Paraíso Central.
8 Abra-me.
Notas iniciais
Bem, este é o penúltimo, girls. Vocês saberão o que acontece de verdade apenas no último, que será o próximo. E não será longo.
As revelações são... Peculiares. Talvez surpreendam, mas talvez vocês já desconfiem. APOSTEM!
Boa leitura.
Longe, perto... O chamado de Sasuke vinha de todas as direções possíveis e imagináveis, mas vê-lo Sakura não conseguia. Na frente do portão, pronta para abri-lo, começou a ouvir a voz do moreno. Primeiro chamava-a lentamente, calmo e triste. Depois, em algum momento que ela não se prendeu, a voz dele se tornou desesperada e doída. Por fim, um urro dele completamente animalesco a deixou sem reações, exceto a involuntária: Chorar. Sem saber porquê mais, porque havia algo mais, ela chorava.
- Sasuke. — Dizia baixo, como uma reza. — Eu preciso de você para ir.
E de repente o mundo denso ao seu redor tornou-se rarefeito e palpável. Os ventos que passaram a balançar seus cabelos rosas eram amigáveis, e uma chuva fraca começou a molhá-la em câmera lenta, gradativamente.
Barulhos irreconhecíveis ficaram em segundo plano, no volume baixo. No volume alto, entretanto, o som poderia ser o mais assustador de sua vida. Virando para a grade do portão outra vez, abaixando-se diante dele, assistiu de área VIP um pesadelo que de início não se recordava, mas a cada milésimo de segundo que a cena desenvolvia, Sakura já se sentia capaz de contar o resto da história.
Do outro lado da grade, perto dela, havia um carro prateado com vidros negros, que impossibilitavam ver quem era seu motorista. Ao longe, vindo na direção do portão, de Sakura e do carro prata, um carro azul marinho avançava vagarosamente. A Haruno já sabia quem o dirigia antes mesmo de ver, e o final da cena explodiu em sua cabeça na forma impiedosa de uma enxaqueca inabalável. Transpirou.
- Sasuke! — Gritou o mais alto que pode, agarrando-se às grades enquanto tinha a impressão de que elas derretiam em suas mãos. Na verdade ela suava. — Sasuke! — Mais alto.
A colisão foi inevitável e horrenda. O carro prata bateu de frente, avançando também para cima de Sasuke. Propositalmente.
Mas ela não se importava com o propósito de qualquer ser humano mal intencionado e cruel. Seu mundo inteiro, o ar que respirava, as viagens que fez por tulipas e Centrálias... Todas elas eram em busca de uma pessoa.
Ela sabia que ele estava no telefone, falando com ela no instante em que aquilo aconteceu. Ela lembrava-se disso! E enquanto a cena se repetia com vigor e maldade diante de seus olhos cerca de trinta e sete vezes, ela lembrava-se de tudo. De Sasuke no hospital. Sasuke chorando pela primeira vez porque não podia mover as pernas. Sasuke tendo alta. Sasuke na cadeira de rodas, fazendo exercícios, sorrindo depois de muito tempo, tentando dar prazer para ela... E ela definhando secretamente.
- Sasuke... — Sussurrou, levantando-se enquanto a cena acontecia pela trigésima oitava vez.
"Abra-me", dizia o cadeado do portão. Ela o fez, andando para a cena, chegando até o carro quando tal peça de terror acontecia pela trigésima nona vez. O carro de Sasuke parou, e ela sorriu para ele, entrando e beijando o rosto de seu amor. Cheiro de loção pós barba, ela constatou imediatamente. Mas eles já caminhavam para a quadragésima vez, e ela não estava arrependida de ir junto com ele por onde ele andasse.
A única coisa que ela não sabia é que, de qualquer forma, ela entrando ou não no carro, ele seria o único machucado fisicamente. E seria assim se ela estivesse dirigindo e ele ao lado do passageiro.
Sakura nunca entendeu que algumas coisas tem de acontecer com as pessoas certas. Coincidência ou destino, seja lá qual for o nome destes desencontros marcados, estavam agendados para Sasuke Uchiha naquele dia. Por uma boa causa. E foi por isso que colidiram de novo, explodindo em fragmentos brilhantes que subiram aos Céus.
Não houve quadragésima primeira vez. Sakura Haruno e Sasuke Uchiha estavam deitados numa nuvem. Ela com asas negras, ele com asas brancas. Estavam abraçados.
Os lábios dele sussurraram coisas contra os dela, mansos, mimados, manhosos. Silenciaram, apaixonados como estavam.
"Eu te amo." Ele disse, sorrindo para os olhos dela enquanto o céu negro caía na cabeça dos dois. E os cegava.
- Eu também.
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