Papa
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem, pois aqui tem muito mais sentimentos que qualquer outra história que eu já escrevi, não só meus sentimentos como o sentimento indireto desse amigo.
Leiam as notas finais por favor aaaaa.
No quarto do casal, o pai veste a camisa e chama a esposa para acordar. Com passos lentos ela se dirige para o banheiro do quarto e faz as higienes necessárias, sua mente só começa a acordar quando termina de pentear os longos cabelos escuros. Dando uma última olhada no espelho ela vai em direção aos quartos de suas duas filhas. Com dois toques na porta, ela entra no quarto da mais velha.
— Hinata, meu bem. Está na hora de se arrumar. — Com tapinhas gentis ela acorda a pequena Hyuuga.
Como um zumbi em miniatura, ela se dirige para o banheiro enquanto a mãe ia acordar a irmã mais nova. Com os mesmos dois toques, ela entra no quarto e vê menor esparramada entre as cobertas, teve que conter um riso ao ver aquela cena. Ao se aproximar viu os joelhos ralados levemente avermelhados expostos, ela deve ter coçado enquanto dormia. Não foi tão fácil acordar ela quanto a mais velha, teve que pegá-la no colo e a levar ao banheiro.
Enquanto a mãe banhava a filha menor, a mais velha descia as escadas já com seu uniforme, as vestes de marinheiro deixavam claro ainda estar no ginásio. Ao chegar na cozinha, ela vê o pai já sentado no seu lugar de costume na mesa, desejou bom dia e se sentou ao lado direito do mais velho. O café posto na mesa cheirava deliciosamente bem, agradeceu a comida e comeu as porções de frutas com iogurte enquanto ouvia o barulho vindo da escada.
— Huuum, que cheiro bom. – Ayane, mãe das meninas, entrava no cômodo com a menininha, já acordada, em seu colo.
— Só o cheiro é bom? – O pai falou em um tom irônico.
— Preciso provar pra ver se você passou no teste.
— O Papa fez o café? – Foi a vez da Hyuuga mais nova de falar.
— Sim, e por isso nunca mais aposto com a mãe de vocês.
Ayane riu ao se lembrar do marido apostando que ganharia uma partida de shogi dela, ainda conseguia ouvir os caquinhos do seu ego se quebrando em mais pedaços.
— Mama, você vai me levar na escolinha, né?
— Claro, Hana, o papai vai se atrasar se levar as duas para a escola.
Após tomarem café, a mãe ergueu a filha em seus braços limpando a boca suja de mingau. Após se despedir da filha mais velha e do marido ela foi para a garagem e deu partida em um dos carros.
Ainda na cozinha, o pai dobrava o jornal e deixava em cima da mesa. Bebendo os últimos goles do suco Hinata leu o título da matéria do jornal, se permitiu pegar o jornal e procurar as charges no final.
— Já está pronta, Hinata?
— Sim, vou pegar a minha pasta.
Com passos rápidos ela foi para o quarto, já com a pasta em mãos ela se virou para a porta, mas uma fita em sua penteadeira a fez falhar um passo. Com pressa ela desceu as escadas com a fita enrolada em seus dedos. Na porta da garagem, ela puxa o blazer do seu pai a fim de chamar a sua atenção. Ao erguer a bonita fita branca entre os dois, entendeu que ela queria amarrar os cabelos, indicou um lugar mais iluminado para ela e passou a fita entre os cabelos channel.
— Não está muito apertado?
— Está bom… Assim.
Entraram no carro e ele deu partida. O caminho foi silencioso, teve que se concentrar para não dormir de novo. De vez em quando olhava para o retrovisor e procurava os olhos do pai, que estava atento no trânsito. Nem percebeu quando chegaram perto do portão.
— Tchau, Hinata. Fique bem e se cuide.
— Tchau, Papa… Eu te amo.
Pode ver os olhos no retrovisor se agitarem e se recomporem como se não tivesse estranhado tal gesto de carinho.
— Hum. – Pigarreou – Não exite em me ligar caso aconteça uma emergência.
Não ouvir a resposta que desejava deixou a pequena Hyuuga em um pequeno transe. Só foi despertar com o barulho das portas destrancando, fazendo pular com o susto. Ao sair do carro, entrou portão a frente sem olhar para trás, só cessou os passos quando ouviu o carro arrancar. Pensou por uns instantes sobre a cena que aconteceu a pouco, não era a primeira vez que isso acontecia, mas não era motivo para a pequena tristeza que pesava em seu coração diminuísse. Antes de voltar para sua rota, vozes atrás dela chamaram sua atenção. Encontrou sua colega Sakura ao se virar, ela sorria alegremente enquanto seu pai passava a mão em seus cabelos. Por um minuto sentiu inveja de Sakura, pensava se era pedir muito um terço do carinho que ela recebia. Afastou esses pensamentos e voltou ao seu caminho.
Entrou na sala de aula e se juntou ao grupo de amigos. Shino estava o mesmo de sempre, mas Kiba estava estranhamente inquieto, não teve tempo de perguntar quando o sinal soou, iniciando a manhã letiva.
As primeiras aulas passaram se arrastando, o aperto em seu peito fazia tudo se tornar chato e devagar. Mas só na aula de História que conseguiu se distanciar desse sentimento ruim.
— Peguem suas classes e formem um “U”. – Dizia professora Kurenai enquanto colocava as referências no quadro.
Com a sala posta do jeito da Professora, ela podia olhar e ouvir todos. Entre Kiba e Shino, Hinata copiava as anotações e ouvia as opiniões dos colegas sobre os assuntos debatidos. A hora do intervalo esperou um pouco por causa dos alunos reorganizando a sala como o de costume para a próxima aula.
Se sentaram do lado de fora, escorados abaixo de uma janela que dava para um corredor vazio. Kiba ainda agia estranho, mesmo contestado ele tentou desviar o assunto.
— Você está estranhamente insuportável hoje. Se tiver algo te incomodando não precisa ter vergonha de nos contar. Não fazemos o tipo que ri do problema dos outros – Shino falou no seu tom de sempre.
Após suspirar, Kiba tentou reunir palavras em sua mente para explicar de forma simples.
— Eu só estou bravo. Hoje de manhã eu disse que amava a minha mãe, mas ela não disse que me amava de volta e isso me deixa extremamente incomodado. Sei lá, me acho bobo em me preocupar com isso por não ser mais tão criança.
O clima estranho no ar foi quebrado com a risada vindo da janela.
— Vocês nessa idade são muito fofos. – Kurenai-sensei se impôs no assunto pela primeira vez. – Não precisa se incomodar com isso, sua mãe te ama com certeza.
— Mas, Sensei, toda vez que eu digo “eu te amo” ela muda de assunto como “não cause problemas” ou “obedeça os professores”, nunca “ah, eu também te amo meu querido, amado e ÚNICO filho”. Olha só! – Ele erguia o celular mostrando o histórico de conversas. As duas últimas mensagens eram “beijo, te amo.” e “se comporte.”, respectivamente.
— Você não tem uma irmã mais velha, Kiba-kun? — Hinata falava depois de tempos em silêncio.
— Tenho, mas por enquanto sou o único homem.
Kurenai observava o grupo de alunos conversando. Seu olhar encontrou com o de Hinata e viu suas íris opacas de um jeito estranho. Achou fofo o jeito que seus alunos tinham suas emoções estampadas em seus olhares e ações. Com um sorriso gentil, ela a encorajou a desabafar.
— Antes de sair do carro, disse que amava meu pai também. Não é a primeira vez que isso acontece, mas fico triste do mesmo jeito.
Percebendo o rumo daquela conversa, Kurenai ajeitou a postura e procurou as melhores palavras para os pequenos.
— Crianças, é mais do que certo que os pais de vocês os amam de verdade. Talvez não seja hábito deles demonstrar com palavras, ou talvez eles não tiveram esse tipo de carinho quando eram crianças, por isso estranhem.
Essas últimas palavras lembraram do olhar do seu pai pelo retrovisor, os olhos perdidos que logo voltaram ao foco costumeiro.
— Será que é isso mesmo, Sensei? – Kiba olhava as folhas dançarem no pátio. Kurenai sorria com o pensamento do aluno, achava nostálgico se preocupar se seus pais te amam.
— Se você não acredita em mim, pergunte para sua mãe. – O jovem Inuzuka se virou rubro para a professora.
— Como eu vou perguntar isso pra ela?
— Com a boca. – Seu rosto se tornava mais escarlate. – Vamos, Kiba, se está te incomodando tanto, vá falar com ela. Você também, Hinata, não é feio vocês conversarem com os pais de vocês sobre isso.
E com essas últimas palavras, o sinal deu fim ao intervalo. O resto das aulas foram tranquilas comparadas ao primeiros períodos. O sinal revelando o fim do dia letivo de quinta-feira dava esperança que a sexta passasse voando.
A mãe de Kiba foi a primeira a chegar, e com um aceno ele se despediu dos amigos.
— E aí, como foi seu dia? – Dizia a mulher concentrada na estrada.
— Normal, não aconteceu nada de importante.
— Hum.
O silêncio o incomodava, pensava em como iria pôr em prática o que a Kurenai havia dito.
— Mãe.
— Sim?
— Eu te amo.
— Ah, do nada você diz que me ama? Que adorável.
O tempo passa e ele se pergunta se sua mãe realmente gosta dele. O questionamento faz seus olhos encherem d’água. Estacionaram em uma pizzaria e tiraram os cintos de segurança.
— O que você acha de comprarmos uma pizza bem grande e olhar seriados na TV? – É, Kurenai tinha razão, ela o amava de verdade.
— Por que você não diz que me ama? – Seu rosto estava vermelho, mas não era de vergonha, estava se segurando para não chorar.
— O que?
— Quando eu digo que te amo, você não diz que me ama de volta.
Com um sorriso de orelha a orelha, ela passa os dedos nos seus cabelos e o puxa para um abraço.
— Você quer que eu responda?
Com lágrimas já escorrendo dos olhos, ele acenou que sim.
— Mama, eu te amo.
— Eu também te amo, querido.
Soluçava levemente nos braços da mulher. Com o passar do tempo, ele abriu os olhos e percebeu o carro se afastando devagar de onde eles estavam.
— Mama, o freio! Você não puxou o freio!
Visivelmente nervosa ela larga o menino e corre para puxar o freio. Ainda um pouco ofegante ela olha para o filho, os olhos arregalados a fez abrir mais um sorriso.
E enquanto mãe e filho riam, Hinata se despedia de seu último amigo. Se perguntava qual era o motivo do seu pai se atrasar, mas foi interrompida pelo sua pasta vibrando. Com o celular já aberto, ela leu a mensagem da sua mãe: “Me espere no portão, beijo! ^^”. Olhou para os lados procurando o carro até que o achou, sentou ao lado da irmã enquanto cumprimentava a mãe.
— E o pai?
— O pai vai fazer hora extra hoje.
Seu plano de conversar com o pai teria que esperar um pouco. Passou o caminho em silêncio enquanto olhava o movimento das ruas pela janela, o céu alaranjado contrastava com o seu humor cinza.
Chegando em casa, seu desânimo foi substituído por ansiedade. Enquanto a irmã mais nova olhava o desenho que passava na TV, ela mexia os pés inquieta. A mãe notou o comportamento estranho da filha e a chamou para a cozinha.
— O que aconteceu, meu bem? Você fez alguma coisa errada?
— N-não… Eu s-só preciso falar c-com o p-pai. – O sinal que fazia com os dedos mostrava o seu nervosismo.
— Ah, o que aconteceu para querer falar com ele? – Dizia enquanto procurava alguma coisa na bolsa.
— E-eu só… Quero falar…
— Ah, então tá. – Com o celular já em mãos, ela discou o número do marido. – Não sei se ele vai atender, deve estar trabalhando.
Alcançou o celular para a mais nova e se sentou não muito longe. Cada vez que o celular chamava, seu coração batia mais rápido. Quando ouviu a voz do mais velho no outro lado da linha, percebeu que não teria coragem de falar como a Kurenai disse.
— Alô, Ayane. Tudo bem?
— P-papa!
— Ah, Hinata. Tudo bem?
— Tudo…
Os três segundos em silêncio contrastava o barulho infernal dentro de sua cabeça, pensava em algo para disfarçar o motivo da ligação.
— C-como foi seu dia?
— Cansativo, tive mais trabalho que o esperado. – Pode ouvir uma risadinha do outro lado.
— O s-senhor vai demorar?
— Vou. – Seu plano era esperar o pai chegar, mas pelo visto teria que esperar o outro dia. – Aconteceu alguma coisa para você querer me ligar?
— Está tudo bem. Só estranhei o senhor não me buscar. – Usou toda a sua força para não gaguejar, tanto que teve que afastar o aparelho para suspirar.
— O.k. então. Preciso desligar, obedeça a sua mãe e durma cedo. – Ao ouvir essas palavras, uma ponta de coragem cutucou seu coração.
— E-espere, Papa!
— Sim? – Que desapareceu tão rápido que a fez suspirar de vergonha.
— V-volte com segurança, p-por favor.
— Sim, senhora.
Fechou o celular quando a ligação foi encerrada. A presença da mãe tranquilizava o coração apertado da pequena.
— Aconteceu alguma coisa, Hinata? – O sorriso gentil mascarava o olhar preocupado.
— Não precisa se preocupar, eu sei que você me ama.
A afirmação repentina a fez rir. Por mais que a filha estivesse incomodada, não iria insistir.
Hinata deu o seu melhor para afastar a ansiedade. Tomou um banho quente antes de jantar, ouvia a irmã mais nova narrar o seu mais novo machucado enquanto secava os cabelos. Constantemente olhava o relógio, esperando o tempo passar mais rápido.
Após o jantar ela foi dormir, ou tentou dormir. Pensou se incomodaria o pai se perguntasse quando ele chegasse em casa. Pegou o cobertor e foi em direção a sala, com passos leves para não levantar suspeitas. As horas passaram, e ele não chegou. Por ter horário fixo para dormir, acabou adormecendo no sofá. Sonhou com vozes conhecidas, elas sussurravam enquanto dormia.
Só foi despertar com sua mãe chamando seu nome:
— Hinata, está na hora de se arrumar.
Estranhou um pouco, mas não deu tanta importância por estar muito sonolenta. Quando sua mãe saiu do quarto, resolveu olhar em sua volta. Se assustou quando percebeu estar no seu quarto, se perguntou se foi a mãe ou o pai que a trouxe para cá.
Com o uniforme já vestido ela foi para a cozinha. Sentou no lugar de costume e tomou seu café. Olhava discretamente para o pai enquanto ele lia o jornal, pensava se essa seria a melhor hora para ter aquela conversa. E quando abriu a boca, sua voz morreu ao ouvir os passos da irmã mais nova no corredor.
O café passou rápido, logo já estavam se aprontando para irem embora.
— Hinata, hoje eu irei te levar para a escola. Hiashi precisa chegar mais cedo no trabalho.
Desanimou ao ouvir as palavras da mãe. Quando viu os ombros do pai indo em direção a garagem, seu peito deu um solavanco.
— P-papa! Espere!
O homem se virou enquanto ela subia as escadas correndo. No seu quarto, ela passava os olhos por cima da penteadeira procurando uma outra fita. Toda essa correria a deixou ofegante, seus cabelos estavam um pouco bagunçados e isso fez o pai sorrir. Antes de erguer a fita amarela, ela foi surpreendida com o pai ajeitando os fios de seu cabelo. Se lembrou de Sakura nesse momento, entendeu como é sorrir alegremente para um gesto de carinho.
— Você quer que eu amarre pra você? – Ele disse apontando para a fita.
— S-sim, por favor. – Quando alcançou para o mais velho, sentiu seu coração se encher de felicidade. Talvez nem precise conversar, como Kurenai disse.
— Está bom assim?
— S-sim.
Com um sorriso ela o viu se aproximar do carro, seu coraçãozinho exalava felicidade.
— Papa! – O chamou em alto tom
— Sim?
— Eu te amo. – Ela viu a mesma cena de ontem acontecer, estranhou os olhos do pai.
— Obrigado. Não esqueça de cuidar da sua irmã.
Com pressa ele entrou no carro e deu partida, ficou estática até sua mãe a chamar para irem.
Chegou na escola com o mesmo olhar cinza de ontem, como se não tivesse ficado muito feliz minutos atrás. Ao chegar viu que seus amigos agiam normalmente, não conseguiu perguntar para Kiba se ele conversou com a mãe dele, mas pode deduzir que sim. As aulas passaram se arrastando, dava graças por ser sexta-feira.
Com o fim das aulas ela se direcionou para o portão da escola. Seus amigos foram embora e ela já ia de encontro com o carro da mãe.
— Hoje o pai vai chegar um pouco atrasado, mas não vai fazer hora extra. – Ayane olhava docemente pelo retrovisor.
— Hum.
Palavras são capazes de murchar os sentimentos mais felizes das pessoas, e foi um simples “Hum.” de Hinata para fazer a mãe desviar o olhar com vergonha. O caminho foi feito em um silêncio melancólico, as pessoas na rua distraiam a pequena das lembranças tristes da manhã.
A TV sugava a atenção das pequenas Hyuugas enquanto a mãe digitava no celular.
— Hanabi, vamos tomar banho.
— O que? Mas o meu desenho já vai começar! – Indignada, a mais nova bate o pé no chão.
— Vamos, não teime comigo.
Com as bochechas infladas, a criança vai para o banheiro batendo as perninhas. A mãe assiste a cena e volta seu olhar sorrindo para Hinata, dando uma piscadela antes de sair. Por mais que tivesse estranhado, decidiu ignorar o gesto aleatório da mãe.
Sua atenção foi cortada com o barulho da porta abrindo, os passos rápidos fazem ela endireitar a postura antes desleixada. Os olhos familiares agora tinham sentimentos diferentes do habitual; refletiam de um jeito que, em sua curta vida, nunca tinha visto.
— Hinata. – Hiashi se aproximava com uma caixa nas mãos. – Trouxe isso para você.
— O que é… – Não teve tempo de raciocinar antes dele se agachar e entregar a caixa.
Seus olhinhos brilhavam com a fatia de bolo que aparentava ser deliciosa. Com um sorriso sincero ela agradece o pai e vai para a cozinha servir os pratos. Duas colheres, dois pratos e dois copos. Enquanto comia, percebeu o pai largar os talheres na mesa e se direcionar a ela.
— Hoje de manhã fui rude com você, sinto muito. Não era a minha intenção. – A cara de surpresa foi inevitável. Se sentiu mal em ouvir desculpas do seu pai, entendia que não era culpa dele. – Sua mãe veio me procurar no trabalho, ela nos ouviu e disse que tinha que me redimir, espero que me perdoe.
— Papa.
— Sim?
— O senhor gosta de mim?
— Que pergunta, é claro que eu gosto.
— Então por que você não diz que me ama?
A última fala da menor o pegou desprevenido, se sentiu pior do que antes. Tentou sorrir antes de responder.
— Não sou acostumado com isso, mas se te faz feliz, irei fazer por você. – Sentiu os cabelos serem acariciados pelo pai, estava tão feliz que poderia chorar a quealquer momento. – Ah, quase me esqueci. Tenho uma surpresa para você na garagem.
Curiosa ela levantou da cadeira e o acompanhou até a sua surpresa. Seus olhos brilhavam de alegria com o vaso de girassóis que o pai trouxera.
— Lembrei do dia que visitamos o jardim da cidade e você ficou fascinada com os girassóis de lá. Não são tão grandes quanto aqueles, mas acho que você vai cuidar muito bem deles.
— Papa. – Chamou com um sorriso nos lábios.
— Sim?
— Eu te amo.
— Eu também te amo, princesa.
Notas finais
Por mais que a Hina seja criança/quase pré adolescente nessa história, isso aconteceu comigo quando eu tinha quinze aninhos.
Tive uma conversa parecida com meu amigo e minha professora de história, onde nos queixávamos de nossas mães não nos responderem um "eu também te amo". Hoje minha mãe diz que me ama também, e isso me deixa muito mais feliz ^^.
Um beijo para as mamães e os papais/vovós e vovôs/titias e titios que amam seus filhos.
Com amor, Clios.
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