Panem Et Circenses
10 Capítulo 9: Armistício.
Notas iniciais
Depois de toda a confusão instalada, a Hyuuga havia pedido licença aos outros e se retirara. Naruto sentiu a estranha necessidade em ir atrás da morena para poder reconfortá-la, mas não o fez. Sabia que ela precisava de um tempo sozinha e de qualquer forma a Yamanaka pareceu ir atrás dela. Talvez elas pudessem conversar sobre o que tinha ocorrido. Em algum momento o Sabaku saíra sem falar nada, nem mesmo uma sequer palavra sobre onde iria. Porém, ninguém ali ousou perguntar qualquer coisa a ele.
E por fim sobraram Uzumaki Naruto, em pé no meio da caverna sem saber ao certo o que fazer. Uchiha Sasuke, que estava com a cabeça apoiada na parede e os olhos fechados, como se dormisse – coisa que os três ali sabiam que era mentira. E Haruno Sakura, que estava sentada no começo da caverna onde o sol estava a esquentá-la.
A rosada parecia distante, não do jeito como uma garota ficaria depois de ouvir tais palavras sobre não amar seu pai o suficiente, mas sim do jeito como se voltasse ao passado. Do jeito como está perdido em momentos que ocorreram a tempo demais para que uma lembrança viesse com facilidade. Entretanto, lá estava ela encarando o horizonte de maneira pensativa.
O loiro soltou um suspiro e andou lentamente na direção da Haruno. Depois de muito pensar decidiu que seria melhor tentar amenizar a situação com ela também, afinal não podiam ficar naquele clima se quisessem cooperar para sair daquela floresta. Naruto sentou-se ao lado da garota e ficou por incontáveis minutos em silencio apenas esperando alguma ordem dela para que se afastasse e aquela ordem não veio e então ele decidiu que era hora de começar a falar.
— Olha, não fique braba com a Yamanaka... – o loiro começara a falar de maneira acanhada, e suas palavras chamaram a atenção de Sakura, que virou o rosto e encarou-o nos olhos —... Ela não falou por mal.
— Ela está certa. – foram às primeiras palavras que a rosada falara desde a discussão e tal afirmativa chocou Naruto, a ponto dele arregalar os olhos — Eu não amo meu pai o suficiente.
O Uzumaki sentiu o choque paralisá-lo e logo depois seu corpo começou a ficar tenso por conta da raiva que ele tentava conter. Para ele não fazia sentido algum uma pessoa que não amava seus pais, que renegava o amor que recebia e jogava fora a chance que tinha de passar com aqueles entes queridos. Naruto era a prova viva de que as pessoas só sabiam dar valor quando perdiam.
Uchiha Sasuke que havia mantido os olhos fechados desde que tudo acabara, por fim os abriu quando ouviu as palavras serem pronunciadas pela rosada. Ela não havia falado com remorso algum, mas sim com uma certeza tão surpreendente que chegou a fazê-lo ficar confuso sobre quem realmente era aquela garota.
Quando o loiro estava prestes a passar um longo sermão em Sakura, ele se deteve ao perceber que a garota estava encarando suas mãos. O Uzumaki desviou sua atenção para o mesmo lugar que a rosada encarava e percebeu que pela extensão da mão dela havia várias cicatrizes, umas grandes, outras pequenas e algumas eram espessas demonstrando quão profundo foram os cortes. Todas eram esbranquiçadas devido ao tempo e ele franziu o cenho quando um pensamento cruzou sua cabeça.
— Foi seu pai quem as fez? – Naruto pegou tanto Sakura quanto Sasuke de surpresa com aquela pergunta repentina. A rosada ficou encarando-o nos olhos por um longo tempo, ela já estava esperando que ele surtasse e começasse a gritar com ela, porém não o fez.
— Algumas sim. – a voz dela saiu calma e sem qualquer tipo de arrogância ou superioridade, ambas as coisas que pareciam ser tão parte da garota quanto o seu cabelo rosado. Ela passara a ponta dos dedos da mão direita em cima de algumas cicatrizes dos da mão esquerda, nas mais espessas, que haviam sido profundas — Outras eu ganhei com treinamentos, como todo shinobi. – depois daquela frase ela dera de ombros.
— Por que seu pai fez isso com você? – O Uzumaki não conseguia entender o porquê de um pai querer fazer aquilo com seu filho, principalmente se fossem levar em conta que aquelas cicatrizes pareciam terem anos e aquilo significava que o pai da Haruno havia feito aquilo enquanto ela era pequena.
— Ele queria cortar as minhas linhas de chakra da mão. – ela dera de ombros ao falar, mas quando percebeu os olhos de Naruto arregalados e sua boca começando a abrir em choque ela apenas dera risada — Consegui ajuda depois daquilo.
Tanto Naruto quanto Sasuke sabiam que aquilo era o máximo que a Haruno iria lhes confidenciar. No quesito curiosidade o loiro sempre iria ganhar do Uchiha, porém naquele momento o moreno acabou ficando com uma dúvida e mal teve tempo de se controlar antes de falar.
— Como você consegue realizar jutsus de cura então? – ele perguntou e percebeu que nenhuns dos dois sentados ao sol ficaram surpresos por ele estar acordado. Entretanto a expressão relaxada que Sakura havia no rosto se foi no mesmo instante em que olhou na direção de Sasuke.
— Eu consegui pará-lo antes que ele conseguisse alcançar minhas linhas de chakra. – ela dera de ombros e pela maneira seca como respondia não dava à mínima se acreditavam nela ou não, mas ao mesmo tempo nas entrelinhas de sua armadura dava para perceber que a Haruno possuía um desespero por ser ouvida. Mesmo que ela não estivesse lá muito disposta a falar sobre si mesma — Elas são difíceis de achar apesar de parecer que não. E como disse, tive ajuda depois.
Aquilo era tudo e todos eles sabiam. Sasuke continuou a encara a garota de maneira superior como se não estivesse nenhum pouco preocupado com a situação dela – o que de fato não estava – porém não podia deixar de ser um tanto quanto sadomasoquista ao querer irritá-la a ponto de ver a Haruno perder a cabeça com ele.
O moreno começou a pensar se não estava ficando maluco sendo forçado há passar aquele tempo com aqueles outros. Fazia anos que não passava tanto tempo com outras pessoas e era estranho estar no meio de tanto falatório e gritaria novamente, principalmente pelo fato de ter acabado de descobrir que gostava de ver Haruno Sakura irritada com ele. Parecia ser uma boa distração naquele lugar completamente tedioso.
Entretanto a rosada que parecia querer voar na cabeça do moreno simplesmente se colocou em pé e começou a andar. Simples daquele jeito. Ela adentrara por entre as árvores sem nem ao menos olhar para trás uma única vez e sem dizer qualquer outra palavra a mais. Nenhum dos dois sabia dizer se Sakura voltaria à caverna e eles continuaram quietos apenas observando o local por onde ela desaparecera.
XXX
Em pé de frente ao riacho, Hinata tinha algumas pequenas pedras em mãos. Jogando-as sobre a água corrente, a Hyuuga colocava-se a pensar, calmamente, acompanhando o singelo movimento das pedrinhas em contato com a água. Desde pequena nunca tivera muito contato com a natureza, passara a maior parte da infância em casa ou sob os muros do Distrito Hyuuga. Seu pai costumava lhe dizer que uma Hyuuga jamais deveria se comportar como uma mera garota descuidada.
Ela tinha de ser como sua mãe. Delicada, educada e principalmente, gentil e disponível para fazer chá todas às tardes. Seu pai não a via como a primeira herdeira do clã... Parecia ter se conformado com o fato de que teria utilidade apenas para realizar as tarefas domésticas e estar elegante, como sua mãe. Ele não acreditava em seu talento e esforço... Como kunoichi. Talvez, de algum modo, a Yamanaka tivesse razão. Estavam parados, sem mover-se enquanto deveriam estar à procura de uma saída, como incansáveis shinobis.
— Assim nunca vai lançar mais longe que isto. – a marcante voz da loira a surpreendera, não esperava que ela a seguisse.
Abaixando-se, Ino pegou algumas das muitas pedrinhas ao redor do riacho e preparou uma, lançando-a muito além de onde as que Hinata jogara conseguiram chegar. Com um sorriso, ela encarou a Hyuuga, que também se colocara a sorrir, divertindo-se com o estranho e arrojado jeito de portar-se da loira.
— Você precisa inclinar mais o braço... – instruiu Ino, pegando mais uma pedrinha. — Assim. – demonstrou ela, atirando e alcançando novamente uma boa distância.
— Vou tentar. – manifestou-se Hinata, com seu timbre doce e naturalmente baixo, no entanto, com uma suave nota de calmaria. Fazendo como a Yamanaka, Hinata jogou a pedrinha, alargando seu sorriso ao ver o quão longe chegara o fragmento de rocha.
— Queria me desculpar pelo que disse mais cedo, não foi para você. – afirmou Ino, sentando-se a beira do riacho. Sentira que a Hyuuga se entristecera com suas palavras, e mesmo que não tivesse se dirigido a ela, fazia questão de pedir devidas desculpas.
Mal a conhecia, mas algo dentro de si dizia que como ela, Hinata tinha uma grande meta a cumprir. E dava cada gota de suor para cumpri-la, exatamente da mesma forma como a loira, que dava todas as energias matinais para assegurar que seu pai estaria bem e, sobretudo, teria mais um dia de vida. Mais um dia para que a esperança se plantasse em suas veias. A esperança de deixar aquele hospital e voltarem a ser a família que foram um dia. Uma família de dois integrantes.
— Não há necessidade disso... Mas sabe por qual razão que vocês duas não combinam? – opinou Hinata, sentando-se ao lado de Ino e cruzando os braços ao redor de seus joelhos. Com um olhar, a loira deixara-a livre para prosseguir. — São fortes. Vocês duas são kunoichis impressionantes.
— Você também é. – assegurou Ino, altiva. O sentimento de inferioridade da Hyuuga lhe tocava. Por mais que todos dissessem o contrário, ela não deveria jamais deixar-se abater, achar-se pequena. Não era justo com todo esforço que apresentava. O primeiro passo para que seu esforço valesse a pena era dar a ele o devido valor, tendo consciência de como tornara-se forte a cada queda. Diante do sério olhar de Ino, Hinata acenou de cabeça, em afirmativo. A autoconfiança da loira dava-lhe uma breve coragem para, pela primeira vez, acreditar em si mesma.
— Você se importa tanto com seu pai... É algo muito especial. Eu também me importo muito com a minha família. – comentou Hinata, olhando seu reflexo no espelho formado pela água.
Há poucos metros dali, escorado em uma das tantas árvores, o ruivo observava com muita clareza a cena a sua frente. Com os olhos em brilho mórbido, irritadiço e interessado, ele analisava cada expressão da loira. Mas o que lhe despertava maior interesse era o diálogo instalado. Ouvia com interesse as palavras de ambas, no entanto, a frase final da Hyuuga trouxera-lhe fatos a mente que ele batalhava para não tornarem-se tão vivos em sua cabeça.
Era o único. O único a não se importar nenhum pouco com sua família, certamente. Jamais conseguiria dizer tais palavras com tamanho... Tamanho sentimento. Não sentia nada semelhante por aqueles três. Nem por Temari, nem por Kankuro, e tão pouco por seu pai. Apenas indiferença pelos irmãos e ódio pelo pai. Muito ódio, que nascera fruto do medo que o atormentava cada noite isolado naquele maldito quarto no último andar da residência mais famosa de Suna. A residência do Kazekage, que por azar, tinha de chamar de “casa”.
— Meu pai é tudo que tenho. Inclusive, foi com ele que aprendi a lançar pedrinhas assim. Ele era o melhor. – revelou Ino, rindo em função das divertidas memórias que lhe brotavam na mente ao se lembrar de seus tempos de criança. — Íamos algumas vezes ao ano visitar uns parentes, e até as poças de água que havia perto a casa deles eram alvo das nossas competições.
— Meu pai não costuma viajar muito. Ele sempre está muito ocupado. Ou com os assuntos do clã ou com o treinamento de meu primo, Neji. – contou Hinata, movimentando uma das mãos dentro da límpida água do riacho.
— É, pelo que falam dele, deve ser muito ocupado mesmo. Mas seu primo Hinata, me perdoe, é um mala. Pelo menos é um dos melhores clientes lá da floricultura. – disse Ino, rindo. O Hyuuga era realmente um cliente assíduo, todo final de semana comprava rosas brancas.
— Você é tão direta... – falou Hinata, rindo como a loira.
— Uns diretos, outros mudos... — afirmou Ino, emitindo um fraco suspiro.
Observando-a, Hinata colocou as mãos sob a fina grama.
— É, ele é muito calado mesmo. — concordou a Hyuuga, adivinhando mentalmente de quem a loira estava a se referir. Não compreendia nada que vinha do Sabaku, ele era como um grosso cadeado, porém, portador de uma pequena e enferrujada chave; que instintivamente atraíra a curiosidade atroz da Yamanaka. Com um leve trocar de olhares, Ino percebera que havia pensado alto.
De quem estavam falando? Perdido com o novo rumo do assunto das duas, Gaara estreitou o olhar. Quem era esse tal “ele”? Será que a loira tinha um namorado? E por que diabos aquilo lhe importava? Não era da sua conta. Automaticamente, olhou para seus pulsos enfaixados com as ataduras dela.
— Em compensação o Naruto fala mais que todos nós juntos. — constatou Ino, rindo outra vez. E com uma sonora risada, contida pelos dedos da mão direita da Hyuuga, esta completou:
— Ele é tão alegre... E por falar nisso, estou com tanta fome. Vamos arriscar pescar algo? Seria uma boa cortesia por hoje. O Uchiha-san está machucado. — propôs Hinata, doce.
— Está bem! Mas vou logo avisando que meu ramo na cozinha é com vegetais e sobremesas. Sou um desastre no restante! — exclamou Ino, erguendo-se e retirando o excesso de grama em seus joelhos.
— Ah, eu adoro cozinhar, aprendi muito pequena... — revelou Hinata, fazendo o mesmo.
À medida que o sol avançava no céu, as duas realizavam sua tarefa, hora ou hora rindo de algum peixe que lhes escapava pelos dedos. Ainda escorado sob o mesmo tronco, o ruivo as observava, sentindo sua areia variar de estável para instável, quando a Yamanaka tocava no nome do pai. Eles eram muito diferentes. Notável e gritantemente diferentes. Ela sentia algo pelo pai do qual ele jamais experimentara. Enquanto ele odiava seu pai. Ela falava em demasia. Ele não via necessidade em desperdiçar palavras ao vento. Ela sabia a respeito de todas as flores. Ele conhecia apenas uma: lírios. Lírios brancos. A flor dos funerais.
XXX
Depois do que havia ocorrido naquela manhã, todos eles estavam tensos. Parecia que um manto estava caído sobre eles sufocando-os em seus próprios mundos. Ninguém dissera uma palavra sobre a discussão e todos concordavam – mesmo que internamente – que aquela era uma boa maneira de se evitar qualquer outro desentendimento que pudesse ocorrer.
Para a geral surpresa a rosada voltara para a caverna, entretanto não de maneira silenciosa como sempre e sim como uma pessoa normal. Todos conseguiram pressentir sua assinatura de chakra antes que ela aparecesse e seus passos estavam ruidosos pelo chão. Ela se sentou em um canto na caverna e ficara lá, apenas observando sem proferir nada.
Hinata estava fritando os peixes que havia conseguido pegar com a ajuda de Ino, pegaram o suficiente para cada um deles. Na realidade havia apenas um para cada, porém foram os que haviam conseguido pegar e seria o bastante para que não acabassem desnutridos. A morena agradecia mentalmente por saber preparar aquilo e pelos olhares que os outros lançavam a refeição sendo preparada podia perceber que ninguém estava mais aguentando a luta contra a fome.
Uzumaki Naruto era com toda a certeza o mais agitado com a possibilidade de colocar alguma comida no estômago, e aquilo fizera com que a Hyuuga soltasse risadinhas diversas vezes. Apesar de parecer ser a única a divertir-se à custa do loiro, afinal a Haruno e a Yamanaka estavam distantes perdidas em seus próprios mundos. Sabaku no Gaara era difícil definir o que ele poderia estar pensando, pelo menos para Hinata, era. E o Uchiha parecia estar perdendo a pouca paciência que possuía com toda aquela tagarelice desenfreada de Naruto.
— Na moral, temos que sair daqui. – o loiro falara ainda com a boca cheia de seu peixe. Ele era o que estava comendo mais rápido, quase que sem respirar.
— Sabemos disso. – a resposta de Sasuke fora seca e irritada. Ele estava trincando o maxilar, pois aquela já havia sido a quinta vez seguida que Naruto pronunciava a mesma coisa. O moreno comia discretamente, completamente o oposto do Uzumaki.
Depois daquilo ninguém mais falara, nem mesmo Naruto que parecia estar cada vez mais inquieto. Agradeceram a comida em uníssono e o Uchiha levantou-se lentamente e se pôs a andar para fora da caverna, logo o rastro dele havia se perdido e ninguém mais poderia achá-lo. Se ele não quisesse voltar, estariam com menos uma força para ajudar em uma possível fuga.
Hinata arriscou perguntar a Sakura se ela não iria protestar sobre o moreno sair andando pela mata sozinho enquanto ainda estava com o braço machucado. No entanto a rosada apenas respondera que já havia feito tudo o que podia por ele e que mais a noite já estaria bom o suficiente para cuidar de si mesmo.
A Haruno, porém, parecia concentrada em algo. Ela estava pensando sobre as ondulações estranhas que sentiu enquanto andava. Era quase como se fosse uma parede de chakra sendo mantida ao redor deles, como uma gaiola. E em gaiolas sempre existiam erros que poderiam ser usados como um caminho para fuga. Nos locais onde ela sentira as ondulações sua segunda alma parecia ficar inquieta, não acontecia nada com ela na realidade, era apenas um desconforto que parecia vir de seu âmago.
Horas depois o Uchiha voltara, estava com a camisa suja e marcada pelo suor. Seu condicionamento físico ainda não havia voltado ao normal e ele deveria ter pensando naquilo antes de sair por ai explorando a floresta. Mas aquilo havia valido a pena, ele já conseguia sentir seu braço novamente e flexionava seus dedos sem problemas. E também havia descoberto que naquele genjutsu havia falhas. Eram mínimas, porém ainda assim, poderiam ser usadas para ajudá-los a fugir.
— Eu sei como podemos sair daqui. – quando Sasuke falou ouviu um eco de sua voz e ficou impressionado ao perceber que era a Haruno falando exatamente a mesma coisa que ele enquanto se colocava em pé.
Os dois se encararam por um tempo. Aquilo havia sido de uma estranheza sem limites. Eram bons em se alfinetar e irritar um ao outro, porém naquele momento nenhum dos dois possuía vontade alguma de falar algo inconveniente. Em um consentimento mudo, declararam trégua por aquele momento.
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