Notas iniciais
Olá, pessoal! Como prometido, começo hoje a postar os primeiros capítulos de Sombras do Passado, a sequência do livro A Escolha. Se vc gostou da primeira fanfic, vai adorar mais ainda esta. Bem, sem mais delongas, fiquem agora com a primeira parte desta história recheada de suspense, mistério e, claro, muito romance. Espero que gostem!

São Paulo, Agosto de 2015

Frio. Escuridão.

Um sonho ruim. Era o que eu esperava que fosse. Um pesadelo e nada mais. Um pesadelo do qual esqueceria facilmente.

Mas não é bem assim.

Não é apenas um sonho ruim. É o começo de tudo.

É sempre a mesma coisa. Um passo. Mais um passo. E nada.

Nenhum som. Nenhuma voz familiar. Apenas árvores. Árvores enormes e retorcidas.

Algo está errado. Muito errado.

— Onde estou? O que estou fazendo aqui?

Por um minuto penso que, talvez, possa ser o filé-mignon grelhado com risoto de creme de parmesão que comi no jantar. Comidas apimentadas são como portas para o reino dos pesadelos. Ou, talvez, o filme de terror que assisti antes de ir para a cama. Criaturas comedoras de gente, essas coisas...

Não tenho tempo nem para pensar. Antes de dar mais um passo, uma luz cintila à minha esquerda. No começo é apenas visível, mas aumenta em luminescência ao longo do tempo, como se alguém acendesse uma vela e se aproximasse de mim com ela.

— Que luz estranha é aquela?

A luz, de repente, some. Desaparece num piscar de olhos. Embora não tenha sido capaz de identificar a pessoa – ou a coisa – por trás da misteriosa luz, uma coisa é certa: eu não estou sozinha.

Um estranho sentimento de temor se apodera do meu corpo, e meu primeiro pensamento é correr. Mas correr para onde? Não vejo nada além de árvores. Um sem-número de carvalhos em fileiras perfeitas, as quais parecem se estender para sempre.

E... raios.

Detesto raios. Não suporto o barulhão que eles produzem. Mas, em compensação, servem como guia.

Observo a floresta, açoitando árvore por árvore com o olhar. O ar está abafado. Nenhuma folha se mexe. Respiro fundo, tentando pensar em algo que possa me livrar do medo que estou sentindo.

Adrian.

Preciso que ele esteja aqui. Com ele por perto, me sinto forte. Me sinto corajosa. Me sinto... eu mesma.

Dou mais um passo, esperando despertar a qualquer momento.

Então...

— Larissa!

Ouço perfeitamente alguém me chamar. E a voz não é nem um pouco familiar. É uma voz rouca, quase inaudível, e tão fina quanto a voz de uma criança.

Hesito por um instante, mas encontro coragem suficiente para perguntar:

— Quem está aí?

Minha voz ecoa, ricocheteia nos arbustos. No mesmo instante, um outro raio cai, cortando os ares daquele céu sombrio e nevoento. E, novamente, o silêncio.

— Não me ouviu? – Me atrevo a gritar. – Saia de onde estiver! Não tenho medo!

Então, a voz sombria e arrepiante inunda a floresta num sussurro.

— Maldita! Maldita! – repete a voz.

Me apavoro. Quero correr, mas minhas pernas não querem obedecer ao meu comando. Fico parada, com os olhos fechados.

— O que aconteceu? Onde está a garota corajosa que não tem medo de nada?

— Quem é você?

Uma risada sinistra ecoa. Permaneço quieta, resistindo à tentação de abrir os olhos.

— O que você quer?

A resposta não vem. É como se a dona dessa voz terrível tivesse simplesmente ido embora. Só o que consigo ouvir agora é o uivo do vento açoitando meus tímpanos. Respiro fundo, me encho de uma coragem que até então desconhecia e abro os olhos. Sei que vou me arrepender, mas mesmo assim abro os olhos, e, com a ajuda de um relâmpago, percebo aquilo que eu já suspeitava: eu não estou sozinha.

De repente, me vejo cercada por olhos enormes e brilhantes que me observam por entre as frestas escuras das folhagens. Encaro-os, lutando para não gritar. Penso que, se eu ficar quieta, eles simplesmente desaparecerão, como a luz que vi no início.

Mas não. Eles parecem ficar cada vez maiores. Estão se aproximando. Posso ouvir passos. Folhas sendo esmagadas. Presas batendo.

Me sinto como uma presa prestes a ser destroçada por seu predador. Seja o que for, não ficarei aqui esperando. Começo a correr.

Corro como uma bala, o mais rápido que posso, na esperança de encontrar um lugar onde possa me esconder. Mas todo e qualquer esforço parece inútil. Para onde quer que eu olhe, só vejo olhos. Olhos em chamas. E agora estou ouvindo passos atrás de mim. Estou sendo perseguida.

Olho para trás e vejo sombras que se aproximam cada vez mais.

— Larissa! Larissa! – dizem quase em uníssono. – Não fuja!

— O que vocês querem comigo? – Grito enquanto corro. – Me deixem em paz! Vão embora!

— É ela! – diz outra voz. Uma voz grave, num tom áspero. – É ela!

Me desespero e tento correr mais rápido, mas é inútil. Não importa o quanto eu tente, não consigo despistá-las de maneira alguma. Em cima e embaixo, à esquerda e à direita... Há sombras por toda parte.

“O que são essas coisas? O que querem”?

— Não tem para onde fugir! – diz a voz sinistra.

Ignoro e continuo correndo. A cada passo, os corredores vão ficando mais estreitos, a mata cada vez mais densa, o que me faz lembrar daqueles filmes americanos em que acontecem perseguições em cozinhas de restaurantes. Minhas narinas ardem e meus sentidos estão me abandonando. O ar parece estar ficando mais e mais frio, a atmosfera insuportavelmente irrespirável, como se a vida estivesse sendo sugada para fora deste lugar. Sinto como se estivesse morrendo. Um vapor denso sai da minha boca enquanto corro o mais rápido que minhas pernas são capazes de aguentar.

Estreito os olhos para ver melhor o que parece ser uma possível saída alguns metros à frente. O corredor acaba em uma espécie de passagem em forma de arco. Sorrindo, com vontade de chorar, aperto ainda mais o passo, ignorando as pequenas criaturas que correm e gritam algo parecido com: “Não vá! Você não pode nos deixar aqui!"

Já gozo da sensação de liberdade mesmo antes de cruzar o portal, quando algo vem a estragar meu entusiasmo. Uma pedra. Uma maldita pedra que me faz tropeçar e cair de cara no chão.

— Merda! – Xingo alto, arquejante, com a boca suja de terra, o nariz sangrando. – Mas por quê...?

Olho para a frente, os olhos arregalados de incredulidade. O portal que eu estava prestes a atravessar já não está mais aqui. Simplesmente desapareceu.

— Não acredito! Como...?

O terrível e crescente barulho de patas batendo contra o solo – agora seguidos de grunhidos e gemidos – interrompe minha frase. Arquejando, me viro e começo a me arrastar para trás. Um segundo depois, um sem-número de sombras minúsculas começam a se aproximar.

Recuo até não poder mais. Agora, mal consigo me mexer. Meu corpo está pesando mais do que o normal, como se estivesse a tentar arrastar o mundo comigo. Um forte desconforto junto à perna esquerda se torna insuportável. Parece que estou sendo perfurada por centenas de agulhas finíssimas, todas as partes sensíveis do meu corpo sendo tocadas ao mesmo tempo. Minha boca se abre como se estivesse prestes a gritar, mas nada sai dela. Lágrimas se acumulam em meus olhos e caem pelas laterais do rosto.

— O que querem?

— Você! Você! – repetem sem parar, unissonantes.

— Eu o quê? O que vocês querem comigo?

— Você...

Continuam se aproximando, agora lentamente, um passo atrás do outro, como se, no fundo, não quisessem me assustar.

Mas estou apavorada demais até para pensar. Mal posso me mexer. Não consigo falar. Apenas olho, os olhos esbugalhados a encarar essas sombras, cujos olhos assustadoramente grandes ardem em vermelho, alguns fora de foco, como se tentassem ver coisas que não estão aqui.

Há centenas delas. Estão em toda parte. Pouco a pouco, me encurralam num ponto sem saída. Não tenho para onde fugir. Serei pega, e não poderei fazer nada para evitar.

Uma risada diabólica, seguida de um uivo aterrorizador, se faz ouvir.

Então...

Tudo acaba. Acaba num piscar de olhos, assim como começou.

Olho ao redor, reconhecendo o ambiente. Estou em meu quarto.

Estou de volta.

Notas finais
Gostaram? O que acharam? Comentem e não esqueçam de favoritar, blz? Capítulo novo neste sábado! Fique ligado(a)! Veja também o trailer desta fanfic: https://www.youtube.com/watch?v=5dj0rw1ZMtM