Para Sempre

4 "Naquele dia..."


Notas iniciais
Mais um capitulo fresquinho para vocês :) Boa leitura

Era noite. A claridade da lua cheia entrava no quarto. Dois corpos nus estavam deitados. Dormiam profundamente, notava-se que tinham gasto toda a sua energia minutos atrás. O rapaz abriu os olhos e bocejou. Olhou para o quarto e viu que ainda se encontrava de noite. Sentou-se na cama e ficou a olhar para a garota do seu lado. Ele achava-a incrivelmente linda. Aqueles cabelos pareciam sangue manchado a escorrer nos lençóis e a sua boca fina e delicada dava um charme muito feminino. Ele sem sombras de dúvidas ama-a com todo o coração.

Flippy mudou o olhar que transportava. Ele sabia que não poderia ficar mais tempo com ela. Que algo de mal iria acontecer. Sabia que no fundo do seu ser transportava algo maligno que poderia sair nas piores situações.

Levantou-se, vestiu-se e foi andando até à casa de banho. Lavou o rosto e olhou-se no espelho. Seus olhos verdes refletidos no espelho era brlhantes. Ele sorriu. Passou a mão pelo seu reflexo mas aos poucos enquanto passava a mão o espelho parecia que ia quebrar.

A respiração de Flippy acelarava. As rachas no espelho iam aumentado. E ele tocava no espelho tentando que elas parassem de aparecer. Das pequenas ranhuras, começou a correr sangue. Manchando o lavatório e enchendo o chão fazendo os pés do rapaz ficarem molhados.

Não...Não pode estar a acontecer!

Flippy gritou batendo o punho no espelho fazendo ele rachar ao meio. Era só uma ilusão da sua cabeça. Focou o olhar no chão, ofegante. Sentia a sua mão a tremer e levantou lentamente a cabeça para se encarar no espelho.

Escuridão. Foi o que Flippy sentiu. A casa de banho estava completamente escura. Conseguia ouvir os seus batimentos cardiacos acelarar. A sua respiração estava fraca e custava-lhe a sair.

Do outro lado do espelho estava outro Flippy. Era diferente. Transportava nos lábios um sorriso cinico e maldade estava transbordada nos seus olhos.

O batimento cardiaco parou.

Era um novo dia. Os olhos verdes de Flippy abriram-se subitamente. Assustado sentou-se na cama apoiando a cabeça com as palmas das mãos. O seu corpo suava e a sua respiração estava acelarada.

Um sonho... Só um sonho.

Falou em um sussuro. Pousou os pés no chão e olhou para o relógio. Marcava as 4.56 da manhã. Lembrou-se de Flaky no seu sonho. Ali socegada, tranquila a dormir. Queria que aquele momento se voltasse a repetir. Mas as memórias do passado não iriam permitir isso.

Ele ainda conseguia ouvir os ecos dos gritos da sua amada. Em pânico correndo pela casa, ensanguentada. E ele aprisionado no seu próprio corpo tentando não a maguar mais. Mas algo na sua cabeça não deixava ele tomar controle do seu próprio corpo. Aquele ser humano não era ele.

Sabia que tinha feito uma grande asneira ao atacar a mulher que amava, e ainda ama. Perdendo a sua oportunidade de ser feliz.

Flippy sabia que quando seu irmão morreu na prisão, a sua alma tinha-se apoderado de si. Que agora Flippy transportava duas personalidades completamente diferentes. A sua mesma, e a do seu irmão psicopata, que tinha cometido vários homicidios na sua vida.

Flippy então tentou sair do país, envolvendo-se na guerra para acalmar a alma de seu irmão. Mas isso parecia que a tinha agitado ainda mais. Todas as noites tinha sonhos, pesadelos, horrendos. Envolvendo Flaky e por vezes uma garotinha. Ele suspeitou que talvez fosse Flaky em menor idade, já que ambas eram bem parecidas.

Todas as noites tinha pesadelos assim. E ele queria tanto parar com eles. Queria fazer a sua vida. Queria fazer Flaky feliz. Mas para isso tinha de se controlar para não a machucar.

>8 horas

Flaky ouviu seu despertador tocar. Abriu os olhos e desligou-o. Tinha dormido bem na noite anterior. Apenas tinha a sensação de ouvir algo a quebrar durante a noite.

Sonhei talvez.

A ruiva pôs-se de pé. Abriu a perciana do quarto e de seguida a janela de vidro, deixando o ar puro entrar. Respirou fundo e sorriu. Estava um dia maravilhoso.

Saiu do quarto e caminhou até à casa de banho para se lavar. Entrou às escuras e sentiu seus pés a ficarem húmidos.

Mas o que...

Flaky acendeu a luz e olhou em seu redor.

O seu grito estridente ouviu-se em toda a casa. Segurando-se na porta deixou o seu corpo desvanecer-se no chão. A imagem que tinha na sua frente deixou-a assustada.

Tinha os seus pés manchados de sangue que pareceu escorrer pelo espelho. O seu queixo tremia e o seu corpo não obedecia às suas ordens. A ruiva fechou os olhos e tentou conter o choro.

Atreveu-se a espreitar pelos dedos e foi então que reparou na mensagem escrita na parede.

"A sua filha continua a viver dentro dele"

Flaky abanou a cabeça tentando contrariar o que tinha lido. Ela sabia que não tinha filhos. Que o acidente de anos atrás a tinha feito perder o único bebé que ela transportava no ventre.

Flippy seu desgraçado! Quero que morras...

As lágrimas não conseguiam ser mais contidas. O choro agoniante encheu aquela divisão.

Flippy esperava ela sair de casa. Queria ver aquele seu rostinho bonito de novo. Aquele seu cabelo vermelho a balançar no vento e o seu vestido acompanhando esse ritmo também.

Ouviu um grito. Vinha de dentro da casa. Os olhos verdes arregalaram-se e o seu corpo adeentrou-se para dentro da habitação. Percorreu os corredores e achou-a ajoelhada na casa de banho, a chorar sem conseguir conter os soluços.

Ficou estático. Aquela cena, ele sabia de onde a tinha visto. Afinal tinha acontecido mesmo? Ou apenas uma coincidência.

Flippy baixou-se perto da ruiva, pousando a sua mão no ombro da garota. Ela empurrou-o e levantou-se com raiva e nojo dele.

Não tinhas outra maneira de demonstrares a tua fúria? Era preciso invadir a casa das outras pessoas e fazer isto? E aquilo na parede?! Como soubeste do bebé? Vais fazer o quê agora? Ameaçar-me para sempre com a história do nosso passado, onde tu me esfaqueaste e matas-te a criança que eu transportava na barriga, que era nossa filha?

Flippy ao ouvir aquelas palavras ficou sem reacção. Filha? Ela tinha-lhe escondido algo tão importante assim?

Diz Flippy o que realmente queres de mim? Eu já não aguento mais este sufoco.

Ela falou lavada em lágrimas que caiam a seus pés.

Eu apenas te quero ver feliz. Mas isto não fui eu que fiz! Foi ele. O meu irmão!

Pára com essa conversa fiada! Que irmão? Ele morreu faz anos. E tu tornaste-te como ele! E aquela história de alma que grudou em ti, eu não acredito nisso.

Ele levantou e agarrou a ruiva pelos ombros e encarou-a . Ela cessou o choro e retribuiu o olhar. Estava com medo, queria fugir mas não poderia.

Por favor Flaky. Acredita em mim. Da-me outra chance para te provar que o que digo é verdade.

O olhar do rapaz era sincero. E aqueles olhos verdes penetravam na alma da ruiva, fazendo o medo sumir aos poucos e a vontade de estar com ele tinha voltado.

Como ela poderia esquecer tudo o que tinha passado? Ela no fundo ainda se sentia atraida por ele. Era normal, o que eles passaram na verdade foi bom e tinha óptimas recordações felizes dos seus momentos. Mas aquele dia horrendo destruiu essas recordações. Deixando cicatrizes fisicas e psicologicas em Flaky.

Naquele dia...

O dia tinha começado normal como sempre. Flaky vinha do médico com noticias frescas. Esperava uma criança, junto com Flippy.

Entrou na sua casa sorridente.

O vulto do seu amado encontrava-se sentado no sofá, assistindo a televisão. O som da TV estava alto demais. Flaky aproximou-se da sala, pegando no comando e baixando o som.

Credo Flippy, desde quando ficaste surdo deste jeito?

Ela gargalhou. Estava tão feliz. Quando se virou para encarar o namorado viu a mão de Flippy apertar o seu pescoço. Encostando o corpo da garota contra a parede, subiu um pouco ele no ar fazendo a menina perder o contacto com o solo.

F-Flippy...

Custava-lhe falar. Ele era demasiado forte para ele. Ela olhava com dificuldade para Flippy. Ele tinha mudado de expressão. O seu rosto sádico e ele parecia estar a desfrutar da dor que lhe estava a causar. A sua respiração acelarada e o constante engolir de saliva, fazia lembrar a Flaky um cão com raiva.

"Vou morrer aqui...?"

Notas finais
Espero que tenham gostado :D Adorava ter recomendações *o*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.