Pandora HighSchool Academy
4 Boas Vindas ao Dormitório F

A arquitetura inglesa nunca foi de me decepcionar, mesmo nos anos atuais esse tipo de construção ainda consegue ser das mais belas desse mundo.
Me parece que eles investiram mesmo nesse lugar, é bem afastado da cidade, diria que demoraria pelo menos uma hora até duas andando daqui, bem, uns 20 minutos se eu fosse uma vampira durante a noite ou uma lobisomem, provavelmente em noite de lua cheia talvez.
PHA ou Pandora Highschool Academy uma das Academias prestigiadas do país, com exclusividade para apenas alunos de outras classes, bem isso parece que vai mudar hoje.
Ela é dividida em várias áreas e cada uma própria para ensinar uma matéria diferente, estudos comuns, do tipo conhecimentos gerais e históricos e também...digamos os estudos "incomuns", isso tudo depende do que você escolhe pelo o que me foi dito, preciso de mais informações sobre isso, sendo algo vago em minha mente, a única informação que tenho é que nós alunos podemos montar nossa grade porém temos que ter ao menos 5 matérias pois como Senhor Silvers me disse são áreas que precisamos ter boas notas.
Pelo o que foi me contado esse lugar era um antigo patrimônio que foi ativo apenas para esse propósito, tsc tsc, ao invés de mantê-lo fechado preservando toda a história eles mais uma vez planejaram usar essas belas construções, felizmente é para o mesmo propósito.
O vento do final da tarde é bem agradável nessa época do ano.
— Senhorita Maxine?
— Hm?
Um homem com aparência jovial estava me aguardando, por ser um elfo talvez esteja na casa dos 70 anos, quem sabe, afinal perguntar a idade de qualquer um é algo bem inadequado.
— A diretora está a seu aguardo, por favor, vamos indo.
— Perfeitamente...
Perguntei se estávamos indo para a sala da Diretora, me parece que ela tem mais de uma sala, uma delas ficava localizada dentro da instalação a outra era mais reservada, mais adequada para reuniões, talvez os demais alunos ficariam um tanto curiosos com esse encontro...
— Senhora Hark? Ela já chegou.
— Ah, sim mande-a entrar.
O homem após escoltá-la deixa a sós com a Diretora.
— Você deve ser a Maxine, Solomon falou muito bem de você.
— É ele pode ter exagerado um pouco sobre algumas coisas, se é que ele falou ao meu respeito, mas é um prazer conhecê-la.
— Por favor sente-se.
Morgana Hark, a diretora da Academia, não sei muito sobre ela, apenas o básico me foi passado, Senhor Silvers foi um companheiro de longa data, parece que os dois já trabalharam juntos algumas vezes, claro que ele era bem mais jovem que ela naquela época mas são bons amigos até hoje.
— Creio que Solon já lhe contou como as coisas funcionarão?
— É já consigo visualizar mais ou menos o cenário.
— Bem, geralmente eu faria algumas perguntas específicas para você porém estou aqui para adverti-la.
— A respeito?
— A primeira humana em décadas está se ingressando em nossa Academia, e ainda por cima uma caçadora. Claro que isso vai dar o que falar entre os outros estudantes não é mesmo?
— É disso eu já estou ciente.
— O que eu quero dizer é que talvez hajam aqueles que não aceitarão bem essa ideia particularmente eu também estou inclusa nessa grande maioria, mas não é pessoal, está mais para uma questão de segurança.
— Mas mesmo com esse pequeno obstáculo social, ainda precisam de mim.
— *Suspira* Temos tido diversas irregularidades em nossa Academia nesses últimos anos, as notícias correm rápido por aqui sabia? Cedo ou tarde algo assim iria acontecer nós já estávamos cientes. Tivemos alguns casos isolados de violência entre os alunos fora de nossa Academia.
— E qual é o problema? Que eu saiba é normal os jovens brigarem, é comum na adolescência alguns desentendimentos.
— Mas quando esses desentendimentos envolvem o preconceito entre as espécies e o uso de "pó preto" algo deve ser feito não é mesmo? Por sorte conseguimos lidar com alguns casos como esse, mas só de imaginar que isso já está começando a nos afetar já é algo que devemos lidar antes que acabe se expandindo, como caçadora já deve ter lidado ou visto uma coisa parecida, imagine diversas pessoas de diferentes espécies agrupadas em um único lugar, claro que o objetivo primário é obter o conhecimento, afinal de contas é para isso que serve uma instituição de ensino, mas não sabemos o que todos os jovens estão pensando hoje em dia.
— Então querem alguém para ficar de olho em seus queridos alunos para que não saiam da linha?
— Estamos em tempos difíceis, e um pouco desesperados por ajuda, claro que os caçadores já estão cientes de nossa situação, porém não tem a total liberdade para agirem contra nossos alunos, o que abre uma pequena brecha, e mesmo se eles fossem permitidos a agir de acordo com o protocolo, imagine o escândalo que isso causaria.
— No pior dos casos a Academia perderia muitos alunos, não seria problema...a não ser se os alunos fossem de grande importância, o que parece ser o caso.
— Nós lecionamos para gerações de famílias importantes de todos os tipos, e não ocorreu nenhum problema nos últimos anos, e do jeito que as coisas estão, uma pequena fagulha pode acender a maior das chamas.
Há alguns meses conversei com o Senhor Silvers se haviam casos como os que pegamos mais ligados a jovens como eu, ele disse que era algo raro, a maioria deles como a própria diretora da renomada academia disse, são bem isolados, pode ser uma certa incompetência da nossa parte, mas ele mencionou que o procedimento comum a se tomar a cerca de uma situação dessas inevitavelmente era o arquivamento, o processo de reabilitação era feito as escondidas para que isso não fosse a público como a maioria dos casos é divulgado.
— Mesmo que tenhamos pedido sua ajuda, gostaria de saber seu ponto de vista de toda essa situação, quando soube de você pelo Solon, planejamos isso tudo sem nem sequer consultá-la antes.
— *Cruza as pernas* Diretora Hark, com todo respeito tenho que te dizer que eu não sou lá uma pessoa experiente com interações, ainda mais com pessoas..."da minha idade" ou jovens por assim dizer, já lidei com muitos casos em meus anos iniciais até o momento como caçadora, mas encarar a sociedade é um problema para mim. E claro sobre toda essa situação não me parece nada de mais, como disse já lidei com muitos casos, quanto aos riscos bem estou ciente de todos eles, disse ao Senhor Silvers que podia lidar com problemas a minha volta se fosse o caso, mas teria de ser da minha maneira. Por ele eu estou disposta a ajudar no que for possível, mas terei que lidar com tudo da minha maneira, se não for problema para a Senhora é claro.
— Desde que não quebre as leis e nem passe do limite...
— Não se preocupe com isso, é que do jeito que a Senhora falou parecem que as coisas serão difíceis, mas não farei nada, prometo andar em cima da linha, tudo pelo bem maior não é mesmo?
— Solon estava certo para você, é uma jovem ousada com uma lábia convincente.
Ambas depois de alguns minutos discutindo terminam a entrevista e encerram toda a conversa com um aperto de mãos.
— Seja bem vinda a nossa Academia.
— Darei o meu melhor.
— Ah sim já ia me esquecendo...
Ela entrega um papel para a garota.
— Aqui é onde irá ficar a chave reserva de um dos nossos dormitórios, Solon disse que você não teria problema em dividir seu dormitório com uma outra pessoa, ele disse que você precisaria de companheiros
— Ele disse isso não é...
— Por sorte nossa Academia tem dormitórios separados para cada turma, o dormitório F é o mais adequado para você.
— Eu achava que os dormitórios eram separados por espécies...raças...qualquer variação.
— A princípio é isso mesmo, mas o dormitório F é o único que há alunos diferentes juntos.
Me pergunto se isso realmente daria certo, o pré-conceito em minha mente ainda permanece, em meu trabalho, uma relação desse tipo é temporária, mesmo que séculos tenham se passado, ainda há uma separação entre todos nós...
Usando seus poderes ela conjura uma bola de cristal, ela chamava alguém para me levar até lá, talvez seja algum estudante daquele mesmo dormitório, isso facilitará as coisas.
— Com licença...
Uma garota com voz suave abre a porta da sala.
— Por favor Senhorita Akimi por favor acompanhe a Senhorita Maxine até o seu dormitório.
Uma Yokai? Mais precisamente uma Kitsune, achava que veria alguém como ela apenas em algum país asiático, isso só prova que nosso mundo está cada vez menor.
— Ah, onde estão meus modos? É um prazer conhecê-la.
Levantando-se da cadeira ela estica sua mão para cumprimentar.
— O prazer é todo meu... — cumprimentou nervosa. -
— Espero que consiga se dar bem por aqui, e mais uma vez seja bem vinda. — após a saudação final ambas saem da sala da diretora -
[...]
Andamos por um bom tempo juntas sem falar uma palavra sequer, aparentemente é ela quem deveria estar me guiando, mas está atrás de mim bem nervosa.
— Algum problema?
— N-não nenhum!
— Não precisa ficar nervosa comigo? Provavelmente sou eu quem deveria estar assim, mas nós humanos não mordemos.
— Não é por isso, é que os boatos falaram que uma humana iria ingressar nossa Academia e essa humana na verdade é...
— Uma caçadora?
— Sim...
— Mas não se preocupe com isso, vamos dizer que estou afastada desse ramo por tempo indeterminado, então não precisa ter medo de mim.
— Eu não estou com medo...para falar a verdade estou bem mais é curiosa sobre você.
— E o que uma garota como eu teria de interessante para atrair a sua atenção.
— Bem você é uma caçadora, deve ser um trabalho realmente difícil.
— Nem tanto...o que dificulta mesmo é escolher um lugar descente para dormir, isso sim é um desafio...
— Já deve ter visitado vários lugares.
— É, isso realmente é um privilégio, mas você também...Uma kitsune na Europa, devo dizer que vocês Yokais são bem incomuns por aqui.
— Imagine, graças ao programa de intercâmbio eu consegui uma oportunidade, mas eu não sou a única por aqui.
— Mas eu digo que você é a primeira que eu vejo pessoalmente, e dizem que Kitsunes atraem boa sorte então não foi uma coincidência.
— Boa sorte? E-eu? — disse envergonhada — Nem imaginaria isso...
As garotas continuavam conversando no caminho até o seu dormitório.
Pude conhecer um pouco dessa jovem Kitsune enquanto conversávamos, parecia bem nervosa a minha presença, mas por causa da minha "condição especial" o que dificultaria um pouco para a socialização, mas conseguimos vencer essa barreira rapidamente.
O assunto tinha ficado um pouco mais sério, ela me relatou que foi salva por um caçador a muito tempo quando era mais nova, mas ela não se aprofundou muito nos detalhes, talvez tenha sido uma experiência traumática? Mas também não deixarei minha curiosidade vencer essa.
— Já tem alguma ideia de quais aulas você irá fazer?
— Ainda não tive tempo para analisar, quem sabe você possa iluminar a minha mente.
— Ficarei feliz em ajudá-la.
Seguindo pela estrada de tijolos e pedras em uns bons 15 minutos andando enfim chegamos aos dormitórios...pelo menos no que eu presumo que seja aqui...
Eles se esforçaram par ao menos separar os dormitórios dos alunos da Academia, talvez a intenção por aqui seria dar uma certa "liberdade" para os alunos, mas se você tiver um olhar afiado dá para perceber as sentinelas e encantamentos previamente armados nos lugares, talvez em caso de perigo extremo elas se ativem, eu já cheguei a usar uma armadilha similar que seguia esse mesmo conceito, servia apenas para emboscar, soa como um sinal de aviso que é emitido para determinado lugar, não sei bem para onde vão, mas sei que isso foi feito para que qualquer aluno dessa Academia acabe não passando do limite.
— É aqui.
— Hm? Espere um pouco...
Quando Akimi iria abrir a porta Maxine rapidamente segura sua mão.
— Algum problema?
Que encantamento fraco é esse?
Com um peteleco ela desfaz o pequeno círculo mágico que estava naquela maçaneta.
— Está mais seguro agora, provavelmente seria "Chocante" se você abrisse a porta.
— Ah, deve ter sido coisa do Ayle, me perdoe por isso mas ele gosta de pregar peças nos outros, e algumas vezes ele exagera...
O encantamento claramente não tem a intenção de causar grandes danos, e do jeito que minha colega descreveu essa situação parece que ela já está acostumada com isso, seria algo recorrente?
Com o encantamento desfeito, dessa vez Akimi pode abrir a porta sem que algo aconteça.
— Com licença...Pessoal já chegamos...
Do lado de fora eu consegui notar que esse lugar tem 3 andares, apesar de rústico por fora, por dentro é totalmente diferente do que eu imaginei usando meu velho apartamento como referência posso dizer que há pelo menos uns 4...5 cômodos aqui?
Na mesma entrada estávamos andando por um pequeno corredor até que finalmente chegamos ao nosso destino.
— Hey! Akimi porque quebrou o encantamento lá na porta? Não sabe que é uma tradição que todo novato desse dormitório passe por isso?
— Do que você está falando? Nós entramos no mesmo dia nesse dormitório.
— Só estou afim de começar algo novo...Hey Cold! Isso não vale eu estava distraído.
— ...Idiota.
Os dois rapazes estavam sentados no sofá ambos com um dispositivo em mãos, creio que seja uma espécie de videogame, o mais baixo dos dois é um meio-elfo, suas orelhas levemente pontudas entregaram tudo, diferente de um elfo puro elas são um pouco menores, fora o seu cabelo que é de uma coloração mais escura, o outro rapaz pelo o seu cabelo e olhos brancos dá para dizer claramente que se trata de um jovem lobisomem, mas assim como o elfo ele é um híbrido com outra espécie que eu não saberia identificar, apenas olhando de relance para seus olhos nota-se que se trata de um híbrido.
— E então...uma humana por aqui em nosso dormitório? — disse o mais baixo -
O meio elfo se levanta e começa a dar uma volta em torno de Maxine.
— Permita-me lhe dar as boas-vindas.
Disse ele esticando as mãos, por educação ela o cumprimenta.
PRRRRRFFFF FIIIIII
— Hahaha! Essa nunca falha.
Pelo visto esse aqui adora pregar peças, uma clássica almofada de pum? Crianças ainda usam esse tipo de coisa?
— Desculpe por isso, não ligue para esse bobo. — comentou Akimi —
— Hahaha! Só estou brincando mesmo, não me prenda por isso, ó caçadora...
— Não se preocupe já lidei com crianças antes, mas sugiro que lave suas mãos depois.
— Por que está falando is---Ahhh!
Um besouro arco-íris artificial, bem, quando essas pequenos insetos ficam assustados, bem o resultado é um cheiro desagradável...
— *cheira* Droga, se espalhou por toda a minha mão! Isso não ficará assim!
— Não ligue para ele, está fazendo um drama como sempre.
Já lidei com crianças a muito tempo eu sei como prosseguir com alguém que tem a mesma mentalidade de uma...Mas isso parece ter gerado uma reação negativa.
Quando o meio elfo foi correndo para o banheiro lavar sua mão o rapaz mais alto se levanta e se aproxima lentamente de Maxine.
— Algum problema garotão?
— Hm...
Talvez esse aqui seja aqueles que gosta de arranjar confusão do nada...
O mais alto dá uma longa suspirada seu olhar parecia ameaçador porém quando se aproxima de vez ele levanta suas mãos, Maxine parecia estar em alerta, mas ele apenas ajeita o cabelo da garota e arruma seu sobretudo.
— Não precisa se assustar com o Gabe, ele tem essa expressão fechada mas é alguém de confiança, só não ligue muito para sua mania, ele é louco por organização e limpeza.
— É presumo que nos daremos bem, gosto de pessoas organizadas.
— Hmph. — ele volta a se sentar —
Parece que o grandão não era de grande ameaça pelo visto, menos mal não queria uma confusão logo de cara no meu período de readaptação.
— Ah Akimi, você já chegou...
É e mais uma pessoa alta aparece, ela carregava em suas mãos algo bem...atrativo assim dizendo. Um bolo retangular de morango e chantily com cerejas em cima...Melhor parar de encará-lo, doces bem decorados e chamativos são um dos meus pontos fraco, ela o deixou em cima da mesa e se aproxima de mim e...
— Seja bem vinda!
A mais alta a ergue enquanto a abraçava, os pés de Maxine já não estavam mais no chão.
— É isso que eu chamo de "boas vindas" bem calorosas... — comentou Maxine -
— Não exagere Mille, não vai querer assustar a nossa nova companheira.
— Foi mal, foi mal Akimi, mas temos que fazer com que ela se sinta mais a vontade.
Temo que aja formas mas adequadas de se fazer isso...Mas não quero magoar os sentimentos de uma jovem Oni. Diferente dos Orcs e Ogros, os Onis tem sua aparência mais distinta, a falta de presas é evidente e a aparência mais rígida é algo que deixa de ser notável ainda mais nas fêmeas, essa no entanto embora tenha o tamanho de uma, e assim como nosso companheiro lobisomem ela consegue ser um pouco maior que ele, mas tendo apenas um chifre em sua cabeça dá para notar que ela não é sangue puro...Não deixo de notar um certo padrão aqui...
Antes que eu pudesse observar mais um pouco notavelmente copos com uma aura rosa flutuavam para aquela mesma mesa de centro enquanto duas garrafas fechadas também foram transportadas da mesma maneira...uma aura assim tão suave e brilhante só pode se tratar de uma...
— ...
— Hm? Vem logo Layla, ela não vai te morder.
— Tem certeza? As vezes pode ser uma armadilha...Você sabe quem ela realmente é?
— Uma humana?
— Uma caçadora Mille!
Como eu suspeitava, uma fada. Criaturinhas tão pequenas mas o que lhes falta de tamanho compensam em magia, ela parece desconfiada de mim, mas não a culpo encarar o desconhecido realmente pode ser assustador na primeira vez.
— De fato sou uma, mas não se preocupe não farei nada de suspeito.
— Sei...
— Não ligue para ela, parece nervosa mas ela é totalmente tímida na primeira olhada.
É um elenco fascinante que temos aqui, uma Kitsune, um meio elfo, um lobisomem híbrido, uma fada e uma meia Oni, até agora não senti nenhuma ameaça muito menos houve algum sinal de hostilidade dado o fato de que além de eu ser humana eu também tenho...digamos um emprego "peculiar".
— Aqui. — disse a mais alta oferecendo um copo para ela -
Todos se reuniram na sala de estar ,o meio elfo após "lavar" suas mãos se junta a eles em seguida a bebida é servida para cada um por Akimi.
Seria uma tentativa de simular um vinho? Suco de uva concentrado em garrafa, essa marca no entanto não é lá das mais baratas dá para ver a dedicação de todos.
— *Bate palmas* Vamos lá pessoal, hoje nós contamos com uma nova integrante em nosso dormitório, essa é Maxine bem acho que todos notaram que ela é uma humana mas não preciso repetir o que sempre falo quando temos um membro novo no dormitório não é?
Ela parece um pouco nervosa mas conseguiu se expressar, talvez essa a minha deixa.
— Obrigado pela breve introdução, bem acho que não teria como esconder o fato de que uma "humana" frequentaria esse lugar, e para que uma conseguisse tal feito, ela teria que ser especial, resumindo de fato sou uma caçadora, mas não se preocupem, eu estou afastada em tempo indeterminado não vou fazer nada de suspeito por aqui mas espero que isso não seja uma barreira para a nossa "futura interação" e não não vou fazer nada com o cérebro de vocês se é o que algum de vocês está pensando *pisca para Layla* e também ficarei feliz em responder qualquer pergunta sobre mim e talvez tenha ligação com o meu trabalho...mas apenas o que tiver a meu alcance.
Apresentações não são muito o meu forte ,Solomon estava certo quando disse que meu nível de interação social não é o dos melhores, costumo ser bem direta, para minha sorte parece que meu jovem amigo lupino entendeu o meu lado, e os mais curiosos vieram até mim com perguntas sobre "casos" e até mesmo sobre..."torturas"...Claro que desviei algumas coisas em nossa breve conversa, afinal muito das coisas relacionadas ao meu trabalho é restrita e confidencial, mas facilitou a interação de alguma forma. O jovem elfo e a fada foram os que mais ficaram interessados.
— Tá legal, vocês dois se acalmem, não sufoquem ela terão muito tempo para conversar, agora vamos apreciar nossa pequena festa de boas vindas.
Mesmo com o pedido da nossa "grande" companheira os dois mesmo durante a comemoração continuaram as perguntas, até tive que me sentar para respondê-los melhor, Akimi insistiu para que parassem mas disse que não seria problema, contanto que eu não revele muitos detalhes será um ponto no quesito interação com outras espécies.
O bolo em si não estava apenas perfeito na aparência o gosto também estava delicioso, apesar de ser uma apreciadora de doces mas não daqueles do tipo enjoativo esse até que está agradável a maciez está no ponto perfeito e o recheio está em uma quantidade aceitável, ao elogiar parece que pela reação foi a Mille quem o preparou bem ela tem o dom para culinária.
Noto também que nosso amigo mais reservado é um dos mais atenciosos do grupo, enquanto os mais agitados se acalmavam ele ocasionalmente os limpava, oferecia até mesmo uma bebida quando estavam com a boca cheia parece que as aparências podem realmente enganar.
[...]
Após toda essa comemoração fui para o toalete precisava me espairecer um pouco, mas se me lembro bem nosso pequeno amigo de orelhas pontudas esteve aqui, e como eu suspeitava ele implantou algumas pequenas armadilhas, se eu usasse a torneira nesse momento ao que parece meu rosto seria tingido com algum tipo de tinta que provavelmente perduraria por alguns dias, ao desativar o encanto uma certa quantidade de água colorida saiu daquela torneira e depois voltou ao normal.
— Mais sorte na próxima meu amigo... — gritou ela —
— Sério? Você não tem graça nenhuma... — disse Ayle decepcionado atrás da porta -
Como é que falam "esse é mesmo uma figura" suas brincadeiras parecem leves mas me pergunto se ele alguma vez ousaria passar do limite com uma coisa dessas.
No pequeno tour consegui ver que o dormitório não é tão pequeno como eu imaginava, na parte de cima ficavam os quartos, Akimi se ofereceu para levar a minha mala até lá.
Na parte de baixo ficavam os cômodos de acesso livre, cozinha, haviam dois banheiros aparentemente são unissex, mas os garotos usavam o do lado esquerdo e parece que as meninas usam o que ficava ao lado esquerdo, talvez eu deva respeitar essa regra...a menos que ela seja burlada caso alguém fique tempo de mais ali dentro.
O mais curioso é que o dormitório mesmo sendo apenas um pouco maior que meu apartamento é comprimido em várias portas, e o porque disso? Apenas uma explicação, magia extraespaçodimensional...uma nomenclatura bem esquisita não é mesmo? Geralmente nós caçadores usamos esse tipo de espaço como depósito geralmente é usado uma porta ou até mesmo uma chave como referência e quando a mesma é usada dá acesso ao lugar isso explica muita coisa, economizaram muito em infraestrutura mas quando se tem um espaço como esse com a ajuda de magia até mesmo o menor dos armários pode dar acesso aos maiores quartos.
Na cozinha por exemplo vendo desse mesmo truque aqui dentro ficavam apenas o essencial, geladeira, fogão, micro-ondas, dispensa, armários, pia e alguns armários para guardar as louças, e bem ao lado por uma outra porta ficava a sala de jantar, mas na mesma cozinha havia uma mesa e algumas cadeiras, pessoalmente acho salas de jantares um cômodo espaçosamente desnecessário, mas claro que como caçadora eu não me dou ao luxo de comer em um lugar assim.
Na sala de estar da qual estávamos era bem decorada, presumo que todos os dormitórios tem o seu estilo, além do grande sofá haviam duas poltronas que ficavam ao lado, e mesmo com a lareira presente o lugar contava com luminárias e algumas mesas haviam vasos de flores e também havia um grande relógio de madeira estilo inglês, um clássico para se ter em qualquer residência.
Subindo a escadaria que ficava no canto inferior da sala, cheguei aos quartos, como o lugar não é tão grande haviam 6 portas, 3 em cada lado e a cada espaçamento havia um candelabro com uma luminária acima, o quarto em que Akimi se encontrava estava aberto.
— Parece que alguém levou a sério o conceito de "minimalismo".
— Ah isso? Não sou muito fã de lotar o ambiente com bastantes adereços.
As camas ficavam cada uma dos dois lados do quarto, um cômodo retangular bem espaçoso, diferente do andar de baixo aqui não precisou usar daquele truque barato para poupar espaço, as camas eram de solteiras e havia uma mesa no centro há alguns metros das mesmas haviam portas que davam em pequenos closets, essas sim usavam magia para existirem, o closet servia apenas para guardarmos algumas coisas, vai ser fácil organizar minhas roupas pelo visto, no centro havia uma mesa com duas cadeiras e ao lado das camas uma escrivaninha, havia uma grande janela que estava fechada, já estava anoitecendo quando notei.
— Não se incomode de preencher o espaço que sobrou com o que achar ideal. Se pudesse deixava você em um quarto próprio, mas você sabe, regras da Academia.
— Não se preocupe, também não sou do tipo que gosta de acumular muita coisa e não me importo de dividir um quarto.
— Fico feliz, mas e então o que achou do pessoal?
— Muitos rostos novos e personalidades cativantes mas até que eles são legais...Cá entre nós, eu notei que todos aqui presente não são de fato...dizendo com palavras adequadas, puros.
— Ah, sim, digamos que nós somos um dos poucos que não vieram de uma família de raça pura, mas isso não nos atrapalha em nada, nós híbridos temos que nos manter reunidos.
Imagino que por causa disso recebam tratamento um tanto diferente dos demais...claro que não toquei nesse assunto pois não queria soar rude, mesmo já parecendo.
— Bem, e agora vocês tem uma humana, mais estranho que isso não pode ficar.
— Não se preocupe pelo menos não estará sozinha por lá.
— É bom ouvir isso, mas agora eu gostaria de saber sobre o lugar, quais são as regras que devo seguir aqui, e lá, o que devo fazer daqui para frente?
— A diretora não lhe explicou?
— De uma maneira bem vaga...Vejamos...
Ela olha a sua mala e pega os papéis que havia recebido.
— Mesmo sendo fã de leitura acho que isso é muito para mim, poderia me ajudar?
— Mas é claro que sim.
Akimi então se aproxima e se senta ao lado de Maxine em sua cama ambas conferem os papéis...
A primeira etapa já foi concluída, agora a parte do planejamento talvez seja a mais difícil no momento, mas irei me preparar para qualquer tipo de situação, não é como se algo extraordinário fosse acontecer no meu "primeiro dia" não é mesmo?
A arquitetura inglesa nunca foi de me decepcionar, mesmo nos anos atuais esse tipo de construção ainda consegue ser das mais belas desse mundo.
Me parece que eles investiram mesmo nesse lugar, é bem afastado da cidade, diria que demoraria pelo menos uma hora até duas andando daqui, bem, uns 20 minutos se eu fosse uma vampira durante a noite ou uma lobisomem, provavelmente em noite de lua cheia talvez.
PHA ou Pandora Highschool Academy uma das Academias prestigiadas do país, com exclusividade para apenas alunos de outras classes, bem isso parece que vai mudar hoje.
Ela é dividida em várias áreas e cada uma própria para ensinar uma matéria diferente, estudos comuns, do tipo conhecimentos gerais e históricos e também...digamos os estudos "incomuns", isso tudo depende do que você escolhe pelo o que me foi dito, preciso de mais informações sobre isso, sendo algo vago em minha mente, a única informação que tenho é que nós alunos podemos montar nossa grade porém temos que ter ao menos 5 matérias pois como Senhor Silvers me disse são áreas que precisamos ter boas notas.
Pelo o que foi me contado esse lugar era um antigo patrimônio que foi ativo apenas para esse propósito, tsc tsc, ao invés de mantê-lo fechado preservando toda a história eles mais uma vez planejaram usar essas belas construções, felizmente é para o mesmo propósito.
O vento do final da tarde é bem agradável nessa época do ano.
— Senhorita Maxine?
— Hm?
Um homem com aparência jovial estava me aguardando, por ser um elfo talvez esteja na casa dos 70 anos, quem sabe, afinal perguntar a idade de qualquer um é algo bem inadequado.
— A diretora está a seu aguardo, por favor, vamos indo.
— Perfeitamente...
Perguntei se estávamos indo para a sala da Diretora, me parece que ela tem mais de uma sala, uma delas ficava localizada dentro da instalação a outra era mais reservada, mais adequada para reuniões, talvez os demais alunos ficariam um tanto curiosos com esse encontro...
— Senhora Hark? Ela já chegou.
— Ah, sim mande-a entrar.
O homem após escoltá-la deixa a sós com a Diretora.
— Você deve ser a Maxine, Solomon falou muito bem de você.
— É ele pode ter exagerado um pouco sobre algumas coisas, se é que ele falou ao meu respeito, mas é um prazer conhecê-la.
— Por favor sente-se.
Morgana Hark, a diretora da Academia, não sei muito sobre ela, apenas o básico me foi passado, Senhor Silvers foi um companheiro de longa data, parece que os dois já trabalharam juntos algumas vezes, claro que ele era bem mais jovem que ela naquela época mas são bons amigos até hoje.
— Creio que Solon já lhe contou como as coisas funcionarão?
— É já consigo visualizar mais ou menos o cenário.
— Bem, geralmente eu faria algumas perguntas específicas para você porém estou aqui para adverti-la.
— A respeito?
— A primeira humana em décadas está se ingressando em nossa Academia, e ainda por cima uma caçadora. Claro que isso vai dar o que falar entre os outros estudantes não é mesmo?
— É disso eu já estou ciente.
— O que eu quero dizer é que talvez hajam aqueles que não aceitarão bem essa ideia particularmente eu também estou inclusa nessa grande maioria, mas não é pessoal, está mais para uma questão de segurança.
— Mas mesmo com esse pequeno obstáculo social, ainda precisam de mim.
— *Suspira* Temos tido diversas irregularidades em nossa Academia nesses últimos anos, as notícias correm rápido por aqui sabia? Cedo ou tarde algo assim iria acontecer nós já estávamos cientes. Tivemos alguns casos isolados de violência entre os alunos fora de nossa Academia.
— E qual é o problema? Que eu saiba é normal os jovens brigarem, é comum na adolescência alguns desentendimentos.
— Mas quando esses desentendimentos envolvem o preconceito entre as espécies e o uso de "pó preto" algo deve ser feito não é mesmo? Por sorte conseguimos lidar com alguns casos como esse, mas só de imaginar que isso já está começando a nos afetar já é algo que devemos lidar antes que acabe se expandindo, como caçadora já deve ter lidado ou visto uma coisa parecida, imagine diversas pessoas de diferentes espécies agrupadas em um único lugar, claro que o objetivo primário é obter o conhecimento, afinal de contas é para isso que serve uma instituição de ensino, mas não sabemos o que todos os jovens estão pensando hoje em dia.
— Então querem alguém para ficar de olho em seus queridos alunos para que não saiam da linha?
— Estamos em tempos difíceis, e um pouco desesperados por ajuda, claro que os caçadores já estão cientes de nossa situação, porém não tem a total liberdade para agirem contra nossos alunos, o que abre uma pequena brecha, e mesmo se eles fossem permitidos a agir de acordo com o protocolo, imagine o escândalo que isso causaria.
— No pior dos casos a Academia perderia muitos alunos, não seria problema...a não ser se os alunos fossem de grande importância, o que parece ser o caso.
— Nós lecionamos para gerações de famílias importantes de todos os tipos, e não ocorreu nenhum problema nos últimos anos, e do jeito que as coisas estão, uma pequena fagulha pode acender a maior das chamas.
Há alguns meses conversei com o Senhor Silvers se haviam casos como os que pegamos mais ligados a jovens como eu, ele disse que era algo raro, a maioria deles como a própria diretora da renomada academia disse, são bem isolados, pode ser uma certa incompetência da nossa parte, mas ele mencionou que o procedimento comum a se tomar a cerca de uma situação dessas inevitavelmente era o arquivamento, o processo de reabilitação era feito as escondidas para que isso não fosse a público como a maioria dos casos é divulgado.
— Mesmo que tenhamos pedido sua ajuda, gostaria de saber seu ponto de vista de toda essa situação, quando soube de você pelo Solon, planejamos isso tudo sem nem sequer consultá-la antes.
— *Cruza as pernas* Diretora Hark, com todo respeito tenho que te dizer que eu não sou lá uma pessoa experiente com interações, ainda mais com pessoas..."da minha idade" ou jovens por assim dizer, já lidei com muitos casos em meus anos iniciais até o momento como caçadora, mas encarar a sociedade é um problema para mim. E claro sobre toda essa situação não me parece nada de mais, como disse já lidei com muitos casos, quanto aos riscos bem estou ciente de todos eles, disse ao Senhor Silvers que podia lidar com problemas a minha volta se fosse o caso, mas teria de ser da minha maneira. Por ele eu estou disposta a ajudar no que for possível, mas terei que lidar com tudo da minha maneira, se não for problema para a Senhora é claro.
— Desde que não quebre as leis e nem passe do limite...
— Não se preocupe com isso, é que do jeito que a Senhora falou parecem que as coisas serão difíceis, mas não farei nada, prometo andar em cima da linha, tudo pelo bem maior não é mesmo?
— Solon estava certo para você, é uma jovem ousada com uma lábia convincente.
Ambas depois de alguns minutos discutindo terminam a entrevista e encerram toda a conversa com um aperto de mãos.
— Seja bem vinda a nossa Academia.
— Darei o meu melhor.
— Ah sim já ia me esquecendo...
Ela entrega um papel para a garota.
— Aqui é onde irá ficar a chave reserva de um dos nossos dormitórios, Solon disse que você não teria problema em dividir seu dormitório com uma outra pessoa, ele disse que você precisaria de companheiros
— Ele disse isso não é...
— Por sorte nossa Academia tem dormitórios separados para cada turma, o dormitório F é o mais adequado para você.
— Eu achava que os dormitórios eram separados por espécies...raças...qualquer variação.
— A princípio é isso mesmo, mas o dormitório F é o único que há alunos diferentes juntos.
Me pergunto se isso realmente daria certo, o pré-conceito em minha mente ainda permanece, em meu trabalho, uma relação desse tipo é temporária, mesmo que séculos tenham se passado, ainda há uma separação entre todos nós...
Usando seus poderes ela conjura uma bola de cristal, ela chamava alguém para me levar até lá, talvez seja algum estudante daquele mesmo dormitório, isso facilitará as coisas.
— Com licença...
Uma garota com voz suave abre a porta da sala.
— Por favor Senhorita Akimi por favor acompanhe a Senhorita Maxine até o seu dormitório.
Uma Yokai? Mais precisamente uma Kitsune, achava que veria alguém como ela apenas em algum país asiático, isso só prova que nosso mundo está cada vez menor.
— Ah, onde estão meus modos? É um prazer conhecê-la.
Levantando-se da cadeira ela estica sua mão para cumprimentar.
— O prazer é todo meu... — cumprimentou nervosa. -
— Espero que consiga se dar bem por aqui, e mais uma vez seja bem vinda. — após a saudação final ambas saem da sala da diretora -
[...]
Andamos por um bom tempo juntas sem falar uma palavra sequer, aparentemente é ela quem deveria estar me guiando, mas está atrás de mim bem nervosa.
— Algum problema?
— N-não nenhum!
— Não precisa ficar nervosa comigo? Provavelmente sou eu quem deveria estar assim, mas nós humanos não mordemos.
— Não é por isso, é que os boatos falaram que uma humana iria ingressar nossa Academia e essa humana na verdade é...
— Uma caçadora?
— Sim...
— Mas não se preocupe com isso, vamos dizer que estou afastada desse ramo por tempo indeterminado, então não precisa ter medo de mim.
— Eu não estou com medo...para falar a verdade estou bem mais é curiosa sobre você.
— E o que uma garota como eu teria de interessante para atrair a sua atenção.
— Bem você é uma caçadora, deve ser um trabalho realmente difícil.
— Nem tanto...o que dificulta mesmo é escolher um lugar descente para dormir, isso sim é um desafio...
— Já deve ter visitado vários lugares.
— É, isso realmente é um privilégio, mas você também...Uma kitsune na Europa, devo dizer que vocês Yokais são bem incomuns por aqui.
— Imagine, graças ao programa de intercâmbio eu consegui uma oportunidade, mas eu não sou a única por aqui.
— Mas eu digo que você é a primeira que eu vejo pessoalmente, e dizem que Kitsunes atraem boa sorte então não foi uma coincidência.
— Boa sorte? E-eu? — disse envergonhada — Nem imaginaria isso...
As garotas continuavam conversando no caminho até o seu dormitório.
Pude conhecer um pouco dessa jovem Kitsune enquanto conversávamos, parecia bem nervosa a minha presença, mas por causa da minha "condição especial" o que dificultaria um pouco para a socialização, mas conseguimos vencer essa barreira rapidamente.
O assunto tinha ficado um pouco mais sério, ela me relatou que foi salva por um caçador a muito tempo quando era mais nova, mas ela não se aprofundou muito nos detalhes, talvez tenha sido uma experiência traumática? Mas também não deixarei minha curiosidade vencer essa.
— Já tem alguma ideia de quais aulas você irá fazer?
— Ainda não tive tempo para analisar, quem sabe você possa iluminar a minha mente.
— Ficarei feliz em ajudá-la.
Seguindo pela estrada de tijolos e pedras em uns bons 15 minutos andando enfim chegamos aos dormitórios...pelo menos no que eu presumo que seja aqui...
Eles se esforçaram par ao menos separar os dormitórios dos alunos da Academia, talvez a intenção por aqui seria dar uma certa "liberdade" para os alunos, mas se você tiver um olhar afiado dá para perceber as sentinelas e encantamentos previamente armados nos lugares, talvez em caso de perigo extremo elas se ativem, eu já cheguei a usar uma armadilha similar que seguia esse mesmo conceito, servia apenas para emboscar, soa como um sinal de aviso que é emitido para determinado lugar, não sei bem para onde vão, mas sei que isso foi feito para que qualquer aluno dessa Academia acabe não passando do limite.
— É aqui.
— Hm? Espere um pouco...
Quando Akimi iria abrir a porta Maxine rapidamente segura sua mão.
— Algum problema?
Que encantamento fraco é esse?
Com um peteleco ela desfaz o pequeno círculo mágico que estava naquela maçaneta.
— Está mais seguro agora, provavelmente seria "Chocante" se você abrisse a porta.
— Ah, deve ter sido coisa do Ayle, me perdoe por isso mas ele gosta de pregar peças nos outros, e algumas vezes ele exagera...
O encantamento claramente não tem a intenção de causar grandes danos, e do jeito que minha colega descreveu essa situação parece que ela já está acostumada com isso, seria algo recorrente?
Com o encantamento desfeito, dessa vez Akimi pode abrir a porta sem que algo aconteça.
— Com licença...Pessoal já chegamos...
Do lado de fora eu consegui notar que esse lugar tem 3 andares, apesar de rústico por fora, por dentro é totalmente diferente do que eu imaginei usando meu velho apartamento como referência posso dizer que há pelo menos uns 4...5 cômodos aqui?
Na mesma entrada estávamos andando por um pequeno corredor até que finalmente chegamos ao nosso destino.
— Hey! Akimi porque quebrou o encantamento lá na porta? Não sabe que é uma tradição que todo novato desse dormitório passe por isso?
— Do que você está falando? Nós entramos no mesmo dia nesse dormitório.
— Só estou afim de começar algo novo...Hey Cold! Isso não vale eu estava distraído.
— ...Idiota.
Os dois rapazes estavam sentados no sofá ambos com um dispositivo em mãos, creio que seja uma espécie de videogame, o mais baixo dos dois é um meio-elfo, suas orelhas levemente pontudas entregaram tudo, diferente de um elfo puro elas são um pouco menores, fora o seu cabelo que é de uma coloração mais escura, o outro rapaz pelo o seu cabelo e olhos brancos dá para dizer claramente que se trata de um jovem lobisomem, mas assim como o elfo ele é um híbrido com outra espécie que eu não saberia identificar, apenas olhando de relance para seus olhos nota-se que se trata de um híbrido.
— E então...uma humana por aqui em nosso dormitório? — disse o mais baixo -
O meio elfo se levanta e começa a dar uma volta em torno de Maxine.
— Permita-me lhe dar as boas-vindas.
Disse ele esticando as mãos, por educação ela o cumprimenta.
PRRRRRFFFF FIIIIII
— Hahaha! Essa nunca falha.
Pelo visto esse aqui adora pregar peças, uma clássica almofada de pum? Crianças ainda usam esse tipo de coisa?
— Desculpe por isso, não ligue para esse bobo. — comentou Akimi —
— Hahaha! Só estou brincando mesmo, não me prenda por isso, ó caçadora...
— Não se preocupe já lidei com crianças antes, mas sugiro que lave suas mãos depois.
— Por que está falando is---Ahhh!
Um besouro arco-íris artificial, bem, quando essas pequenos insetos ficam assustados, bem o resultado é um cheiro desagradável...
— *cheira* Droga, se espalhou por toda a minha mão! Isso não ficará assim!
— Não ligue para ele, está fazendo um drama como sempre.
Já lidei com crianças a muito tempo eu sei como prosseguir com alguém que tem a mesma mentalidade de uma...Mas isso parece ter gerado uma reação negativa.
Quando o meio elfo foi correndo para o banheiro lavar sua mão o rapaz mais alto se levanta e se aproxima lentamente de Maxine.
— Algum problema garotão?
— Hm...
Talvez esse aqui seja aqueles que gosta de arranjar confusão do nada...
O mais alto dá uma longa suspirada seu olhar parecia ameaçador porém quando se aproxima de vez ele levanta suas mãos, Maxine parecia estar em alerta, mas ele apenas ajeita o cabelo da garota e arruma seu sobretudo.
— Não precisa se assustar com o Gabe, ele tem essa expressão fechada mas é alguém de confiança, só não ligue muito para sua mania, ele é louco por organização e limpeza.
— É presumo que nos daremos bem, gosto de pessoas organizadas.
— Hmph. — ele volta a se sentar —
Parece que o grandão não era de grande ameaça pelo visto, menos mal não queria uma confusão logo de cara no meu período de readaptação.
— Ah Akimi, você já chegou...
É e mais uma pessoa alta aparece, ela carregava em suas mãos algo bem...atrativo assim dizendo. Um bolo retangular de morango e chantily com cerejas em cima...Melhor parar de encará-lo, doces bem decorados e chamativos são um dos meus pontos fraco, ela o deixou em cima da mesa e se aproxima de mim e...
— Seja bem vinda!
A mais alta a ergue enquanto a abraçava, os pés de Maxine já não estavam mais no chão.
— É isso que eu chamo de "boas vindas" bem calorosas... — comentou Maxine -
— Não exagere Mille, não vai querer assustar a nossa nova companheira.
— Foi mal, foi mal Akimi, mas temos que fazer com que ela se sinta mais a vontade.
Temo que aja formas mas adequadas de se fazer isso...Mas não quero magoar os sentimentos de uma jovem Oni. Diferente dos Orcs e Ogros, os Onis tem sua aparência mais distinta, a falta de presas é evidente e a aparência mais rígida é algo que deixa de ser notável ainda mais nas fêmeas, essa no entanto embora tenha o tamanho de uma, e assim como nosso companheiro lobisomem ela consegue ser um pouco maior que ele, mas tendo apenas um chifre em sua cabeça dá para notar que ela não é sangue puro...Não deixo de notar um certo padrão aqui...
Antes que eu pudesse observar mais um pouco notavelmente copos com uma aura rosa flutuavam para aquela mesma mesa de centro enquanto duas garrafas fechadas também foram transportadas da mesma maneira...uma aura assim tão suave e brilhante só pode se tratar de uma...
— ...
— Hm? Vem logo Layla, ela não vai te morder.
— Tem certeza? As vezes pode ser uma armadilha...Você sabe quem ela realmente é?
— Uma humana?
— Uma caçadora Mille!
Como eu suspeitava, uma fada. Criaturinhas tão pequenas mas o que lhes falta de tamanho compensam em magia, ela parece desconfiada de mim, mas não a culpo encarar o desconhecido realmente pode ser assustador na primeira vez.
— De fato sou uma, mas não se preocupe não farei nada de suspeito.
— Sei...
— Não ligue para ela, parece nervosa mas ela é totalmente tímida na primeira olhada.
É um elenco fascinante que temos aqui, uma Kitsune, um meio elfo, um lobisomem híbrido, uma fada e uma meia Oni, até agora não senti nenhuma ameaça muito menos houve algum sinal de hostilidade dado o fato de que além de eu ser humana eu também tenho...digamos um emprego "peculiar".
— Aqui. — disse a mais alta oferecendo um copo para ela -
Todos se reuniram na sala de estar ,o meio elfo após "lavar" suas mãos se junta a eles em seguida a bebida é servida para cada um por Akimi.
Seria uma tentativa de simular um vinho? Suco de uva concentrado em garrafa, essa marca no entanto não é lá das mais baratas dá para ver a dedicação de todos.
— *Bate palmas* Vamos lá pessoal, hoje nós contamos com uma nova integrante em nosso dormitório, essa é Maxine bem acho que todos notaram que ela é uma humana mas não preciso repetir o que sempre falo quando temos um membro novo no dormitório não é?
Ela parece um pouco nervosa mas conseguiu se expressar, talvez essa a minha deixa.
— Obrigado pela breve introdução, bem acho que não teria como esconder o fato de que uma "humana" frequentaria esse lugar, e para que uma conseguisse tal feito, ela teria que ser especial, resumindo de fato sou uma caçadora, mas não se preocupem, eu estou afastada em tempo indeterminado não vou fazer nada de suspeito por aqui mas espero que isso não seja uma barreira para a nossa "futura interação" e não não vou fazer nada com o cérebro de vocês se é o que algum de vocês está pensando *pisca para Layla* e também ficarei feliz em responder qualquer pergunta sobre mim e talvez tenha ligação com o meu trabalho...mas apenas o que tiver a meu alcance.
Apresentações não são muito o meu forte ,Solomon estava certo quando disse que meu nível de interação social não é o dos melhores, costumo ser bem direta, para minha sorte parece que meu jovem amigo lupino entendeu o meu lado, e os mais curiosos vieram até mim com perguntas sobre "casos" e até mesmo sobre..."torturas"...Claro que desviei algumas coisas em nossa breve conversa, afinal muito das coisas relacionadas ao meu trabalho é restrita e confidencial, mas facilitou a interação de alguma forma. O jovem elfo e a fada foram os que mais ficaram interessados.
— Tá legal, vocês dois se acalmem, não sufoquem ela terão muito tempo para conversar, agora vamos apreciar nossa pequena festa de boas vindas.
Mesmo com o pedido da nossa "grande" companheira os dois mesmo durante a comemoração continuaram as perguntas, até tive que me sentar para respondê-los melhor, Akimi insistiu para que parassem mas disse que não seria problema, contanto que eu não revele muitos detalhes será um ponto no quesito interação com outras espécies.
O bolo em si não estava apenas perfeito na aparência o gosto também estava delicioso, apesar de ser uma apreciadora de doces mas não daqueles do tipo enjoativo esse até que está agradável a maciez está no ponto perfeito e o recheio está em uma quantidade aceitável, ao elogiar parece que pela reação foi a Mille quem o preparou bem ela tem o dom para culinária.
Noto também que nosso amigo mais reservado é um dos mais atenciosos do grupo, enquanto os mais agitados se acalmavam ele ocasionalmente os limpava, oferecia até mesmo uma bebida quando estavam com a boca cheia parece que as aparências podem realmente enganar.
[...]
Após toda essa comemoração fui para o toalete precisava me espairecer um pouco, mas se me lembro bem nosso pequeno amigo de orelhas pontudas esteve aqui, e como eu suspeitava ele implantou algumas pequenas armadilhas, se eu usasse a torneira nesse momento ao que parece meu rosto seria tingido com algum tipo de tinta que provavelmente perduraria por alguns dias, ao desativar o encanto uma certa quantidade de água colorida saiu daquela torneira e depois voltou ao normal.
— Mais sorte na próxima meu amigo... — gritou ela —
— Sério? Você não tem graça nenhuma... — disse Ayle decepcionado atrás da porta -
Como é que falam "esse é mesmo uma figura" suas brincadeiras parecem leves mas me pergunto se ele alguma vez ousaria passar do limite com uma coisa dessas.
No pequeno tour consegui ver que o dormitório não é tão pequeno como eu imaginava, na parte de cima ficavam os quartos, Akimi se ofereceu para levar a minha mala até lá.
Na parte de baixo ficavam os cômodos de acesso livre, cozinha, haviam dois banheiros aparentemente são unissex, mas os garotos usavam o do lado esquerdo e parece que as meninas usam o que ficava ao lado esquerdo, talvez eu deva respeitar essa regra...a menos que ela seja burlada caso alguém fique tempo de mais ali dentro.
O mais curioso é que o dormitório mesmo sendo apenas um pouco maior que meu apartamento é comprimido em várias portas, e o porque disso? Apenas uma explicação, magia extraespaçodimensional...uma nomenclatura bem esquisita não é mesmo? Geralmente nós caçadores usamos esse tipo de espaço como depósito geralmente é usado uma porta ou até mesmo uma chave como referência e quando a mesma é usada dá acesso ao lugar isso explica muita coisa, economizaram muito em infraestrutura mas quando se tem um espaço como esse com a ajuda de magia até mesmo o menor dos armários pode dar acesso aos maiores quartos.
Na cozinha por exemplo vendo desse mesmo truque aqui dentro ficavam apenas o essencial, geladeira, fogão, micro-ondas, dispensa, armários, pia e alguns armários para guardar as louças, e bem ao lado por uma outra porta ficava a sala de jantar, mas na mesma cozinha havia uma mesa e algumas cadeiras, pessoalmente acho salas de jantares um cômodo espaçosamente desnecessário, mas claro que como caçadora eu não me dou ao luxo de comer em um lugar assim.
Na sala de estar da qual estávamos era bem decorada, presumo que todos os dormitórios tem o seu estilo, além do grande sofá haviam duas poltronas que ficavam ao lado, e mesmo com a lareira presente o lugar contava com luminárias e algumas mesas haviam vasos de flores e também havia um grande relógio de madeira estilo inglês, um clássico para se ter em qualquer residência.
Subindo a escadaria que ficava no canto inferior da sala, cheguei aos quartos, como o lugar não é tão grande haviam 6 portas, 3 em cada lado e a cada espaçamento havia um candelabro com uma luminária acima, o quarto em que Akimi se encontrava estava aberto.
— Parece que alguém levou a sério o conceito de "minimalismo".
— Ah isso? Não sou muito fã de lotar o ambiente com bastantes adereços.
As camas ficavam cada uma dos dois lados do quarto, um cômodo retangular bem espaçoso, diferente do andar de baixo aqui não precisou usar daquele truque barato para poupar espaço, as camas eram de solteiras e havia uma mesa no centro há alguns metros das mesmas haviam portas que davam em pequenos closets, essas sim usavam magia para existirem, o closet servia apenas para guardarmos algumas coisas, vai ser fácil organizar minhas roupas pelo visto, no centro havia uma mesa com duas cadeiras e ao lado das camas uma escrivaninha, havia uma grande janela que estava fechada, já estava anoitecendo quando notei.
— Não se incomode de preencher o espaço que sobrou com o que achar ideal. Se pudesse deixava você em um quarto próprio, mas você sabe, regras da Academia.
— Não se preocupe, também não sou do tipo que gosta de acumular muita coisa e não me importo de dividir um quarto.
— Fico feliz, mas e então o que achou do pessoal?
— Muitos rostos novos e personalidades cativantes mas até que eles são legais...Cá entre nós, eu notei que todos aqui presente não são de fato...dizendo com palavras adequadas, puros.
— Ah, sim, digamos que nós somos um dos poucos que não vieram de uma família de raça pura, mas isso não nos atrapalha em nada, nós híbridos temos que nos manter reunidos.
Imagino que por causa disso recebam tratamento um tanto diferente dos demais...claro que não toquei nesse assunto pois não queria soar rude, mesmo já parecendo.
— Bem, e agora vocês tem uma humana, mais estranho que isso não pode ficar.
— Não se preocupe pelo menos não estará sozinha por lá.
— É bom ouvir isso, mas agora eu gostaria de saber sobre o lugar, quais são as regras que devo seguir aqui, e lá, o que devo fazer daqui para frente?
— A diretora não lhe explicou?
— De uma maneira bem vaga...Vejamos...
Ela olha a sua mala e pega os papéis que havia recebido.
— Mesmo sendo fã de leitura acho que isso é muito para mim, poderia me ajudar?
— Mas é claro que sim.
Akimi então se aproxima e se senta ao lado de Maxine em sua cama ambas conferem os papéis...
A primeira etapa já foi concluída, agora a parte do planejamento talvez seja a mais difícil no momento, mas irei me preparar para qualquer tipo de situação, não é como se algo extraordinário fosse acontecer no meu "primeiro dia" não é mesmo?
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