Papa Shion

16 Isso Não é Justo!


Notas iniciais
Pessoal, em homenagem a vocês que COMENTAM RÁPIDO eu posto rapidinho outro capítulo. Beijos amadas!!!

POV Milo

Aquela situação era preocupante, neve nessa época do ano? Não, poderia realmente ser ataque de algum outro mundo. Algo precisava ser feito e rápido, precisávamos averiguar se a humanidade corria perigo.

— Camus, essa neve...

— Não é mais problema nosso, Milo.

— Mas você bem sabe que desordens climáticas podem significar ataques do submundo ou do reino marítimo também. Além de ser a forma de deuses estranhos atacarem, já vimos isso antes.

— Milo, eu fiz reportes nesse ano, pelo menos cinco, e o senhor-mestre do Santuário nada fez. Agora isso não é mais problema meu.

Observei meu marido falando e jogando as malas no porta-malas enquanto conversava em francês com o homem que vinha lhe entregar o carro alugado. Enquanto fez isso, Hyoga e Isaak vieram conversar comigo.

— Quando tempo vão durar essas férias?— Perguntou Hyoga.

— Nós vamos esquiar?— Perguntou Isaak

— Milo, papai está brigado com o Mestre Shion? — Hyoga me questionou sem me dar tempo de responder nada.

— Nós vamos andar de barco?— Perguntou Isaak.

Camus gritou para entramos no carro e eu apenas disse aos meninos antes de entrarmos.

— Prestem atenção, estamos em meio a uma crise aqui. Eu sei tanto quanto vocês e não quero ouvir um pio até eu ter um mínimo de controle dessa situação. O pai de você está muito nervoso, então, NÃO O PROVOQUEM. Fui claro?

Ambos me olharam espantados se questionando por qual razão Camus estaria tão fora de si logo quando saíam de férias. Isaak logo assentiu com a cabeça e Hyoga entrou no carro com uma careta enigmática, tentando ligar os pontos de tudo que havia acontecido.

Camus dirigia o carro sem emitir um som, apenas olhando para as ruas com certa nostalgia. Se havia um lugar no mundo que ele amava era a França, na certa não pelas suas recordações da infância, mas sim por poder falar seu idioma natal e por conviver com pessoas que tinham a mesma cultura que a sua.

Demorou algum tempo até chegarmos numa casinha no interior. Definitivamente não era um local onde eu gostaria de morar, na certa deveríamos estar rodeados por caipiras. Mas não posso negar que a paisagem bucólica era linda e o local era como o dos sonhos de Camus.

Chegamos e descemos do carro, cada um dos meninos carregou suas malas para um dos quartos e nós fizemos o mesmo. O quarto era bonito, arejado, mas parecia que nem isso deixava Camus satisfeito.

— Amor, nós podemos conversar?

— Milo, se você quer brigar, eu...

— Não, eu não quero brigar. Eu estou aqui com você e estarei sempre aqui para você, onde quer que seja. Quer prova maior do que ser considerado inimigo do Santuário com você?

Ele ficou em silêncio.

— Já já vão mandar nos matar e morreremos juntos.

Eu brinquei da seriedade da situação sorrindo e ele bufou revirando os olhos com certa tranquilidade.

— Não acho que decretarão nossa morte, o regulamente os limita a decretar nossa prisão. A morte seria julgada posteriormente à prisão por Shion.

Eu ri.

— Ok, então estou aqui para ser preso e depois morrer, meu amor.

Ambos rimos com certa tristeza, a situação era séria. Mas queria mostrar a ele que em mim havia um aliado. Essa seria a melhor maneira de conseguir, talvez, colocar um pouco de juízo naquela cabeça dura e congelada.

Mas eu conhecia bem meu picolé, era melhor ir pelas beiradas e com jeitinho. Confrontá-lo jamais era uma forma de faze-lo mudar de ideia.

POV Hyoga

Aquela história toda estava muita estranha. Primeiro meu pai nos manda fazer a mala do nada e diz algumas coisas sem sentido sobre o futuro que até agora não entendi, depois chegamos na França e vamos para uma casa no fim do mundo.

Aquilo não pareciam férias, definitivamente. Eu estava morrendo de saudades de Ikki, nessa bagunça toda eu sequer consegui falar com ele. Decidi ir até o vizinho e pedir a senha do wi-fi, eu precisava falar com alguém, ou melhor, eu precisava falar com Ikki.

Não demorou muito até encontrar uma casa com wi-fi, a menina mais ou menos da minha idade me deu a senha sem pensar duas vezes. Pelo olhar dela pude perceber bem o que ela queria em troca. Rapidamente sai de perto dela e me sentei num tronco a beira da estrada, usando o whatsapp para ligar para o meu namorado.

— Ikki?

— Hyoga, graças aos céus! Como você está?

— E-eu estou na França.

— Eu sei! Que loucura toda é essa que está acontecendo?!

— Ikki, eu não sei de absolutamente nada. Só sei que ontem o meu pai fez nós sairmos às pressas até o aeroporto e que chegamos aqui hoje. Só. Essas férias não tem sentido...

— HYOGA, QUE FÉRIAS? VOCÊS DESERTARAM!

— O – o que?

— Hyoga, seu pai brigou com Shion e abandonou o Santuário.

— Calma, como?

Eu precisei me sentar, meu coração começou a bater acelerado e eu não conseguia pensar direito.

— Hyoga, Camus e Shion brigaram feio. Eu não sei o motivo, mas brigaram. Camus não reportou nada e saiu com todos vocês do Santuário e.. Bem...

— E o que?

— Meu mestre decretou a deserção.

Ikki ficou com a voz embargada, ele estava chorando. Até mesmo ele sabia das consequências de uma deserção, na certa porque várias vezes pensou nisso em seus tempos de maior rebeldia. Mas nem mesmo ele teve coragem de cometer tal crime.

— Ikki, como meu pai pode...

Ikki continuou a chorar e eu o acompanhei. Se a deserção fosse ratificada nos tornaríamos inimigos mortais, sendo que se ele me visse, deveria me prender e, quem sabe, no futuro, me matar. Era isso que acontecia com cavaleiros traidores.

— Ikki, você sabe se o decreto me incluiu? Eu não fugi por mal... Eu nem sabia...

— Hyoga, o decreto envolve vocês quatro.

Eu engoli em seco e respirei fundo. Eu não perdoaria meu pai por isso, jamais. Não apenas por ter acabado com minha vida como cavaleiro, mas por ter me condenado a uma vida sem o Ikki. Aquilo não era certo.

— Ikki, eu te amo.

Era a primeira vez que eu dizia aquilo. Normalmente estávamos brigando e nos alfinetando, mas aquela distância me fez ter certeza da minha relação com ele e do papel que ele ocupava na minha vida.

Ikki chorava e respondeu que me amava também de forma inaudível pelo choro abafado. Eu desliguei, não podia mais com aquela situação. Meu pai me pagaria, e caro, pelo que havia feito com minha vida.

Caminhei decidido de volta para aquele casebre onde ele havia nos enfiado. Logo que abri a porta da sala fui recebida por sua voz dura, enquanto Milo e Isaak estavam sentados no sofá.

— ONDE VOCÊ SE ENFIOU HYOGA?

— QUEM FAZ AS PERGUNTAS AQUI SOU EU!

Eu esbravejei, fazendo com que ele e os outros arregalassem os olhos.

— Abaixe esse tom, mocinho.

Disse ele me avisando, eu avancei dele e falei com o dedo em riste em seu rosto.

— VOCÊ BRIGA COM O MESTRE SHION E CONDENA TODOS À DESERÇÃO? QUE DIREITO TEM DE FAZER ISSO?

Eu gritei, fazendo Milo entrar entre mim e meu pai a fim de evitar qualquer tipo de interação violenta. Isaak olha para mim totalmente perdido.

— Deserção? Estamos de férias, Hyoga. Não viaja...

Como meu irmão era burro... Não conseguia ligar os pontos.

— Não Isaak, o papai smurf aqui brigou com o Shion e decidiu fugir com todos nós.

Na mesma hora eu senti uma bofetada forte na minha bochecha que me fez cair no sofá.

— OLHA O RESPEITO, MOLEQUE! COM QUEM PENSA QUE ESTÁ FALANDO?

— COM UM DESERTOR QUE ME LEVOU PARA O BURACO JUNTO COM ELE!

Eu estava fora de mim, sem dúvida. Não me lembro de ter coragem de falar assim com o Mestre Camus desde o meu nascimento. Mas era uma situação exponencial, afinal, ele havia me feito ser um desertor junto com ele.

Logo fui despertado pelo barulho da fivela do cinto e vi que ele estava com aquela porcaria dobrada em suas mãos.

— Se quer me bater, me bata. MAS NADA NESSE FUNDO FARÁ EU TE PERDOAR, NADA!!! VOCÊ MENTIU PARA NÓS TODOS!

Quando eu o chamei de mentiroso ele desceu aquela porcaria de cinto em mim com toda a sua força, mas, para a minha surpresa, eu não senti nada. Milo havia se jogado na minha frente e todas as cintadas foram nas suas costas.

Quando meu pai percebeu o que acontecia, ele parou desesperado olhando para Milo abraçado em mim e chorando copiosamente. Só ouvi Milo dizer.

— Por favor Camus, se acalme. Por favor... Você vai machucar o menino assim... Por favor Hyoga, eu te imploro, calma, seu pai pode explicar. Vocês precisam se acalmar.

Eu abracei Milo chorando também. Eu me acalmaria, por ele. Ele merecia meu amor, meu pai não merecia nada de mim naquele momento.

— Pois bem Milo, eu vou me acalmar, vou para o meu quarto. Mas faço isso por você!

Eu disse me levantando e batendo a porta com tudo. Ficaria lá até pensar no que que poderia fazer.

Logo vi Isaak entrando no meu quarto.

— Isso não pode ser verdade.

— Mas é.

— Como papai pode ter feito isso conosco?

Notas finais
Reviews com tudo que vcs acharam please!!!