarei para te buscar e depois do jantar te deixo na pousada.
— Ok, até mais tarde então.
— Até.— Desliguei.
Terminei de anotar os dados então resolvi ligar para Edward.
Pouco tocou e ele já atendeu.
— Oi Baby.
— Oi meu amor.
— Tudo bem?
— Sim, não estou interrompendo?
— Não, estou sozinho aqui, pode falar.
— Certo, é que Carlisle acabou de ligar dizendo que está de volta a cidade e me convidou para jantar com ele, então estou ligando para avisar que não precisa passar aqui para me buscar.
— Tudo bem. Sentirei falta dos nossos momentos na bicicleta, mas creio que sobreviverei por um dia só.
— Tenho certeza que sim e depois que jantarmos ele me levará até a pousada. Você avisa Alice e vovó, por favor?
— Pode deixar, até mais tarde e bom jantar.
— Obrigada, beijos te amo.
— Assim como eu a você, beijos. – Encerrei essa ligação com um sorriso a mais nos lábios.
No restante da tarde continuei meus afazeres e quando meu horário terminou me despedi da Rose, ao sair já avistei Carlisle me esperando do lado de fora.
— Olá. – O cumprimentei.
— Oi, já estava com saudades de vê-la.
— Eu também. – Vi que ele indicou para que caminharmos e perguntei. – Não veio de carro?
— Vim, mas estacionei aqui perto, o restaurante não é longe, então quis testar sua teoria de caminhar um pouco.
— Faz muito bem. Como médico melhor do que qualquer um você devia saber disso.
— Já ouviu a frase casa de ferreiro, espeto de pau? Acho que isso se aplica a médicos um pouco sedentários também. – Sorrimos da piada. – Mas me conte, como tem passado? Tudo está bem mesmo? Entre você e Edward, na pousada, no Antiquário? Não fiquei muito tempo em casa, mas ao chegar vi a peça que pedi obrigado.
— De nada, espero que realmente tenha gostado. Consegui separar uma para você e outra para os meus avós.
— Gostei sim, aquele artista é realmente muito talentoso, ainda estou pensando direito onde a colocarei, mas já sei que é uma boa adesão a minha coleção. Mas prossiga, quero saber como passou esses dias. – Com esse indicativo contei sobre algumas coisas que aconteceram nesse tempo desde a última vez que nos vimos.
Rapidamente chegamos ao restaurante e fomos guiados a uma mesa, após pedir e enquanto esperamos os pratos chegarem continuamos conversando, lhe fiz algumas perguntas também, querendo saber como foi o congresso de medicina ao qual compareceu, entre outros assuntos.
Assim o jantar transcorreu em um clima leve, apreciamos a comida e conversamos ao mesmo tempo, contrariando a etiqueta britânica de não falar durante as refeições, mas nesse momento não ligamos muito para isso.
Quando terminamos o jantar e esperamos a sobremesa, perguntei.
— Você não falou como Carmen está. Até achei que ela viria com você.
— Não, já que não nos víamos há alguns dias pensei que seria melhor fazermos algo só nós. Espero que não tenha achado ruim que não estendi o convite ao Edward.
— Não, também concordo que foi bom virmos só nós. É que quase não o vejo sem a Carmen, então pensei que ela poderia vir, mas gosto quando temos algum tempo a sós também.
— Você acha que somos o tipo de casal que não se desgruda para nada? – Surpresa por sua pergunta não esbocei reposta de imediato, mas depois de um tempo falei.
— Não sei e não quero me intrometer na relação de vocês. Apenas comentei que geralmente quando o vejo, Carmen está sempre junto, mas isso não é algo necessariamente ruim.
— Tudo bem, você não disse mais do que a verdade. Realmente quando não estava trabalhando Carmen ocupava bastante do meu tempo, mas talvez isso comece a mudar...
— Se me permite perguntar, por quê?
— Porque Carmen e eu estamos dando um tempo. – Ele riu. – Que ridículo, um homem da minha idade dizendo que está dando um tempo. Nós tivemos alguns desentendimentos ultimamente e não sei mais se nosso relacionamento é algo a ser levado à frente. Por isso a citação, não sei se terminamos em definitivo, mas também não estamos mais juntos como antes.
— Eu sinto muito, términos nunca são fáceis ou tempos, seja o que for. – Sorrimos. – Espero que consigam se acertar, seja para voltar ou terminar de vez.
— Obrigado. Estando com você aqui agora, sinto que fiz o certo.
— Por quê? – Perguntei direto, mas imediatamente um pensamento me veio à mente. – Não tenho nada a ver com o término ou tenho? Por favor, Carlisle diz que não sou a causa da separação de vocês.
— Você não é. Mas se quiser que seja sincero...
— Por favor. – O interrompi pedindo.
— Nós começamos a ter algumas discussões após aquele dia da exposição, fui conversar com ela sobre o que Edward comentou da atitude de Irina. Quis apenas informá-la sobre a possível situação, afinal ela é a mãe, é importante que saiba das ações que a filha pode ou não estar praticando.
— Ah Carlisle, por isso que não queria que soubesse...
— Não, como seu pai e como a pessoa que trouxe Irina a vida de vocês deveria sim saber. Assim como achei que Carmen também devia.
— E o que houve?
— De início ela não ligou muito, disse que deviam ser coisas de jovens, que não precisávamos ligar ou nos intrometer, mas eu sabia que não era algo tão frívolo, pois Edward não teria falado comigo se fosse apenas uma brincadeira juvenil. Por isso depois decidi eu mesmo falar com Irina, mas como a mesma não se mostrou muito receptiva ao meu conselho, resolvi tentar mais uma vez conversar com Carmen e ai as coisas não terminaram muito bem. – Ele suspirou e balançou a cabeça resignado.
— Eu não acredito. Você não deveria ter comprado briga com a Carmen por minha causa.
— Eu não comprei briga Bella, apenas agi da maneira que acho correta. Carmen tem o direito de escolher o lado da filha dela, assim como escolhi o da minha. Entretanto essa não é a primeira vez que Irina tem uma atitude a qual desaprovo, mas não sou o pai dela para intervir diretamente e mãe nunca faz nada para mudar assim somente ia acatando. Porém também preciso confessar que como até hoje ela não fez nada que me afetasse diretamente não achei que fosse necessária uma atitude mais drástica, mas dessa vez ela passou dos limites, arriscando a felicidade da minha filha e isso não posso deixar passar. Tentei conversar e resolver as coisas com diálogo, porém se nenhuma das duas foi capaz de perceber seus erros, ainda mais Carmen por ser a adulta em questão. Senti que não podia mais levar esse relacionamento com alguém de princípios tão diferentes dos meus. – Ele continuou falando, mas meu cérebro só registrou a intensidade de suas palavras ao me defender.
Perceber que ele escolheu meu lado.
Acreditou em mim e priorizou a minha felicidade.
Nesse instante senti um sentimento diferente envolver meu coração.
— Obrigada, pai...
— Você me chamou de...
— Pai. No meu íntimo o considero assim desde o início, mas creio que passamos pelo processo que um bebê passa ao dizer as primeiras palavras. Ele geralmente diz pai ou mãe, porque é com essas pessoas que mais se identifica, se sente seguro e acolhido. E é como estou me sentindo agora. Sempre tive só a mamãe ao meu lado, protegendo, cuidando. Mas agora ao ouvi-lo dizer tudo que fez por mim, sentir que você acreditou no que contei sem duvidar um instante e priorizou a minha felicidade, despertou esse sentimento. O que me fez sentir finalmente preparada para chamá-lo de pai.
— Ah Bella, não sabe como é bom ouvir isso. Nunca quis te cobrar ou pressionar, mas sonhava com esse momento. Nossa história não é a mais comum de todas, mas acredito fielmente que as coisas são como disse e me sinto completo como homem, ser humano e agora pai, ao saber que você está tão segura comigo ao ponto de conseguir dizê-lo. Espero continuar sendo merecedor dessa honra e que nosso laço só cresça mais e mais. Não importa meu passado, qualquer escolha ou ação que tenha feito, agradecerei todos os dias por tudo, porque minha história me deu você e sou imensamente feliz por tê-la comigo hoje, eu te amo filha.
— Eu também te amo, pai. — Aproveitando que estamos em cadeiras próximas, nos abraçamos e foi um momento realmente especial, algo que estava esperando a não sei quanto tempo.
Apesar de tantas coisas surpreendentes que aconteceram na minha jornada desde que pisei na Inglaterra, por nenhum momento esqueci o objetivo que me trouxe até aqui.
Encontrar meu pai e construir uma relação com o mesmo e hoje posso dizer com segurança que cheguei aonde queria.
É claro que temos muito mais a viver e descobrir dentro dessa relação, mas esse, assim como muitos outros dias, ficará guardado em minha memória por todo o sempre.
Como o dia que pela primeira vez me senti abraçada e acolhida verdadeiramente pelo amor de um pai...
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