Panem Et Circenses

8 Capítulo 7: Os primeiros traços de cooperação


Notas iniciais
Ohayo mina!!! Aqui é a Nita mais uma vez *---* Cacau e eu adoramos os últimos reviews, por isso, em nome de nós duas, eu agradeço a todos que comentaram!!! Boa leitura.

Sakura sabia que o estado do Uchiha era culpa sua, aquilo estava a dilacerá-la por dentro de uma maneira agonizante, mesmo que tivesse passado o dia inteiro torcendo para que o moreno cabeça dura tivesse pelo menos procurado alguma ajuda médica e não tivesse perdido como ela. Tamanha não fora sua surpresa ao deparar-se com os cinco jovens juntos e principalmente, aquele seu oponente que ela havia deixado com uma ferida exposta horrível no braço.

– Aqui está. — a voz doce da Hinata tirou a rosada dos devaneios, fazendo-a erguer o olhar deparando-se com duas orbes peroladas gentis, sem nenhuma hostilidade e fora nesse momento que Sakura percebeu que pelo menos uma das pessoas ali presentes não estava desconfiando de suas intenções.

Primeiramente ela começou encharcando o segundo pedaço de sua camiseta com a água, fazendo assim uma compressa fria, colocando na testa do moreno. Quando suas peles se encostaram, a testa em chamas de Sasuke com os dedos gélidos de Sakura, ambos franziram o cenho, aquela sensação era estranha e desconfortável, porém de alguma maneira era boa também. A rosada balançou a cabeça tirando aqueles pensamentos de si e voltou para o trabalho, começou a limpar o ferimento, sentindo-se uma pessoa ruim, por dentro, perguntando-se a que ponto chegou para fazer aquilo com alguém. Aquilo já havia lhe passado pela cabeça antes, mas nunca parara realmente para pensar sobre o assunto. Sakura tinha a péssima impressão de que a cada dia que se passavam, todos estavam ficando cada vez mais parecidos com Danzou, mesmo que fosse de maneira imperceptível. Pensar sobre aquele fato deixava-a em um estado de melancolia interno difícil de reverter, mas se não poderia desfazer o que fez com o braço do Uchiha, ela iria pelo menos ajuda-lo a se recuperar. Devia isso a ele. Devia isso a sua sanidade.

– Que irônico... — Sasuke falou ao mesmo tempo em que bufou, estava indignado por ter sido ferido por aquela tal de Haruno Sakura e ainda por cima estava sendo cuidado e curado pela mesma causadora de seu machucado. Apesar de seu ego estar ferido com a situação, ainda assim não ousou reclamar em nenhum momento, alguma coisa lhe dizia que aquela rosada era um pouquinho temperamental e se ele a insultasse demais, poderia acabar ficando sem sua ajuda.

Estar engolindo seu ego e deixando aquela garota curar seu braço apenas porque tinha que cumprir uma promessa que fez a si mesmo, iria conseguir a vingança do seu povo, não importava o que tivesse de fazer para consegui-la. Porém sua prioridade no momento era curar aquele maldito ferimento, depois dar um jeito de sair daquela floresta. A rosada murmurou alguma coisa que iria doer e ele precisava aguentar, pois era por pouco tempo, mas o Uchiha não se importou muito com aquilo, uma coisa prendeu sua atenção.

O vento começara a ficar mais forte, trazendo assim nuvens carregadas justamente para onde estavam. Sakura acumulou chakra em ambas às mãos, colocando-as unidas em cima da ferida, sabia que de inicio era uma dor dilacerante, que parecia correr até mesmo os ossos, afinal aquela técnica que ela estava usando era uma das mais complicadas que Tsunade já lhe ensinou e também a mais eficaz. Quando pressionou o ferimento esperou ouvir algum grito ou resmungo vindo do moreno, entretanto ele não fez nada. A rosada ergueu os olhos e percebeu que na verdade ele estava trincando os dentes aguentando a dor de maneira calada.

"Ele é mais durão do que eu pensava..." Foi o pensamento que passou pela cabeça da Haruno, estava a rir internamente, ele havia mudado muito, ouvira histórias de quando Uchiha Sasuke era pequeno, um menino mimado e chorão, que sempre queria a atenção de todos. Perceber que ele estava aguentando aquela dor em silêncio fazia-a imaginar quantas coisas o mesmo não passara sozinho, não enfrentara sozinho. Quando percebeu que o ferimento já havia parado de sangrar e estava parcialmente cicatrizado, pelo menos não estava tão fundo quanto antes. Ela dobrou a camisa do mesmo de uma maneira que pudesse amarrá-la em torno do pescoço do moreno, fazendo-o apoiar o braço em cima do pano branco.

– Amanhã faremos esse processo novamente. — a rosada disse colocando-se de pé e batendo a sujeira que acabara por grudar na parte anterior de sua perna, quando estavam apoiadas no chão. Esticou os braços para cima da cabeça, para que pudesse alongar a coluna também — Talvez amanhã já esteja bom o suficiente, mas não é certeza de nada ainda, até lá, terá que ficar em repouso absoluto.

– Repouso absoluto? — a acidez na voz do Uchiha fora quase palpável, além de ter feito aquilo com ele, ela ainda achava que poderia dar uma de médica? Era essa a pergunta que se repetia na mente do mesmo — Está querendo me dizer que não posso fazer nada? — ele semicerrou os olhos de maneira desafiadora e a rosada apenas o encarou novamente, de maneira entediada.

– Isso mesmo. — ela deu de ombros, como se aquilo fosse à coisa mais natural do mundo, certamente não era para ele.

Uma ventania forte começou, levando várias folhas de árvores e erguendo um pouco da areia do chão. Os cabelos das meninas foram levantados com a força do vento, Hinata colocou as mãos na cabeça para que seus lindos e longos cabelos azulados não acabassem virando uma vassoura. Todos os jovens ergueram os olhos para o céu, acompanhando a enorme mudança climática que estava ocorrendo. A agitação dos pássaros comprovava que uma tempestade estava se aproximando.

Ficaram instantaneamente tensos, estavam pensando em como era irônico que exatamente aquele dia em que estavam perdidos e sem um local seguro para se protegerem, havia uma tempestade torrencial vindo em direção a eles. Naruto era, sem dúvidas, o mais indignado com toda aquela situação. Continuava com fome e aquilo estava deixando-o inquieto demais; irritado demais.

– Temos que procurar um local seguro para ficar. — Ino falara, chamando a atenção de todos para si, nenhum deles havia cogitado na ideia de acabarem ficando todos juntos, mas ela usara a expressão no plural, e ao notar todos com as atenções nela, deu de ombros — O que foi?

– Precisamos fazer uma fogueira. — Hinata falara de maneira delicada, mas claramente querendo tomar as rédeas da situação antes que qualquer um pudesse fazer alguma gracinha e começar com uma discussão — E encontrar um local coberto.

Eles se entreolharam e como se tivessem sido atingidos pelo mesmo pensamento, desviaram os olhos para o Uchiha encostado na árvore com os olhos semicerrados como se tivesse captado o pensamento de todos eles ali, o que, o fizera ficar mais irritado do que já estava, não gostava de ser um peso morto, muito menos de depender de outras pessoas, independente do que fosse. Apesar de querer muito discutir com todos eles e manda-los para o inferno, ele desistiu antes mesmo de começar, sabia com uma certeza quase cega que eles iriam simplesmente ignorar qualquer coisa que ele falasse e continuariam fazendo tudo sozinhos.

O Uzumaki começou a discutir sobre algo com a Yamanaka, enquanto a rosada apenas observava sem expressão alguma, mas para Sasuke, parecia que no íntimo ela estava achando engraçado. Pelo menos alguém está se divertindo, o moreno pensara de maneira irônica enquanto sufocava um gemido de dor. Quando o vento ficou mais forte a ponto de fazer o ouvido de todos zunirem, a discussão fora encerrada sem nenhum vencedor aparente.

– Muito bem... — a voz da rosada cortou o silêncio, com o que parecia ser um divertimento sombrio por conta de toda a situação, entretanto era difícil para todos eles entenderem o que de fato a garota Haruno estava sentindo ou pensando — Eu irei atrás de algum lugar seguro para passarmos a noite e nos protegermos da tempestade. — ela falara ao mesmo tempo em que começava a dar as costas para os outros atrás de si, antes que pudesse sair do campo de visão dos outros, fora parada pela voz do Uzumaki.

– Porque você? — ele estava um pouco ansioso, parece quase preocupado com a garota de cabelos róseos e antes que ela pudesse virar de frente para eles novamente, ele continuou -... Pode ser perigoso.

A Haruno apenas virou para eles, com um sorriso torto nos lábios, mas sem qualquer arrogância ou superioridade na expressão. Ela parecia até mesmo quase agradecida por alguém ter se manifestado e expressado algum tipo de preocupação com a mesma, independente se ela era misteriosa, confiável ou não, ficara realmente feliz pelo loiro escandaloso ter se pronunciado.

– Eu sou mais silenciosa que qualquer um de vocês, sem querer ofender. — ela dissera de maneira doce, mas ainda assim sem perder a firmeza da voz, aquela que deixava o Uchiha com vontade de bater nela. Quase como se o corpo dele fosse um imã, ela desviou sua atenção para ele — Quem quer que tenha nos prendido aqui, pode estar por aí.

Sakura virou-se novamente e antes que algum deles pudesse falar mais alguma coisa ela se pôs a correr, precisava achar algum local seguro rápido, estava preocupada não apenas com o Uchiha, que se ficasse na tempestade iria, com toda a certeza, pegar gripe e piorar ainda mais o seu estado. Na realidade ela estava preocupada com todos ali, aquele genjutsu só podia ser coisa do Danzou, nenhum deles deveria estar naquela floresta. Estava preocupada com a saúde de todos eles. Independente se confiavam nela ou não. I

Ino ficou encarando o local onde a rosada havia sumido e ficou internamente se perguntando o porquê daquela garota se achar melhor que qualquer um deles ali, não havia motivos para aquela garota achar-se superior, não estando na mesma emboscada que todos eles ali. Ela era carregada de arrogância, e definitivamente, o que a loira menos tolerava eram pessoas que achavam-se superiores as outras. Antes que pudesse comentar qualquer coisa sobre a Haruno, percebeu com o canto dos olhos, o ruivo se mexer, levantar-se do local em que estava sentado, se pronunciando, falando que iria procurar gravetos para a fogueira.

– Eu vou junto. — Ino falou de maneira impulsiva, aquele garoto a intrigava, desde que havia entrado na cabeça dele, estava sentindo ainda mais curiosidade sobre quem, de fato, ele era.

O Sabaku pareceu não ter escutado o que ela falara, mas os outros, mesmo que estivessem surpresos por a loira se auto-convidar para ir junto com ele, não falaram nada. Ino sabia que estava indo por sua conta e risco.

Ao passo que os dois sumiam da vista do restante que sobrara em baixo das árvores, Naruto e Hinata se entreolharam, ambos estavam preocupados com aqueles dois, afinal haviam acabado de lutar na arena e nada garantia que não podiam fazê-lo de novo. E também tinha o Uchiha que apesar de ter recebido os cuidados de Sakura havia poucos minutos, ainda assim, estava fragilizado demais para fazer qualquer outra coisa. Eles sabiam que ela havia feito alguma coisa que fizera passar a febre que ele estava sentindo, apesar de Sasuke parecer aliviado por estar lúcido o suficiente para entender tudo o que estava acontecendo, ele não parecia nenhum pouco feliz com a situação toda.

– Eu vou ao riacho. — a doce voz de Hinata se fez presente, atraindo a atenção de Naruto para ela, que sorriu docemente para ele. Antes que o mesmo pudesse protestar ela respondeu — Você fica aqui, cuidando do Uchiha-san.

A Hyuuga não deixara margem para que fosse questionada, fazendo o mesmo que as outras meninas ela simplesmente saíra. Ela estava feliz em poder ajudar em alguma coisa, odiava ser deixada de lado, apressara o passo quando ouviu o primeiro trovão soar ao longe. Estava torcendo internamente para que a rosada encontrasse um local seguro e que ele não fosse muito longe.

XXX

Já estavam distantes de onde formara-se o acampamento. Em meio à densa mata, o silêncio caminhava lado a lado junto de Ino e Gaara. Os arrastados passos do ruivo entravam em contraste com as passadas firmes e determinadas da loira. Arrastado e determinada... Sem dúvidas uma estranha combinação. Talvez, apenas diferente.

Ele já havia cumprimentado a morte, ela... Batalhava para que a morte não encontrasse seu pai. “Ele está com a mesma cara desde que saímos...” Pensava a Yamanaka, observando o Sabaku mais novo de soslaio. No entanto, por mais que sua expressão não demonstrasse nada aparentemente, Gaara sentia-se inquieto, incomodado. Ela havia tirado-o de seu estado “seguro”. Além disso, o ardor em seus braços já estava começando a ficar desesperador. Não compreendia porque uma ferida em si doía daquela maneira, ele não deveria sentir dor... Erguendo um pouco um dos braços, o ruivo encarou um dos pulsos, encarando o escarlate de seu sangue. Maldito era seu sangue. Devido a ele, não conseguira matá-la.

Ela estava a olhá-lo em seguida, sabia disso. Porém, pela primeira vez, resolvera encará-la também. Estavam a sós... Poderia cessar com a vida dela ali mesmo. Era o que deveria ter feito na luta. Com um sádico sorriso quase imperceptível, Gaara sentiu sua areia movimentar-se, mesmo sem sua total quantidade de chakra por conta do cansaço, não teria nem de esforçar-se para acabar com ela. Todavia, os olhos azuis encontraram-se com os verdes, impedindo-o.

Levemente trêmulo, o ruivo desviou o olhar rapidamente. Havia algo nela que era capaz de... Ultrapassar sua resistente barreira, tentando-o de uma intrigante forma. As pessoas não tinham nenhuma importância a ele, mas uma velha sensação estava formigando seu corpo, seu intocável corpo. Há muito tempo não se sentia assim, curioso.

Cerrando um dos punhos, Ino permitia que seu caminhar balançasse seu longo rabo de cavalo, dando-lhe sustentação. Precisava manter-se inabalável como uma rocha. Não iria permitir de maneira alguma que aquela rosada prepotente achasse que mandava nela também. Não iria mesmo! Ou talvez... A Haruno não fosse de fato quem estivesse desestabilizando-a. Olhou novamente para o ruivo ao seu lado. Quem era ele realmente? Aquela perguntava estava remoendo sua mente, a fazendo esquecer-se de Sakura. Ele não emitia calor... Sua pele era incrivelmente pálida, fazendo-a duvidar se ele vivia mesmo no deserto. Sempre ouvira de seu pai que a vila da areia era um local escaldante, no entanto, parecia que seu corpo não conhecia o sol.

– Acho que aqui já encontraremos lenha suficiente. — sentenciou Gaara, acordando-a de seus devaneios.

– Tem razão, busque por aqui, eu vou procurar mais próximo do riacho... — avisou Ino, virando-se em direção ao som de água corrente que invadia lhe os ouvidos.

Junto da lenha, também aproveitaria para molhar as mãos, refazer seu rabo de cavalo e retirar as faixas que possuía nas pernas, usando-as como ataduras para os ferimentos que tinha, ironicamente, por causa ele. Apenas viu Gaara acenar com a cabeça, e afastou-se seguindo o trajeto até o pequeno riacho. Por sorte, gastou poucos minutos em sua tarefa. Sentando-se em uma das muitas pedras que haviam ao redor do riacho, Ino enfim permitiu-se soltar um grunhido de dor. Apesar de não passar de simples areia, o modo como ele a dominou envolta de si fora quase esmagador. Certamente aquela areia deveria conter alta dose de seu chakra... Retirando uma das faixas que possuía no alto da coxa direita, a loira a higienizou com a límpida água do riacho, colocando parte da faixa abaixo do protetor em rede que tinha nos cotovelos. Não iria forçar muito os cotovelos até o amanhecer, assim logo a região não estaria mais dolorida. E as ataduras a lembrariam deste detalhe.

Levantando-se novamente, Ino soltou seus longos cabelos lisos, refazendo seu rabo de cavalo alto. Através do reflexo da água, a Yamanaka suspirou aliviada. Ao menos seu cabelo não estava tão ruim quanto supunha. De repente, o som de muitos galhos caindo ao chão fora ouvido por ela, fazendo-a se virar.

– Nossa! Como vamos carregar isso tudo?! — indagou a loira, incrédula, observando a grande quantidade de lenha trazida pelo ruivo, que tinha os braços cruzados, naturalmente.

Em resposta, Gaara fez a areia abaixo dos galhos se mover. Sua nuvem de areia levaria tudo, não teriam de se esforçar. Compreendendo a silenciosa mensagem dele, Ino sorriu de canto, amigável. Não ter de carregar nada era sem dúvidas animador! Molhando as mãos na água, Ino analisou a feição do ruivo. Ele estava irritado com algo.

– O que foi? — questionou a Yamanaka, erguendo o tronco e levando uma das mãos até a cintura, direta. Interrogativo, Gaara a olhou, não entendendo a pergunta. Mas não fora preciso resposta. Algumas gotas de sangue caíram sob o chão, dando a Ino a informação que necessitava.

– Não vai enfaixar? — perguntou Ino, referindo-se aos pulsos de Gaara. Enfim compreendendo o que se passava, o ruivo olhou para as gotas que o denunciaram.

– Não sei como lidar com isso... — confessou Gaara, automaticamente, surpreendendo-se consigo mesmo por ceder tal informação a alguém como ela.

– Nunca se machucou? — perguntou Ino, divertida. Ele certamente não tinha muita noção das coisas... Porém, o olhar reprovador dele a fez estremecer-se. Ele estava a falar a verdade. Incrédula, Ino se recompôs, abaixando o olhar. Como isto seria possível? Seria a areia? Outra vez, a palidez da pele dele chamou-lhe atenção. Algo nele exalava a solidão, isolamento.

– Vamos dar um jeito nisso. — assentiu a loira, séria.

Antes que Gaara pudesse recusar, Ino já tinha uma das pernas apoiadas sobre a pedra, retirando a faixa que lhe restara. Assustado, o ruivo assistia a cena e, quando ela enfim retirara a faixa por completo, Gaara virou o rosto. Não tinha muito contato com garotas e a forma como ela expunha-se sem dar importância à presença dele lhe incomodava, fazia-o querer, pela primeira vez, esconder-se. Por um curto segundo, seus olhos desviaram à loira novamente, e o brilho acetinado da pele tão a mostra dela dera-lhe uma rápida pontada na virilha.

Tocando um dos pulsos dele sem qualquer permissão, Ino rapidamente começou a limpar a pequena ferida. Com a respiração descompassada, Gaara apavorava-se por dentro, não sabia que um simples machucado poderia arder como fogo. Logo a loira terminou o mesmo processo no outro pulso ruivo, no entanto, a nítida proximidade entre eles finalmente fez-se presente, fazendo-os se encarar.

Não costumava ser gentil com desconhecidos, tão pouco com homens. Entretanto, havia algo no olhar dele que o distinguia da imagem negativa que tinha a respeito dos homens. Mesmo mórbidos, os olhos dele eram tranquilos, singelos.

Puxando os braços, Gaara estabeleceu novamente uma saudável distancia entre ambos.

– Vamos. Em breve irá anoitecer. — afirmou o ruivo, virando-se de costas.

– Certo... — olhando o céu, Ino recordou-se das nuvens negras que estavam a se formar. — Temos que nos apressar.

XXX

O Uchiha bufou ao ouvir as palavras da Hyuuga, apesar dela ter sido respeitosa ao menciona-lo, ainda assim, ele estava ainda mais irritado por ela ter mandado aquele loiro escandaloso e hiperativo ficar tomando conta dele, como se por algum acaso, ele fosse uma criança de cinco anos que precisavam ficar de olho o tempo todo. O moreno não queria passar a noite com aquele grupo, pensava que o ruivo, o de Suna, seria o primeiro a ir embora, mas estivera errado, mesmo que sem falar que concordava com aquilo, ele fora buscar lenha.

Naruto estava novamente inquieto, andando de um lado para o outro, com uma mão no queixo e encarando o chão, de maneira pensativa. Como se alguma resposta ou qualquer coisa fosse brotar da terra e grama abaixo de seus pés, aquilo fez o moreno trincar ainda mais os dentes, a Yamanaka tivera razão ao gritar com o Uzumaki antes da rosada se pronunciar, afinal naquele momento ela era a única a realmente prestar atenção ao que o loiro estava fazendo. E como o moreno não podia fazer nada além, de é claro, ficar encarando o outro andar, estava começando a ficar cada vez mais irritado.

– Para com isso. — foram palavras que saíram da boca do Uchiha de maneira quase rosnada, tamanha a raiva que estava se apoderando do mesmo, viu o Uzumaki para em um supetão, encarando-o de boca aberta.

– Está tudo bem? — a pergunta de Naruto pegou o moreno de surpresa e logo começou a irritá-lo ainda mais. Sasuke já estava começando a achar que sua aparência estava terrível demais, para que estivessem tão preocupados assim com ele.

– Estou ótimo. — novamente as palavras saíram como um rosnado dava para ver de longe que ele não estava nenhum pouco feliz com toda aquela situação.

– Não estou perguntando disso... — ao falar, Naruto apontou para o ferimento no braço do Uchiha, para que o moreno pudesse compreender o que ele estava perguntando — Estou perguntando se está tudo bem na sua vida.

Sasuke fora incapaz de reprimir o impulso de erguer uma sobrancelha, ficou surpreso com a pergunta ser relacionada à sua vida, afinal ninguém lhe perguntava sobre a vida. Fazia até parecer que aquilo era uma conversa normal de amigos que não se viam há muito tempo e estavam se cumprimentando para colocar o papo em dia. Apesar do fato de Sasuke ter realmente sido amigo de Naruto em um passado distante para que ele ficasse se recordando, também não queria, para ser sincero consigo mesmo.

O Uzumaki percebeu que a pergunta abalara o moreno, perguntar sobre a vida de uma pessoa a fazia se recordar do que vinha passando nos últimos tempos e percebeu, tardiamente, que não deveria ter deixado àquelas palavras puderem de sua boca. Afinal, ele mesmo não iria querer que alguém perguntasse sobre a sua vida, para que não tivesse que encarar a realidade novamente, apesar de ela estar sempre diante de seus olhos, independente do que fizesse.

– Esquece. — o loiro murmurou irritado consigo mesmo, não queria mais ouvir, mesmo sabendo que Sasuke não iria falar nada, a não ser, é claro, alguma coisa sarcástica, sobre sua pergunta. Antes que o moreno pudesse falar qualquer outra coisa, se é que fosse falar, Naruto já não tinha mais certeza, Hinata chegara com a água e poucos instantes depois, a Yamanaka e o Sabaku chegaram também. As duas meninas perceberam que alguma coisa estava errada, havia certa tensão no ar, um incômodo estranho entre Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto, mas nenhuma das duas resolveu perguntar nada.

Um silêncio sepulcral tomou conta do local, na realidade apenas dava para ouvir os trovões ao longe, o que deixava a todos muito preocupados. Gaara não conseguia parar de encarar as ataduras que a loira fizera em si, era estranho e confuso para ele, nunca havia se machucado e por causa disso nunca precisou que cuidassem dele, então ele também não sabia reagir ao que ela havia feito. Não que o ruivo achasse que se algum dia precisasse, alguém iria cuidar dele. Pelo contrário, ele não merecia tal coisa. Era um filho do ódio.

– Encontrei um local. — a voz da rosada surgiu do alto, novamente. E todos deram um pulo de surpresa e susto, afinal não haviam sentindo que ela estava se aproximando, nem mesmo a sua assinatura de chakra.

– Credo garota! — Ino comentou, olhando-a com uma pitada de desdém — Como você consegue chegar do nada assim?

– Simples. — Sakura respondera com uma expressão neutra e dera de ombros, mas não revelara o que fazia para ser tão silenciosa. Não que eles ficassem surpresos com aquilo, sabiam que ela não iria revelar nada — Tem uma caverna não muito longe daqui se seguirmos um ritmo rápido. — mas ao falar isso ela desviara o olhar para um Uchiha emburrado, que estava encostado na árvore — Entretanto alguém terá que ajudar o moreno ali.

Sasuke apenas ergueu os olhos para encará-la naquele momento e estava trabalhando para que sua expressão estivesse o mais indignada o possível, para que ela percebesse o quão aquilo soava ridículo. Mas o Uzumaki se levantou lentamente, se oferecendo em silêncio, para ajudar.

– De jeito nenhum. — a voz do Uchiha era determinada e ameaçadora. Mas ninguém pareceu lhe dar ouvidos, o loiro apenas o agarrara pelo braço livre e sustentara o peso do corpo do mesmo em si, assentiu para a rosada que lhe devolveu um sorriso agradecido. Ela virou de costas, com sua assinatura de chakra aparecendo do nada, ela começou a se mover. De prontidão todos entenderam que ela fizera aquilo para que conseguissem localizá-la, caso ficassem para trás.

Naruto fora o mais rápido que conseguira, afinal estava praticamente carregando um Uchiha completamente irritado com toda a situação que não parava de bufar em seu ouvido, fora facilmente ultrapassado pela Yamanaka e pelo Sabaku, estranhando a Hyuuga não ter passado por ele também, instantaneamente imaginou que ela deveria estar no encalço da rosada. E tamanha fora a sua surpresa ao perceber que na realidade, ela apareceu ao seu lado e sorriu docemente para ele, assentiu, como se quisesse dizer que se precisasse estaria ali.

O loiro não pode conter o sorriso que se apoderou de seus lábios, não era normal meninas serem legais com ele.

Notas finais
E então pessoal?? Gostaram!! Deixem muitos reviews!! Kisses, Nita.