Notas iniciais
Olá pessoal, espero que gostem da história e aguardo comentários...

No ano de 471 A. C. não havia cidade mais próspera do que Susã. Pela capital passavam todas as rotas de comércio de todas as satrapias, reinos ou províncias e as ligavam as principais cidades da Pérsia Antiga.

De Susã o Grande Rei Amir governava todo o império formado pela Síria, Arábia, Babilônia, Índia, Israel, Etiópia, Egito, Líbia além de muitos outros domínios que formavam 127 províncias, não havia outro homem mais poderoso na época. O grande rei Amir comandava o mundo.

Grande guerreiro e estrategista, desde pequeno foi criado na arte da guerra e da cavalaria. Desde o reinado de seu pai Dario já comandava os exércitos e ajudava nas estratégias, suas investidas em batalhas eram precisas e arrasadoras, nenhum inimigo permanecia de pé quando o exército estava sob seu comando. O grande Rei Amir transformou a Pérsia na primeira grande potência mundial.

Eu, Aliah nasci e cresci na cidade de Susã, nasci livre, nunca sofri nem experimentei a escravidão graças ao Rei Ciro que libertou o meu povo da escravidão em 538 A. C.

Naquela época não tinha muitas coisas para se fazer, eu amava ler as histórias do meu povo, acredite, não era comum naquela época uma mulher com essas habilidades, e eu as tinha graças a meu pai.

A minha história é diferente de todas que você já viu, eu nasci rica, não de riqueza material, rica em felicidade, eu tenho meu tio que me criou, e posso dizer que apesar de perder meus pais em um ataque dos Amalequitas que são inimigos do meu povo (os Judeus) eu tive a melhor infância de todas.

Então vamos lá, aposto que você está curioso para saber o que aconteceu comigo, mas eu já te falo uma coisa desde agora, eu reinei ao lado da pessoa que mais amei nesta vida.

E a minha história começa assim:

Quando pequena eu gostava tanto de ouvir as histórias que meu maior desejo se tornou retornar para minha terra, Jerusalém, eu ansiava todos os dias pela sua chegada para então ouvir os feitos de Elias e Eliseu, os feitos do Rei Salomão, Rei Davi. Minha mãe fazia o melhor pão que existia na cidade inteira e foi com ela que eu aprendi a arte da culinária.

Meu pai Lior foi quem me ensinou a ler e escrever, quando ele saía para o palácio, eu me sentava na pequena mesa que tínhamos de ébano e lia os seus pergaminhos. Minha mãe ficava assando seus pães e ouvia atentamente minhas palavras.

Ela tentou me ensinar a bordar também, mas muito embora tentasse por diversas vezes eu nunca consegui aprender.

Certo dia quando eu estava junto ao meu pai e minha mãe, ela me mostrava seu colar, ao qual havia herdado de sua mãe que também o herdou da minha avó, ele era a minha história era símbolo da trajetória que meu povo percorreu desde a escravidão até os dias atuais. E um dia seria meu.

Meu tio Samuel então entrou correndo em nossa casa.

— Os Amalequitas estão matando todos os Judeus, corram fujam...

Saímos todos correndo, minha mãe segurava minha mão me arrastando pelas ruas da cidade, embora fôssemos um povo livre, Susã reunia um grande número de diferentes nações e os Amalequitas sempre foram inimigos do meu povo. Embora a paz reinasse para os mais diversos povos que habitavam ali, nunca haveria paz entre os Judeus e Amalequitas.

Meu pai para nos defender ao ver um dos soldados montado em seu cavalo tão próximo a nós entrou em sua frente e morreu com uma lança em seu coração, em seguida minha mãe, ao me abraçar para me proteger foi apunhalada pelas costas.

Eu segui com ela pelas ruas e nos escondemos em um celeiro, juntos aos fenos e aos animais.

Foi ali que ela me deu seu bem mais precioso, seu colar. Ele representava meu passado, meu presente, e meu futuro e então ela morreu.

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— Davi era o homem mais corajoso que havia.

— Então o que aconteceu? – me perguntava uma das crianças que ouve atentamente a minha história.

— Ele se apresentou perante o rei Saul e se ofereceu para enfrentar o gigante Golias.

— Ele era muito corajoso Aliah — Dizia outra criança que estava sentada mais próxima a mim.

— Era mesmo, nem os soldados acreditavam que o pequeno e franzino pastor de ovelhas era capaz de derrotar aquele gigante.

— Mas ele enfrentou o gigante Golias sozinho, e apenas com uma funda e uma pedrinha que ele atirou e acertou bem no meio da testa do Golias ele o matou, e venceu o inimigo de Israel. — Eu contava estendendo minhas mãos e girando assim como fez Davi. — Pronto, crianças, amanhã eu conto mais historinhas para vocês sobre o Rei Davi.

Assim que as crianças se levantaram e começaram a se dispersar, eu segui até o umbral feito de mármore e ouro da sinagoga onde estava a minha amiga Daliah a minha espera.

—Oi Aliah. — Ela me fala beijando-me uma das faces.

— Oi Dá. — eu respondo com um sorriso. —Ah eu estava ansiosa para te contar as novidades, você não vai acreditar! — Eu falo para ela enquanto começamos a andar pelas ruas da cidade.

— Ande, me conte logo, o que aconteceu? — Perguntou ela parando e segurando as minhas mãos.

— Meu tio me deixou ir para Jerusalém, ele ficou de conversar com seu pai para pedir que ele me deixe ir com vocês, não é incrível? — Eu conto não conseguindo me segurar de tanta alegria.

— Sério Aliah, nossa que maravilha! Fico muito feliz em saber disso, amiga.

— Agora vou poder conhecer o meu povo, era tudo o que eu sempre quis Dá, eu estou exultando de tanta alegria.

— Fico tão feliz por você amiga.

— Eu nem acredito, quando será que vai sair a próxima caravana?

— Papai está organizando tudo, deve ser em breve Aliah! —e continuamos a andar pelas ruas da cidadela.

As casas eram feitas de argamassa e tijolos e barro cru seco ao sol. As grandes construções feitas para exaltação do rei eram revestidas de ladrilhos exaltados e em tonalidades vivas que geram grande efeito ornamental. O Bronze marchetado era usado nas portas e o ouro e o bronze eram igualmente bem trabalhados.

Chegando próximo ao centro da cidade baixa onde eu morava havia grande alvoroço entre os cidadãos, todos pareciam muito apressados.

— Nossa Dá, o que será que está acontecendo? Para onde esta multidão vai?

— Você não sabe Aliah?

— Não!... O que aconteceu?

— O Rei Amir e a sua comitiva vão passar aqui pela rua! — ela me fala surpresa por eu não saber da novidade.

— Vamos lá ver então! — eu falo puxando ela em meio à multidão para ver o Rei.

Era o aniversário do terceiro ano do reinado do poderoso Rei Amir, ele estava dando uma festa de 180 dias para todos os príncipes e conselheiros e sete dias de festejos para seu povo.

Havia mágicos e bobos da corte, um verdadeiro espetáculo, o povo estendia ramos de mirra para o Rei, todos estavam eufóricos para ver o Poderoso Rei Amir. A frente da comitiva estava o príncipe Aldir, que anunciava a passagem do poderoso Rei, sua comitiva pessoal e guarda.

— Recebam presentes do piedoso Amir rei de todos os reis, senhor dos senhores, o escolhido de Deus, são jóias, são tesouros pertencentes às nações vencidas. Todas as vitórias do poderoso rei pertencem igualmente a toda Pérsia, curvem-se todos perante o poderoso deus Amir.

— Aliah, Dá, vocês estão aqui? — dizia Jarom que era um grande amigo nosso desde a infância. — Vieram ver o rei também?

— Sim, Jarom — eu respondo dando-lhe um sorriso.

O lugar onde eu estava com Daliah não era muito bom, havia muitas pessoas então saímos daquele lugar e fomos bem próximas de onde a comitiva passava.

Os meus olhos brilharam diante de tanta beleza, ele era perfeito, seu cabelo castanho claro, sua barba igualmente, sua pele âmbar, seus olhos cor do mais puro mel, ele usava as vestes reais, blusa azul marinho do mais nobre linho, calças de casimira, botas marrons de couro, e seu manto vermelho bordado a mãos com linha de ouro, sua coroa no topo da cabeça possuía os mais diferentes tipos de pedras preciosas.

— Ele é tão... — falei mais pra mim do que para meus amigos.

— Tão o que Aliah? — Perguntou Jarom.

— Tão real! — Respondo não conseguindo conter o tom de admiração em minha voz.

— Não é mesmo! — Acrescenta Daliah.

Todos se curvavam quando ele passava, os ramos de mirra calçavam o chão de pedra que ele passava sob seu cavalo negro, ele era bondoso para com seu povo e, portanto digno de toda a honra.

Quando ele se aproximava de onde estávamos, noto Ana, uma das crianças que gosta de ouvir minhas histórias, ela está distraída e seus amigos a chamavam do outro lado de onde a comitiva passava.

De repente ela atravessa a alameda e o cavalo negro como a noite em que o rei montava se assusta, ele segura fortemente as rédeas tentando conter o animal. Eu saio em seu socorro, pegando Ana e a protegendo agachada sob meus braços, pego meu lenço e cubro meus cabelos castanhos ondulados para me proteger dos olhos do rei que agora estavam sobre mim.

Em um relance nosso olhar se cruza, noto um breve sorriso em seus lábios, então abaixo minha cabeça evitando olhá-lo, ouço seu cavalo circular-me, levanto-me bem vagarosamente segurando a mão de Ana, então ando em direção a multidão que olha curiosa.

Seus olhos, puro mel, me seguem, eu me curvo junto a Ana, então ele segue junto a sua comitiva.

Meu coração está disparado, eu estou paralisada. Vejo agora de longe ele olhar para trás, nossos olhos se encontram mais uma vez, e eu perco a respiração.

Passado algum tempo depois de recuperada do susto eu sigo junto a Daliah e Jarom.

— Nossa Aliah, você está bem — me pergunta Jarom.

— Sim estou. Obrigada Jarom.

— O rei é tão bonito! — Me diz Daliah ainda embriagada pela presença marcante do rei Amir.

Eu sigo para a minha casa, meu tio ainda não havia chego do desfile, eu aproveito para deitar-me por alguns instantes e a primeira coisa que me vem à mente é o rosto daquele homem, daquele rei, Amir... A lembrança de seu rosto insiste em se repetir em minha mente.

Passa-se algum tempo chega meu tio, comentando sobre os Amalequitas da guarda real, eles sempre insistiam que deveríamos nos curvar ante a sua presença, o que era inaceitável para nós obviamente.

— Eu fui convidado para comparecer ao banquete real, minha sobrinha. — comenta meu tio Samuel.

— Cuidado tio, o Sr. Sabe que os Amalequitas só precisam de uma desculpa para pendurar nossas cabeças em uma estaca na praça da cidade. — Eu alerto-o.

— Não se preocupe minha princesa. Eu ficarei bem.

E então ele se preparou para ir ao palácio. Minha intuição me falava que alguma coisa iria acontecer, mas nada eu podia fazer a não ser pedir a Deus para que o guardasse das mãos daqueles que desejavam o nosso mal.

Já era tarde da noite quando chega meu tio apressado com a notícia de que o rei havia destituído sua rainha.

— A rainha Zarah recusou comparecer perante o Rei e seus convidados, o rei enfureceu-se e mandou decapitar a rainha.

— Meu Deus tio, mas que destino horrível. — Falo eu impressionada com a atitude do Rei.

— É a lei minha filha, a rainha desafiou o rei perante todos os príncipes da Pérsia. Ela mesma decretou sua sentença de morte ao recusar-se a apresentar-se perante o rei.

— Não é tudo minha Aliah, o rei decretou ali naquele mesmo instante, que retirassem de seus lares, toda moça virgem de Susã, a que lhe agradasse ele tomaria por esposa.

— Deus tio, eu vou ser levada.

— Calma minha filha, não vou deixar que te levem daqui, e caso aconteça vou te falar uma coisa, é a vontade de Deus, se ele quiser assim, assim será. Você nunca deverá revelar a origem de seu povo, seu nome será Hannah, que significa felicidade, é um lindo nome persa, se perguntarem de onde você é responda Susã. Nunca revele a sua origem.

— Tudo bem meu tio.

Pouco tempo depois disso, ouve-se nossa porta ser arrombada pelos guardas do palácio, um deles de forma bruta segura em meus braços, eu tento me soltar, meu tio é jogado por outro guarda contra a parede. E assim eu fui tirada da única família que eu tinha e levada ao grande palácio da Pérsia.

Notas finais
Beijos e até o próximo capítulo...