Paraíso Proibido
22 Capítulo 22. Litoral - VI: Clube + Reencontro Inesperado + Madrugada Intensa "3/3"
Notas iniciais
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Claire PDV {Claire: Ponto de Vista}
Nós não tentamos esconder a pressa que tínhamos de chegar em casa.
Tivemos que voltar no clube porque, na pressa que eu tinha de sair e ela também, esquecemos nossas bolsas no armário — e a chave da casa estava lá dentro, da minha. Foi difícil convencer o segurança da nossa história, mas mostramos as chaves dos armários e um deles nos "escoltou" até lá para que pudéssemos pegar nossas bolsas e ir embora dali.
Eu ainda não sabia exatamente o que tinha acontecido, não conseguia raciocinar direito com todos os "tecos". Quando eu a vi com aquela tal de Agatha, quando vi a mocreia pendurada em seu pescoço, minha primeira vontade foi de dar um tiro nela — se eu tivesse uma arma, acho que meu impulso teria sido mais forte naquele momento, acreditem. Mas então, senti nojo, desprezo. E algo mais. Um algo que eu lutava ferreamente para reprimir dentro de mim: ciúme. Era ridículo! Mas aquele sentimento me corroía por dentro. No mesmo instante, eu quis sair dali, quis ir para o mais longe possível de Rafaela, eu não queria mais olhar para ela, minha raiva era enorme. Mas é claro que ela não pensava como eu, e veio atrás de mim quando eu mais queria fugir de tudo aquilo, fugir dela.
Foi difícil, foi doloroso, foi simplesmente horrível ouvi-la dizer aquelas palavras. Vou embora da sua vida pra sempre. Não! Como assim? Meu coração se apertou de um modo terrível em meu peito e meu desespero foi visível. Eu não queria que ela fosse embora da minha vida, eu não queria perdê-la... Mas, mesmo assim, meu orgulho falou mais alto. E eu agradeci por ela não ter aceitado aquela minha resposta, quando disse que não sentia nada por ela, porque se ela tivesse simplesmente aceitado e ido embora, eu nunca iria me perdoar, nunca.
Eu estava apaixonada por ela, já não conseguia mais negar isso à mim mesma e sentia que não era capaz de negar para mais ninguém, muito menos para ela que era o motivo de toda aquela bagunça em minha vida. Quando ela começou a falar, suas palavras me deixaram sem ar. Eu sabia que Rafaela sentia algo por mim, realmente desde o começo ela deixou isso bem claro, mas eu tinha medo, não tinha coragem suficiente para assumir meu sentimento por ela, por mais que eu quisesse. A covarde era eu.
Mas chegou o momento em que eu simplesmente não pude mais esmagar tudo aquilo dentro de mim, porque não cabia mais nada ali. No calor do momento, num impulso que só refletia minha vontade e derrubava todas as minhas barreiras construídas para mantê-la longe, eu a beijei, como eu queria fazer desde a primeira vez que a vi. Me agarrei à ela como se meu último fio de vida dependesse disso, e foi como uma explosão, finalmente pude liberar tudo o que eu havia guardado. As vezes que me peguei imaginando seu beijo nunca fariam jus ao ato de beijá-la de verdade, não chegava nem perto. Seus lábios eram macios, tinham um gosto que era, no modo mais clichê de se dizer, como uma droga viciante.
Eu não me sentia capaz de me afastar, e quando seus braços me envolveram e nossos corpos se encaixaram, quando ela retribuiu o beijo, simplesmente deixei de sentir o mundo ao nosso redor. Tudo ali era apenas eu e ela, apenas aquele beijo, apenas nossos corpos juntos, apenas nós e o nosso momento. Aquela vontade de tê-la para mim e de beijá-la era infinita, eu poderia ficar o resto daquele dia apenas nisso sem me cansar. Ou pelo menos era o que eu sentia.
Aquele quarteirão até a casa pareceu triplicar de tamanho, achei que não chegaríamos nunca. Eu havia esquecido das meninas, não havia tempo para dar satisfações, a necessidade ali era muito maior. Quando chegamos, o máximo que consegui fazer foi passar pela porta e jogar minha bolsa em um canto qualquer da sala, sem nem pensar em trancar o portão lá fora ou a porta. Não me dei ao trabalho sequer de acender as luzes — pra que? Rafa me envolveu em seus braços, seus lábios tomando os meus, e o resto foi um mero detalhe. Eu gostava do jeito como nossos corpos pareciam mesmo se encaixar, quando ela me abraçava e meus braços estavam em seu pescoço, apertando-a contra mim.
Dessa vez o beijo estava mais forte, intenso, possessivo, e ali não havia nada nem ninguém que pudesse nos impedir um beijo daqueles. Porém, me assustava o modo como meu corpo reagia à ela. Aquele tremor era mais forte que eu, o jeito que meus sentidos acendiam como fogo em pólvora, como meu corpo implorava por todo o contato possível vindo dela.
Eu sabia onde aquilo acabaria se eu não me controlasse — e eu não ia conseguir me controlar. A necessidade era urgente, sôfrega. E Rafa parecia ter essa mesma necessidade, na mesma intensidade eu arriscaria dizer, pois era como se eu pensasse e ela agisse em seguida conforme meu pensamento, nossa sincronia era incrível naquele momento. Seus lábios deixaram os meus apenas para que ela segurasse minha mão e me guiasse até o andar de cima, para o nosso quarto. Logo em seguida a porta se fechou atrás de nós e, sem me dar tempo para raciocinar direito, os lábios dela já capturavam os meus de novo e nem fiz questão de pensar em mais nada. O quarto estava escuro, e apenas ter a consciência da cama atrás de nós já me deixava tensa, mesmo querendo o que estava por vir.
Soaria ridículo demais dizer que estava com medo? Porque eu estava, de verdade. Nunca havia feito aquilo com uma garota... Mas eu não conseguia pensar nela como simplesmente "uma garota", meu corpo fazia questão de me lembrar, a todo instante, o quanto ele a queria daquela maneira. E as vontades dele eram mais fortes que meu medo, eu não podia negar.
Suas mãos estavam em minha cintura, firmes ali, as vezes passeando em sua curva. Seus lábios deixaram os meus e desceram pelo meu maxilar e pescoço, trilhando um caminho que me levaria à loucura muito rápido, e o calor de sua pele combinada à minha estava deixando tudo quente demais. Seguindo meu impulso, minha mão esquerda foi para o zíper do meu vestido nas costas, eu precisava me livrar daquela roupa, parecia que eu ia literalmente pegar fogo! Era loucura como ela me incendiava. Com um movimento rápido, eu puxei aquela peça de roupa chata para fora do meu corpo. Mas a temperatura pouco amenizou.
Voltei a aproximar meus lábios dos de Rafa, sua respiração estava tão pesada e sôfrega quanto a minha. Seus lábios tocavam de leve os meus, era provocativo e intenso ao mesmo tempo, seus olhos olhos estavam cravados nos meus. Apesar da pouca luz que entrava ali vinda da rua, eu podia ver o êxtase em seu olhar, e tinha certeza de que os meus olhos eram um reflexo perfeito. Quando suas mãos quentes tocaram a pele nua da minha cintura foi como um choque de calor, e eu suspirei no mesmo instante, agarrando seu cabelo — ok, eu acho que tinha descoberto uma nova tara. Ela ofegou e apertou o toque, mordendo meu lábio inferior, me guiando para trás, seu corpo sempre próximo, e quando senti a cama bater em minha perna foi a minha vez de ofegar.
Com um movimento sutil, ela me fez entender que queria que eu fosse para a cama, e eu me sentei no colchão. Rapidamente e de qualquer jeito, eu tirei a botinha que usava, enquanto Rafa fazia o mesmo e minhas mãos agitadas foram para o vestido dela, que ela sem contestar me ajudou a tirar. Eu parei por um momento para admirar seu corpo, mesmo à pouca luz. Ela era simplesmente linda. Na praia eu não a havia olhado demais, pois tinha certa pessoa – leia-se Fernanda bitch Nogueira — que estava sempre a postos para tirar uma onda com a minha cara quando dizia respeito à Rafa, então eu me torturei e fui o mais discreta possível.
Agora, eu podia literalmente comê-la com os olhos. Sua barriga era lisinha, o quadril proporcional à sua cintura e coxas, seus seios não eram tão grandes e nem pequenos, mas se realçavam bem e aquela lingerie escura de rendas que ela usava deixava pouco à imaginar. Era assustador como ela me fazia pensar essas insanidades com tanta naturalidade. Eu nunca teria olhado para uma garota assim em meu estado normal! Não que eu não estivesse em meu estado normal, aquele era meu estado normal — mas com ela.
Meu coração estava a mil quando ela voltou a se aproximar de mim, seu corpo inclinado sobre o meu, me forçando a deitar na cama. No exato momento que sua pele descoberta tocou a minha, seu peso sobre meu corpo, um arrepio dominou minha espinha e me fez ofegar, arqueando um pouco as costas. Ela suspirou em meus lábios, sua mão trilhando o caminho pela lateral do meu corpo, tocando meu seio por cima da lingerie. Aquele arrepio não era nem um pouco puro, meu Deus, parecia que eu ia explodir, e a gente nem estava fazendo nada — ainda! Me segurem... Eu não aguentava mais. A puxei para um beijo selvagem, possessivo e imperativo, nossas línguas travavam uma guerra incansável, seu corpo pressionava o meu, fazendo ondas de calor descerem pelas minhas costas me arrepiando por completa.
– Claire... — ela sussurrou em meus lábios, se controlando até o último, eu podia ver seu esforço no modo como sua respiração estava descontrolada. — É sério... Se eu começar, não vou conseguir parar...
Um sorriso cresceu em meus lábios.
– Quem falou em parar? — devolvi num sussurro, contornando seus lábios com a ponta da minha língua. Eu estava completamente fora de mim, ela que nem se atrevesse a parar. — Eu quero você, Rafa...
Ela ofegou, trincando os dentes. Seus olhos ainda procuraram qualquer vestígio de desistência em mim, mas não encontraria. Então, não houve mais diálogos desse tipo. Seus lábios atacaram os meus ferozmente, lutando pelo poder, coisa que eu não cederia. Sua mão direta escorregou pela lateral do meu corpo em direção às minhas costas, e com um movimento rápido demais para que eu pudesse acompanhar, ela abriu o fecho do meu sutiã. Sorri com um pensamento bobo sobre como ela ágil com as mãos, mas mesmo sem saber exatamente o motivo daquele sorriso ela sorriu também e mordeu meu lábio, descendo os beijos pelo meu pescoço e ombros, tirando a peça de roupa. Continuou mais abaixo, descendo e roçando os lábios por minha pele até minha barriga, me fazendo suspirar, e deu uma mordida na curva da minha cintura que foi no mínimo forte, mas gostosa e me fez encolher com a ligeira aflição, minha pele arrepiou. Ela não ia ficar me provocando, ia? Isso não ia dar certo, socorro...
Seus beijos subiram novamente e eu aproveitei para levar minhas mãos até suas costas e abrir seu sutiã também, e ela o jogou para longe. Mordeu meu lábio e então se dirigiu aos meus seios. A sensação de tê-la ali era indescritível, ela sabia o que fazia, mas tentei não pensar demais. Sua língua brincava, provocava, ela suspirava contra minha pele, me causando arrepios intermináveis. Sua boca voltou à minha e sua perna se encaixou no meio das minhas, pressionando meu ponto de calor ali. Minhas mãos agitadas e sem controle desceram por suas costas, arranhando de leve, fazendo-a suspirar, até chegar no cós de sua lingerie, e sem mais ela me ajudou a tirá-la também.
Eram insanas as sensações que Rafaela conseguia causar em mim só de ter seu corpo colado no meu, suas mãos explorando meu corpo, me tocando de um modo que ninguém nunca tinha tocado antes — não era como se ela estivesse apenas me tocando por tocar, era como se tentasse memorizar cada pedacinho de pele, cada curva, tudo. Não era difícil perder o controle.
Seus lábios eram exigentes, mas carinhosos ao mesmo tempo, o modo como ela me beijava transmitia todo seu desejo e despertava em mim um desejo ainda maior. Ela desceu novamente, a ponta de sua língua incendiando cada lugar que tocava por onde passava, e Rafa terminou seu caminho em meu baixo-ventre, desviando para a parte interna das minhas coxas, mordiscando minha pele, fazendo um gemido de expectativa escapar dos meus lábios entreabertos. Eu precisava dela logo! Mas parecia que ela estava com vontade de provocações e preliminares, e isso ia me matar. Sua mão tocou meu sexo ainda por cima da roupa, massageando, e eu já não conseguia conter ou controlar os sons que saíam da minha boca.
Quando eu menos esperava, sua boca substituiu sua mão e minhas costas arquearam com contato. Ela provocava, mas eu gemia em antecipação e isso pareceu estimulá-la, com um gesto rápido ela ergueu o corpo e suas mãos trataram de tirar minha última peça de roupa do corpo, jogando-a em qualquer lugar. Meu corpo pulsava em todos os lugares possíveis, eu já não conseguia sentir nada que não fosse sua aproximação no lugar onde eu mais queria senti-la naquele momento. Seus lábios se aproximaram do meu sexo pulsante e ansioso por tudo o que aquele contato me prometia, eu podia sentir seu hálito, mas ela ainda estava disposta a me fazer contorcer um pouco mais antes de finalmente fazer como eu queria. Com a ponta da língua, tocou muito de leve meu clitóris, suas unhas arranhando o interior da minha coxa, e um gemido rouco escapou dos meus lábios.
Não estava aguentando mais, eu já não estava com paciência para provocações! Choraminguei num murmúrio rouco pelo desejo:
– Rafa, por favor, pare de me provocar...
Ela sorriu. Ergueu um pouco o corpo para me olhar.
– E o que você quer? Me diz — falou num sussurro.
Oh, meu Deus, essa garota só podia estar querendo me matar!
– Rafaela... — trinquei os dentes. Ela me olhava com um sorriso. Me sentei num movimento furioso e segurei seu maxilar, meus lábios tocando levemente os seus. Falei, brava: — Me chupa agora!
Ela soltou uma risada gostosa, beijando meus lábios. Então voltou a descer e, dessa vez sem cerimônias, sua boca e língua exploraram meu sexo de modo lascivo, sem pudor algum. Não dava para descrever a sensação de sua língua me estimulando, alternando entre chupões e lambidas, suas mãos deslizando por meu corpo e tocando meu seio, estimulando-o também, tudo aquilo ao mesmo tempo era enlouquecedor. O torpor e a excitação iam crescendo conforme seus movimentos se intensificavam, e eu pareci perder os sentidos por um momento quando ela introduziu um dedo em mim sem aviso prévio, foi alucinante. Ela gemeu roucamente ao me sentir, e meu gemido em resposta não saiu diferente.
Seus movimentos começaram devagar dentro de mim, tentando controle, mas logo aumentaram e me faziam enlouquecer, enquanto ela me chupava. Eu gemia, sussurrava seu nome, dizia coisas desconexas porque não tinha mais controle algum sobre o que saía dos meus lábios, segurava seu cabelo com força implorando por mais contato. Naquele ritmo, não demorei muito para ter meu primeiro orgasmo. Veio forte e sem controle algum, e ela me chupou deliciosamente no final, a sensação de torpor me fez deixar de sentir todo o meu corpo por um instante.
Rafaela tinha um sorriso lindo no rosto quando voltou a aparecer em meu campo de visão, e isso fez surgir um sorriso bobo em mim enquanto eu enlaçava meus braços em seu pescoço e ela me dava um beijo calmo, nos permitindo curtir o momento. Seu corpo se encaixou no meu, suas pernas enroscadas nas minhas, o contato de sua coxa em minha intimidade sensível me fez suspirar. Era a melhor sensação do mundo tê-la ali, dane-se o clichê. Levei minha mão até seu cabelo, acariciando-o, seu cheiro era gostoso e definitivamente já era alvo da minha tara. Minhas unhas faziam um carinho em sua nuca, distraidamente, enquanto eu tentava memorizar aquela sensação boa de ter seu corpo no meu. Desci o carinho pela parte de trás de seu pescoço, chegando em seus ombros. Ela se encolheu com um sorriso. Acho que tinha acabado de descobrir um ponto fraco.
– Aí não pode — falou baixinho, com certo divertimento.
Sorri.
– Não? — perguntei no mesmo tom, mas não me fiz de obediente.
Um pouco mais forte dessa vez, eu arranhei a região de seus ombros e ela suspirou em meu ouvido, o que não me poupou outro arrepio.
– Claire... — meu nome saiu como um aviso, do tipo "não faça isso, estou te avisando". Mas eu havia gostado demais daquilo para obedecê-la, sinto muito.
Quando minhas unhas foram mais forte em sua pele, dessa vez ela gemeu em meu ouvido, e meu corpo voltou a acender com a sensação eletrizante que desceu pela minha espinha. Desci minhas mãos pela curva de suas costas, arranhando, e seu corpo pressionava o meu com aquela necessidade de contato. Naquela posição, nossos sexos estavam muito próximos e foi preciso um movimento mínimo para que eles se tocassem. O contato nos fez gemer ao mesmo tempo e eu cravei minhas unhas em suas costas com força.
Seus lábios tomaram os meus com urgência, ela suspirava, sua língua exigente brincava com a minha. O primeiro movimento de seu quadril foi o suficiente para nos descontrolar outra vez. Os movimentos criavam um atrito gostoso lá embaixo, era melhor ainda porque assim eu não era a única a me satisfazer e me excitava ainda mais saber que ela também sentia prazer. Ela mordeu e chupou meu pescoço, mas a dor só melhorava a sensação e eu não me importei nem um pouco. Naquele ritmo, nosso orgasmo foi simultâneo. E pela segunda vez naquela noite, meu corpo desfaleceu na cama. Eu mal conseguia respirar enquanto ela distribuía beijinhos pelo meu maxilar e queixo, chegando até meus lábios, onde o contato foi calmo e carinhoso.
Respirei fundo e meus pulmões agradeceram infinitamente, parecia que eu não respirava desde que começamos.
Ela ainda permaneceu ali sobre mim e quando seus olhos encontraram os meus, ela sorriu. Retribuí o sorriso, eu sentia uma paz e felicidade enorme por dentro.
– Eu também amo você — falei o mais firme que minha voz me permitiu. Ela fez uma carinha linda, seus olhinhos pareciam literalmente brilhar. Seu sorriso aumentou. — Somos duas loucas! — falei com uma risada, e ela riu também.
– É, acho que somos — disse baixo. Seu polegar fazia um carinho suave em minha bochecha. — Você me faz tão bem...
Tenho certeza que meu sorriso saiu melosamente bobo e apaixonado. Acho que ninguém havia me deixado com aquela cara de besta antes! Levei minha mão até seu rosto, acariciando-o.
– Obrigada por não ter acreditado em mim mais cedo...
– Como assim, Claire? — ela questionou, unindo as sobrancelhas de leve.
– Quando eu disse... aquilo. Que não sentia nada por você. Obrigada por ter não ter acreditado, obrigada por ter insistido. Nós não estaríamos aqui agora se as duas tivessem sido idiotas. Mas, ainda bem que você foi a madura da situação — sorri.
Ela sorriu de volta, sacudindo a cabeça.
– Eu não ia desistir tão fácil de você. — Seus lábios tocaram os meus num beijo calmo e cheio de sentimento. — Você é minha, ouviu?
– Apenas — concordei, ainda sorrindo, e a abracei.
Ela me beijou outra vez, mas pouco tempo depois separamos nossos lábios quando escutamos um barulho do lado de fora. Unimos as sobrancelhas. Será que as meninas já tinham voltado? De primeiro momento eu gelei de pensar que Fernanda pudesse ter voltado e poderia entrar com tudo ali no nosso quarto, isso ia ser bem constrangedor. Mas senti certo alívio quando soube que não era a minha amiga loira doida. Rafa se ajeitou ao meu lado, e apurou os ouvidos também. Reconhecemos a voz.
– É a Alisson e a Amanda — falei e ela assentiu. O quarto delas era ao lado do nosso, e o da Fê e da Izie era o primeiro do corredor.
Elas riam de alguma piadinha interna, vai saber, e em seguida a porta do quarto delas bateu. Não demorou muito para que começassem os ruídos suspeitos. Nós nos entreolhamos, já com aquela cara de quem iria começar a rir a qualquer momento. Espera aí! Essas duas... Nossas suspeitas se super concretizaram quando os gemidos se fizeram audíveis. Tive que tapar minha boca com força para não começar a gargalhar, e Rafa se controlava também. Puta merda! Isso não podia estar acontecendo na minha presença.
– Parece que elas tiveram a mesma ideia que nós — Rafa disse divertida e nós rimos ainda mais, tentando não escandalizar a situação.
Ela chegou pertinho de mim, seu braço me envolvendo, e nos ajeitamos.
– Acho que a noite delas vai ser looonga– disse, rindo em meu ouvido. Essa aproximação sempre me fazia arrepiar.
– É, acho que sim — respondi com um sorriso, sacudindo a cabeça.
Respirei fundo. Parece que a nossa noite ali seria longa também, já que seria meio impossível pregar os olhos com a safadeza rolando no quarto ao lado.
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Alisson PDV {Alisson: Ponto de Vista}
Aquela noite pretendia ser longa e intensa. O clube estava lotado, mas depois da rodada inicial de tequila, as vodcas e os drinks e cervejas que eu Amanda bebemos enquanto dançávamos, nossa vontade de continuar na pista passou por um instante. Fomos para a área reservada — que não era lá tão reservada assim, levando em consideração que outras pessoas tinham a mesma ideia né — e ficamos por ali por algum tempo, entre beijos e carícias.
Certo, era difícil explicar o que rolava entre nós. Ela era bissexual, assim como eu, mas de um tempo para cá essa "curiosidade" uma pela outra vinha tomando níveis alarmantes. Eu não saberia dizer quando comecei a me interessar por Amanda, quando vi, já tinha acontecido. Ela era linda e não havia quem negasse, e era mais animador ainda saber que eu não era a única a sentir algum tipo de atração.
A primeira vez que ficamos foi, se não me engano, uma ou duas semanas antes de a Fê finalmente se acertar com a Izie. Foi no apartamento dela, nós tínhamos nos encontrado no shopping e resolvemos pegar um cinema aquela noite. A tensão começou desde aí. Depois ela me pediu para ficar em seu apartamento, e como era tarde nem estranhei e muito menos reclamei. Quando percebi eu já a estava olhando com olhos diferentes, observando mais seus movimentos, e quando ela saiu do quarto usando aquele pijama mínimo, foi impossível controlar meus pensamentos pervertidos.
Sabe aquela cena que você gruda os olhos, sua boca se abre e você não consegue pensar com coerência? Foi bem assim. Era engraçado lembrar disso agora, da cara de pateta que eu devia estar fazendo, mas na hora eu só conseguia devorar seu corpo com os olhos enquanto ela caminhava na minha direção e passava a mão no cabelo, jogando-o para o lado... Aquilo era absurdamente sexy toda vez que ela fazia.
Dormir na mesma cama que ela não foi fácil. Aliás, o que eu estou dizendo? Nós nem dormimos aquela noite! Amanda não se fez de rogada, não demorou muito para que ela estivesse me atacando, e eu não fiquei para trás. Talvez tivesse sido um pouco precipitado, mas quem disse que pensamos nisso naquele momento? Nem nos demos ao trabalho de pensar nas banalidades e nas consequências, aquela nossa primeira noite de sexo foi longa e deliciosa. Sem declarações ou juras de amor eterno, nós chegamos à conclusão de que uma "amizade colorida" não faria mal à ninguém.
Por esse motivo, não contamos nada às meninas. Acho que no começo não havia nada a ser dito, nós transamos e daí? Cada um com suas intimidades, certo? Nós éramos muito próximas desde sempre, é claro, mas havia certas coisas que não eram tão fáceis de escancarar — afinal, como eu ia chegar num belo dia ensolarado e dizer: "então meninas, eu e a Amanda transamos". Imaginem minha cara. Acho que isso seria bem estranho.
Decidimos que aquilo seria mantido em segredo, não achamos que levaria a qualquer lugar. Mas estava levando. Minhas idas ao apartamento dela se tornaram frequentes, nossas transas mais frequentes ainda, e de repente nós estávamos tomando café juntas, almoçando e jantando juntas, tomando banho juntas e algumas roupas minhas e a escova de dente já estavam em seu apartamento. Dizem que quando juntamos as escovas de dente é por que ferrou de vez, não é? Foi exatamente como aconteceu entre nós. Foi a partir daí que eu comecei a perceber que tinha alguma coisa a mais rolando "nos bastidores" daquela nossa amizade colorida.
Nós continuamos mantendo isso em segredo, mas em algum momento as meninas começaram a suspeitar. Percebi quando, na faculdade, Amanda me pediu para levá-la até seu apartamento — que já era praticamente nosso – e elas reagiram de um modo bem curioso, especulando com olhares sugestivos. Naquele momento eu e Amanda notamos que elas estavam com os olhos sobre nós. Não nos importamos realmente, mas, se aquele lance entre nós fosse ficar apenas como estava, seria bom ter mais cuidado para evitar escândalos desnecessários.
Só que não ficou. Tudo começou a se transformar e de repente até briguinhas por causa de ciúmes aconteceram, de ambas as partes — aliás, a reconciliação mais tarde foi ótima. Eu poderia brigar todos os dias com ela se a reconciliação daquele jeito estivesse garantida. Foi bem engraçado, intenso e repentino, até um pouco estranho eu diria, como nós começamos a nos envolver e acabamos naquele beco sem saída. Nós não escancaramos as coisas com as meninas, até porque não tínhamos nada "oficial", mas sempre que elas jogavam indiretas nós não nos preocupávamos mais em negar ou fingir que nada acontecia. Acho que elas tinham se conformado, talvez, não sei.
Mas, voltando ao nosso atual momento no clube, todo aquele álcool já estava fazendo nosso corpo pegar fogo e chegamos à conclusão de que não poderíamos mais continuar ali. Rapidamente, nós pegamos nossas coisas e saímos do clube. No caminho, procuramos por Claire ou alguma das meninas que a tivesse visto, já que só ela tinha a chave da casa, mas não encontramos ninguém. Não estávamos com muita paciência para procurar, o lugar ainda estava lotado e bombando, então decidimos ir até a casa para ver se Claire já estava por lá, caso não estivesse, motel pra que te quero.
O relógio do meu celular marcava quase quatro horas da manhã quando chegamos ao portão. Estava destrancado. Nós estranhamos um pouco, e estranhamos mais ainda quando notamos que a porta também estava destrancada, a chave do lado de dentro e a bolsa de Claire no chão, como se ela estivesse com pressa demais para se atentar à esses detalhes. Nós pensamos em rir disso, mas no mesmo segundo já estávamos nos agarrando e correndo para o quarto. A casa estava silenciosa, pelo menos disso eu tive consciência. Talvez Claire só tivesse ficado bêbada e estivesse dormindo agora, pensamos, dando de ombros.
No corredor, Amanda já arrancava o sapato, meio sem equilíbrio por conta da bebida, e eu ri da cara que ela fez quando quase caiu. Ainda rindo baixinho, ela colocou o indicador sobre os lábios, em sinal de silêncio e eu mordi o lábio. Paramos com os diálogos e entramos no quarto, acabei batendo a porta com mais força do que deveria. Amanda apertou os lábios para não rir e eu não estava diferente.
– Você vai acordar a anfitriã da casa e isso não vai ser bom pra nós — ela sussurrou ao pé do meu ouvido, me agarrando com aquela pegada que ela tinha e que sempre me fazia ferver.
Nem me dei ao luxo de responder, meu corpo inteiro se arrepiou com seu hálito batendo em minha orelha, e meus braços já estavam em seu pescoço, meus lábios tomando os seus. O beijo dela era gostoso, provocativo e carinhoso ao mesmo tempo, em combinação com suas mãos aflitas que já logo tratavam de arrancar meu vestido deixava tudo mais intenso. Eu já retirava suas roupas também enquanto ela me despia, não fizemos cerimônia, nossa necessidade era mais urgente e as preliminares teriam que ficar para depois.
Sem roupa nem vergonha, ela, com os braços me sustentando, me levou para a cama e logo nossos corpos se encaixaram como peças combinantes, já eram velhos conhecidos. Ela se ajeitou entre minhas pernas e seu corpo se movimentou sobre o meu, nossos sexos implorando pelo atrito quando se tocaram, e nós gememos juntas — ela adorava aquela posição, adorava "dominar" a situação. Eu não me importava de ser submissa quando ela estava empolgada, mas não deixaria barato depois e Amanda sabia disso.
A fricção de nossos corpos e sexos era deliciosa, o desejo ia crescendo rapidamente e nos fazendo delirar, não dava para controlar os sons que emitíamos. Ela ergueu o corpo enquanto eu jogava o travesseiro que me atrapalhava para qualquer canto, agarrando a cabeceira da cama para começar a rebolar em mim. Meu Deus, eu parecia que ia morrer de tesão toda vez que ela fazia isso! A visão dali de baixo era divina, dispensava comentários, o corpo de Amanda era de tirar o fôlego. Eu acompanhava seus gemidos, minhas mãos agitadas tocando e arranhando seu corpo, ajudando-a nos movimentos. Me ergui para minha boca alcançar seus seios, que eu chupei com vontade.
Suas mãos se enroscaram em meu cabelo, e eu capturei seus lábios num beijo lascivo, passando meu braço sobre suas costas e jogando-a para o lado da cama, ficando por cima de seu corpo. Se tinha uma coisa que ela gostava mais do que rebolar em mim, era me ver rebolando em cima dela — e ela fez questão de ser bem safada quando me confessou isso. E por falar nisso, lá estava aquele sorriso safado e erótico em seus lábios.
Foi naquele ritmo, comigo em cima dela, suas unhas arranhando minha barriga, que nós tivemos nosso primeiro orgasmo. Ela gemia tão gostoso, era quase impossível segurar aquela vontade de gritar de prazer — posso dizer que nossos vizinhos lá do prédio em que ela morava já tinham ouvido tanta coisa que deviam estar traumatizados àquela altura! Amanda não esperou muito para me dominar outra vez, ficando por cima de mim. Sua boca foi para os meus seios e eu adorava como ela conseguia sensibilizá-los quando os chupava, alternando entre lambidas e mordidinhas, era enlouquecedor.
Mas ela não se demorou muito por ali, logo sua boca faminta estava devorando todo o meu corpo e chegando ao meu sexo, onde ela deu atenção especial sem delongas. Chupava, lambia, e logo introduzia seu dedo em mim, movimentando-o na intensidade e velocidade com a qual sua língua estimulava meu clitóris. Meu segundo orgasmo chegou com a força de um titã e não consegui conter o grito de prazer, mas tive a decência de pegar o único travesseiro da cama e cobrir meu rosto antes disso, para abafar o som. Amanda riu e ainda me provocou, sua língua passeando pelo meu sexo sensível, me fazendo encolher.
Eu queria ficar ali jogada na cama pro resto da noite, sentindo e curtindo os espasmos em meu corpo, mas eu ainda estava em dívida. Quando ela voltou e me beijou, eu tratei de rolar para cima dela, que pelo jeito não esperava uma reação tão rápida de mim. Ela sorriu sacana, mordendo o lábio e aquilo era sexy demais.
– Isso não vai ficar barato — sussurrei, com meus lábios bem perto dos seus, nossas respirações colidindo.
– Espero que fique bem caro mesmo — ela devolveu, mordendo e puxando meu lábio. Meu corpo já estava em combustão outra vez. Sorri.
– Vai ficar, pode ter certeza. — Devolvi a mordida, minha língua contornando seus lábios. Sussurrava porque minha voz não sairia nem que eu quisesse. — Eu vou te chupar todinha... — Ela ofegou e sussurrou um "Vai?". Afirmei com a cabeça, murmurando um "Uhum", os olhos vidrados em seus lábios entreabertos que imploravam por um beijo selvagem. — Vamos ver se você aguenta essa.
– Então chega de conversa e me come logo! — Foi a ordem final dela. Sorri largamente e suguei seu lábio antes de descer.
Dediquei meio segundo da minha atenção aos seus seios, porque eu realmente não conseguia passar batida por eles. Mas logo estava em sua barriga e baixo-ventre, chegando então ao seu sexo já molhado e pronto para mim. Aquilo não ia prestar mesmo. Eu comecei lambendo devagarinho, provocando, ela se contorcia e gemia, implorava, e então decidi que bastava de enrolação. A chupei com vontade, e ela segurava meu cabelo com força, gemendo sem controle, querendo mais contato. Introduzi um dedo nela e a explorava por dentro enquanto minha língua tratava de enlouquecê-la por fora. Lá dentro, eu sabia exatamente onde tocá-la para que ela tivesse aquele orgasmo que tiraria todo o seu fôlego.
E isso não demorou a acontecer. Quando seu orgasmo chegou, os espasmos foram intensos, ela gemeu alto, se contorceu na cama e eu só parei quando a senti se derramar em minha mão. Amanda ofegava por ar, o corpo inteiro sensível quando voltei a ficar sobre ela.
Ela sorriu e arrancou um sorriso de mim também. Uma das coisas que eu mais gostava com ela era isso, essa sincronia dos nossos corpos e mentes quando estávamos unidas, me fazia querer sempre mais. Nós ficamos em pequenas carícias e beijos tranquilos por um tempo, o tempo parecia parar em momentos como aquele.
As vezes eu pensava nos meus sentimentos por ela, e aquele foi um momento no qual esses pensamentos me assaltaram. O que nós tínhamos era algo que podíamos chamar de "caso", mas no fundo sabíamos que era mais que isso. Um romance, uma paixão, desejo carnal também, mas quando nossos corações batiam juntos àquela maneira, nós sabíamos que ia muito além. Eu nunca tinha me apaixonado por uma garota, embora tivesse tido experiência com algumas, mas também nunca me apaixonei por um garoto. Ninguém conseguiu me fazer chegar tão longe.
Mesmo assim, Amanda era a única que me fazia pensar em todas essas coisas, era a única garota pela qual eu já havia sentido ciúmes, paixão, desejo incontrolável e amor, e era gostoso saber que ela também se sentia do mesmo modo, pois sempre deixava transparecer isso. Quando machuquei o pulso, por exemplo, ela teve o carinho de cuidar de mim, sempre atenciosa. Quando fiquei brava pela brincadeira boba que ela fez na praia, ela foi fofa e meiga, me conquistando com suas palavras bem pensadas e organizadas que eu costumava chamar de xavecos, porque ela era uma xavequeira de primeira, acreditem. A única coisa que eu sabia de verdade, era que a cada dia nós estávamos mais próximas, e a cada dia eu sentia que ela fazia mais parte da minha vida, da minha história.
Eu estava me apaixonando por ela e seu jeito encantador de ser em todos os momentos, e não foi difícil descobrir isso — difícil mesmo foi aceitar sem medo. Medo porque eu temia que ela pudesse não se sentir como eu, apesar de demonstrar seus sentimentos por mim, eu só não sabia se iam tão além quanto os meus. Mas, naquela noite, eu tive todas as certezas que precisava para que eu pudesse viver aquele amor com ela sem temer nada nem ninguém.
Todas essas barreiras do meu medo foram completamente destruídas quando, acariciando meu rosto, Amanda falou, ainda baixinho:
– Ali, eu andei pensando... Eu sei, mais ou menos, como você se sente quanto a isso, a nós. Mas... Eu quero ir além, você entende? Eu quero que todo mundo saiba sobre nós, eu quero que você seja minha de verdade... O que você acha sobre isso?
Meu coração batia forte.
– O que exatamente você está dizendo, Amanda? — perguntei devagar. Queria ouvir ela dizer aquelas palavras, ah como eu queria.
Ela umedeceu os lábios com a ponta da língua. Sorriu.
– Estou dizendo que eu quero algo sério, um compromisso de verdade com você. Estou dizendo que quero que seja minha namorada. Você aceita ser minha namorada? — Havia dúvida, havia um sentimento muito intenso em seus olhos. Talvez até houvesse certo medo, e eu entendia bem disso.
Um sorriso extremamente bobo cresceu em meus lábios.
– É sério? — perguntei, emocionada. Eu não era capaz de rejeitar um pedido daqueles. Ela assentiu e murmurou "Uhum", meio apreensiva. Meu sorriso aumentou e eu mordi o lábio, me segurando para não explodir em felicidade. Mas a emoção em minha voz não deu para conter: — É claro que eu aceito! É tudo o que eu mais quero, Mandy...
– Mesmo? — ela perguntou, abrindo seu lindo sorriso. Assenti, feliz da vida. Ela deu uma risada gostosa. — Então, namorada... Vamos comemorar. — Ela disse, seu sorriso fofo já tomando aquela forma perversa e avassaladora que só ela sabia como fazer.
Então, ela rolou para cima de mim outra vez. É... Aquela noite tinha promessa de ser muuuuito longa mesmo...
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