Papeis, livros, eu-lírico e eu te amo
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Notas iniciais
Só estou postando o primeiro capítulo pra fazer um experimento, ok? Não tenho muita coisa pronta, embora já tenha o plot todo definido. Vou ver no que vai dar ^^ Espero que se divirtam com este projeto tanto quanto estou me divertindo escrevendo ^^
BoA leitura ^^
Steve Rogers sabia muitas coisas.
Era de se esperar que soubesse, uma vez que o garoto era o primeiro aluno da sala desde seus oito anos de idade, mas não era exatamente nisso o que ele estava pensando naquele momento.
Ele sabia, por exemplo, que quando as nuvens estavam todas craqueladas no céu noturno, o dia amanheceria gelado.
Também conseguia reconhecer as nuances de sua professora de literatura, principalmente quando ela prendia seus cabelos num coque muito bem apertado.
Steve também conhecia muito bem a terceira Lei de Newton, o Princípio de Ação e Reação que diz que para toda ação, há uma reação proporcional ao impacto sofrido.
E naquele momento, o impacto foi bem maior do que realmente aparentava ser.
Quando a senhora Wright aparecera na sala de aula naquela manhã, Steve sabia que não terminaria bem a sua segunda-feira. Ele só gostaria de chegar em sua casa, terminar seus deveres de física e álgebra e poder dormir à tarde toda, ainda se sentia cansado e dolorido pelo trabalho que fizera para seu pai no domingo e gostaria muito de tirar um tempo para si mesmo. Mas aquela maldita divisão de duplas para o maldito trabalho que a senhora Wright pediu o deixou atônito por muitos minutos. E tudo começou com a dupla que ela escolhera para si.
— Senhor Rogers, o senhor fará o trabalho com o senhor Barnes.
— O quê?! – Fora alto demais, num momento inoportuno demais. A senhora Wright arqueou uma sobrancelha em sua direção e ele sabia que estava ferrado.
— Não me ouviu? Quer que eu repita mais alto? – Sua voz denunciava o cansaço e o estresse, Steve não queria correr o risco de aborrecê-la e acabar fazendo dupla com Maxwell Perkins.
— Desculpe-me. – Abaixou a cabeça.
— Se não estiver contente com sua dupla, tenho certeza de que outro aluno se sentirá mais que feliz em recepcioná-lo. – Ela prosseguiu.
— Não, senhora Wright, está tudo bem com a escolha da minha dupla. Perdoe-me, eu só fiquei surpreso.
— Guarde a sua surpresa para você em uma próxima vez, senhor Rogers.
— Sim, senhora Wright.
Steve prendeu o suspiro irritadiço que queria muito deixar sair de seus pulmões antes que a professora realmente resolvesse o juntar com o aluno mais preguiçoso de sua turma e se contentou em melhorar a sua expressão contrariada até que ela terminasse aquela divisão estúpida. Ele também se esforçou muito para não olhar para o lado e ver a expressão vitoriosa no semblante de Sam quando sua dupla com Darcy fora anunciada. Sério? Por que seu melhor amigo tinha mais sorte que ele nos sorteios e sempre acabava fazendo dupla com outros amigos enquanto ele era obrigado a terminar o dia fazendo dupla com o maior antissocial mal-encarado da escola toda?
Aquilo não era justo, mas Steve também sabia que a vida não era justa.
Ele finalmente suspirou quando a aula acabou.
Enquanto Sam fazia piadas e mais piadas sobre o excelente trabalho que Darcy e ele fariam, Steve tentava ser positivo a respeito do seu próprio projeto, pensando que talvez, e somente talvez, o garoto Barnes não fosse assim tão ruim quanto aparentava. Certo que nunca o vira entregando um trabalho sequer em toda a sua vida acadêmica, e também não fazia ideia de qual eram as suas notas ou se ele se sentia mesmo suficientemente interessado em seu futuro para se obrigar a ser um aluno, pelo menos, mediano.
Quem ele queria enganar? Era óbvio que se nunca o vira interessado nas suas notas, o Barnes certamente se encostaria nele e o deixaria fazer todo o trabalho sozinho. Suspirando novamente, ele jogou todo o seu material em sua mochila e se levantou, caminhando até o fundo da sala para enfrentar de uma vez por todas a sua triste sina.
O Barnes parecia entediado enquanto olhava pela janela alguma coisa que Steve realmente não estava interessado em descobrir o que era. Sua mesa estava limpa e vazia, havia algo ali antes? Ele não sabia dizer, nunca prestara tanta atenção no garoto de qualquer forma. Parou em frente à carteira do moreno e ajeitou a única alça da mochila que estava em seu ombro, pigarreando. O Barnes desviou a atenção da janela, olhando-o profundamente sem esboçar nenhuma reação, aguardando-o falar. Steve sorriu enviesado.
Ótimo, ele não é capaz nem de se comunicar, como faremos essa droga de trabalho?
— Então somos uma dupla. – Ele começou, e quis bater sua cabeça contra a parede por soar tão idiota. – Eu não sei com quais obras poderemos trabalhar, mas já li Rei Lear e tenho o Mercador de Veneza em casa, se quiser. – Deu de ombros.
— Não vou precisar. – Era a primeira vez que realmente ouvia a voz do outro.
— Claro... – Steve comentou entediado. – Olha, cara, na boa? Eu não quero ter que fazer esse trabalho sozinho, estamos no último ano do colegial e eu quero tirar uma boa nota, por favor, colabora.
O Barnes arqueou uma sobrancelha e permaneceu o encarando com curiosidade por algum tempo, então ele riu soprado e se levantou, jogando suas mochilas nas costas e se aproximando do loiro.
— Apareça amanhã na minha casa para começarmos essa merda logo, quanto antes começarmos, mais cedo terminaremos.
E levando à mão ao peito do Rogers, ele abandonou uma folha de caderno meio amassada nas mãos do garoto antes de sair pela porta sem se dar ao trabalho de olhar para trás e checar a expressão embasbacada de Steve.
Do lado de fora, parada de braços cruzados e recostada na parede, estava Natasha Romanoff, a única amiga que o Barnes possuía naquele hospício que o Governo insistia em chamar de escola. Ela começou a caminhar ao lado do moreno assim que o mesmo irrompeu pela porta, atirando-se no corredor com aquela mesma expressão nos olhos que dizia “saiam da frente ou atropelo todos vocês”. Ela nada dizia, mas achava graça daquela cara de poucos amigos que sempre acabava convencendo todo mundo que Bucky era um cara perigoso.
Mas ela sabia a verdade muito bem.
E quando estavam finalmente na calçada, longe de ouvidos curiosos e de olhos atentos, Bucky finalmente soltara um suspiro cansado e se permitira melhorar um pouco a dureza de sua expressão, caminhando ao lado da ruiva com mais calma. Ela arqueou uma sobrancelha quando viu um mínimo sorriso se formar nos lábios do Barnes e o cutucou.
— Então, vai me contar ou vou precisar arrancar isso de você como fiz com aquele pacote de Ruffles na sexta série? – Manteve a sobrancelha arqueada enquanto ele gargalhou.
— A senhora Wright me colocou como dupla de Rogers no trabalho sobre Shakespeare. – Ele sorriu levemente.
— Ah, então esse é o motivo do seu sorriso idiota, agora entendo. – Disse em tom zombeteiro.
— E ao que tudo indica, ele tá puto porque acha que vou me encostar nele. – Ele riu de novo.
— Que babaca. – Natasha também riu. – Pelo menos você não se forma sem falar com seu primeiro amor, porque se dependesse da sua força de vontade, você apodreceria antes de ser capaz de dizer “oi” pro garoto. Não tem vergonha, Bucky?
— Vai se foder, Nat, vai ver se eu tô na esquina, ok? – Ele estalou a língua.
— Só tô expondo uma verdade. – Ela deu de ombros. – Faz uns cinco anos que você é apaixonado pelo Rogers e até agora só tem feito observá-lo de longe.
— E o que mais você espera que eu faça? – Ele sorriu enviesado. – É como naquelas histórias sobre o nerd apaixonado pela líder de torcida, ou sobre o nerd apaixonado pelo capitão do time de futebol. – Revirou os olhos, ajeitando a mochila nas costas.
— Você só está se esquecendo de que o Rogers é o nerd e você, por acaso, também é. – Natasha bufou, revirando os olhos.
— Ele é o nerd popular, eu sou o esquisito excluído. – Ele também revirou os olhos. – E chega dessa conversa. – Ele parou em frente à casa da ruiva. – Te vejo amanhã, Nat.
— Te vejo amanhã, seu babaca. – Ela acenou com a mão antes de continuar seu caminho para a porta.
Bucky riu soprado e girou nos calcanhares, voltando metade do caminho enquanto torcia para que a vida sorrisse para ele novamente, assim como sorriu naquela manhã quando a bendita senhora Wright o uniu com Steve Rogers para aquele bendito projeto.
Notas finais
Feliz Ano Novo, que seus sonhos se realizem e que em 2018 nos vejamos com frequência ♥ Obrigada pelo voto de confiança e pelo tempinho que me permitiu roubar do seu dia ♥ Até o próximo e XoXo ;*
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