Paraíso Proibido

8 Capítulo 8. "Anotações" - I


Notas iniciais
Boa tarde, amiguinhos :) Bem, eu tinha dito que talvez não postasse hoje, maaas! porém, entretanto, contudo, todavia... Eu consegui terminar os capítulos, aee o/ Só que assim, ANTES QUE ALGUÉM ME MATE, deixa eu explicar: eu estava empacada no capítulo 8, que seria esse, mas aí as ideias foram me ocorrendo e pans, eu escrevi, mas acabou ficando grande demais, com quase 5.000 caracteres, então, POR ISSO, eu estou separando ele em duas partes. Não me matem, mas teve que ser assim, não dá pra colocar inteiro, a leitura ia se tornar muito cansativa :/ Mas enfim. Espero que gostem! E não queiram me matar, amanhã eu posto mais cedo a continuação ^-^ Boa leitura!

Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Eu despertei aos poucos. Meu corpo estava muito leve, não dava vontade de sair da posição em que eu estava. Ouvia um barulho muito de longe, não conseguia identificar o que era, mas lentamente meus sentidos foram voltando, então percebi que o som vinha do meu celular que tocava, em cima da mesinha de cabeceira. O toque em si estava baixo, mas ele vibrava fazendo um barulho irritante na madeira. Aborrecida, estiquei a mão, batendo no celular e pegando-o. Olhei no visor e tinha a foto da Claire — mas que grande saco, por que ela estava me ligando àquela hora da madrugada? Deslizei o dedo na tela e atendi sua chamada, mal humorada.

Bom dia, florzinha do dia! – ela disse animada.

– O que você quer? — murmurei sem esconder meu mal humor.

Nossa, que grosseria! Me diga bom dia, sem educação.

Bom dia, sem educação. Porque você realmente é uma sem educação por me acordar a essa hora da madrugada. Agora me diz logo o motivo dessa ligação, e eu espero que seja caso de vida ou morte, para o bem do teu courinho — avisei. Eu não conseguia nem abrir os olhos.

Caramba, hein! Acordou daquele jeito hoje, credo. Enfim!– ela já se esquecia da minha grosseria e estava animada outra vez. – Essa ligação é importante sim, ok? E que madrugada o que, já vai dar meio-dia, criatura. Levante-se e esteja apresentável, pois estarei aí em meia hora! Você tem muito o que me falar.

Estalei a língua.

Não, Claire. Por favor, não — implorei, quase chorando. Não queria que ela viesse se não ela não iria embora nunca e ficaria a vida toda falando.

Fernanda! Larga de ser chata e pare de expulsar sua própria amiga, ok? Logo menos eu estou aí! Sem mais.

Me dê duas horas, pelo menos — falei contrariada. — A gente se encontra na sorveteria aqui ao lado do prédio, tudo bem? Ainda tenho que levantar, tomar um banho e comer. Então, nada de "estarei aí em meia hora".

É justo. Ás duas estarei aí então, te espero na sorveteria. Mas levante já! Tchau tchau - e desligou antes que eu continuasse reclamando.

Aborrecida, coloquei o celular no lugar em que ele estava antes. Respirei fundo e soltei o ar com força — toda a magia e o bem-estar do meu acordar já havia ido embora. Num gesto automático, olhei para o outro lado da cama, e meu coração falhou uma batida quando vi seus cabelos ruivos em contraste com a fronha branca do meu travesseiro. Meu Deus... Todas as cenas vieram à tona em minha cabeça, cada detalhe da noite anterior. Fiquei aterrorizada. Como eu tinha tido coragem para fazer todas aquelas coisas?! Pedir para ela ficar comigo, colocá-la para dormir na mesma cama que eu, e pior, de beijá-la! Tudo bem, não foi um beijo exatamente, mas... De qualquer forma, eu tinha feito! Ela devia me achar uma louca, eu estava bem encrencada quando ela acordasse, caramba... E se eu tivesse estragado tudo?! Mesmo com tudo isso, eu não conseguia deixar de me sentir bem por vê-la ali, meu coração bandido ficava feliz sempre que a sentia por perto.

Num gesto meio hesitante, levei minha mão até seus cabelos — ela estava deitada de costas para mim. Eu gostava do cheiro deles, de como eram macios, gostava de senti-los entre meus dedos, eu podia ficar ali o dia inteiro. Mas Ísis não dormiria o dia inteiro, e alguns minutos depois que eu estava presa nessa "brisa" momentânea, mexendo suavemente nos fios de seu cabelo, ela então se mexeu e virou o corpo. Abriu os olhos devagar, me olhando com os olhinhos bem pequenos. Então ela os esfregou e se espreguiçou, largando o corpo na cama, cheia de preguiça. Aquela era uma cena que eu nunca me cansaria de olhar. Como ela podia ser tão linda até quando acordava? Meu coração já não tinha mais jeito mesmo.

– Ei, preguiça — falei baixinho.

– Hum? — ela murmurou, franzindo as sobrancelhas de leve.

– Não vai acordar, não? É meio-dia já.

– Já?! — ela prendeu a respiração e abriu bem os olhos. Mas então largou o corpo na cama outra vez, resmungando. Não consegui evitar sorrir. — Eu ainda estou com sono — disse chorosa.

– Então pode nanar mais um pouquinho, se quiser. Eu vou levantar e um café para nós. O que acha? Está com fome?

Ela me olhou com uma carinha extremamente fofa de sono.

– Café na cama? Humm... Eu posso me acostumar com isso — disse com um sorriso.

– Pode, é? — dei um leve sorriso e me sentei na cama, tentando espantar a preguiça, que estava demais. Escutei ela murmurar "Uhum" em resposta. — Você quer tomar um banho agora? Ou vai dormir mais?

– Não sei... Não tem problema eu jogar uma água no corpo rapidinho?

– Claro que não, Izie. Olha — eu levantei e fui até meu guarda-roupa, pegando uma toalha limpa e nova para ela, colocando em cima da cama. — Pode ficar à vontade, sinta-se em casa, ok? Já disse ontem e repito: não me obrigue a te bater.

Ela riu e sacudiu a cabeça.

– Está bem. Obrigada, senhora capitã — ela agradeceu e jogou o edredom para o lado.

Definitivamente eu já estava começando a achar que não devia ter dado aquele conjunto para ela usar, o shorts era tão curto! Se eu já me perdia olhando o corpo dela coberto por roupas justas de academia, imagina olhando-o assim, quase sem nada? Era uma tortura. E ontem quando ela ficou sem calça na minha frente?! Lembrei do meu deslize ao ficar encarando-a, caramba... Mas isso não me importava realmente, ela também tinha me olhado lá na casa dos pais dela. E pensar nisso, fez surgir um monte de perguntas em minha cabeça. Aqueles olhares... Ela estava me secando mesmo, sem nem disfarçar. O que estaria se passando pela cabeça dela naquele momento? Eu era capaz de qualquer coisa para saber, sinceramente. Eu não sabia o que era, mas alguma coisa lá no fundo me dizia que havia um significado mais complexo para isso. Ela quase tinha me beijado lá no jardim, depois esses olhares... Por um momento, eu petrifiquei. Seria possível? Será que Ísis estaria me olhando de outra forma, aquela forma que desde o começo eu tanto queria que fosse real? Meu coração simplesmente não conseguia lidar com aquela ideia. Eu amava tanto aquela garota, por esse tempo tive que esconder isso, e agora ela estaria sentindo o mesmo por mim? Meu Deus, será que isso acontecia na vida real?

Não sei, mas eu devia estar fazendo umas caretas bem estranhas enquanto pensava em todas essas coisas, pois Ísis me tirou dos meus devaneios quando perguntou:

– Fê? Está se sentindo bem? — suas sobrancelhas estavam unidas em duvida, mas havia preocupação em suas feições. Ela já havia levantado da cama, e eu ainda estava ali parada, de pé, olhando para o nada enquanto todos esses pensamentos me assaltavam sem permissão. Era muita coisa para digerir!

– E-estou... Estou sim — assenti. Que bela resposta! Nem eu tinha me convencido. Sacudi a cabeça. — Eu... Eu vou lá preparar o café... — fui dar um passo, mas de repente me senti zonza e me apoiei no guarda-roupa. As mãos de Ísis foram para os meus braços num ímpeto.

– Fernanda! — disse desesperada. — Tem certeza que está bem? Não está mentindo para mim, não é? Você está pálida!

Eu estava pálida? O que estava acontecendo comigo?!

– Pálida? — perguntei perdida. Ela assentiu com visível preocupação. — Eu... Não é nada, Izie. Acho... Acho que é porque estou há muito tempo sem comer, deve ser isso — menti. Poderia ser uma das causas, mas eu sabia que algo mais estava acontecendo.

– Calma, Fê. Então não precisa me esperar, tem razão, você ficou muito tempo sem comer, vai lá tomar seu café e eu vou depois do banho.

– Você também está há muito tempo sem comer, Izie — fiquei emburrada. Eu queria esperá-la.

– Mas eu não estou parecendo um fantasma de tão branca! — ela retrucou. Eu não queria concordar, mas nisso ela tinha razão.

– Eu vou ficar bem. Toma seu banho enquanto eu preparo o café, não se preocupe.

– Como é teimosa — estalou a língua num gesto de reprovação pelo meu comportamento. Como eu ia dizer à ela que estava uma confusão tão grande na minha cabeça se nem eu mesma era capaz de explicar? A culpa foi para o fato de eu não comer há horas. Que seja. Ísis tocou meu rosto com uma das mãos e me deu um beijo que fez seus lábios encostarem ligeiramente no canto da minha boca. Aquilo me fez corar na hora. Ela sorriu. — Eu gosto de você assim, coradinha. Nada de parecer um fantasma!

Dei um tapa em seu braço. Ela não deveria ter reparado que eu tinha corado! Droga, aquilo só me deixou mais quente.

– Pare, Izie! — reclamei e ela se divertiu com isso. — Vai pro banho logo, vai. — Eu a empurrei na direção do banheiro e então fui para a porta do quarto.

Lancei um último olhar para trás e ela ainda não tinha entrado, me olhava como se me analisasse, com aquele sorriso estampado nos lábios, e confesso que me senti um pouco desconfortável, como se de repente ela fosse capaz de saber tudo o que se passava na minha mente naquele momento — isso seria uma bela catástrofe!

– Vai, vai, vai — gesticulei com a mão para que ela entrasse logo. Ela riu e bateu continência. — Seja breve, pois não vou comer enquanto você não aparecer naquela cozinha. Obrigada e tchau. — Eu passei pela porta e a fechei, não dando ouvidos para o que ela resmungava.

Havia um verdadeiro pandemônio na minha cabeça, mas isso nem me espantava mais, cada dia que passava eu sentia que ia enlouquecendo mais e mais, lentamente. Agora, com todos esses acontecimentos, esse jantar, essas reações estranhas de Izie... Novamente aquela pergunta me assaltou: será que ela poderia estar sentindo algo por mim, algo igual ou próximo ao que eu sentia por ela? O fato de eu sempre me proibir à essa ideia estava dificultando para eu considerar isso uma hipótese. Ísis era gay, ela obviamente sentia atração por mulheres, mas ela nunca tinha me olhado daquele jeito antes, nunca... Isso tornava tudo ainda mais estranho para mim.

Mas, quer saber? Eu estava cansada de tantas perguntas e nenhuma resposta. Enquanto estava encostada no balcão da cozinha, escutando a cafeteira fazer seu trabalho, exalando o aroma do café fresco no ar, eu de repente me enchi de uma coragem que não saberia dizer de onde vinha. Eu devia ir atrás das respostas que eu queria, e não ficar criando mais perguntas, isso não ia me ajudar em absolutamente nada.

Se Ísis tinha me olhado daquele jeito, se tinha quase me beijado, se estava demonstrando coisas que eu nunca a havia visto demonstrar por mim até aquele jantar, alguma razão muito séria havia por trás disso, não? Ela não poderia ter feito aquilo só por fazer. Eu sabia o quanto ela prezava nossa amizade, tenho certeza de que, assim como eu, ela também não faria nada que pudesse estragar aquele nosso vinculo.

Eu decidi que precisava me arriscar para conseguir as respostas que eu queria. Tinha que cultivar aquela coragem que tinha me invadido naquele momento, se não eu logo desistiria do plano que tinha em mente. Bem, quer dizer, não era exatamente um plano. Minha ideia era "sondar o perímetro", analisar as reações de Ísis, o comportamento dela comigo, olhares principalmente... Eu não sabia exatamente o que estava procurando encontrar, mas eu queria pistas, pistas que me levassem à algum lugar, porque ficar naquela estaca zero a vida toda não dava mais. Eu ainda tinha medo de estar confundindo as coisas, de me decepcionar com essa ideia maluca... Mas seria possível aquilo ser uma mera confusão minha? Não podia ser, meu Deus, ela estava agindo diferente comigo! E eram essas ações que me encorajavam a ir atrás de respostas conclusivas.

A verdade é que eu já estava cansada de ser tão insegura, eu queria tanto que aquela garota fosse minha, queria com todas as forças dizer à ela o que eu sentia, não aguentava mais! Francamente, eu estava quase explodindo.

[...]

Notas finais
YAY! Como eu prometi, agora as coisas começam a "desandar", haha :) Me desculpem por ter que parar o capítulo assim, mas tive que separar na metade, e depois disso já não dava mais pra cortar :/ então a segunda parte desse "café da manhã" fica para o próximo capítulo, que eu prometo postar mais cedo amanhã! E estou finalizando outro capítulo já, vamo que vamo ^-^ Beijos!