Pandora
1 Prólogo
Notas iniciais
“Sete demônios ao meu redor. Sete demônios na minha casa.”
“Seven Devils” Florence + the Machine
.
O demônio explodiu em entranhas e sangue preto, assemelhando-se a uma chuva de cor escura cobrindo tudo que via pela frente.
Maldizendo a situação, Liv puxou a besta para trás de forma brusca e correu para trás da árvore de salgueiro puído, tentando se proteger do líquido fétido que caia como chumbo na terra, criando pequenas crateras no chão lamacento e escorregadio. O ar de Blodhou estava pesado e sujo, transformando a respiração em uma ação quase que impossível e os pensamentos em uma bagunça.
Suspirou pesadamente enquanto olhava ao redor. Havia vários corpos jogados no chão, tanto de humanos quanto de outras criaturas. Yanne e Viktor estavam um pouco afastados de si, apoiando-se um no outro, provavelmente feridos. Damien ainda estava olhando tudo como se aquilo não passasse de uma cena ilusória, seu corpo estava paralisado em frente ao portão destruído da igreja e seus olhos se moviam rapidamente por todo o ambiente.
Então ela viu Morgan, caído semelhante a um boneco de pano próximo ao desfiladeiro. Suas roupas estavam rasgadas e cobertas por sangue. A Faure podia ver as tentativas falhas do rapaz ao tentar erguer o corpo , forçando seus cotovelos ralados contra as rochas pontudas, entretanto, suas pernas pareciam presas ao chão. Liv escutou os gemidos baixos de dor, as lágrimas que nunca cairiam e o murmuro e choramingo incessante do bestial implorando para sair. Para destruir tudo e a todos, inimigos ou não.
Eles estavam cansados, e eles estavam perdendo. A caçada, as fugas, a sensação de liberdade, a dor, tudo passou por sua mente em um piscar desesperado.
Ergueu novamente a besta quando um par de demônios surgiu perto de onde estava. Ela podia ser a única humana entre seus amigos, não ter nenhum poder especial ou divino, mas ela tiraria forças de onde diabos fossem para defendê-los. Nem que para isso tivesse que morrer.
Então ela atirou.
E tudo se transformou em caos.
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