Para Nós Dois
2 Capítulo 2
Parte 2
_Gwendolyn, deixe de frescura e saia logo daí, senão eu vou buscar você! _ Vovó Grace chamou, com uma rispidez que espantaria qualquer pessoa que não a conhecesse intimamente. Embora a avó materna de Gwen tivesse o temperamento forte típico das mulheres da família, preferia impor seus desejos por métodos mais suaves, como chantagem emocional. Só uma vez ou outra deixava entrever sua verdadeira natureza por baixo do impecável cabelo branco, do colarzinho de pérolas e das blusas de seda em tons pastéis.
Estava tudo acertado para o casamento: as flores, o tipo de bolo e salgados, o vestido da madrinha (devidamente trocado para não destoar do chapéu da tia Joyce), tudo menos o vestido da noiva. Qualquer um dos modelos que agradaria à principal interessada tinha um ou outro detalhe que não agradava ao comitê de parentas liderado por vovó Grace, que se mantinha irredutível na questão do véu. Frank sugeriu sarcasticamente que talvez devessem encomendar ao Galliano um modelo especial, o que lhe valeu um olhar furibundo da esposa. Finalmente, uma colega de trabalho de Natalie indicou aquela loja, que apesar de ser a mais cara da cidade era "especialista nesse tipo de problema".
Muito envergonhada, a moça finalmente deixou o provador. Desde que ela e Kevin decidiram formalizar sua união, Gwen havia fantasiado tardes divertidas desfilando modelos para Julie ou Emily, com trocas de comentários picantes e risadinhas. Porém ambas tinham compromissos justo naquele dia; e de qualquer jeito nenhuma delas se sentiria à vontade junto da vovó Grace, que nos últimos dias se grudara à neta como uma craca numa pedra. Natalie se juntara à dupla porque tinha bom gosto e sabia melhor do que ninguém lidar com os excessos da mãe.
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_Você está parecendo uma princesa, Gwendolyn! _ exultou a velha _O seu Kevin vai cair para trás quando vir você chegando ao altar.
"Vai cair mesmo..." pensou Gwen... "de tanto rir." A única coisa a favor do vestido era o tom de marfim levemente amarelado, que se casava perfeitamente ao do véu. Já o corte era a versão caricata de alguma roupa de filme de época, provavelmente do século XVIII. Era fechado no pescoço, com mangas bufantes tão exageradas que mais pareciam corcovas. A saia armada tinha imensos drapeados presos em cima, que pareciam cortinas de ópera. Gwen, mesmo se esforçando, não conseguiu sorrir.
_Mas até as princesas precisam respirar, de vez em quando_ passou o dedo pelo colarinho apertado, e uma das corcovas roçou em sua face _Não consigo erguer os braços sem que essas coisas batam no meu rosto!
_Você não vai levantar os braços no seu casamento, mocinha! Esse vestido é clássico... pulo estilo vitoriano.
_Não quer dizer elizabetano, mamãe? _ Natalie ironizou_Com essa saia armada, ela vai derrubar a mesa da recepção quando tentar cortar o bolo _sem esperar resposta, examinou os outros modelos que a vendedora oferecia ( fazendo força para não rir) _Este aqui também é bonito.
_Façam como quiserem. Nada do que eu escolho está bom para vocês_Grace fez beicinho.
_Vovó, por favor... A senhora escolheu uns modelos lindos logo que chegamos, mas eles não combinavam com o seu véu... ai!__enquanto falava, ergueu os braços para remover a antiquíssima peça e as duas "corcovas" bateram em seu rosto_Talvez seja melhor eu tirá-lo e a gente vê de novo aqueles modelos com os véus originais. A avó olhou-a de um jeito que fez Gwen sentir-se mais vil do que o Argit:
_Você é igualzinha às filhas da Mary Ann. Ela também não quiseram saber do véu quando iam se casar... a Jocelyn chegou a dizer que preferia casar nua a "pagar um macaco", imagine só!
_É pagar mico, vovó. É que, veja bem, ele está muito frágil. Tenho medo de ras...
_Diga logo! Está velho demais, um trapo, uma porcaria! Pode jogar fora, não faz tem importância... _ a velha baixou os olhos e abanou a cabeça dramaticamente _Meu avô mandou buscar esse véu da Europa, quando a família recuperou a riqueza que havia perdido com a guerra. Ele casou minha mãe, depois a mim e minhas irmãs, depois casou a minha Natalie... _ contou pela zilionésima vez _A irmã dela não quis usar, mas não me importei, porque ainda haveriam as minhas netas. Mas nenhuma delas quer saber, esses jovens de hoje em dia só querem saber do que é novo e reluzente, o que é velho não tem valor...
Natalie veio consolar a mãe enquanto fuzilava Gwen com um olhar de "Você não podia ficar de boca fechada?" As duas mulheres asseguraram a matriarca de que não precisava se preocupar, a tradição seria mantida, e tiveram de repetir seus apelos algumas vezes devido à insistência de Vovó Grace para que jogassem fora a relíquia. Gwen já estava achando que teria de se desculpar mais umas vinte vezes quando um celular tocou. Depois de alguns momentos de confusão entre as quatro mulheres (incluindo a vendedora encarregada) verificando cada uma se era o seu aparelho que tocava, Gwen reconheceu que era o dela. Levou um tempinho até pegar sua bolsa, sob as de sua mãe e avó. Ao reconhecer a voz do primo, sentiu um estranho alívio, apesar do momento impróprio:
_Ben? Não é uma boa hora...
_Desculpa, Gwen, sei que você está ocupada, mas é urgente! _ ele parecia aflito _Acabei de chamar o Kev...
Antes que Ben pudesse dizer mais alguma coisa, a mãe tirou o celular de suas mãos:
_Gwendolyn está num momento muito importante agora. Ela não pode ficar largando tudo sempre que você chama.
_MÃE!! _ antes que Gwen conseguisse pegar o celular, a mulher já havia desligado_Como pode fazer isso? Eu nem pude saber o que o Ben queria! _Não é difícil de adivinhar, vocês dois não fazem outra coisa desde os quinze anos. Você tem que começar a se preocupar com a sua própria vida!
_Essa é a minha vida, quantas vezes preciso explicar? Kevin está lá com ele...
_Com certeza eles querem fazer alguma surpresa para você, minha querida _ Vovó Grace passou a mão pelos cabelos macios da neta, no mesmo tom de voz que usava quando ela tinha oito anos _Vai poder falar com eles mais tarde. Não faça essa carinha preocupada... O Ben não é o herói mais poderoso do mundo? Se for mesmo uma coisa séria, ele vai tomar conta do Kevin e trazê-lo são e salvo para o casamento de vocês!
Do jeito que a avó falava mais parecia que Kevin era algum bebê incapaz de se cuidar, e a moça enrugou a testa. Vendo que havia errado, a velha acrescentou num tom mais lamurioso:
_É tão raro eu ter uma chance de ver a minha netinha. Você nunca mais veio me visitar porque estava sempre ocupada caçando os seus monstrinhos do espaço, e eu fiquei tão sozinha...
Vovó Grace morava com uma das filhas casadas, para infelicidade do genro e netos. Ela sempre via Gwen nos aniversários das duas, sem falar nas esporádicas reuniões familiares promovidas por Natalie, e nas vezes que esta arrastava a filha para visitar a "sua" família. Porém a aparência delicada da avó e o ar de quem foi mortalmente ferido que ela costumava assumir quando a contrariavam tornava quase impossível jogar coisas assim na sua cara. E também havia o olhar severo da mãe. Normalmente já não era muito fácil lidar com as pressões dela; combinando com a avó, então, conseguiam abalar até as pessoas mais seguras. Relutante, Gwen baixou os olhos, a raiva cedendo à culpa e a uma opressiva sensação de esmagamento:
_Acho que vocês tem razão...
_Claro que temos, querida. Nós te amamos! _insistiu a avó_Mas vocês também tem razão numa coisa: esse vestido não serve mesmo pra você. Vá se trocar antes que ele arranque o seu olho fora! Mais tarde vamos comer umas empadas naquela cafeteria do outro lado da rua.
_É a melhor coisa que ouvi a tarde toda. Estou esfomeada _ um sorriso fraco iluminou o rosto da moça, porém sua mãe ergueu uma sobrancelha:
_E o regime?
_Regime pra quê?! A menina está muito bem assim! Não vou deixá-la passar fome só porque a Sandra ficou paranóica com a saúde. _Não foi o que você disse quando eu fiquei noiva do Frank...
_Essa é a graça de ser avó: fazer com os netos tudo o que não podia fazer com os filhos!
Gwen afastou-se, rindo e tomando cuidado para não arrastar no chão o vestido que carregava. O nome de Kevin chegou aos seus ouvidos num sussurro e ela estacou perto da cabine de prova. Olhou para trás, a avó sorriu e acenou, um tanto exageradamente. Gwen franziu a testa, depois deu de ombros e entrou, livrando-se com alívio do véu cheirando a mofo e do vestido "vitoriano". O zumzum das vozes de sua mãe e avó chegava indistintamente até ela. Os provadores eram afastados de onde as duas estavam, e o barulho vindo da rua tornava impossível entender qualquer palavra; mesmo assim elas falavam baixinho. Engraçado... Ah, não tinha nada com isso. Se estavam falando baixo era algo que não queria que ela soubesse.
Olhou desanimada para o vestido que tinha nas mãos. Ao contrário do anterior, era simples e de bom gosto, mas na sua opinião também um pouco sem graça, com mangas curtas e um pudico decote em V. Gostaria de usar era um tomara que caia, com rendas em detalhes prateados, e tinha certeza de que sua mãe teria escolhido um assim para ela, se não fosse a presença da avó. A respeitável matriarca tinha alguns preconceitos sobre decotes profundos e ombros de fora, embora ambos houvessem estado na moda em sua juventude. Será que era sobre isso que discutiam tão animadamente cada vez que ela se trocava? Não, nada a ver.
"Eu não deveria... Fui ensinada a nunca escutar a conversa dos outros. Ah, que se dane. Só desta vez. "
_Auris Natalie Grace_ sussurrou. Aquilo lhe permitiria ouvir bem o que as duas diziam — e apenas elas. A voz de sua avó chegou nítida, como se ela estivesse ao seu lado: "...tendo um caso antes mesmo do casamento. E com uma moça paralítica?"
"Chhh! É cadeirante que se diz agora. Não sabemos se é verdade. Você sabe que Rachel está furiosa com a Gwendolyn e a Emily, por causa daquela banda horrível."
"Foi por isso que a proibiu de contar pra mais alguém? Hummm... Por acaso você mudou de idéia sobre aquele garoto?" a última frase teve uma ponta de malícia.
Houve um curto silêncio, antes de Natalie responder devagar, como se escolhesse as palavras:
"Gwendolyn não é nenhuma boba, mamãe. Fofoca ou não, esse assunto só diz respeito a ela e ao Kevin. O que eu não quero é que a nossa família ria da minha filha por causa daquele rapaz.
"Como se já não estivessem rindo. Mas faça como quiser. Pelo menos ninguém poderá dizer que ela não se casou como uma verdadeira Wilkes."
A senhora Tennyson deu um suspiro que Gwen teria ouvido mesmo sem o feitiço:
"Quando prometi ao Frank e ao Ken que respeitaria as escolhas da Gwendolyn, não imaginava que seria tão duro. Esperávamos que esse namoro acabasse quando ela entrou na faculdade, mas eles sempre achavam um jeito de se encontrar, com teleporte ou qualquer outra daquelas coisas que eles usam pra andar pelo espaço... "
Como Vovó Grace não sabia o que era teleporte, pensou que fosse algum tipo de comunicação virtual:
"Com essas coisas de internet hoje em dia, as pessoas mantém contato até do outro lado do mundo. As cartas do seu pai levavam uns dois meses para chegar, era uma agonia! Meus pais tinham certeza de que eu acabaria me cansando disso e casando com o filho de um amigo, que já estava encaminhado na vida... Mas o seu pai voltou cheio de dinheiro, e eles acabaram se renden... "
A avalanche de reminiscências foi interrompida por uma observação desconfiada da filha:
"Gwendolyn está naquela cabine já séculos. Será que desmaiou lá dentro?"
Gwen ouviu a vendedora dizer alguma coisa e depois o som de passos se aproximando dos provadores.
_Precisa de ajuda? _ quis saber a mocinha.
_Não, obrigada. E... Estava difícil abrir o zíper, e só agora consegui tirar este vestido. _passou o modelo "vitoriano" para que a moça o levasse dali. Mesmo com um grande autocontrole, foi difícil impedir que a voz tremesse_Vou provar o outro agora.
Ouviu a vendedora se afastar e depois um burburinho, indicando que ela transmitia o recado às suas parentas.
"Parece que a Sandra não estava tão paranóica assim." Natalie comentou com sarcasmo.
"Falando no seu pai, agora, lembrei de um coisa. Esse Kevin — nomezinho mais vulgar — ele está estudando com uma bolsa?"
"Não, ele mesmo paga a faculdade. Gwendolyn diz que ele está ganhando bem com as engenhocas que faz, e que um amigo deles, das empresas Donovan, está interessado..."
"Bom, pelo menos minha netinha não terá que sustentá-lo." interrompeu de novo a velha. Aparentemente, falar bem de Kevin não a interessava "Você acha que a mãe dele é humana? Parece jovem demais pra ter um filho daquela idade."
"Até eu pareceria jovem, se usasse o cabelo comprido e me vestisse como uma menina de vinte anos." Natalie respondeu com amargura "Pelo menos ela não fica da cor de tudo em que toca."
Um brusco ruflar de cortinas fez as duas voltarem a cabeça. Gwen estava em pé na frente da cabine aberta, vestida com a blusa de malha e o jeans com que chegara à loja, o vestido de noiva e o véu antiquíssimo cuidadosamente dobrados em seus braços. A vendedora que as atendia adiantou-se:
_Não serviram?
_Não sei, nem cheguei a provar. Desculpe termos tomado o seu tempo _entregou o vestido à moça, depois voltou-se para sua família _Estou preocupada com Ben e Kevin. Eles podem estar realmente precisando de mim enquanto eu fico aqui.
A mãe barrou-lhe a frente.
_Você não vai fazer essa desfeita para a sua avó. Ela atravessou dois estados para ajudar nos preparativos do seu casamento!
_Deixa, Lili _ Grace interveio com sua vozinha doce e triste, embora não faltasse uma ponta de despeito_Se ela vai ficar assim, é melhor ir mesmo. Está com medo de ficar viúva antes do tempo.
_Casando com um encanador, sempre haverá essa possibilidade _ Natalie replicou secamente.
Gwen estreitou os olhos. A frustração acumulada durante as últimas semanas borbulhava em sua garganta, esporeada pelo desprezo dirigido ao homem de sua vida. Lembrou da falta de entusiasmo dos pais com o anúncio do noivado, o sorriso forçado de seu pai; "Que boa notícia, Gwen", a mãe muito séria "Não é muito cedo ainda?" , e a decepção nos olhos de Kevin. Ela tentara animá-lo, insistindo que seus pais ainda os viam como duas crianças, só conseguira enganar a si mesma. Ele sempre percebera a verdade.
_É mesmo. _ sua resposta saiu fria _ Eu não teria de me preocupar se me casasse com um médico... um com uma mãe respeitável, que cortasse o cabelo bem curto, como convém a uma senhora.
Ouviu-se três arquejos e o som quase imperceptícel de alguma coisa macia caindo no chão — o vestido que a vendedora ainda segurava. Houve uma pausa tensa, perturbada apenas pelo som dos carros passando na rua.
_Como... Você não podia ter ouvido, com todo esse barulho na rua! Natalie! Eu falei pra VOCÊ baixar a voz! _Vovó Grace censurou, mas Natalie nem ouvia, absorta na imagem da filha. Nos olhos da senhora Tennyson, as emoções se sucediam: choque, compreensão, decepção, vergonha, preocupação maternal... Deu um passo para o lado:
_De todas as pessoas você seria a última de quem eu esperaria isso _falou num tom inexpressivo.
_Foi só desta vez. Mas se serve de consolo, minha decepção é muito maior _Gwen acrescentou no mesmo tom, entregando o véu à avó.
Havia uma ponta de medo nos olhos da velha e suas mãos tremiam ao receber a peça, embora procurasse sorrir para a neta:
_Não está magoada, está? Quando a gente chega a certa idade nem sabe direito o que diz. Eu vou escolher um vestido bem bonito pra você...
Ocorreu a Gwen que talvez o drama do véu tivesse sido um estratagema da avó para fazê-la desistir do casamento. Mas se dissesse isso, a avó poderia passar mal — ou fingir que passava. De qualquer jeito, ela nunca admitira uma coisa dessas, e Gwen ainda se arriscaria a passar por vilã.
_Obrigada, mas não adianta. Mesmo que a gente passasse o dia inteiro aqui, não conseguiria fazer o seu véu combinar com um dos vestidos desta loja. Assim como muitas pessoas se esforçam, mas nunca conseguem se ajustar aos padrões dos outros!
_Gwendolyn! _a mãe avançou, indignada.
Esquecida por todas, a vendedora largou os vestidos em cima do balcão e apoiou-se nele para apreciar melhor. "Adoro quando as freguesas brigam" pensou "Isso é muito melhor do que novela"
_Entendo que esteja zangada, mas não tem o direito de ser grosseira com a sua avó! A sua família é mais...
_Oh, por favor, mãe! Eu sempre dei o maior valor à família e o Kevin também. Ele ficava feliz quando vocês agradeciam por me trazer pra casa em segurança. Consertou o carro do Ken de graça... Chegou até a assistir vídeos sobre etiqueta pra não fazer feio quando ia jantar lá em casa!
_Então assistia de olhos fechados_Vovó Grace resmungou _ Aquele grosso, sem vergonha... está te enganando com...
_Eu já sabia dessas fofocas sobre a Emily faz tempo — e, posso garantir, não tem fundamento nenhum. Você sabia que o Kevin adaptou o carro pra gente poder levá-la conosco de vez em quando, porque ela se sentia muito solitária? _ fez uma pausa, mais para enxugar os olhos do que para aguardar uma resposta _É, estou vendo que não. Kevin pode ter seus defeitos, mas ele fez muitas coisas pelos outros. Se não fosse por ele, nenhum de nós estaria vivo agora — nem vocês estariam aí, falando mal dele! _ apanhou sua bolsa e celular, depois tomou a direção da porta.
_Você não quer dizer se não fosse pelo Ben Tennyson? _ do seu canto do balcão, a vendedora finalmente meteu a colher. Algumas colegas de trabalho, que espiavam mais discretamente a briga, murmuraram em aprovação.
Gwen virou-se e lançou-lhe um olhar tão penetrante que a moça se encolheu:
_Não, eu quero dizer se não fosse pelo Kevin Levin! Aquele em quem ninguém repara porque seu único poder é ficar da cor de tudo em que toca. Mas pra mim ele é muito mais herói do que o Ben, porque nunca se preocupou em ter a cara estampada numa camiseta. Ele só queria fazer parte da nossa família, e o que ganhou? "Gostaria que minha filha tivesse parado de namorá-lo quando estava na faculdade"!
Natalie encolheu-se como se tivesse levado um tapa.
_Ninguém está dizendo que o Kevin não é boa pessoa, querida. _ desculpou-se, quase implorando. Parecia a ponto de chorar também _Nós só queríamos que você levasse uma vida normal. Havia tantos rapazes em Harvard...
_Também havia muitos rapazes na época em que você estudou lá, e que não tinham parentes alienígenas_ e saiu. Ainda ouvi a avó cacarejar lá dentro:
"Viu só? Até a sua filha concorda..."
"Mãe, fica quieta por favor!"
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Notas finais
Craca - pequeno crustáceo branco semelhante a um vulcão, que se gruda sobre pedras, conchas e cascos de navios
Nota:
Pra começar, este fanfic começou a ser escrito antes da última temporada de Supremacia Alienígena, que ainda não estreou nos Estados Unidos. Se alguma coisa aqui sair em desacordo com a trama oficial, pensem nesta história como uma linha de tempo alternativa. Paradoxo já admitiu que existem muitas delas.
Esse capítulo realmente me surpreendeu... Era para ser uma comédia romântica, mas à medida que escrevia, eu ia mais e mais me fazendo perguntas. Segundo Dwayne McDuffie, os pais de Gwen não gostavam de Kevin, mas deu a entender que também não proibiam o namoro dela com o rapaz. E a mãe de Gwen, em especial, não só mostrou-se preconceituosa com os Tennysons em UA, mas também revelou-se um pouquinho esnobe (quem mais escreve convites à mão hoje em dia? Tem dó!)
Fiquei pensando se através dos anos essa situação mudaria e a família de Gwen aprendesse a gostar de Kevin, ou se apenas fingiria gostar dele para não magoar a moça. É muito mais fácil enfrentar um racista que agride na cara dura do que um que é bem educado e não admite que tem preconceitos. Mas não se preocupem, que a turma do Ben tem muitas cartas na manga.
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