Para Sempre
1 Começo
Notas iniciais
Era Outono. A luz entrava pela janela aberta acompanhada com a brisa suave do vento. O som do piano soava pela sala inteira. Sentado na sua frente uma rapariga com longos cabelos vermelhos e desalinhados tocava animadamente. Não ouvia mais nada a não ser o som do seu piano. Cada tecla tocada mais maravilhada a menina ficava.
Do lado de fora da casa um carro parou . Estanciou e dele saiu um rapaz alto com cara séria. Portava um olhar sério como quem fosse discutir negócios. Vestia uma camisa preta e por cima um casaco aberto de fecho, verde seco. Tirou os ocúlos de sol, fechou a porta do carro e andou até à entrada da porta.
Dentro da casa, o som da campainha soou. A rapariga que tocava piano sobressaltou-se. Olhou para a porta e levantou-se com pressa para atender quem quer que tinha tocado.
-Estou a ir!
Tocou com a mão na maçaneta, rodou a chave para destrancar a porta e abriu-a apressadamente.
-Desculpe a...
A sua frase foi cortada quando os seus olhos alcançaram o rapaz que a encarava forte e sériamente. Sentiu as suas pernas a tremer levemente e apressou-se a fechar a porta.
A sua respiração acelarou e ponderou em chamar a polícia.
-É assim que recebes todas as tuas visitas? — O rapaz falou, enquanto batia com a mão na porta para que ela a abrisse.
-O que vieste aqui fazer? Pensei que já tinhamos tudo falado desde a última vez que nos vimos.
A voz da rapariga saiu um pouco trémula. Falar com ele não estava nos seus planos fazia meses. Queria esquecer o passado, mas de algum modo ele voltava para a assombrar.
-Vim esclarecer o que deixamos para trás. Não é facil esquecer o que se passou não achas?
O rapaz de cabelo esverdeado apoiou a testa na superficie da porta . Quase a falar num sussurro. A sua cara séria passou para um pouco triste e desapontado consigo mesmo. Teria dado a sua parte fraca ao voltar para se encontrar com ela? Talvez.
-Pensei que estes meses tivessem esclarecido o que ainda restava para tu perceberes que não te queria mais ver.
-Podes ao menos abrir a porta para eu te olhar e falarmos como dois adultos ?
A rapariga levantou a cabeça e engoliu em seco. Rodou a maçaneta e saiu. Deixando a porta entreaberta.
-Podes falar.
Ele estava feliz por a ver de novo. Ela estava igual fisicamente. Mas a sua personalidade parecia que estava um pouco mudada. Talvez ela tenha sido obrigada a mudar por causa dele.
-Estive em serviço fora do país. Voltei faz dias. Não sabes o inferno que passei lá. Só a tua imagem é que me mantinha são.
Flaky, que era o nome da garota de cabelo avermelhado, baixou o olhar e consentiu o que ele tinha passado fora do país. Não devia ter sido facil para ele, nem para ninguém. Cenário de guerra nunca fora bom.
-Estou feliz que tenhas voltado inteiro.
O rapaz soltou um riso abafado de ironia. Ela estava a ser um pouco fria demais com ele. Mas ele tinha merecido. no passado ele errou. E ele desejava imenso poder voltar atrás para emendar o seu erro. Mas era impossivel de o fazer, então queria outra chance para mostrar o seu verdadeiro Eu.
-Eu não vim aqui para que tu tivesses pena de mim. Vim para que tu me desses uma segunda oportunidade de mostrar que eu não sou mais como era. Eu mudei. Mudei por ti.
-Queres uma segunda chance? Eu ainda tenho as marcas do que me fizeste. Uma pessoa não esquece .
Flippy recuou um passo e virou costas para não a encarar.
-Realmente só sei cometer erros. E vir aqui foi mais um erro. É razoável que não me queiras nem por a vista em cima. Foi sorte eu conseguir ouvir a tua voz de novo e ver como estás linda ainda. Vou embora. Se precisares de algo sabes onde me encontrar.
Ele afastou-se de Flaky e caminhou até ao carro. Abriu a porta e sentou-se na frente do volante suspirando. Olhou para a casa e viu-a a entrar fechando a porta atrás de si.
-Porra...
Bateu com o punho fechado no volante. De seguida abriu o porta luvas para tirar o seu maço de tabaco. Fazia dias que não fumava. Mas aquele momento ele precisava de algo para o acalmar. Levou o cigarro à boca e acendeu-o com o isqueiro que tinha também no porta luvas.
Rodou a chave que estava na ignição. O som do motor fez-se ouvir .
Flaky dentro de casa arredou as cortinas da sala para por estreitar para fora. Viu o carro a afastar-se com um chiar de pneu.
-Porque voltas-te agora?!
Os olhos castanhos da rapariga brilharam e encheram-se de lágrimas que escorreram rapidamente pelo seu rosto, fazendo-a lembrar-se do passado. Onde passou momentos felizes mas que acabou por sofrer nas mãos de quem mais amou.
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