Paraíso Proibido

19 Capítulo 19. Litoral - III: Abraço pra Dormir?


Notas iniciais
YAY YAY YAY, mil vezes! o// Olha só quem apareceu por aqui hoje: eu mema! *-* Eu nem acredito, sério, to MEGA feliz porque consegui terminar esse capítulo hoje, e tô super hiper mega BLASTER feliz com o rumo que a fic está tomando para as personagens! Eu terminei esse capítulo gritando internamente "uhuuuuuuuul, é nóizzz! *O*" bem assim mesmo, não to exagerando, haha :3 s2 Aliás, acabou de sair do forno, fresquinho, terminei e já vim postar ^-^ Eu espero mesmo que gostem, porque eu adorei escrever esse capítulo. Tem muita palhaçada, muito companheirismo e muuuuuita fofura também, é claro *-* Li e reli trocentas vezes, ta revisadinho, espero que não haja erros #yn. Sem mais delongas, bora ler! Boa leitura, amadas leitoras s2

Claire PDV {Claire: Ponto de Vista}

As meninas já estavam num pique que só por Deus! E nós mal tínhamos chegado...

Naquele primeiro dia, nós ficamos acordadas até uma hora da manhã — ou melhor, eu só consegui ficar acordada até uma hora da manhã por ter dormido absurdamente pouco, logo estava caindo de sono, o que era ótimo porque tomei um banho e caí na cama antes da Rafa e não tive que me preocupar com a presença dela ali, que provavelmente me faria ficar horas me remexendo na cama sem conseguir pregar os olhos. Eu não sei onde meus pais estavam com a cabeça de fazer três quartos com camas de casal, por acaso eles achavam que só trariam casais ali? Sério, não entendia, mas estava com muita preguiça de pensar nisso naquele momento. O bom é que as camas eram queen size, então havia bastante espaço e eu não precisaria ficar colada na garota ao meu lado quando deitasse — ufa hein, pelo menos isso! Valeu mãe e pai.

Mesmo deitando com muito sono, eu não consegui evitar os pensamentos insanos. Logo começaram: imaginava Rafaela dormindo ali ao meu lado, sem roupa nenhuma, o fino lençol branco cobrindo seu corpo nu, deixando à mostra suas curvas com a pouca luz que entrava pela janela... Bufei alto e enfiei a cabeça embaixo do travesseiro. Que saco! Desse jeito, eu capotei, com a cara enfiada embaixo do travesseiro e brava comigo mesma. Eu prefiro não relatar o que eu sonhei, é o suficiente dizer que envolvia Rafaela, roupa nenhuma, um fino lençol branco e toda a safadeza possível que meus pensamentos poderiam me proporcionar. O bom foi que, eu estava com a cabeça cheia de coisas, não só da Rafa, mas da viagem em si, então logo o foco dos meus sonhos mudou e de repente eu estava dormindo sem sonho nenhum, o que era melhor ainda!

Quando acordei, o quarto estava pouco iluminado e meu corpo estava quente, mais quente do que me lembrava estar quando deitei. Sem me mexer muito, para não espantar o sono — porque eu sinceramente não estava com pretensão nenhuma de levantar naquele momento -, estiquei meu braço e peguei meu celular na mesinha de cabeceira ao lado. Acendi o visor, e o relógio marcava uma e meia da tarde. Minha nossa! Nem parecia que eu tinha dormido tudo aquilo, ainda estava exausta... Insônia infeliz.

Deixei o celular sobre a mesinha novamente e voltei para minha posição anterior. Mas é sério, o quarto estava muito quente. Devia estar um sol de rachar lá fora! O que era ótimo. Na verdade, doce engano meu achar que todo aquele calor era culpa do sol. Pouco depois de finalizar esses meus pensamentos sobre o sol, o meu "calor particular" se mexeu atrás de mim — era a Rafa. Minha espinha gelou e eu prendi a respiração. Só então, quando sai daquele torpor momentâneo causado pelo sono, que me dei conta do seu corpo junto ao meu e seu braço sobre o meu corpo. Puta merda! Trinquei os dentes e fiquei completamente imóvel, tentando controlar minha respiração. Com uma cama daquele tamanho, cara! Só podia ser brincadeira.

Lentamente, tentando não fazer nenhum movimento brusco, eu me virei, só para dar de cara com o rosto dela próximo ao meu, tão próximo que eu podia sentir sua respiração bater em meus lábios e sentir seu perfume. Engoli em seco. Me belisquem, sério, em 3, 2, 1... Seu rosto estava sereno, ela parecia dormir tranquilamente, suas feições relaxadas, e seus lábios pareciam sorrir — ou talvez fosse apenas impressão minha, mas a deixava ainda mais linda. Eu sempre fazia o possível para evitar, mas naquele momento com ela tão perto e inconsciente, não pude me conter em observar seus lábios, eles eram tão vermelhinhos e redondinhos, não era a primeira vez que eu pensava como eles deviam ser macios, e não seria a última vez que eu me pegaria pensando em como seria beijá-la. Essa garota estava me causando sérios problemas!

Não sei quanto tempo se passou enquanto eu pensava todas essas coisas, me pareceram segundos, mas quando ergui meu olhar, os olhos de Rafaela estavam meio abertos, ainda pequenos por conta do sono, mas isso me fez gelar outra vez. Ela uniu as sobrancelhas de leve. Pega no flagra! Ai, caramba, já posso morrer de vergonha, adeus mundo cruel!... Ela não falou nada, e era até preferível assim, mas seu olhar intenso sobre o meu, que eu não conseguia desviar, pesava toneladas sobre meu corpo imóvel na cama. Dessa vez pareceram se passar horas até que houve alteração em suas feições — ela fez uma cara que não entendi, abriu bem os olhos e mordeu os lábios, como se lembrasse de algo, e seu corpo ficou tenso, pude sentir pela super proximidade dela ali.

– Ahn, Claire... — ela murmurou.

– Que foi, Rafa? — questionei em voz baixa.

– É que... Eu vou pedir pra você virar para lá um pouquinho, ta bem? — ela mordeu o lábio outra vez.

Uni as sobrancelhas.

– Não entendi...

– Bem, eu... Ontem eu bebi um pouco mais do que devia com as meninas, sabe, e... É que eu...

[ . . . ]

9 horas atrás...

Rafaela PDV {Rafaela: Ponto de Vista}

Claire foi a primeira a levantar a bandeira branca — era de se entender, afinal, ela mal tinha dormido naquele dia e ela até havia aguentado bastante, até a uma hora da manhã. As meninas estavam em um pique que nem eu conseguia acompanhar. Elas começaram a me oferecer vários copos de bebidas conforme eles iam aparecendo, e eu realmente fiz uma bela mistura. De repente, eu já estava leve e elas me puxaram pra dançar, coisa que eu não fazia há algum tempo, mas dizem que o álcool desperta essas coisas nas pessoas, não é?

Eu dancei, e os copos de bebida não paravam de vir, um após o outro, e eu tomava sem me importar — não teria que ir pra casa, pois já estava nela, se eu ficasse ruim eu cairia ali mesmo e fim, era só abraçar a ressaca no dia seguinte. Isso era o que eu pensava depois de muitos copos. Nós cantávamos junto com a música quando começou a tocar "Clarity" e "Wake Me Up" em seguida, e até o copo em nossas mãos virou um microfone naquele momento. Eu soube que nós estávamos pra lá de bagdá quando Alisson inventou de dar uma rodopiada no calor da empolgação da música e acabou que todas nós fomos ao chão tentando evitar que ela caísse quando perdeu o equilíbrio. Foi cômico e ridículo, nós quase choramos de tanto rir, o álcool só piorou as coisas!

Amanda parecia ser a "menos bêbada" e nos ajudou a ficar de pé, mas ainda tomamos um belo escorregão porque alguém estava com um copo de bebida na mão quando caiu e molhou todo o chão — acho que todas nós estávamos com copos na mão, então imaginem. Toda essa cena rendeu muita risada, mas indicou o fim da festinha, porque já estavam todas pra lá de bêbadas e foi melhor encerrar tudo. Isso já era por volta de quinze pras quatro da madrugada.

Mesmo com toda a zonzeira causada pela bebida, eu e Izie ajudamos Amanda a dar uma "ajeitada por cima" na bagunça — no dia seguinte limparíamos tudo devidamente, naquele momento não havia condições. A Ali e a Fê desmaiaram no sofá da sala. Nós desligamos o som. Izie tentou acordar Fernanda, mas ela só resmungava coisas desconexas, e a mesma cena se repetia com Amanda chamando Alisson no outro canto.

– Vocês vão ter um pouco de trabalho — comentei com um sorriso.

– Vai ter que ser no estilo homem das cavernas! — Amanda disse divetida e ergueu uma Alisson toda molenga nos braços.

Nós rimos da cara de desespero dela quando a menina quase escorregou. Izie deu os ombros e pegou Fernanda nos braços do mesmo jeito. Ok, repassando a cena: duas bêbadas carregando outra "trêbada", e os quartos ficavam no andar de cima. Cinco bêbadas e uma escada... Isso não ia dar certo! E quase não deu mesmo, pois Izie quase escorregou, sorte que eu estava atrás dela e minhas mãos ampararam suas costas para que ela não caísse. Amanda começou a rir baixinho e nós rimos também. Só me lembro que foi o maior "rolê" para chegar nos quartos. As meninas entraram em seus devidos quartos e eu dei um boa noite pra elas e segui para a última porta do corredor.

Entrei devagar, pois Claire já dormia. Tentei fazer silêncio, mas minha cabeça girava e dei uma topada internacional na mesa que tinha de frente para a porta — o quarto era assim: entrando, do lado esquerdo ficava o guarda-roupas branco e preto, na outra extremidade da parede estava a porta do banheiro, mais ao lado havia a cama com uma mesinha de cabeceira de cada lado, a janela (digamos "porta", porque era de correr, e dava direto na varanda) na parede ao lado direito a cama, com uma cortina que tinha apenas a parte branca e fina solta, o que iluminava de leve o quarto, e tinha essa mesa com uma cadeira giratória que ficava de frente para a cama.

Eu xinguei baixinho e fui até o guarda-roupa e peguei minha toalha, indo para o banheiro em seguida. Minha vontade mesmo era de cair na cama do jeito que eu estava, mas isso ia me render uma noite de sono pesado e que não me descansaria nada, pois meu corpo estava cansado, eu precisava de um banho para dormir bem. E eu tomei um bem rapidinho, pensando em cair na cama o quanto antes. Quando saí, ainda enrolada na toalha, fui até a cortina e desamarrei a parte preta, deixando-a cair e escurecer o quarto, porque não seria nada legal acordar com o sol na cara depois daquela bebedeira toda.

Eu dei a volta meio às cegas e sentei na cama, colocando meu celular que estava descarregado sobre a mesinha. Eu tinha que abrir minha mala e pegar meu carregador, e tinha que pegar uma roupa pra dormir no armário. Mas isso ficou só em meus pensamentos, pois no instante seguinte eu dei de ombros, "colocar roupas pra que?!" foi meu último pensamento enquanto tirava a toalha do meu corpo, jogando-a em qualquer lugar e me enrolava embaixo da coberta.

No próximo segundo eu já estava dormindo.

__________________

Claire PDV {Claire: Ponto de Vista}

Rafaela gaguejava e eu não estava entendendo nada, sinceramente.

– É que eu... E-eu...

– Fala de uma vez — disse meio impaciente, sem grosseria, encarando-a.

Ela apertou os lábios.

– Bem, eu voltei pro quarto ontem e tomei um banho antes de deitar, mas... E-eu estava meio zonza por causa da bebida e eu não... Eu estou sem roupa — falou meio rápido.

Meu corpo inteiro travou quando eu compreendi as palavras. Ai minha nossa senhora, ela disse o que?! Não, espera... Calma Claire, respira, por favor, respira, ainda não é hora de morrer...

– R-rafa... — trinquei os dentes. — V-você...

– Desculpa, eu estava muito cansada! Eu ia colocar a roupa, eu juro, eu... Mas então eu deitei e dormi, foi muito rápido... Desculpa, eu nem sei como vim parar aqui e não sei porque meu braço está em volta de você agora — ela disse meio desesperada.

Desesperada estava eu!

– É, então... Nem eu sei porque você está com o braço em volta de mim — concordei, engolindo em seco. — E também não sei porque você ainda não o tirou!

Ela puxou o braço no mesmo instante.

– Foi mal, Claire! Eu... — ela estava toda envergonhada. — Não vai acontecer de novo...

– Tudo bem... Eu vou virar pra... P-pra você poder se vestir... — falei. Ela assentiu, abaixando o olhar. Sacudi a cabeça e forcei meu corpo tenso a se mexer e ficar de costas para ela.

Meu Deus, aquilo não podia estar acontecendo! Era muita crueldade lançada pra cima de mim na mesma vida, sério. Eu estava ali, toda apaixonadinha por ela, observando seu sono, pra depois descobrir que ela estava sem roupa nenhuma e ainda grudada em mim daquele jeito! Apaixonada. Essa era uma palavra muito forte, vamos com calma, Claire. Eu não estava apaixonada por ela! Ela era uma garota e... Uma garota que me afeta demais e como nenhum garoto um dia me afetou, mas... De qualquer forma, não! Eu não estava apaixonada por ela, certo? Ai meu Deus, outra crise não... Meus pensamentos foram cortados quando Rafaela voltou a se deitar na cama depois de levantar e ir até o banheiro, e rolou para perto de mim, seus braços me envolvendo num abraço apertado, e deu um beijo em meu rosto.

– Ai, Rafa! — resmunguei e olhei para ela com um bico. O que era isso agora?

Ela sorria, as covinhas à mostra em suas bochechas.

– Bom dia, resmungona — disse sorrindo.

– Ah! — estalei a língua. — Bom dia. Quer dizer, é boa tarde já, são mais de uma e meia da tarde!

– Já?! — ela abriu bem os olhos, prendendo a respiração. Mas logo deu de ombros e voltou a sorrir. — Então, boa tarde. E me desculpa mesmo pelo, er... Desconforto de agora a pouco.

– Está tudo bem. Vamos esquecer isso, ok? — dei um sorriso.

– Certo. Mas eu juro que deitei do outro lado da cama! Acho que porque você é quentinha, eu devo ter me aconchegado aqui durante a noite — ela deu de ombros novamente, com um sorriso travesso.

Dei um sorriso incrédulo.

– Ah, então você estava abusando da minha nobreza? — perguntei com divertimento.

– Inconscientemente, talvez — riu de leve e mordeu o lábio. Sacudi a cabeça, ainda sorrindo.

Ela se afastou e sentou na cama, passando a mão no cabelo. Suspirou alto, jogando a coberta para o lado.

– Vai levantar já? — perguntei, me sentando na cama para espantar meu sono chato. — Você deve ter dormido pouco, aposto que vocês ficaram na farra até raiar o dia!

Ela riu.

– Ah, já me vesti mesmo, então vou levantar. E quase isso, viemos deitar já era mais de quatro e meia da manhã.

Sacudi a cabeça, torcendo a boca, como se reprovasse aquilo.

– Espero que a casa esteja inteira! — brinquei.

– A casa está, só não sei o resto das meninas — ela disse com uma risada. — E eu nem estou de ressaca... Isso é ótimo!

Eu ri junto, mas já conseguia imaginar o que elas não tinham aprontado ontem. Pulei pra fora da cama e Rafa disse que a arrumaria.

– Já que você insiste — levantei as mãos em sinal de rendição e ela sorriu.

Fui até o banheiro e fiz minha higiene matinal — não tão "matinal" naquele momento. Depois disso, nós descemos e as meninas já estavam todas na sala — quer dizer, todas menos Fernanda, ela não estava no sofá. Por incrível que pareça, nenhuma delas estava com cara de quem havia bebido até altas horas da madrugada. Amanda estava sentada na ponta do sofá, de costas para a escada, e Alisson estava encostada nela com o notebook no colo, fuçando em algo que as duas estavam prestando atenção. Izie estava sentada depois da curva, já que o sofá era em L, e estava com o celular em mãos. Ela foi a primeira a olhar em nossa direção, até Amanda se virar também.

– Ah, acordaram? — a própria disse em um tom de brincadeira.

– É a vida! — falei como se fosse a única alternativa. Ela riu.

Ela e Alisson, do jeito que estavam ali, até pareciam um casalzinho. Eu já nem estava me surpreendendo mais, só estava esperando essas duas saírem do armário de uma vez! Mesmo assim, eu estreitei os olhos e fiz um sinal com a mão, do tipo "estou de olho em vocês!", apontando pra Amanda, que riu e sacudiu a cabeça.

– Alisson! Mas o que é isso?! — exclamei ao ver seu braço esquerdo enfaixado até perto do cotovelo.

– Não me diga que foi do tombo de ontem?! — Rafa disse, já caindo na risada com as três.

– Luxei o pulso — Alisson disse rindo que nem criança.

– Dá pra acreditar nisso? — Izie disse rindo.

– Tive que levá-la no hospital de manhã, ela acordou com o pulso todo roxo e inchado — Amanda disse, torcendo a boca.

– Pra começar bem a semana hein — Rafa falou divertida, e Alisson ergueu o polegar imobilizado pela faixa e a tala.

– Cara! O que vocês aprontaram ontem?! — falei, abrindo a boca em surpresa. Eu estava perplexa. Como assim?!

Minha perplexidade só fez elas rirem ainda mais. Elas me explicaram do super tombo combo, tipo um strike de boliche — caiu a primeira, caiu todo mundo. Inacreditável! Eu tive que rir, não acredito que perdi um espetáculo daqueles.

– E você já está bebendo de novo? — perguntei ao ver que ela tinha uma garrafa de Heineken na mão.

– Algumas pessoas curam a ressaca com café amargo, eu curo com cerveja — ela disse com uma risada. — Cheers!

Balancei a cabeça, com um sorriso descrente. Essas meninas eram impossíveis.

– Hey Izie, onde está a bitch da Fê? — perguntei, me sentando ao lado dela no sofá.

Ela deu uma risada de leve.

– A Fê foi na padaria aqui na esquina e... Ah, olha ela aí — apontou quando a porta se abriu e nós desviamos o olhar.

Fernanda entrou com duas sacolas, e parou quando viu que todas nós estávamos olhando para ela.

– Nossa, não fui eu! — ela encolheu os ombros. Nós rimos.

– Eu estava perguntando de você pra Izie agorinha — comentei. — Comprou nosso café da manhã? Acho bom mesmo!

Ela estirou a língua pra mim. Parecia uma criança birrenta, mas eu adorava esse temperamento dela, era engraçado — apesar de muitas vezes me tirar do sério!

– Eu comprei sim, ô chata. Mas antes de qualquer coisa — ela veio até a gente, deixando as sacolas sobre a mesinha de centro, e sentou ao lado da Alisson -, Ali, aproveita que você está com o note ligado aí e dá uma olhada nesse site aqui pra mim — ela entregou o panfleto. Então, falou: — Eu estava virando a esquina e me deram esse panfleto. É de um clube que tem aqui perto depois do porto, e cara! Parece top, sério, o nome do lugar é 'Til The Breaking Dawn, é pancada até o dia raiar e o último cair bêbado! — ela disse animada.

Nós sorrimos com a ideia e logo ela passou o panfleto de mãos em mãos. Parecia bem chamativo mesmo o lugar, o marketing pelo menos era de primeira qualidade, atraente e convidativo. Quando Alisson abriu o site do clube, nós nos amontoamos ao redor dela para ver as fotos do lugar. Era realmente incrível, com decorações chamativas, três camarotes, três pistas grandes de dança, cinco plataformas para DJ's, uma área mais reservada com música leve e ambiente, área de Camarote VIP com piscina e direito a caviar dado na boquinha e garotas te abanando — era top mesmo! E detalhe: era voltada para todos os públicos, fosse GLS ou não. Resumindo: era um vuco-vuco daqueles né. As meninas adoraram, imagina que não.

Fuça na agenda de eventos de hoje! — Fernanda disse empolgada.

– Ah, não, Fê! Pra hoje não. Amanhã — Alisson disse, fazendo um bico. — Como eu vou pra um lugar desses com essa tala e esse braço enfaixado?!

Todas nós reclamamos em uníssono.

Gente, gente — Amanda tentou amenizar as reclamações. — É justo, vai! Ninguém merece ir com o braço enfaixado para um clube desses, é pedir pra morrer de tédio, né!

– Ahhh, tá defendendo a namoradinha agora, então?! — não aguentei. Elas riram.

Estou! — Amanda disse divertida. Alisson deu um sorrisinho do tipo "Viu?! Eu não estou sozinha" e encostou a cabeça no ombro dela.

Nós já íamos começar a zoar elas de novo, mas Alisson falou e não nos deixou dar início à zombaria:

– É só hoje, suas cachaceiras! Eu tenho que ficar com a tala por vinte e quatro horas, e vou começar a tomar os analgésicos depois dessa cerveja, eu juro!

– Ah tá, é claro que vai! — Fernanda disse e nós rimos. — Enfim! Olha a agenda de amanhã então, caramba.

Nós aceitamos, era o jeito. Ficamos ali pela sala por mais uns vinte minutos olhando o site junto com Alisson, e o evento de amanhã era pancada de eletrônica do começo ao fim da noite. Os preços eram um absurdinho, mas era justo, afinal o lugar era de primeira.

– Vamos de Camarote 2 então, está decidido! — falei.

– Não! Camarote 3, Claire, pô! — Fernanda já logo discordou.

– Mas, minha filha, você está exigente hein?! É setenta reais a mais nessa budega! — reclamei.

– E daí?! É setenta reais a mais, mas é consumação, nem vai doer. E queridinha, no Camarote 3 só vai ter os DJ's, tipo, OS DJ'S, tá entendendo?

– Se você pagar pra todas nós, nós vamos de Camarote 3 então! — cruzei os braços, dando de ombros. As meninas riram e concordaram.

– Ah tá, tô morando no cofre do JP Morgan Chase agora pra bancar todas vocês, deve ser!

Nós ainda ficamos naquela discussão por mais uns cinco minutos, mas acabamos decidindo pelo Camarote 3 antes que aquela loira maluca ficasse careca de tanto insistir. Que fosse então! Mas eu juro que se esse estimadíssimo Camarote 3 me deixasse a desejar, eu ia arrancar cada fio daquele cabelo dela, ah se ia! O evento começava às nove da noite. Estava marcado. Depois disso, nós fomos para a cozinha e tomamos café. Amanda estava toda atenciosa com Alisson, e claro que nós não deixaríamos isso passar.

– Você está se saindo uma namorada exemplar, Amanda, meus parabéns! — comentei. As meninas riram.

Ela riu e mostrou a língua pra mim, parando atrás de Alisson de dando um beijo em seu rosto.

– Alguém tem que cuidar de mim né! — Alisson disse toda se achando.

– Invejosa! — Amanda zombou. — Você só não recebe tratamento especial da Rafa porque não quer!

Bitch! É claro que elas iam virar a zombaria pra cima de mim. Mas eu ia seguir o conselho da Rafa: ia entrar no joguinho delas, chega de ganhar rugas com isso.

– Isso é verdade! Segura a dor no cotovelo aí, Claire — Fernanda tinha que se pronunciar, ou não era dia.

– Engano de vocês, meus amores, porque hoje mesmo eu acordei com um abraço e um beijinho de bom dia — disse com um sorriso de pouco caso, fazendo pose de madame.

Ah, mas foi a gota d'água. Elas se acabaram de rir e a Rafa ficou vermelha — coitadinha! Mas eu só estava seguindo seu conselho!

– Então já estão assim?! — Izie disse entre risos.

– Meu bem, vocês estão é muito atrasadas, façam-me o favor! Não me dirijam à palavra enquanto não se atualizarem, ok? — fiz cara de nojenta.

Rafa ria e me olhava mordendo os lábios, era extrema e absurdamente fofo como suas bochechas estavam rosadinhas, o cabelo quase na altura de seus ombros meio bagunçadinhos e dando um ar bonitinho ao seu rosto em contraste com o brilho de seus olhos azuis.

Na verdade, eu estava feliz pra caramba de ter dito aquilo, incrível! Ela tinha razão, iria fazer mais vezes! Pra que ficar me estressando com essas meninas? Elas gostavam de zoar, então vamos zoar. Rugas nunca mais.

Aquele dia passou de um modo tranquilo e gostoso. Lá pra umas quatro da tarde, nós tomamos um banho, colocamos umas roupas mais leves e fomos caminhar um pouco na ponta da praia, o clima estava morno e agradável do lado de fora, e nós paramos em um quiosque para tomar água de coco e conversar banalidades. O nosso evento programado para amanhã se tornou o assunto principal rapidamente, as meninas já estavam até discutindo o que iriam vestir — e era óbvio que apostaríamos em roupas mais leves, pois ali era quente e dentro daquele clube devia ser mais quente ainda.

Fernanda começou a zoar dizendo que usaria roupas curtinhas e provocantes, e tomou um belo tapa na nuca da Izie, que nos fez rir. Ela estava achando mesmo que estava "na pista", coitada né! Do jeito que as coisas andavam, eu era a única que estava na pista pra negócio, obrigada! Quando falei isso, Fernanda não se aguentou, como sempre, e já atirou pra cima da Rafa, perguntando ela ia permitir que eu saísse por aí agarrando o clube todo.

Rafa corou, mas entrou na brincadeira:

– Ah, tá bom! Deixa ela, Fê, ela só acha que está disponível, mas amanhã eu vou mostrar que esse território todo aí tem dona, você vai ver! — Fernanda riu e as meninas vibraram com a resposta:

Se ferrou, se ferrou, se ferrou, se ferrou! — elas começaram a gritar e bagunçar meu cabelo, zombando de mim, rindo. Todo mundo que passava na calçada olhava para a nossa mesa e dava uma risadinha, até mesmo o pessoal do quiosque e das mesas próximas. Elas gostavam de causar mesmo! Eu fiquei toda vermelha, mas normal.

Como Alisson estava impossibilitada para um programa mais "radical", naquela noite nós resolvemos jantar em um restaurante especializado em frutos do mar, o mais recomendado ali da região, e depois pegamos um cinema para aproveitar o resto da noite. Quando voltamos para casa já era por volta de meia noite e meia, e estávamos todas muito cansadas. Claro que, depois do banho e ajeitada na cama, com Rafaela ao meu lado foi difícil pregar os olhos. Nós ficamos ainda mexendo no celular, comentando e rindo da desgraça alheia nas redes sociais, e eu não podia negar: apesar de ser um martírio ter que dividir aquela cama com ela, estava sendo melhor do que eu esperava.

Levantamos a bandeira branca já era quase três horas da manhã, e então nos ajeitamos para dormir — ou tentar, pelo menos.

– Sem abraço pra dormir hoje? — Rafa perguntou, fazendo um biquinho quando olhei descrente para ela. Não consegui evitar sorrir. Tá de sacanagem né? Abriu aquele sorriso lindo que só ela tinha.

Soltei uma risada, balançando a cabeça, alternando o olhar entre o teto e ela, que fazia a carinha mais fofa da vida toda! Ai, que gay. Suspirei, com um sorriso desacreditado — na verdade, eu estava desacreditando mesmo que estava me rendendo àquela carinha de "cãozinho que caiu da mudança" que ela fazia! E, bem, ela estava de roupa daquela vez, ao menos isso...

– Tudo bem, abraço permitido por hoje! — falei num tom divertido. — Mas só por hoje!

Ela fez uma comemoraçãozinha e logo se aconchegou perto de mim. Seu braço envolveu meu corpo, mas ela estava apoiada no cotovelo, e seus olhos azuis tinham aquele brilhinho mesmo à pouca iluminação do quarto. Seu olhar era sempre gentil e intenso ao mesmo tempo, isso causava um pandemônio de sensações no meu peito, mas eu meio que já estava me acostumando com isso. Sustentei seu olhar, com um pequeno sorriso. As palavras dela me vieram à mente: "... vou mostrar que esse território todo aí tem dona...", e algo se agitou em mim, fez meu coração bater mais rápido.

Eu acho que estava é bem ferrada, isso sim! Se aquilo não era algum tipo de paixonite, eu não sabia mais o que era. Se fosse dois dias atrás, eu teria ficado abismada com esse pensamento, mas naquele momento, depois de passar aqueles dois dias mais próxima dela, eu sentia que era capaz de alimentar aquilo, fosse o que fosse — sim, dois dias não eram tanto assim, mas acreditem, não é fácil aguentar a barra quando uma pessoa mexe com você desde o primeiro momento em que você coloca os olhos nela. No meu caso era uma garota, e isso que me deixava mais abismada ainda, mas tem certas coisas que nós não precisamos questionar, elas simplesmente acontecem porque tinham que acontecer. Eu estava em altas filosofias naquele momento, diga-se de passagem.

– Então, boa noite, Claire — ela disse em voz baixa, sorrindo.

Meu sorriso singelo, aumentou.

– Boa noite, Rafa.

Ela se aproximou e deu um beijo em meu rosto, muito próximo ao canto da minha boca, que me fez esquecer de respirar por um instante. Disfarcei e sorri quando ela afastou para se ajeitar ao meu lado, e então virei de costas, deixando que ela ficasse ali.

Uma coisa que eu achava ser impossível de fazer, que era dormir com ela tão próxima de mim, naquela noite se tornou o meu conforto e a razão de uma noite bem dormida.

Notas finais
MORTA com toda essa fofura entre Claire e Rafa :'3 Quem tiver sobrevivido a esse ataque de fofura, por favor, mande um review! ... Mentirinha, mandem reviews mesmo se tiverem mortinhas de fofura, porque eu deixo e vou adorar saber o que acharam *u* s2 Bem, agora a fic vai tomar o rumo que todo mundo queria, as coisas vão ser "esculachadas" (de um modo fofinho) e vamo simbora o/ Espero, de coração mesmo mesmo, que tenham gostado do capítulo! Vou loguinho dar início ao próximo, que já tenho todo bolado em minha mente s2 Beijos beijos e até o próximo capítulo!