Paraíso Central.
9 Passado.
Notas iniciais
Me perdoem pela escrita caótica e pelas enrolações. Gostei muito de escrever isso!
Agradeço demais às minhas companheiras leitoras.
Um beijinho!
Uchiha Sasuke. 21 anos. Escritor fracassado, empresário de sucesso.
Era fácil defini-lo com base nas entrevistas que dava. Sasuke realmente era rígoroso, sério e calculista. Haruno Sakura sabia muito bem disso desde seu primeiro beijo com o amado. Talvez soubesse mais dele do que dela, mas se havia algo que tinha certeza absoluta, era que podia fazê-lo feliz. Por algum motivo ele sabia disso. Internamente.
Os anos foram generosos com os dois. Trouxe flexibilidade, estabilidade e amor. Sasuke não era mais o mesmo, embora ainda fosse rígido com o trabalho e com a esposa. Ele a ama. Descobriu numa tarde qualquer em que observava-a limpar a piscina da casa que compraram juntos. Sakura era diferente. Não se rendia diante dos problemas. Não era cabeça quente como ele, que sempre decidia pressionado coisas por impulso. Ela não era fraca. Nem agressiva. Tinha classe, enquanto ele forçava etiqueta.
Separaram-se em algum momento da vida. Ele lhe disse:
"– Eu transei com a Karin. Mas confesso que não sei como aconteceu. — Sentado na poltrona do quarto, o moreno colocou os cabelos para longe do olho.
Ela ficou vermelha. O Uchiha viu a decepção brilhar nos olhos da namorada.
– Na verdade, eu acho que ela colocou algo na minha bebida. — Suspirou, sabendo que ela o ouviria. — Mas não sei distinguir o momento em que perdi a sanidade. Simplesmente... Acordei hoje. Ainda dentro dela.
Sakura rugiu. Sasuke esperava reações adversas da que ela teve. Ela se aproximou batendo os pés alto demais, marchando. Estava descalça e semi nua, mas ele não podia deixar de admirá-la. Veio na direção dele como um furacão, abaixando-se e metendo o corpo entre suas pernas fortes. Furiosa, começou a puxar o cinto da calça social do Uchiha imediatamente. Era bom vê-la atrapalhada com a fúria dos próprios movimentos.
A observava, tendo ideia do que ela queria, mas desacreditando.
Antes de ela colocar seu pênis na boca, o toque já o fez acordar. Definitivamente, ele não poderia tê-la traído com uma mulher como Karin por vontade própria."
A lembrança o aquecia. Naquele dia, aquela reação o fez pensar na relação que tinham durante horas. Ela tornou-se um pouco mais ciumenta e faminta. Ele não pensava em outros corpos, mal via outras mulheres com o olhar masculino. Em realidade, era inevitável compará-las com Sakura. Descobria no final de suas análises que preferia sua namorada.
Começaram então a sorrir um pro outro constantemente, mas a maioria das vezes acontecia durante ou pós o sexo. Num destes sorrisos, ela o viu desfazer o desenho feliz dos lábios para gemer longamente. Foi o momento em que soltou desesperadamente que o amava. Ele não pode responder, mas mostrou-lhe o paraíso ao enterrar sua alma dentro dela fortemente. Estavam absurdamente unidos.
Primeiro, veio a preocupação.
"Era um dia normal demais. Nada acontecia, exceto o de sempre. O corpo de Sasuke estava fatigado, mas não eram exercícios sexuais que o estavam assolando. Trabalhou três dias seguidos, sem dormir. Pretendia o quarto. Sakura não saía de seu pé um segundo, pedindo para que ele dormisse e comesse. Mal se lembrava porquê tanto desespero para finalizar as coisas. Provavelmente queria finalizar com tudo. Com a empresa, com as responsabilidades...
Mas algo aconteceu de diferente. Sakura não ligou e nem levou-lhe marmita, que ele jogaria no lixo. Largou tudo e voltou para casa devagar. Teve medo de voltar rapidamente no estado em que estava. Muito sonolento.
Tocou o telefone do apartamento de Sakura. Nada. Celular. Nada.
– Porra. — Murmurou, parando num farol e abaixando a cabeça. Seu carro ronronou em reprovação, e as buzinas atrás o alertaram de que o farol permitia passagem, no verde.
Passou a acelerar. Quando freou o carro na frente do apartamento, havia apenas uma luz acesa. Não era a da sala. Passou pelo porteiro e subiu pelas escadas.
– Sakura. — Chamou, batendo na porta. Ela não o atendeu, mas ele não quis chamá-la uma segunda vez. Verificou se a porta estava aberta, e como sempre estava, e andou diretamente para a cozinha, onde a luz permanecia acesa.
A inquietação veio mesmo do coração. Ela estava deitada no chão. Os olhos estavam abertos e horríveis, marcados pelo evidente desespero que ela passou. Esteve chorando. O que a poria tão preocupada assim? De todas as formas, o que quer que tenha sido o deixou preocupado também.
– Sakura. — Chamou, puxando-a do chão com cuidado. Aninhou-a em seus braços sem outros motivos. O único era preocupação. — O que aconteceu?
– Sasori. — Apenas sussurrou. Ele desceu as mãos pelas costas dela.
– Ele a machucou aqui? — Perguntou, acariciando a coluna da rosa. Sentia que poderia machucá-la também. Tocava-a devagar. As mãos desceram para o bumbum empinadinho. — Ele te tocou aqui? — A carícia não o excitava. Ele apenas imaginava o que Sasori poderia ter feito com sua mulher. — Ele te forçou aqui? — As mãos grandes vasculhavam agora por perto da virilha dela, fazendo caminhos que a fizeram sorrir. Ele estava preocupado.
– Não. Ele ameaçou você. — Fungou. — Me diga que não vamos nos separar por isso? — Pediu."
Ele nunca negou o pedido. Casou-se com ela porque decidiu que a queria apenas junto dele. Porque a admirava quando a via atender pacientes infantis. A analisava lavando as louças. Assistia tevê com um olho. O outro a cuidava enquanto anotava remédios necessários para alguém que ele não queria saber. Havia um motivo principal para ter se casado com a Haruno.
"– Meu Deus, mais fundo! — Era um sussurro misturado com um gemido animalesco. Arrepiou-se inteiro, mexendo o pênis dentro dela por consequência do movimento inconsciente. — Mais.
Aquele momento nunca sairia de sua cabeça. O momento em que ele teve um arrepio e se mexeu desengonçadamente, fazendo-a revirar os olhos em puro deleite. Quis ter filmado aquela reação. Quis vê-la fazer de novo, mas sabia que nenhuma outra vez seria como aquela. Apenas de imaginar, seu membro pulsava. Os olhos dela perdendo o foco e rolando perdidos o fez fechar os próprios olhos.
– Sasuke. — Ela começou rouca enquanto ele investia nela ferozmente, insistindo para sair de dentro dele. Ela queria gozar. Mas ele não quis soltá-la, e quando forçou o quadril dela, surpreendeu-se com um esguicho feroz que o molhou, fazendo-o se retirar de repente da mulher. — Sas... — A voz morreu. O corpo dela praticamente convulsionou. Ele soube que, definitivamente, aquela seria a melhor de todas as transas selvagens que já tiveram e que teriam."
Ele era apaixonado pelo corpo simétrico, a voz cuidadosa, as pernas que ficavam douradas ao sol, o andar pomposo, o sorriso, o modo assustador como sempre ditava a transa e o direcionava para um orgasmo certeiro... Mas nunca disse. Até vê-la limpar a piscina da casa dos dois, falando com ele sobre algum paciente que ele mais uma vez não se importava. Ela escorregou e machucou as costas. No mesmo dia, a noite, a base de analgésicos, enrolou-se a ele na cama. Pedia carinho. Ele lhe disse enquanto dormia que a amava.
No dia seguinte, ele tentou dizer em voz alta.
"– Estou voltando. Quer alguma coisa da rua? — A voz dele sempre tornava-se menos agressiva quando falava com ela.
– Quero.
– O quê você quer?
– Compra pra mim uma coxinha daquela lanchonete na rua de trás de casa? — Ele notou um repentino tom apelativo na voz da esposa. Sorriu.
– Só?
– Quero você.
– Amo...
A frase definitivamente não poderia ter complemento. O carro de Sasuke foi esmagado. A lataria esperniou longamente, arrepiando os ouvidos de quem assistia a cena."
O mundo parou. Para ele, para ela, para os outros. A vida tornou-se sem importância. As vidas engolfaram em abismos sem fim, os dias viraram noites, e as noites, apenas noite. Não havia luz.
Sasuke se recuperou aos poucos. Ele passou a adquirir brilhos nos olhos e capturá-los das coisas, exceto quando via Sakura chorar sozinha. Ele não andava. Não sentia as pernas bem. Não podia penetrá-la fundo como antes, ou correr atrás dela para puxá-la esfomeado para ele. Ele só podia vê-la sorrir falsamente. Encará-lo com dó.
"Amo você." Ela diz uma vez mais, lembrando-se de quando ele tentou dizê-la antes do acidente. Ele passou a falar que a amava quando ela dormia. Por vezes, quando estava sonolenta.
Ela se acalmou, mas ainda chorava isolada.
Até que as coisas ficaram estranhas. Ela falava nos sonhos. Depois passou a falar sozinha. Dizia para ele que era perseguida. Aninhava-se em seus braços desajeitada, clamando por ajuda. Aconteceu algo que antes nunca ocorreu no mundo. A mente dela se desligou, reservando apenas um mundo em outra dimensão. Uma que ela criou. Ela criou ambientes, figuras, situações... Flashes da vida que se enroscavam em sua cabeça, eram colocados nos filmes que criava na mente. Em todos eles, Sasuke era quem procurava. E achou-o.
Ela criou um mundo dentro de si como refúgio.
Sakura não se mexeu nunca mais, ou mesmo acordou. Interligada por fios, recebia todas as terças e quintas visitas do marido, que era pontual. Que depois de dois anos recuperou o movimento nas pernas, ainda que tivesse de usar bengalas. Que não a abandonou.
Num dia, ele disse que a amava. Nos outros também.
Num ele não disse, mas ela sussurrou com os lábios pálidos:
– Eu também.
E ele sabia do que se tratava. Amava-a, e por isso dispensou os beijos de Karin mais uma vez, para voltar para a única mulher de sua vida: A que voltou para ele.
Sua história foi repleta de idas e voltas. Nelas, os embaraços iam além de fios rosados em seus dedos. Chegavam sempre ao extremo de pernas envoltas juntas e sorrisos colados um no outro, em lábios fervorosos e apaixonados. Até que o para sempre tenha fim.
Uchiha Sasuke, 37 anos. Escritor fracassado, empresário aposentado. Casado por 12 anos. Feliz.
Fim.
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