Para Te Encontrar

3 Capítulo 2 - Criando Laços


Notas iniciais
Boa segunda-feira a todas. Espero que tenham tido uma boa semana e um bom dia. Como combinado, aqui está mais um capítulo de PTE, desejo que o mesmo agrade-as e continue a entretê-las. Conversamos mais lá embaixo. Capítulo Postado Em: 16/09/19

Acordei sem saber ao certo que horas eram. O quarto continuava escuro e a cama aconchegante demais para que tivesse vontade de sair dela. Procurei um relógio para descobrir o paradeiro das horas e quando o vi fiquei surpresa por apesar do cansaço da viagem e de toda mudança de fuso ainda ter acordado ás 8h da manhã.

Em casa ainda são duas horas da manhã e minha mãe deve estar dormindo, ao menos espero que esteja. Preciso urgentemente encontrar um meio de lhe dar notícias, falarei com Alice quando a vir e perguntarei sobre algum lugar que possa ir e utilizar um computador para assim mandar um e-mail a mamãe falando sobre como estou.

Sempre tivemos uma boa vida, confortável na medida certa, mas sem muitas regalias, mamãe sempre teve que trabalhar muito para que nada de necessário nos faltasse e graças a Deus sempre conseguiu, porém gastar dinheiro com futilidades nunca foi sua prioridade. Lembro que ganhei meu computador apenas aos 15 anos quando o uso do mesmo por conta dos estudos se fez estritamente necessário. E agora com a viagem deixei o mesmo em casa, já que é um modelo desktop e não notebook, mas ele será de grande serventia para que possa me comunicar com a mamãe através de e-mails.

Aderi a essa ideia pensando na economia que faremos, porque apesar de possuirmos aparelhos telefônicos em casa e celular, sei o quanto é cara uma ligação internacional e nem eu ou ela podemos esbanjar com esses gastos. Pensando nisso tenho que ver se conseguirei algum bico para fazer na minha estada aqui na Inglaterra, porque não posso contar que o dinheiro que tenho vai durar o tempo necessário até encontrar meu pai, além do mais não vim atrás de amparo financeiro dele e tão pouco sei se ele possui alguma posse, mamãe nunca falou no que ele ou a família trabalhavam enquanto morava aqui. E também não faço ideia de quanto tempo irei gastar até realmente encontrá-lo, mas o importante é começar a procurar o mais rápido possível.

Estava envolvida no edredom macio e quentinho quando uma batida na porta me despertou, fazendo com que me levanta-se.

— Já vou. – Falei enquanto caminhava até a porta. Abri um pouquinho apenas para ver quem era. – Oi Alice, bom dia.

— Bom dia Bella. Te acordei?

— Não, já tinha acordado a um tempinho só estava desfrutando do aconchego da cama por mais um tempo, mas entre, não repare na bagunça.

— Imagina Bella, eu que vim aqui lhe incomodar, se vovó souber que estou te importunando tão cedo vai me dar uma bronca.

— É só não dizermos a ela, certo? – Perguntei sorrindo e ela assentiu. – Agora se você não se importar em ficar um pouquinho a sós, vou me arrumar e já volto tudo bem?

— Claro. Vou ficar esperando aqui.

— Certo, então com licença. – Peguei meu nécessaire com produtos de higiene pessoal e uma muda de roupa e segui até o banheiro, após escovar os dentes e fazer as necessidades matinais, tomei um banho rápido, porém despertador para encarar o dia e me troquei vestindo uma calça jeans, blusa meia estação, coloquei um cachecol e sai do banheiro. – Pronto espero que não tenha te feito esperar muito. – Falei a Alice anunciando minha volta.

— Não demorou não, eu vim mais para chamá-la a ir tomar café, ele é servido aos fins de semana às 9h, pela vovó seria servido às 7h como é durante a semana, mas Edward e eu a convencemos que nem todos tem o hábito de acordar com as galinhas até mesmo em seus dias de folga.

— Certo vou anotar na agenda para não esquecer e me atrasar. – Enquanto conversávamos penteava meu cabelo, depois calcei uma botinha sem salto e peguei uma jaqueta no caso de estar frio lá fora. – Se quiser podemos ir descendo, já estou pronta.

— Ainda temos alguns minutinhos de folga, enquanto isso podemos conversar e ir nos conhecendo, que tal? – Assenti e sentei na cama indicando que ela poderia fazer o mesmo. – Quantos anos você tem? – Ela perguntou.

— 19, faço 20 em Setembro. E você?

— Tenho 18 ainda, só farei 19 em Novembro, você já terminou o High School não é?

— Sim no ano passado e você já está no ultimo ano? – Falei.

— Sim e não vejo a hora de acabar, talvez não mude muita coisa, mas também pode ser que eu realize meu sonho de fazer faculdade e buscar uma nova vida para mim. E você? Porque não está cursando uma faculdade também? Você não quis? Preferiu viajar pelo mundo antes de se descobrir? – Alice me encheu de perguntas e de repente me vi tonta sem saber por onde começar a responder. Ela parecendo perceber o atropelamento de palavras falou. – Desculpe se estou parecendo intrometida ou invasiva demais, acabamos de nos conhecer e não tenho direito de ficar investigando sua vida assim, é só que nunca sai daqui e achei o máximo você uma jovem como eu poder viajar pelo mundo.

— Não se preocupe Alice está tudo bem. Eu quero cursar uma faculdade sim, ainda pretendo fazê-lo, mas há alguns anos direcionei minha vida a outro objetivo após terminar o high School. E acho que ainda não sei ao certo o que quero fazer, então antes de gastar dinheiro e esforços em um curso que não me trará felicidade resolvi buscar alguns pontos que me tragam à mesma e depois poder correr atrás dos meus outros sonhos.

— Entendo, desde nova tenho meu sonho profissional formado, quero ser médica ou enfermeira como a minha mãe.

— Que bonito. Aposto que ela deve estar muito feliz pela sua escolha. – Comentei.

— Eu não sei dizer, ela não pôde saber que pretendo seguir a mesma profissão que a sua. – Fiquei em silêncio esperando sua conclusão de raciocínio. – É que meus pais já faleceram...

— Ah me desculpe Alice, sinto muito. – Disse sinceramente pegando sua mão e fazendo um leve carinho em conforto.

— Eu sei, obrigada, já faz muitos anos. Eu tinha apenas oito e Edward onze quando tudo aconteceu. Foi um acidente de carro, só para variar um motorista alcoolizado bateu no carro dos meus pais que acabou capotando. Eles ainda foram socorridos, meu pai faleceu a caminho do hospital, minha mãe ainda chegou com vida, mas muito debilitada, os médicos fizeram o possível para salvá-la, porém ela também não resistiu. Edward ainda a viu com vida, eu, no entanto, nunca mais vi nenhum dos dois. E desde então viemos morar com a vovó, ela é mãe do meu pai e nos acolheu como filhos de novo após a perda do seu.

— Nunca sabemos o que dizer quando ouvimos histórias assim. Dizer que sinto muito não te conforta, apesar de como você falou já ter se passado alguns anos. Imagino o quanto dói saber que eles não estão mais aqui, porém você tem a sua avó que parece amar muito a vocês dois também, no fim nunca ficamos completamente sozinhos, Deus nos leva alguém especial, mas sempre deixa outros que possam cuidar de nós. E além dela você ainda tem seu irmão, vocês terão um ao outro para sempre. – Falei o que sentia no coração.

— Obrigada de verdade. E é como você disse, tenho a vovó e o Edward e hoje em dia não há pessoas no mundo que ame mais do que os dois.

— Eu sei como é, não existe pessoa mais especial no mundo do que minha mãe também. – Comentei.

— Você também não tem pai? – Ela perguntou.

— Na verdade não o conheço. Sempre fomos apenas minha mãe e eu, mas sonho um dia encontrá-lo.

— Se ele está vivo vá atrás sim Bella. Nada é mais importante do que ter nossos pais, ou nossa família ao nosso lado.

— Eu sei, é por isso que estou aqui.

— Como? – Alice questionou.

E ela havia sido tão sincera contando sobre seus pais que não tive receios em lhe contar o verdadeiro motivo de ter vindo, estávamos virando amigas afinal.

— Como falei ontem, meus pais são aqui da Inglaterra. Minha mãe mudou-se para os Estados Unidos quando engravidou porque meus avós não aceitaram muito bem que ela tenha engravidado jovem. Enquanto meu pai nem ficou sabendo sobre a gravidez, houve um desentendimento entre eles que ocasionou no término e minha mãe decidiu partir para poder me preservar. Quando descobri isso decidi que um dia viria atrás dele para entender tudo que houve e quem sabe podermos estabelecer uma relação de pai e filha.

— Nossa Bella, tomara que o encontre e que vocês se acertem.

— É o que espero também, deixei muitas coisas para vir nessa viagem à procura dele e espero não me decepcionar no final. – Suspirei.

— E você já sabe onde ele mora? Como encontrá-lo? O que ele faz? Essas coisas.

— Na verdade não, vai ser uma missão meio complicada reunir todas as informações, porém vim decidida a encontrá-lo e não vou desistir enquanto não o fizer. Eu tenho alguns dados para começar a investigação, pois infelizmente algo que minha mãe nunca me disse foi seu nome.

— E o que você tem?

— O nome do colégio em que eles estudaram o ano, a turma e uma foto da mesma. Mas nessa foto não tem nomes atrás e também as mulheres estão de um lado e os homens do outro, então nem consigo reconhecer um homem por estar próximo da minha mãe já que todos os rapazes estão distantes das moças. – Falei com pesar.

— E qual é o nome desse colégio? Talvez eu saiba onde é e já possa te ajudar levando-a até lá. Não é muita coisa, mas temos que começar por algo, não é?

— Espera um instante que vou pegar o nome na minha bolsa. – Desci da cama e peguei minha bolsa pessoal e procurei os papéis que guardei com tanto afinco, já que são a única pista que tenho do meu pai, voltei para cama enquanto dizia o nome do colégio. – Se chama Khan Mitchell High School.

— Bella, mas esse é o colégio que estudo. – Alice falou.

— Não posso acreditar, sério Alice?

— Sim, é um dos melhores aqui de Londres, eu estudo com bolsa é claro, mas se esse for o lugar que você está procurando já estou lá dentro. Podemos ir juntas e pedir algumas informações nos registros da escola, procurando pelo ano em que seus pais estudaram.

— Meu Deus só pode ser o destino. Eu pesquisei sobre a pousada pela internet por isso vim direto para cá, mas nunca poderia imaginar que conheceria alguém que tivesse algum acesso a esse colégio. – Comentei animada.

— Deve ser uma forma de o destino mostrar que você está fazendo o correto Bella, colocando-a nos caminhos certos para que possa encontrar seu pai. E no que puder ajudar pode contar comigo.

— Obrigada Alice de verdade. – A abracei ternamente comemorando por essa pequena, mas já importante conquista no passo de encontrar meu pai.

— De nada, estou adorando poder ajudar na sua investigação. É como se fossemos As Panteras, só que sem a terceira menina. – Quando Alice falou essa frase me lembrei imediatamente da minha mãe e que preciso urgentemente encontrar uma forma de falar com ela. – Agora vamos descer, senão vovó irá reclamar conosco pelo atraso. – Concordei e saímos do quarto indo em direção as escadas, mas antes que alcançássemos o topo parei ao ouvir a voz dele falando comigo.

— Bom dia Bella. – Edward apareceu ao meu lado sorrindo e tão lindo quanto ontem.

— Bom dia Edward.

— Dormiu bem?

— Sim, tive uma noite bem tranquila. E você? – Lhe devolvi a pergunta.

— Bem também obrigado, mas estava preocupado se você teria conseguido descansar depois do dia agitado que teve.

— Descansei sim até me espantei quando acordei cedo mesmo após tudo. E quando Alice apareceu no meu quarto já estava bem disposta.

— Alice? – Nesse momento Edward desviou o olhar e enxergou sua irmã ao nosso lado. – Você foi ao quarto da Bella para acordá-la Alice?

— Oi maninho. Eu também tive uma ótima noite de sono, obrigada por se preocupar com meu bem estar também, não é mesmo? Mas oh que tolice a minha, porque se preocupar se sou apenas sua irmã... E saiba que não acordei a Bella, ela mesma disse isso.

— Alice não fale assim, apenas fiquei preocupado com o bem estar da nossa nova hóspede, só isso. – Ele colocou as mãos nos bolsos e baixou a cabeça em um gesto claro de vergonha, me encantei com o mesmo.

— Tudo bem Edward te perdoo, agora vamos descer que estou com muita fome. – Alice totalmente descontraída falou e foi descendo na frente, ele e eu ficamos um pouco mais atrás em silêncio.

Ao chegar à cozinha cumprimentei dona Elizabeth que disse para me servir e sentar-se à mesa com eles novamente, o fiz e depois comecei a comer civilizadamente em silêncio. Eu via os outros hóspedes realizando suas refeições preocupados apenas com suas vidas e sem dispersar do momento com coisas paralelas também.

Depois do café Alice foi ajudar a avó a organizar algumas coisas da pousada e fiquei com elas, aproveitando para conversar e me interirar dos costumes e rotinas da mesma. Informei-me dos dias em que as roupas são lavadas e o que tenho que fazer com elas. Da limpeza e manutenção do quarto e sobre a utilização de outros serviços e áreas de lazer como a sala, etc.

— Você trabalha Alice? – Perguntei durante nosso assunto.

— Não, apenas ajudo a vovó nos afazeres aqui da pousada e estudo é claro.

— Edward Anthony e eu não queremos que Mary Alice trabalhe, o dever dela é estudar enquanto tem a oportunidade de apenas fazê-lo e se Deus quiser ganhar uma bolsa para cursar sua faculdade.

— É muito bonito o que ele e a senhora fazem pela Alice, dona Elizabeth. – Falei.

— Não me chame de dona querida. Pode tratar por Elizabeth mesmo.

— Não posso tratar a senhora por você, me desculpe. – Disse sem saber qual seria sua reação, mas definitivamente não poderia trata-la por você.

— Então me chame de vovó também. Você é amiga da minha neta, uma boa menina, não vejo problema em me chamar de vovó.

— Não sei nem o que dizer. Adoraria poder chamar à senhora de vovó, não conheço meus avós legítimos, então nunca soube o que é ter uma avó cuidando de mim.

— Pois agora você já saberá como é ter uma. – Mesmo parecendo um atrevimento, abracei-a e fui logo correspondida.

— Obrigada por tudo o que vocês tem feito por mim, não poderia ter conhecido pessoas melhores na vida. – Falei agradecida e emocionada ao mesmo tempo.

— Não tem de que querida, você agora já é parte da nossa família.

— Isso. Agora é como se você fosse minha irmã. Finalmente tenho uma irmã, alguém que vai me proteger e salvar da tirania do Edward. – Alice falou.

— Você fala como se Edward Anthony fosse uma pessoa má com você Mary Alice, ele quer apenas te proteger das coisas do mundo. – Vovó falou. – E agora com Isabella Marie conosco Edward Anthony vai ter que cuidar dela também. – Oi? Cuidar? Como assim?

— Ouvi meu nome. Sobre o que estão falando? – Edward apareceu próximo a nós.

— É que vovó disse que Bella pode considerá-la uma avó a partir de agora. E com isso ela será como uma irmã para mim também. – Alice respondeu.

— Não só sua querida, Edward Anthony será também como um irmão para você Isabella Marie. – Olhei primeiro para vovó, mas em seguida Edward e eu trocamos um olhar confuso e quem sabe até um pouco agoniado...

Irmãos? Bella e eu seremos como irmãos? – Edward falou meio que para ele mesmo, mas de qualquer maneira vovó lhe respondeu.

— Isso mesmo, agora além de Mary Alice você terá Isabella Marie como irmã. Algo errado com isso querido?

— Não vovó, é claro que não. Bella é uma boa pessoa, será ótimo tê-la próxima assim a nossa família, pode deixar que cuidarei dela tão bem como faço com Alice.

— Eu sei disso. Agora vou até meu quarto ver umas coisas, até mais tarde. – Vovó saiu deixando nós três a sós.

— Ai Bella só espero que você consiga se safar da marcação cerrada que Edward faz quando o assunto são garotos.

— O que? Alice que história é essa? Bella não vai arrumar garoto algum. – Edward a repreendeu imediatamente e nessa hora o olhei confusa tentando entender o porquê desse rompante. – Quer dizer, não estou te proibindo, claro que não. Não somos parentes de verdade para que lhe prenda ou qualquer coisa assim. É só que você chegou ontem não creio que tenha tempo de arrumar um namorado tão cedo, talvez você até já tenha um namorado nos Estados Unidos e Alice não deve vir com essas histórias.

— Não tenho nenhum namorado em casa. Para dizer a verdade nunca namorei. Mas você está certo Edward, não vim aqui à procura de um namorado, pode ficar tranquilo. – Não sei se ele responderia algo, porém antes disso Alice com seu jeitinho único falou.

— Bella você também nunca namorou? Por quê? Você é tão linda, os americanos devem ser cegos.

— Não sei o que houve Alice, só nunca encontrei alguém que fosse especial para mim, não dessa forma.

— Alice tem razão. Os rapazes americanos devem ser cegos por deixarem-na sozinha. – Edward falou e baixei minha cabeça corando. – Mas não de ouvidos as coisas que minha irmã fala, não irei te prender, seremos como bons amigos, pode ser?

— Claro, é o que quero também. Que sejamos amigos, nada mais, sem pressões ou preocupações. – Respondi.

— Certo, vou para o meu quarto vejo vocês depois. – Edward falou e saiu.

Alice e eu fomos nos sentar nas poltronas em frente à lareira, essa hora por ainda ser cedo ela estava desligada, as janelas da sala estavam abertas deixando a claridade de um maravilhoso dia entrar.

— Você realmente nunca teve ninguém Bella? Nunca se apaixonou?

— Não Alice, quer dizer já fiquei com alguns garotos, mas nunca chegamos a ter nada, além disso, sinceramente acho que nunca me apaixonei. – Falei suspirando. – E você? Já se apaixonou?

— Eu não sei. Vovó e Edward dizem que sou muito nova para me apaixonar e também só querem que foque nos estudos. Sei que é importante para o meu futuro, mas também sinto coisas diferentes no meu coração e gostaria de entender o que é. Poder viver sabe?

— Entendo, mas você tem alguém especial? – Ela balançou a cabeça concordando. – E quem é? Algum colega da escola?

— Vamos dar uma volta? Você aproveita para ver um pouco dos arredores e ai poderemos conversar mais a vontade. – Assenti e saímos da pousada.

Quando pisei lá fora dessa vez de dia com o céu claro fiquei ainda mais encantada com a beleza do lugar, fomos andando pelo calçamento apenas sentindo a brisa do ar até que Alice iniciou o assunto.

— O nome dele é Jasper, ele é amigo do Edward, amigo de trabalho.

— Aposto que Edward nem desconfia que você gosta do amigo dele, certo?

— Nem um pouco. Acredito que se soubesse era capaz de parar de trabalhar só para nunca mais termos contato com ele.

— Nossa Alice que horror. Seu irmão não parece ser uma pessoa tão ruim assim. – Falei espantada.

— E ele não é. Só superprotetor ao extremo, ele tem medo que me machuque. Por um lado isso é lindo e me conforta saber que Edward cuida de mim dessa forma, mas tenho que viver minha vida também e ele não ajuda no meu amadurecimento com essa atitude de me prender e não deixar com que cometa meus próprios erros.

— Entendo. Mas será que ele por conviver com o rapaz não sabe melhor se o mesmo serve ou não para você?

— Não é isso Bella, Jasper é um ótimo rapaz. Ele frequenta nossa casa, ajudou o Edward a fazer um curso e arrumar esse emprego, os dois são muito amigos.

— Então todo o problema é ciúme de irmão? – Perguntei.

— É mais ou menos. Um fator que pesa muito creio eu, é a nossa diferença de idade. Jasper tem 22 anos e eu apenas 18. Ele me conhece desde que tenho 16 e deve me ver ainda como uma menininha, a irmã mais nova do seu amigo. Se algum dia revelasse meus sentimentos, provavelmente ouviria que o que tenho é uma paixonite infantil. No começo pensei que fosse isso mesmo, ao sentir coisas diferentes quando o via por perto, pensava que era animação por ter outro rapaz mais velho próximo a mim, além do meu irmão. Só que com o passar dos anos ao sentir essas sensações de forma mais intensa vi que tinha me apaixonado por ele. E não só pela imagem do amigo bonitão do meu irmão, mas pelo homem que ele é. Me vejo estando ao seu lado em suas conquistas e ele nas minhas. Só que no fim tudo não passa de um sonho, um desejo que fica somente no meu coração.

— Alice não pense assim, você mesma acabou de dizer que o que sente é forte. Lute por isso, não se deixe abater por nada, prove a sua avó e ao seu irmão que você é madura o suficiente para lutar pelo que quer, sejam os estudos ou homem que ama. Mostre a esse Jasper que ele será um cara de muita sorte se tiver uma mulher como você ao lado. E se mesmo depois disso ele não demonstrar sentimentos ou não der valor ao que você sente, então ele não é o cara certo.

— Obrigada Bella você realmente está se mostrando uma pessoa muito especial. Eu não tenho muitas amigas, no colégio poucas pessoas falam comigo pelo fato de ser bolsista e passo muito tempo presa só na pousada ai não tenho tempo de fazer muitas amizades. E agora você está aqui sendo tão legal comigo, obrigada de verdade.

— De nada Alice você é uma pessoa muito doce, meiga, completamente especial e é uma honra ter uma amiga como você. Agora me conte mais no que seu irmão e esse Jasper trabalham.

— Vou te contar desde o início. Edward fazia, ou melhor, ainda faz um bico num Pub e foi lá que conheceu o Jasper. Ele ia lá para se divertir e com o Edward trabalhando, eles começaram a conversar e pegar amizade. Um dia ele comentou sobre um curso que pretendia fazer para poder trabalhar com arquitetura, já que seu sonho é ser arquiteto. Ele deu a dica que Edward poderia fazer também, mesmo sabendo que essa não é a área que meu irmão quer seguir, se ele conseguisse fazer o curso e depois trabalhar no ramo seria de grande ganho, algo fixo e estrutural. Meu irmão conseguiu passar na prova para fazer o curso e depois os dois conseguiram emprego no mesmo escritório e desde essa época são amigos e vivem próximos um do outro.

— Nossa que bom para eles terem conseguido o curso e o emprego juntos. Mas Edward trabalha em dois empregos?

— Sim. Só que no escritório ele vai de segunda a sexta e no Pub apenas de final de semana a noite, às vezes algumas sextas também. To pensando aqui Bella, poderíamos ir ao Pub hoje. O Edward vai trabalhar e pode nos levar, com isso você poderá conhecer o Jasper, já que ele geralmente frequenta o Pub aos sábados e assim tenho um pretexto perfeito para vê-lo também. Porque Edward não gosta muito de me levar, só que posso falar que você quer ir conhecer e ele não nos negará isso.

— Por mim tudo bem Alice, vamos sim. Farei qualquer coisa para que possa ficar perto do seu amado.

— Ai Bella você é demais, sério muito obrigada por me ajudar. Olha qualquer coisa que precisar pode contar comigo.

— Alice na verdade tem uma coisa sim. Um pequeno fator que não pude te contar ainda sobre minha estada aqui na Inglaterra.

— O que foi?

— É que meio que não contei a minha mãe que viria. Quer dizer, eu deixei uma carta contando que estava vindo procurar meu pai, mas nunca falei sobre meus planos e desde que cheguei ainda não lhe mandei noticias e queria saber se você pode me ajudar a me comunicar com ela.

— Meu Deus. Claro Bella. Nossa você tem que falar com ela o mais rápido possível. Depois de saber o quão próximas vocês são. Não consigo imaginar como ela está sem noticias sua, deve estar muito preocupada, no mínimo.

— Eu sei e estou muito mal com tudo isso. – Suspirei com a culpa ainda me corroendo.

— Certo. Mas diga em que posso te ajudar?

— Eu pensei que a melhor forma de me comunicar com ela será por e-mail. Nós também nunca fomos esbanjadoras de dinheiro e ligações internacionais são muito caras, então o e-mail será a forma mais rápida de fazê-lo.

— Ah quanto a isso não tem problema. Você pode usar o computador da pousada e se comunicar com ela tranquilamente.

— Ai obrigada Alice isso me da um grande alívio, saber que vou poder me comunicar com minha mãe sem precisar de mais enroladas.

— Agora vamos voltar que já está na hora do almoço e depois você poderá enviar o e-mail a ela, tudo bem? – Assenti e voltamos para a pousada.

Ao chegar fomos direto até a cozinha e fizemos a refeição em clima descontraído. Alice não parava de sorrir, imagino eu, feliz por saber que veria seu amado à noite. Enquanto eu estava mais tranquila por ter encontrado uma forma de falar com a mamãe.

Depois do almoço ajudamos a organizar toda a cozinha e revezamos com as mulheres que trabalham lá para arrumar tudo. Então fomos até a sala e entramos atrás do balcão. Alice rapidamente deixou tudo pronto para que pudesse mandar o e-mail e saiu dando privacidade para que escrevesse.

Pensei por um tempo em como falar e logo as palavras foram fluindo.

De: Bella Swan (Bella.Swan_94@gmail.com)

Para: Esme Swan (Esme.S@gmail.com)

Calendário:15 de Fevereiro de 2014 14h45min

Assunto: Querida Mamãe

Espero poder chamá-la ainda assim, de querida mamãe. Estou parecendo à criança que fui um dia escrevendo esse e-mail, preocupada em escrever as palavras certas para lhe emocionar como em um cartão de dia das mães. As coisas mudaram, mas o meu sentimento continua o mesmo, de amor e de tentar fazer com que a senhora entenda o que estou sentindo.

Mãe, a senhora sempre soube o quanto o fato de não ter um pai me fez falta e de como sonhava em conhecê-lo. Sei que fiz errado e talvez nesse momento a senhora esteja se sentindo traída por ter planejado essa viagem sem comunicá-la, porém foi àquele mal necessário digamos assim.

Eu sabia que se lhe contasse, a senhora poderia tentar interferir no meu desejo e isso era algo que não poderia deixar passar. Arrisquei muito da minha vida e da nossa relação com essa atitude, mas é algo que só eu poderia descobrir, talvez ter vindo para cá seja a melhor coisa que já fiz na vida, ou talvez venha a ser a coisa que mais me cause dor, não sabemos, mas resolvi arriscar.

Desculpe por não ter entrado em contato antes, mas não poderia fazer uma ligação e precisei de um tempo até encontrar um lugar ao qual pudesse usar o computador para falar contigo.

Mamãe estou usando as economias do fundo da faculdade para me manter, por favor, me perdoe por isso também, sei que a senhora queria que eu tivesse um futuro diferente do seu e ainda o posso ter. Quando voltar para casa começarei a trabalhar e vou juntar dinheiro para um dia cursar minha faculdade, mas hoje nada é mais importante do que encontrar o papai.

Mãe posso dizer que estou completamente bem e segura, sei que a senhora nunca vai acreditar nisso. Sendo mãe achamos que os filhos só estão bem ao nosso lado, debaixo das nossas asas, mas fique tranquila, estou no melhor lugar que poderia estar aqui.

Desde quando estava em casa pesquisei sobre uma pousada próxima aos arredores de onde a senhora morou e aqui estou. Ao chegar ontem à noite fui muito bem recebida pelos donos do local, uma senhora formidável, dona Elizabeth e seus dois netos Alice e Edward. Hoje dona Elizabeth disse que poderei chamá-la de vovó e fiquei encantada com esse gesto de carinho. A senhora sabe que sempre senti falta de um contato com algum familiar também e enquanto não encontro os de sangue, vou me apegando com quem me quis bem.

Ah tem um detalhe muito engraçado. Vovó tem a mania de tratar as pessoas pelos dois nomes quando o mesmo o tem. E eu fui uma das sortudas a qual ela aplica esse fato, portanto aqui terei que atender quando ela me chamar de Isabella Marie, incrivelmente não me importei tanto, acho que é por ser algo dela, uma característica fofa de vó *-*.

Alice é uma menina muito doce e simpática, bem falante, mas um amor de pessoa estamos nos dando super bem. E a senhora não acredita em outra coisa engraçada, Alice estuda no mesmo colégio que a senhora e o papai estudaram. É ou não um acaso do destino? E Edward... Ele é o jovem mais lindo que já vi na vida, quer dizer... Ele é muito educado, bom garoto, a senhora entendeu, não é?

Agora estou escrevendo do computador da pousada, tentarei fazer isso o máximo de vezes possível lhe mandando sempre noticias. Por favor, me perdoe se a magoei de alguma forma e entenda que eu realmente precisava disso para seguir minha vida, te amo mais do que tudo no mundo, a senhora sabe. Beijos da sua menininha.

Bella Swan.

Enviei o e-mail satisfeita com o que tinha escrito, tenho certeza que mamãe vai entender tudo que aconteceu e como estou. E espero também que ela abra sua caixa de e-mail logo para ver que já dei noticias, ela o faz com frequência durante a semana, mas o quanto antes fizer melhor. Agora é continuar com meu propósito e fazer com que todos esses sacrifícios valham a pena.

CONTINUA.

Notas finais
N/A: Então o que acharam? Eu sou simplesmente apaixonada pela dona Elizabeth, ou melhor, a vovó. Eu não fui criada com os avós perto, então não sei bem como é aquela convivência tão próxima aos mesmos, nossa Bella também não sabia. Mas agora poderá desbravar os conceitos dessa relação. A amizade com a Alice também está crescendo de forma doce e carinhosa. Tivemos a revelação sobre os pais dela e do Edward, pobrezinhos. E um ponto para a investigação, a ligação do passado dos pais da Bella, com o presente da Alice, onde isso pode dar? E no próximo capítulo teremos a ida ao Pub e a chegada de novos personagens, aqui já pincelamos um pouco a história de um, quem vocês acham que serão os outros? Por fim, como puderam ver através do e-mail que a Bella enviou a mãe. A história se passa em 2014, o que culmina na ausência do foco em redes sociais, fazendo assim com que a escolha da Bella em usar o e-mail e não outro tipo de contato seja o mais viável. E como vocês acham que a Esme irá responder a Bella? Algumas dúvidas foram respondidas, porém outras tantas foram abertas, mas quero saber de vocês. O que estão achando e o que esperam ver pela frente. Para isso não deixem de comentar, o feedback de vocês é muito importante. Qualquer coisa me procurem no twitter: @KaahNannda. Até segunda que vem. ~Kiss K Nanda.