Notas iniciais
Olá anjos *-*
Aqui está a explicação do por que da Lucy estar chorando aquele dia.

“Viver dói.”

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-Será que um dia ela vai se recuperar? — pude ouvir distante a voz de Hazel e o seu suspiro.

-É claro que ela vai se recuperar, mas... Estou preocupado. — a voz aflita de Matt me fez sentir um aperto no peito.

Sim. Um dia eu iria me recuperar. Um dia eu iria sair e sorrir sem culpa, afinal, o tempo passa e os machucados vão virando cicatrizes. Pelo menos, é o que eu espero que aconteça.

A noite do acidente sempre voltava toda vez em que eu fechava os olhos.

"- Oh Lucy, se você demorar mais um pouco só chegaremos à casa de sua avó pro Natal do ano que vem.“ - a lembrança da voz doce de minha mãe invadiu minha mente e fechei os olhos com mais força impedindo das lagrimas rolarem.

- Já estou indo mãe. Só vou pegar meu casaco. — resmunguei e bufei.

Eu estava irritada, não queria ir passar o natal na casa da minha avó. Jessica e as meninas tinham me convidado para ir a festa na casa de Josh, aquela seria a maior festa do ano e eu não estaria lá.

Lembro-me do sorriso doce que meu pai abriu quando me viu no alto da escada.

- Uau. Estou ficando velho, minha garotinha já tem pernas linda. — comentou levando um pedala da minha mãe e me fazendo soltar um riso.

Um sorriso involuntário escapou de meus lábios, eu sentia falta das piadinhas infames do meu pai, sentia falta de ver minha mãe revirando os olhos para ele com um sorriso tímido no canto dos lábios, sentia falta de me sentir feliz...

Logo já estávamos dentro do carro. Meus pais conversavam no banco da frente enquanto eu viajava com a música do meu iPod no volume máximo e com a testa encostada na janela observando as luzes da pequena Lake Tahoe ficarem para trás. Soltei um suspiro ao passarmos na rua da festa de Josh e minha mãe virou para me dar um sorriso compreensível.

- Não se preocupe querida, sempre haverá uma outra oportunidade. Afinal, ainda temos todo o tempo do mundo.

Viro para ela e vejo seu sorriso pela última vez antes de uma luz forte me cegar e apenas ouvir o som do grito de minha mãe.

Não pude aguentar a nitidez das imagens em minha cabeça e comecei a chorar, em segundos eu já chorava alto.

Senti uma mão fazendo carinho na minha bochecha e abri os olhos vendo Matt sentado ali na beirada de minha cama. Levantei-me e o abracei agora soluçando, naquele momento ele era a única pessoa que eu sentia que sabia como era a minha dor. Matt não conheceu a mãe, segundo o pai dele ela o abandonou ainda criança. O pai de Matt morreu em um acidente de moto quando ele tinha apenas 10 anos. Ele sabia o que era perder alguém e o que era sentir uma saudade imensa que jamais poderá matar.

- Está tudo bem Lucy — ele sussurrou em meu ouvido — eu estou aqui com você ok?

Apenas assenti incapaz de disser nada.

Aos poucos parei de chorar, mas continuei nos braços de Matt. Era bom e eu me sentia segura. Ele disse que Hazel estava ali, mas saiu pouco antes de eu começar a chorar. Eu não devia ter percebido, pois estava absorta em pensamentos, mas para ele eu estava dormindo é claro, então eu apenas sorri de lado e assenti. Naquele momento aquela parecia ser a única coisa que eu conseguia fazer. Matt soltou uma pequena risada e o olhei com uma sobrancelha erguida.

- Não é nada demais. É só que é a primeira vez que fico com você por meia hora sem ouvir você tagarelando. — respondeu e começou a rir mais ainda da cara de indignação que fiz.

Amarrei meu cabelo em um coque frouxo no topo da cabeça e suspirei fitando Matt, ele também me fitava com um sorriso nos lábios e depois de alguns segundos sussurrei com a voz falha.

- Obrigada

- Pelo que?

- Por estar aqui comigo. — disse sentindo o sangue esquentar em minhas bochechas e desviei o olhar. Matt ergueu a mão e segurando meu queixo me fez olhar em seus olhos incrivelmente verdes.

- Eu sempre vou estar com você Lucy. — respondeu e me deu um beijo na testa sussurrando baixo, quase inaudível — Sempre do seu lado seja qual for sua decisão...

Não entendi o ele quis dizer com a última parte, mas sorri e assenti mais uma vez com a cabeça o fazendo soltar uma risada gostosa. Sorri e olhei pra foto pendurada na cabeceira de minha cama. Posso não estar mais ali ao lado de meus pais, mas creio que estou exatamente onde deveria estar.

Notas finais
Gostaram? Não? sim?
Deixem um comentário *-*