Papai

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Veio como uma ideia para o 20º desafio Sherlolly. Mas como quebra uma regrinha, não estou incluindo.Recomendo ler ouvindo: https://www.youtube.com/watch?v=ASRPgpZkupI

Sherlock,

A mamãe costuma falar que nesse quesito sou exatamente igual a você: simplesmente não sei como me expressar sem ofender. Mas eu posso tentar.

Nesse caso, posso começar melhor que isso, então vamos lá.

Papai,

Absolutamente tudo que pensei em escrever nessa carta foram ofensas. Não que seja por mal – você sabe disso melhor que ninguém -, mas simplesmente sai. Quando me dou conta, já deixei escapar que aquele vestido amarelo horroroso da mamãe a deixa gorda. Bem, foi ela que perguntou. Tudo bem, não importa. Até porque ela não pareceu ficar chateada.

A questão é que... Eu não sei como lidar. Realmente não sei. Não é como se fossemos totalmente próximos, contato com outras pessoas nunca funcionou pra nenhum de nós. Ainda não entendo como você e a mamãe chegaram a se aproximar. Não que ela não tenha me contado a história, ao contrário, ela me contou umas quinze vezes. E continuo sem entender. Você era tão rude! Não me dou muito bem na parte social, mas não seria tão grosso assim com uma mulher que sei que está apaixonada por mim.

Como eu estava dizendo... Sim, não sei como lidar. Às vezes eu voltava irritado da escola, ou frustrado por qualquer motivo que agora me parece tão insignificante que... E muitas vezes eu voltava irritado com você. Porque eu havia saído de casa, e você ainda não havia voltado. Os casos sempre foram tão importantes que durante um tempo cheguei a pensar que você se importava mais com eles do que comigo. Até para as drogas eu apelei! Nunca fui viciado e até hoje acho isso tudo ridículo, mas eu tenha quinze anos e queria sua atenção. HA! E eu aqui falando como se fosse a muito tempo. Faz só dois anos. DOIS ANOS! Parece que foi em outra vida quando vocês descobriram que eu estava fumando maconha e ao invés de me dar um sermão como fez a mamãe, você me chamou para uma partida de xadrez. Aquilo me deixou tão irritado! Por que você não podia simplesmente gritar comigo? Demorei para perceber que isso seria uma coisa que você jamais faria. E naquele mesmo dia percebi o quanto a minha atitude te afetou.

Tanto que eu parei. Agora eu tinha a sua atenção.

E foi tudo tão bom!

Qualquer um que por acaso venha a ler essa carta provavelmente achara isso ridículo, mas como eu gostava das partidas de xadrez! Eu ansiava tanto pelos momentos que você estaria em casa para jogarmos.

Sabe, naquele dia eu estava realmente confiante de que iria ganhar de você. Passei o dia todo pensando na partida, tinha certeza que seria brilhante.

E então eu esperei. E esperei. E esperei. E fiquei confuso. E a mamãe ficou confusa. Até que o tio Lestrade ligou. Não haveria partida de xadrez.

Disseram que você – o Grande Sherlock Holmes, o melhor detetive do mundo – estava morto. Meu pai estava morto.

Não, é claro que você não estava morto. Você era imortal! Fingiu sua morte uma vez, ria na cara dos vilões, encarava o perigo sem pensar duas vezes. Não podia estar morto.

Mas estava. E, Deus, como eu chorei! A ficha caiu mais rápido do que eu pensava e a notícia me atingiu como um tiro.

E justo perto do dia dos pais! Eu inclusive tinha comprado uma lupa nova para você. Aquela sua era muito legal, mas já estava bem velha e riscada.

A verdade, pai, é que faz dois anos e eu ainda estou meio perdido. Nós nunca tivemos uma relação normal de pai e filho, mas eu gostava de como era. Às vezes você falava umas poucas palavras e eu tinha certeza que estava lendo a minha mente. Não sei como fazia isso, mas eu achava – e ainda acho – a coisa mais incrível do mundo! Para mim é tão difícil falar, ainda mais sobre o que estou pensando, e você simplesmente sabia.

E eu sinto falta disso. Sinto falta de tudo isso. Sinto falta de você.

Com amor, seu filho (que te ama)

Andrew Holmes

Notas finais
Inté a próxima :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!