Panic
2 Capítulo Único
Era a quarta roupa que Melody me fazia experimentar. Uma mais rosa que a outra e isso me deixava nos nervos. -Mel, me deixa escolher, é bem melhor. me joguei na cama espaçosa. -Pra você ir parecendo um urubu?Não mesmo. -Então escolhe algo mais diversificado!Não vou feito Paris Hilton! falei estressada. Melody é legal, mas é chata às vezes. -Ok, ok, vamos ver melhor seu armário. Ela ficou ali dentro por um tempo depois juntou as peças na cama ao meu lado. E então? -Bonita. Vou com ela. fui ao banheiro e me troquei. Não era tão ruim. -Maquiagem. Melody gesticulou frenética para a cadeira cor-de-rosa. -Não me deixe como... -Paris Hilton?Fique tranqüila, não farei isso. Mel me interrompeu. -Eu ia dizer como Marilyn Manson, mas isso também apontei acusativa para minha amiga. Ela riu e me mandou fechar os olhos. Quando os abri, algum tempo depois, me olhei no espelho. Meus olhos estavam delineados por grossos traços pretos estilo gatinho, meu olho azul parecia maior pelo lápis também preto, a sombra era um preto acinzentado que ficava mais claro enquanto chegava perto da sobrancelha, minha pele não transparecia nenhuma olheira típica, e sim estava cremosa e linda, minha boca era de um tão vermelho bem forte. Aquela garota sabe maquiar alguém. -Minha vez! ela se jogou dentro do banheiro, saindo alguns minutos depois de lá toda arrumada. Ela estava linda e delicada, como realmente era. -Podemos ir? -Estou sem maquiagem!É só um lápis preto e gloss, juro. Cinco minutos. -Ok. E lá estava eu, sentada na escrivaninha. Meia hora depois. Minha cara de tédio nem a maquiagem conseguiu esconder. -Vamos Melody!Uma tartaruga teria se maquiado com mais rapidez!! -Tartarugas não conseguem nem se virar, como se maquiariam? ela gritou de volta, me deixando irritada. -Eles chegaram!! gritei vendo o carro vermelho conversível parado em frente à nossa casa. Sim, nossa. A família Reynolds me adotou, mas somente Joel sabe o que eu sou e somente eu sei o que ele faz. Melody é, tecnicamente, minha irmã. -Estou pronta!! Ela saiu saltitando do banheiro. A pele estava cremosa e bronzeada como sempre, os olhos delineados como os meu, mas sem a sombra e boca com gloss. -Você só fez isso e demorou tanto??? perguntei indignada enquanto descia as escadas graciosamente. Ser uma vampira trás coisas boas também. -Não se apressa a arte. -Isso não é arte. É maquiagem. Se você passasse só um gloss ficaria linda. revirei os olhos. Estamos indo Joel! -Tenham cuidado. As duas. disse ele acenando do sofá. -Teremos falei revirando os olhos. -Venham suas lerdas! gritou Marion do banco do motorista. Ela era super, ultra, mega popular e simplesmente achava que era melhor por isso. Melody era amiga dela, mas eu sempre a odiei. Vem comigo na frente Mel. Melody foi e eu sentei atrás com Yulia e Blake. As duas loiras falsificadas seguidoras de Marion. Afinal, toda metida precisa de alguns seguidores. Um carro preto parou atrás do de Marion, devia ser o dos garotos. Então, fomos ao cinema. Conforme o carro se movimentava e o vento batia em meu rosto, o cheiro de cada pessoa era levado até mim. E vou te contar uma coisa: essa cidade tem muita gente que serviria de banquete. Mas o pior era o cheiro de Marion, que estava ao meu lado. Maldita dieta/aposta. -Aonde vamos? Tentei ao máximo ficar sem ar, o que deu super certo. -Numa lanchonete depois no cinema. Tem pessoas naquele carro famintas Marion apontou o carro preto. E tem gente nesse querendo rasgar seu pescoço, mas ninguém liga pra isso né?, pensei irritada. A viagem demorou mais do que imaginei e logo saltei do carro. -Existe algo chamado delicadeza, sabia? Marion jogou os cabelos para trás do ombro e abriu a porta com cuidado, saindo devagar depois. -E também existe algo chamado vá se foder porque eu não pedi a sua opinião, sabia? ergui as sobrancelhas de forma irônica. Se tinha algo que me irritada, esse algo era Marion e seu jeito insuportável. -Emilie... Vem cá. Melody me puxou até debaixo de uma árvore. -O que? -O que foi aquilo?! -Eu... -Não terminei. ela fechou os olhos por um instante e os abriu novamente. Você disse aquilo sem necessidade, com certeza ela vai descontar em mim! -Se ela descontar, eu corto ela e depois jogo no lixo. Melody revirou os olhos sem saber que eu falava sério. Muito sério. -Fique quieta, entendeu? -Entendi. falei rolando os olhos. Voltamos para o resto do grupo, enquanto Mel interagia, eu fiquei parada lançando olhares fulminantes à Marion e qualquer um que me fitasse. A necessidade pelo sangue crescia a cada segundo e me engolia de forma perturbadora. Minha garganta parecia estar pegando fogo e isso me entorpecia dolorosamente, todos os cheiros pareciam bons e eu só precisava de um pra acabar com aquilo. Mas não iria. Não pela aposta, e sim por não ser certo matar alguém em público. É desagradável. -E aí, esquisita?Por que trouxe ela, Mel? um loiro comentou, apontando para mim. -Primeiro entrei na roda recém feita. Eu tenho um nome, é Emilie. Segundo, esquisita e calada são coisas diferentes, eu sou calada. Terceiro quem é você para me julgar? Ele ficou em silêncio, mas os outros murmuravam uhhh, eu sorri e revirei todo um momento onde eu cravaria meus dentes em seu pescoço sem cor. Cena realmente linda. -Ok. Primeiro, eu não tenho obrigação de saber o seu nome. Segundo, eu sei que tem diferença, mas você é os dois. Terceiro já ouviu falar de primeiras impressões? o loiro se recuperou e despejou as palavras, ele apontava acusatoriamente para mim e eu quase pulei nele por isso. -Primeiro, desde quando estamos numerando os argumentos? sacudi a cabeça. Segundo, pare de apontar pra mim porque vou quebrar o seu dedo, dá próxima vez eu o entorto para você ok?Terceiro não sou esquisita, só calada e meio gótica. Quarto, nada de dá o direito de falar assim comigo ou de mim. Vamos entrar ou não?Aqui está ficando frio. esfreguei os braços e entrei no calor da lanchonete. Quando me virei, lá estavam eles escolhendo uma mesa grande. Respirei fundo e fui até lá soltando a respiração aos poucos. -E então? perguntou uma garçonete quando acabei de sentar. Cada um falou seu pedido e eu senti até pena da mão da garçonete, tendo que escrever tudo aquilo. E você? ela apontou para mim. Quero uma pessoa com sangue O positivo, por favor. -Uma água. -Só?Até Marion pediu alguma coisa! disse algum garoto. -É, só isso mesmo. Não importa o que Marion pediu, é isso que eu quero e ponto. Sou eu que estou pagando mesmo. dei de ombros, deixando a mesa em silêncio. -Os pedidos virão logo a garçonete tentou sorrir e foi embora. Ela te tinha um cheiro. Ainda bem que o prazo acabaria naquela noite. Água não era tão ruim. Só não tinha gosto de nada, era só um liquido qualquer descendo pela minha garganta. Por um momento, imaginei que aquilo era sangue e me senti bem. Até que eles pagaram a conta e saímos para ir ao cinema. Naquela altura do campeonato, todo cheiro era bom demais. Fechei os olhos e identifiquei um cheiro maravilhoso, o segui e abri os olhos. -Emilie, que infernos você está fazendo? Melody!!!Ah, droga!O cheiro vinha da Melody?Justo dela?Finalmente reparei em minha situação. O pulso da minha irmã postiça estava entre minhas mãos e eu o apertava de forma que ao redor ficou vermelho. -Er... Eu preciso ir embora, Melody. Eu sinto muito, mas preciso ir. soltei o pulso dela e fui andando. -Emilie, espera!Você não pode ir!! ela me segurou enquanto todo o resto da tribo foi entrando.- Você disse que ficaria aqui! -Me desculpe, eu não posso mais! e saí correndo. Primeiro fui em velocidade normal, ate que sumisse das vistas humanas, então eu virei um borrão acinzentado. Parei embaixo de uma árvore e comecei a sufocar. O ar parecia ter sido preenchido somente por cheiros humanos e animais que estavam a quilômetros de distância. Minha garganta queimava dolorosamente e eu a apertava até os nós dos dedos ficaram mais brancos do que já eram. Tudo girava e minha calma sumiu, eu só queria o delicioso sabor do sangue preenchendo minha garganta e me dando uma vida que eu tinha começado a perder. Eu só precisava de sangue. Olhei para o céu escuro e senti um cheiro humano por perto então o segui. -Quem é você?! o homem se assustou quando apareci silenciosamente. -Sou Jane. menti. Estou perdida. -Oh!Eu sei o caminho, por aqui. o homem me guiou e eu quase senti pena dele. Ele tinha um bom coração, eu podia sentir isso. Deixei a pena de lado e segurei seus braços para trás, enquanto meus dentes afiados procuravam seu pescoço. Encontrei e finquei os dentes ali, retirando o máximo de sangue possível, mas não atingi uma veia, então o sangue foi pouco. Frustrada, ergui a cabeça e cravei os dentes novamente, então atingi uma artéria e quase sorri quando o sangue me invadiu. O homem tentou gritar, mas cobri sua boca antes que ele fizesse isso. Tomei até a última gota de sangue então larguei seu corpo na mata e lambi os lábios sujos do sangue doce. Olhei minha roupa e conferi o rosto. Se não fosse pelos olhos brilhando num tom vermelho, eu diria que estava tudo bem. O rosto ainda permanecia na minha língua e eu me toquei que teria de esconder o corpo do homem. Ainda bem que não havia nenhuma digital minha nele, já que cobri as mãos com as mangas da jaqueta enquanto o drenava. Coloquei o corpo atrás de uma árvore e respirei fundo. A ardência diminuiu, mas não sumiu. Eu queria mais sangue. Os cheiros se misturavam conforme eu atravessava a mata densa, mas um se destacou e comecei a segui-lo discretamente. Ninguém me via saltando ou correndo em alta velocidade. Cheguei à origem do cheiro, que por sorte, estava sentado embaixo de uma árvore num lugar bastante deserto. Enrolei os braços pelo pescoço da pessoa, tapei sua boca e cravei os dentes em sua pele macia ao mesmo tempo. O sangue delicioso desceu pela minha garganta, acabando coma ardência e me deixando muito feliz. Eu quase revirei os olhos mesmo eles estando fechados. Eu perdi a aposta, mas que se dane. O corpo começou a ficar mole em meus braços conforme eu drenava seu sangue tão quente e doce. Quando senti que estava bastante saciada, soltei a pessoa que tombou de lado no chão. Limpei a boca e me preparei para esconder o corpo, quando me congelei no lugar. Nãoooooooooooooooooooooooooooooo! O que eu fiz???Merda, merda, meeerda!Ah!É hoje!Adeus mundo! -Melody! me ajoelhei e apoiei sua cabeça nas pernas. Ah Melody!Por que você tinha que ter um cheiro tão bom??? falei com as lágrimas nos olhos. -Emilie... meu pescoço... dói. sussurrou. Ela foi perdendo a cor e eu coloquei a mão sob a mordida, na tentativa de parar o sangramento. -Eu sei. Fique quieta e calma, vai dar tudo certo. prometi sem ter certeza. Eu drenei quase todo o sangue e uma parte de mim gritava para fugir enquanto havia tempo. -Foi você... que me... fez isso? ela tossiu e apoiou uma mão frágil no peito. -Sim, Mel. Eu não quis!! comecei a chorar descontroladamente. Melody foi a humana que ficou mais próxima de mim e eu nunca cogitei a idéia de perdê-la. Foi a primeira humana para qual eu realmente dei valor. Ou quase. Você vai ficar viva!!Pense no seu pai!!Você não pode deixá-lo sozinho. -Eu não.. consigo ela tossiu e vomitou ao meu lado. Emilie...O que... você fez?Por quê? ela chorou. -Me perdoe! parei de tentar limpar as lágrimas e só as deixei cair no rosto pálido e fraco de Mel. -Cuide do meu pai. -Joel vai me caçar e me matar! falei sentindo ódio pelo fato de Melody estar a beira da morte. A perda da vida dela custará a minha. -Por quê? -Porque ele nunca perdoaria a pessoa, ou vampiro, que tirasse a vida da filha dele. -Você... Emilie! ela pareceu tentar ter raiva, mas foi em vão. -Sugadora nojenta de sangue, sim. Eu sou. Me desculpe Melody, eu... mas os olhos dela perderam qualquer sinal de vida. Estando perto, pude ouvir seu coração parar e suspirei triste. Vá com Deus, Melody Reynolds. Eu vou sentir sua falta. Então, desabei no choro. * Ela merecia ao menos que seu pai a enterrasse. Peguei seu corpo frágil e comecei a corre sem que ninguém me visse. Cheguei em casa e saltei, pousando na janela semi aberta. Com um chute delicado e silencioso, abri a janela totalmente e coloquei o corpo da minha amiga morta no chão. Beijei sua testa como uma forma de despedida e coloquei um cobertor em cima dela, tudo silenciosamente. Peguei papel e caneta, então escrevi, ignorando as lágrimas escorrendo. Me desculpe Joel. Eu fiquei perturbada e a necessidade de sangue me levou; eu não vi o que estava fazendo até vê-la morrer. Bem, eu espero que você um dia me perdoe, eu sei o quanto você amava sua filha. Acredite em mim, eu também amava ela, foi uma verdadeira melhor amiga chorei ao escrever isso. Eu só não pude suportar, eu sei que você vai me caçar, mas saiba que estou tremendamente arrependida e, se conseguir escapar de você, irei sentir culpa e saudades dela para sempre. Daquele jeito de me incomodar, de dizer que vai demorar cinco minutos no banheiro quando demora trinta, o quanto ela amava Crepúsculo e todas aquelas modas de vampiros das quais eu e você sempre fizemos piada. Eu por ser vampira e você por ser um caçador. PS: Para um caçador de vampiros, você até me aceitou muito bem dentro da sua casa. Eu realmente sinto muito. PS²: Melody está no quarto que era meu e dela. E dobrei o papelzinho. Fiquei pendurada na janela e fitei o rosto de Melody uma última vez, depois fechei a janela e pulei no gramado. Me aproximei da porta respirando fundo e joguei o bilhete por baixo da porta, toquei a campanhia depois e saí correndo. Assisti de cima de uma árvore o momento que Joel abriu a porta, pegou o bilhete e o leu com lágrimas nos olhos. Ele começou a chorar e eu quase o abracei, mas me manti no topo da árvore. Ele entrou e pela janela, o vi abraçar Melody. Então, fui embora. * -Onde é que você estava??? Marion gritou. Ficamos preocupados!Por que sua roupa está suja de sangue?? -Melody foi me procurar e... Ela foi atropelada menti. Ela está morta, eu a levei para casa. -Oh Meu Deus! — berro chocado o loiro com quem discuti mais cedo, que durante o cinema descobri que se chamava Charlie. -Eu preciso... ir embora. Adeus. sacudi a mão. Fui até ali para isso mesmo. Apenas avisar. Com dor no coração, peguei minha mala que tinha arrumado depois de cobrir Melody com o cobertor. Fui até a estação de trem e lá esperei. -O que aconteceu? olhei para trás e vi um antigo conhecido vampiro. -Henry? engoli em seco. Se Henry estava ali,não era para algo bom. Comecei a ser tomada pelo pânico e medo. O que você...? -Matou mesmo aquela Melody? -Sim. engoli em seco novamente. -Emilie... Emilie... Emilie. ele murmurou. Você matou algum homem na floresta? -Sim. Por quê? -Ele não morreu. Ele contou à polícia e isso já está em todos os jornais. Henry gesticulou para a televisão e vi o homem ferido falando. Ele contou sobre mim, que o mordi, que arranquei seu sangue e como eu era.. Fodeu. -Mas!!Eu... tinha certeza de que o matei!!! comecei a chorar de desespero. Vão me matar!Eu acidentalmente fiz aquele homem revelar tudo!Droga! -Verificou os batimentos? Henry arqueou uma sobrancelha. -Er... evitei fitá-lo. Lá vem bronca. -Emilie!!Você sabe o que vai acontecer agora, não é? Ele estendeu a mão e eu a peguei, sabendo que não conseguiria lutar contra mais de 100 vampiros só naquele país. -Vai ser muito ruim? -Seu castigo será de acordo com o acontecimento. No mínimo, eu diria tortura. Fechei os olhos e fui com Henry até um lugar deserto e sem câmera, onde ele torceu meu pescoço. E eu senti que o castigo foi por Melody e pelo homem, não pelo segredo.
Notas finais
Roupa da Emilie: http://media.onsugar.com/files/ons1/282/2827140/14_2009/d9435cce759acce9_Taylor_Momsen_Designing_Clothes_for_Her_Rock_Tour.jpg.
Roupa da Melody: http://files.looklet.com/looks/bda386bc-c885-49a5-9ef9-2948425d0ea4.jpg?1
Roupa da Melody: http://files.looklet.com/looks/bda386bc-c885-49a5-9ef9-2948425d0ea4.jpg?1
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