Paper Lanterns
34 Drumming Lessons
Notas iniciais
Eu acordei às quatro e meia da tarde morrendo de fome. Afinal, não tinha comido nada de almoço. Eu tomei um banho e coloquei a roupa. Jamia ainda estava apagada na cama.
Fui até a padaria comprar algo para lanchar. Comprei pão, bolo e mais latinhas de coca-cola. Preparei tudo bonitinho e levei o lanche até o quarto, quando eu estava abrindo a latinha de coca-cola, Jamia acordou. Ela se espreguiçou, extremamente fofinha, e olhou pro lado, confusa.
- Oi – eu disse.
Ela olhou pra mim e riu.
- Eu acho que eu não sonhei – ela falou bocejando.
- Eu acho que eu também não.
- Que fofinho, você trouxe lanchinho.
- A gente não almoçou, né?
- Eu estou realmente morrendo de fome – ela disse atacando um dos pães que estava no prato encima da mesinha de café, segurando a coberta na frente do corpo.
- Frank você quer assistir um filme? – Ela disse quando acabou de lanchar.
- Pode ser. Quer ir no cinema? – falei olhando para o relógio – Ainda são cinco e meia. Tem várias sessões as seis..
- Pode ser. Me leva em casa, eu tomo banho em um segundo e a gente sai.
- Tudo bem.
Ela se levantou, colocou a roupa e me deu um beijo.
- Então, vamos lá.
- Vamos.
Eu e Jamia fomos andando até a sua casa, cantando e dançando musicas que vinham na nossa cabeça.
Enquanto ela tomava banho meus pensamentos foram, obviamente, concentrados nas coisas que tínhamos feito naquela tarde. Foi uma ótima tarde. Foi o melhor domingo do mundo. Jamia e sua capacidade de tornar os piores dias da semana em melhores dias da sua vida.
Nos pegamos um ônibus até o shopping e assistimos a primeira sessão que estava por vir. Aquela sessão me fez lembrar da primeira vez que fui no cinema com a Jamia. Cara, eu não fazia ideia de como eu gostava dela e do que tava acontecendo comigo.
Depois do filme, ela quis olhar umas lojas. Eu fiquei sentado num banquinho enquanto ela olhava uma loja de roupas. O banquinho ficava bem em frente a porta da loja. Eu estava meio que acompanhando o que ela tava fazendo. Era muito engraçada a reação dela quando a moça mostrou um tal moleton lá que ela tava vendo. Eu tava tão distraído que nem percebi o sujeito sentando ao meu lado.
- Ei, você é o Frank, lá do Audrey Hepburn?
- Sim, a gente se conhece?
- Acho que não oficialmente. Prazer, meu nome é Pete. Eu sou do terceiro ano e também dou aula de bateria lá. – Ele esticou a mão para me cumprimentar. Hesitei por uns segundos, mas apertei sua mão. Por que aquele idiota tava falando comigo?
- Eu sou o Frank, caham, namorado da Jamia.
- Ah, então deve ser daí que nos conhecemos. Você já foi se encontrar com ela lá no espaço de música, né?
- Já sim. Eu já te vi algumas vezes conversando com ela pelo colégio.
- Ah, claro, nós conversamos muito... – já estava ficando irritado e acho que ele percebeu – sobre bateria. Ela é uma ótima aluna, pega as coisas rápido, sabe... – ele deu uma risada, que eu não entendi. Fiquei olhando sério para sua cara. Quando percebeu, ele interrompeu o riso.
- Ela é realmente ótima na bateria.
- Eu certamente sei disso. Falando na Jamia, ela tá ai com você? Eu precisava falar com ela pra marcar umas aulas extras... – AULAS EXTRAS É O CARAMBA
- Na verdade, ela veio, mas ela tá ocupada agora. Depois vocês se falam.
- Ih, olha ela vindo lá. – Jamia tinha saído da loja e tava andando em nossa direção
- Pete, você por aqui? E ae, cara, tudo bom? – ela veio acenando para ele. Eu estava observando e matando ele com os olhos. Depois do cumprimento, eu puxei Jamia pela mão. Porque ela é minha, só minha!
- Jamia, precisava marcar umas aulas extras contigo. Pra gente ensaiar aquela parte final do solo, sabe.
- Ah, sim. Pode ser essa semana, mas depende do dia.
- Jamia, tá chovendo, é melhor a gente ir pra casa... Tipo, agora!
- Ah, Frank, mas já? A gente acabou de encontrar o Pete.
- É que já tá ficando tarde, melhor a gente ir agora. Vamos.
- Tchau, Pete. Foi mal, depois eu te ligo pra gente combinar, tá?
- Tranquilo. Até mais, Jamia. Tchau, Frank.
Puxei Jamia pelo braço em direção a qualquer lugar longe dali, perto da porta de saída. Saímos do shopping sem falar uma palavra. Fomos caminhando na chuva, em um silêncio insuportável, até que ela resolveu começar.
- Precisava ter feito isso, Frank?
- Mas Jamia, o cara tava me provocando! Você não ouviu o que ele falou antes...
- Ah, Frank, vai começar com esses ciúmes bobos de novo?
- Foi ele que começou com essa história de aula extra e falando coisas de duplo sentido.
- Ai, nossa, e então? Ele não é mais seu amigo? Você vai contar pra sua mãe? Ah, me poupe Frank... – falou isso e foi andando na minha frente. Eu fiquei meio sem saber o que fazer, mas eu não podia ficar brigado com ela, afinal era isso que o Pete queria. E depois daquele dia lindo, as coisas não podiam acabar assim
- Pára com isso, Jamia. Que saco! Eu só não gosto da ideia de ter outro cara te elogiando, prestando atenção em você... Sei lá, eu me preocupo com você. Porque eu te amo, Jamia. Amo muito. Tenho medo de te perder porque sou um idiota inseguro.
- Frank, eu também te amo. Muito mesmo. E a maior prova disso você descobriu hoje, porque eu nunca confiaria em alguém até esse ponto. Eu me sinto segura ao seu lado e você não tem motivo nenhum para ficar inseguro, tipo... você é o único para mim. E pode ter certeza que você nunca vai me ver com outro cara enquanto eu amar você.
- E até quando você vai me amar?
Ela se aproximou, me abraçou e disse bem baixinho no meu ouvido:
- Para sempre, Frank. Podemos deixar esse lugar, deixar tudo para trás. Podemos viver para sempre, se você tiver tempo. – Depois dos sussurros, seus lábios foram andando em direção aos meus. Ela me deu um beijo daqueles, na chuva. Nada poderia estragar aquilo. Quando paramos um segundo para respirar, vi que Pete estava saindo do shopping e andando em nossa direção. Não pensei duas vezes. Puxei-a pela cintura e retomei o beijo. Ele deu meia volta e ficou mexendo no celular pra disfarçar. Vi aquilo como uma vitória pessoal. (U.U)
Depois do beijo, sorrimos um para o outro e tudo parecia perfeito. Fui andando abraçado com a Jamia, debaixo de um guarda chuva que a gente comprou na hora, até a casa dela. Me despedi e segui. No caminho de casa, vi o Mikey com uma garota, que eu deduzi que era a Alicia, na sorveteria. Nem falei com ele, pra não atrapalhar. As nove, cheguei em casa e fui direto pro quarto. Minha mãe não tinha chegado ainda. Deitei na cama e demorei um pouco a dormir, me lembrando da pessoa fofa que tinha compartilhado aquele lugar comigo mais cedo.
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