Paraíso Proibido

4 Capítulo 4. Noite do Jantar - I


Notas iniciais
Aí está o (começo) do jantar o/ Antes que vocês me matem :( haha. Capítulo revisado e erros (que encontrei) corrigidos, de qualquer forma já sabem ^-^ Espero que gostem. Boa leitura amiguinhos!

Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Eu amo você. Aquelas três palavras tão fortes saindo da boca da garota que eu amava, era simplesmente atormentador para mim. Sabia que ela não me amava como eu a amava, mas ela havia dito aquelas palavras de um jeito tão carinhoso que abalou completamente as minhas estruturas. Eu não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, ainda me parecia um pesadelo. Quando pensei que as muralhas que criei estavam resistindo bem às investidas não-intencionais de Ísis, ela me aparece daquele jeito, com uma ideia maluca daquelas, fazendo questão de derrubar toda a minha proteção com um só movimento. A lembrança de seu corpo quente junto ao meu quando ela me impediu de entrar no carro, seu hálito doce em meu rosto, suas mãos em meus braços... A lembrança ainda era fresca em minha mente, tão nítida que meu corpo doía, uma dor aguda, me sufocava.

Soquei o volante do carro com força, apertando os lábios para comprimir o choro que queria romper de qualquer maneira. Eu não ia chorar, não mais, precisava ser mais forte que isso. Não pude evitar que algumas lágrimas descessem sem minha permissão, isso me irritou, mas eu as sequei com um gesto brusco que machucou meu rosto. Não estava ligando para as dores físicas, as dores que eu sentia em meu interior eram claras demais e ofuscavam qualquer outro tipo de dor em mim.

Só notei que o sinal em que eu estava parada abriu quando buzinaram freneticamente atrás de mim. Respirei fundo, recolhendo meus pedaços. Engatei a marcha e acelerei o carro, voando até meu apartamento. Entrei no estacionamento do prédio, deixei meu carro na vaga habitual e corri para o elevador, atrapalhada com as coisas em meus braços. Minha cabeça doía por conta do choro reprimido, mas estava pouco me importando com aquilo no momento. Cheguei ao meu andar e segui até meu apartamento, me atrapalhando um pouco também com as chaves. Entrei largando as coisas em cima do sofá de qualquer jeito e olhei no relógio – eu tinha quatro horas para me recompor e me aprontar até que Ísis chegasse. Seriam as quatro horas mais longas e torturantes da minha vida, a expectativa me corroía por dentro. Já que eu já tinha feito aquela maluquice, agora só me restava ansiar logo por isso, para que corresse tudo bem e eu pudesse voltar para casa e me martirizar para o resto da minha vida.

Respirei fundo pela milésima vez naquele dia e fui para o meu quarto. Minha vontade mesmo era me jogar em minha cama e não sair mais dali até segunda-feira, para as aulas. Mas eu tinha me comprometido da pior forma possível para aquela noite, e quanto mais meu subconsciente fazia questão de lembrar disso, mais eu me estapeava mentalmente. Evitei minha cama e fui para o meu banheiro. No espelho, meu rosto estava visivelmente abatido, mas não me surpreendi, e meus olhos estavam meio avermelhados e ardiam só com a luz ambiente. Eu era só uma sombra do que havia sido há dois dias atrás. Mas não me deixei abalar por isso, logo tirei minha roupa usada e entrei no chuveiro, tomando um belo e revigorante banho.

Podia até dizer que quando saí estava me sentindo nova e até ansiosa por aquele jantar – isso, claro, até eu lembrar que eu teria que encarar meus "sogros" e uma cambada de coroas da alta sociedade que não ligavam à mínima para quem eu era. Dei de ombro e não deixei isso abalar meu estado de espírito, precisava estar bem ou desistiria no último milésimo do segundo tempo. Quando abri meu armário, fiquei sem reação, olhando para minhas roupas e sapatos perfeitamente arrumados ali dentro. Caramba! O que eu deveria vestir em um jantar desses? Minha nossa, como eu podia ter sido tão avoada? Eu devia ter comprado algo novo, e provavelmente de gala! Sem opções, peguei meu celular e liguei para Ísis – ela tinha que me ajudar. No segundo toque ela atendeu.

– Oi Fê – disse com um leve sorriso na voz.

– Oi Izie – respondi no mesmo tom. – Er... Isso vai parecer ridículo, mas... Eu não sei o que vestir para esse jantar! Me ajuda, por favor, me dê uma luz!

Ela riu do outro lado da linha. Eu adorava o som da risada dela...

– Calma, amor – Amor... Apertei os lábios. – Não é nenhum jantar formal, está bem? Na verdade a razão do jantar é você, meus pais decidiram fazê-lo para conhecer minha namorada, lembra? Os coroas que ele chamou são apenas um adicional, porque meu pai fica entediado fácil, e ter os amigos por perto ajuda ele a se soltar e se entrosar melhor. Provavelmente eles virão de smokings, terno e gravata, mas isso não se aplica a nós, não temos que seguir uma regra, ok? Pode vestir as roupas que te deixarem mais confortável, eu vou estar com os mesmos estilos de roupas que costumo usar, não espere me ver de vestido ou coisa parecida, viu – ela brincou e soltei um riso leve.

– Está bem, Izie. Então eu vou dar uma olhada aqui no meu super closet – disse irônica – e ver o que eu encontro. Até daqui a pouco. Beijos.

Nos despedimos e desliguei o celular. Vasculhei meu armário por pelo menos meia hora, até decidir o que iria usar. Não estava com muita criatividade, confesso, e isso me deixou aborrecida, mas consegui escolher algo bonito, simples e casual ao mesmo tempo – uma calça jeans skinny escura, uma blusinha branca de botões e nos pés, uma ankle boot preta de veludo. Quando vesti tudo, me olhei no espelho, e até gostei do resultado. Não era nada muito sofisticado, mas achei que dava para frequentar diversos ambientes com aquele look. Para completar, depois que sequei e arrumei devidamente meu cabelo, coloquei uma correntinha fina em meu pescoço, no pulso esquerdo meu relógio dourado com algumas pulseiras, e no direito uma pulseirinha simples de prata, só para não ficar sem nada. No rosto, passei uma maquiagem leve – um pouco de pó de arroz, um blush bem sutil, uma sombra bem clarinha, lápis leve e rímel, e um brilho bem claro nos lábios, só para destacá-los um pouco. Passei meu perfume favorito e fui para a sala.

Ao olhar em meu relógio, fiquei apreensiva – faltava menos de meia hora para que ela chegasse. Estava apreensiva porque não sabia se tinha me vestido adequadamente, embora achasse que estava razoavelmente bom; estava ansiosa por vê-la, ansiosa por tudo o que aquela noite poderia prometer e eu nem sequer fazia ideia do quanto seria surpreendente. Para não acabar roendo minhas unhas, me concentrei em ajeitar minha bolsa, colocando apenas o necessário lá dentro. Depois disso, voltei novamente para o quarto e olhei no espelho para ter certeza de que estava tudo em seu devido lugar no meu look, que nada tinha se estragado. Estava paranoica! Fui até a cozinha e tomei uma água. Estava guardando o copo novamente quando meu interfone tocou, fazendo meu corpo gelar. Tocou uma, duas vezes até eu conseguir me mover e pegá-lo. O porteiro avisou que Ísis Vasconcelos me esperava na entrada. Eu agradeci dizendo que já estava descendo e desliguei o interfone, dando aquela longa respirada no ar. Era agora, não tinha mais volta. Outra olhadinha no espelho só para não perder o costume – tudo certo. Peguei minha jaqueta de couro vermelha só por precaução, minha bolsa em cima do sofá, chaves, celular, e finalmente saí.

Dentro do elevador social, eu batia o salto no chão nervosamente. Meu estomago estava se remexendo, uma sensação de como se tivesse borboletas geladas lá dentro, muito estranho, tudo era fogo e gelo ao mesmo tempo dentro de mim. Quando a porta se abriu, caminhei vagarosamente pela entrada do prédio, até chegar na recepção, onde dei um educado boa noite ao Sr. Marcos, o porteiro, e ele me liberou o portão automático. Quando saí e vi Ísis na minha frente, encostada ao seu Porsche Cayman vermelho, meu coração deu um salto. Ela estava deslumbrante! Usava um scarpin azul-marinho nos pés, uma calça jeans skinny clara com um rasgo desfiado na coxa esquerda e uma camisa de botões azul-marinho também, com detalhe em branco nas mangas dobradas, o que deixava o look dela em perfeita harmonia. Seu cabelo avermelhado estava pouca coisa mais ajeitado que o habitual, mas seus fios desfiados e uniformes pelo corte em camadas combinavam e contrastavam seu rosto, onde ela usava uma maquiagem bem leve também. Seus olhos de safira brilhavam em minha direção, e por um momento esqueci de respirar. Meu corpo se aproximou do dela em um movimento involuntário, porque eu não conseguia prestar atenção em nada que não fosse os olhos dela nos meus.

– Você está maravilhosa, Fê – ela se pronunciou primeiro, segurando minha mão. Meu corpo sentiu a descargar, e ela deu uma leve apertada em minha mão, como se sentisse também. Eu não conseguia raciocinar direito.

– Obrigada – respondi timidamente. – Você também está muito linda, Izie. Mas isso não é nenhuma novidade, certo? – brinquei para tentar descontrair aquela tensão latente entre nós.

Funcionou, pois ela riu.

– São seus olhos – devolveu num tom brincalhão. Ela respirou fundo e segurou minha outra mão, acariciando-as entre as suas. Eu adorava a textura macia de sua pele, e o perfume que vinha dela e se chocava contra mim era estonteante. Eu estava fazendo a maior loucura da minha vida! – Então, como se sente? Pronta para ser minha namorada por essa noite? – sorriu.

Aquelas palavras surtiram um efeito em mim que ela jamais seria capaz de entender. Estou pronta para ser a sua namorada pelo resto da minha vida, sempre estive. Era isso que eu tinha vontade de dizer à ela, essas eram as palavras que vieram na ponta da minha língua, mas precisei engoli-las de volta, e o gosto era muito amargo. Sorri para disfarçar meu devaneio.

– Bem... Talvez – encolhi os ombros. – Vamos ver, não é?

– Eu tenho certeza de que você vai deixar todos lá em casa de queixo no chão. Acho que eu não poderia ter arrumado uma namorada mais linda – ela piscou para mim e eu corei. Sempre corava quando ela me elogiava, não tinha jeito de conter aquela onda de sensações dentro de mim. – Vamos, então? Senhorita – ela liberou a passagem, e abriu a porta do passageiro para mim, fazendo um gesto.

Com um sorriso bobo pela iniciativa dela, agradeci e entrei no veículo, que logo em seguida teve sua porta fechada. Ela deu a volta pela frente e então assumiu seu lugar ao volante. Durante o trajeto, podia sentir que ela me observava sempre que podia. Várias vezes nossos olhares se encontraram, e eu sentia como se estivesse paralisada, hipnotizada, mas logo ela precisava quebrar o contato para prestar atenção no trânsito e eu aproveitava para me recompor. Em certo momento ela apertou minha mão em um gesto que dizia "vai ficar tudo bem", e aquilo de certa forma me acalmou um pouco os nervos. Mas só um pouco, porque assim que apontamos no portão da casa onde os pais dela moravam, minhas entranhas começaram a guerrear violentamente dentro de mim novamente. O grande portão branco se abriu e ela entrou, mas antes de seguir adiante, pediu ao porteiro que anunciasse sua chegada, e então levou o carro até o grande jardim, circulando um bonito chafariz iluminado e arredondado que havia no centro, parando o veículo bem de frente para a escada que levava à porta.

A casa era realmente muito linda e grande, e não fazia o menor esforço para esconder o nível financeiro de sua família. Eu sabia que Ísis morava sozinha há um ano mais ou menos, e sabia que, assim como eu, ela ainda era sustentada pelo dinheiro dos pais. Meus pais também bancavam minhas despesas, também estávamos em um bom nível social, mas meu sonho mesmo era terminar a faculdade e me tornar uma grande decoradora de interiores, para não ter que depender deles por toda a minha vida.

Ísis saiu do carro e deu a volta rapidamente, novamente abrindo a porta para mim e oferecendo sua mão para que eu encontrasse apoio e saísse do carro. Ela estava radiante, e naquele momento eu soube que seria capaz de fazer aquela loucura por ela mais de uma vez, só para vê-la dar aquele sorriso pelo qual eu também havia me apaixonado. Um chofer apareceu para levar seu carro até a garagem, e ela o cumprimentou com um aceno de cabeça. Enquanto subíamos as escadas em direção à porta, meu coração martelava em meu peito, toda minha ansiedade agora era quase palpável. Ao chegarmos à grande porta branca, Izie olhou para mim como se perguntasse se eu estava pronta, e eu respirei bem fundo, soltando o ar devagar. Assenti positivamente e ela abriu a porta. O interior da casa era simplesmente enorme e muito bem decorado e iluminado, muito bonito. Não pude deixar de observar os detalhes nos quadros nas paredes, o lustre de cristal no alto, alguns objetos decorativos contemporâneos. Ísis segurou minha mão e me guiou por um dos corredores da casa. No final desse corredor, encontramos um casal parado, conversando distraidamente. Soube que eram os pais de Izie, e meu corpo começou a soar frio. Eu estava com muito medo, sério!

– Is, filha! – a mãe dela logo notou nossa chegada e veio cumprimentar a minha "namorada". Ai, que martírio.

– Oi, mãe – Ísis sorria encantadoramente, e deu um abraço em sua mãe. Seu pai apenas se aproximou com um sorriso, e deu um beijo em sua testa.

Então, notei, que Izie tinha muitos traços da fisionomia de sua mãe. O formato dos olhos e do nariz eram parecidos, e a mãe dela era realmente muito bonita também. Seu pai era alto, estava usando um terno escuro risca-de-giz, tinha uma curta barba no rosto e o cabelo penteado para trás com um pouco de gel, o que dava uma aparência bem charmosa à ele, fazendo-me assemelhá-lo a um daqueles jogadores de futebol inglês – lembrava bastante, sua postura e presença. Sai de meus devaneios quando Izie pegou minha mão, fazendo aquela descarga elétrica passar por meu corpo, como sempre acontecia.

– Mãe, pai. Essa é a Fernanda, minha namorada – ela anunciou e me olhou com um sorriso terno. – E Fê, essa é minha mãe, Alice. E meu pai, Alexandre.

Como eu queria que isso fosse mais que uma encenação! Meu coração pulava loucamente em meu peito, e eu tentava manter minha respiração rítmica e compassada. Sua mãe abriu um sorriso que de pronto me fez lembrar o sorriso dela, e colocou as mãos sobre a boca num gesto de surpresa, eu podia notar a emoção em seu olhar. Eu tinha que parecer convincente em minha postura de namorada da filha deles, então me adiantei e dei um abraço neles, dizendo toda aquela coisa formal de que era um prazer finalmente conhecê-los e por aí vai. Quando estávamos na oitava série, eu e as meninas havíamos passado um ou dois dias na casa dos pais de Ísis, mas provavelmente era outro imóvel, pois não me lembrava de ser tão grande quanto este, só que seria impossível que a mãe dela me reconhecesse agora – até porque se eu a havia visto duas vezes naquele dia, foi muito. Na verdade, acho que Izie nem chegou a pensar nisso, na possibilidade de a mãe dela se lembrar de mim... Isso foi um grande vacilo, imagina?! Eu ia ficar muito sem jeito mesmo.

– Filha... – a mãe de Izie estava mesmo emocionada. Ela tocou meu rosto, parecia um tanto admirada. Achei aquilo muito fofo, até me permiti corar um pouco, não esperava aquela reação. – Ela é linda, Is! Muito linda, olha só – dizia sorrindo, alternando o olhar entre eu e sua filha. – Parabéns, filha. Estou muito orgulhosa de você, meu amor. Ela não é linda, Ale?

– É muito bonita sim – o pai de Izie concordou, com um sorriso acolhedor. – Fico feliz por vocês, filha. E muito orgulhoso também.

Izie sorria, mas por trás daquele sorriso eu podia ver que havia certa mágoa. Ela estava mentindo para os pais, justamente porque queria que eles se sentissem orgulhosos dela, e eles estavam. Mas estavam orgulhosos de uma mentira, e pensar nisso também me deixou de certo modo magoada, por ela. Eu queria jogar tudo pro alto, dizer o quanto eu a amava e dizer que ela não tinha que fingir aquilo, que eu poderia e queria ser dela para sempre. Mas meu maldito medo me travava toda, eu nunca me perdoaria por ser tão covarde, isso me destruía por dentro das piores formas possíveis.

Depois de todas as cordiais apresentações, eles nos levaram para a sala de jantar, onde eu fui apresentada aos convidados que já estavam presentes, e me senti completamente envergonhada. Não estavam apenas amigos do pai de Izie, mas também os filhos e as esposas. E pelo jeito, ela não esperava que fosse encontrar nem metade daquelas pessoas ali, pois também ficou surpresa. Me lançou um olhar de culpa, encolhendo ligeiramente o ombro, e eu fiz um gesto que dizia "está tudo bem, não esquenta". Eu já estava ali mesmo, sair correndo agora era a última coisa que eu faria – mas, admito, foi a primeira coisa na qual pensei.

– Ainda tem mais alguns amigos meus para chegar, mas venha, Is, tem uma surpresa pra você – o pai dela disse.

Eu achei que deveria deixá-la ir com ele, mas no mesmo instante ela segurou minha mão e me levou junto. Eu nunca ia me acostumar com aquilo. Seguimos por outro corredor largo e chegamos até a cozinha. Lá, havia mais pessoas, mas assim que as viu, Izie largou minha mão para colocá-las sobre a boca.

– Rô! – ela gritou em surpresa. – Eu não acredito que você tá aqui!

O rapaz ao qual ela se dirigia, levantou da cadeira e veio com um sorriso enorme abraçá-la. Era Rodrigo, seu irmão mais velho – eu nunca o havia conhecido, mas pelo o que eu me lembrava de ouvi-la dizer ele estava fazendo intercâmbio fora do país, em Barcelona, se não me engano. Ela estava realmente feliz.

– Achou que eu ia perder esse jantar mais a chance de conhecer sua namorada, maninha? – ele brincou, dando um beliscão de leve no queixo dela.

– Você sumiu, nunca mais mandou notícias. Achei que tinha me esquecido – ela fez bico. Ficava tão linda assim!

– Claro que não esqueci de você. Só estava cheio de trabalhos trimestrais, um monte de seminários e provas pra fazer, fiquei sem tempo, Is. Mas consegui vir pessoalmente, não é melhor que ficar ligando? – ele sorria.

– Claro que é! – ela deu outro abraço nele, e então se voltou para mim e segurou minha mão novamente. – Essa é a Fernanda, minha namorada. E Fê, esse é meu irmão o Rodrigo, que eu disse que fazia intercâmbio em Barcelona.

– A Izie sempre me falou bastante de você – eu disse com um sorriso, após cumprimentá-lo.

– Espero que tenha falado bem! – disse divertido. – Mas, aí Is, você tá bem, hein? Sua namorada é muito bonita mesmo, parabéns. Com todo o respeito, claro.

– É, eu sei que ela é, mas é minha, então xô – ela brincou. E, mais uma vez, ela jamais saberia o efeito que aquelas palavras tinham sobre mim.

Depois disso, Ísis ainda cumprimentou seus tios que estavam na cozinha também, e todos foram para a sala de jantar. Mais dois amigos do pai dela haviam chegado com suas respectivas esposas, e então estava completo. Antes que o jantar fosse posto, os empregados passaram servindo vinho e sucos. Eu ia pegar um suco, pois não queria beber ali, mas Izie foi mais rápida e chegou com duas taças de vinho, e insistiu que eu tomasse com ela. Um pouco contrariada, acabei aceitando, mas também seria a única. O jantar foi servido algum tempo depois, e estava excepcionalmente bom e tinha tanta comida diferente que não conseguia me decidir. Enquanto comíamos, a conversa fluía de modo natural, com muitas risadas, principalmente quando o irmão de Izie começou a contar suas aventuras e desventuras na Europa.

Ao contrário do que a própria Ísis havia pensado, aqueles "coroas" não iam só dizer um mero Oi e ficar o resto da noite na bebedeira, eles estavam bem animados em papear. Acabei entrando no clima da conversa também, e depois de uma hora ou duas, eu já conversava tão à vontade com todos que era como se já fossemos conhecidos há muito tempo. Podia ver o quanto isso estava fazendo bem à minha "namorada" ao meu lado, e eu não podia evitar sorrir ao vê-la tão radiante.

Às vezes ela segurava minha mão enquanto falava alguma coisa, fazia carinho em minha coxa por cima da calça, em meu cabelo... isso me deixava um pouco tensa, mas eu a observava e era como se ela estivesse fazendo aquilo naturalmente, e não para manter as aparências. Izie sempre fora muito carinhosa comigo, mas naquele momento me parecia ter um algo mais... Porém, eu não me permitia pensar nisso e já logo achava que era coisa da minha cabeça por gostar tanto dela. Ou talvez fosse culpa do vinho que estava me deixando meio leve e com a cabeça nas nuvens – sim, eu havia dito que aquela taça seria a primeira e última, mas minha namorada era insistente demais, sabe como é. Já tinha perdido a conta de quantas taças havia tomado até aquele momento, mas soube que tinha que parar definitivamente quando Ísis estava fazendo carinho em meu cabelo e, distraidamente – eu acho – desceu a mão pela minha nuca, suas unhas fazendo um carinho perigoso na base do meu cabelo, e meu corpo acendeu como fogo em pólvora. Eu travei na cadeira e juro que até cheguei a ofegar, mas todos estavam tão distraídos na conversa, assim como Izie, que nem ela mesma percebeu minha reação. Agradeci infinitamente por isso! Dei uma disfarçada e me virei para ela, fazendo-a afastar a mão.

– Onde fica o banheiro, Izie? – perguntei, controlando minha voz.

– Nesse corredor aqui mesmo, amor – ela apontou. Ela precisava parar de me chamar de "amor", é sério! – Segunda porta a direita. Quer que eu vá com você?

Levantei da cadeira no mesmo instante.

– Não, não. Não se preocupe, eu vou lá rapidinho – falei apressada e segui para lá.

Dentro do banheiro, passei a chave e me encostei na porta, me concentrando em acalmar meu coração. Fui até a pia e me olhei no espelho – minhas bochechas estavam coradas, provavelmente porque meu corpo estava quente por causa do vinho e do recente acontecimento, meu peito subia e descia descompassadamente por conta da minha respiração acelerada. Abri a torneira e enchi a mão com água, levando-a ao rosto em seguida. O choque da água gelada contra meu rosto quente me fez ofegar, mas foi um alívio tão grande que me senti até mais relaxada. Fiz mais uma e mais uma vez, conseguindo acalmar um pouco meus hormônios descontrolados. Acho que já estava na hora de eu ir embora, não é? Com certeza. Mas Ísis não concordava com isso, pois no instante seguinte ela estava batendo na porta do banheiro, dizendo que o pessoal estava indo para a área externa onde ficava a piscina, e que ela ia me esperar para ir junto.

Ai, droga. Eu já podia ver que aquele "jantar" não acabaria tão cedo...

Notas finais
É isso, pessoal. Novamente, não me matem, mas o jantar todo ficou grande demaaaais para ser colocado em um só capítulo, tive que separar :/ esse já ficou grande, então imagine... Ontem eu fiquei até as seis e meia da manhã escrevendo pelo celular, terminando o sexto e QUASE terminei o sétimo capítulo também o/ Estava inspirada e empolgada, mas chegou uma hora que eu já estava dormindo com o celular na cara (Zz) e tive que levantar a bandeira branca, haha. Até o próximo capítulo! Beijos.