Panic

2 A morte pode chegar a qualquer momento


— Quem está falando? — April perguntou à voz no telefone.

— Minha voz não parece familiar?

— Não. Acho que nunca falei com você antes. Com que você quer falar?

— Com a pessoa que estava dormindo no seu sofá.

April arregalou os seus olhos. Ela não tinha ideia de como o cara no telefone sabia que a mesma estava deitada e dormindo no sofá. A não ser que ele estivesse vendo ela.

— Como sabe que eu estava dormindo no sofá da minha casa?

— É fácil saber o que uma pessoa faz quando se observa ela.

— Onde você está? — April olhou ao redor, a procura do indivíduo que falava com ela.

— Se eu revelar meu esconderijo, você vai me achar muito rápido. Até você descobrir onde eu estou, podemos brincar um pouco.

April conhecia seus amigos, sabia que eles poderiam brincar com ela, fingindo estar a observando. Após a morte de Elliot e Ethan, não seria difícil enganar as pessoas com vozes de assassinos psicopatas. Sabendo disso, April passou a duvidar se alguém realmente estava olhando para ela.

— Já pode parar com isso, Jodie, Logan, Leila ou Garrett. Quase conseguiram me assustar.

— Acha que isso é uma brincadeira, April?

— Eu sei que é. E não foi uma das muito bem planejadas.

— Então você está muito enganada. Ficou sabendo do que aconteceu com Ethan e Elliot? Bom, saiba que aquilo em breve te acontecerá também, mas tenha a certeza de que vai ser muito pior.

Naquele momento, a garota se moveu até a porta da frente. Ela podia continuar acreditando que era uma brincadeira, mas mesmo assim, estava com um pouco de medo. Quando se aproximou da porta, ela a trancou, girando a chave duas vezes.

— April, você às vezes é tão burra. É possível ver sua expressão de medo. Mas, o que você deveria estar fazendo é: se perguntando se ao trancar a porta, você me impediu de entrar, ou de sair?

No instante em que ouviu isso, a menina se virou para trás, verificando se havia realmente alguém na casa, ou no cômodo em que estava. Logo, ela se virou para a porta da frente novamente, e em seguida, foi ouvido a porta do armário, que estava próximo a April, sendo aberta bruscamente, e de dentro dela, alguém vestido por vestes pretas e usando uma máscara saiu.

Esse indivíduo estava armado com uma faca, e com ela, tentou apunhalar a garota, que por sorte conseguiu se abaixar para não ser ferida. Assim que a lâmina passou por cima dela, a menina correu em direção a escada, mas foi surpreendida por puxão em sua blusa, vindo do indivíduo com vestes pretas. Ele a jogou no chão e ficou por cima dela. Nesse tempo em que estava olhando April de cima, ele segurou firmemente a faca e tentou a enfiar no rosto da jovem, que virou a cabeça e evitou o golpe. Após isso, April, enquanto se debatia para ser solta, deu uma joelhada na barriga do mascarado e o empurrou para o lado. Isso lhe deu oportunidade para correr.

Ela subiu as escadas o mais rápido que pode, enquanto o indivíduo que a atacou se levantava. Sem olhar para trás, ela seguiu para o seu quarto. Ao chegar no cômodo, fechou a porta. O homem que usava uma máscara que se assemelhava a um rosto de um fantasma, correu atrás de April, mas não chegou a tempo de conseguir entrar no quarto. Ele batia na porta, o mais forte que podia. Dava chutes e fortes empurrões. Com todos esses golpes recebidos, a porta começou a rachar, e April, que estava dentro do quarto, ficava mais assustada a cada minuto que se passava.

Sem ter muitas opções, a menina pegou o telefone fixo que ainda estava em sua mão e o colocou em cima da cama. Em seguida, ela foi para a janela e começou a gritar por socorro, enquanto o cara de fantasma continuava a quebrar sua porta aos poucos.

— Socorro! Por favor! — Ela gritava em pânico pela janela. Sua rua estava vazia, exceto por alguém muito distante, que mal dava para enxergar. Este sujeito, passou a correr na direção da casa quando ouviu os gritos. Vendo que ainda corria perigo, April saiu para o telhado de sua residência através da janela e tentou pular para o andar de baixo. Sua tentativa de sobreviver e sair ilesa não foi muito boa, pois quando despencou sobre o chão, ela caiu em cima de seu braço esquerdo. A casa não era tão alta, então o braço não chegou a quebrar. Apenas sangrou. Logo ela se levantou e olhou para sua janela e a porta de sua casa por uma última vez antes de correr, e quando se virou, deu de cara com o peito de um homem. Era Garret.

O rapaz, que era mais alto que April, segurou-a e viu seu ferimento no braço. Garrett, preocupado com o que poderia ter acontecido, olhou dentro dos olhos dela.

— O que houve com você? — Ele perguntou, com a respiração ofegante e um livro em sua mão.

— Garrett, aquele cara está aqui, ele tentou me matar. — April dizia desesperada enquanto gaguejava um pouco. Quase não conseguiu terminar a frase.

— Mas, que cara?

— O assassino de Ethan e Elliot. Chame a polícia!

Garrett tentou entrar na casa de April, mas viu que a porta da frente estava trancada. O rapaz, em seguida, ligou para a polícia, que chegou em alguns instantes. Eles entraram na casa pela porta de trás, mas não encontraram nem se quer uma pegada do indivíduo que atacou April. Os policiais a interrogaram, mas continuavam sem fazer ideia de quem poderia ter a atacado. Em alguns minutos, a mãe de April, Sra. Davis, foi avisada e chegou logo depois. April teve seu braço enfaixado por enfermeiros que chegaram em uma ambulância, junto aos policiais.

— Filha… — A mãe da jovem que estava em perigo correu em direção a ela, e a abraçou-a quando se aproximou mais. — ... O que aconteceu? Por que há tantos policiais aqui?

— Um louco com uma máscara tentou atacar sua filha. Mas não se preocupe. Ele ou ela não está mais na região.

— Mas como assim? Como ele conseguiu invadir nossa casa? — A moça, mãe de April, perguntou.

— Nós não sabemos direito ainda. Sua filha disse que ele estava escondido dentro do armário da sala.

A mãe da garota, preocupada com ela, a abraçou mais forte, e deu um beijinho em sua cabeça.

— Temos que te informar que as duas não poderão dormir aqui essa noite. A casa terá que ficar aberta para investigações. Ouvimos a conversa que sua filha teve com o indivíduo, e ele disse que está envolvido com a recente morte dos dois jovens. Terão que dormir em outro lugar.

— Mas não temos outro lugar. — Retrucou a mulher.

— Podemos ficar na casa da Jodie. Os pais dela nos conhecem, acho que deixarão nós duas ficar. — April disse enquanto ainda tremia de medo.



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Depois de mais perguntas respondidas, April e sua mãe foram para a casa de Jodie. Ela era próxima ao centro, e ficava a frente da casa de Logan. Ao chegarem na casa em que iriam passar a noite, elas trocaram suas roupas, e se prepararam para dormir. Todos iriam acordar cedo no dia seguinte. Antes de dormir, Jodie e April conversaram por alguns minutos.

— Então quer dizer que o Garrett apareceu logo após você ser atacada por um assassino? Como ele não foi preso? — Jodie perguntou

— A polícia perguntou sobre isso para ele. Ele disse que iria me entregar meu livro de Geometria que eu tinha emprestado para ele semana passada. — April respondeu, ajeitando-se na cama em que as duas estavam.

— E eles acreditaram?

— Sim. Até porque o livro estava realmente com ele, e seria difícil tentar matar alguém com um livro na mão.

— De qualquer modo, você conseguiu sobreviver. Agora só precisa esperar prenderem aquele maluco.

Assim que a conversa se encerrou, as duas foram dormir.

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Na manhã seguinte, Jodie e April foram à escola. Apesar do que tinha ocorrido, elas não poderiam perder aula. Quando chegaram na escola, ambas foram para o lugar em que todos se reuniam. April colocou sua mochila no chão, e Jodie colocou a sua sobre a mesa.

— April, como você está? — Laura dizia um pouco preocupada. Apenas naquela manhã, ela ficou sabendo sobre o que aconteceu com sua amiga.

— Pode ficar tranquila. Eu estou bem. — April respondeu com um leve sorriso.

— Certo. — Laura dava um suspiro de alívio. Pensou que algo grave pudesse ter ocorrido com a menina.

— Se está tudo bem, por quê seu braço está enfaixado? O assassino te atingiu? — Leila perguntou a amiga. Elas tinham se falado na noite passada, mas April não lhe falou nada sobre o ferimento.

— Quando eu pulei do telhado, eu caí em cima do meu braço, e ralei ele.

— Tem certeza de que está bem? Olha, eu estou aqui se precisar de um homem para te defender. — Logan sentava-se ao lado dela, colocando a mão em seus ombros.

— Onde você estava quando tentaram me esfaquear? — April respondia, rindo um pouco.

— Sabe, você não é a única menina que precisa de um homem para te defender.

Todos riram daquilo. Logan, assim como o resto, ria também. Naquele momento, todos permaneceram conversando, até que o sinal da primeira aula foi ouvido, e eles foram para a sala.

— Ótimo! Finalmente aula de matemática. — Leila diz pegando sua mochila do chão e a colocando no ombro.

— Você e seu fetiche em professores. Já planejou como irá se oferecer para esse? — Louise pergunta ficando ao lado de Leila. Somente as duas ainda estavam na mesa.

— Lógico que sim. Só preciso de mais tempo. — As duas deram risada, e em seguida, foram para a aula.



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Ao final daquele dia, April voltou para a casa de Jodie enquanto sua mãe trabalhava. Elas passaram a tarde vendo filmes, conversando sobre a escola e um pouco sobre o que vinha acontecendo nos últimos dias. Logo, a noite caiu. Logan teve que passar a tarde em uma imobiliária com seu pai e sua mãe. Quando chegou em casa, seus pais saíram para jantar, e ele ficou.

Jodie e April assistiam a um filme, quando Leila chegou na casa, e se juntou à elas. As três estavam assistindo a um filme chamado Um Jantar Para Idiotas, e davam gargalhadas com ele. Ao meio do filme, April desceu à cozinha para para pegar mais pipoca. Com isso, o celular de Leila tocou enquanto April não estava.

— Alô. — Leila disse no celular.

— Bû — A voz no telefone falava. Leila sabia quem era. A voz era de Logan.

— Onde você está? Não quer chamar os outros para virem para cá? — Ela tomava um gole da bebida que tinha no copo, ao lado da cama.

— Estou em casa, à frente de vocês. — Logan respondia, enquanto entrava em seu quarto. — Eu preciso descansar, mas, talvez depois eu vá aí.

— Ok. Se aparecer alguém aí, nós enviamos uma mulher para te defender.

Enquanto Leila falava com Logan, o celular de Jodie tocou. O número era desconhecido, mas sabia que poderia também, ser alguém brincando com ela.

— Olá. — Jodie disse para a pessoa do outro lado da linha.

— Olá. Quem fala? — Uma voz rouca à respondeu.

— O seu pior pesadelo. Quem está falando?

— A April está aí?

— Olha, ela já cansou de você. Se quiser, tem eu para falar. — Jodie brincava com a voz que respondia.

— Não perguntei sobre você. Ela está ou não está aí? — A voz respondia em um tom mais grosseiro.

— Não exatamente. — Jodie se levantou da cama, e olhou para Leila, que continuava a falar com Logan. — Ei, escuta aqui. — Ela diz a Leila, tirando a bocado telefone, e em seguida, colocando no viva voz. — É você, Garrett? Mason?

— Pode ficar tranquila. Eu tenho certeza de que não é uma brincadeira de nenhum dos dois. — O indivíduo por trás da voz continuava a responder.

— Olha, é melhor ir parando quem quer que seja fazendo isso.

— É mais fácil você pausar o filme que você e sua amiga estão vendo, ou ele vai continuar, e vocês perderão as cenas.

— Como sabe o que estamos fazendo? — Jodie fica furiosa. Leila ouvia a conversa, assim como Logan, que ouvia pelo celular, e tentava observar a casa de sua janela.

— Ainda não viu? Eu estou ouvindo tudo atrás da porta.

— O que?

— Tenta dar uma olhada.

Jodie anda em direção a porta do seu quarto. Leila tentava segurar ela, com medo do que poderia acontecer. Logo, Jodie abre a porta, e atrás dela, não tinha ninguém.

— Mentiroso! Você não está aqui! — Jodie falava para a voz.

— Eu não disse que estava atrás da sua porta.

Ao terminar de ouvir, Logan ouviu sua porta ser arrombada, e da escuridão do corredor, saiu um indivíduo com uma faca, uma capa preta e uma máscara. Era o assassino. Quando entrou pela porta, o cara de fantasma enfiou a faca no peito de Logan, que gritou de dor ao receber o golpe. Em seguida, o indivíduo retirou a faca e a penetrou novamente no peito do garoto. Logan, em tentativa de escapar, se afastou do indivíduo, mas foi recebido por outro golpe com a faca. Neste, Logan tentou se proteger e colocou seu braço na frente, mas teve ele perfurado também. O cara de fantasma, após esfaquear o braço de Logan, lhe deu um chute, que o jogou em direção à sua cama. Mesmo depois de levar duas facadas no peito, Logan tentou se levantar da cama, mas foi golpeado novamente pelo indivíduo mascarado que esfaqueou seu abdome. Logan gritava de dor como nunca antes. A facada no abdome foi seguida de muitas outras, que foram direcionada para a barriga. Ao acabar de matar o garoto, o cara de fantasma pegou o corpo, levantou a cabeça de Logan e balançou, mostrando-a para a janela de Jodie, que gritava desesperadamente junto a Leila

April, ouvindo os gritos, subiu para o quarto de Jodie novamente, onde encontrou as duas amigas gritando por Logan. Em seguida, a garota desceu e foi para a casa de seu amigo. Foi preciso quebrar o vidro da porta da casa para poder entrar. Quando chegou ao quarto do rapaz, o ambiente estava todo ensanguentado, e o corpo de Logan, jogado sobre o chão, com parte do seu intestino para fora.

A garota, que agora estava olhando para o corpo de seu amigo morto, chegou a quase vomitar, pois o quarto estava vermelho de sangue, e a visão interna de Logan, não agradava muito. Ela se sentou sobre o chão, e deixou que uma pequena lágrima caísse de seu olho.

Depois de segundos, o celular de Logan tocou. April, furiosa com a morte de seu melhor amigo, atende a ligação.

— Onde você está, seu monstro?

— Pobre April. Estava próxima do amigo enquanto ele era assassinado, e não pode fazer nada.

Enquanto ouvia a voz do indivíduo, April olhou para a porta do quarto. A mãe de Logan havia chegado com seu marido, e subiu desesperada quando viu o vidro da porta da frente quebrado. April tentou impedir que a mulher entrasse no quarto e visse aquela cena horrível.

— O que aconteceu? Cadê o Logan? — A moça dizia com um pouco de desespero no olhar.

— Senhora Mitchell, por favor, não olha. — April ficava a frente da visão da mulher. Quando olhou de relance para trás da moça, a garota conseguiu ver a figura encapuzada novamente, prestes a atacar a mãe de Logan. April empurrou a Sra. Mitchell, e se jogou em cima do cara de fantasma. Ao fazer isso, os dois caíram escada a baixo.

Ao se levantar, o assassino tentou esfaquear April em seu rosto novamente. E a mesma segurou o seu braço e o jogou para o lado. Quando os dois se levantaram, April chutou o assassino na direção de seu rosto, que caiu, aparentemente, inconsciente no chão. A garota pegou seu celular para ligar a delegacia, mas quando tirou o olhar brevemente do indivíduo mascarado caído, ele tinha sumido.


Os policiais chegaram em minutos. Quando pisaram na casa, April estava sentada no chão do primeiro andar, com a cabeça baixa, e o Sr. e a Sra. Mitchell, chorando sobre o corpo de seu filho.