Pandora

22 The Search for My Love - Part I


Notas iniciais
Hello, it's me... Boa leitura ;-)

CARTER TALKING:

Acordei com uma dor de cabeça infernal. Já era hora do almoço, mas não aguentaria sair da minha cama e escutar o barulho do salão principal. Minha boca tinha gosto de vômito e meus olhos estavam embaçados. Estava fazendo muito calor e eu me forcei a levantar com um gemido e tomar um banho. Demorei um pouco lá dentro, mas quando saí eu me senti renovada, mesmo que a enxaqueca tivesse piorado. Quando me observei no espelho, soube instantaneamente que havia piorado.

Eu estava com olheiras escuras abaixo dos olhos e minha pele ainda mais pálida não ajudava em nada. Minha boca não tinha mais cor. Me apoiei na pia com a dor no estômago. Então corri até a privada e vomitei. Talvez fosse a ressaca, talvez fosse a minha pré-morte, eu nunca saberia. Me levantei, trêmula, e tossi. A minha mão encheu-se de sangue. A dor de cabeça chegou ao ápice e eu caí no chão, desmaiando por alguns minutos.

Daquela vez, nenhum objeto levitou ou derreteu, porque eu não tinha mais forças.

Eu podia morrer hoje.

Então agarrei-me ao pensamento de que deveria me despedir do pequeno Sam, Nick e James. Eles mereciam. Engoli em seco, escovei os dentes e tomei um pouco da água da pia.

Quando saí do banheiro, comecei a sentir frio e sabia que a febre havia chegado. Peguei as minhas roupas mais quentes e comecei a andar cambaleante até as escadas. Nick entrou no salão comunal naquele momento e eu tentei me esconder, mas seus olhos já haviam me interceptado.

— Carter?

— Oi — sussurrei, dando-lhe um sorriso fraco.

— Você está péssima, Carter. Venha comigo, vou levá-la para a ala hospitalar.

— Não! — tossi novamente. — Não. Me ajude a encontrar o Sammy.

— Tenho certeza que você pode falar com ele amanhã. Venha comigo.

— Não. Tem que ser hoje. Por favor.

Os olhos frios dele me observaram e eu podia sentir que ele queria muito me levar até a enfermaria, mas mesmo assim ele assentiu. Me levantou e deu suporte, então saímos do salão comunal das cobras até a Grifinória e a mulher gorda me deixou entrar sem perguntas. Nick suavemente me colocou no sofá e disse:

— Espere aqui, eu vou perguntar.

Fechei os olhos e só os abri quando ele tocou no meu ombro:

— Eles saíram hoje de manhã e ainda não voltaram. Por favor, Carter, deixe-me levá-la até a ala hospitalar e prometo que os procurarei para você.

Eu não queria passar minhas últimas horas em uma maca.

— Não, Nick.

— Então se não quer ir até lá, tem um chalé perto daqui que está desabitado. Era do antigo guarda caças de Hogwarts. Lá não é a enfermaria e tem alguns remédios. Você poderia sair quando quisesse. Por favor.

Havia algo em seus olhos que me deixou com medo de dizer não.

— Certo — desisti.

***

JAMES TALKING:

Eu não sabia quanto tempo havia ficado lá, tentando tirar Sammy daquelas paredes invisíveis que o prendiam, sem que nem pudesse falar comigo. Ele parecia horrorizado. Quando achei um feitiço que serviu, ele começou a desabar as palavras em cima de mim:

— Eu sei dos poderes da Carter e sei que ela está morrendo. Ela vai morrer hoje, James, precisamos encontrá-la!

A adrenalina correu pelas minhas veias e meus ouvidos zuniram.

— O quê? Você sabe? O quê?

Ele começou a andar apressado até o final do corredor e juntos descemos as escadas. As palavras jorravam de sua boca e eu me esforcei para entende-lo.

— Você não pode me julgar, Potter. VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE JULGAR! Quando eu tinha oito anos, eu tinha uma irmã de treze. Eu a amava muito. — Sam parecia um adulto falando com uma criança — Quando ela estava na escola, eu estava em casa por algum motivo, e meus pais começaram a brigar. Era normal eles fazerem isso, mas daquela vez foi sério. Mamãe gritou "Acabou! Quero divórcio"! E eu sabia o que aquilo significava. Meu pai saiu de casa e ela alguns minutos depois também se foi e eu fiquei sozinho. Não demorou muito tempo e eu comecei a ficar com raiva e entrei no quarto da minha irmã por engano. Eu estava com tanta raiva que quando percebi que estava lá eu comecei a rasgar os livros dela. Eu sabia o quanto eles eram importantes para ela, porque ela economizava dinheiro para comprá-los e os tratava como filhos.

— Sam, desculpe interromper, mas o que isso tem a ver com alguém te prender dentro de uma caixa invisível em um corredor escuro?

Mas ele parecia submerso em sua história, como se ele estivesse lá presenciando-a.

— Ela amava aqueles livros e eu pensei que seria justo ela perder os livros do mesmo jeito que eu perdi meus pais. Deixei o melhor por último, que foi o primeiro livro que ela comprou. As incríveis aventuras de Billy James. E enquanto eu o rasgava, ela entrou no quarto. Eu me lembro de como o seu sorriso desapareceu lentamente e ela largou a bolsa, processando o que eu havia feito. Ela se ajoelhou e pegou algumas páginas que estavam perto dela. Ela parecia querer chorar, mas mesmo assim ela se levantou e eu percebi o que havia feito, mas eu continuava com raiva e nós brigamos. Ela não sabia que nossos pais haviam decidido se separar. Ela estava com tanta raiva naquele momento que me empurrou e aquela foi a primeira vez que a sua mágica se ativou. O guarda-roupa caiu em cima de mim e eu pude ouvir seus gritos, mas quando eu acordei, estava ileso e ela havia desaparecido. Acho que ela me curou. Aquela foi a última vez que eu a vi.

Eu não tinha palavras para o que ele havia acabado de contar. Ele era tão novo e os pais se separaram e a irmã desapareceu no mesmo dia.

— Sua irmã era como Carter. Podia fazer magia sem varinha.

Sam virou seu rosto para mim e seus olhos brilharam. Ele assentiu.

Chegamos até a sala do diretor.

***

CARTER TALKING:

Nick me levou no colo até a cabana do antigo guarda caças. Me deitou em uma cama que há tempos não era utilizada, então a poeira subiu. Nick esvaziou a mesa de jantar e começou a arrumar a cozinha. Procurou alguns remédios e me deu uma aspirina, que não fez muito efeito. Eu tossi novamente e Fred se deitou ao meu lado.

— Eu sinto muito — ele abaixou o olhar.

— Está tudo bem. Está tudo bem. — e minha voz falhou. Não. Eu não podia chorar. Não agora.

E então o ruivo desapareceu.

— Aqui está, Carter. Esse remédio pode causar sono, mas você melhora — Nick me deu e eu, grata, tomei.

— Eu realmente sinto muito — ele disse.

— Pelo quê? — a minha voz já estava ficando sonolenta.

— Eu realmente pensava que você ia viver mais. — e então Nick pôs uma venda nos meus olhos.

— Nick? Eu não...

— Shhhh — ele disse e sua voz ficou distante, enquanto eu caía em um sono profundo.

***

JAMES TALKING:

Quando entramos na sala do diretor, ninguém estava lá. Então eu me lembrei de que ele avisou que se ausentaria a semana para viajar a negócios até algum local perto da Itália.

Sam começou a respirar rápido demais e eu o acalmei, abraçando-o.

— Nós temos que achá-la — ele quase berrou.

— Quem a pegou, Sam?

— Você precisa entender, James. Eu passei dois anos sem saber da minha irmã. Mas no terceiro ano um homem de paletó chamado Dr. Watson apareceu no meu quarto e me contou que sabia onde estava ela. Disse que eu poderia encontrá-la novamente se fosse com ele, mas que se aquilo fosse o que eu decidisse, eu não poderia voltar para casa. Eu não liguei. Fui com ele. E ela estava lá, James. Chamam aquele local de Organização.

Eu reconheci o nome da história de Carter. O local onde sequestram bruxos com a capacidade dela.

— Me permitiram — Sam continuou — ficar observando-a enquanto a ensinavam a controlar seus poderes. Mas ela não me via, nem fazia ideia de que eu estava lá. Então alguma coisa aconteceu, James. Proibiram-me de vê-la e disseram que tinham uma missão para mim. Foi quando a me levaram até um quarto branco e a puseram lá também. Ela pensava que eu estava morto. Chorou e disse que me amava muito. Que a Organização estava mentindo para nós. Eu já havia começado a suspeitar aquilo, mas quando a levaram eu continuei obedecendo. Então me disseram que a minha missão era vir até Hogwarts como garoto de primeiro ano e vigiá-la. Eu pensei que podia protegê-la, James. Mas ela está morrendo.

— Sam, quem é a sua irmã?

Ele não respondeu. Mas eu já sabia.

— É Carter, não é?

— Eu vim aqui para protegê-la, James. Eu não queria que isso acontecesse.

— Sam, quem a sequestrou?

— No último dia na Organização, me mostraram quem eram os outros espiões. Um devia apenas observá-la de longe. Seu nome era Ian. E o outro devia ser o seu melhor amigo...

— Nick.

A surpresa e o horror me invadiram. Mas eu me lembrava dele quando tínhamos onze anos, nós...

— Implantaram na cabeça de todos que eles estudavam com vocês desde o início para não causar suspeita. Eles tem muito poder nas mãos. Mas Nick começou a perceber que ela não ia melhorar, James. Ontem, quando Carter voltou para o salão comunal, Nick estava na biblioteca e guardou um livro em uma estante escondida. Era de magia negra, James. Eu não fazia ideia do que ele faria até hoje. Eu o interceptei no corredor do sétimo andar e ele contou que não tinha jeito mesmo, Carter morreria de qualquer forma. Quando ele me prendeu naquele corredor por feitiços de barreira, ele disse que conseguiria extrair toda a magia dela e transferi-la para ele. Ele vai matá-la, James. E eu não sei onde achá-lo.

***

CARTER TALKING:

Quando eu acordei, estava deitada em cima na mesa de jantar. Meus braços estavam amarrados nela e meus pés também. Estava fraca demais para respirar direito, não conseguiria conjurar nenhum feitiço para me soltar.

— Nick? — sussurrei. Será que alguma coisa aconteceu a ele? E então eu o vi, de pé nas sombras. Ele se aproximou. — Nick, o que...

— Desculpe-me Carter, mas o livro diz que você deve estar acordada durante o processo.

E ele pegou a faca.

Notas finais
Galeraaa, faltam apenas três capítulos para a Parte I da fanfic terminar! Sammy é o irmão da Carter e o Nick era o espião :0 #Chocada #Sqn #Bjus