Pandora e os filhos de Afrodite
2 Banheira.
1
— Você estava com uma cara nada boa. A todo momento olhava para o Taylor como se fosse capaz de matá-lo...
— Cala a porra da sua boca, Alex.
O rapaz ao lado dela sorri. Os palavrões faziam parte dos astros, ele entendia. Só não praticava.
— Já pensou em conversar com Taylor sobre o que aconteceu, Pandora?
— O que ele falaria? “Ah, Cherry, é muito bom foder três britânicas de traseiros enormes e duros. Devia experimentar!” — A mulher alta disse fazendo uma imitação engraçada da voz de homem.
— Eram três britânicas?... Porra! — Kayk, o baterista se exalta parando de tentar cochilar.
A garota ri.
— Eram — ela diz com uma voz serena. — E eram lindas — suspira. — Mas ele vai pagar pelo que fez comigo! — Ela ri macabra. — Aposto que aquela não foi a primeira vez.
— Cherry...
— Hã? — ela sobe os olhos para Kayk. O homem era alto, magricela, rosto bonito com um nariz sobressaltado e barba por fazer. Cheirava a álcool e estava deitado em um sofá vermelho que continha calcinhas espalhadas.
— Fica sexy quando quer se vingar. — O comentário/flerte faz Alex gargalhar.
— Vá procurar um puteiro, Kayk.
Ela tinha calma na voz aveludada. Era uma mulher sexy.
— Seu namorado está em um agora.
— Grande novidade. Ele gosta de coisas fáceis. — Alex retruca meio irritado.
— Que seja. — Ela falava de um jeito... Quase melancólico. Quem a conhecia lia naqueles olhinhos selvagens a tristeza que possuía.
Suspira pesadamente.
— Acho que vou tomar um banho, vocês não vão sair? Aproveitar a linda Holanda?
— Estou cansado. — Alex retruca mexendo no celular.
— Acho que vou chamar algumas garotas — Kayk sorri dizendo isso. Pandora o olha pensando nas coisas sujas que seriam feitas no pequeno quarto de carpete escuro e sofás vermelhos.
— Boa sorte com as garotas. — Pandora fala sorrindo sujo e vai para o quarto 487. Suspira quando entra em um luxuoso e bem feito quarto de hotel. Se deitou na enorme cama e lá ficou olhando para o teto onde tinha um grande lustre bonito e provavelmente caro.
Há alguns anos ela acharia que aquilo era apenas um sonho bobo. Cherry tinha dezesseis anos quando começou a cantar em casinos conhecidos. Cresceu neles e conseguiu aprender a viver no mundo dos ricos. Conheceu um garoto gentil que tocava baixo quando tinha dezoito anos. Largou o teclado e a carreira solo. Procurou mais talentos para a banda e logo no começo o grupo se deu bem.
Cherry sabia lidar com garotos e eram só adolescentes na época, então foi fácil. O nome da banda de rock era Pandora e os filhos de Afrodite já que Pandora sempre fora seu apelido (tinha sido — ou seja, é — uma garota muito curiosa), os garotos queriam Pandora e os deuses do sexo mas a garota não havia gostado. Conseguiram um bom empresário e o irmão do próprio — Row — foi o produtor do primeiro disco deles. Logo veio o segundo. Depois o terceiro, o quarto, o quinto e então o mundo inteiro sabia as canções tocadas por eles.
Ela estava fazendo 23 anos na próxima semana e se sentia esgotada. Cocaína já não a deixava tão elétrica como antes, talvez devesse aumentar a dosagem no próximo show.
Cherry suspirou pela milésima vez naquele dia. Se sentia traída.
Caminhou até o banheiro da suíte e encheu a banheira enquanto procurava sais e aromatizantes. Acendeu velas aromatizadas, tirou as roupas pesadas de cores fortes e entrou na água. Estava na temperatura do ar.
Passava as mãos de dedos finos e unhas bem cuidadas pintadas de roxo metálico pelo corpo desnudo. Era bronzeada, tinha peitos firmes e medianos, magra e alta, coxas finas. Uma bela mulher.
Suspirou e fechou os olhos enquanto se lembrava das transas que tivera com o namorado dentro de uma banheira como aquela. Do jeito que ele tocava seu corpo com luxúria e como se gabava disso quando eram entrevistados. Ela riu e com lágrimas nos olhos âmbar se masturbou pensando em Taylor.
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