Paper Rose

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oneshot para o amigo oculto das Najas. Mil perdões se não ficar do seu agrado, sério, eu tentei mesmo fazer alguma coisa que tu gostasse. Bom, espero que goste, Carolis ;)

— Sarada!

A pequena Uchiha corria pelas ruas de Konoha, desviando de tudo e todos da melhor forma possível. Lágrimas corriam pelo seu rosto fazendo caminhos em sua pele. Já era a segunda vez na semana que discutia com sua mãe sobre o paradeiro de seu pai, e no momento, até o simples som do vento batendo nas folhas das várias árvores de cerejeiras que enfeitavam a cidade fazia a sua raiva crescer ainda mais. As muitas pessoas que se colocavam em sua frente perguntando o que havia acontecido também não contribuíam para a melhora de seu humor. Ela sabia que havia apenas um lugar onde a deixariam em paz e ela poderia chorar o quanto quisesse. O seu lugar.

Sarada correu pelos portões de Konoha com a maior velocidade que conseguiu, ela sabia que não tentariam segui-la, pois todos os guardas tinham conhecimento da situação de sua família, e continuou o seu caminho até alcançar um pequeno lago escondido na floresta, onde ela costumava passar o tempo quando estava triste. Sentou-se na base de uma árvore, totalmente esgotada da corrida até ali, e descarregou tudo o que estava preso em sua garganta desde a briga com sua mãe.

— Você nunca fala nada sobre ele! Ele é como um fantasma pra mim! Eu nem mesmo sei se ele continua vivo!

— Filha, por favor, entenda. O seu pai...

— Eu não quero entender, mamãe! Eu não quero mais desculpas! Eu só quero um pai! Eu só quero... O meu pai.

As palavras de sua discussão continuavam frescas em sua mente, e não importava o quanto Sarada tentasse afastá-las, elas sempre voltavam para lhe importunar. Ela não gostava de gritar com sua mãe, sabia que a ausência do pai não era sua culpa, mas não conseguia evitar.

Todos os dias, a Uchiha via os pais de seus colegas os buscando na academia, treinando com eles e aproveitando o tempo juntos. Ela não tinha aquilo. Nem mesmo fora uma sensação arrancada de si, pois aquele tipo de coisa nunca pertenceu à vida de Sarada. É claro que ela tinha certeza do amor que sentia por sua mãe, isso não poderia ser contestado, e sabia que aquilo era mútuo, mas nunca lhe deram a oportunidade de passar com seu pai os momentos que passava com sua mãe. Ela nunca teve um piquenique com seu pai, nunca pôde treinar arremesso de kunais com ele, nem mesmo teve a oportunidade de abraçá-lo. Ela sentia falta de cada pequeno gesto que poderia realizar com ele, e aquela dor só piorava a cada dia.

Entre suspiros e soluços, Sarada detectou um mínimo ruído, vindo das árvores à sua direita. Um pequeno som que, com certeza, passaria despercebido para qualquer civil, mas não para os ouvidos aguçados de Sarada. A kunoichi rapidamente sacou uma kunai que sempre levava consigo e se posicionou para uma possível batalha iminente. Sabia que andar sozinha na floresta era perigoso, por isso não arriscava sair muito do perímetro da vila e sempre voltava antes do anoitecer. Mesmo com a pitada de medo que começava a tomar conta de seu corpo, Sarada arriscou.

— Quem está aí? – e sua voz não vacilou nem por um segundo.

Segundos se passaram em um profundo silêncio, Sarada já estava prestes a aceitar que o ruído fora causado por algum animal, quando uma figura conhecida fez caminho entre as folhas e parou alguns metros à sua frente.

— O que diabos você está fazendo aqui?! Por quanto tempo ficou me observando?!

Inojin Yamanaka se encontrava imóvel em sua frente, apenas sua boca abria e fechava, como se tentasse arranjar uma explicação para acalmar a ninja enraivecida a sua frente. Sem sucesso. Sarada estava prestes a arrancar uma resposta a força quando o garoto subitamente começou a falar.

— E-Eu posso explicar. Não é o que você está pensando. Cheguei há pouco tempo. Demorei um pouco para achar este lugar. Vi você correndo pra fora da vila e fiquei... hã... preocupado. – Está última palavra sendo quase inaudível.

Aquilo fez Sarada corar um pouco. Tentou se convencer que o motivo era a vergonha que estava sentindo por tratá-lo daquele jeito minutos atrás. Mas havia um pedaço de si que permanecia repetindo a última palavra dita por Inojin. “Preocupado”. Por que ele deveria estar preocupado? Os dois mal se conheciam, e as poucas vezes em que haviam se falado foram por causa da amizade de suas mães. Poucas palavras, mesmo porque Sarada não era boa com diálogos longos com pessoas que não conhecia bem.

Virando de costas para esconder a vermelhidão em seu rosto, Sarada pigarreou e disse:

— Eu estou bem. Não foi nada. Não precisa se preocupar. E, só para constar, não gosto de pessoas me seguindo ou se metendo em minha vida. Da próxima vez, não venha atrás de mim. – e sentou na base da árvore logo sem seguida.

Inojin, mesmo um pouco nervoso com o recém aviso da kunoichi, andou até o seu lado e pediu permissão para sentar-se, o que ela concedeu, com um pouco de hesitação. Ficaram lá, sentados em silêncio por alguns minutos, os dois apenas observando as águas cristalinas do lago e ponderando se deveriam falar alguma coisa. Até que, quase cinco minutos depois, Inojin quebrou o silêncio.

— Então... Por que estava chorando?

O menino não conseguiu conter o súbito pulo que deu para o lado ao encarar uma Sarada fervendo de raiva a centímetros dele.

— Desculpe, eu não queria... Eu não queria me intrometer. Só... Às vezes é melhor desabafar do que manter os problemas para si mesmo.

Aquilo realmente surpreendeu a Uchiha. O garoto parecia saber o que dizia – mesmo demonstrando ter praticamente a mesma idade de Sarada – e não mostrava sinais de querer deixá-la em paz. Depois de mais alguns minutos, enfim, Sarada cedeu. Contou com detalhes tudo o que havia acontecido, desde a briga com sua mãe, os motivos dela, até a sua fuga para a floresta. Inevitavelmente, algumas lágrimas escorreram de seus olhos durante o processo, mas, ao terminar, ela realmente sentia como se houvesse tirado um peso das costas. Não, ela não havia o tirado. Agora ela estava compartilhando-o, para que alguém pudesse ajudá-la a carregá-lo. Para que não precisasse enfrentar seus problemas sozinha.

— Sarada, eu... Sinto muito.

E naquele momento a máscara que escondia os sentimentos da Uchiha caiu completamente. Ela desabou no ombro do Yamanaka, que apenas a deixou colocar aquilo pra fora.

Depois de algum tempo, ela se acalmou. Foi aos poucos voltando ao normal. Até que Inojin disse:

— Agora você não precisa mais aguentar isso sozinha. Quero que saiba que eu sou seu amigo, e estarei com você sempre que precisar.

Após terminar a frase, o loiro levantou cuidadosamente, pegou seu bloco de notas que sempre levava no bolso, um lápis e desenhou uma linda rosa vermelha. Arrancou a folha e entregou para Sarada.

— Aqui. Sempre que se sentir sozinha, pegue essa rosa e lembre que você não está.

Antes que a garota pudesse dizer qualquer coisa, uma voz foi ouvida de trás deles.

— Sarada! Inojin! Vocês estão aqui?!

Os dois se levantaram e seguiram em direção às luzes de lanternas ao longe.

— Sarada! – Sakura veio correndo tomou a filha nos braços. – Kami-sama, estou tão feliz que você esteja a salvo!

— M-Mamãe, muito apertado...

— Oh, me desculpe – disse, afrouxando o abraço. – Querida, me desculpe por tudo aquilo mais cedo. Eu sei que você sente falta do seu pai, e sei que nós duas gostaríamos muito que ele estivesse aqui, mas...

— Não, está tudo bem, mãe. Eu é que devo desculpas. Eu sei que o papai está em uma missão, e... – Sarada desvia o olhar para Inojin, que sorri para ela – sei que ele estará de volta logo. – completa, sorrindo para a mãe, que a puxa novamente para um abraço.

O Yamanaka, que até então estava observando-as de longe, subitamente é puxado por alguém.

— Inojin! Seu moleque! Que bom que está bem! – Ino o abraçava enquanto alternava entre mimá-lo e lhe passar um sermão por preocupá-la. O menino acabou descobrindo que estavam desaparecidos há horas, e um grupo de voluntários foi formado para procurar por eles. Apesar de estudantes da academia ninja, ainda eram crianças e muitas vilas poderiam tentar se aproveitar de suas informações. Seu pai havia ficado no grupo encarregado de cobrir a parte oeste da floresta, enquanto sua mãe e Sakura haviam ficado com o grupo da parte oeste. Ele e Sarada entraram em um acordo silencioso de encobrir o fato de que nem notaram que a noite já começava a surgir, e, felizmente, suas mães estavam tão felizes de vê-los novamente que nem se preocuparam em fazer mais perguntas.

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Chegando ao portão da vila, foram recepcionados por um grupo de pessoas. Dentre elas: Sai, que já havia voltado para recebê-los, o Hokage e sua esposa, Hinata, com seus dois filhos, Himawari e Boruto, um casal de senhores que Inojin julgou serem os avós de Sarada, e alguns outros moradores locais que simpatizavam com as duas famílias.

Antes de voltar pra casa, Sarada verificou se ainda estava com o presente dado pelo Yamanaka. A rosa desenhada por ele era tão bonita e realista que ela quase podia sentir o seu cheiro. Com toda certeza, ela guardaria aquele presente com muito carinho. O primeiro presente que recebeu do menino que mal havia entrado em sua vida e já ocupava um lugar especial.

— Então... Boa noite. – ela disse ao aproximar-se do rapaz.

— Err... Boa noite, Sarada.

— Te vejo amanhã na academia?

— Ah, sim! Sim. Com certeza.

Depois de alguns segundos sem troca de palavras, o loiro deu meia-volta e foi seguindo até seus pais, que conversavam com uma família de vizinhos do seu clã, mas foi surpreendido quando uma mão delicada agarrou seu pulso e lhe puxou para dar-lhe um beijo rápido na bochecha.

— Até amanhã. – E a kunoichi saiu correndo pela rua até alcançar sua mãe. Antes de dobrar a esquina, virou-se e deu um lindo sorriso direcionado para o Yamanaka, que se encontrava totalmente imóvel, com as bochechas coradas e a boca levemente entreaberta.

— Filho...?

— Hã? O que? Que foi, papai?

— Eu é que pergunto. O que faz aí olhando como um bobo para a rua? Por acaso bateu a cabeça enquanto estava na floresta? Haha.

— Dá um tempo, pai. – respondeu, contendo o riso, pois realmente estava em uma situação engraçada. Como uma simples garota havia o deixado daquele jeito? Ele não sabia como responder. Então, achou melhor ir logo pra casa. Talvez seu pai estivesse certo, e ele realmente houvesse voltado diferente da floresta, pois, estranhamente, sentia uma sensação em seu estômago que nunca havia sentido antes.

Mas Inojin ainda não tinha a menor ideia do poder que Uchiha Sarada exercia sobre ele.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!