Notas iniciais
NA: Ultimo Cap! Finalmente!

Prometi pra mim mesma que não ia mais publicar nada até que isso estivesse acabado, então, aqui está... Agora posso retomar minhas historias e publicar uma oneshot que escrevi durante meu hiatos.. :P Boa leitura e se quiserem comentar, eu ficarei feliz..

...

Quinn acendeu a luz de seu quarto e Sam a seguiu para dentro, olhando em volta e franzindo o cenho para o amontoado de roupas perto da cama. O ar estava carregado e ele queria pedir se podia abrir a janela, mas um breve olhar para a loira o fez engolir a pergunta.

Ela sentou na cama e abriu o notebook, enfiando o pendrive na entrada antes mesmo de ligar o aparelho. Três longos minutos se passaram até que ela finalmente conseguiu acessar a pasta chamada 'Santana'. Dentro dela mais uma pasta com seu próprio nome.

Ela apertou os olhos para o arquivo de texto antes de lançar um olhar para Sam.

"Ela disse sobre o que se tratava?"

Ele fez que não e, hesitantemente sentou ao seu lado.

"Correções." Ele leu em voz alta. "O que isso significa?"

Ela deu de ombros, clicando no arquivo e matando a curiosidade de uma vez.

Primeiro, você precisa de um banho. E pelo amor de Deus, não esteja usando o antigo uniforme da Frannie por que isso seria simplesmente inaceitável.

Quinn arqueou uma sobrancelha e olhou para a antiga calça de sua irmã que ela, de fato, estava usando como pijama. A noção de que Santana ainda a conhecia tão bem a assustava um pouco.

Faça o favor de abrir uma janela, está irrespirável aqui dentro e luz do sol não vai fazer mal nenhum para essa sua cara branca.

Sam lhe lançou um olhar estranho àquela sentença e a loira apertou os olhos na direção dele.

"O quê?"

"Posso... Er..." Ele coçou a própria nuca. "Abrir a janela?"

Ela revirou os olhos e deu de ombros. Ela não via por que não e tinha coisas mais importantes com o que se preocupar no momento.

Segundo, eu cheguei a conclusão de que você tem sérios problemas de aprendizagem. Sério. Eu não sei como você conseguiu se inscrever em todas as suas classes avançadas, por que você simplesmente não consegue aprender!

Quinn se encolheu quando a luz do por do sol entrou pela janela e refletiu na tela de seu computador. Sua cabeça estava começando a doer e ela queria jogar o notebook longe, por que o arquivo da Santana não estaca servindo em nada para melhorar seu humor.

Você é simplesmente péssima em arquitetar planos e era de se esperar que já tivesse aprendido que suas tramas sempre acabam em desgraça, especialmente depois de todo o escândalo da gravidez e da esconder a paternidade, mas não! Você é Quinn Fabray, arrogante demais para pensar nas consequências que os seus esquemas poderiam causar!

E o pior de tudo é que você tem amigos, Q. Por mais fodida que a nossa relação possa ser, você sabe que pode confiar em mim.

Parcialmente.

Ok, não, você tem milhões de motivos para não confiar em mim, mas ainda assim, se você tivesse me falado sobre esse plano idiota de manter Berry longe do Finn eu teria, com muito prazer, te dado uma bofetada e mandado você cair na real por que é obvio que uma ideia dessas só poderia acabar em merda para todos os envolvidos.

A loira suspirou e se escorou na cabeceira da cama antes de continuar a ler.

Ou então, quando as coisas começaram a esquentar entre você e ManHands. Quando tudo começou a sair do controle e você decidiu desabafar com a Brittany! Brittany!

Deus, eu amo a minha Britt Britt, mas ela não é a pessoa a quem você recorre para falar sobre coisas assim! Mais uma vez, você podia ter vindo até mim, eu teria te ouvido e, bem, provavelmente, em um primeiro momento, eu teria rido da sua cara, por que convenhamos, você e RuPaul? Simplesmente cômico! Eu sempre soube da sua quedinha por ela, Q.

Desenhos pornográficos no banheiro? Não são uma boa forma de esconder seus sentimentos mais do que gays por alguém.

Quinn mordeu o lábio e lançou um olhar para Sam, que escaneava os títulos dos livros e filmes em sua prateleira. Ela apreciou a distancia dele. No fundo ela até que gostava de Sam.

Mas eu não estou aqui para te insultar. Pelo menos não dessa vez.

(Eu sei que vou ter tempo o suficiente para insultos quando você voltar a comparecer ao colégio.)

Eu vim para corrigir toda merda na qual você se meteu Fabray, e eu espero que você aprecie meu esforço um pouco mais do que a sua namorada. Devo te parabenizar por isso, parece que você finalmente conseguiu quebrar a Rachel que nós conhecemos.

Quinn franziu o cenho, sem entender.

Eu passei na casa dela logo depois da grande revelação e ela estava completamente destruída. Ela estava gritando Linkin Park a todo o volume enquanto espancava um saco de areia e existe uma grande possibilidade de que ela estivesse visualizando a sua cara enquanto fazia isso e sinceramente, eu não gostaria de estar no seu lugar.

Por outro lado, foi totalmente Hot e eu entendo por que você focou tão fissurada nela de repente.

Enfim, ela esta puta com você, mas ainda está disposta a te ouvir, mais ou menos. Não nesse momento, mas num futuro, talvez. A questão é que, eu estou me sentindo caridosa e o silencio dela é mais do que perturbador e eu não aguento mais ver o Finnbecil tentando cortejar ela de volta, então, eu estou disposta a ajudar.

Pessoalmente, eu trancaria vocês duas em um armário literal até que vocês estivessem prontas para sair do figurativo, mas Berry provavelmente iria te comer viva e todos nós sabemos o quanto ela aprecia grandes gestos e toda essa baboseira, então eu acho que você precisa sair do armário sozinha dessa vez.

Não que isso vá ser uma tarefa difícil, considerando-se que praticamente toda a escola já está sabendo sobre o que aconteceu entre vocês.

"Oh, ótimo... Tudo o que eu precisava..."

"Como?" Perguntou Sam, levantando os olhos do exemplar de Talentoso Mr. Ripley que ele segurava nas mãos.

"Nada." Ela respondeu, voltando os olhos para o computador.

"Posso pegar esse emprestado?"

Quinn o olhou de forma suspeita. "Desde quando você lê?"

Ele deu de ombros. "O filme é bom, mas o livro é sempre melhor. Pelo menos foi o que eu achei sobre Harry Potter."

"Tanto faz..." Ela respirou fundo.

"Isso significa que eu posso pegar?"

"Sim, Sam. Seja feliz."

"Valeu..." Sorriu ele, sentando no beiral da janela e continuando a ler.

Por algum motivo, Rachel parece realmente gostar de você e eu posso dizer que você também gosta dela. Deixa de ter pena de si mesma, e faça alguma coisa.

Vai atrás dela.

Eu sei que ela não vai querer te ouvir, mas ir atrás vai mostrar que você se importa...

E se você disser para alguém que eu amoleci, eu acabo com você!

Quinn soltou uma risadinha com isso. Era tão Santana...

Enfim, ela não vai te ouvir, então você deveria cantar para ela, ela sempre deu um valor exagerado para esse tipo de coisa e foi por isso que eu mandei Trouty Mouth, ele pode te ajudar com o arranjo da música. Falando em música, eu já comentei que a sua namorada gosta de Linkin Park?

Sammy tem uma lista de sugestões que eu tirei do Ipod dela enquanto ela tomava banho.

Quinn sentiu algo estranho na boca de seu estomago, uma pontada de ciúmes. Ela chacoalhou a cabeça, tentando se livrar da sensação.

Você deve estar se perguntando: E se ela não quiser me ouvir mesmo assim?

Não se preocupe, Brittany vai dar um jeito de manter ela com a bunda na cadeira até que você tenha acabado sua serenata e quanto ao Finn, eu vou dar um jeito nele...

O que eu vou fazer?

Você não precisa saber.

Nós somos muito parecidas Quinn... A única diferença é que você sempre teve mais coragem para enfrentar os teus medos. Eu espero que você não me desaponte dessa vez.

...

Dois dias depois

...

Quinn não teve forças para voltar para a escola no dia seguinte. Ela precisava se recompor, ela precisava pensar. Sua cabeça doía e seu peito queimava a cada passo que ela dava em direção ao seu armário no começo da manhã. Algumas pessoas lhe lançavam olhares estranhos e preocupados e ela fez o máximo para desconsiderá-los.

Seus olhos caíram sobre o armário que Rachel ocupava, alguns espaços a frente do seu próprio. Ela mordeu o lábio e olhou para a tela de seu celular, para a foto que havia tirado da morena apenas alguns dias atrás.

Dias que mais pareciam anos. Ela pensou, suspirando e abrindo seu cadeado para pegar os livros que precisava. Ao fechar a porta, ela olhou para o fim do corredor e sentiu-se tremer ao ver Rachel andando de cabeça baixa em sua direção, com Finn nos calcanhares.

Seus dentes trincaram em raiva, mas ela não se moveu. Parte dela estava feliz em ver a pequena diva, a outra tinha medo da reação que ela pudesse ter quando a percebesse parada a apenas alguns metros de distancia.

Olhos castanhos se levantaram e encontraram os seus. As duas meninas se encararam por um longo momento até que Rachel se virou para o armário para pegar as coisas que precisava.

Quinn hesitou antes de dar um passo em sua direção.

"Rach..."

"Ela não quer falar com você." Seus olhos se levantaram lentamente para encontrar Finn parado ao lado delas e colocando uma de suas patas enormes no ombro da pequena morena.

"Eu não perguntei para você Finn." Ela respondeu friamente.

"Você já a machucou o suficiente, você não acha?"

"Eu acho que você deveria ir cuidar da própria vida, eu e Rachel..."

"Ela não quer falar com você!" Ele exclamou, fazendo a morena em questão se encolher e escapar da mão que segurava seu ombro, fechando o armário com um estrondo e se afastando dos dois sem dizer palavra. "Ótimo, viu o que você fez?"

"Se você não calar a boca eu..."

"O que, vai me bater?" Ele perguntou com um sorrisinho. "Admita, Quinn, nós dois sabemos que você nunca vai ser boa o bastante para ela e no final, Rachel e eu vamos acabar juntos."

Ela fechou a mão livre em um punho, resistindo a urgência de quebrar o nariz dele. Ela respirou fundo e seguiu o exemplo da pequena morena, simplesmente dando as costas e seguindo para sua primeira aula.

...

Durante a manhã, Quinn fez o possível para alcançar Rachel, mas a morena a estava evitando desavergonhadamente. Ela tentou encurralá-la em um banheiro antes do almoço, mas a dor nos olhos castanhos a fez fraquejar. Talvez pressionar não fosse uma boa ideia.

Ela também, misteriosamente, não cruzou com Santana durante o dia inteiro, nem mesmo no período de almoço, nem mesmo no período livre que elas compartilhavam, ela sabia que sua companheira de equipe passava aquele horário nas arquibancadas, mas naquele dia em especial, a Latina parecia ter evaporado.

De um jeito ou de outro, talvez fosse melhor assim. Ela não sabia o que dizer para Santana. Será que ela deveria agradecer? Mencionar o recado que recebera? Questionar o que ela iria fazer a respeito de Finn? Por que o gigante infame parecia estar em todos os corredores por onde ela passava, pronto para lhe lançar olhares cheios de julgamento.

Já era início da tarde e ela só tinha mais duas aulas antes de Glee. Ansiedade começou a se acumular em seu corpo e seu estomago se revirava cada vez que ela pensava em Rachel, o que era basicamente o tempo inteiro, o que não era muito confortável.

Por volta do ultimo período ela mal conseguia ouvir o que o professor dizia, especialmente por que aquela aula era dividida com Santana e a Latina aparentemente havia decidido matar biologia.

Ela se perguntava qual seria o motivo...

...

Finn enfiava os materiais em seu armário. O ultimo período do dia era livre e ele estava pensando em passa-lo no laboratório de informática, escolhendo a música que iria cantar para Rachel mais tarde no Glee Club. Ele estava distraído pensando sobre possibilidades quando alguém fechou o armário em sua mão.

"Mas o que..?" Ele começou, chacoalhando os dedos doloridos e se virando para encontrar seu agressor. "O que você quer?"

"Eu acho que devíamos ter uma conversinha, Finnessa..." Santana falou em um tom meigo de voz que nunca trazia nada de bom.

"Eu não tenho nada para falar com você." Ele disse firmemente, virando para ir embora e se deparando com um grupo de líderes de torcida que o cercava, todas com as mãos nas costas e um brilho maquiavélico nos olhos.

"Eu acho que não fui clara o bastante para o seu cérebro comprometido. Nós vamos conversar, Finn. Quer você queira ou não."

Ele engoliu em seco e deu um passo para trás, tentando encontrar uma brecha no circulo vermelho e branco que o prendia.

"Você vai colaborar? Finnessa?" Ela perguntou, parando bem na frente dele e encostando o indicador de forma provocadora em seu peito.

Ele tremeu antes de engolir o medo. Ele estava cansado de ser intimidado por aquelas meninas idiotas. "Não. Eu não tenho nada para falar com você, Satan..."

"Ok... Eu não queria ter que fazer isso do jeito mais difícil, mas..." Ela falou calmamente, dando passos lentos para trás até se integrar ao círculo de cheerios. "Podem atacar, meninas." Ela falou um pouco mais alto.

Os olhos dele se arregalaram e a próxima coisa que ele viu foi um mar de gelo vermelho vindo de todas as direções.

...

Rachel, como sempre, foi a primeira a se encaminhar para a sala de coral. Pelo menos ela achava que seria a primeira, mas um dos corredores estava bloqueado por causa de algum incidente com um liquido vermelho e o zelador havia bloqueado tudo para que ninguem escorregasse. Ela teve que seguir um caminho alternativo pelo andar de cima e quando finalmente chegou ao seu destino, a sala não estava vazia como ela esperava.

"Olá, Rachel..."

As sobrancelhas da morena se apertaram em estranhamento. "Er.. Oi Brittany." Ela cumprimentou baixinho. Sua garganta ainda doía por causa da descarga de energia de alguns dias atrás e ela estava tentando se poupar o máximo possível. Ela também estava passando por uma enxaqueca persistente e horrível desde que se deparara com Quinn mais cedo naquele dia.

Seu coração havia acelerado impossivelmente e ela sentia raiva de si mesma por ainda sentir coisas por alguém que a magoara tanto. Mas ela não conseguia evitar... Quinn era... Ela não sabia mais o que sentia pela loira, mas não podia negar que sentia alguma coisa e que essa coisa era forte demais para ser controlada.

"Rach?"

Ela se virou ao ouvir a voz de Brittany chamando seu nome suavemente.

"Senta comigo hoje?" A dançarina indicou a cadeira ao seu lado. "Santana não veio e você é morena e pequena como ela e a minha mão fica fria quando San não está aqui para esquentar ela pra mim..."

Rachel abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando encontrar um motivo para simplesmente ficar sozinha em seu canto, mas os olhos azuis da loira brilharam em sua direção e era humanamente impossível dizer não para aquele olhar. Ela suspirou e silenciosamente, sentou na cadeira indicada.

Brittany sorriu abertamente e pegou sua mão entre as suas firmemente, entrelaçando seus dedos.

"Você tem mãos macias..." Ela comentou, apertando-a um pouquinho.

Rachel não pode deixar de notar que as mãos de sua (pseudo) amiga estavam mais quentes do que as suas próprias.

...

Quinn respirou fundo e abriu a porta da sala de coral, seus olhos imediatamente encontraram os castanhos que ela tanto amava e ela se viu congelada.

"Quinn, fico feliz que você tenha voltado, mas seria ainda melhor se você pudesse sentar." Ela ouviu a voz do Mr. Schue ao seu lado, mas não conseguiu desviar os olhos dos de Rachel, que parecia estar tendo o mesmo problema. "Quinn?"

"Eu... Eu... Na verdade eu... E Sam... Nós... Tenho algo." Ela gaguejou. Rachel finalmente olhou para baixo e ela se voltou para o professor.

"Desculpa, eu não entendi..."

"Eu gostaria de cantar uma coisa." Ela falou mais firmemente. "Eu e Sam..."

"Oh..." Os olhos dele se arregalaram. De todos os membros do clube, Quinn era a menos participativa e vê-la querendo cantar de boa vontade sempre o desconcertava um pouco. "Ok... Por favor..." Ele deu o espaço, esquecendo completamente o discurso que havia preparado para aquela aula.

A loira largou seus materiais em uma cadeira vazia e lançou mais um olhar para Rachel, que parecia incrivelmente desconfortável ao lado de Brittany. A dançarina sorria e estranhamente, ofereceu uma piscadela para Quinn.

Sam pegou seu violão e começou a tocar.

A loira mordeu o lábio, sentindo vontade de chorar, mas engolindo as lágrimas. Ela esperava que aquilo funcionasse.

"Eu não sou uma boa pessoa." Ela começou enquanto Sam tocava a introdução. "E eu não sou boa em muitas coisas, como cantar por exemplo... Mas pareço ter um talento excepcional em magoar as pessoas que eu amo." Ela engoliu o nó que se formava em sua garganta e Rachel parecia tão cansada naquele momento... "Eu... Sei que não é o suficiente, mas essa música é um pedido de desculpas e eu... eu espero... eu preciso.. que você aceite."

Sua voz preencheu o aposento suavemente.

"Let me apologize to begin with...

Let me apologize for what I'm about to say..

But trying to be genuine

Was harder than it seemed

And somehow I've got caught up in between..."

Seu coração estava doendo, ele batia tão rápido... E ela engasgou quando Rachel fez menção de se levantar, porém Brittany a manteve firme no lugar, segurando sua mão.

"Between my pride and my promise..

Between my lies and how the truth gets in the way,

The things I want to say to you

Get lost before they come

The only thing that's worse than one is none."

Quinn podia ver o efeito que a música estava tendo em Rachel, milhões de emoções conflitantes pareciam percorrer os olhos castanhos e ela sentia que todos a observavam em curiosidade, mas não conseguia encontrar forças para desviar os olhos da morena. A pequena cantora era o único motivo que a mantinha naquele lugar, cantando uma música como aquela na frente de todos os seus colegas.

"But trying to regain your trust,

Was harder than it seemed..."

Confiança, tudo aquilo era sobre confiança.

"And I cannot explain to you in anything I say or do or plan

Fear is not afraid of you

But guilt's a language you can understand

I cannot explain to you in anything I say or do

I hope the actions speak the words they can..."

Ela continuou cantando até o final, sabendo que aquilo não seria o suficiente, mas esperando por um milagre. Então as palavras morreram em um soluço estrangulado e seus colegas de Glee não sabiam se deviam aplaudir ou fazer alguma outra coisa. Eles nunca haviam visto Quinn tão vulnerável. Nem mesmo durante a gravidez.

E a vulnerabilidade nela pareceu aumentar ainda mais quando Rachel conseguiu se soltar de Brittany e se levantou, passando direto pela loira em direção a porta.

"Rachel, espera!" Quinn se levantou de um pulo e seguiu a morena, agarrando seu pulso no meio do corredor e fazendo com que ela virasse bruscamente.

O rosto da cantora se contorceu de uma forma que a loira nunca havia visto. "Você acha que tudo vai se resolver por que você cantou uma música para mim durante o Glee Club? Você acha que tudo o que a gente tinha vai magicamente voltar por que você finalmente criou coragem para pedir desculpas."

"Eu nunca precisei criar coragens para me desculpar, Rachel!"

"E eu não tenho mais paciência para as tuas mentiras, Quinn!"

A loira segurou seus ombros firmemente. "Eu precisei desses dias para... Eu precisava te dizer..." A dor que Rachel sentia refletia nos olhos de Quinn, que parecia estar passando por um debate interno. "Eu te amo, Rach. Eu te amo."

Silencio caiu sobre elas e a morena se percebeu perplexa. Ela sentiu raiva como nunca antes e o calor em seu peito se espalhou por todo o seu corpo até que ela finalmente perdeu o controle e as lágrimas que tanto tentava conter extravasaram.

"Você não tem o direito..." Ela falou por entre os dentes, dando um passo a frente e levantando o rosto, seu nariz quase encostava no da loira e ela sentiu uma vontade arrebatadora de agredi-la de alguma forma. "Você não tem o direito de dizer isso, Quinn! Não mais, não agora!" Seu punho acertou o peito da ex líder de torcida, não com força, mas em frustração. "Eu te odeio tanto!"

"E eu te amo tanto, Rachel!" Quinn elevou a voz, tentando ser ouvida através dos soluços da morena, que agora batia em seu ombro com uma mão espalmada. "E eu fui tão idiota em te machucar dessa forma.."

"Eu sabia, desde o começo, eu tinha certeza que você ia me machucar!" Rachel continuou batendo, evitando olhar para os olhos dourados, sabendo que quebraria ainda mais quando o fizesse. "E eu pedi que você não me machucasse... Como eu posso confiar em você, Quinn?"

"Eu não espero que você confie em mim novamente, o que eu fiz foi realmente muito idiota, mas quando a ideia surgiu, a ultima coisa que eu esperava era me apaixonar por você, Rach..."

"Se você realmente me amasse, teria me dito antes, teria me falado sobre seu plano... Tudo seria diferente se tivesse vindo de você! Eu não precisava ficar sabendo através do Finn! Você tem ideia do quanto aquilo foi humilhante?"

"Sim, eu tenho! Eu já passei por isso, Rachel, eu já passei por isso com Beth e eu já perdi tudo uma vez. Eu tinha tanto medo de me abrir para você, de me permitir sentir amor, por que eu não queria perder tudo de novo..." Ela própria havia começado a chorar e a expressão no rosto de Rachel se suavizou minimamente.

"Quinn..."

"Mas eu sinto que agora é pior do que tudo aquilo, por que eu nunca me importei tanto por alguém como eu me importo com você. Perder minha casa parece fácil em comparação a dor que eu sinto ao pensar que talvez nunca mais tenha uma chance." Ela secou as lágrimas em sua bochecha. "Me de uma chance, Rachel, é tudo o que eu peço.."

"Eu não sei se posso, Quinn..." Ela segurou o rosto da loira com as duas mãos. "Por que eu te amo também, mais do que eu gostaria de admitir, e se você me machucar de novo... Eu não sei o que pode acontecer..."

"Eu prometo que não vou te machucar, Rach.. Eu prometo nunca mais mentir..." Ela se abaixou um pouquinho e pressionou os lábios contra os da morena, sentindo uma onda de esperança quando Rachel não se afastou do beijo. "Desculpa..." Ela sussurrou contra sua boca.

A morena respirou tremulamente. Ela estava tão confusa e sentindo tanta raiva e tanto amor e tantas outras coisas, aquilo tudo era demais para ela. "Sabe o que é o pior?" Ela perguntou, encostando sua testa contra a de Quinn. "Eu sei que vou acabar te perdoando eventualmente, mas agora, eu preciso de tempo..."

"Eu sei... Eu vou te dar o tempo que você precisar, eu faço o que você quiser... Eu te amo, Rach..." Ela repetiu novamente e dessa vez foi a morena que a beijou, com força e profundamente.

"Obrigada..." Ela murmurou, unindo todas as suas forças para se afastar de Quinn e ir embora.

...

Quinn's PoV

Eu esperei um mês e meio foi o mês mais longo da minha vida, mas quando passaram, tudo valeu a pena, estar com ela valia qualquer coisa. Nós tivemos nossas idas e vindas durante o resto do ensino médio, o McKinley demorou alguns dias para se acostumar com a ideia de um casal lésbico e principalmente com o fato de que eu e Rachel formávamos esse casal. É claro que não saímos do armário de uma hora para a outra, demorei mais três meses para finalmente aceitar quem realmente era e o que Rachel significava para mim. Rompemos duas vezes e voltamos nas duas. Nossas brigas eram massivas, mas sempre terminávamos nos braços uma da outra, chorando e pedindo desculpas.

Minha mãe nunca ficou sabendo sobre nós, ela estava absorta demais em seu mundinho de bebida e reuniões com amigas exatamente iguais a ela. Nosso relacionamento durou exatamente um ano depois do final do ensino médio. A distância entre nós era grande demais e, não que fosse um problema me manter fiel, mas é muito mais fácil sentir raiva de alguém quando esse alguém não está ao seu lado. Terminamos, mas mantivemos contato e tivemos pequenas recaídas todas as vezes em que nos encontramos em feriados e datas aleatórias.

Então eu comecei a namorar com Douglas, um colega meu na UCLA, e minhas conversas com Rachel se tornaram cada vez mais curtas e ela parou a faculdade para participar de um musical na Broadway e eu fiquei tão feliz por ela finalmente estar realizando seu sonho. E foi naquele momento que eu percebi o quanto eu a amava e que amar alguém nem sempre significava ter essa pessoa. Eu sabia que nunca poderia tê-la, mas meu coração batia mais forte cada vez que pensava no quanto ela estava feliz. Eu não amava Doug, não dessa forma, não tão intensamente, mas ele era meu melhor amigo e quando me formei em história da arte, nós nos casamos.

Fazer amor com ele era agradável, mas eu não me sentia completa, não como me sentira com Rachel, e eu sei que ele sentia a mesma coisa. Quatro anos depois do casamento, tivemos uma filha. Lucy. Nos divorciamos dois anos depois de seu nascimento, quando descobri que ele estava me traindo. Com outro homem.

A coisa mais engraçada é que naquele momento, a única coisa em minha cabeça era a voz do meu professor de psicologia dizendo que nós sempre, inconscientemente, escolhemos nossos parceiros por conveniência. Doug era exatamente o que eu precisava no momento em que eu precisava e eu era o mesmo para ele. Uma amizade que poderia virar amor, mas nunca passou de uma fachada para esconder o que realmente éramos.

A essa altura, eu já não tinha mais o contato da Rachel e muito menos esperanças de reencontra-la. Sabia que ela nunca havia se casado e o mundo estava ciente quanto a sua bissexualidade. Eu havia visto fotos dela em tablóides, entrevistas com a mulher que conseguiu criar fama sem nunca sair dos palcos, a mulher que atraia gente do mundo inteiro só para ouvi-la cantar, a mulher que eternizou diversos personagens da Broadway. Ela nunca fez nenhum filme, nunca participou de nenhuma serie de TV. Ela não precisava disso, ela havia alcançado tudo o que sempre quisera ser e eu me sentia orgulhosa em saber que em um momento da minha vida, ela foi parte de mim (sempre seria).

Eu trabalhava em uma galeria de arte em São Francisco quando o convite veio e não pude recusar. Meu sonho de ser curadora estava se realizando e eu estava indo para NY para isso. De repente, todas as possibilidades que isso envolvia me atingiram e uma pontada de esperança invadiu o meu peito. Talvez não fosse tarde de mais. Talvez eu pudesse encontrar com ela afinal e mudar tudo, recomeçar de novo mais uma vez.

Foi em uma tarde chuvosa de setembro que o destino se fez presente. Nós havíamos acabado de nos mudar, Lucy e eu, ela tinha 3 anos na época. Eu estava procurando alguém que pudesse cuidar dela para mim enquanto estivesse trabalhando. Visitei diversas escolinhas e acabei me decidindo por uma que ficava próxima ao apartamento onde morávamos. Eu nunca havia morado em um prédio antes, exceto pelos dormitórios da faculdade, mas nunca tão alto. Era estranho olhar pela janela, mas minha filha parecia gostar da vista. Ela não falava muito e eu estava tentando mudar isso, incentivando-a a usar suas palavras.

Apesar de ter definido a escolinha, ainda precisava encontrar uma babá para as noites de exposição e estava em um café, entrevistando as candidatas quando...

"E você tem alguma experiência com crianças da idade dela? Aqui diz que você sempre trabalhou com bebês..." Eu escaneava o currículo de uma adolescente chamada Jennifer, sei que pode parecer preconceituoso, mas eu não conseguia entender como alguém da idade dela poderia saber cuidar de uma criança.

"Ainda não, mas estou disposta a aprender..."

"Olha, eu tenho certeza que você é uma boa pessoa, mas eu realmente procuro alguém com um pouco mais de experiência..."

Ela concordou com a cabeça e se despediu, saindo do café sem olhar para trás e deixando minha filha abanando para o nada.

"É minha pequena, acho que vai ser difícil encontrar alguém para você..." Alcançei seu braço no cadeirote e acariciei a pele macia e tão branca quanto a minha. Desviei a atenção para o meu café por um segundo quando Lucy chamou.

"Mamãe?"

"O que foi meu amor?" Perguntei, acariciando seu cabelo castanho claro e levemente ondulado.

"Au au..." Ela apontou para a entrada do café, aonde uma mulher morena, usando roupas de corrida estava parada, segurando a guia de um Border Collie. Meus olhos viajaram do cachorro para a mulher e meu coração parou. O mundo parou. Senti lagrimas se formando em meus olhos.

"Você quer ir ver o cachorro querida?" Perguntei sem desviar os olhos da morena que falava com o segurança do café.

"Sim, sim!" Ela se balançou na cadeira e eu me levantei, pegando-a no colo antes de colocá-la no chão. Ela pegou minha mão e caminhamos até a dupla. Minha filha estendeu uma mãozinha para o pelo malhado e brilhante, mas eu a segurei.

"Ele morde?" Perguntei, atraindo a atenção da mulher. Os grandes olhos castanhos caíram em mim e tive certeza que ela estava experienciando as mesmas sensações que haviam me acometido alguns segundos antes.

"Quinn?" Seus lábios formaram um sorriso tão lindo que me tirou o fôlego.

"Rachel..." Sorri de volta, sentindo uma urgência arrebatadora de tocá-la.

"Mamãe!" Lucy chamou impaciente, seus olhos grudados no cachorro e sua mãozinha agarrada a minha saia.

"Ele é... Mansinho?" Perguntei cautelosamente, mantendo minha filha a uma distancia segura.

Rachel piscou algumas vezes e desviou o olhar para Lucy, seu sorriso se suavizou e ela passou uma mão pelas orelhas do cachorro. "Ela é uma menina, na verdade. Cindy, senta." A cadela a obedeceu e abanou o rabo brevemente. "Não precisa se preocupar, ela não morde." Suas sentenças eram curtas e era muito estranho encontrá-la, totalmente diferente do que eu poderia imaginar. (Não que ela estivesse diferente, ela continuava sendo a minha Rachel.)

"Vai devagar, está bem?" Soltei a mão de minha filha, que fez que sim com a cabeça, enterrando uma mão no pelo preto e branco e sorrindo com a sensação. Puxei seu cabelo para trás e ela se virou para mim, sorrindo ainda mais.

"Você tem uma filha..." A voz de Rachel me trouxe de volta a realidade.

"Sim..." Respondi, mais uma vez acariciando os cabelos castanho claros.

"Ela é linda."

"Você também..." Falei sem perceber, sentindo-me corar quase que imediatamente.

Ela arqueou as sobrancelhas e sorriu em divertimento.

"Desculpa."

"Por que você está se desculpando?" Ela perguntou, inclinando a cabeça para o lado.

"Eu não sei... Por tudo eu acho... Eu..." Respirei fundo. "Estou realmente nervosa." Disse, sinceramente.

Ela mordeu o lábio. "Você é casada..."

"Eu achei que você soubesse..."

"Eu sei, mas é diferente ouvir de você." Nossos olhos se encontraram e rapidamente desviei o olhar.

"Divorciada. Já faz quase um ano." Murmurei, ainda olhando para Lucy e Cindy.

Rachel riu e eu me forcei a levantar o rosto. Ela estendeu a mão, alcançando pelos fios loiros que haviam escapado do meu rabo de cavalo, prendendo-os atrás da minha orelha. Ela deu um passo a frente e eu engoli com dificuldade. Seus olhos brilhavam com algo estranhamente familiar e senti meu estomago revirar. "Sabe Quinn," Sua mão repousou em meu ombro e meu coração acelerou consideravelmente. "Você não faz ideia de quantas vezes eu sonhei com isso, com o momento em que você iria voltar para a minha vida..." Ela deu mais um passo e eu desliguei qualquer outra coisa que não fosse ela (e Lucy, é claro). Os sons de NY pareciam sussurros em comparação ao som de meu próprio sangue pulsando em minhas orelhas. "E todos os meus sonhos começavam dessa forma, você dizendo essas mesmas palavras. Eu fico feliz que você tenha se divorciado... Por mais estranho que possa parecer." Seu polegar gentilmente acariciava meu pescoço. "E eu estou nervosa, tanto quanto você... Eu acho que meu coração vai explodir e a coisa que eu mais quero fazer agora é te beijar por todos os anos que estivemos separadas."

Perdi o fôlego e fechei os olhos. "Eu também..." Disse mordendo o lábio. "Sinto tudo isso." Senti seus braços me envolverem e sua cabeça encostar em meu ombro. Inspirei profundamente, seu cheiro continuava o mesmo.

"Eu senti saudades." Ela murmurou em meu ouvido e retribui o abraço, envolvendo sua cintura e puxando-a mais para perto.

"Eu também." Beijei seus cabelos escuros.

"Mamãe?" Lucy interrompeu o momento e senti uma pontada de culpa, literalmente esqueci de minha filha por um instante.

"Sim meu amor?" Perguntei, me afastando de Rachel.

"Ela gosta de mim! Posso ganhar um cachorrinho igual a ela?" Sua voz era esperançosa e ela segurava minha saia mais uma vez. Ri e fiquei de cócoras ao seu lado. Seus olhos verdes pareciam preocupados e ela levou uma mãozinha para o meu rosto. "Não chora mamãe..."

Percebi que realmente estava chorando e isso me fez rir ainda mais.

"Não fica triste!" Ela me abraçou.

"Eu não estou triste minha querida..." Acariciei seus cabelos, me afastando delicadamente.

"Não?" O verde de seus olhos estava marejado e encostei meu indicador na ponta de seu nariz, levantando os olhos e encontrando os de Rachel que sorriam para mim.

"Não, eu acho que nunca estive tão feliz..."

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Fim!

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