Para Sempre
44 In Brazil - Kyle Broflovski
Notas iniciais
POV: Kyle.
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Entrei no apartamento um pouco desesperado. Por mais que o que eu tinha feito era surpresa, uma parte de mim queria contar para Katy o que eu havia feito e deixá-la feliz. Mas como surpresas são surpresas, é melhor eu conter toda essa exitação.
- Katy! Cheguei! — exclamei.
Eu estava morrendo de chamá-la de "nega do suvaco cabeludo" novamente, mas infelizmente, só lembrei desse apelido — que um brasileiro de 12 anos, se não me engano chamado... Murilo me ensinara ontem — depois que eu a avisara de que eu havia chegado. Trágico.
Não obtive respostas a não ser barulhos vindo do quarto. Fui até ele e encontrei ela, coçando os olhos.
- Estava dormindo, é? — perguntei indo me sentar do lado dela.
- Não. Eu estava só... Pensando. — respondeu seguido de um bocejo.
- No que você estava pensando?
- Em nada... — respondeu se levantando. Percebi que não era para mim ter tocado nesse assunto. — Vou pentear o cabelo. — vai até o banheiro.
- Você está escondendo alguma coisa de mim? — perguntei a seguindo até o banheiro.
- Não! Por que eu esconderia? — respondeu olhando para mim com um ar de espanto.
- E eu vou saber?
- Bem, a gente se casou em dois dias atrás e você ainda não confia em mim?
- Não é isso, é que seus atos te entregam isso. Eu vou ter culpa?
Ela dá um suspiro e coloca o pente em cima da pia antes de cruzar os braços, dar um suspiro bravo e me encarar de uma forma irritada.
- Você quer que eu peça desculpas? — arqueei uma sobrancelha.
- Não, quero que me dê licença.
Saí de frente da porta e ela passou. Foi até a sua mala, pegou seu celular e mais algumas coisa que eu não consegui identificar e colocou no bolso.
- Para aonde a gente vai? — perguntou fechando o zíper da mala.
- Visitar essa cidade maravilhosa! — abri os braços — Ou você tá irritada demais para isso?
Ela virou e começou a me encarar de uma forma que parecia querer transmitir uma mensagem parecida com "Corre porque eu quero te matar". Continuei com os braços abertos e arqueei uma sobrancelha.
Ela semicerrou os olhos e esfregou os lábios uns nos outros, como se tivesse passado algum batom.
- Não me provoque mais. — aquilo parecia mais com um aviso do que uma resposta.
- Isso tá me soando como um desafio para te deixar calma... Ou irritar ainda mais. — coloquei as mãos nos bolsos traseiros da calça e deixei escapar um sorriso zombeteiro.
- Humpf... — revira os olhos. — Vamos para onde então, Sr. Chato?
- Para o Cristo Redentor, que tal?
- Pode. — respondeu seca.
Ignorei completamente a resposta dela e fomos para o taxi do hotel. Certas vezes, as mulheres ficam irritadas com nada. Gozado, elas se irritam e ficam tristes com nada. Se não for assim, eu realmente preciso melhorar meu conhecimento sobre as mulheres.
Dentro do carro, ela tentava dialogava com o motorista, que sabia falar bem inglês. Graças a Deus! Pelo menos um!
- Deve ser legal andar em um desses bondes... — comentou Katy.
- Sim. É um passeio um tanto... Romântico. É perfeito para vocês, que estão de lua-de-mel, certo? — disse o motorista.
- Bem... — disse Katy olhando bravamente para mim. — Aí vai depender se eu não estrangular esse cara irritante antes.
O motorista riu por pouco tempo. Foi praticamente um "rarara" :/
- Primeira discussão do casal. Isso sempre acontece na lua-de-mel. — completou o motorista. — Você não andou olhando para nenhuma outra mulher não, andou?
Filho da mãe!
Agora a Katy cruza os braços e olha pra mim com uma expressão "Eu espero a sua resposta. E se ela for positiva, eu quebro o seu pescoço aqui mesmo". Foi um momento sinistro.
- Não. — disse a verdade.
- É bom mesmo, Broflovski. — disse ela desfazendo a sua expressão e se sentando do meu lado normalmente.
O motorista deu mais uma daquela risada curta e se voltou para nós.
- Chegamos. Vocês querem que eu espere vocês para irmos em outro ponto turístico? — perguntou o motorista.
- Sim, se for possível... — respondi.
Katy abriu uma porta do carro e saiu, saí pela mesma porta e em seguida dela.
- E aí, quando vamos ficar de bem? — perguntei, colocando um braço nos ombros dela.
- Quando você parar de ser bobo. — respondeu, ríspida.
- Ér... Tá, vamos. — disse a guiando para o tal Cristo Redentor.
Quando chegamos lá, tinha apenas uma família lá tirando fotos, vendo a paisagem, o próprio Cristo, etc. Não era estranho ver apenas uma família lá, afinal, ainda era segunda-feira. Quem ia ter tempo para visitar o Cristo Redentor em plena segunda-feira?
Caí em mim quando a vi apoiada em uma espécie de corrimão de cimento que havia, para as pessoas não caírem, lógico. Fui até ela e a abraçei por trás. Senti ela estremecer ao meu toque, mas ignorei, pois se eu perguntasse (ou até mesmo, falasse) mais alguma coisa, ela explodiria comigo ali mesmo.
- Aqui é alto demais... — comenta não tirando os olhos lá de baixo.
- Com certeza. — concordei, afinal, é verdade. :P
Ela se virou para mim, ficando a centímetros do meu rosto.
- Você confia em mim? — perguntou.
- É claro que eu confio. — respondi, quase indo a loucura ao sentir aqueles olhos castanhos chocolates me encarando docemente.
- Você olhou para outras mulheres?
- Não exatamente...
- Como assim?
- Só olhei para as moças do aeroporto...
- Ótimo. — depois disso, ela estalou os dedos e desviou o olhar. Ou seja, ela estava meio que me hipnotizando para descobrir a verdade. Droga.
- Isso é golpe baixo. — comentei me postando do lado dela.
- Não é golpe baixo. É só um meio de descobrir a verdade. — respondeu ela sorridente.
- E você está satisfeita com tudo isso?
- Sim, é claro.
- Será que eu não mereço nenhuma recompensa por ser bonzinho?
- Não. — ela agora escancarou um sorriso zombeteiro. Como é que alguém pode te sacanear e parecer tão perfeita?
- E se eu implorar?
- Seja louco de fazer isso.
Começei a me ajoelhar no chão.
- Tá, eu te dou a sua recompensa. Só por favor, levante do chão. — disse ela me levantando pelos colarinhos da camiseta.
Me levantei e fiquei de frente pra ela.
- Tá, que recompensa você quer? — perguntou.
- Alguns beijos. — respondi sorridente.
- Tá... — disse ela sorrindo um pouco sem graça. Eu tinha esquecido de que ela não gosta de me beijar em público. Ela sempre diz a mesma coisa "Ninguém precisa ficar nos olhamos enquanto a gente se beija. Eu me sinto incomodada com os olhares das pessoas sobre nós.".
Ela pousou seu braço em meus ombros e foi se aproximando do meu rosto lentamente.
~*~
- Muito obrigada, senhor! — agradeci ao taxista, abraçado com a Katy, que estava abraçada contra o meu peito.
- Obrigada eu, moço! Volte sempre para o Rio! — dizendo isso, ele deu a partida no carro e foi embora.
- Você pode me dizer que horas são? — perguntou Katy, inda abraçada em mim.
Peguei meu celular no meu bolso traseiro da calça e olhei as horas.
- São oito da noite. — respondi colocando no bolso.
- E aí? Quer ir para um último lugar do Rio antes de irmos embora?
- Vamos ir embora? Mas eu pensei que passaríamos mais tempo aqui!
- Nós vamos para outro lugar, Katy, calma!
- Sério?
- Aham. Mas e então, para onde quer ir?
- Para onde você quer ir? — perguntou destacando a palavra "você".
- Eu gostaria de ir para mais algumas daquelas festinhas que tem nas ruas á noite.
- Tudo bem, vamos então.
Fomos para o quarto e nos arrumamos para sair. Demoramos, praticamente, duas horas por causa dos banhos.
Quando terminamos de nos arrumar, fom os para a mesma "festinha", onde só toca pagode, bem, pelo menos eu acho que assim que se fala o gênero da música mesmo. E, posso falar a minha opinião sobre isso? Eu detestei as músicas. Já a Katy parece dizer o contrário. Ela parece adorar dançar aquelas músicas. Admito, até que é legal dançar. Mas a música, além de você não entender nada do que os caras estão cantando, são como se fosse, uma catástrofe que é mais uma prova de que o mundo vai acabar esse ano. SALVE-SE QUEM PUDER!
- No que você está pensando? — perguntou Katy, bebericando um copo de refrigerante.
- Ér... Nada demais. — respondi. — Como conseguiu esse copo de refrigerante?
- Ah... Tinha uma garotinha que sabia falar um pouco de inglês. Eu pedi pra ela e ela pegou. — respondeu antes de bebericar mais uma vez o refrigerante.
De repente, o silêncio entre a gente pairou no ar. Só dava para escutar aquelas musiquinhas podres.
- E então... — Começei. — Gostou da nossa lua-de-mel no Brasil?
- Bem, para ser sincera... Apesar de ter sido um pouco, difícil lidar com as pessoas de uma linguagem diferente, foi fantástico. Foi demais conhecer a praia de Copacabana, o Corcovado, o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar...
- Eu também gostei. — sorri.
Uma mulher de meia idade se aproximou de nossas mesas com um rapaz, que parecia ter lá seus quinze anos, dizendo para o rapaz alguma coisa em português e depois o rapaz disse para gente em inglês:
- Ér... Boa noite! — deu para perceber que o rapazinho estava bastante sem graça.
- Boa noite. — respondeu Katy, sorridente.
- Podemos te ajudar em alguma coisa? — perguntei.
- Na verdade, a minha mãe me pediu para lhes dizer para irem dançar um pouco também. Vocês são os únicos que estão sentados e, além do mais, o Zé quer ver vocês dois dançando novamente.
Olhei para Katy, que sorriu para mim em troca. Ou seja, aquele sorriso entregava que ela queria dançar. Droga, dançar aquilo, na minha opinião era o mesmo que fazer questão de pagar um belo de um mico. Mas se a minha esposa — uau, primeira vez que eu uso essa palavra — gosta, o que é que eu posso fazer? :/
Traduzindo o que eu quis dizer: Só sugeri ir em uma dessas festinhas porque ela gosta — ou pelo menos, parece -.
- Tudo bem, nós vamos. — respondi me levantando.
Katy se levantou em seguida e então, fomos para aonde o povo estava tumultuado e dançando.
Eu e Katy tentávamos fazer o que os outros casais faziam. Ela tentava sambar e eu procurava fazer alguma coisa parecida com o que os outros caras de lá faziam com as suas parceiras. Eu me sentia humilhado, até as criancinhas que dançavam, faziam isso melhor que a gente.
Dançamos uma, duas, três, quatro músicas. Pareciam que as músicas duravam uns quinze minutos ainda por cima.
Mas, teve uma hora que eu não aguentei mais:
- Katy, por favor, vamos sair daqui!
- Tem razão. Vamos voltar para o hotel. — concordou parandod e dançar.
Segurei a mão dela e saímos de lá o mais rápido que pudemos. Quando chegou na esquina, ela me abraçou pela cintura e continuou a andar comigo assim.
- Você parece bravo. Foi algo que eu fiz? — perguntou.
- Não. Muito pelo contrário. Você tá me deixando mais calmo. — apertei ela contra o meu peito.
- Você tá usando um perfume muito bom. — comentou.
- Confesso também que o shampoo que você usa term um cheiro muito bom. Deixa o seu cabelo incrivelmente cheiroso.
Ela soltou um sorriso.
- Eu uso shampoo de camomila. — disse.
- Tá explicado porque o seu cabelo é muito cheiroso.
Fomos conversando assim até chegarmos no hotel. Aproveitamos também que o restaurante do hotel estava quase fechando e comemos um pouco antes de ir para o nosso quarto.
Quando chegamos no nosso quarto, enquanto ela ia colocar seu pijama, eu fiz o favor de tropeçar no pé da cadeira e cair no chão. Agora eu pergunto: O que não acontece comigo? ¬¬'
Ouvi passos vindo em minha direção, e de repente ela se abaixa perto de mim e me ajuda a me levantar.
- Você tá bem? — pergunta.
- Tô sim, é só essa cadeira idiota que ficou na minha frente. — respondi.
- Olha só! O seu pé tá roxo! — exclamou. — Vem, vamos lá na cama. Eu trouxe um spray pra passar aí.
Ela me ajudou a andar até a cama, onde deitei e ela foi pegar o spray na mala dela.
- Isso pode arder um pouquinho. — acrescentou chacoalhando o spray.
- Ou seja, vou sentir que meu pé tá queimando no inferno de tanto que ard... AIIII! ><'
Ela parou de espirrar o spray e o guardou na mala dela.
- Isso é por você falar besteiras. Eu passei por coisas piores e não reclamei. Qual é o seu problema?
- Tá me chamando de viadinho, é?
- Bem, se a carapuça serve. — e então, ela se senta do meu lado.
- Ah é? Retira o que você disse!
- Não. — respondeu ela com um sorriso.
- Tudo bem. Você quem pediu por isso! — a agarrei e fiquei em cima dela. Ela me olhava com um ar de curiosidade nos olhos.
- O que é que você vai fazer? — perguntou.
- É segredo. — dei um sorriso.
Ela escancarou mais um sorriso. Mais um sorriso daqueles que me deixa louco.
Me aproximei dela e começei a beijar. Começou com um beijo suave, mas ela puxava a minha nuca mais para si e, não posso deixar de dizer também que puxava a cintura dela também. Mas o que tudo isso causou? O beijo ficou mais intenso, quente. E todos nós sabemos no que isso vai acabar.
De repente, percebi que ela estava puxando minha camisa mais para si. Então, parei de beijar ela, que ficou me olhando um pouco frustrada.
- O que aconteceu? — perguntou.
- Eu não quero fazer nada que você não queira. — respondi.
Ela acariciou o meu rosto e me fez olhar para ela.
- Eu quero. — respondeu sorridente e começou a me beijar.
E então, durante o beijo, nos despiamos desesperadamente.
[...]
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