Panem Et Circenses
2 Capítulo 1: Uma ampulheta, lápides e golpes
Notas iniciais
Seria um dia calmo em Konoha caso não houvesse um sorteio de quem iria entrar na arena para competir, todos os habitantes fazendo seus últimos treinamentos e preces para que seus nomes não fossem escolhidos. As ruas praticamente desertas, apenas o vento atravessando e erguendo o pó do chão, fazia dias em que não caia uma gota d’ água do céu.
Em um campo parcialmente aberto um garoto fazia seus últimos treinamentos, arremessando seu quinto rasengan seguido, em direção á várias árvores. Diferente dos anteriores, o último lançado acabou acertando seu alvo, dividindo o tronco em dois. Uzumaki Naruto sorriu orgulhoso de si mesmo, apesar de estar fisicamente exausto e com o chakra reduzido pelo esforço, ainda possuía disposição para continuar com seu árduo treinamento.
Colocando as mãos no posicionamento correto, um clone das sombras apareceu para auxiliá-lo a criar um novo rasengan. Enquanto o clone posicionava as mãos dando forma ao chakra em uma esfera redonda, o loiro original localizava seu próximo alvo, uma pedra a cinquenta metros de distancia. Correu alguns metros pegando impulso e força para o lançamento.
– RASENGAN! – gritou com toda a sua força lançando a esfera em direção ao alvo, ao ouvir o barulho de algo quebrando-se e a poeira proveniente do golpe sofrido, soltou uma risada orgulhosa de si mesmo. Assim que seu campo de visão melhorou, pôde contemplar o estrago que fez.
Sentiu uma gota de suor escorrer de sua têmpora até seu queixo de forma lenta, logo pingando no chão. Naruto colocou as mãos nos joelhos, ofegante, fazer tantos rasengan seguidos exigem muito de seu corpo e chakra. Ele encarou a grama embaixo de si por um tempo indeterminado, tentando acalmar a respiração, sentindo a garganta seca pelo tempo sem ingerir algum líquido. Por estar com a cabeça parcialmente para baixo, o medalhão que nunca tirara do pescoço, caiu para fora de suas vestes. Endireitou-se e fechou os dedos em torno da esfera metálica, apertando-os.
Onde eles estariam? Era a pergunta que ecoava pelos pensamentos do loiro, de todos os sentimentos ruins do mundo, a incerteza, era a pior delas, principalmente para Uzumaki Naruto. A incerteza de um futuro, de um presente e de um passado. Não saber o que de fato aconteceu aos seus pais, muito menos onde eles poderiam estar. Ao mesmo tempo em que esse sentimento vai matando-o aos poucos, acaba lhe fazendo criar ainda mais determinação. Abriu o medalhão encontrando as fotos de Namikaze Minato e Uzumaki Kushina, os dois com sorrisos carinhosos e calorosos. A expressão do loiro mudou, deixando um sorriso triste apoderar-se de seus lábios, pela saudade, pela dor.
Ergueu os olhos ao céu, azul intenso, nenhuma nuvem a vista, sem sinais de uma possível chuva. Naruto colocou uma das mãos em cima dos olhos, tentando tampar o forte sol. Fechou os olhos azuis e respirou fundo, trincando os dentes. Apertou ainda mais forte o medalhão entre os dedos prometendo a si mesmo que vai encontrar os pais, independente do tempo que passe e das circunstâncias que podem surgir.
– Porque eu sou – começou a falar abrindo os olhos e neles uma faísca de determinação surgiu, uma chama de esperança floresceu e ganhou intensidade – Uzumaki Naruto!
XXX
Cerrando fortemente os punhos, Hyuuga Hinata concentrou todo seu chakra nas mãos, ela tinha de acertar aquela técnica mais uma vez, era sua maior arma para, um dia, derrotar seu imponente primo. Com aquela técnica, provaria a seu pai que não era fraca, que tinha condições de liderar o Clã e causar-lhe orgulho. Trabalhando duro, treinando, buscando ser sempre mais forte... Aquele era seu caminho, era o modo que encontrara para tentar evoluir. Não tinha a inteligência estrondosa de Neji, tão pouco sua desenvoltura e análise nos combates entre os membros do Clã, mas ela não deixava de acreditar. Não tomaria o caminho errado ou desistiria como tantas vezes fizera como criança, através de cada fracasso, havia aprendido a manter a calma necessária e tentar novamente, quantas vezes fosse preciso. Não invejava o primo de longos cabelos castanhos, também jamais desejara-lhe mal, mas iria superá-lo. Iria superá-lo de maneira justa.
Com uma explosão de chakra nas mãos, a Hyuuga proferiu:
– Juho Shoshiken!!
Avançando, Hinata acertou os troncos de treinamento a sua frente, “Agora!” guiou-se mentalmente, vendo o tronco se partir por completo. Desconcentrando o chakra das mãos e desatando a forma dos leões gêmeos, a Hyuuga concentrou-se no maior golpe de seu clã. Daquela vez, iria combinar ambos os golpes em um grande ataque, ela tinha de conseguir!!
– Hakke Rokujuuyon Shou!! – gritou Hinata, fechando os olhos e efetuando o golpe.
Ofegando, ela colocou as mãos sobre os joelhos, encarando lentamente o local ao seu redor. Havia conseguido! Tinha colocado a baixo todos os troncos de treinamento, pela primeira vez. Com um sorriso suave e satisfeito, Hinata se ergueu, ouvindo uma grande movimentação dentro da sede de reuniões do Clã. Correndo, ela se direcionou ao local, será que seu pai já estaria escolhendo o novo representante dos Hyuuga? Ansiosa, ela subiu a antiga construção de madeira, não se importando com seus longos cabelos azulados estarem desorganizados em função do treino.
Sorrindo, ela deslizou a porta em típico estilo japonês, no entanto, o pronunciamento de seu pai, impedira-a de entrar.
– Comunico a todos aqui presentes que meu sobrinho, Hyuuga Neji, a partir do pôr do sol, será o novo líder do Clã Hyuuga.
Com os olhos perolados estáticos, Hinata encarou o cumprimento de todos ao primo, inclusive de seu pai. Ninguém a notara ali. Sentindo-se deslocada, ela deixou a construção em um rompante, acomodando-se abaixo de uma das árvores do jardim. Jamais iriam reconhecê-la.
XXX
Tantas casas, inúmeras ruas... Sem dúvidas, Konoha era bem diferente de Suna. No entanto, naquela tarde, os ventos daquela vila estrangeira assemelhavam-se aos da sua vila, a sua Suna. Ou melhor... A Suna de seu pai, o Quarto Kazekage. À passos lentos, Sabaku no Gaara caminhava pela calçada de pedra de uma rua qualquer, tudo que desejava era deixar aquele mórbido hotel onde ele, seus irmãos e toda a comitiva estavam. Não sabia o que se passava consigo para decidir caminhar ou sair, ele raramente o fazia. Estava acostumado a passar horas e mais horas no palácio de seu pai, em seu gabinete ou no próprio cômodo que lhe cabia naquela vasta propriedade que chamava de “casa”. Entretanto, através das janelas, ele podia ver tudo que os olhos dos outros aparentavam ignorar, e aquele passatempo intrigante fora seu único companheiro por um período denominado pelos outros como “infância”. “O filho do Kazekage”, aquele posto ou título lhe acompanhava por onde quer que fosse, suprimindo o nome que lhe fora dado. Nome pelo qual nunca compreendera o real significado. Nome dado por sua falecida mãe... Cujo motivo da morte sempre fora explícito a ele por seu pai. Ele matara sua mãe, ela morrera para dar-lhe a vida. Talvez aquele fosse o motivo de sentir-se em dívida com seu pai. Uma dívida sem fim.
Nada naquela vila chamava a atenção do ruivo, a não ser ele mesmo. Ele era a atenção. Todos nos estabelecimentos comerciais olhavam-no com certo receio, reconhecendo por sua bandana pendurada a cabaça, que deveria ser algum familiar do Kazekage. Porém, olhar agressivo, demonstrando uma nítida rejeição aquele local, era sobretudo o que mais assustava os moradores, já retirando as crianças da rua mediante a passagem de Gaara. Cerrando os punhos, o ruivo prosseguiu em seu caminho sem direção, logo tinha de estar junto de seu pai e irmãos no palácio do Kage daquela vila. Entretanto, uma distante cena lhe tomara os olhos verdes, fazendo-o parar, e demonstrar uma expressão distinta da raiva. Uma ferida expressão.
Próximas de velho parquinho, alguns pequenos shinobis brincavam entre si, felizes, afoitos, com o alto timbre de voz. Dentre eles, alguns herdeiros de famílias nobres, como os Hyuuga e os Nara. Porque todas aquelas crianças de altas famílias detinham permissão para brincar na rua? Porque elas tinham tantos amigos de outras famílias? Porque seus pais permitiam tal ato? Nunca fora permitido a ele fazer coisa semelhante, ter contato com tantas outras crianças ou brincar fora dos muros do palácio. Rangendo os dentes e expirando apressadamente o ar, o ruivo virou a face, continuando seu trajeto.
Passando em frente ao Hospital de Konoha, Gaara encarou algumas das diversas janelas. Sua areia parara, como se algo estivesse a chamá-lo naquele grande edifício. No entanto, jamais acreditou em no que sua intuição lhe dizia, ela sempre o guiava a fazer coisas erradas, causando a fúria de seu pai em seguida. Mediante isso, o ruivo prosseguiu a caminhar, em breve o sorteio ocorreria e, caso fosse sorteado, não hesitaria em matar seu adversário. Tinha de manter a reputação rígida de sua família.
XXX
Balançando a pequena ampulheta na cabeceira de seu pai, Yamanaka Ino tinha os olhos azuis sobre o objeto de madeira e vidro, intrigada. A areia parara de cair? Será que haviam esquecido de ventilar o quarto de seu pai outra vez?
– O que houve minha violeta? – questionou o senhor sentado à cama, uma intravenosa em um dos braços, parecendo sugar-lhe a cada dia, a vitalidade do velho e bravo Yamanaka Inoichi, um dos mais importantes soldados de Konoha, agora, um simples refém de uma cruel doença.
– Não sei meu pai... A areia parou de repente. Vou ter que falar com aquelas enfermeiras de novo para ventilar este quarto! Estou farta de tanta lentidão e incompetência! – revoltou-se Ino, soltando um pesado suspiro e erguendo o tronco novamente.
Esforçando-se, Inoichi encarou o calendário na porta do quarto hospitalar. Era hoje. Sua filha poderia ser sorteada para a luta do dia, e este era seu maior temor, nem mesmo a morte lhe causava tamanho medo. Receava pela vida de sua linda violeta, em meio aqueles combates cruéis e sem escrúpulos. E o pior de tudo... Devido a ele. Devido ao seu estado.
– Ino... Mais cedo ouvi que a comitiva do Kazekage já está aqui. – iniciou o fraco senhor, encarando seriamente a filha, escorada próxima a janela.
Cruzando os braços, Ino encarou o pai, segura. Não se importava com aquelas lutas, lutaria sim caso fosse sorteada, precisava garantir o tratamento de seu único familiar, sua única base e apoio naquela vila governada por mãos tiranas. Se lutar era a condição para ter seu pai junto de si, ela lutaria. Não iria voltar atrás.
– Eu sei. Todos na vila estão comentando sobre isso. Mas fique calmo meu pai... Não fique nervoso por conta da luta de hoje. Se eu for escolhida, voltarei. O senhor sabe que nunca lhe deixaria, somos uma família. – garantiu a loira, caminhando até a cama revestida com lençóis brancos. Sentando-se na beira, Ino teve a mão tocada pela do pai, aflito.
– Prometa-me... Prometa-me que se cair com o Uchiha ou algum dos filhos do Kazekage desistirá! Prometa-me Ino! – suplicou Inoichi, tossindo em função de uma repentina falta de ar.
Apertando a mão do pai, Ino rapidamente lhe estendeu a máscara respiratória ao lado da cama, cedida exclusivamente para o caso dele.
– Papai! Se acalme! – exclamou a loira, vendo-o aos poucos, recuperar o fôlego.
Decidida, a Yamanaka encarou novamente os olhos marcados por olheiras do pai, e, sentindo os olhos marejarem, abraçou-o. Ela não poderia desistir. Não poderia prometer a ele algo que não tinha conhecimento.
– Desculpe-me papai... Desculpe-me... Mas não posso lhe prometer algo assim. Independente de quem terei como adversário, eu irei enfrentar. – assentiu a loira, séria, recompondo-se em um súbito de energia, necessário para não se flexionar aquele pedido. – Eu não deixarei que nada impeça o tratamento do senhor.
XXX
Uma ventania forte começou e balançou as copas das árvores, mas nem esses movimentos eram suficientes para prender a atenção de Uchiha Sasuke, que tem sua visão e concentração focadas completamente nas lápides de seus pais. As palavras talhadas ali não representavam nenhum terço do que eles realmente eram, pensava o moreno. Nenhuma frase, parágrafo ou texto seria o suficiente para descrever seus familiares a muito falecidos.
Assassinados seria a definição correta. Traídos por quem menos se esperava, aniquilados pelo considerado orgulho do Clã. Ele era fraco e pequeno demais para tentar parar seu próprio irmão, não tinha a determinação necessária para tal fato. Lembrava-se das espessas lágrimas escorrendo por suas bochechas, do sangue manchando todos os cantos, ruas e casas. Suas mãos tremiam e as pernas não conseguiam mais lhe sustentar.
Por mais que tentasse de todas as maneiras possíveis ignorar suas lembranças, elas voltavam cada vez mais intensas, mais dolorosas e tudo o que conseguiam trazer era ainda mais sede de vingança para Sasuke. Lembrava-se perfeitamente de agarrar a perna do irmão e implorar por uma explicação, recebendo em troca apenas um olhar frio. Além de perder todos os seus parentes, perdeu também seu irmão e melhor amigo. Nunca se esqueceria daquele banho de sangue. Nunca perdoaria.
Agachou-se apoiando um dos joelhos no chão e encarou as lápides mais de perto, sentindo um misto de solidão, dor e vazio. Por mais que quisesse chorar e se desesperar por seus entes mortos, a única coisa que borbulhava em si e de si, era amargura e ódio. Sempre se perguntou como apenas um indivíduo conseguira acabar com um Clã poderoso inteiro, sozinho. Sempre quisera saber se seus pais reagiram, quais foram suas últimas palavras, caso elas tivessem existido.
A dúvida corrosiva, tomando conta de seu ser aos poucos, levando-o cada vez mais perto da loucura e insanidade. Sasuke levantou-se em um rompante, limpando ao máximo sua cabeça de pensamentos difusos e insignificantes, voltando novamente ao estado oco, o qual se encontrou durante todos esses anos.
Um forte vendo cortou o ambiente novamente, balançando os cabelos morenos e rebeldes do mesmo, dessa vez as folhas soltas chamaram-lhe a atenção, seguindo-as com os olhos virou seu corpo totalmente para oeste, onde ao longe existia uma torre a muito não utilizada, completamente esquecida por todos. Ignorando a sensação interna lhe dizendo para ir até aquele local, voltou seu olhar uma última vez para as lápides, como o seu último adeus.
XXX
Não muito longe, em uma das janelas mais altas da torre inutilizada, Haruno Sakura se encontrava sentada observando o céu e toda a sua vastidão azul, o vento lhe acariciando os longos e rosados cabelos, ela suspirou. Negar que estava cansada de toda aquela situação seria hipocrisia da mesma, na realidade não estava satisfeita com a vida que levava e muito menos com a forma de governo que o Hokage prezava.
Homem que abusava de seu poder, oprimindo seus subordinados de várias formas possíveis. Um verdadeiro tirano que ninguém sabia ao certo como conseguiu chegar ao poder. A rosada soltou um suspiro cansado, ouviu um barulho atrás de si e nem se deu ao trabalho de virar-se, sabia que Tsunade não seria imprudente. Suas aulas ficaram cada vez mais intensas e sua mentora lhe exigindo cada vez mais, porém ela não havia do que reclamar sobre isso, era o que queria, na verdade.
Assim distraía-lhe os pensamentos e acalmava o coração. Houvera uma época em que ela deixava-se levar pelas emoções, sempre tentando provar que sentimentos existiam sim e deviam ser utilizados, porém fora vencida pelo cansaço. Trancou suas dores e dúvidas no fundo de seu ser, apesar de seu peito sangrar sempre que presenciava alguma injustiça. Fora por isso que Sakura decidiu tornar-se um fantasma, duvidava que alguém além de Tsunade soubesse de sua existência em toda a Konoha. Preferível assim, repetia-se mentalmente para si mesma.
– Sakura? – Ouviu uma voz alta e forte vinda atrás de si, tirando-lhe dos devaneios e movimentando a cabeça levemente encarou a mulher alta, loira e com seios fartos atrás de si, com o canto dos olhos – Está distraída hoje.
A rosada respirou fundo aproveitando os últimos instantes de calmaria e silêncio pelo qual poderia desfrutar. Algo dentro de si estava a se agitar, como se algo estranho estivesse para ocorrer, não gostava dessas sensações, pois quase nunca errava. Observou novamente o céu, como se alguma resposta fosse cair dali. Coçou a testa tentando encontrar uma explicação lógica para o seu desconforto, não poderia ser apenas pelo dia em si.
Parecia-lhe que até mesmo o dia estava hesitante, prevendo alguma coisa, passando lentamente e arrastando os movimentos de todos. Como se quisesse retardar algum fator, até mesmo o vento parecia mais intenso, mais significativo. Sem encontrar uma resposta plausível para suas loucas suposições, pulou da janela e parou de frente para Tsunade, as duas encararam-se por longos segundos.
– É hoje – foi tudo o que a rosada disse, porém não era necessária nenhuma outra palavra ou explicação. Tsunade como qualquer outra pessoa em Konoha sabia o que haveria aquele dia e estava tão inquieta quanto todos, mas sabia que algo incomodava Sakura mais intimamente.
– Você nunca foi sorteada, não precisa se preocupar – a loira proferiu essas palavras de forma decidida, querendo acalentar sua pupila insatisfeita e incomodada.
– É como dizem – a rosada começou a falar ao mesmo tempo em que se pôs a andar, se dirigindo a porta, passou por sua mentora lentamente e antes de sair completou sua frase – Sempre existe uma primeira vez.
Nem ao menos esperou uma resposta, mas conseguiu ouvir um último suspiro de Tsunade dentro da antiga e empoeirada sala. As duas começaram a treinar jutsus médicos há alguns anos, porém fazê-los em lugares abertos, com muita visibilidade seria extremamente perigoso para ambas e então encontraram aquela torre abandonada.
A passos lentos encaminhou-se para a saída do local, não tinha a mínima pressa para chegar a Praça de Konoha, onde os nomes seriam sorteados. Também não estava com pressa alguma de ouvir uma multidão de pessoas falar ao mesmo tempo lhe perturbando a pouca paz interior que existia em si. Tentou ao máximo ignorar as sensações em seu interior e concentrou-se no caminho.
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