Notas iniciais
Belezuras, Amanhã as 17H do Brazil, 21h de Moçambique e 20h de Angola, vou estar dando uma entrevista no grupo do Facebook do Wattpad - Angola. As meninas chamaram lá e estão loucas pra fazer perguntas. Quem quiser participar é só add: https://www.facebook.com/groups/101337840255941/?fref=ts Serão bem vindas, e podemos nos conhecer melhor e perguntar tudo o que quiserem. Vou responder com muito carinho. Boa leitura,

O que chamou a atenção de Darcelle não foi só a maravilhosa propriedade moderna feita de madeira, e sim o incrível haras com um enorme campo verde e sadio, destinado a criação dos animais de raça pura. Parecia não ter fim, e os grandes estábulos dentro do território exibiam os inúmeros cavalos existentes.

Damien estacionou o carro numa das garagens privadas, e insistiu para abrir a porta para que a companheira descesse. A curiosidade para ver a coudelaria era gigantesca, mas o frio e o ambiente noturno não ajudava em muito, e por isso percorreram as escadarias de madeira, e uma pequena ponte até dentro da casa.

Mobília antiga ajudava no espetáculo da decoração, vários quadros com cavalos belos e de porte, estavam dispostos em todas as paredes possíveis. A cozinheira e um dos cuidadores vieram recebe-los, sempre simpáticos e alegres por verem o patrão ali. Não era um sítio onde Beauchamp costumava frequentar nos últimos tempos, pelo menos desde a morte do pai e a partida de sua mãe. Nenhum dos empregados pareceu assustado ou horrorizado pelo rosto sem máscara, muito pelo contrário, estavam todos empenhados em preparar o quarto e o jantar para que ficassem confortáveis.

Assim que cruzaram a porta do quarto onde iam ficar, Darcelle percebeu imediatamente que aquela era a casa da infância do herdeiro. O quarto tinha lençóis novos, mas os troféus e medalhadas pendurados nas prateleiras, as fotos da escola com colegas e em festas e viagens, coladas num grande quadro. Luvas de futebol, e um chapéu militar estavam pendurados junto ao grande guarda-roupa cujas portas eram de espelho. Livros juvenis e DVDs variados ocupavam a prateleira de baixo.

— Vou tomar um banho. — O maxilar dele estava rígido, e se dirigiu a porta ao lado sem olhar para o passado que cobria todo quarto. Por outro lado, Johnson não conseguiu se segurar, apreciando em primeiro as fotografias e viu naquelas memórias um homem que não conhecia. Um belo rapaz loiro e feliz, em festas, viagens, jogos e desafios. Com grupos de amigos, uma bela morena que aparecia na maioria das fotos ao seu lado, entre milhares de situações que jamais poderia imaginar. O quão doloroso fora ter sido arrancado daquela vida para um realidade isolada e desprezada?

— Essa era a Bianca, minha ex-namorada.

Assustou-se por ouvir a voz dele tão próximo. Perdera a noção do tempo apenas apreciando todas as fotografias e o rosto intato não mais existente, e sequer se dera conta do retorno de Damien.

— Esse aqui era o Michael, o Quarterback da nossa equipe. Se casaram e têm dois filhos. — Não havia ressentimento na voz, muito pelo contrário, o tom representava uma nulidade.

— Vou tomar um banho. — Esgueirou-se de perto do corpo molhado apenas coberto por um roupão, e saiu para apreciar a água do chuveiro. Tinha sido um dia cansativo, e demorou a se limpar e usar outro roupão ali pendurado. Eram todos de veludo, com um grande B e o desenho de um cavalo, bordados.

Quando voltou ao quarto, uma mesa de rodas trazia comida quente e bebida, Damien estava sentado na cama, com o controle na mão e a televisão ligada.

— Te esperei para jantar — disse e se levantou para sentar junto a figura feminina. Sentiu quando sentou ao seu lado, com um sorriso meio tímido e um ar cansado. A viagem tinha sido um pouco longa.

— Obrigada. Estou faminta! — Tentou parecer relaxada, mas a verdade é que um terremoto ocupava toda sua barriga por dentro.

— Bem-vinda ao meu passado. Cresci toda a vida aqui, minha família inteira praticou o Hipismo como um desporto principal. Realizávamos torneios, desfiles de cavalos e sequer imaginas quantos potros eu já trouxe ao mundo. — Contava com um ar sonhador, enquanto servia as batatas cozidas e o molho de carne.

— Nunca montei um cavalo — confessou timidamente, e aguardou que ele se servisse para começarem a comer. Achou irónico a assessora da maior empresa de criação de cavalos do mundo, não ter sequer chegado perto de um.

— Pela manhã é só escolher, eu te ensino.

— E Jamie? E a senhora Charlton? — Lembrou-se de repente e sentiu um grande peso de consciência por estar ali, feliz, sabendo que aquelas duas mulheres podiam experimentar de um sabor amargo da vida.

— Sua prima está bem e com Dash. Deve ser bom para que se entendam. — Comeu um pedaço de brócolis que a companheira afastou do prato, numa naturalidade que nenhum dos dois se apercebeu. — Preferia não falar de Emma por agora.

— Eu preferia falar. — Insistiu e pousou o garfo se virando para o olhar de frente. Ouviu mais um suspiro exasperado, acompanhado do cicio dos ramos das árvores lá fora. Damien largou os talheres e coçou a nuca.

— Eu vou terminar com ela quando voltarmos, prefiro falar pessoalmente e não por telefone. Está certo?

— Eu queria estar presente, não porque duvido de você, e sim para não me sentir covarde por não ter dado a cara. Como se eu tivesse ido à mansão para roubar o noivo e...

— É melhor não. — Cortou-lhe sem receio. — A senhora Charlton assinou um contrato e o mesmo terá de ser desfeito em trâmites legais. Não terá o coração partido pois não partilhava de um sentimento, e será indenizada acima de tudo.

— Como podes afirmar a existência de um sentimento ou não, da parte dela?

— Não foi você que me ensinou que quem gosta não se preocupa apenas com o exterior? — Rebateu cheio de pirraça e voltou a atenção para o jantar.

Quando terminaram, deixaram a mesa de rodas no corredor e entraram dentro da cama quente e confortável, muito próximos um do outro. Assistiram um programa qualquer pela televisão a cabo, fingindo manter interesse naquilo por uma hora inteira, até Beauchamp ganhar coragem para se virar para o lado e beijar Darcelle nos lábios. Explorou os lábios devagar, com toda lentidão em conhecer cada textura e canto daquele novo sabor desconhecido, era quente e molhado, e parecia acender diretamente o coração.

— Que método contracetivo você usa?

Johnson recuou ao ouvir o murmúrio sair no meio do beijo, os olhos pestanejaram e sentiu o rosto queimar em brasas de carvão. Que pergunta tão fora de hora seria aquela?

— Nunca precisei de nenhum — Titubeou.

Viu o rosto do homem se contorcer numa admiração inquieta, os olhos azuis se estreitaram antes de uma luz invisível se acender no cimo de sua cabeça.

— Quando me disse que nunca namorou, isso incluía que... nunca fez sexo? — perguntou, e os orbes azuis se abriram como dois berlindes assim que viram a resposta positiva que a negra fez com a cabeça.

— Céus. Eu não tenho nenhuma proteção aqui comigo — admitiu, pensou sair para comprar, mas estavam muito distantes da próxima loja de conveniências. Estivera tão imerso nos novos sentimentos que se esquecera completamente disso. — Estás no período fértil?

— Não. Mas e as doenças?

— Eu vi os seus exames feitos para a Beauchamp. Sei que é completamente saudável, quer que eu lhe mostre meus exames? Tenho arquivado no correio eletrónico, posso usar o celular e... — Damien calou-se de repente, o rosto ficando vermelho. — Me desculpe, Darci. Perdão, eu sequer perguntei se você quer que nós... eu entendo se for cedo. Não queria...

— Se acalme. Somos dois adultos. — Segurou a mão dele, entrelaçando os dedos. — E eu quero sim.

— Melhor não. Vem aqui, deite em meu peito. Quero que esteja preparada. — Puxou-a para junto de si, mas sentiu quando houve resistência da outra parte.

— Me prepara, nesse caso. — Levou as mãos ao nó do roupão dele, e o desfez com delicadeza. O corpo masculino estremeceu quando ficou desnudo, revelando as cicatrizes que desciam pelo pescoço abaixo, exibindo a pele do lado direito num verdadeiro manto de reminiscência. Havia dor no olhar azul.

— Eu não quero que me veja assim.

— As piores cicatrizes são as da alma e do coração, aquelas que mesmo invisíveis a olho nu, parecerem sarar por fora, mas por dentro ainda estão abertas como nunca. Deixa-me ser o bálsamo para todas suas dores. — À medida que falava, primeiro depositou um beijo no rosto deformado, e depois desceu devagar pelo pescoço, trilhando um caminho de selinhos por toda extensão restante marcada.

— Darcelle... — Gemeu baixo, sentindo o corpo se arrepiar por inteiro, e o âmago bater descompassado.

As bocas se encontraram com avidez, as respirações ofegantes alteravam entre os sons molhados das línguas ágeis. Damien ensinou-a nos preliminares, se demorando a explorar cada parte do corpo negro, descobrindo sensações nunca antes experimentadas. Ainda assim, na penetração Darcelle tremia, tentando não reclamar da estranha experiência, apenas cravou as unhas nas costas másculas em forma de protesto, mas em nenhum momento recuou e passou a apreciar o estranho desconforto do membro dentro de si.

*****

— Que bebé? — Jamie soltou um riso a beirar o ridículo. — Quem foi que me falou sobre viciados não estarem nas próprias faculdades mentais? Velha maluca, pare de inventar coisas descabidas.

Finalmente virou-se para encarar Christian cujo rosto estava todo tingido de um vermelho assustador.

— Volto mais tarde. Quando estiver melhor da cabeça — despediu da mãe e deixou o quarto com pressa, os olhos vidrados no caminho de saída. Algumas pessoas iam e vinham, pacientes e enfermeiros na maioria, pois os médicos pareciam sempre agitados. Sentiu quando Dash lhe alcançou o andar.

— Sou responsável pelos meus atos e jamais iria supor que você deveria ter-se cuidado, até porque não errou sozinha. Se é isso que temes podes ter a certeza de não vir a acusar de nada. — Advertiu cheio de precisão.

— Não sei do que estás a falar. — Continuou a mover o corpo sempre em direção a saída, mas sentiu duas mãos forçarem sua paragem. Encarou os olhos verdes. — Minha mãe é maluca, Chris.

— E você mente muito mal — redarguiu, e prendeu a respiração por alguns segundos antes de a soltar. Tinhas as mãos trémulas.

— Vamos supor... supor, Chris. — Frisou. — Que por uma questão, isso fosse possível. O que lhe faz pensar que eu quereria ser mãe solteira?

— Porque mãe é mãe, não vem com título atrás.

— Viu a minha vida? Acha que ia deixar uma criança vir ao mundo para sofrer por não ter um pai perto? Por parecer que a mãe deu um golpe da barriga num milionário que não a assumiu? Supondo.

— Certo, então. Supondo que essa mãe pense isso, qual seria a solução?

— Se isso fosse verdade? Um aborto. — Sugeriu de forma crua e fria. Sequer pestanejou uma vez, contudo, se admirou quando viu um riso de Dash em descrédito.

— E sua mãe é que é maluca? Se eu fosse esse pai, não estaria de acordo com tal decisão.

— Essa mãe tem o direito sobre o próprio corpo, como mulher.

— Mas certamente o bebé não surgiu no útero dela sozinho. Teve que precisar do esperma mais esperto, e esse veio do pai, que provavelmente é esperto.

Jamie mordeu o interior das bochechas com força, como se pudesse exteriorizar todo estresse contido.

— As mulheres não são recetáculos de espermas espertos de pais espertos. Se alguém quer ter um bebé que forme uma família, digna e respeitada!

— Se esse bebé existisse não teria culpa de nada. Os pais deveriam se responsabilizar por ele.

— E como não existe, então não há nenhum problema! — A médica afastou para o lado, e recomeçou a andar, o peito subia e descia num ritmo desajustado como se a qualquer momento fosse se abrir, e expelir o coração lá de dentro.

— Não podes matar uma vida só porque a tua não correu bem. Nenhuma criança precisa de ser exclusivamente criada pela mãe, se o pai quiser, pode tomar conta dela.— Insistiu, recomeçando a andar lado a lado, avistando a saída da clínica mais perto do que esperava. Começou a ficar nervoso, sem certeza de nada.

— Senhor Dash, herdeiro de tudo isso aqui! Visite a ala de procriação e contrate uma barriga de aluguer, tempos modernos. Tanto dinheiro que tem, dê um uso para ele! — Desta vez a Johnson quase gritou, se esquecendo do lugar onde estavam. Mais uma vez foram alvo dos olhares dos demais.

Christian permaneceu calado, vendo ela primeiro se enervar e depois pestanejar para segurar as lágrimas. Parecia em constante conflito interno.

— Nunca pensei em ser pai, Jamie. Juro que não. Mas se aconteceu, eu estou preparado para o que vier. Se você fizer algo contra o bebé, eu te processo — ameaçou com os olhos fixos na bela jovem negra. Estava com o corpo frio e os lábios estavam secos.

— Tira isso da cabeça.

— Então vamos ali fazer um teste. É rápido.

— Você é maluco como a minha mãe. Eu vou embora! — Deu meia volta e correu em direção a porta, quando sentiu duas mãos a carregarem do chão, e pendurar-lhe por cima do ombro como um saco pesado. — Me solta, Christian Dash! Me solta!

Jamie se debatia, mexendo os braços e as pernas de maneira agitada e chamando ainda mais atenção. Todos pareciam parar para assistir a cena inédita, sem saber se riam ou se criticavam. Ele ia a andar pelo corredor em direcção à obstetrícia quando se cruzou com os pais no caminho, ambos com o rosto indignado.

— Christian Willem Dash, o que vem a ser isto? — questionaram ainda atónitos, sem deixar de prestar atenção quando o filho tirou a jovem do ombro e a pousou de novo no chão de azulejos brancos.

— Pais, sendo muito específico. Eu desconfio que essa mulher teimosa aqui ao meu lado, carrega um bebé Dash. E vou ali comprovar isso? — Com um ar irreverente, ergueu uma sobrancelha desafiadora como sempre. Quanto mais achasse que poderia chocar os doutores Dash, melhor era para ele.

Notas finais
kkkkk Um cheiro do casal Chrismie/Jamian pra vcs. Muito obrigada pelos comentários, vocês são umas maravilhas. Beijos de amor pra todos.