Pandora

7 Posfácio.


Pandora foi para minha casa no mesmo dia, seguindo-me cegamente, ainda que não houvessem mais mãos engorduradas de comida. Ela visitou o que seria sua primeira veterinária naquela tarde e, segundo sua análise clínica, ela havia morado toda sua vida na rua.

Pandora fez alguns exames que voltariam negativos e saudáveis na semana seguinte. E, mais tarde, tomou o seu primeiro banho que revelou sua pelagem densa e branca angelical debaixo da sujeira que a fazia parecer aquele magrinho panda.

Pandora recebeu aquele nome após destruir uma caixinha que minha mãe havia deixado em minhas coisas secretamente. A Caixa de Pandora, além de poder se tornar em Panda como apelido, carrega todo aquele simbolismo por trás, de ainda haver esperança.

Pandora foi um presente de boas vindas que o universo deixou a porta da minha casa. Mas também foi um presente que o universo colocou a porta de sua rua. Ela não sabia como comer dentro de uma vasilha, ou assimilar que haveria outra refeição mais a noite. Coleiras eram criaturas assustadoras e carros eram um grande “não”. Mas a cama era quentinha, os carinhos gostosos, a comida deliciosa e o amor reciproco.

Não tenho muito o que falar mais do que o que já se sabe sobre cachorros. Eles são anjos. Pandora não salvou a minha vida, mas foi minha melhor amiga em um momento que perdi tudo. Sua vida fez da minha mais fácil, mais engraçada, mais babada e muito mais feliz.

Pandora é, como todos os cachorros, uma bolinha de esperança e uma alma pura.

Às vezes, eu queria ter mais palavras para escrever sobre Pandora, mas entre patas e latidos, sua história é ela quem deveria contar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!