Paraíso Artificial
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Kane encarou o monitor que mostrava os dados de Clarke. Ele ouviu a porta se abrir e logo Abby estava ao seu lado.
— Oi Abby, como esta o Chanceler? – ele perguntou cruzando os braços em frente ao peito. Ela continuou olhando para o monitor por alguns segundos antes de encara-lo.
— Talvez não passe dessa noite. – ela disse seca antes de encarar a foto de Clarke. – O que aconteceu com minha filha? Disseram que houve problemas.
— Aparentemente a pessoa que esta acompanhando sua filha na viagem é o mesmo que atirou no Chanceler. – Kane puxou a foto de Bellamy para o meio do monitor. – Bellamy Blake, é apenas um faxineiro. A mãe foi morta há algum tempo.
— Eu me lembro dela, a que teve o segundo filho. Manteve a menina escondida por quase 16 anos. Foi praticamente um recorde. – Abby fez uma pausa e olhou para ele. – mas como ele entrou na nave?
— Pelo que sabemos a plataforma de embarque ficou vazia durante alguns minutos, depois de Jaha ter sido baleado. Foi tempo suficiente para ele entrar na nave e tem mais uma coisa, a nave foi lançada sem permissão.
— Então ele teve ajuda de alguém. – O moreno assentiu com a cabeça. – Espero que Clarke esteja bem...
[...]
— Você esta muito quieta ai atrás. – disse Bellamy após um longo período de silencio por parte da loira. Clarke levantou os olhos do chão da floresta e encarou o moreno a sua frente.
— Você não esta nem um pouco preocupado?
— Com o que exatamente princesa? – perguntou o moreno quando o mesmo parou de andar e se virou para a loira ficando frente a frente.
— Talvez com o fato de não termos comida, água ou remédios.
Bellamy olhou em seus olhos azuis e suspirou, ele começou a olhar ao redor e após alguns minutos em silencio ela conseguiu ouvir algo parecido com o som de água corrente. Ele andou em direção ao som com Clarke em seu encalço e ao chegar mais perto viu uma cachoeira a pouco menos de cinco metros deles entre as arvores.
— Nossa... – foi tudo o que Clarke conseguiu dizer quando viu a quantidade de água diante de seus olhos.
— Acho que não vamos precisar nos preocupar com água tão cedo princesa.
Nenhum dos dois pensou duas vezes antes de entrar na água, nem mesmo se incomodaram em retirar os sapatos, apenas deixaram que seus corpos fossem banhados pelas águas. Clarke se manteve sob as pedras do lago enquanto enchia os recipientes de água um atrás do outro, Bellamy por outro lado se dirigiu para a parte mais funda onde a água chegava até sua cintura.
O moreno colocou as mãos em concha na água e levou a mesma até seu rosto o molhando com água limpa e fresca pela primeira vez em sua vida. Ele molhou seu cabelo e seu rosto diversas vezes, não se importando se suas roupas estavam ficando encharcadas no processo. Ele olhou para Clarke que terminava de guardar o ultimo recipiente de água dentro da mochila, ela ainda se mantinha empoleirada sobre as pedras, quase como se tivesse medo de entrar na água.
— Vamos Clarke... – ele disse antes de jogar água na loira que o fuzilou mortalmente após isso.
— Serio Bellamy? – ela perguntou dando um passo pra trás. – Não temos tempo pra isso. Ele apenas sorriu e jogou mais um pouco de água nela.
— Qual é Clarke, estamos andando há horas, merecemos um descanso.
— Vou descansar quando voltarmos para nave. – ele revirou os olhos e andou até ela segurando seu braço a impedindo de sair do rio. – Vamos Bellamy já vai escurecer, precisamos voltar.
— Acho que você precisa esfriar a cabeça. – ele sorriu travessamente antes de puxa-la para a parte mais funda do rio fazendo com que ambos ficassem submersos até o pescoço.
— QUE DROGA BELLAMY! – ela gritou com raiva enquanto tentava se levantar inutilmente, pois Bellamy ainda segurava seu braço a impedindo de deixar a água. Após alguns minutos ela sentiu seus músculos relaxarem com a sensação da água gelada sob eles, ela fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás, mergulhando seu cabelo por completo na água enquanto um gemido de prazer escapava de seus lábios.
— Viu, não é tão ruim assim...
— Acho que relaxar um pouco não faz mal.
— Acho que estou começando a entender. – ela abriu os olhos e viu Bellamy a encarando com um sorriso fraco nos lábios. – Você é do tipo de pessoa que esta sempre cuidando dos outros, não é? Sempre colocando os outros na frente de si própria.
— Parece a minha mãe falando. – Bellamy sorriu antes de finalmente soltar seu braço.
— Somos iguais nesse ponto princesa. Nós dois estamos aqui porque temos alguém lá em cima que depende de nós. – Clarke franziu a testa para seu comentário.
— Quem é a sua pessoa?
— Lembre princesa, limites. – ele disse antes de se levantar e sair da água. – Vamos sair, esta começando a ficar frio.
Clarke apenas revirou os olhos antes de se levantar e o seguir para fora da água. Ambos pararam a margem do lago enquanto Bellamy retirava o casaco e a blusa para torcê-los Clarke ajeitava os recipientes de água dentro da mochila, mas antes que pudessem terminar de fazê-lo um barulho em meio as arvores chamou sua atenção.
— O que foi isso? – perguntou Clarke enquanto olhava em direção as arvores esperado encontrar algum animal, mas não havia nada além de folhas.
— Eu não sei... Mas acho melhor sairmos daqui. – ele disse e Clarke se abaixou para terminar de guardar os recipientes de água.
Quando o som dos rosnados se tornou mais alto Bellamy percebeu algo se movimentando entre os arbustos a sua frente. Ele viu algo se mexendo entre as plantas e quando olhou melhor viu um animal de pelo escuro os espreitando.
— Clarke se puder se apressar... – ele disse baixinho, mas isso só fez com que o animal despertasse mais interesse. Clarke olhou para cima e viu o pelo escuro entre as arvores se movendo em sua direção.
— Bellamy! – ela gritou e o animal começou a correr em direção a eles. Bellamy pegou a arma presa no cinto de sua calça e a apontou para o animal. Ele deu dois tiros, mas o animal conseguiu desviar. Quando ele pulou para dar o bote Bellamy deu o ultimo tiro e o animal caiu morto no chão a poucos metros deles.
Ele abaixou a arma e olhou para Clarke que tinha uma expressão de medo e confusão em seu rosto. A loira olhou para o animal e depois para Bellamy que ainda tinha a arma em suas mãos e a respiração irregular.
— Você tinha uma arma todo esse tempo?
— Acho que os limites terminam aqui. – ele disse guardando a arma e olhou para o animal morto. – Pelo menos temos comida pra essa noite.
[...]
Clarke saiu de dentro da nave carregando dois cobertores, Bellamy estava em frente à fogueira terminando de assar a carne do animal que havia matado. A noite já havia caído sobre eles e a mesma acabou por se provar mais fria do que eles esperavam.
— Eu encontrei dois cobertores. – ela disse quando se aproximou dele e se sentou ao lado próxima à fogueira. – Encontrei um radio também talvez eu consiga consertar. Não tem muito, mas acho que vamos dar um jeito.
— É nós vamos dar um jeito. – ele olhou para ela e sorriu fracamente. Ela sorriu de volta e olhou para a fogueira a sua frente e os dois permaneceram em silencio.
— Bellamy, porque você não me contou da arma? – ele permaneceu em silencio. – Como eu vou saber se eu posso confiar em você se você não...
— Acho que você vai ter que me dar um voto de confiança. – ele disse sem tirar os olhos do fogo a sua frente.
— Você não vai me falar a verdade? – ela perguntou, mas ele nada disse. Clarke apenas apertou os lábios e olhou para o fogo a sua frente. – Ótimo...
Clarke se levantou e começou a se dirigir para a nave, mas a voz de Bellamy a parou antes que ela entrasse.
— Um comandante da arca me deu a arma. – Ela parou de andar e se virou para ele. O moreno ainda tinha os olhos fixos no fogo.
— Isso é um começo. – ela disse fracamente antes de voltar para perto do fogo. Ela se sentou em frente à Bellamy, ambos estava agora frente a frente com o fogo os separando. – Quer contar mais alguma coisa?
— Podemos parar por aqui?
— Certo... – ela disse fracamente enquanto se cobria novamente com o cobertor. – Quando você estiver pronto voltamos a esse assunto...
— Certo... – ele disse antes de olhar para o céu em direção à estrela mais brilhante, a Arca. Onde sua irmãzinha estava dormindo mais uma noite em uma cela.
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