Paper Planes

1 Falling Down


Notas iniciais
Ones, como as amo.Espero que gostem dessa nova.ENJOY.

Está caindo. Tudo o que vejo são resquícios de algo que está descendo a uma velocidade cada vez mais acelerada. Sei o que está acontecendo, era o que mais temia, o meu maior medo se realizando.

Há alguns dias estava na Austrália com meus pais. Época de férias escolares, consequentemente significava viagem em família. Morava em Toronto no Canadá, e estava em Sidney. Não foi nem um pouco bom deixar a temperatura amena de meu país e me dirigir ao “inferno” que era a Austrália.

Finalmente era o dia em que voltaríamos, não esperava a hora de pousar na minha adorada cidade e ser atingido por lufadas de ventos amenos, sem aquele calor que me fazia suar só de pensar. Já estávamos quase chegando ao nosso destino, mas fomos pegos de surpresa por uma chuva muito forte. Isso me matou por dentro, sempre tive medo de viajar de avião com chuva, tinha medo de o avião cair e todos morrermos.

Um raio. Um lampejo. Uma luz forte. Um estrondo.

O suficiente para atingir a asa direita do avião particular de meu pai, e acabar com ela, desequilibrando o avião. Sabia o que era, sabia o que viria.

Logo estávamos caindo. Minha mãe consolava minha irmãzinha do lado, falando “não é nada minha querida, pode voltar a dormir”, mas a cara dela não garantia a segurança, ela estava espantada, mas minha irmã apenas fechou os pequenos olhos azuis e tentava adormecer enquanto minha mãe lhe afagava os cachos cantando uma canção de ninar.

Literalmente, nossa vida era como aviões de papel, frágeis e fáceis de serem aniquiladas.

[...]

Acordei em um local arejado dando de cara com um relógio negro. Marcava três da manhã. Pensava em que lugar estava, mas infelizmente não tinha essa resposta.

Olhei para os lados e vi minha avó sentada em uma pequena poltrona. Ela trajava apenas um vestido rosa e um cordão de ouro com “Juliet”, seu nome, escrito. Ela cochilava, pensei que deveria ter um tempo que ela estava ali comigo. Só então me caiu a ficha de onde me encontrava.

Estava no hospital. Lembrei-me do acidente, isso me causou um aperto no coração. Mas vamos por partes.

Sou Nick Westfall, tenho dezessete anos, moro em Toronto e sobrevivi a um acidente. Mas quem mais sobreviveu?

Sou vencido pelo cansaço e novamente apago.

Acordo e novamente encaro o relógio negro. Marcava agora nove da manhã. Ao abrir os olhos vejo que minha avó e minha tia Thelma estão perto de mim, e recebo logo um sorriso de ambas. Vejo uma pequena lágrima de felicidade escorrendo pela bochecha de minha avó.

– Está tudo bem querido? – perguntou Juliet

– Sim. – respondi forçando um sorriso. – Hm... é....

– O que foi? – perguntou minha avó novamente.

– Fui o único sobrevivente? – perguntei segurando as lágrimas.

Arrependi-me de ter feito essa pergunta instantaneamente. Foi um choque, mas já sabia a resposta, ninguém tinha sobrevivido.

– Não meu querido. – disse minha avó chorando. – Infelizmente ninguém, mas felizmente você sim.

– E quando posso sair daqui?

– Apenas amanhã. – ouvi um médico prostrado na porta. – Sua tia me avisou que acordou. – disse comum sorriso simpático. – Você está totalmente recuperado, mas vai levar alguns dias. E fico feliz que finalmente acordou.

– Há quanto tempo não acordava?

– Há um mês. – disse minha tia.

[...]

Estava me mudando para a casa da minha avó, felizmente ainda era no meu adorado Canadá, mas ficava em Vancouver. Não gostei de ter de deixar minha casa, mas era necessário, tinha que me desvincular, infelizmente.

A casa de minha avó era simples, uma casa em estilo germânico com um pequeno jardim de flores na frente, e um quintal com árvores frutíferas e uma piscina. Nessa mesma casa morava minha tia Thelma e seu filho Caine. Sempre me dei bem com meu primo mais velho, ele sempre conseguia me animar, principalmente com as partidas de vídeo game, considerava-o como meu irmão mais velho, podia contar com ele para tudo.

Minha avó já não era assim tão nova, já estava na casa dos cinquenta e cinco, mas possuía uma energia de uma pessoa de vinte anos, sempre fiquei admirado com a jovialidade dela e com seu carisma.

Os hotéis Westfall em Toronto ficariam no meu nome, devido ao testamento deixado por meu pai, mas como ainda não era maior de idade, minha tia Thelma quem cuidava de tudo. Fiquei feliz com isso, já que aquele dinheiro ajudaria aqui na minha nova casa, já que minha avó era aposentada e Thelma trabalhava, não conseguindo sustentar muita gente.

– Querido, lembre que amanhã você já tem aula. – disse minha avó com sua voz doce.

– Mas já? – disse fazendo um bico.

– Já sim baixinho. – disse meu primo descendo para a sala, onde acabávamos de chegar e me abraçando. – Como está meu irmãozinho?

– Irmãozinho o cacete, já tenho dezessete anos.

– Ainda é baixinho.

– Vai se fuder. – disse sorrindo. – É bom te ver Caine.

– Digo o mesmo Nick. – disse me abraçando e apertando minha bunda.

Lembrei-me do que sentia falta: sexo. Ainda bem que tinha meu primo ali comigo, só ele sabia da minha verdadeira opção sexual, e eu sabia que ele era bi, então nos meio que tínhamos um caso, mas não amoroso, era apenas sexual. E precisava de sexo, e acho que hoje conseguiria, principalmente porque eu e Caine dividiríamos o quarto. Apenas vi ele me dirigir um sorriso safado enquanto subia as escadas.

– Você precisa comer, olhe só está tão magro. – disse minha avó trazendo uma bandeja de pão de queijo e um copo grande de leite com achocolatado.

Avós e sua mania de pensar que estamos magros” pensei. Mas concordei em partes com ela, eu tinha emagrecido muito desde o acidente, e nada melhor do que ter esses quilos de volta com os pães de queijo da minha avó. Aceitei de bom grado a bandeja e me dirigi à TV onde estava passando Pânico 4. Não sei muito bem o porquê, mas não vejo graça e nem medo nesse tal de Ghostface, chega a ser até engraçado alguma mortes.

Após o filme fui para o banheiro e me coloquei sobre os jatos quentes do chuveiro. “Ah como é bom água quente” pensava. Fazia tempo que não tomava um banho decente, e enquanto meus orbes estavam fechados a imagem do meu primo veio em minha cabeça, fazendo com que meu membro acordasse, sabia o que me esperaria no quarto, e dei um sorriso por isso, e desliguei o chuveiro.

Dirigi-me ao quarto onde dormiria com Caine, chegando lá percebi como que o quarto dele mudara. Agora estava pintado com um azul claro, e com nuvens pintadas de branco no teto, simplesmente lindo. Vi minhas malas prostradas entre a escrivaninha e a pequena estante com livros. Mas reparei algo em especial, meu primo de cueca na cama de casal, a única cama do quarto.

– Não nos preparamos para sua vinda. – disse coçando a cabeça com um sorriso simpático.

– Percebi. – respondi brincando. – E onde vou dormir? – indaguei com um sorriso safado.

– Comigo. – disse ele vindo até mim e me beijando.

– Sabe. – ele disse separando nossos lábios. – Senti saudades.

– Eu também. – respondi retirando minha toalha.

– Acho que agora não baixinho. – disse ele pegando a toalha no chão. – Estão todos acordados, quando formos dormir aí sim. – disse com um sorriso safado. – E hoje quero ver se você sabe comer um homem. – disse virando de costas e indo em direção ao banheiro. Meu membro enrijeceu só de pensar em comer o meu primo.

Me para as minhas malas e retirei uma cueca vermelha e me vesti. Procurei um livro na estante, um que não tinha lido. “Parece que Caine renovou a biblioteca” pensei e retirei o livro As Vantagens de Ser Invisível, me deitei na cama e comecei a lê-lo.

Por volta das onze horas, minha avó passa em frente ao meu quarto anunciando que já iria dormir.

– Estou indo e lembre-se que amanhã tem escola.

– Sim, vó. – e assim ela se dirige ao quarto dela e da minha tia, que ficava próximo a cozinha, no andar debaixo.

Meu coração se aperta ao ver meu primo entrar no quarto de cueca, e fechar a porta, não se esquecendo trancá-la com a chave. Ele apenas olha pra mim com um olhar safado, um olhar de um predador sobre a presa. Aproxima-se em passos lentos e deita-se ao meu lado.

– Como está baixinho?

– Estou bem. – respondi fechando o livro. – É difícil suportar, mas vou indo. – E você, novidades?

– Bem, agora vovó e mamãe sabem que sou gay.

– Deixou de ser “bi”? – indaguei fazendo aspas com os dedos em bi.

– Idiota. – disse rindo. – mas sim, estava namorando até mês passado. – disse suspirando.

– E qual era o nome do cego? – perguntei irônico. – Afinal pra te querer tem que ser cego. – disse sorrindo. Mas estava mentindo, quem seria burro de não querer Caine? Loiro de olhos verdes, corpo definido pela natação e uma bunda de fazer inveja em algumas garotas, que não tinham nada de bunda. Eu me diferenciava muito. Eu era moreno, alto e corpo normal. Minha bunda era bela (na opinião de Caine), mas eu tinha olhos azuis.

– Tem pessoas que me querem, assim como você. – disse sorrindo. – Mas o nome dele era Mark, conheci em uma balada. Namoramos sério, por uns quatro meses, até minha amiga mandar um foto dele ficando com outro cara. Aí brigamos e não quis saber mais dele.

– Que cara filho da puta. – respondi.

– Você poderá realizar um fetiche amanhã. – ele disse com um olhar safado.

– E qual seria? – indaguei.

– Ter uma tara pelo seu professor. Já que serei seu professor.

– Como é?

– Vovó pediu para que eu lhe ensinasse, sua escola é aqui mesmo. – disse com um brilho nos olhos.

– Que idiota. – respondi o socando de brincadeira. – E posso conhecer esse professor hoje? – indaguei alisando seu corpo.

– Pode conhecer agora. – disse um tanto safado.

Caine me puxou para mais perto de si e me beijou, começou com beijos e selinhos calmos, mas se esquentaram, tornando sedentos pela boca um do outro. Desci com uma mão a cueca dele e a minha, e logo estava apalpando suas nádegas enquanto o beijava.

– Anda logo Nick, hoje é uma rapidinha, temos que dormir para acordar cedo. – ele disse.

Apenas concordei com a cabeça e o virei de bruços. Com a ajuda do lubrificante fui colocando todo o meu membro dentro do meu primo, quando já estava tudo dentro dele, me paralizei, para que Caine se acostumasse. Após uns minutos, ele sinalizou para que eu pudesse começar as estocadas, e comecei com fracas e lentas estocadas, o ouvindo gemer baixinho. Isso me excitou e já aumentava minha velocidade, às vezes encostando na sua próstata e o fazendo gemer. Aumentei minhas estocadas e após um tempo gozei dentro dele.

Vi que ele ainda estava rígido e me abaixei e abocanhei o membro dele. Lambia a glande arrancando gemidos dele e fazia movimentos de vai e vem, e não demorou para que ele gozasse na minha boca, engoli e subi o beijando, fazendo-o sentir seu próprio gosto. Aninhei-me ao seu peito e ali adormeci.

[...]

Dez dias se passavam que estava morando com minha avó. Acabei por me acostumar com a rotina daquela casa, a mesma rotina de sempre. Acordava, tomava meu banho, comia meu café da manhã, via televisão, almoçava, depois aulas com Caine, depois lia algo.

Minha avó dizia que precisava de um amigo, ou de uma namorada, para que eu saísse de casa, conversasse, fizesse algo que não estivesse relacionado a ficar em casa.

Hoje mesmo percebi que um caminhão de mudanças se posicionava na casa ao lado a minha, e ali uns homens descarregavam móveis e caixas de papelão. Percebi que era uma família que se mudava, vi ao longe todos aqueles integrantes, um homem que parecia ter uns cinquenta anos, uma mulher que aparentava uns quarenta e dois filhos, um menino que parecia ser da minha idade e uma menina pequena.

Naquela tarde, após o termino das minhas aulas e atividades com Caine, me dirigi para o jardim da frente, apenas observando vários carros que passavam pela rua, e umas pessoas que caminhavam, uma ou outra com algum cão. Esse meu momento de solidão chega ao fim ao escutar barulho de passos na grama, imagino que deva ser meu primo.

– Oi. – disse uma voz estranha para mim. – Sou Rafael. – disse sorrindo de lado e se sentando ao meu lado na grama.

– Oi. – disse. – Sou Nicholas, mas me chamam de Nick.

– Pelo que percebi somos vizinhos. – disse ele puxando assunto.

– É, você vai gostar do bairro, bem tranquilo. – respondi o analisando. Ele tinha olhos marrons e uma boca que dava vontade de beijar. Seu cabelo era bagunçado, mas o deixava fofo, e usava óculos que dava um charme para ele.

– Parece ser legal mesmo. – disse observando uma mulher com um husky siberiano. – e você parece ser muito legal, mas é um pouco fechado. – disse sorrindo e percebi que ele me analisava.

– Sou um pouco mesmo. – disse rindo.

– Então vou te contar da minha vida, quem sabe não faz com que se abra e se torne meu amigo, aliás, meu único amigo aqui. – disse sorrindo.

– É, pode ser. Conto, entretanto só depois de você. – disse exibindo minhas covinhas.

– Primeiro você fica fofo com essas covinhas. – sorriu. – Segundo, vamos começar logo. Sou Rafael, como já sabe, tenho dezesseis anos, me mudei para Toronto hoje, vim de Franca no Brasil, meu pai, Matheus, é engenheiro civil, minha mãe, Isabela, professora de química e eu sou estudante. – disse rindo.

– Brasil é? Sou descendente de lá, meu avô era brasileiro, conheceu minha avó aqui, apenas visitei lá algumas vezes e não suportava o calor.

– Então você não curte nenhum tipo de calor? Nem o corporal? – disse maliciosamente.

– O quê?

– Estou brincando cara. – disse entre risos. – Agora fale de você.

– Bem, você já sabe o meu nome, tenho dezessete anos, vivo aqui desde uns dias atrás, quando me tornar maior de idade serei o dono dos Hotéis Westfall em Vancouver, devido à herança do meu pai. Bem, atualmente vivo com minha avó, minha tia e meu primo, não tenho pais, pois sou o único sobrevivente do acidente que matou meus pais e minha irmãzinha. – não pude segurar uma lágrima que insistiu em cair ao falar da minha família, e Rafael a limpou com as costas da mão.

– Hey. – disse ele se aproximando de mim e me abraçando. – não sei muito bem o que falar, mas um abraço tem mais significado do que palavras.

Era impressionante, mas o abraço dele parece que mexeu comigo, não sei o que poderia ser, mas era bom, me fazia sentir bem comigo mesmo e me esquentava com seu calor. Esse ato foi atrapalhado por Isabela, que chamava Rafael para entrar.

– Bem Nick, já vou indo. – disse se levantando e depois me ajudando a levantar. – Até mais. – disse beijando minha bochecha fazendo com que me arrepiasse e quisesse agarrá-lo ali mesmo. — Só não te beijo agora porque tem gente na rua, passa uma hora na minha casa. – sussurou com um sorriso malicioso não antes de apertar minha bunda.

– Só me diga quando que passo lá. – disse gritando aos risos enquanto ele corria para casa.

[...]

Os dias tinham se passado rapidamente, e minha amizade com Rafa só aumentava, ficava impressionado como uma pessoa podia ser tão fofa, carinhosa, idiota, zoeira, gente boa.

Naquela noite era aniversário do Rafa, ele daria uma festa para algumas pessoas, aproveitando que seus pais foram ao Brasil e como Rafael não quis ir, ficou e me chamou para dormir em sua casa hoje.

Tinha acabado de entrar no banho quando ouço a porta do box abrir e Caine entrar no banho comigo.

– Sabe que existe privacidade não? – disse a ele.

– Sabia, mas só que pensei em um banho a dois é mais animado. – respondeu se encoxando em mim.

– Sai fora Caine. – disse o afastando com a mão.

– Agora que está com um namoradinho vai me dispensar? – indagou.

– Não to namorando, só não estou a fim hoje. – disse o beijando e o conduzindo a sair do box.

Finalmente consegui retirar Caine do banheiro. Perguntava-me às vezes o porquê dele querer tanto sexo. Lógico que era ótimo transar com ele, mas às vezes passava do ponto.

Saí do banho e vi Rafa jogado na minha cama.

– Você fica lindo de toalha. – disse se aproximando de mim. – Mas prefiro sem. – disse desenrolando a toalha e me beijando.

– Você é um pouco safado. – disse entre beijos. – Mas não podemos ficar assim. Minha avó está em casa, fora que já está quase na hora da sua festa. – disse me abaixando e pegando a toalha.

– Só não empina essa bunda para mim porque já fico duro. – comentou.

– Vai se fuder. – respondi.

– Vem comigo que me fodo. – disse sorrindo maliciosamente.

– À noite eu vou. – respondi a caminho do meu guarda roupa.

Escolhi uma camisa pólo verde claro e uma calça preta. Acabei por calçar um tênis também preto com pequenas listras brancas. Eu meio que arrumei meu cabelo, que era simplesmente bagunçá-lo. Não que ficasse feio, ficava ótimo, ficava parecendo um cabelo rebelde e eu gostava assim.

Agora finalmente pude reparar como Rafa estava. Vestia-se com uma camisa pólo vermelha e uma calça azul escuro. Não podia deixar de pensar em como ele era bonito, mas odiava deixar isso transparecer, estava sempre ofuscando sua beleza.

– Ficou um “gaxinha” – disse se aproximando de mim.

– Você e esta palavra idiota. – disse rindo.

– Mas agora você está com um idiota. – disse me beijando e me abraçando por trás.

– Estou? – disse arqueando a sobrancelha. – Não temos nada. – disse o provocando.

– Então. – disse me virando e colando nossas testas. – Será que alguém. – disse fazendo uma pausa.

– Será o que?

– Que esse alguém. Uma pessoa completamente idiota, lerda, linda, gostosa e sexy. Ele é tudo isso.

– E qual o ponto disso tudo? – indaguei já sabendo o que viria.

– Bem esse alguém, que é você, está me fazendo apaixonar. E será que esse alguém está disposto a namorar comigo?

– Acho que esse alguém está sim. – disse o puxando para mim e selando nossos lábios. – Mas esse outro alguém tem uma festa de aniversário, que por acaso é sua própria festa, então é melhor irmos.

– Concordo. – respondeu me beijando novamente e unindo nossas mãos, nos dirigindo para a casa dele.

– Por que estão de mãos dadas? – perguntou minha avó quando chegamos ao andar de baixo.

– Bem, agora somos namorados. – respondeu Rafa, e profundamente desejei que isso não estivesse acontecendo.

Mas a reação não foi a que eu esperava. Esperava que ela viesse gritando comigo e me expulsando de casa. Mas ela apenas sorriu.

– Só espero que não o machuque Rafael, ele já sofreu muito e ainda sei como cortar seu pintinho. – ela disse, e sorriu ao vê-lo ficar espantado.

– Obrigado vovó. Mas agora temos uma festa, tchau.

– Tomem cuidado queridos.

Após uma hora que eu já estava na casa do Rafael, finalmente chegaram mais pessoas. Só conheci algumas, que eram do bairro, mas conforme iam chegando, Rafa me apresentava para elas, me fazendo corar ao falar “E este é meu namorado Nick”.

Eu simplesmente dava um “Oi” e me encolhia com vergonha.

Enquanto Nick ficava conversando com alguns amigos eu fiquei com algumas pessoas que conhecia e tinha feito uma boa amizade. Eram eles Thais, Andrew, Peter, Matthew e Bia. Eles eram o tipo de pessoas que eu amava estar por perto. Aquelas pessoas idiotas e divertidas, que te faziam rir o tempo todo, e eu simplesmente amava isso.

A festa teve uma longa duração. A música estava muito boa, reconheci algumas como Bouncer, Summer, Years, Cinema e Finale. Dancei muito, quase que a noite inteira, às vezes dançava com meus amigos ou estava dançando agarrado ao Rafa (só não sei se é possível dançar eletrônica agarrado).

O canto dos parabéns foi simples e eletrônico – sim existe um parabéns eletrônico – mas seguido por pessoas que jogaram eu e Rafa nos braços e nos jogaram na piscina. Lógico, não podia deixar esse momento em vão, e emergíamos da água em meio a um beijo. Ouvi palmas e assobios e não pude controlar o rubor que tomou conta do meu rosto.

– Deve ser difícil ser namorado do Rafa. – disse Thais se aproximando e me entregando uma toalha.

– É mesmo. – disse sorrindo. – Você tem que tomar um cuidado do capeta para não ser abusado.

– Imagino. – disse ela rindo. – Ele é sempre muito safado.

– Quem sempre é muito safado? – ouvi a voz de Peter se aproximando.

– O casal assanhado. – respondeu a morena colocando os pés na beira da piscina.

– Ei. – disse fingindo estar ofendido. – Eu não sou assanhado.

– Sempre soubemos Nick. – comentou Pedro se sentando na grama perto da água. – Sua cara é de comportado, mas não nos engana.

– Nick tem cara mesmo de ser safado, já descartei a parte do comportado. – disse Bia sentando-se ao lado da Thaís.

– Hoje resolveram fazer um júri contra mim? – perguntei olhando para a água iluminada pelas luzes neon.

– Isso nem é um júri. – disse Thais jogando água em mim.

– Isso é quase como o tribunal da inquisição. – disse rindo. – Me julgando assim.

– Sempre soube que você queria sexo o mais rápido possível com o Rafael. – disse Bia rindo, mas esse riso foi logo interrompido quando mergulhei com ela na água. – Seu boiola. – disse entre risos.

– Mas sei que me ama Biazinha.

– Vai se fuder. – disse pegando a toalha com Peter e se enxugando.

Isso foi praticamente o que ocorreu de interessante na festa. Fora a briga entre Maya e Sophie, tudo porque o namorado de Maya a traiu com Sophie, posso comentar que foi uma briga e tanto.

Subi com Rafa para seu quarto para finalmente me descansar “ou fazer coisas mais interessantes” dizia minha consciência, “É quem sabe” acabo por concordar comigo mesmo.

Fico espantado com a organização do seu quarto. Era tudo tão arrumado, cama arrumada, mesa de estudo com tudo organizado e a prateleira com seus livros estava simplesmente impecável.

– Seu quarto nem parece um quarto de homem. – comentei rindo nasalmente.

– Muitos me disseram isso. – disse sorrindo. – Mas gosto assim, tudo organizado.

– Isso é estranho e fofo. – comentei.

– Mas vai ficar falando do meu quarto ou quer me beijar? – perguntou.

– Vamos continuar com o quarto então. – disse ironicamente. – Verde é sua cor favorita? – disse fingindo ter atenção nas paredes pintadas de verde, quando o sinto me abraçando por trás.

– Sim, verde é minha cor favorita. E sabe qual o meu gosto favorito? – indagou.

– Chocolate? Pizza? Carne? – brinquei.

– O da sua boca. – disse tomando meus lábios para si.

Beijou-me calmo e quando pediu licença para a sua língua, e eu cedi.

Ele me deitou calmamente na cama entre beijos. Com certeza foi a melhor sensação que já senti, era um frio na barriga, um nervoso, e eu sabia principalmente que ele era a pessoa certa.

Suas mãos percorriam toda a extensão do meu corpo, com um carinho que achava impressionante. Seus beijos, tranquilos e sem pressa, era como se ele tivesse todo o tempo do mundo para tal coisa, e quisesse aproveitar todo esse momento.

– Já te disse que me apaixonei por um garoto idiota? – indagou Rafa.

– E quem seria esse garoto? – respondi com uma indagação enquanto o beijava, não podia simplesmente largar aqueles lábios.

– É você! Eu simplesmente te amo. – disse voltando a me beijar.

O que achava uma calma começou a se apressar. Ele já estava mais ofegante e seus beijos mais necessitados procuravam minha boca com uma ferocidade e sua língua travava uma batalha com a minha.

Sua mão já apertava minhas nádegas, minha coxa, e às vezes arranhava minhas costas. Mas isso não quer dizer que eu não me movia. Minhas mãos também se moviam com tal fervura, querendo tocar cada extensão daquele corpo.

Senti ele se arrepiar ao tocar seu peitoral com minhas mãos geladas, e lhe retirar a camisa. O mesmo ocorreu comigo, só dele me tocar já me arrepiava. Ele retirou toda minha roupa, e ao descer a cueca, encontrou meu membro já ereto. Ele simplesmente me encarou com seus orbes negros, e abocanhou meu falo, sem antes dar um sorriso safado.

Fui ao paraíso e voltei ao sentir seu língua passear pelo meu pênis. Eu já gemia um pouco alto. Sua boca era simplesmente divina. Quando sua língua passava pela glande, não conseguia conter mais um gemido e um arquear com as costas.

– Sabe. – ele disse retirando meu membro da boca e me encarando. – Eu quero sentir você em mim. – disse ele abaixando sua calça e cueca.

Meu membro simplesmente endureceu ainda mais, só de pensar que irei estar dentro dele. Não pude deixar de encarar seu membro que também estava mais que rígido, e pensar que também o queria dentro de mim. Prostrei-me em pé, e fui beijando-o até que suas costas se apoiassem na parede.

O beijava com um fogo que eu não tinha antes, e eu também poderia dizer o mesmo, apenas pelo modo que ele também me beijava.

– Acho que alguém está pegando fogo. – disse enquanto me dirigi ao seu pescoço, o beijando, e arrancando gemidos, que eram notas doces ao meu ouvido.

– Sim. – ele disse arqueando as costas e deixando escapar outro gemido, me excitando ainda mais. – Está esperando o que para apagar meu fogo com sua mangueira?

Ele não precisava nem pedir duas vezes. O virei, e beijei seu pescoço enquanto roçava meu membro em sua entrada. Fui adentrando com meu falo aos poucos, para amenizar a dor. Quando adentrei totalmente, beijei seus lábios que se encontravam vermelhos, para fazê-lo esquecer da dor. Beijava seus lábios, e comecei a fazer movimentos leves, para já acostumá-lo.

Ele já rebolava para mim enquanto já dava estocadas mais rápidas e profundas. A cada vez que lhe acertava a próstata ele soltava gemidos que me faziam querer continuar cada vez mais.

Meu prazer já estava no limite. Seus gemidos aumentavam ainda mais esse prazer que eu estava sentindo. Comecei com estocadas mais rápidas, e não me agüentei mais e acabei por gozar com meu membro ainda dentro dele. Deitamos na cama, e sentia seu membro ainda rígido encostando em minha coxa.

– Vejo que ainda tem alguém duro. – comentei olhando para seu membro.

– É. – disse olhando para minha bunda. — Mas acho que tenho uma maneira de gozar.

Ele me virou de bruços e se deitou sobre mim. Só de sentir seu membro na minha entrada, meu membro já ficou rígido novamente. Ele se deitou e começou a beijar meu pescoço. Dessa vez era eu que alimentava seu prazer com meus gemidos que escapavam sem meu consentimento.

A dor foi insuportável, mas não podia deixar transparecer isso. Apenas respirei fundo, e quando senti todo o seu membro dentro de mim, ele trouxe seus beijos para me fazer esquecer essa dor, e realmente funcionou, seus beijos me traziam paz.

Quando já tinha me acostumado, rebolei em seu membro, sinalizando que já estava na hora para ele me fuder.

Ele começou com estocadas lentas, e às vezes acertando minha próstata, me levando novamente ao paraíso e deixei escapar mais gemidos do que pensei.

– Geme mais alto. – ele disse beijando meu pescoço, arrancando gemidos meus. – Ainda quero ouvi-lo gemer meu nome. – disse dando uma estocada profunda acertando meu ponto, me fazendo soltar um gemido estranho, que era para ter sido seu nome.

Suas estocadas continuaram rápidas, me delirando. Eu não me aguentava mais, acabei gozando sem encostar em meu pênis.

Ao ejacular, consequentemente apertei seu membro que estava dentro de mim. Acho que isso foi o suficiente para que ele também gozasse e deitasse por cima de mim, exausto e com um sorriso de satisfação.

Virei-me para ele, e o beijei. Seus lábios nos meus era tudo de que precisava. O abracei e ele se deitou sobre meu peito, me fazendo sentir como se eu necessitasse de protegê-lo, e me sentia assim, realmente. Ele era meu pequeno -bem não era muito diferença, mas ele ainda era menor que eu- meu bem precioso, e iria protegê-lo.

Pensando assim, adormeci.

[...]

Os dias se passaram rápido. E meu relacionamento com o Rafael estava simplesmente a mil maravilhas. Era ótimo quando ele vinha para minha casa, e víamos um filme qualquer, o que era apenas uma desculpa para que eu ficasse abraçado com ele e o beijasse.

Chegou o dia que iríamos contar para seus pais o nosso relacionamento. De acordo com Rafa, a mãe dele já sabia, mas o problema seria seu pai.

Seus pais se encontravam na sala, sentados no sofá defronte a uma pequena mesa de vidro, que possuía algumas revistas e um pedaço de quebra cabeça montado, imaginava que era a pequena irmã do meu namorado que estava brincando.

– Pai. – começou Rafa encarando seu pai. – Tem algo que tenho que lhe falar.

– E o que seria? – indagou já deixando transparecer o que se tratava, e que ele não concordava.

– Eu e o Nick. – disse encarando o chão. – Estamos namorando.

– O QUE? – disse ele não parecendo muito espantado, mas o grito foi realmente de pura raiva. – Isso é tudo culpa sua. – disse apontando para mim e para a mãe de Rafa. – Eu não vou aceitar isso nunca, e não há anda do que algumas porradas não te torne um homem de verdade.

Não acreditei no que vi, ele simplesmente se levantou e se dirigiu ao meu namorado, acertando um soco na cara. Não podia acreditar ao ver sangue escorrendo do nariz dele. “Não, ele não vai fazer isso com meu namorado” pensei enquanto tentava interromper o espancamento.

Foi tudo muito rápido. O pai dele ao me ver aproximando, me deu um soco e me chutou. Voltou-se novamente para o Rafa e continuou chutando-o, não ligando que ele estava deitado inofensivo no chão. Mas o que mais me supreendeu foi Isabela, que conseguiu conter o espancamento de seu filho, e expulsou Matheus, em meio a lágrimas que escorriam, não por causa do marido, mas por causa do seu filho que estava desmaiado no chão. Ele gritou para seu ex-marido que não o queria ver nunca mais.

Eu e Isabela nos apressamos para levá-lo o mais depressa possível ao hospital, Não podia perdê-lo, não podia perder mais uma pessoa que era importante na minha vida.

[...]

Meus machucados não mais me importavam. O olho roxo, ou as marcas roxas que possuía nas costelas em consequência dos chutes, isso tudo para mim não era nada. Eu só queria meu namorado de volta.

Encarava Rafael no seu leito do hospital. Seu rosto continuava praticamente o mesmo, exceto pelo nariz quebrado e o olho roxo, a maioria dos chutes acertaram as costelas, chegando a fraturar uma. Não gostava de ver meu namorado naquele estado, inconsciente, mas felizmente presente.

Eu ficava observando o Monitor Cardíaco, para que me assegurasse que ainda veria seus batimentos e seu coração não falhasse. Me assegurar de que ele ainda seria meu. Só de pensar na possibilidade que ele tinha de não aguentar meu coração se apertava e lágrimas escapavam de meus olhos.

O consolo meu e de Isabela era mútuo, um consolando o outro, sempre nos assegurando de que ele ficaria bem e voltaria para nós. Não podia perder uma peça importante da minha vida.

Sei que nossa vida é fraca como um avião de papel. Queria eu que fossemos como verdadeiros aviões, fortes.

E assim seríamos algum dia? Quem sabe.

Mas ainda me agarrava a esperança de tê-lo ainda comigo. Vejo que seus olhos se abrem e meu mundo se enche de cores novamente. Ele está vivo, ele conseguiu. Podemos até ser aviões de papéis, mas não quer dizer que sejamos tão fracos.

Sorri ao sentir seus orbes sobre os meus, e ainda o vi sorrir.

Notas finais
E aí o que acharam? pensei em uma fic fofa e dramática, só não se se ficou bom v:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!