Certo, eu posso ser o maior filho da puta quando se trata do sexo oposto. Isso é o que todas as mulheres que passaram por minha cama falaram de mim, assim que me levantava dela.

Ah, mais certo ainda seria dizer que a cama não era minha, mas delas. É como o velho Zeff disse uma vez: “se não quer compromisso, nunca leve uma mulher pra dormir na sua cama”. Então, assim como desde cedo aprendi a cozinhar, o Zeff me ensinava tudo o que ele sabia sobre esse universo que são as mulheres.

Sim, elas são um universo, cheios de grandes e pequenas possibilidades, se você souber como tratá-las. “Nunca levante a mão contra uma delas, antes as corte fora. Suas mãos foram feitas para dar carinho a cada parte do corpo de uma mulher, e não maltratá-la”.

Acho que por isso ele tenha me ensinado a lutar usando as pernas. Com minhas mãos ele ensinou a protegê-las; se eu ferir meus instrumentos de proteção, como cuidaria de dar amor a elas?

É.. foram bons tempos aqueles em que me via servindo as mais distintas mulheres que passavam pelo Baratie. Cada uma com suas ânsias, desejos, vontades, buscando saciar sua fome corporal em um momento; e no outro, comigo em seus lençóis, saciar sua fome de prazer.

Ele ficaria orgulhoso de mim, se me visse agora.

Bem, talvez não.

Porque agora eu não tinha nenhuma mulher pra me levar a mais alta satisfação que existe na face dessa terra. Depois que ela entrou em minha vida, eu até caminhei por algum tempo o mesmo caminho de exultação física, afinal, eu não podia deixar apagar o fogo que queimava dentro de mim.

Mas o fato era: esse caminho deixou de parecer tão agradável a meus olhos agora. Porque foi justamente no dia que pensei que a perderia, acendeu em mim a outra chama: a do amor mais puro.

Podem rir, podem caçoar.. podem até mesmo não acreditar. Mas é a mais pura das verdades. Aquele dia, em Thriller Bark... quando tentaram roubar ela de mim, num casamento forçado... nesse dia eu finalmente percebi que era a Nami a mulher que eu queria passar todo o resto de minha vida.

Queria cuidar da minha ninfa, anjo, sereia, deusa... queria cuidar da minha doce ladra e competente navegadora. Vigiar seu sono nas noites frias, cuidar da sua alimentação com esmero... tocar seus cabelos laranjas e sorver o aroma da fruta amada por ela que emanavam deles.

É, eu queria fazer isso, mas não podia. Tanto tempo sendo um canalha que ela agora simplesmente não acredita que finalmente meus sentimentos para com ela são diferentes e verdadeiros.

Mesmo tentando, eu não consigo fazê-la acreditar na sinceridade das minhas palavras. Tive então que prová-la com minhas atitudes. Parei de ser o cafajeste safado de sempre. Passei a tratá-la como eu achava que ela merecia. Com amor e carinho.

Infelizmente os dias foram passando em nosso navio que corta mil sóis, e a barreira do coração dela continuava firme e forte, me impedindo de alcançá-la. Não achava justo ela ter roubado meu coração e eu não ter conquistado o dela, depois de tanto esforço.

Não podia esquecer, porém, que ela era uma ladra. Roubar era sua especialidade, afinal de contas. E meu coração ela roubou quando pus meus olhos nela, só percebendo bem mais tarde que ela havia mesmo trancafiado ele em algum lugar que seria impossível eu tê-lo de volta.

No fim, isso me deixou triste. Andava agora cabisbaixo e pra baixo... nem a Robin-swan era capaz de me animar com todas aquelas mãos que brotavam nos lugares que a gente menos espera.

Pesando bem...

Não, é melhor não. Eu me decidi, certo? É melhor continuar no mesmo caminho então.

Quem sabe um dia ela, a ladra, não me olhe com os olhos que eu espero ver.

Caralho, mendigar amor é foda...

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– Sanji... cadê o meu obento pirata? Com bastante carne? Anda, tem uma ilha que está me esperando.. ela tá pedindo pra eu me aventurar nela. – Luffy não tem fundo? Eu deveria era estar acostumado com isso... quantos anos tem que escuto essa mesma frase cada vez que chegamos a uma ilha nova?

– Pronto, aqui está. – Joguei a mochila com os mantimentos no chão. Ela estava cada vez ficando maior... é, Luffy não tinha fundo... – Vou ficar no navio dessa vez. Tragam o que puderem de suprimentos, pra não ficarmos em falta depois.

– Certo. – Disse o capitão. – Nami, você não vem conosco?

– Ie, Ruffy, estou ocupada, preciso desenhar o mapa da última ilha que estivemos. – Ah sim, era o sonho dela, desenhar o mapa do mundo inteiro. Cada grande e pequena ilha. Cada lugar que passamos há um mapa feito por ela.

– Eu estou com aquela doença eu-não-posso-entrar-na-ilha... – Dessa vez Usopp fez as honras de covarde que era...

– Quieto e venha logo – Marimo falando.. como se ele fosse melhor...

– Certo, vamos logo – Luffy disse isso deixando os outros para trás. Afobado demais esse nosso capitão.

No fim, ficamos a Nami e eu no navio.

Nami não gostava de ser interrompida quando estava desenhando, então isso nem poderia ser usado por mim como um motivo pra ficar sozinho com ela. É, eu estou mesmo fudido.

– Sanji? – Ela me chamou. Certo Sanji, se controle, não faça nada estúpido.

– Sim, Nami-chan? – Tentei responder sem parecer esperançoso demais.

– Poderia levar um café para mim no meu quarto?

– Claro, Nami-chan. – Não seria tão cedo que ela baixaria a guarda. Difícil, mas gosto de mulheres assim, no fim das contas. A arte da sedução é melhor com as difíceis, porque com elas nos aprimoramos.

Certo que eu queria conquistá-la com cada pequeno gesto meu, então me esforçava todos os dias para mostrar a ela meu lado bom. Junto com o café, preparei uma pequena sobremesa a base de nata e licor de laranjeira, Panna Cotta. Aprendi especialmente para ela, a minha flor de laranjeira perfeita.

Levei até seu quarto e postei a travessa com o café e a sobremesa, caso ela quisesse comer algo mais tarde.

– Aqui está, Nami-chan. – Me encaminhava de volta à porta, para me retirar da sala. Por mais que a quisesse, não poderia forçar a situação, afinal foram anos fazendo isso.

– Sanji... espera. – Voltei os olhos para sua direção. Não tocou no café, apenas deu uma leve mordida na sobremesa que levara para ela.

– Diga, Nami-chan.

– É mesmo tudo verdade? – Ela me parecia pensativa. – O que você dizia todo esse tempo... sobre... – Parou de falar. Ah, tudo bem, não precisa mais dizer. Porque eu agora finalmente vi em seus olhos o que eu procurava.

Caminhei a passos moderados em sua direção, pois não queria parecer impetuoso demais ante a revelação da verdade, da parte dela.

– Sim, Nami-chan.. era.. quer dizer, é verdade. – Tirei de suas mãos a taça com a sobremesa e coloquei de volta em seu lugar, na travessa. Tá que era uma desculpa pra poder tocar suas mãos... tão delicadas. Mesmo com tantas lutas elas não perderam a tez suave.

Devagar fui subindo minhas mãos pelos seus braços, até que chegaram a sua face. Toquei cada parte dele devagar, sentindo o calor emanar, descobrindo cada curva e saliência daquele rosto perfeito esculpido por Kami. Respirei fundo... ela era perfeita.

– Nami... eu te amo... – Disse sem nem pensar, apenas porque precisava externar mais uma vez e da forma mais sincera que podia naquele momento, o meu amor por aquela navegadora.

Tomei de seus lábios o beijo que tanto esperei e desejei. E minha alegria foi a mil quando percebi que ela retribuía o beijo da mesma forma. Minha mente então acordou. Não era sonho, não era devaneio, era real. Nami estava ali, em meus braços, retribuindo meus sentimentos, apertando meus ombros com força enquanto minhas mãos deixavam seu rosto pra ganhar sua cintura.

Era demais pra mim.

Queria tê-la completamente. Deixei seus lábios e beijei cada parte do seu rosto, descendo até ganhar o pescoço. Meus ouvidos ganharam de presente um pequeno gemido, tímido, como se estivesse preso em algum lugar de sua garganta.

Já iria deitá-la na cama quando percebi suas mãos apertarem meus braços com força.

– S-sanji...

– Desculpe Nami... por hoje acho que apenas o fato de ter tido você em meus braços já é suficiente. Ter provado seu gosto doce de laranjas recém colhidas do pé... pra mim é o bastante. – Estendi minha mão e ela não hesitou, segurou-a com força. Levei-a para fora do quarto, em direção ao convés do Thousand Sunny.

As estrelas já iluminavam a noite, salpicando a escuridão com seus pequenos raios de luz. Queria apenas que ela visse as estrelas. Porque o brilho delas não se comparava e nem sequer chegava perto do brilho que via em seus olhos.

Notas finais
Panna Cotta é uma sobremesa italiana feita com nata, gelatina de laranja e licor de flor de laranjeira.

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Bem pessoal, mais uma fic e dessa vez, de One Piece.

Ah, eu sei lá, simplesmente me deu vontade de escrever algo SanNa. Amo o Sanji apesar dele não ser o homem ideal pra nenhuma mulher que se preze shaushaushauhsua.

Bem, pode não estar uma maravilha, mas eu até gostei do resultado

Bjos =*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!